Antepassados de Leda Maria Campos

Para complementar os estudos de José Capaz Dutra Cappai, reunimos informações sobre antigas famílias leopoldinenses que compõem a genealogia da segunda esposa de João Cappai de Oliveira.

Memória histórica revisitada: Angaturama

Durante muitos anos foram sendo acumulados fragmentos de informações originadas de antigas fontes documentais de Leopoldina. No início dos anos 2000, a leitura do livro A História em Migalhas, de François Dosse, desencadeou um turbilhão de confusos pensamentos. Logo no capítulo 2 o autor lembra as palavras de Marc Bloch sobre “sair das fronteiras artificiais que fundamentam a pesquisa [e] transgredir os compartimentos topográficos” (p.84). Embora a passagem se refira à sugestão de Bloch de não separar os elementos da história francesa dos elementos da história da Europa, naquele momento soou como um alerta de que as informações até então coletadas não eram fragmentárias, mas faziam parte de um conjunto mais amplo que poderia servir a um futuro estudo comparativo.

Como não havia perspectiva de tal estudo a curto prazo, surgiu a ideia de divulgação daqueles fragmentos em virtude da constatação das dificuldades com que se deparam os pesquisadores ao procurar fontes em pequenas cidades que não contam com um arquivo histórico organizado. O objetivo era, então, levar ao conhecimento de outros interessados o que havia sido apurado até então.

Era necessário estabelecer critérios para a divulgação. E, mesmo sabendo que as divisas são artificiais e nem sempre se preocupam com a personalidade histórica ou as práticas dos habitantes de uma localidade, o primeiro critério adotado foi distribuir os fragmentos pelos atuais nomes das localidades a que se referem. Assim surgiu, entre outras, a série de postagens sobre Recreio. Iniciada em 2006, foi posteriormente reorganizada e republicada. Em pouco tempo se tornou uma pequena Memória Histórica, consultada com bastante frequência até os dias atuais.

Agora se inicia uma nova fase. Com o recolhimento do acervo de antigos processos das Comarcas mineiras pela Coordenação de Arquivos Permanentes do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, tornou-se mais fácil consultá-los. A partir de fevereiro de 2019 foi iniciado um projeto de revisão dos processos que haviam sido consultados localmente na década de 1990. Ao longo destes dois anos, a análise foi ampliada para novos processos, na medida em que foram identificados proprietários e propriedades existentes no território que passou a compor a Vila Leopoldina a partir da Lei nº 666 de 27 de abril de 1854.

Em abril de 2020, para marcar os 166 anos da emancipação administrativa de Leopoldina, foi iniciada a publicação da série “Pioneiros de Leopoldina” no jornal Leopoldinense. A meta era concluí-la até outubro de 2021 quando se completam 190 anos da mais antiga fonte documental a citar os primeiros moradores dos Sertões do Feijão Cru, denominação que surgiu em duas Cartas de Sesmarias datadas de 13 e 14 de outubro e 1817. Entretanto, os efeitos da pandemia que atingiu o planeta este ano atrasou o cronograma e não se sabe se será possível concluí-lo a tempo.

Por outro lado, em 2020 completaram-se algumas idades redondas relativas à história de Recreio e estava planejado revisitar sua trajetória. Um dos capítulos previstos para divulgação seria sobre Angaturama é o que se publica a seguir.

Fazenda São Joaquim

A mais antiga representação cartográfica de que se tem notícia sobre a região de Leopoldina é a Carta Topográfica dos Termos do Presídio, Pomba e São João Nepomuceno, de João José da Silva Teodoro, datada de 1847.

Figura 1- Carta Topográfica de João José da Silva Teodoro com marcações em cores para este trabalho

O Termo de São João Nepomuceno, colorido em amarelo para este trabalho, inclui as seguintes localidades:

  • Bom Jesus do Rio Pardo, atual Argirita
  • Conceição da Boa Vista
  • Conceição do Rio Novo, atual Rio Novo
  • Dores do Rabicho, atual Taruaçu,
  • Madre de Deus do Angu, atual Angustura
  • Mercês do Kágado, atual Mar de Espanha
  • Piedade, como Natividade, atual Piacatuba
  • Porto de Santo Antônio, atual Astolfo Dutra
  • Santíssima Trindade do Descoberto, atual Descoberto
  • Santo Antônio do Aventureiro
  • São João Nepomuceno
  • São José do Paraíba, atual Além Paraíba
  • São Sebastião do Feijão Cru, atual Leopoldina

Na representação topográfica estão marcados 41 nomes de proprietários na área do então Curato de Conceição da Boa Vista. Entre os que foram identificados está o chefe de uma das grandes famílias ali residentes desde 1835 e é justamente aquela cuja propriedade deu origem ao distrito de São Joaquim, atual Angaturama. O povoador Felicíssimo Vital de Moraes procedia da Serra da Ibitipoca como tantos outros pioneiros da região. Teve parentes próximos entre os primeiros entrantes e mesmo os que viveram em outro distrito de Leopoldina serão citados para que se entenda mais facilmente os casamentos endogâmicos.

No final da década de 1830, Felicissimo morava no então denominado 3º quarteirão do Feijão Cru. Com o crescimento populacional, o território foi redividido e em 1851 sua localização fazia parte do 4º quarteirão. Naquele ano, pela Lei nr 533 de 10 de outubro, foi criado o Distrito de Conceição da Boa Vista que incluía a área da propriedade de Felicíssimo, sobre a qual ele pagou impostos em 1855 e 1858.

Como pode ser observado em documentos posteriores, foi dado o nome de São Joaquim à fazenda que a família formou às margens do rio Pomba e que mais tarde nomeou o distrito ali criado. A devoção a São Joaquim é também indicada pelo nome de uma das filhas do casal: Ana Marta de São Joaquim.

Em 1875 Felicíssimo foi listado entre os produtores de café de Conceição da Boa Vista e já teria formado outra propriedade, de nome Bom Retiro, que seria um desmembramento da original São Joaquim, assim como foi desmembrada a fazenda do Barreiro. Entre 1869 e 1871 foram realizadas diversas vendas de partes da original fazenda São Joaquim, conforme se verifica no 3º livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Entre os compradores estavam o filho José Felicíssimo Gonçalves de Moraes além de Antonio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho, Camilo José Sulpreito, Francisco Augusto de Freitas, João Antonio Pereira, João Federico Maia, José Antonio dos Prazeres, José Lemos da Silva, Luiz Antonio de Souza Melo, Manoel de Cristo da Silva, Manoel José de Oliveira Serandi. Alguns dos compradores haviam sido agregados da propriedade, como foi o caso de João Antonio Pereira que ocupou terras no lugar denominado Água Comprida, perto da nascente do córrego de mesmo nome, divisa com José Lemos da Silva.

No Decreto número 241, de 21 de novembro de 1890, que criou o distrito de São Joaquim, observa-se que algumas marcações coincidem com as que faziam parte da fazenda São Joaquim cerca de 30 anos antes. No Art. 2º § 1º, a descrição das divisas do novo distrito são indicadas a partir da margem direita do Rio Pomba no lugar denominado Poço da Onça, seguindo por propriedades que foram compradas de Felicíssimo ou de seus herdeiros. Cita, ainda, “a cabeceira da Água Limpa, abrangendo a fazenda do finado Felicíssimo, tomando-se o espigão em frente à casa da fazenda e por este acima até virar para o córrego do Barreiro”. Este córrego deu nome à fazenda do Barreiro, da qual um filho de Felicíssimo vendeu parte em 1878 para João Francisco de Puga Garcia.

Em 1864, na abertura do processo de Divisão Amigável da Fazenda Bom Retiro, Felicíssimo Vital de Moraes e seus filhos eram os condôminos. O agrimensor encarregado da medição da propriedade encontrou 611,5 alqueires e dela foram feitas vendas de pequenas áreas para Francisco Barbosa da Silva, Francisco da Silva Dias e José Lemos, entre outros. Em redivisão da mesma propriedade em 1887, alguns descendentes de Felicíssimo eram condôminos.

Figura 2 – Planta da Fazenda Bom Retiro em 1887

No Auto de Partilha dos bens inventariados de Felicíssimo Vital de Moraes, em 1876, os louvados avaliaram o monte mor em 106:634$302 (cento e seis contos seiscentos e trinta e quatro mil trezentos e dois reis).

Além das propriedades acima citadas, os filhos de Felicíssimo tiveram vínculos com as seguintes: Água Limpa, Areias, Boa Sorte, Boa Vista, Bocaina, Bonsucesso, Degredo, Lealdade, Posse e Província.

A seguir, genealogia da família Moraes, com as fontes consultadas para este trabalho e índice onomástico.

Principais sobrenomes mencionados na genealogia acima:

Aguiar, Almeida, Alvellos, Alves, Amorim, Araújo, Avila, Barbosa, Barcelos, Barroso, Bastos, Bem, Bittencourt, Botelho Falcão, Brito, Carneiro, Carvalho, Castro, Chagas, Chaves, Coelho, Corrêa, Costa, Couto, Damasceno, Dias, Duarte, Dutra, Faria, Fernandes. Ferreira, Fontes, Franco, Gomes, Gonzalez, Gouvêa, Guerzoni, Guimarães, Lacerda, Ladeira, Leal, Leite, Lima, Lobo, Locci, Lopes, Loyola, Machado, Magalhães, Manso, Martins, Matos, Medeiros, Mendes, Mendonça, Menezes, Montes, Moraes, Moreira, Mota, Moura, Movan, Nascimento, Negri, Neiva, Nepomuceno, Neto, Novaes, Oliveira, Panza, Pereira, Piccoli, Pimentel, Pina, Ramos, Reggiane, Reis, Rezende, Rios, Rocha, Rodrigues, Rossi, Santos, Silva, Silveira, Souza, Taveira, Teixeira, Vale, Valverde, Vargas, Velasco, Vieira, Villas Boas, Werneck, Xavier.

Família Dalto/Dalton Fiorenzano

Agradecemos pela colaboração de Magali de Freitas que nos trouxe informações sobre seu ramo familiar, confirmando informações orais de parentes colaterais e ampliando o conhecimento sobre o grupo mencionado na postagem “Em Busca da família Dalto/Dalton”.

Isabel era filha do italiano Nicolao Dalto e de Edwiges de Souza Reis. Biaggio era filho de Pasquale Fiorenzano e Tereza Schettino que se casaram em Maratea, província de Potenza, onde Biaggio nasceu. Era neto paterno de Gaetano Fiorenzano e Maria Brando e neto materno de Giuseppe Schettino e Maria Rosa Lamarca.

Os sobrenomes Fiorenzano, Schettino e Lamarca são representados em Leopoldina por descendentes dos imigrantes que viveram no município entre o final do século XIX e as primeiras décadas dos novecentos.

A origem italiana de Fernando Sabino

“Está disponível no canal IHGMG Virtual mais uma palestra da série Arquivos do IHGMG. Nessa semana, poderemos relembrar e aprender mais com a palestra “Savino: de Ispani para Leopoldina. A origem italiana de Fernando Sabino, da pesquisadora Nilza Cantoni.

Proferida em 18/11/2017, na sede do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais-IHGMG, durante o ‘I Seminário Mineiro de Genealogia’, a palestra ‘Savino: de Ispani para Leopoldina.’

Ascendência de Murilo Almeida Corrêa Alves

Ascendentes de Murilo Almeida Corrêa Alves

Nascido em 2018, Murilo é mais um representante da 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos. Pela terceira-avó Maria Magdalena, pertence também à 11ª geração do mesmo genearca.

Outros povoadores de Leopoldina, cidade da zona da mata mineira, fazem parte da ascendência de Murilo: Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Luiz Ignacio de Moraes.

