147 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Escolas e escolaridade

O Trem de História de hoje vai transitar pelos caminhos trilhados por muitos descendentes dos imigrantes: – a Escola.

Vale lembrar que no início dos estudos sobre os imigrantes foi surpreendente encontrar indicadores de que muitos deles se preocupavam em não deixar seus filhos sem escolarização. E foi a partir daí que se buscou, então, conhecer o panorama da época quanto à educação formal para entender melhor esta questão e descobriu-se o que se segue.

Em Minas Gerais, até 1906, quatro anos antes da criação da Colônia Agrícola da Constança, persistia o sistema vigente no Império[1], em que o ensino era baseado nas chamadas salas de “aulas públicas” que ficavam a cargo de um único profissional cujo ofício era ensinar “as primeiras letras” e “as quatro contas” a alunos dos diversos níveis. Salas que eram ditas públicas, mas que muitas vezes cobravam mensalidade dos alunos.

A partir de 1906[2] o governo mineiro tomou a decisão de reunir estas salas no que se convencionou chamar de “Grupo Escolar”, onde os alunos passaram a ser alocados conforme seus níveis de conhecimento.

Análise realizada em registros da Escola Distrital de Tebas[3], entre 1896 e 1900, indica o funcionamento de uma sala de “aulas públicas” para o sexo masculino, a cargo do professor João Alves de Souza. Nesse período, ali estiveram matriculadas algumas crianças das famílias Bertoldi, Malacchini e Meneghetti. Esta informação tornou-se importante para a análise de entrevistas, permitindo questionar a generalizada ideia de que os italianos não eram alfabetizados e não matriculavam seus filhos em nossas escolas.

Outra fonte de análise foram os requerimentos de Registro de Estrangeiros[4] de 1942 encontrados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro e alguns que faziam parte do acervo do Espaço dos Anjos, em Leopoldina. Estes documentos permitiram reunir informações sobre 157 imigrantes que viveram na cidade. Verificou-se que 44% declaram-se incapazes de ler e assinar o requerimento. Entretanto, entre estes estavam alguns que haviam perdido a visão, como é o caso de Maria Zanetti, esposa de Giovanni Lupatini e, Luigi Maimeri, casado com Carolina Rancan.

A partir destas informações pode-se então concluir que a maioria era alfabetizada. Além disso, informes sobre a frequência escolar dos imigrantes, anteriores à passagem ao Brasil, dão conta de que um número grande deles estudou em sua terra natal.

É sabido que as crianças de oito famílias pesquisadas, todas maiores de 7 anos de idade, foram alunas de escolas paroquiais na Itália. Isto é, já chegaram alfabetizadas ao Brasil.

Segundo um pesquisador italiano que colaborou com dados de famílias procedentes de Padova e Venezia, no final do século XIX as crianças italianas, mesmo as residentes em áreas rurais, aprendiam a ler e a escrever na escola paroquial ou nas salas destinadas pelas associações de trabalhadores para a educação formal delas. Esta opinião encontra suporte nas palavras de Emilia Franzina[5] quando declara que, no fim do século XIX, em quase todas as famílias camponesas encontravam-se pessoas alfabetizadas.

Pelas cartas pessoais fornecidas por alguns descendentes, constata-se que os textos escritos por eles eram perfeitamente legíveis. E, muitas vezes, apenas misturavam na mesma frase algumas palavras da língua portuguesa com uma ou outra da língua natal.

Por outro lado, é bom ressaltar que o discurso do Presidente da Província de Minas Gerais, de 1898, informa que a Lei nº 150, de 20.06.1896, autorizava a “concessão de favores aos particulares” que quisessem fundar, em suas propriedades, núcleos coloniais. E colocava como condição o fornecimento ao colono de uma casa, terreno para cultivo de subsistência e instrução gratuita para os filhos.

Neste discurso, o então Presidente abordou a necessidade de se ensinar a língua portuguesa para os filhos dos imigrantes, ombreando com a prática dos governos estrangeiros que procuravam perpetuar entre eles o idioma da pátria de seus pais.

Nesta mesma linha de preocupação também estava Rodolpho Miranda[6] que declarou, em relatório de 1910, estar empenhado em prover todos os núcleos coloniais de

“escolas dotadas de material pedagogico moderno, funccionando em predios que reunam condições de capacidade e de higiene e servidas por professores capazes, dedicados ao magisterio e podendo exercel-o com methodo e proficiência”.

Em Minas Gerais, ficou determinado que não haveria frequência obrigatória nem seria exigido que os colonos matriculassem seus filhos. Entretanto, foi ressaltada a necessidade de oferecer os meios possíveis para que as crianças aprendessem o português, independente de continuarem usando a língua de seus pais.

Dentro da Colônia Agrícola da Constança funcionavam, em 1918, duas salas de aulas de primeiras letras. Uma na sede da Colônia, na Boa Sorte, e outra junto à sede da antiga Fazenda Constança. Na fazenda Paraíso, vizinha da Constança, a escola começou a funcionar antes de 1920 e, na época, alguns empregados vinham procurando emprego em outros lugares exatamente porque “os filhos precisavam estudar”.

Termina aqui a viagem de hoje. *** Mas não sem antes repetir o lembrete de que em 17 de maio de 2020 acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, para o qual todos estão convidados.*** No próximo Trem de História ainda virão outros assuntos relativos aos imigrantes italianos. Até lá.


[1] ALMEIDA, José Ricardo Pires de. Instrução Pública no Brasil 1500-1889 História e Legislação. São Paulo: Educ, 2000.

[2] Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais, 1908. Disponível em <http://www.crl.edu/content/

brazil/mina.htm> Acesso em 23 mar 1999.

[3] Livro de Matrículas da Escola Distrital de Tebas, 1896, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina.

[4] Instituído pelo Decreto 3010 de 1938, determinava a obrigatoriedade de todo estrangeiro, residente em território nacional, comparecer a uma Delegacia de Polícia para prestar informações pessoais.

[5] FRANZINA, Emilio. A Grande Emigração: o êxodo dos italianos do Veneto para o Brasil. Campinas: Unicamp, 2006. p. 342

[6] Relatório do Ministro da Agricultura Rodolpho Nogueira da Rocha Miranda, 1909-1910 – Volume 1 p. 48

 Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 400 no jornal Leopoldinense de 16 de março de 2020

***

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

125 – Viagem com os sobrenomes de imigrantes italianos

Hoje o Trem vem carregado de história e memória. Carga um pouco diferente, com jeito de festa para lembrar alguns sobrenomes e os trilhos imaginários que teriam percorrido em terras leopoldinenses. Uma viagem com os sobrenomes de imigrantes que estiveram por aqui plantando lavouras e costumes, cultivando terras, amizades e amores. E para recordar, também, onde muitos deles se encontravam para vender a colheita, comprar o indispensável, se divertirem no jogo de malha ou de futebol e, se alegrarem nas festas sociais e religiosas da Capela de Santo Antônio, no Bairro da Onça.

Mesmo sabendo que nem todos fizeram exatamente os roteiros traçados a seguir, vale-se do artifício de citá-los para resgatar sobrenomes e lembrar que muitos certamente transitaram pelo agora oficial “Caminho do Imigrante”. Caminho que ideias recentes sugerem que seja estendido pela Boa Sorte para, por uma das opções de estrada já existente, chegar ao distrito de Tebas. Num roteiro que necessariamente passará por terras que pertenceram ou foram trabalhadas, dentre outros, pelos conhecidos sobrenomes: Bonin, Carraro, Colle (Coli), Fófano, Gottardo do Giovanni Battista casado com Constantina Meneghetti (Meneghite), Marinato, Zangirolani que reúne a família do pracinha da FEB, João Zangirolani, que lutou na Itália e ganhou medalhas, mas na Guerra, infelizmente, perdeu parte da sua capacidade laboral.

