144 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Regiões de origem

Foi dito, no texto número 124 desta série do Trem de História, publicado na edição 377, de 01.04.19, que os imigrantes italianos que viveram em Leopoldina procediam de 18 das 20 regiões administrativas em que a Itália está dividida.

É um dado novo em relação ao que havia sido publicado por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança, em abril de 2010, porque naquela época não eram conhecidos todos os imigrantes que em 2019 se encontravam catalogados.

Estas variações dos dados demonstram que entre 2010 e 2019 o trabalho de pesquisa continuou. Ver e rever documentos para melhor escrever a história da cidade é um trabalho constante e infinito.

Hoje se tem certeza de que os números ainda poderão ser modificados se forem encontradas novas fontes sobre a origem dos 57% de imigrantes sobre os quais só se sabe, até agora, que nasceram na Itália. Difícil é prever quando e se isto irá de fato acontecer. Difícil, também, é dizer qual ou, quais regiões estavam mais representadas entre os imigrantes que viveram em Leopoldina.

Considerando-se que o grande fluxo ocorreu em período próximo ao da reunificação da Itália, ocorrida nos anos de 1860, não se pode determinar um perfil dos que vieram para Leopoldina nem informar de qual região foi a influência predominante. Até porque, dentro da própria Itália as coisas ainda não estavam totalmente organizadas quando os imigrantes vieram para cá.

Depois do Congresso de Viena em 1815, a península itálica passou a sediar o Reino Sardo-Piemontês, o Reino Lombardo-Veneziano, os Ducados de Parma, Módena e Tosaca, os Estados Pontifícios e o Reino das Duas Sicílias. No início da década de 1860, quando muitos chefes das famílias que vieram para cá eram ainda jovens, uma parte do atual território italiano estava unificado sob o Reino da Itália. Mas ainda faltava conquistar Veneza e Roma, cujo processo só se concluiu em 1870.

As chamadas Guerras de Unificação são conhecidas dos brasileiros especialmente pela participação de Ana Maria de Jesus Ribeiro, a catarinense que se casou com Giuseppe Garibaldi, patriota italiano que recebeu o epíteto de “herói de dois mundos” pela participação em conflitos na Europa e na América do Sul.

Mas pouco se comenta sobre as diferenças culturais que dividiam os habitantes que viveram tanto tempo em territórios separados pela subordinação administrativa. Não só falavam dialetos diferentes como eram dirigidos por diferentes sistemas que os tornavam quase estrangeiros em relação uns aos outros.

Além de ser muito comum, a prática dos deslocamentos já mencionada em outros artigos tem no caso dos Anzolin um bom exemplo.

Giovanni e seu irmão Basílio nasceram em Portogruaro, província de Venezia, região do Veneto. A família residiu em diferentes comuni[1] do Veneto antes de se transferir para Cinto Caomaggiore, também província de Venezia, onde Giovanni se casou. Algum tempo depois os Anzolin estavam em Pravisdómini, província Pordenone, bem próximo da divisa do Veneto com o Friuli-Venezia Giulia. Em 1910, quando o passaporte foi concedido, estes Anzolin residiam em Pordenone. Ocorre que o Friuli-Venezia Giulia só foi incorporado à Itália em 1919, após a Primeira Guerra Mundial. Mesmo tão próximo, não só a língua era diferente como as práticas culturais.

Considerando-se o total de imigrantes que viveram em Leopoldina até aqui identificados, no mapa a seguir estão os percentuais que eles representam. Valle d’Aosta e Molise, como se pode verificar, são as duas regiões das quais não se tem registro de que tenha naturais vindos para Leopoldina.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Mas permanece a promessa de seguir viagem com os imigrantes italianos em Leopoldina, *** até 17 de maio de 2020, quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina.*** No próximo Jornal o assunto será a alimentação. Aguardem!

[1] Plural de Comune, unidade básica administrativa que se aproxima da noção de município do Brasil.

 

Atenção: ***

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina // Suspenso

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

143 – A Fazenda Constança do final do século XIX

O Trem de História traz hoje um retrato da Constança no meado dos anos de 1890. E começa registrando que, em 1896, 9,75 hectares da Fazenda[1] foram vendidos por Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França para Octaviano Nicomedes Barbosa. Tal propriedade fazia divisa por seus diversos lados com os herdeiros de Manoel Rodrigues da Silva; com João Baptista de Almeida; João Fonseca ou Francisco Guimarães; e, com a Fazenda do Feijão Cru. Formando uma área distinta, mas incorporada à Constança, também estavam 10 alqueires de terras desmembradas do Sítio Pury, parte esta que tinha como confrontantes: a fazenda do Coronel José Joaquim (Fazenda Boa Sorte); a fazenda Constança; Antonio Bernardino Machado; Domiciano Ferreira Monteiro de Castro (ou, Domiciano Ferreira Monteiro de Barros, administrador da Paraíso); herdeiros de Dona Messias (esposa de Custódio de Vargas Corrêa) e outros.

