138 – Colônias em Minas Gerais e migrações entre elas

O Trem de História de hoje faz uma viagem um pouco mais abrangente para trazer para este espaço um pouco sobre as colônias criadas em todo o estado.

E começa lembrando que a organização de colônias agrícolas em Minas Gerais foi determinada pela necessidade de oferecer atrativos que fixassem os imigrantes no estado. O caminho encontrado pelos dirigentes foi, então, criar e incentivar a criação de núcleos agrícolas em terras devolutas e no entorno das estradas que se abriam, inclusive da ferrovia.

A partir de 1880, há referências esparsas a colônias criadas pelas municipalidades, como foi o caso da Colônia Santo Antônio que existiu em Leopoldina, conforme se depreende das contratações de imigrantes realizadas pela Câmara Municipal.

No final daquela década funcionavam o núcleo de São João del Rei, a Colônia Maria Custódia em Sabará e a Colônia Rodrigo Silva em Barbacena, todos transferidos da União para o Governo de Minas em 1892.

Já entre 1893 e 1930, o governo de Minas Gerais criou os seguintes núcleos coloniais: em 1893 a Colônia Francisco Sales, em Pouso Alegre; 1899 a Colônia Carlos Prates, Américo Werneck, Afonso Pena, Bias Fortes e Adalberto Ferraz, no subúrbio da capital; em 1900 a Colônia Nova Baden, em Lambari; em 1907 as Colônias Vargem Grande na capital e Itajubá no município de mesmo nome; em 1908 a Colônia João Pinheiro, criada em conjunto com o governo federal em Sete Lagoas; em 1910 as Colônias Constança em Leopoldina, Santa Maria em Astolfo Dutra, Barão de Ayuruoca em Mar de Espanha e, em conjunto com o governo federal, Colônia Inconfidentes em Ouro Fino; em 1911 as Colônias Major Vieira em Cataguases e Rio Doce em Ponte Nova; em 1912 as Colônias Wenceslau Braz em Sete Lagoas e Pedro Toledo em Carangola; em 1913 a Colônia Guidoval em São Domingos da Prata; em 1914 a Colônia Joaquim Delfino, em Cristina; em 1915 a Colônia Vaz de Melo em Viçosa; em 1920 a Colônia Álvaro da Silveira, em Pitangui; em 1921 a Colônias David Campista em Bom Despacho, Júlio Bueno Brandão em Peçanha e Francisco Sá em Teófilo Otoni; em 1923 a Colônia Padre José Bento, em Pouso Alegre; em 1924 a Colônia Brucutu, em Santa Bárbara; em 1926 a Colônia Raul Soares, em Pará de Minas; e, em 1927 a Colônia Mucuri, em Teófilo Otoni.

Desse grupo de colônias há informações nos relatórios disponíveis no Arquivo Público Mineiro, através dos quais foram identificadas algumas migrações entre as localidades.

É o caso da família de Andreas Stievano que chegou ao Brasil em 1888 e foi para Itajubá. Pouco depois da criação do núcleo colonial naquele município, não tendo conseguido adquirir o lote, os Stievano migraram para Leopoldina. O mesmo aconteceu com alguns Scantamburlo que foram para Chiador e os Magiollo que foram para Soledade, distrito de Mar de Espanha e, não conseguindo lote na colônia criada em Mar de Espanha em 1910, migraram para Leopoldina. Houve relato semelhante envolvendo os sobrenomes Bellan, Calloni, Conti, Pighi, Precisvale e Vetorello que foram inicialmente para Ponte Nova. Entretanto, o núcleo daquele município foi criado após o de Leopoldina e as famílias mencionadas já haviam migrado alguns anos antes.

Esclareça-se, a propósito, que não foi apenas a organização de um núcleo colonial, com venda de lotes a imigrantes, a causa das migrações. Tome-se, por exemplo, os municípios de Juiz de Fora e Muriaé, nos quais não existiu colônia nos moldes da nossa Constança. Foi grande o número de imigrantes italianos que se estabeleceram nos dois municípios e que migraram posteriormente dentro da própria zona da mata ou para outras regiões.

Vale a pena registrar que em 1911, um ano após sua fundação, a Constança ocupava a 7ª posição em número de habitantes, superando 4 núcleos mais antigos. Em 1912 já era a 2ª, tendo à frente a Rodrigo Silva, de Barbacena. No ano seguinte a Santa Maria, de Astolfo Dutra, alcançou a segunda posição e a Constança ficou em 3º lugar no número de habitantes e na produtividade. Nos anos subsequentes a Rodrigo Silva manteve-se como a de maior número de habitantes mas sua produção foi caindo, cedendo a posição para a Constança e a Santa Maria alternadamente. A partir de 1915 a Constança manteve-se como a segunda maior colônia do estado em número de habitantes.

Digno de registro, também, é o fato de que, ao serem emancipadas, estas colônias agrícolas sofriam pequena mudança administrativa, especialmente no que se refere ao fornecimento de equipamentos e sementes. Mas de acordo com a mensagem do presidente Fernando de Mello Vianna em 14 de julho de 1926, “apesar de emancipadas e com vida autonoma, permaneciam subordinadas ás leis geraes do Estado e do paiz”.

E para encerrar é bom lembrar que as despesas de manutenção da estrutura dessas colônias foram mantidas até a extinção de cada uma delas, não tendo havido um prazo previamente determinado para que fossem dispensados os funcionários administrativos e vendido o lote reservado pelo estado para moradia do administrador e funcionamento do serviço burocrático. Em diversas mensagens presidenciais, foram mencionadas despesas de manutenção das casas-sede, limpeza de córregos, reparo de pontes e outros serviços nas estradas internas dos núcleos por longo tempo após a emancipação. Tudo levando a crer que tais serviços eram realizados pelos próprios colonos, representando uma renda adicional para além do cultivo da terra. Analisando as falas anuais do dirigente estadual até 1930, é possível supor que a extinção só ocorria após todos os lotes terem sido quitados e emitidos todos os títulos definitivos de posse.

O Trem de História, neste final da viagem de hoje, lembra aos eventuais interessados neste estudo sobre a história pública da cidade que a emancipação da Colônia Agrícola da Constança ocorreu em março de 1921, mas as datas de emissão dos títulos definitivos estão em poder do Cartório de Registro de Imóveis de Leopoldina e infelizmente, por razões burocráticas, não foi possível acessá-los para completar esta lacuna.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 391 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2019


Fontes de referência:

MONTEIRO, Norma de Góes. Imigração e Colonização em Minas 1889-1930. Belo Horizonte: Itatiaia, 1994. p. 189

Relatórios da Presidência da Província / Governo do Estado de Minas Gerais 1837-1930.

Decretos 4194 de 30.05.19146430 de 15.12.1923, 11.874 de 12.01.1916, 5597 de 03.03.1921, 5598 de 03.03.1921, 3207 de 01.07.1911, 6614 de 20.07.1923, 5596 de 03.03.1921, 6631 de 10.09.1923, 6624 de 16.06.1924, 8145 de 13.01.1928 e 6613 de 20.07.1923.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 391 no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2019

137 – Propriedades pequenas e produtivas

 

Antes de tratar das propriedades vendidas aos imigrantes aqui no Brasil, é bom que se tenha uma ideia de como eram as propriedades, na época, na Itália.

Segundo a investigação agrária realizada por de Jacini[1], na segunda metade do século XIX as pequenas propriedades eram mais comuns do que o latifúndio na Emilia-Romagna. Em algumas partes da região encontravam-se unidades de 10 a 30 hectares, sendo o tamanho mais frequente em torno de 9 hectares ou, um pouco menos de dois alqueires mineiros.

Emilio Franzina[2] caracteriza como sendo mito a ideia sobre uma divisão de terras que teria ocorrido no Veneto, informando que nos arredores de Rovigo, Vicenza, Padova e Treviso as propriedades mediam entre 20 e 30 hectares.

Num extrato sobre o trabalho de Jacini, Giulio Gatti conclui que a propaganda da emigração comparava a diminuta extensão das propriedades rurais na Itália com a possibilidade de adquirir grandes fazendas no Brasil.

Tomando por base o tamanho dos lotes da Colônia Agrícola da Constança, com 25 hectares em média, verifica-se que a realidade encontrada aqui no Brasil estava longe de confirmar a propaganda que atraíra aqueles imigrantes. E se torna mais grave quando é sabido que antes do estabelecimento daquele núcleo colonial os imigrantes raramente tiveram oportunidade de adquirir uma boa propriedade que permitisse o rendimento necessário para o sustento de família numerosa.

Ressalte-se que as bases sobre as quais se assentou a nova sociedade brasileira fundada no trabalho livre incluíram modalidades diversas de relações sociais, não havendo um padrão único seguido por todos os fazendeiros e colonos. Pelo menos duas modalidades dessas relações são encontradas nas fazendas leopoldinenses. Na primeira delas estão os imigrantes que foram explorados nas fazendas, presas fáceis da marginalização e da miséria, mas que tomando atitudes muitas vezes impensadas, conseguiram se livrar do jugo dos fazendeiros que os contrataram na hospedaria e encontraram o caminho para o sucesso. Na segunda modalidade que se deduz de vários depoimentos colhidos de descendentes, está um grupo de imigrantes que contou com melhor sorte. Este teria tido ascensão econômica e n’alguns casos também a social porque contou com a ajuda dos fazendeiros contratantes. Neste caso ocorreu que os fazendeiros, grandes beneficiários do sistema de importação de mão de obra livre, sentiram necessidade de estabelecerem vínculos trabalhistas mais favoráveis aos colonos, a fim de evitar perderem aqueles novos braços que passaram a sustentar as suas lavouras. Sentiram que a falta dos imigrantes poderia trazer de volta aqueles tempos terríveis após a libertação dos cativos, quando a produção de muitas lavouras se perdeu no mato por falta de mão de obra para a colheita.

O mais comum, antes da criação das colônias, era que os imigrantes raramente tinham oportunidade de realizar o sonho de adquirir uma boa propriedade. Foi o caso, por exemplo, da família Casadio. Com a esposa Luigia Martinelli e pelo menos dois filhos, em 1897 Giuseppe Casadio foi contratado para uma fazenda no então distrito de Leopoldina chamado Rio Pardo, hoje o município de Argirita. Em 1910, o filho Giovanni Casadio adquiriu o lote número 35 da Constança, no qual também viveram seus pais. Outros imigrantes da mesma região, como os Minelli, de Bologna, que se radicaram no distrito de Ribeiro Junqueira e os Conti, de Marzabotto, que se tornaram proprietários na localidade de São Lourenço, também no município de Leopoldina, parecem ter percorrido caminho semelhante.

Na verdade, a propriedade de um pedaço de terra era uma das condições a que se impuseram os imigrantes para atingirem a igualdade e, ao mesmo tempo, a liberdade sonhada com a vinda para a América. Óbvio que para isto ainda precisavam reorganizar suas vidas na nova terra e resolver os problemas das dívidas eventualmente contraídas na viagem e nos primeiros anos junto ao armazém da fazenda.

Segundo levantamentos parciais nos registros existentes, num período de 8 a 12 anos trabalhando nas fazendas a maioria dos imigrantes se tornou proprietária. O que se traduz num feito extraordinário se consideradas as condições em que chegaram da Itália.

Basta lembrar que os desafios eram muitos. Começavam no embarque no porto italiano e não terminavam com a chegada a um lugar desconhecido chamado Leopoldina. Eram problemas de toda ordem: falta de recursos financeiros, exploração de intermediários, viagens cansativas, muitos casos de doença e até de perda de familiares ou separação nas hospedarias onde o fazendeiro escolhia as pessoas que lhe interessavam.

Superados ou absorvidos todos estes problemas, restava ainda, como muitos casos relatados pelos descendentes, o grande obstáculo oferecido na chegada, onde a língua e a cultura dessa nova pátria eram totalmente estranhas.

Os imigrantes venceram todas as dificuldades. Na medida do possível, procurando fixar-se junto a seus conterrâneos de modo a se sentirem mais confiantes e buscando a ajuda mútua para o amparo e para o aumento dos rendimentos. Ao evitar se dispersarem, em muitos casos surgiram parcerias entre famílias imigrantes que começaram no amanho da terra e se prolongaram em casamentos entre os filhos. E, acima de tudo, trabalhando muito.

Não se deve descartar a hipótese de algum imigrante ter vindo por influência de uma propaganda enganosa de que seria fazendeiro no Brasil, mas é inegável que estes numerosos colonos transformaram, assim que puderam, pequenos lotes em exemplos de produtividade e foram bastante operosos, conseguindo boa condição de vida para suas famílias.

Por hoje a conversa fica por aqui. Até a próxima edição!


Fontes consultadas:

1 – JACINI, Stefano. Inchiesta Agraria. Roma: s.n., 1884.

2 – FRANZINA, Emilio. A Grande Emigração: o êxodo dos italianos do Veneto para o Brasil. Campinas: Unicamp, 2006. p. 142-144

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 390 no jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2019

 

Julho de 1918

Nascimentos em Leopoldina:

4 Jul 1918,

Antonio Marinato

pais: Paschoal Celeste Marinato e Eugenia Nogueira dos Anjos


5 Jul 1918,

Izaura Rodrigues Vargas

pais: Antonio Vargas Ferreira e Olivia Rodrigues da Silva

cônjuge: Eolo Froes


6 Jul 1918,

Antonio Antunes

pais: João Francisco Antunes filho e Ignacia Maria Vargas


8 Jul 1918,

Maria Aparecida

pais: Luiz Augusto da Silva e Zulmira Bittencourt Rodrigues


9 Jul 1918,

Maria Mercedes Samuel

pais: João Samuel e Henriqueta de Oliveira


15 Jul 1918,

Maria das Dores Barbosa

pais: Feliciano José Barbosa e Nelsina Augusto Rodrigues

cônjuge: Antonio Pires de Oliveira


20 Jul 1918,

José Canton

pais: Luigi Antonio Dal Canton e Luigia Ranieri


21 Jul 1918,

Antonio Dalto

pais: Nicolao Dalto e Edwiges de Souza Reis


23 Jul 1918,

João Conti

pais: Giuseppe Conti e Aristea Regina Meneghelli


i27 Jul 1918,

Luzia Samorè

pais: Paolo Samorè e Carolina Honória de Jesus

Junho de 1918

Nascimentos em Leopoldina:

1 Jun 1918,

Antonio

pais: Francisco José Botelho Falcão e Ana Maria de Oliveira Ramos


2 Jun 1918,

Iolanda Maragna

pais: Higino Maragna e Olga Coelho dos Santos


6 Jun 1918, Ribeiro Junqueira,

Maria Consuelo Pimentel

pais: Aurelio Pimentel e Carolina Marangoni

cônjuge: Sebastião Luiz Neto

Maria de Lourdes

pais: Olegario de Lacerda Moraes e Judith Ferreira Valverde

cônjuge: Vanor Luiz Pereira


10 Jun 1918,

Helena Dietz Rodrigues

pais: Antonio Germano Rodrigues e Maria Dietz Tavares

cônjuge: Geraldo Monteiro de Rezende


20 Jun 1918,

Jercira

pais: Sebastião Ezequiel Ferreira Neto e Genoveva Marques Viveiros


23 Jun 1918,

Deoclides Rayol

pais: Eduardo Faria Rayol e Laura Candida Jendiroba


24 Jun 1918,

João Batista Sestu

pais: Giuseppino Sestu e Giuseppina Murgia


25 Jun 1918,

Antonio Conti

pais: Marcelino Conti e Cecília Rodrigues da Silva

Ana Severina Conceição


30 Jun 1918,

João Lisboa Vargas

pais: João Ferreira Vargas e Maria das Dores Lisboa

cônjuge: Maria Aparecida Miranda

Antonio Montovani

pais: Felice Montovani e Amabile Eva Meneghetti

Olivia Togni

pais: Arturo Togni e Augusta Pradal

66 – Eugênio Botelho Falcão

O personagem de hoje é Eugênio Botelho Falcão, filho de Luiz Botelho Falcão III e de Ana Cecília. Irmão, portanto, do Luiz Botelho Falcão IV, de cuja família o Trem de História se ocupou nos três últimos artigos publicados.

Documentos diversos registram que Eugênio era Alferes do 37º Batalhão da Guarda Nacional em 1880 e 1881. No ano seguinte foi nomeado 2º suplente de delegado. Em 1883, tomou posse como vereador. Três anos mais tarde aparece como representante de “Venâncio dos Santos Pereira & C, Comissarios de Café e mais generos do Paiz”, estabelecimento sediado no Rio de Janeiro. Continuava como negociante em 1892 e foi acionista da Sociedade Educacional Arcádia Leopoldina, fundada em setembro de 1893. E em setembro de 1898 foi nomeado 3º suplente de delegado.

Segundo o sobrinho Luiz Rousseau, residia num sobrado na Rua Tiradentes, embora informe, no mesmo livro, que seu tio morava no Largo Félix Martins. Ao se referir ao sobrado da Rua Tiradentes, Luiz Rousseau esclarece que tal residência ficava na esquina com a Rua Sete de Setembro e que no andar térreo funcionava a carpintaria de Ricardo de Oliveira e a agência dos Correios, cujo agente era o próprio Eugênio.

Registre-se que esta informação encontra respaldo no órgão oficial da província de 1893, informando que Luiz Botelho Falcão (sic) e José Bastos foram nomeados estafetas ambulantes entre Cataguases, Santana de Cataguases, Vista Alegre e Leopoldina.

Sabe-se que Eugênio Botelho Falcão se casou com Maria Amélia, com quem teve dez filhos: Luiza Rosa; Luiz (1881); Luiza Eugênia; Luiz (1886); Luiz (1888); Luiza (1891); Luiza (1892); Luiz (1895); Luiza (1897); e, Luiza (1901). De apenas duas filhas, Luiza Rosa e Luiza Eugênia, obtivemos algumas informações.

Luiza Rosa foi, provavelmente, a filha nascida em 1879, que se casou em 1902 com Ovídio Rocha e teve pelo menos dois filhos: Eugênio (1903) e Euclides (1905). Seu marido Ovídio era filho de Honório Fideles Ferreira e Joaquina Eucheria de Jesus e, irmão de Clotilde Eucheria de Jesus que se casou com o açoriano Jerônimo Botelho Falcão, filho de Francisco Botelho Falcão Sobrinho e Rosa Emilia já citados neste ensaio. Ovídio foi o criador do combativo periódico O Arame, de oposição aos Ribeiro Junqueira. Por conta de sua posição política foi vítima de um processo difamatório através das páginas da Gazeta de Leopoldina, jornal de propriedade de seu desafeto.

Luiza Eugênia foi provavelmente a filha que nasceu em 1883. Casou-se com Francisco d’Almeida, nascido em 1881, filho de Lino José de Almeida e Antonia Carolina Pereira Pinto, descendente dos Almeida Ramos povoadores de Leopoldina.

Chichico, como era conhecido, foi editor de uma folha denominada O Cafageste (sic), que passou para J. Siqueira em 1898. Segundo Mauro de Almeida Pereira, Francisco d’Almeida mudou-se para Recreio quando foi nomeado Escrivão de Paz e oficial do Registro Civil de Recreio. Desde jovem ele trabalhava no Cartório Judicial de Notas de Leopoldina. Em Recreio, que na época era distrito de Leopoldina, foi presidente da Banda de Música 1º de Maio, do Clube dos Baetas e de outras agremiações esportivas. Além disto, substituiu Luiz Soares na direção do jornal O Verbo e foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Recreio.

Em Leopoldina foram batizados os dois filhos de Luiza Eugenia e Francisco d’Almeida: Edson (1903) e Maria, nascida e falecida em junho de 1905. Em consequência deste segundo parto, Luiza Eugênia Botelho faleceu no dia 26.06.1905. Viúvo, Chichico contraiu segundas núpcias em 1908, com Francisca Ferreira Damasceno, filha de Antonio Sabino Damasceno Ferreira e Porcina Padilha Figueiredo, sendo neta paterna de Zeferina de Jesus e João Gualberto Damasceno Brito. Por este ramo, bisneta do Capitão João Gualberto Ferreira Brito, personagem conhecido na história de Leopoldina por sua carreira política e por sua atuação como Chefe do Partido Conservador.

Edson Botelho de Almeida, o filho de Luiza Eugênia, foi então criado pelo pai e sua segunda esposa em Recreio, onde se casou e teve quatro filhos com a descendente de imigrantes italianos Virgínia Artuza Conti.

Encerra-se aqui a série de nove textos sobre os “Botelho Falcão” de Leopoldina. Virão outros personagens nas próximas viagens desse Trem de História. A galeria dos conterrâneos esquecidos é grande e nosso objetivo é resgatar a história de Leopoldina através da construção de “peças” para a salutar brincadeira de montar um imaginário quebra-cabeça mostrando a cidade e seus construtores.

Até a próxima ou, o próximo número do Jornal, caro leitor.


Fontes consultadas:

Barroso Júnior. O centenário da Cidade de Leopoldina, em Minas Geraes. Rio de Janeiro: Revista Eu Sei Tudo, Abril 1932. p.11.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 7 sep 2 – 1º plano e fls 8 sep. 82 3º plano

Gazeta de Leopoldina 1898 19 junho ed 10 p.4 e 5 de novembro de 1899, página 2.

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 6 termo 30, fls 46 termo 433,.fls 55v termo 527, fls 103v termo 969 e fls 156 termo 1491; lv 03 bat fls 61v termo ordem 587 e fls 189 termo 120; lv 04 bat fls 75v termo 900; lv 05 bat fls 78 termo 313; lv 07 bat fls 45 termo 1238; lv 10 bat fls 26 termos 252 e 253, fls 30 termo 295 e fls 88 termo 137; lv 3 cas fls 163  termos 40 e 41; lv 5 cas fls 19.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 321 no jornal Leopoldinense de 16  de dezembro de 2016

Junho de 1916

Há 100 anos, nasceram em Leopoldina:

5 jun 1916

Lea

filha de Lauro Teixeira Lopes Guimarães e de Marieta

8 jun 1916

Jacira Gouvêa

filha de Antonio Caetano Gomes e de Leniria Moraes Gouvêa

11 jun 1916

Raimundo Antinarelli

filho de Alfredo Antinarelli e de Carmen Franzone

22 jun 1916

Manoel

filho de Alfredo Gomes da Silva e de Cecília Pimentel

25 jun 1916

Abilio Conti

filho de Giuseppe Conti e de Aristea Regina Meneghelli

27 jun 1916

João Batista de Freitas Lustosa

filho de Custódio de Almeida Lustosa e de Maria das Dores de Freitas

30 jun 1916

Clemente Batista Maragna

filho de Silvio Maragna e de Elisa Fazzolo

Os Meneghelli em Leopoldina

Por solicitação de visitante deste blog, republicamos informações sobre esta família, com atualizações.

CANDIDO MENEGHELLI e LUIGIA MARCOMINI foram pais de GIOVANNI MENEGHELLI nascido a 21 de julho de 1858 em Gazzo Veronese, Verona, Veneto, Italia, conforme Certificato di Famiglia emitido pelo Ufficio Anagrafe de Gazzo Veronese. Ele passou ao Brasil casado com LAVINIA ZAFFANI que, segundo a mesma fonte, nasceu no dia 21 de abril de 1863 em Casaleone, Verona.

A família chegou ao Brasil em 1895, tendo sido registrada na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora, no dia 31 de outubro, como passageiros desembarcados do Vapor Sempione, conforme livro SA 884 fls 6 família 48. No dia 4 de novembro, deixaram a Hospedaria com destino a Leopoldina, para trabalhar em fazenda do distrito que hoje tem o nome de Abaíba.

Dos filhos do casal sabemos que:

– CORINA MENEGHELLI nascida a 09 de julho de 1885 em Gazzo Veronese, casou-se com Elias Piccoli, filho dos italianos Luigi Piccoli e Maria Borella, no dia 30 de janeiro de 1904, conforme registro no Cartório de Registro Civil de Providência, Leopoldina, MG, lv 1 cas fls 168 termo 1;

– EVARISTO MENEGHELLI nasceu no dia 03 de outubro de 1886 em Gazzo Veronese. Casou-se com Giuseppina Battisaco, filha dos italianos Antonio Francesco Battisaco e Antonietta Stefani, no ano de 1909, também no distrito de Providência, conforme lv 2 fls 71 daquele Cartório;

– SALMISTA SECONDO MENEGHELLI nasceu no dia 02 de setembro de 1888 em Gazzo Veronese;

– ARISTEA REGINA MENEGHELLI nasceu no dia 23 de outubro de 1890 em Gazzo Veronese. Casou-se no dia 17 de fevereiro de 1912 com Giuseppe Conti, filho dos italianos Vincenzo Conti e Antonia Artuzo, conforme Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 5 cas fls 197 termo 14 e Cartório de Registro Civil de Leopoldina, MG, lv 5 fls 104 termo 8;

– APOSTOLO ANGELO MENEGHELLI nasceu no dia 28 de agosto de 1892 em Gazzo Veronese, conforme indica o citado Certificato di Famiglia. Mas não desembarcou com a família, o que nos leva a crer que tenha falecido antes de 1895; e,

– CROCILLA MARIA MENEGHELLI nasceu no dia 03 de maios de 1895 em Gazzo Veronese.

Já vivendo no distrito de Providência, o casal Giovanni Meneghelli e Lavinia Zaffani teve os filhos:

– JORGE nascido no dia 23 de abril de 1902 conforme Cartório de Registro Civil de Providência, Leopoldina, MG, lv 3 fls 52; e,

– ANA MARIA nascida no dia 09 de abril de 1907 conforme Cartório de Registro Civil de Providência, Leopoldina, MG, lv 3 fls 120.

Quando escrevíamos a história da Colônia Agrícola da Constança e da Imigração em Leopoldina, publicada em abril de 2010 e disponível neste endereço, recebemos mensagem de descendente dos Meneghelli informando que o casal teve mais dois filhos no estado do Espírito Santo: MARIA e CIRILO MENEGHELLI.

Segundo este correspondente, em 1920 Giovanni Meneghelli era proprietário rural no município de Alegre, ES. Esta informação veio se somar a muitas outras que apuramos sobre as migrações internas dos italianos que inicialmente se estabeleceram no município de Leopoldina.

Entre as 1867 pessoas de sobrenome italiano que identificamos no início do projeto, conseguimos informações mais detalhadas de apenas 406. Entre as demais, expressivo foi o número dos que saíram em busca de terras mais baratas e melhores condições de sobrevivência em outras localidades, principalmente depois de instalada a Colônia Constança, em 1910. Muitos por não terem conseguido um lote. Alguns por não terem alcançado boa produtividade na terra que lhes foi financiada.

Mais detalhes sobre a migração interna podem ser vistos na obra acima indicada.

Resta-nos, para concluir, informar que nasceram em Leopoldina alguns netos do casal Giovanni-Lavínia:

– ELENA, filha de Elias Piccoli e Corina Meneghelli, nasceu no dia 04 de dezembro de 1911, conforme Cartório de Registro Civil de Providência, Leopoldina, MG, lv 4 fls 6;

– MARIA LUIZA, irmã de Elena, nasceu no dia 06 de fevereiro de 1914, conforme Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 15 bat fls 17 termo 163. O registro civil foi feito algum tempo depois no Cartório de Registro Civil de Providência, lv 4, fls 42-v, no qual consta nascimento a 06.12.1914, data incompatível já que a criança foi batizada no dia 26 de abril de 1914;

– ANTONIO, filho de Evaristo Meneghelli e Giuseppina Battisaco, nasceu no dia 10 de janeiro de 1910 conforme Cartório de Registro Civil de Providência, lv 3 fls 190;

– JOSÉ PASCOAL, irmão de Antonio, nasceu no dia 13 de abril de 1911 conforme Cartório de Registro Civil de Providência, lv 3 fls 51;

– JORGE, irmão de Antonio e José Pascoal, nasceu no dia 02 de julho de 1914 conforme Cartório de Registro Civil de Providência, lv 3 fls 167.

Também nasceram em Leopoldina os filhos de ARISTEA REGINA, a única filha do casal Meneghelli que permaneceu no município. Casada com Giuseppe Conti, Aristea teve os filhos:

– EMILIO nascido no dia 11 de maio de 1913 [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 14 bat fls 83 termo 351];

– ANAYR nascida no dia 25 de julho 1914 [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 15 bat fls 60v termo 59];

– ABILIO nascido no dia 25 de junho de 1916 [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 16 bat fls 58v termo 486];

– JOÃO nascido no dia 23 de julho de 1918 [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 17 bat fls 64 termo 3;

– MARIA nascida no dia 05 de outubro de 1919 [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 18 bat fls 39v termo 182] e falecida no dia 11 de março de 2012 conforme Obituário 2012 publicado em 22.03.2012 no Leopoldinense On Line . Era casada com EMILIO BARBOSA DE OLIVEIRA;

– ANTONIA nascida por volta de 1924; e,

– LUIZ CONTI nascido por volta de 1928.

Da geração seguinte sabemos apenas da bisneta Maria Emília de Oliveira, filha de Maria Conti e Emílio Barbosa de Oliveira. Maria Emília é casada com ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA TAVARES com quem tem três filhos: Alexandre, Heloisa e Eliana.

Ressaltamos que os sobrenomes deste grupo familiar, como de resto de todos os descendentes de imigrantes que viveram em Leopoldina, sofreu alterações. Algumas tão profundas que impedem reconhecê-los nos descendentes atuais. Para tornar viável nosso trabalho, conforme explicamos no livro acima indicado, definimos como procedimento metodológico que manteríamos a ortografia encontrada no mais antigo documento, preferencialmente obtido no país de origem.