Tebas, distrito que foi sede do município por um curto período e que acolheu os sobrenomes Albertoni, da senhora Virgínia, esposa de Giuseppe e o Moroni, da senhora Maria que se casou com Domenico, ambos da mesma família Sampieri (Zampier) que até hoje se liga ao lugar.

Tebas de onde partia o ônibus do Marcatto que da memória não se afasta. Sobrenome que ali chegou com o casal Luigi Marcatto e Anna Maria Ceoldo.

Que se registre por ser vero, ônibus às vezes preterido pelo menino da roça quando o tempo permitia aguardar uma carona gratuita num dos “caminhões de leite” dos irmãos Lupatini.

E falando em ônibus, vem à memória a paixão e profissão de outro descendente, Bartoli, senhor José, dono dos ônibus urbanos da cidade conhecidos popularmente, desde então, como “catanique” porque a passagem se pagava com moeda de níquel.

Na linha de Tebas, que passava pelas terras das antigas fazendas Constança, Puri e Onça, viviam descendentes do casal Otavio de Angelis e Amalia Calzavara e de Emílio Isidoro Carraro e Maria Farinazzo. O sobrenome Anzolin, da família do combatente José Luiz Anzolin que trouxe das trincheiras geladas da Itália, na Segunda Guerra Mundial, medalhas e sequelas nunca esquecidas. O Bedin e o Bolzoni, este, artesão que fabricava balaios, esteiras e peneiras de taquara, indispensáveis na lida diária da roça. O Marinato e o Meneghetti do Agostino) e do Felice, sobrenome encontrado com grafias várias. Cosini, Stievano, Gruppi e o Montan, que saiu da fazenda Paraíso desceu a Serra da Vileta e foi trabalhar em terras da Constança, Água Espalhada e Bairro da Onça, juntamente com Bronzato, Campana, Campagna, Lomba, Longordo, Togni, Sangalli (Zangali) e Zachini (Zaquine) que hoje empresta o sobrenome à rua do bairro Caiçara e recepciona os motoristas que chegam à cidade pelas avenidas Jehú Pinto de Faria e Getúlio Vargas, com suas lojas de autopeças e serviços.

Todos estes sobrenomes familiares aos que conheceram a Casa Timbira – o entreposto da Colônia, os campos de futebol, as raias de malha e as festas na Capela da Onça.

Mas além destes, outros mais também frequentaram estes mesmos pontos de convergência dos imigrantes italianos de Leopoldina.

Por vezes, para um imaginário torneio no campo do Boa Sorte podiam chegar, vindo dos lados de Abaíba, talvez trazidos por este mesmo ônibus antigo que ainda “serve” ao distrito, sobrenomes como Algeri, Bettelli e Bellini que entra na defesa deste time pelo seu possível parentesco com grande capitão da seleção brasileira de futebol campeã do mundo em 1958. Na linha média, Cappai, Rocchi e Pinna. Na frente, Fanni, Finotti, Marangoni, Meneghelli e Sacchetto. Na reserva: Vaccari, Venturini e Salis. No socorro mecânico, Benati, que pode ter algum parentesco com a pessoa maravilhosa do Perseu Benati que há mais de meio século cuida da sua loja de peças. Bozza, por ser sobrenome de médicos no Rio de Janeiro, fica no banco para eventual aplicação de spray e bandagens. E o Scolari, com este sobrenome, é o treinador.

O “escrete” de Providência, numericamente o maior de todos, formado por Gatti cujo nome já diz ser bom para o posto. Antonelli (Antonio no plural) e Boesso (mercador de bois) que talvez possa ter algum parentesco com os irmãos Orlando e Miguel Baeso, os primeiros a praticar o futebol em Maripá de Minas, por volta de 1917. Bianchi, Casarotti e De Vito na linha média. No ataque, um ponta veloz, Ferrari. Um meia direita experiente, Franzoni. Um centroavante desbravador, Fortini. Um lançador perfeito e de jogadas limpas, Zamagna e, na ponta esquerda, para consertar todo o time, um experiente Magnani, talvez descendente do mais antigo da família no lugar, o Giacomo Magnani. Para as providências de custeio das despesas, Mantega; para o apoio espiritual, Capella ou, Padovani, nome que tem origem na cidade de Padova do Santo Antônio da Capela do Onça; e, para o caso de comemoração ou, festa, um Adriani, para lembrar o cantor da jovem guarda, Jerry.

Para torneios imaginários, para os jogos de confraternização e para as festas na Igrejinha de Santo Antônio, também não faltavam sobrenomes de imigrantes vindos da cidade e de outros pontos do município. Como, por exemplo, das Palmeiras, terra de Seoldo; de São Lourenço dos Ambri, Gallito, Gottardo, Maragna, Marinato, Mori, Stievano e Zenobi; e, do Arrasta Couro, dos Bartoli.

De Argirita, hoje cidade independente, vinham Cappai, Carminati, Curcio, Gondolo, Nannini e Vitoi, que tomavam lá as suas providências ou, o ônibus da Viação Mineira e chegavam para a festa.

De Piacatuba, o mais antigo distrito da cidade, selavam seus cavalos ou, aprontavam suas “conduções”: Baldan, Bedin, Bertulli, Bogonhe, Bullado, Carmelim,  Fofano, Lazzaroni, Marcatto, Pesarini, Righetto, Sacchetti. Sangirolami e Stefani, seguidos de Lorenzeto e outros habitantes da Vargem Linda que buscando caminhos pelas margens dos tributários do Ribeirão do Banco, passando pela região do Taquaril, chegavam bem dispostos.

Caminhando no sentido contrário ao das águas do córrego Jacareacanga, vinham outros tantos sobrenomes, pisando os dormentes da linha férrea como se degraus fossem ou, utilizando os vagões do ramal da Leopoldina – Vista Alegre. Ferrovia que foi a razão de ter existido a Hospedaria Jacareacanga e a própria Colônia Agrícola da Constança, criada após acordo do governo com as empresas ferroviárias.

Do vizinho distrito de Campo Limpo, hoje Ribeiro Junqueira, o Trem de sobrenomes trazia Bellan, Bigleiro, Binalti, Cattozzi e Crepaldi, Dorigo, Mondin, Pezzolato e Tambasco. E mais Bellavia, Biasucci, Panzavolta e Pellicani, de Recreio, possivelmente embarcados no mesmo trem que trazia o pessoal da estação anterior, São Martinho, de onde vinham Beccari, Beltrani, Borghi, Bortolotti, Facchini, Ferretti, Ropa e Tonelli.

Brincadeiras à parte, posto que são utilizadas apenas para tornar mais agradável a leitura, o que se pretende aqui é lembrar que todos estes e muitos outros sobrenomes italianos povoaram a coluna Trem de História e as que a antecederam nos 20 anos de publicações sobre a história da cidade. E estão aqui, mais uma vez, para lembrar a quantidade e a importância dos imigrantes italianos que viveram em Leopoldina.

E para mostrar que são 6.084 italianos ligados direta ou indiretamente a Leopoldina e que destes, 3.939 possuem vínculo com a cidade devidamente documentado.

São 1.166 sobrenomes italianos, muitos deles perdidos nos seguidos casamentos dos descendentes, mas todos, com certeza, presentes pelo sangue em mais da metade da população da cidade. Motivo de sobra para merecerem uma homenagem, neste mês, quando se comemora os 159 anos do início dessa imigração e desejar a todos que 2019 seja o ano dos preparativos para a festa dos 110 anos da Colônia Agrícola da Constança e os 160 anos da Imigração Italiana para Leopoldina, em abril de 2020.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 378 no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2019

 

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA. Nova data será oportunamente informada.

Agosto de 1918

Nascimentos em Leopoldina;

2 Ago 1918,

Antonieta

pais: Antonio Borges Barcelos e Ana Soares


3 Ago 1918,

Itacy Machado Gouvêa

pais: José Vital de Oliveira e Mariana Custódia de Moraes

cônjuge: Sinval Valverde

Santa Meneghetti

pais: Fortunato Meneghetti e Filomena Bonin


5 Ago 1918,

Pedro

pais: José Cipriano de Carvalho e Adelina Honorata de Brito


9 Ago 1918,

Oswaldo Iennaco

pais: Lorenzo Iennaco e Emma Sparanno


14 Ago 1918,

Carlos

pais: Sebastião Carlos Neto e Laurinda Maria da Conceição

Tereza Fiorenzano

pais: Biagio Fiorenzano e Isabel Dalto

Waldemiro Almeida

pais: Cornélio Antonio de Almeida e Etelvina Caetano de Oliveira


15 Ago 1918,

João

pais: Julio Figueiredo Sabino Damasceno e Francisca Antunes Barbosa

Laerte

pais: Artur Teixeira de Mendonça e Ana de Araújo Porto


16 Ago 1918,

Mauro

pais: José Augusto Monteiro da Silva Filho e Maria da Glória de Aguiar


24 Ago 1918,

Maria de Lourdes

pais: Antonio Mauricio da Silva e Emilia dos Reis Coutinho


25 Ago 1918,

Wanderley

pais: José Antonio Machado e Albertina Zulmira de Moraes


27 Ago 1918,

Maria Bedin

pais: Alessandro Bedin e Celestina Bartoli


28 Ago 1918,

Jorge

pais: Francisco Ferreira de Almeida e Julieta Magdalena de Moraes


30 Ago 1918,

Madalena Rodrigues

pais: Antonio Augusto Rodrigues e Maria Antonia de Oliveira

cônjuge: Odilon Tavares Machado

Junho de 1918

Nascimentos em Leopoldina:

1 Jun 1918,

Antonio

pais: Francisco José Botelho Falcão e Ana Maria de Oliveira Ramos


2 Jun 1918,

Iolanda Maragna

pais: Higino Maragna e Olga Coelho dos Santos


6 Jun 1918, Ribeiro Junqueira,

Maria Consuelo Pimentel

pais: Aurelio Pimentel e Carolina Marangoni

cônjuge: Sebastião Luiz Neto

Maria de Lourdes

pais: Olegario de Lacerda Moraes e Judith Ferreira Valverde

cônjuge: Vanor Luiz Pereira


10 Jun 1918,

Helena Dietz Rodrigues

pais: Antonio Germano Rodrigues e Maria Dietz Tavares

cônjuge: Geraldo Monteiro de Rezende


20 Jun 1918,

Jercira

pais: Sebastião Ezequiel Ferreira Neto e Genoveva Marques Viveiros


23 Jun 1918,

Deoclides Rayol

pais: Eduardo Faria Rayol e Laura Candida Jendiroba


24 Jun 1918,

João Batista Sestu

pais: Giuseppino Sestu e Giuseppina Murgia


25 Jun 1918,

Antonio Conti

pais: Marcelino Conti e Cecília Rodrigues da Silva

Ana Severina Conceição


30 Jun 1918,

João Lisboa Vargas

pais: João Ferreira Vargas e Maria das Dores Lisboa

cônjuge: Maria Aparecida Miranda

Antonio Montovani

pais: Felice Montovani e Amabile Eva Meneghetti

Olivia Togni

pais: Arturo Togni e Augusta Pradal

Colônia Agrícola da Constança: 108 anos

Lotes da Colônia Agrícola da Constança criada em 12 de abril de 2010

Atualizado em abril 2018

Lote Colono Entrada
1 Paula, João Baptista de Almeida 1 7 1909
2 Passos, Manoel José dos 15 7 1910
2 Pardal, Manoel Gomes 25 11 1911
3 Macedo, Francisco Carneiro de 15 7 1910
4 Lomba, Jesus Salvador 20 7 1910
5 Lorenzi, Demetrio de 26 2 1911
5 Meccariello, Carlo 26 8 1911
6 Campagna, Felice Antonio 21 6 1911
7 Carraro, Vittorio 25 11 1911
8 Fofano, Paschoal Domenico 14 6 1910
9 Meneghetti, Felice 14 6 1910
10 Santos, Augusto 14 6 1910
11 Balbino, Pietro 28 12 1910
12 Colle, Francesco 28 12 1910
13 Pittana, Giuseppe 28 12 1910
14 Sampietro, Giovanni 28 12 1910
15 Pompermayer, Modesto 11 1 1911
16 Montes, Auriel de Rezende 15 7 1910
17 Reiff Júnior,Francisco Antonio 15 7 1910
18 Silva, Jeronymo José da 15 7 1910
19 Carvalho, João Pacheco de 15 7 1910
20 Marcato, Luigi 28 12 1910
21 Buciol, Angelo 28 12 1910
21 Abolis, Francesco 26 10 1911
22 Raipp, João Simão 20 10 1910
22 Rodrigues, Antonio Augusto 4 6 1924
23 Bonin, Fortunato 25 11 1911
24 Travain, Eugenio 11 1 1911
25 Meneghetti, Viúva de Luigi 14 6 1910
26 Gottardo, Giovanni Baptista 14 6 1910
27 Fofano, Carlo Batista 14 6 1910
28 Abolis, Leopoldo 11 1 1911
28 Montan, Antonio 17 1 1911
29 Boller, Giovanni 26 2 1911
30 Miehe, Heinrich 5 10 1910
30 Lupatini, Giovanni ? ? ?
31 Krause, Herman 27 1 1910
31 Boller, Luigi 26 2 1911
32 Troche, Bruno 27 1 1910
32 Boller, Giuseppe 26 2 1911
33 Zessin, Frederick 10 12 1909
34 Stefani, Eugenio 15 6 1910
35 Casadio, Giuseppe 15 6 1910
36 Ferreira, Francisco Dias 15 6 1910
37 Cartacho, Manoel da Cruz 30 1 1910
38 Secanelli, Angelo 30 3 1911
39 Lupatini, Giovanni 10 8 1911
40 Costa, José Manoel da 25 11 1910
41 Mesquita, Augusto 4 12 1909
42 Ferraro, Pasquale 26 2 1911
43
44 Schaden, Franz 27 1 1910
44 Rottemberg, Rudolf 19 10 1910
45 Schill, August 28 11 1909
45 Fischer, Gustav 26 8 1911
46 Ketterer, Franz 28 11 1909
47 Figueiredo, Julio Teixeira 16 6 1910
48 Nejedlo, Franz 8 12 1909
48 Klaiber, João Jorge 19 10 1910
49 Zessin, Wilhelm 28 11 1909
50 Krauger, August 28 11 1909
50 Beatrici, Pietro 26 2 1911
51 Lang, Ernest 27 1 1910
52 Hensel, Mathias 28 11 1909
53 Thier, Carl 8 12 1909
53 Beatrici, Felice 26 2 1911
54 Richter, Hermann 15 1 1910
55 Anzolin, Giovanni Ottavio 11 1 1911
56 Giuliani, Candido 20 7 1910
57 Anzolin, Basilio 11 1 1911
58 Carminati, Giovanni 6 1910
59 Carminati, Giovanni 6 1910
59 Pedroni, Angelo 14 6 1910
60 Sellani, Sante 11 6 1910
60
61 Brando, Biase 31 10 1911
62 Carvalho, Pedro Pacheco de 18 12 1911
63 Pardal, Manoel Gomes 25 11 1911
64 Pardal, Manoel Gomes
65
66 Rodrigues, Antonio Augusto 1920

O estudo sobre a Colônia Agrícola da Constança teve início na década de 1990 e foi concluído em 2010, quando publicamos os resultados em diversas mídias.

Nos últimos oito anos, no desenvolvimento de outros projetos relativos à história de Leopoldina foram encontrados indicadores que nos levaram a novas fontes e, consequentemente, à revisão de algumas informações publicadas. Esta atualização contém alterações nos nomes dos colonos, corrigidos de acordo com as novas fontes a que tivemos acesso.

Abril 2018

Luja Machado e Nilza Cantoni

Janeiro de 1918

Nasceram em Leopoldina:

3 Jan 1918,

Helena Meneghetti

pais: Giuseppe Meneghetti e Amalia Fofano


5 Jan 1918,

Maria das Dores

pais: Pedro da Cruz Nogueira e Carolina Maria Cazzarini


11 Jan 1918,

Joaquim

pais: Sérgio Teixeira Dutra e Georgina Teixeira Cortes


13 Jan 1918, Ribeiro Junqueira,

Jacira Lammoglia

pais: Francisco Alves Lammoglia e Luiza Guerzoni

cônjuge: Sebastião Bedin


19 Jan 1918,

Sebastião Bedin

pais: Giovacchino Bedin e Angelina Sardi

cônjuge: Jacira Lammoglia

Sebastião Machado Dias

pais: Pedro Machado Dias e Maria Garcia de Matos

cônjuge: Maria José Almeida

Azilda Freire

pais: Izolino de Macedo Freire e Maria Cipriana de Carvalho


20 Jan 1918,

Maria da Gloria

pais: João Evangelista Ferreira Neto e Francisca Ramos de Melo

cônjuge: Waldelino Jacob Clemente

Sebastião Machado Neto

pais: Antonio Izidoro Vargas Neto e Rita de Cássia Machado


21 Jan 1918,

Antonio Santo Gallito

pais: Pedro Gallito e Maria Meneghetti


23 Jan 1918,

Joana

pais: Joaquim Mariano e Albertina Guarda


25 Jan 1918,

Nelson Sobrino

pais: José Maria Alonso e Serafina Sobrino Rodrigues


26 Jan 1918,

João Zenobi

pais: Ramiro Zenobi e Maria de Jesus Pereira Barbosa


30 Jan 1918,

Pedro Rodriguez

pais: Rafael Rodrigues Y Rodriguez e Maria Gottardo

Cônjuge: Amélia1

Família Marinato I

O vapor Washington, na viagem que chegou ao Rio dia 30 de outubro de 1888, trouxe dois grupos de sobrenome Marinato. Há indicações de que ambos procediam do casal Lorenzo Marinato e Pasqua Marchiro, que viveu em Pianiga, província de Venezia. Entretanto, ainda não encontramos o vínculo de Giovanni Marinato com o casal Pasqua e Lorenzo.

O primeiro grupo, número 152, era composto por Pasqua Bernardi viúva, e seus filhos Otaviano e Lugia. Pasqua fora casada com Giovanni Marinato, com quem teve uma outra filha: Catterina Felicità, que se casou em Pianiga, em 1878, com Giacinto Giuseppe Marcatto. Este casal também veio para Leopoldina mas chegou ao Brasil apenas em 1896. Antes da viagem, receberam um crédito transferido por Otaviano Marinato, que então trabalhava na Fazenda Paraíso.

Pasqua, Otaviano e Luigia saíram da hospedaria no dia 4 de novembro com destino a Leopoldina, onde Otaviano e Luigia se casaram no dia 4 de maio de 1890. Ele se casou com Giudetta Scantamburlo que também chegou pelo vapor Washington. Conforme mencionado no texto ‘Família Calzavara’, publicado em 10 de abril, Giudetta foi listada na hospedaria com o nome de Regina e com saída em 4 de janeiro para Juiz de Fora.

Luigia Marinato se casou com Giuseppe Modesto Meneghetti, filho de Giulio Meneghetti e Giudetta Costa. Não sabemos quando a família do noivo chegou ao Brasil. No vapor Washington viajou uma família Meneghetti mas não conseguimos estabelecer vínculos entre eles.

Através da colaboração de descendentes, soubemos que Giuseppe e Luigia viveram numa colônia em Leopoldina, migraram para o interior de São Paulo e depois se radicaram no Paraná. Mas como a migração teria ocorrido antes de 1910, eles não podem ter vivido na Colônia Agrícola da Constança que ainda não tinha sido criada.

Embora não tenhamos encontrado os vínculos diretos, sabemos que as pessoas aqui mencionadas viviam na mesma região de outros passageiros do Washington já citados nesta revisão: entre Dolo e Pianiga, província de Venezia, e Vigonza, província de Padova. Esta conclusão foi possível pela análise de registros de casamentos, nascimentos e óbitos disponíveis no site Family Search, bem como no Portal Antenati, que reúne documentação de diversos arquivos públicos italianos.

Família Gottardo

No prosseguimento da atualização de informações sobre os passageiros do vapor Washington, que aportou no Rio no dia 30 de outubro de 1888, hoje abordaremos o grupo chefiado por Antonio Gottardo que passou pouco tempo no Brasil, voltou para a Italia e depois veio de forma definitiva. O que chama a atenção, neste caso, é que desembarcaram apenas o pai e as filhas Maria e Regina, e uma filha desta de nome Angelina, no retorno em 1896,

Segundo o casamento de Angelina, ela teria nascido em Leopoldina em março de 1894, o que remete a viagem de parte da família Gottardo para a Italia a partir desta data. Regina tinha outra filha, de nome Petrina Antonieta, nascida e batizada em Leopoldina em 1891, que não desembarcou com a mãe em 1896. E pelo casamento de Angelina, soubemos que o pai dela, Achille Meneghetti, teria falecido em São Paulo.

Considerando que Antonio, as filhas Maria e Regina, a neta Angelina e talvez o genro Achille tenham ficado na Italia entre meados de 1894 e fevereiro de 1896, realizamos buscas na localidade onde o grupo teria vivido no período: Dolo, província de Venezia, bem próximo de Vigonza, onde Antonio Gottardo vivia antes da primeira viagem ao Brasil. Esclareça-se, a propósito, que o pai de Antonio chamava-se Domenico Gottardo e é provavelmente aquele que faleceu em 1877 em Dolo, sendo natural de Arino di Dolo e residente em Cazzago di Pianiga, localidades entre Dolo e Vigonza. Por conta desta informação, estendemos as buscas por estes lugares. Infelizmente, nada encontramos.

Em março de 1896, Antonio Gottardo desembarcou novamente no porto do Rio e foi encaminhado para a Hospedaria Horta Barbosa, de onde saiu no dia 17, com destino a Ubá. Pouco tempo depois já estava novamente em Leopoldina, onde a filha Regina se casou pela segunda vez, com Aquilino Castagna, em fevereiro de 1898. Em Leopoldina também se casaram outros filhos: Maria em 1901, Michele e Giovanni Battista em 1904, e Domenico se casou duas vezes, a primeira em 1914.

Em 1910, Giovanni Battista Gottardo adquiriu o lote 26 da Colônia Agrícola da Constança. Em 1912, faleceu Antonio Gottardo. Pouco depois a filha Regina mudou-se para Belo Horizonte com o segundo marido e os filhos deste casamento. Em meados da década de 1930 foi a vez do filho Michele transferir-se para o estado do Rio. Domenico, Giobatta e Maria permaneceram em Leopoldina. Não temos notícias dos filhos mais novos: Giuseppe e Antonia. A descendência conhecida de Antonio Gottardo já está na sétima geração.