Dentro destes limites estava a casa sede[2] da fazenda, uma construção assobradada, com escada de madeira por fora, tendo na frente 3 janelas e um portão em baixo. Em cima, 8 janelas e uma porta no centro e divisões que formavam 3 salas, 10 quartos e 1 varanda. Esta, com porta e 4 janelas para o quadrado interno.

Em continuação era ligada por uma varanda a uma segunda casa contendo porta e 5 janelas para a frente. Esta segunda casa era dividida em sala e corredor com 4 quartos voltados para uma mesma varanda, uma dispensa e 1 quarto. Seguia outra varanda para o quadrado, que terminava numa cozinha com fogão econômico e em seguida 2 quartos.

No fim da varanda existia uma coberta de telhas (meia água), onde tinha um forno. No quadrado existia uma cocheira para animais e um quarto para empregados.

Existia, ainda, uma casa de sobrado, caiada, assoalhada e coberta de telhas, engenho de café com todo o maquinismo para preparo do mesmo e moinho para fubá, tocado por máquina a vapor. Engenho de serra e outras benfeitorias.

Mais adiante, outra casa com 2 portas e 7 janelas, sendo 1 porta e 2 janelas de morada e 1 porta e 5 janelas de armazém, com armação e balcão para negócio.

Além destas construções, existiam ainda as 44 casas mencionadas na coluna anterior, cujas indicações embasam a conclusão de que mais tarde se tornaram casas dos adquirentes dos lotes da Colônia Agrícola da Constança.

Com tantas casas, empregados, meeiros e mais as dificuldades vividas pelos lavradores da ocasião era natural que alguns desencontros pudessem se tornar mais sérios. Um deles, de 1899, chegou às páginas do jornal Minas Gerais[3] que o registrou na forma seguinte: “Na fazenda Constança deu-se no dia 22 de maio ultimo um grave conflito entre o proprietário da fazenda sr. Octaviano Barbosa e outros de um lado e o meeiro da fazenda Bartholomeu Mello e pessoas de sua família, do outro lado.”

Superando estes e outros contratempos, a Fazenda ainda sobreviveu como tal durante aproximadamente uma década até que o Relatório[4] assinado por Guilherme Prates a 20.03.1910 informou que a Colônia Agrícola da Constança foi “fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e o sitio Puris, que o Estado adquiriu”.

A partir daí, com a implantação da Colônia Agrícola da Constança, cuja administração foi instalada na sede da Fazenda da Boa Sorte, a casa sede da Fazenda Constança se tornou subsede da Colônia e residência do auxiliar do administrador, o sr. João Ventura Gonçalves Neto. Suas terras foram divididas para dar origem a muitos dos lotes vendidos aos colonos que deram início à bela história dos imigrantes que ali se fixaram.

Hoje, fruto do descaso para com a história, a casa sede da Constança, que ficava na margem direita da BR 267, na altura do km 2 desta rodovia, não existe mais. Para marcar o lugar, estão lá algumas palmeiras e os vestígios do que foi uma escola municipal, num terreno que ainda hoje pertence ao poder público.

Com este artigo o Trem de História encerra a série destinada ao resgate do que foi a Fazenda que emprestou seu nome à Colônia Agrícola da Constança e acolheu muitos dos imigrantes italianos que vieram para Leopoldina. Certamente a história não termina aqui. *** E até 17 de maio de 2020, quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, muita novidade ainda pode surgir. *** Até a próxima!


Fontes de Referência:

[1] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781

[2] idem

[3] Jornal Minas Geraes, Ouro Preto (MG), 07.06.1899, Ed. 146 p. 2, col.3.

[4] Arquivo Público Mineiro. Relatório da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização de Minas Gerais, 1909.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 396 no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2020

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Figueira e Silva Porto em Conceição da Boa Vista

A pedido de um visitante do site, detalhamos o grupo familiar referido no distrito de Conceição da Boa Vista em abril de 1872.

Gabriel Lemos da Silva e Maria Antonia da Silva Figueira casaram duas filhas na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista.

No dia 20 de abril a filha Flausina Maria da Silva Figueira se casou com Antonio Ribeiro Maia Filho, filho de outro do mesmo nome e de Teresa Antonia do Rosário. Os pais do noivo eram falecidos. Os noivos procediam do estado do Rio de Janeiro, sendo Flausina natural de Piraí e o noivo de Rezende. Em 1876, o marido de Flausina era proprietário de Hotel, Bilhar e Cocheiras para alugar animais em Itaguaí, RJ

No dia seguinte, 21 de abril,  foi realizado o casamento de outra filha de Gabriel Lemos da Silva: Ana Maria da Silva Figueira. