Autoridades do distrito do Rio Pardo

Capítulo da História de Argirita publicado em 2003.

Antes da organização do distrito, o povoado tinha sua representação no padre que dava assistência aos moradores e no Juiz de Paz, eleito em assembléia da unidade administrativa a que pertencesse o território.

Dos padres trataremos em outro capítulo. Para identificar os primeiros Juizes de Paz seria necessário encontrar o livro do cartório notarial de Rio Pomba, sede administrativa da época. Infelizmente, segundo informações que nos foram passadas pela Prefeitura de Rio Pomba, um incêndio destruiu o acervo relativo ao período que nos interessa.

O primeiro livro cartorial do Distrito do Espírito Santo abrange os anos de 1839 a 1845. Encontra-se no Arquivo da Prefeitura Municipal de Mar de Espanha, muito danificado, com pouquíssimas páginas em condições de serem lidas. Outra fonte, o primeiro livro cartorial do Distrito do Rio Pardo, iniciado a 19.02.1841, pertencente ao acervo do Arquivo da Prefeitura de Leopoldina, em fase de restauração. Em nenhum dos dois livros foram registradas informações sobre os Juizes de Paz em exercício até 1851.

Entre abril de 1841 e julho de 1851, estando o Rio Pardo subordinado a São João Nepomuceno, no Arquivo da Prefeitura Municipal daquela cidade deveriam ser encontradas as Atas de Assembléias Eleitorais. Surpreendentemente porém, nada foi localizado até o momento que dissesse respeito a eleições deste distrito. Desta forma, a informação mais antiga que conseguimos apurar, através de documento encontrado no Arquivo Público Mineiro, é a que trata da Qualificação de Eleitores do Rio Pardo em fevereiro de 1851. Pela ata ficamos sabendo que o Juiz de Paz era Antônio Bernardes de Carvalho e que os eleitores escolheram para a formação da mesa os senhores João Evangelista Coimbra, Custódio Dias Moreira e Antônio Júlio da Paixão.

Morador do 3º quarteirão, Antônio Bernardes de Carvalho nasceu por volta de 1800, era lavrador, e em 1853 estava casado com Maria Bárbara Nunes, mãe de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão. De um relacionamento anterior com Ana Maria da Assunção, Antônio Bernardes tivera os filhos Carlos José Jacinto de Carvalho, Antônio Alves de Oliveira Carvalho e Maria Antônia de Jesus, esposa de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão.

João Evangelista Coimbra era solteiro em 1851, carpinteiro de profissão, nascido por volta de 1818, residente no 4º quarteirão de Rio Pardo. Segundo escritura de compra e venda de bens de raiz encontrada no Livro 3 do Cartório de Notas de Argirita 1862-1867, era filho de Joaquim Manoel de Coimbra e Teodora Messias Candida de Assis, provavelmente os primeiros moradores do território onde mais tarde foi criado o distrito de Tebas. Segundo algumas fontes documentais, o pai de João Evangelista seria o Manoel Joaquim de Tebas que deu origem ao nome do distrito. .

Custódio Dias Moreira nasceu em 1798, era lavrador, residente no 6º quarteirão, casado. Assim como a família Coimbra, os Dias Moreira foram numerosos na região.

Antônio Júlio da Paixão foi negociante, nasceu por volta de 1815 e em 1851 residia no 1º quarteirão, casado. É um dos nomes mais freqüentes entre os chamados “homens bons” que dominaram a política do Rio Pardo segundo nos mostram os documentos.

É sugestivo observar que os três mais votados para compor a mesa eram residentes em quarteirões diferentes. Considerando que João Evangelista Coimbra obteve 56 votos e o seu quarteirão contava com 28 eleitores, que Custódio Dias Moreira teve o mesmo número de votos e residia num quarteirão com 31 eleitores, e que Antônio Júlio da Paixão ficou com 40 votos sendo de um quarteirão com 14 eleitores, julgamos válido supor que os três tinham influência política também fora dos limites de sua própria jurisdição. Lembremo-nos que a expressão “curral eleitoral”, de sentido tão pejorativo hoje em dia, teve origem na liderança exercida por moradores sobre seus vizinhos de quarteirão.

Já em 1853, segundo nos informa Celso Falabella, Inácio Nunes de Moraes foi um dos eleitos para o cargo de Juiz de Paz do Rio Pardo. No período que vai de julho de 1851 a abril de 1854, o distrito esteve subordinado a Mar de Espanha e as Atas Eleitorais deveriam estar nos livros daquele município. A exemplo do ocorrido em São João Nepomuceno, também ali não logramos êxito nas buscas. Sabe-se que naquela época eram 2 os eleitos para o cargo. No mesmo período em que Celso Falabella cita Inácio Nunes de Moraes, sabemos que Antônio Júlio da Paixão exercia o mesmo cargo. Desconhecemos o número de votos de cada um e, conseqüentemente, qual deles era o 1º e o 2º.

É a partir de 1854 que se torna mais fácil acompanhar a história do Rio Pardo porque, subordinado a Leopoldina, teve a maioria de seus registros preservados pelo Arquivo da Prefeitura daquela cidade. Ainda assim encontraremos um intervalo sem documentos, já que em 1868 a cidade de Mar de Espanha requisitou e conseguiu administrar Rio Pardo por algum tempo.

Resumindo o que pudemos apurar temos então os seguintes detentores do cargo de Juiz de Paz do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, de acordo com o ano em que foram empossados:

1851

  • Antônio Bernardes de Carvalho

1853

  • Antônio Júlio da Paixão
  • Inácio Nunes de Moraes

1857

  • 1º Gonçalo de Souza Lima
  • 2º Cândido José de Barros
  • 3º Inácio Nunes de Moraes
  • Antônio Júlio da Paixão toma posse em substituição a Gonçalo de Souza Lima

1859

  • José Vieira da Silva, eleito por Dores do Monte Alegre
  • Manoel Dornelas da Costa, eleito por Dores do Monte Alegre

1860

  • José Furtado de Mendonça, eleito por Dores do Monte Alegre

1861

  • Firmino Antônio de Lima

1862

  • 1º Antônio Júlio da Paixão
  • 2º Francisco Antônio da Cunha
  •  3º Cândido José de Barros
  • 4º Joaquim José Coimbra
  • José Joaquim Barbosa, especial de Dores do Monte Alegre.

1863

  • 1º Albino Silvino de Lima e Melo
  • 4º Joaquim Soares Ferreira, eleito por Dores do Monte Alegre

1865

  • 1º Emygdio José de Barros
  • 2º Francisco Antônio da Cunha
  • 3º Antônio Bernardes de Carvalho, eleito por Dores do Monte Alegre.
  • 4º João Antônio Martins
  • 1º Felisberto Rodrigues Pereira Brandão, especial de Dores do Monte Alegre.
  • 2º José Vieira da Silva, especial de Dores do Monte Alegre.

1866

  • 1º Jacob Dornelas da Costa
  • 3º Manoel Luiz Pereira
  • 4º José Antônio Nunes de Moraes, eleito por Dores do Monte Alegre.

1867

  • Francisco Antônio da Cunha

1877

  • Francisco Rosa Cândido

1881

  • 1º Joaquim Pereira de Sá
  • 4º Antônio Hermogêneo Dutra

1883

  • 1º Valério de Souza Meireles
  • 3º Joaquim Teixeira de Meireles
  • 4º Antonio Cardoso Brochado Júnior

1888

  • Antônio Hermogêneo Dutra

1891

  • José Maria Furtado de Souza

1892

  • José Teixeira Meireles

1894

  • 1º Manoel Marinho da Cunha
  • 2º Jerônimo Fernandes das Chagas

Muitos deles serão citados em outros capítulos por sua participação em outras atividades ou por fazerem parte de famílias melhor estudadas. Faz-se necessário acrescentar, ainda, as seguintes autoridades:

  • Antônio Bernardino Damasceno tomou posse como Fiscal do distrito a 16.02.1883;
  • Antônio Rodrigues de Barros, indicado para Fiscal do distrito a 30.07.1877;
  • Antonio Júlio da Paixão tomou posse como Vereador em Leopoldina a 09.04.1862 e como 3º substituto de Juiz Municipal, também em Leopoldina, em 05.03.1866;
  • João Antonio da Costa Coimbra, Vereador empossado em Leopoldina a 07.01.1881;
  • João Evangelista Coimbra, Vereador suplente empossado em Leopoldina a 09.10.1862;
  • Joaquim Pereira de Sá, Vereador com posse em Leopoldina a 07.01.1887

  Carta de Liberdade

Passada no Cartório de Notas de Pirapetinga por Vicente Ferreira da Silva a 21.05.1872, concedendo liberdade ao filho de sua escrava Silvana, na época com 8 meses e 4 dias.

6º livro de Notas do Cartório de Paz de Pirapetinga, códice 30 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 38.

Carta de Liberdade

Saibão quantos este publico instrumento virem, que sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oito centos e setenta e dous, aos vinte e hum dias de Maio do dito nesta Freguesia de Santa Anna do Pirapetinga Termo da Leopoldina Comarca do Rio Novo e Provincia de Minas, em meo Cartorio compareceo perante mim escrivão, O cidadão Vicente Ferreira da Silva morador nesta Freguesia do meo conhecimento e das testemunhas abaixo assignados perante as quaes por elle foi dito que é Senhor, e possuidor de hum escravinho de nome Pedro, de idade de oito meses e quatro dias, filho de sua escrava Silvana, ao qual concede plena liberdade como se nassesse de ventre livre, isto de muito sua livre e espontanea vontade, e de como assim o disse me pedio este instrumento em meo livro de nottas para a todo o tempo constarem o qual assigna com as testemunhas, com migo Manoel Jose de Magalhaens, escrivão que escrevi e assigno em publico e razo.

Antônio Caetano Gomes

Uma família leopoldinense de origem açoriana.

Acidentes Geográficos e Antigas Fazendas de Argirita

Localizar as antigas propriedades de uma região é tarefa um tanto espinhosa. A documentação existente abrange um vasto território e poucas são as referências que nos permitem identificar os acidentes geográficos que serviram de limites para as antigas fazendas.

Exemplo disso foi a pesquisa que realizamos a partir das declarações dos proprietários em 1856 do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo. Utilizando e comparando-as com a cartografia disponível, acrescentando referências de livros cartoriais e Leis de criação de distritos, chega-se ao seguinte esquema.

RIO PARDO – É o mais importante do município de Argirita e seu nome é mencionado desde a primeira metade do século dezenove. Embora alguns de seus tributários tenham sido considerados, em épocas distintas, como tendo o mesmo nome, utilizamos para este trabalho o percurso que serviu de referência na criação do Curato em 1839. Ou seja, nasce ao sul do município e o atravessa no sentido sul/norte indo desaguar no rio Pomba depois de passar pelo distrito de Piacatuba. Pela esquerda eram conhecidos o córrego Tijucal, o ribeirão São Bento do sul, o córrego da Prata, o antigo córrego Boa Vista hoje chamado Azul, o córrego Lustosa e outros já no distrito de Piacatuba. À direita eram mencionados o córrego Santa Maria, e o Monte Redondo cuja foz marca a atual divisa com Piacatuba e Tebas.

Muitos foram os desbravadores dos sertões do rio Pardo que formaram fazendas às suas margens. Alguns serão citados pelo nome da fazenda. Os demais, dos quais não conseguimos descobrir nomes de propriedades, foram os seguintes: Antonio de Souza Lima, Antonio Lopes de Oliveira, Antonio Luiz de Souza Rosa, Damazo Franco de Azevedo, Domingos Ferreira de Souza, Domingos Marcelino da Silva, Eduardo de Souza Lima, Feliciano José Barbosa, Felisberto de Souza Monteiro, Florentino José Martins, Francisco André de Vasconcelos, Francisco José de Brito, Francisco José Furtado, Francisco José Gonçalves da Veiga, Francisco José Teixeira, Francisco Nunes de Moraes, Jeronimo José Nogueira, João Eduardo Rodrigues Vale, João Lopes de Arruda, Joaquim Antonio dos Santos, Joaquim Fortunato Lemos, Joaquim José de Oliveira, José Alves do Vale, José Custódio de Souza, José Fernandes de Souza, José Lopes de Oliveira, José Mariano de Siqueira, José Mendes Ferreira, Luiz Antonio de Souza, Manoel Gomes Pinto Braga, Manoel José Gonçalves, Manoel José Teixeira, Manoel José Teixeira Júnior, Manoel Ribeiro Soares, Margarida Francisca de Souza, Miguel da Costa Ferreira, Pedro Alves do Vale, Pedro da Silva Cintra, Rita Ferreira Leite, Rita Guilhermina do Vale, Rita Guilhermina do Vale, Romualdo Pereira Santiago, Rosa Maria, Serafim Rodrigues Ferreira, Severino José Medina, Tereza Clara de Jesus, Vicente Joaquim de Paula.

Sabemos que alguns destes nomes são de moradores dos atuais distritos de Tebas e Piacatuba e foram aqui relacionados por estarem subordinados ao Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo até 1856.

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Área central do território de Argirita

 

RIBEIRÃO SÃO BENTO – Encontramos três cursos d’água de mesmo nome. O primeiro localizado à leste da área urbana de Argirita, dentro de seu território permanece pois que deságua no Monte Redondo. O segundo nasce próximo ao primeiro, na divisa entre Argirita e Tebas, estando integralmente em território daquele distrito. Entre as fazendas encontradas à margem deste segundo ribeirão de São Bento destacam-se a Santiago e a Concórdia, ambas já existentes em 1856. O terceiro ribeirão São Bento nasce na divisa entre Argirita e Maripá e toma o rumo norte para desaguar no Rio Pardo bem próximo da área urbana de Argirita. Para este trabalho é identificado com São Bento do Sul.

RIBEIRÃO SÃO JOÃO – Na Carta de 1981 recebe este nome o ribeirão que nasce na divisa entre o atual Município de Maripá e o distrito de Taruaçu e segue paralelo à Serra da Prata, continuando depois rumo ao norte, passando pelo território de Ituí, atravessando Piacatuba, agora em direção oeste, para deságuar no rio Novo. Na Carta de 1977 este mesmo ribeirão só recebe o nome de São João ao entrar em território de Piacatuba, tendo antes o nome de Jatobá. A Lei 947 de 08.06.1858, que trata da criação do Distrito de Taruaçu, informa que é o Ribeirão São João o marco divisório entre aquele distrito e o de Bom Jesus do Rio Pardo, ficando para o antigo Dores do Monte Alegre todas as suas vertentes.

Nas cabeceiras deste ribeirão Ana Maria de Jesus, viúva de Manoel Alves do Vale e cunhada de Domingos Alves do Vale, conservava para si e seus filhos uma pequena propriedade que em 1863 estava dentro dos limites do Distrito de Dores. Outros antigos proprietários foram Antonio Nunes de Moraes, Antonio Pinto de Faria, Francisco Alves Moreira, Francisco Gomes da Silva, Francisco José Teixeira, Francisco Manoel Pereira, Joana Maria de Jesus, João Rodrigues de Souza, João Soares de Almeida, Joaquim Francisco da Silva, Joaquim Gomes Curcino, Joaquim Gomes da Silva, José Gomes da Silva, José Joaquim Barbosa, José Manoel Pereira, José Nunes de Moraes, José Vieira da Silva, Manoel Gonçalves de Castro, Manoel Ribeiro dos Santos. A maioria incluída entre os moradores do Distrito de Dores do Monte Alegre na época de sua criação.

RIBEIRÃO TAMBOR – Na Carta de 1981 aparece como Córrego deste nome apenas entre a nascente na divisa de Maripá com Taruaçu, seguindo rumo norte e passando dentro da área urbana de Taruaçu, daí em diante recebendo o nome de Córrego Grande com o qual permanece até deságuar no rio Novo, após atravessar o povoado de Ituí. Na Carta de 1977 tem o nome Tambor da nascente até a foz e marca a divisa oeste do distrito de Taruaçu. A Lei 947 de 08.06.1858 nomeia como ribeirão do Tombador este marco divisório de Taruaçu, informando que ao distrito pertencem todas as suas vertentes, da nascente no ribeirão Espírito Santo no lugar chamado Contendas até a foz no rio Novo.

Entre as fazendas nele localizadas, citamos como antiga a propriedade de nome Grota dos Nunes que pertenceu aos Nunes de Moraes. Em suas margens localizavam-se ainda as propriedades de Custódio Gomes da Silva, Florentino José Martins, Joaquim Pereira de Almeida, Luiz Antônio de Oliveira Lopes e Marcelino Nunes Ferreira. Outros prováveis fazendeiros das margens do Tambor foram Manoel Gregório do Nascimento e seu filho Marciano Gregório do Nascimento.

CÓRREGO DA PRATA – Paralelo à Serra de mesmo nome onde nasce, pertence integralmente ao território de Argirita, desaguando no Rio Pardo dentro da área urbana do município. Provavelmente existiu um outro córrego de mesmo nome e que cortava a sesmaria de Antônio José Gonçalves, localizada próximo à atual divisa entre Argirita, Maripá e Senador Côrtes.

CÓRREGO PEDRAS BRANCAS – Nasce na divisa entre Argirita, Taruaçu e Maripá, caminhando rumo sul para desaguar no Córrego das Contendas também pertencente ao município de Maripá. Ali foram proprietários Antônio Lourenço da Trindade e Manoel Inácio da Costa.

CÓRREGO TIJUCAL – Descrevendo curvas diversas ao sul de Argirita, pertence integralmente a este município e tem vertentes próximas ao ribeirão do Angu, na região de Senador Cortes e Santo Antônio do Aventureiro. Às suas margens foram proprietários: Floriano Lopes, Francisco Moreira da Silva, João Lopes dos Santos, Manoel Ignacio de Abreu, Manoel Lopes Laurindo, Antonio Lopes Monteiro,  Manoel Francisco Martins e Mateus Antônio de Lima.

CÓRREGO VARGEM GRANDE – Nasce na divisa entre Aventureiro e Argirita e toma o rumo noroeste para desaguar em ribeiros no Monte Redondo, dentro do território de Argirita.

MONTE REDONDO – Acidente geográfico citado pela primeira vez em documento de 1829, ainda conserva o nome. Aparece como referência para o registro das terras de José Lopes Soares e Luiz Antônio da Silveira em 1856. Nomeia também o córrego que recebe as águas do São Bento e do Vargem Grande, indo desaguar no rio Pardo já na divisa entre Piacatuba, Tebas e Argirita.


ANTIGAS FAZENDAS

BOA ESPERANÇA – Grande propriedade que estava dividida entre diversos fazendeiros em 1856, entre eles Antônio da Silva Cunha, João José Barbosa e José Domingos dos Santos, Localizava-se próximo à atual divisa de Ituí e Piacatuba.

BOA VISTA – Nome citado por Cândida Francelina, Francisco Teixeira Braga, José Alves do Vale, Manoel Rodrigues de Oliveira e Maria Francelina. Trata-se de sesmaria que pertenceu a Domingos Alves do Vale e estava bastante dividida em 1856, sendo território do atual distrito de Taruaçu.

BOM SUCESSO – Outra antiga sesmaria ao sul do antigo Curato de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre, dividida pelo menos entre José Alves de Souza, Manoel Furtado de Mendonça e Miguel de Souza Monteiro.

CABECEIRAS DO PREPETINGA – Duas pequenas propriedades com este nome, localizadas na nascente do rio Pirapetinga, pertenceiam a José Lourenço do Carmo e Maria Antônia de Jesus.

CABECEIRAS DO RIO PARDO – Nome escolhido por Francisco Nunes de Moraes e Tomaz de Aquino Corrêa, proprietários de 17 e 20 alqueires respectivamente, localizados à sudeste do arraial do Bom Jesus do Rio Pardo.

CABECEIRAS DO SÃO BENTO – Sítio às margens do Córrego São Bento, oriundo da sesmaria concedida a Felisberto da Silva Gonçalves em 1813, passou a seu parente Joaquim Gomes da Silva Flores por volta de 1840.

CACHOEIRA DO RIO PARDO – Este era o nome da propriedade de  200 alqueires que pertencia a Gonçalo de Souza Lima até 1857, vizinha ao Tijucal.

CAMPO ALEGRE – Joaquim Manoel de Coimbra declarou em 1856 possuir uma sesmaria com este nome, localizada a leste do povoado do Rio Pardo.

CHÁCARA RIO PARDO – Propriedade de um alqueire que pertenceu a Francisco Lopes Grugel, entre o arraial e a fazenda Salvação.

CHICANA – Nome da propriedade de Joaquim José Barbosa de Miranda em meados do século XIX. Seus vizinhos de leste tiveram suas propriedades transferidas do Rio Pardo para Tebas quando da criação deste distrito.

CONCÓRDIA – Fazenda ainda lembrada no distrito de Tebas, pertenceu a José Cesário de Toledo Lima e Francisco Leocádio de Toledo.

CÓRREGO DOS MACACOS – Propriedade de Joaquim Gomes da Silva, localizada em um pequeno curso d’água que formava a nascente do Córrego São Bento.

FORTALEZA – Nome dado à sesmaria do Alferes Cândido Antônio da Silveira, a leste do Monte Redondo.

FORTALEZA DE SANTANA – Grande propriedade de Firmino Antônio de Lima, sua localização gera controvérsias. Enquanto o registro de 1856 aponta para a região a leste do povoado, outros documentos indicam um córrego com este nome mais ou norte, paralelo ao Rio Pardo, próximo à atual divisa entre Piacatuba, Argirita e Tebas.

MONTE ALEGRE – Duas propriedades com este nome, de Ana Maria de Jesus e José Antonio Teixeira, localizavam-se em região próxima à estrada entre Argirita e Tebas.

MONTE CLARO – Nome da fazenda que Antônio Custódio Nogueira comprou de José Paradelas por volta de 1840, localizava-se próximo ao Monte Redondo.

PINHEIRO – Fazenda localizada dentro do atual distrito de Tebas, pertenceu a Manoel da Silva Ramos, Paulino da Silva Ramos e Valeriano da Silva Ramos.

POUSO ALTO – Propriedade de 70 alqueires que pertenceu a Antônio de Souza Lima, na divisa com as terras de seu pai Gonçalo de Souza Lima, na região do Tijucal.

RECREIO – Fazenda adquirida por José Joaquim Barbosa em 1847, para seu filho Antônio Maurício Barbosa. Pertence a Piacatuba.

RETIRO – Pertenceu a Ana Maria de Assunção e seus filhos Elias e Marciano Antunes Vieira, Felicidade Perpétua de Jesus e Custódia Angélica até a migração da família para o estado do Espírito Santo por volta de 1870. Localizava-se em território vizinho ao hoje distrito de Tebas.

SALVAÇÃO – Pertenceu a Emygdio José de Barros. Localiza-se a sudeste da área urbana de Argirita.

SANTA CLARA – Antônio Vicente Ferreira, Celestino Antônio Ferreira, Joaquim Antônio Dias e Maria Inácia de Oliveira foram proprietários de partes desta fazenda em meados dos oitocentos. Localizava-se nas proximidades do Monte Redondo.

SANTA ISABEL – Fazenda de Albino Silvino de Souza Melo, nas proximidades da divisa com o distrito de Dores do Monte Alegre.

SANTA MARIA – Antonia Maria de Jesus e Domingos Moreira de Souza eram alguns dos proprietários desta fazenda, que divisava ao sul com a Salvação e ao norte com a Fazenda São Bento, de Felisberto da Silva Gonçalves.

SANTA MÔNICA – Localizada na margem do ribeirão Tambor, pertenceu a José Furtado de Mendonça.

SANTA RITA – Propriedade de Rita Maria da Conceição em território hoje pertencente a Piacatuba.

SANTANA DO RIO PARDO – Pertenceu a Jacob Dornelas da Costa e estava localizada em território hoje pertencente a Taruaçu.

SANTO ANTONIO – Ana Maria de Assunção, Francisco Gonçalves Almeida, Jerônimo Gonçalves de Almeida, Joaquim Gonçalves de Almeida, José Gonçalves de Almeida e Manoel Lourenço da Trindade eram proprietários das partes em que foi dividida esta fazenda, nas proximidades do Monte Redondo.

SÃO BENTO – Foi provavelmente a primeira fazenda a ser formada em terras que vieram a constituir o Curato do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo. Pertenceu a Felisberto da Silva Gonçalves entre 1813 e 1863, daí em diante passando ao filho Antônio Felisberto. Localizava-se entre o Monte Redondo e o ribeirão São Bento.

SÃO DOMINGOS – Fazenda de Joaquim Pereira Santiago, no atual distrito de Tebas.

SÃO FRANCISCO – Inácio Nunes de Moraes e João Lopes de Faria eram alguns de seus proprietários. Sua localização parece ter sido a mesma das terras que foram doadas aos Paradelas mais de vinte anos antes do território ser desmembrado do Curato do Espírito Santo.

SÃO FRANCISCO DE PAULA – O proprietário José de Souza Amaral declarou, em 1856, que sua fazenda tinha como vizinhos alguns proprietários da região do Tijucal.

SÃO JOAQUIM – Certamente em território hoje de Taruaçu, pertenceu a Antônio Bernardes de Carvalho e a seu enteado Felisberto Pereira Brandão, que além de ser filho de sua segunda esposa foi também casado com uma filha de Antônio Bernardes de nome Maria Antônia de Jesus.

SÃO LUIZ – Fazenda da região próxima a Piacatuba, pertenceu a Tristão Dias do Amaral e hoje é território de Taruaçu.

SAPÉ – Embora atualmente haja outra referência ao nome, trata-se da fazenda de Manoel Francisco de Souza, em território de Taruaçu, próximo da divisa com Piacatuba.

SÍTIO DA CACHOEIRA – Pequena propriedade localizada às margens do ribeirão São Bento, pertenceu a Manoel Pereira da Silva.

TRÊS BARRAS – Pertenceu a Joaquim Pereira Santiago Júnior e estava localizada no território do atual distrito de Ituí.

VARGEM GRANDE – Provavelmente José Antônio de Lima escolheu para sua propriedade o nome do córrego que por ela passava, a leste da área urbana de Argirita.

Para finalizar citamos os proprietários Joaquim Teixeira Meireles e José Policiano da Silva cujas fazendas pertenceram a Argirita até 1883, daí em diante passando ao distrito de Tebas.

Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba

Segundo Joaquim Ribeiro Costa, Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú.

No início de 2000 um visitante do site escreveu pedindo informações sobre Itapiruçu, especialmente sobre a família Vieira Pires. Informei que não tinha estudos sobre famílias da região, embora meu grande interesse pelo antigo distrito do Tapiruçu, terra onde viveram alguns de meus antepassados. Do sobrenome citado eu conhecia apenas um nome: Manoel José Vieira Pires, Solicitador em Palma, por volta de 1890. Não era o nome procurado pelo correspondente. Por conta disso trocamos diversas mensagens até que não mais recebi respostas. Daquele contacto ficou a vontade de conhecer a história do lugar.

Itapiruçu, Palma, MG

Segundo a memória familiar o casal Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez vivia no território do distrito de Itapiruçu desde o nascimento. Antonio Vicente nasceu a 13 de junho de 1862 e foi batizado no dia 21 de junho[iv] do mesmo ano. Ana José nasceu no dia 1º de agosto de 1858 e foi batizada no dia 19 de setembro[v] seguinte. Os pais de ambos procediam da região da Serra da Ibitipoca e migraram para a zona da mata por volta de 1830. Vejamos pois, alguns detalhes sobre estas famílias.

José Rodrigues Carneiro Ferreira, também conhecido por José Rodrigues Carneiro de Bem, descendia de Manoel José de Bem e Tereza Maria de Jesus, ela filha da ilhoa Maria Teresa de Jesus e de Inácio Franco. Migrado para a zona da mata ainda criança, radicou-se no território do que veio a se constituir na Freguesia de Conceição da Boa Vista, onde se casou com Mariana Esméria de Sena, filha de João Gualberto Ferreira Brito e Maria Venância de Almeida. José e Mariana tiveram, pelo menos, 4 filhos batizados no Curato de Conceição da Boa Vista. O segundo destes filhos foi Ana José Rodriguez.

Segundo Joaquim Ribeiro Costa[i], Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação[ii] pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú.

De fato podemos comprovar que a antiga Capela das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba já é citada em livros paroquiais de Conceição da Boa Vista em data bem anterior à criação do distrito policial. Como exemplo citamos o casamento de Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez, realizado naquela capela no dia 10 de abril de 1875.[iii] Prosseguindo na busca de informações sobre a construção da Igreja de Itapiruçu nos deparamos com dados que podem interessar a todo estudioso da história da região.

Vicente Rodrigues Ferreira era filho de  Bento Rodrigues Gomes e Ana Joaquina de Jesus, tendo migrado de Santana do Garambeo para a zona da mata por volta de 1830. Em Conceição da Boa Vista casou-se com sua prima Luciana Francelina da Anunciação, filha de Antônio Rodrigues Gomes e Mariana Bernardina de São José. O novo casal residia na margem direita do Rio Pomba, a meio caminho entre São Joaquim (hoje Angaturama) e a atual divisa entre Palma e Santo Antônio de Pádua. É ainda a memória familiar que dá notícia da presença de eclesiásticos na fazenda onde residiam, nas diversas visitações realizadas pelo Bispado do Rio de Janeiro àquelas terras. Ainda não localizamos documentos sobre tais visitações, embora alguns autores as mencionem e citem como fonte o Arquivo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Entre outras referências, Oswaldo Ribeiro[vi] informa que em 1851 Frei Bento, de Santo Antônio de Pádua, obteve provisão para a Capela de São Francisco da Capivara, atualmente Palma. Parece-nos que para atingir seu destino o padre teria forçosamente que passar por Itapiruçu. E provavelmente também visitasse alguns fazendeiros vizinhos ao casal que, segundo contam, seriam os doadores do patrimônio da Capela de Itapiruçu e dos quais falaremos adiante. Importa registrar ainda que os batismos dos 10 filhos de Vicente e Luciana podem ser encontrados nos livros paroquiais de Miracema, Santo Antônio de Pádua e Conceição da Boa Vista. O sétimo destes filhos foi Antônio Vicente Ferreira.

Analisando os mais diferentes documentos a que tivemos acesso, observamos que o antigo distrito de Tapiruçu pode ter ficado relegado pela autoridades em função das disputas ocorridas entre os Minas e Rio de Janeiro. Ou, hipótese levantada por um de nossos correspondentes, ter sido criado justamente para permitir melhor controle do território disputado. É sabido que não foi sem traumas que o atual município de Palma conseguiu firmar-se, havendo registros de desentendimentos do mais variado calibre com os povoados vizinhos. Entre outros transcrevemos parte de uma ata eleitoral que demonstra a dúvida existente entre os moradores do lugar. [vii]

“… Deu o Presidente conhecimento da Portaria do Governo que em seguida vai transcrita. Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais Ouro Preto em 13 de Agosto de 1866. 1ª Sessão. Declaro a vossamercê para a devida inteligência e publicidade que essa paroquia criada pela Lei nº 1239 de 1864 deve dar na proxima Eleição se a esse tempo já tiver sido Canonicamente provida, três Eleitores para o território de que se compõe abrange cento e setenta e sete votantes e foi desmembrada da Paróquia da Meia Pataca que deu quinze Eleitores na Legislatura que vai findar e qualificou naquele ano novecentos e cinquenta e oito votantes. Conquanto a Lei citada anexa a essa Freguesia do Distrito do Laranjal devem os votantes nele compreendidos concorrer na Eleição na Freguesia da Meia Pataca, visto pertencer esta e o dito distrito ao Bispado de Mariana, e essa nova Freguesia a do Rio de Janeiro. … Joaquim José de Santa’Ana. Snr. Juiz de Paz mais votado da Paróquia do Capivara….”

Cartão de Visitas

Temos tentado levantar documentos sobre a doação do terreno onde foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba, com vistas a confirmar ou não as hipóteses formuladas a partir da memória familiar. Consta que o casal Antonio Vicente e Ana José tinha como vizinhos as famílias Amorim, Felix, Melo, Menezes e Vieira. Curiosamente encontramos, dentro do Breviário da Missa que pertenceu a uma nora de Antonio Vicente e Ana José, o cartão de visitas acima, de Manoel José Vieira Pires.

Verso do Cartão de Visitas

Como se pode observar, no verso do cartão é feito um pedido de cópia da escritura de compra de terras realizada pelo Padre Manoel Martins Lopes, em março de 1890. Sabendo que a Capela existia desde pelo menos 1875, procuramos os livros do Cartório de Notas de Itapiruçu em busca de esclarecimentos. Infelizmente só pudemos encontrar um deles, do qual extraímos as seguintes informações:

–         21.03.1887 o Padre Manoel Lopes Martins compra uma sorte de terras anexas ao Patrimônio de Nossa Senhora das Dores [viii]. Vendedor: Antônio José de Menezes.

–         06.04.1887 o mesmo Padre compra terras no Porto das Madeiras[ix]. Vendedores: Francisco Joaquim dos Reis e sua mulher Virgínia Maria da Conceição.

Os vizinhos das terras compradas em março eram Francisco Joaquim dos Reis, José Francisco do Amorim, herdeiros de Luiz de Souza Melo e herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo. A compra de abril foi de 2,5 alqueires na divisa com Balbino Teixeira Ramos, Rio Pomba, José Francisco de Amorim, Serafim José da Costa e a Fazenda Cachoeira Alegre. Em outra escritura do mesmo livro, folhas 37, vimos que Balbino Teixeira Ramos e sua mulher Vitalina Maria de Jesus haviam comprado terras de Francisco Joaquim dos Reis no Porto das Madeiras, e as revendem em setembro de 1887. Na escritura consta que os vizinhos eram José Francisco de Amorim, o Rio Pomba, herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo e o patrimônio de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba.

Portanto, as famílias mencionadas nas memórias familiares estavam realmente presentes no distrito de Itapiruçu na época em que ali viveram Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez. As compras realizadas pelo Padre Manoel Lopes Martins parecem indicar que ele pretendia ampliar as posses da Igreja, deixando claro que já havia um patrimônio regularmente inscrito. Resta-nos encontrar a doação inicial e assim nos aproximarmos da data em que foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba.


Fontes:

[i] in Toponímia de Minas Gerais, Editora Itatiaia Ltda, 1993, Belo Horizonte, MG, página 262

[ii] Lei n. 3171 de 18.10.1883

[iii] Primeiro Livro de casamentos da Igreja de Conceição da Boa Vista, folhas 70 verso

[iv] Transcrição do Livro de Batismos de Conceição da Boa Vista no Livro 1 de batismos da Matriz de São Sebastião de Leopoldina, folhas 86, termo 464

[v] idem, folhas 38, termo 201

[vi] in História de Santo Antônio de Pádua, Edição do Autor em 1999, página 23

[vii] in Livro de Atas da Freguesia da Capivara, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 1 e verso

[viii] in Livro de Notas do Distrito de Tapirussu, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 9 verso

[ix] idem, folhas 16 verso

Resultado de uma Eleição em 1852

Em setembro de 1852 foi realizada, em Piacatuba, uma Assembleia Paroquial para eleger sete vereadores para formar a Câmara Municipal de Mar de Espanha, e quatro juízes de paz para o Distrito do Feijão Cru.

Resultado apurado para vereador:

Nomes:Votos
Francisco Correa Pinto93
Joaquim Vidal Leite Ribeiro79
Domiciano Mateus Monteiro de Castro70
José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros69
Joaquim Antonio de Almeida e Gama67
Domingos Eugenio Pereira62
Domingos da Costa Matos51
Emidio José de Barros41
Antônio José de Carvalho39
Custódio Ferreira Leite27
José Dutra Nicacio22
José Garcia de Matos20
Domiciano Alves Garcia17
Francisco Soares Valente16
José Augusto Monteiro de Barros08
Francisco de Paula Galdino Leite08
Francisco Teixeira Alves03
Manoel José Pires02
João Pereira da Silva02
João Gualberto Ferreira Brito02
Antonio José Monteiro de Barros02
José Antonio de Matos01
José Eugênio Teixeira Leite01
Antonio Avelino Teixeira Alves01
Manoel José Monteiro de Barros Galvão de São Martinho01
José Soares Valente01
Joaquim Cláudio Nogueira01
Claudino Vieira da Silva01

Resultado para Juiz de Paz:

Nome:Votos
Claudino Vieira da Silva77
Custódio Dias Moreira *71
Antônio Pereira da Silva *71
Joze Henriques da Mata68
Manoel de Sá Rocha21
Luiz Pereira da Silva20
João Patricio de Moura e Silva20
Francisco Henriques Júnior18
Teodoro Antunes da Costa15
Ezequiel Henriques Brandão06
João Batista Mendes06
Vital Antonio de Mendonça05
José Fajardo de Melo02
Domingos Henriques de São Nicácio02
Hipólito Pereira da Silva01
Manoel Henriques01

Recontos de um Recanto – 4: Argirita

Nosso quarto reconto vai um pouco além das fronteiras do município de Leopoldina.  Vamos, hoje, às terras da atual cidade de Argirita, o antigo arraial do Bom Jesus do Rio Pardo.

Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em “Minhas Recordações” página 371, se refere ao lugar como sendo apenas Rio Pardo, quando narra a vida de Manoel Antônio de Almeida para Leopoldina, em 1829. Diz ele que naquela época “em Rio Pardo já havia, então, um começozinho de povoação”.

Mas, nossa história começa bem antes desta data, com dois filhos do casal Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier que, conforme se observa na literatura existente, pertenciam à família do nosso alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. E estes filhos são: Felisberto Gonçalves da Silva, ou da Silva Gonçalves e Domingos Gonçalves de Carvalho (filho).

Provavelmente por volta de 1810 os irmãos Felisberto e Domingos, acompanhados das esposas e filhos, ocuparam terras nas vertentes do Rio Pardo. Requereram posse ao governo da província e em novembro de 1813 receberam as respectivas Cartas de Sesmaria, duas para cada casal. Felisberto, em 29.11.1813, obteve Sesmaria cujo limite era o Córrego da Glória, no Sertão do Pomba, Termo de Barbacena, conforme carta arquivada no APM, códice 353, página 76.

Sobre Felisberto sabemos, também que nasceu por volta de 1785 e casou-se em São João del Rei, a 29 de setembro de 1802 com Ana Bernarda da Silveira.

Em Velhos Troncos Mineiros, do Cônego Raimundo Trindade, consta que o casal teve um único filho, Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, que nasceu a 2 de janeiro de 1804 em São João del Rei e casou-se com Francisca de Paula de São José, provavelmente filha de seu tio paterno, Domingos Gonçalves de Carvalho e de Antônia Rodrigues. Chaves.

Analisando a trajetória de Felisberto após o casamento temos razões para suspeitar que teve pelo menos mais um filho: Joaquim Gomes da Silva Flores.

Hoje podemos afirmar, com segurança, que sua morte ocorreu depois de janeiro de 1863, uma vez que seu nome aparece nas listas de votantes do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo nesse ano.

Inexplicavelmente o nome de Felisberto da Silva Gonçalves desapareceu da história oficial de Leopoldina e Argirita, embora conste do Mapa de População de 1831 como possuidor de 33 escravos, sendo o terceiro maior proprietário de cativos no então Distrito do Curato do Espírito Santo, Termo de Barbacena.

Em 1840, segundo o primeiro livro de compra e venda de bens de raiz de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), ele comprou de José da Silva Paradela e sua mulher Ana Marinha de Jesus, 60 alqueires de terras de cultura. Uma propriedade que estava dentro do território atual de Argirita e limitava-se com Joaquim Gonçalves de Almeida e Antonio Henriques de Souza.

Em 1842 vendeu parte de sua fazenda no Córrego da Glória, no lugar denominado Monte Redondo e em 1846 comprou, de Lino da Silva Paradela, terras no Ribeirão de São Bento.

No Registro de Terras de 1856 Felisberto aparece como vizinho da Fazenda do Socorro, de propriedade dos herdeiros de José Joaquim Monteiro de Barros.

A partir do estudo de diversos documentos concluímos que a Fazenda formada a partir das concessões de sesmarias ao casal Felisberto e Ana é a mesma Fazenda Fortaleza que ainda aparece nas cartas atuais do IBGE.

Quanto a Domingos Gonçalves de Carvalho, irmão de Felisberto, pouco sabemos.  O Cônego Trindade informa que ele casou-se com Antonia Rodrigues Chaves com quem teve apenas uma filha, de nome Maria, nascida em 1809. Em nossas pesquisas encontramos outros possíveis filhos do casal sem contudo podermos garantir dados sobre a descendência, tendo em vista a precariedade dos assentos paroquiais encontrados. Mas, nos livros pesquisados, encontramos batismos de Francisca, Maria, Rita, Antonio, José e Joaquim entre 1802 e 1820, cujos pais podem ser os casais que estamos abordando.

Resta dizer que o filho de Felisberto – Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, teve, pelo menos uma filha que recebeu o nome de Carolina Rosa de São José. E pela localização da residência de seus pais acreditamos que tenha sido batizada na Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre (Taruaçu). Mas, infelizmente ainda não foi possível descobrir onde estariam os registros dos primeiros atos realizados naquela Capela. É certo que Carolina foi casada com Francisco de Paula Pereira Pinto e deixou enorme descendência em Leopoldina e arredores.

Ficamos por aqui. Os Recantos de um Recanto continuarão no próximo número.

josé luiz machado rodrigues

nilza cantoni

O papel do Imigrante

A presença do imigrante europeu em Leopoldina pode ser detectada desde os seus primórdios. Entretanto, as esparsas referências não nos permitem seguir rigidamente os passos deste elemento povoador.

Observamos que formavam núcleos isolados por origem e mantinham o relacionamento mínimo indispensável com a “gente da terra”.

É a partir da metade do século dezenove que os “estrangeiros” passam a ser notados com mais vigor. Observe-se entretanto que o imigrante português nem sempre é tido como estrangeiro.

Como eles chegaram?

Estabeleçamos três períodos para definir-lhes a história: 1829-1859; 1860-1888; 1889 até os primeiros anos do século vinte.

Os pioneiros, encontrados na cidade antes de 1859, eram essencialmente comerciantes. Não encontramos referências a agricultores entre eles. Quase sempre identificados como “turcos”, a sala de suas casas era a loja e as demais dependências destinavam-se à moradia. Entre eles estão os primeiros mascates do lugar, homens que visitavam as fazendas levando os produtos para serem vendidos. Eventualmente aparece o elemento português como mascate ou comerciante, mas sua atividade é quase sempre voltada ao comércio de gêneros alimentícios. Provavelmente estes primeiros imigrantes chegaram a Leopoldina buscando produtos a serem “exportados” para São Fidélis.

O segundo período, entre 1860 e 1888, pode ser contado a partir da abertura da estrada destinada a escoar a produção agrícola da região de Barbacena e Juiz de Fora. Para construí-la, foi fundada a Companhia União e Indústria, que contratou engenheiros, técnicos e operários especializados na Alemanha em 1856. Numa segunda etapa, em 1858, foram contratados colonos para desenvolverem a agricultura na Colônia Dom Pedro II, em Juiz de Fora. Necessário também nos referirmos aos trabalhadores arregimentados entre aqueles colonos de 1845/1847 que já não encontravam ocupação nas obras públicas de Petrópolis.

No contrato com o primeiro grupo em 1856, aqui classificado como de artífices, a Companhia União e Indústria se comprometia a pagar as despesas da viagem para o Brasil, empregá-los durante dois anos com salário de 2.000 réis mensais e fornecer alojamento e alimentação durante a vigência do contrato. Esses contratados puderam assim formar uma boa reserva pecuniária. Ao término dos dois anos, estabeleciam-se por conta própria com base na poupança amealhada. Deste grupo saíram os primeiros industriais da Zona da Mata.

Já os colonos contratados depois, obtinham vantagens menores. O transporte do Rio até a Colônia Dom Pedro II era gratuito, mas as despesas de viagem da Alemanha ao Brasil eram financiadas pela Cia em 4 anos. O salário mensal caía para 1.500 réis, a moradia era garantida por um ano apenas e alimentos e demais produtos necessários eram adquiridos pelo próprio colono.

A partir de 1860 a Cia iniciou a venda das glebas aos colonos, com financiamento de quatro anos. A partir daí muitos deles tornaram-se mão de obra assalariada para os fazendeiros da região, já como reflexo da Lei do Ventre Livre em 1871.

O declínio da Compahia União Indústria ocorreu no período de implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cujo traçado era, em linhas gerais, o mesmo da rodovia. Muitos colonos alemães, bem como imigrantes de outras nacionalidades, passaram a trabalhar na ferrovia.

Por esta época, 1871, a Companhia Estrada de Ferro Leopoldina obteve concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina. Substituida pela Leopoldina Railway Company Limited, esta companhia foi a principal responsável pela chegada da maioria dos imigrantes. Necessário esclarecer que quase todos estavam no Brasil há mais de dez anos, seja trabalhando na União Indústria ou na Estrada de Ferro Dom Pedro II.

O fluxo de imigrantes para Leopoldina, por conta da Leopoldina Railway Co. Ltd., estende-se por alguns anos. O assentamento desta Companhia ficava próximo a Vista Alegre, às margens do riacho Jacareacanga. Há menção a uma Hospedaria de Imigrantes no local, mas ainda não conseguimos localizar-lhe os documentos.

O terceiro período inicia-se com a Lei Áurea e representa percentualmente o maior volume de estrangeiros chegados à região. Enquanto até aqui os imigrantes eram profissionais das mais diversas categorias, a partir de então a região passa a receber quase que exclusivamente agricultores, basicamente espanhóis e italianos. Historiadores dos mais categorizados já disseram que, fustigados pela fome que assolava sua região de origem, estes imigrantes submeteram-se a condições de trabalho quase iguais às dos escravos que os precederam na lavoura. Diferentemente dos grupos anteriores, entre estes últimos o índice de analfabetismo era bastante elevado, o que contribuiu para torná-los ainda mais frágeis diante dos fazendeiros acostumados a lidar com cativos.

Os primeiros que conseguiram livrar-se dos absurdos contratos com os fazendeiros, estabeleceram-se no trecho que ligava a sede do município a Tebas. No bairro da Onça e na vizinha Fazenda da Constança, famílias de alemães e espanhóis haviam fixado residência e receberam os novos imigrantes sem dificuldades e, principalmente, sem o preconceito que os impedia de participarem ativamente da vida econômica da cidade. Nesta região, a Câmara Municipal havia estabelecido as bases de uma colônia de imigrantes.

Tebas nos Recontos de um Recanto

Hoje o tema da coluna é o distrito de Tebas cujo nome, para nós, ainda não está devidamente explicado quanto a sua origem. Vamos falar sobre a terra de uma água especial que, no dizer da jornalista Silvia Fonseca,[i]“quem bebe da água tebana sempre volta à fonte.”

Tebas, distrito de Leopoldina, MG - +/- 1894
Tebas, distrito de Leopoldina, MG – +/- 1894

Começamos pelo Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais de 1894 que nos informa ter a febre amarela atingido a nossa região de forma alarmante.[ii] Uma epidemia que causou, inclusive, um lapso nas anotações de óbitos da cidade entre agosto de 1894 e janeiro de 1898, embora exista um livro iniciado a 01.01.1896,[iii] onde foram anotados “a posteriori” sepultamentos ocorridos entre agosto/94 e dezembro/1895.

Foi esta epidemia de febre amarela que motivou a mudança temporária da administração municipal para o distrito de Tebas o que, no mínimo, é muito curioso quando se sabe que o distrito de (Piedade) Piacatuba é bem mais antigo.

Mas, como surgiu o nome e o lugar chamado Tebas?

Se consultarmos o dicionário veremos que Tebas pode referir-se à cidade grega, a uma pessoa forte e desembaraçada ou, ao nosso distrito.[iv] Autores existem que registram a origem do topônimo na língua tupi, com o sentido de desembaraçado, forte, graúdo[v]. Outros dizem que distrito herdou o nome de um ribeirão local, sem informar de onde surgiu o nome do tal ribeirão..

Hoje sabemos, no entanto, que existiu por ali um Manoel Joaquim Thebas que, entre outros, foi vizinho da fazenda Feijão Cru, que pertencia a Manoel Antonio de Almeida. E como esta informação sobre este Manoel J. Thebas é de 1856 e a paróquia data de 1881, acreditamos ser possível que o patrimônio tenha sido doado por este senhor e dele surgiu o nome do distrito.

Quanto ao povoado, tudo leva a crer ser ele bem antigo. Francisco de Paula Ferreira Rezende[vi] a ele se refere quando afirma que por ocasião de sua vinda para Leopoldina, pelos idos de 1860 ainda encontrou remanescentes dos Puris na estrada de Tebas para Rio Pardo.

É certo que a povoação foi elevada a distrito pela lei provincial nº 2675, de 30.11.1880. A confirmação eclesiástica veio com a lei nº 2848 de 25.10.1881 que elevou o distrito a Freguesia. E a lei nº 3113, de 1882, registra o nome do distrito como Santo Antônio de Tebas.

Vale lembrar que a lei que criou o distrito autorizou a câmara municipal de Leopoldina a estabelecer a divisas. Para este fim a câmara nomeou comissão de vereadores que estudaram o assunto e apresentaram parecer conclusivo. E, segundo consta, o parecer desta comissão foi aprovado em plenário com a ressalva apenas de que o nome do lugar passou a ser Santo Antonio dos Thebas, ao invés de Santo Antonio do Monte Alegre como anteriormente era conhecido.

O distrito de Tebas foi constituído por terras antes pertencentes a Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). Assim, pela lei nº 2938, de 23.09.1882, algumas fazendas da Piedade foram transferidas para Thebas. Em 06.10.1883 foi a vez de Rio Pardo perder algumas propriedades que passaram para o novo distrito. E em 18 do mesmo mês, através da lei nº 3171, a fazenda de João Pereira Valverde foi transferida de Thebas para a freguesia de Piedade.[vii]

Mas vamos retroagir um pouco e começar nossa busca pela venda de seis alqueires da fazenda Monte Alegre, em julho de 1841.

As terras vendidas localizavam-se na “cabeceira” ou nascente do córrego hoje chamado Tebas e a sede da fazenda era residência de Elias da Silva Espíndola. Os compradores dessas terras foram Honório Alves Ferreira e João Vieira Machado de Freitas. Por esta fazenda passava uma estrada que, vindo de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), atingiria as terras de Antônio José Monteiro de Barros (fazenda Paraíso).[viii]

Sete meses depois o mesmo Elias da Silva Espíndola vende outros oito alqueires da mesma fazenda para José Miguel Dias da Silva e registra que estas terras limitam-se com as vendidas anteriormente e estão localizadas na serra entre o Rio Pardo e o Rio Pirapetinga.[ix]

Sabe-se que um dos vizinhos da fazenda Monte Alegre era o capitão Felisberto da Silva Gonçalves, um dos primeiros sesmeiros do lugar que, juntamente com sua esposa, Ana Bernarda da Silveira, recebeu duas sesmarias entre os córregos Glória e Fortaleza (nomes que desapareceram da toponímia local). Podemos acrescentar, ainda, que estas duas sesmarias limitavam-se com as terras recebidas, também em novembro de 1813,[x] por seu irmão e cunhada, Domingos Gonçalves de Carvalho e Antonia Rodrigues Chaves. E, segundo consta, uma das fazendas de Felisberto ficava no Monte Redondo, no caminho de Tebas para Argirita.

Entre os vizinhos de Felisberto surge, ainda, o nome de Joaquim Manoel Coimbra, algumas vezes citado como Manoel Joaquim Coimbra, provavelmente ancestral do vereador Antonio da Costa Coimbra que fez parte da comissão que estudou os limites do distrito de Tebas. As terras deste Manoel Coimbra, por sua vez, limitavam-se com o já mencionado Felisberto da Silva Gonçalves, com os Valverdes e com Elias da Silva Espíndola. Em função dessas informações, passamos a suspeitar que a tal fazenda “Campo Alegre” seja a mencionada por Manoel Antônio de Almeida, em 1856, como propriedade dos “herdeiros de Manoel Joaquim Thebas”,[xi] possivelmente um homem destemido e que recebeu dos puris o nome de “teba”.

Vale registrar que pela análise do movimento de compra e venda de bens de raiz no então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual Argirita, observa-se que a fazenda Campo Alegre foi citada como local em que o Escrivão realizou diversos registros entre 1841 e 1853.

Para encerrarmos por hoje, registramos que entre 1862 e 1864, os eleitores do distrito de Tebas pertenciam às famílias Almeida, Braga, Carvalho, Coimbra, Cunha, Dias, Dornelas da Costa, Freitas, Gonçalves, Lemos, Moraes, Pereira, Policiano, Reis, Ribeiro, Santos e, Silva.[xii] E dentre os italianos que viveram em Leopoldina um bom número deles residiu temporária ou definitivamente em Tebas, dos quais destacamos os sobrenomes Albertoni, Angeli, Bedin, Ceoldo, Gruppi, Marsola, Meneghetti, Stefani e Zotti.

Até a próxima edição, com novos recontos.

__________

Fontes utilizadas:

[i] Jornal O Globo, 16.02.1989.

[ii] Mensagem do Presidente da Província de 1895, p. 10

[iii] Arquivo da Prefeitura Municipal de Leopoldina, livros do Cemitério Público.

[iv] Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.

[v] Toponímia de Minas Gerais, Joaquim Ribeiro Costa.

[vi] Minhas Recordações, p. 386.

[vii] Artigo da Gazeta de Leopoldina, de 1922, assinado por J. Botelho Reis.

[viii] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 8 v.

[ix] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 11.

[x] Cartas de Sesmarias emitidas pelo Presidente da Província.

[xi] Registro de Terras de Leopoldina, TP 114, número 18.

[xii] Alistamento Eleitoral de Bom Jesus do Rio Pardo, 4º quarteirão.

A zona da mata mineira em antigos cartogramas

RECONTOS DE UM RECANTO – 02 – Artigo de José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni publicado na Gazeta de Leopoldina.

Para este artigo de hoje nos valemos, do “Mapa da Capitania de Minas Geraes, com a deviza de suas comarcas”, José Joaquim da Rocha, concluído em 1778; do “Mapa da Província de Minas Gerais,” de 1855, de Friedrich Wagner que, provavelmente, incorporou os levantamentos de João José da Silva Theodoro para as Cartas do Presídio, de São João Nepomuceno e do Pomba; dos Relatórios da Presidência da Província do período entre 1836 e 1855; e, das publicações do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro – Coleção Mineiriana, principalmente os títulos: Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais e a Província Brasileira de Minas Gerais publicada em 1998 e que traz o artigo de Johann Jakob von Tschudi de 1862 que acompanhou o Mapa de 1855.

A terra mineira, na época da viagem de Tschudi, estava dividida em 18 comarcas. Destas, destacaremos duas, a do Paraibuna e a do Muriaé, que são as mais próximas a Leopoldina.

A primeira delas, a do Paraibuna, contava cerca de 58.500 habitantes e abrangia:

Barbacena, composta pela sede de mesmo nome e pelas freguesias de Santa Rita de Ibitipoca e de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca.  Rio Preto, com seus 7 mil habitantes distribuídos entre a Vila de Nossa Senhora dos Passos do Rio Preto e a Freguesia de São José do Rio Preto. Paraibuna, atual cidade de Juiz de Fora, com cerca de 13 mil habitantes, que incluía as freguesias de Simão Pereira e Engenho do Mato.

Dessa comarca vieram muitos do povoadores do Feijão Cru.

A segunda comarca que nos interessa é a que levava o nome de seu mais importante rio: o Muriaé.

Com 88 mil habitantes distribuídos em 4 municípios (Leopoldina – 23.000 habitantes, Mar de Espanha – 19.000,Ubá – 32.000 e Muriaé – 14.000), não mereceu de Tschudi as referências adequadas provavelmente por falta de conhecimento de seus informantes da “extraordinária expansão do povoamento” da região, em razão do plantio de café e toda a Zona da Mata.  Embora se deva ressaltar que em 1856, por ocasião da aplicação da chamada Lei de Terras (Lei nr.601 de 18.03.1850), o café ainda não aparecia como principal produto de nossa economia. Entre os proprietários de terras da região somente 15% declararam possuir plantações de café. Cerca de 65% mencionaram “planta de milho” e os demais não indicaram o produto de suas roças.

O primeiro município dessa comarca, Leopoldina, abrangia a Vila Leopoldina (3.000 habitantes) e as Freguesias de São José do Paraíba (3.000) e de Santa Rita do Meia Pataca (3.000, incluindo-se aí toda a povoação da margem esquerda do Pomba), além dos Curatos de Conceição da Boa Vista, Nossa Senhora da Piedade, Bom Jesus do Rio Pardo e Madre de Deus do Angu (que somavam 14.000).

O segundo município, Mar de Espanha, que incluía a Vila, a Freguesia do Rio Novo e também os Curatos do Aventureiro e do Espírito Santo do Mar de Espanha.

Ubá aparece como terceiro município dessa comarca e era composto pela Vila e as Freguesias de São João Batista do Presídio, Santa Rita do Turvo e São Sebastião dos Aflitos.

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O quarto município da Comarca é o que leva o nome do rio e que só seria elevado à categoria de “cidade” em 1865 como São Paulo do Muriaé. Dele faziam parte a sede e as Freguesias de Nossa Senhora do Glória e Nossa Senhora da Conceição dos Tombos.

Para finalizar transcrevemos o parágrafo de encerramento do artigo de Tschudi, com a tradução que encontramos na obra citada:

“Resta-me apenas acrescentar algumas palavras sobre o mapa anexo. Ele é o resultado de longos anos de trabalho do engenheiro civil Sr. Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, de Juiz de Fora, e do geógrafo da província de Minas Gerais, Sr. Friedrich Wagner, que faleceu no ano passado em sua residência em Ouro Preto. Embora não satisfaça às exigências que se fazem a uma carta geográfica precisa, é, no entanto, a melhor disponível sobre a província de Minas Gerais, e até mesmo a melhor sobre qualquer das províncias do Império. O auxílio pecuniário que foi colocado à disposição dos engenheiros por parte do governo provincial foi insuficiente para cobrir as despesas de medição do território, que tem mais de 16 mil milhas quadradas, e que apresenta tantas dificuldades topográficas. Ainda assim, esse mapa será de grande importância e valia para a futura elaboração de uma carta apoiada em medições trigonométricas, pela qual, porém, teremos certamente de esperar ainda durante muitas décadas.”