De Leopoldina para o Espírito Santo

Na segunda metade do século XIX, muitos leopoldinenses migraram para o norte da zona da mata, noroeste do estado do Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo. Com o colaboração do saudoso Ib Teixeira, pudemos seguir a trajetória de alguns deles. Agora trazemos o esquema de um grupo que pode ser vinculado para além do ascendente comum Antonio Prudente de Almeida que foi neto do genearca Antonio de Almeida Ramos.

Atualização de estudos genealógicos

Informamos aos nossos leitores que atualizamos dois capítulos da genealogia da Família Almeida Ramos:

Capítulo 3 – Descendentes de Antonia Maria de Almeida

Capítulo 7 – Descentes de José de Almeida Ramos

Agora estes capítulos contam com seis gerações de descendentes.

Ana Cecília, mais um membro da família Almeida Ramos

Nasceu hoje, 31 de janeiro de 2020, mais um membro da imensa árvore dos Almeida Ramos.

Ana Cecília pertence à 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos.

Sua terceira-avó, Maria Magdalena Rodrigues Ferreira, também descende dos Almeida Ramos mas no nível seguinte, sendo da sétima geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho Manoel Antonio de Almeida cuja genealogia está em atualização. Descende ainda de outros povoadores do Feijão Cru, como Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Luiz Ignacio de Moraes.

Descendentes de Stefano Cassagni

A pedido de Maria Felipa Castanha, republicamos antiga postagem sobre uma família de imigrantes com referência em Leopoldina, MG. Se você, leitor, tiver alguma informação a respeito dos sobrenomes Cassaghi, Cassagni, Cassagne, Castagna ou Castanha, agradecemos se puder nos escrever.

Segundo os registros da Hospedaria Horta Barbosa, Stefano Cassagni teria nascido por volta de 1859. Pelo casamento religioso do filho, a família procedia de Milano, Lombardia, Italia. Foram encontrados diversos usuários do sobrenome Cassaghi na Lombardia mas não com os nomes da família referida em Leopoldina.

Na mesma época em que eles chegaram, viviam no município pelo menos dois outros personagens com sobrenome semelhante, sendo que um deles, estabelecido no então povoado de Recreio, seria francês como se observa na seguinte nota do jornal Liberal Mineiro de 9 de março de 1883:

“Remeteram-se […] ao juiz municipal e de órfãos do termo da Leopoldina, cópia do ofício do ministério dos negócios da agricultura, comércio e obras públicas, de 16 [de fevereiro], em que exige informações acerca do súdito francês Bertrano Cassagne, que se diz haver residido até pouco tempo na estação do Recreio, estrada de ferro da Leopondina, ou no lugar denominado Conceição da Boa Vista, a fim de que habilite a Presidência a responder quanto antes o mesmo aviso.”

Bertrand Cassagne se transferiu pouco depois para Santo Antonio de Pádua, onde se casou e teve a filha Ernestina, por volta de 1910.

O outro seria Domingos Cassanha de quem sabemos apenas que era imigrante e vivia no distrito de Providência em 1898.

Stefano Cassagni deixou a hospedaria dia 9 de Novembro de 1894 sob contrato com a Camara Municipal de Leopoldina, MG. Estava acompanhado da esposa Rosa Sallai e de três filhos pequenos. Das duas crianças mais velhas, Maria e Maddalena, não temos informações. Já o menino Angelo Cassagni, nascido por volta de 1891, casou-se em Leopoldina aos 26 de Julho de 1930 com Maria Sodré, filha de José Sodré de Souza e Rita Maria de Jesus. O novo casal teria se estabelecido em Laranjal onde nasceu, pelo menos, o filho Paulo Cassagni que se tornou padre e viveu na cidade do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina nasceu uma filha de Rosa e Stefano Cassagni, no dia 26 de junho de 1895. Chamou-se Carolina e se casou em Leopoldina aos 25 de Janeiro de 1919 com Rogerio Menezes Dias, filho de Antonio Menezes Dias e Maria Dias de Jesus. Rogerio era leopoldinense, nascido no dia 18 de Dezembro de 1889.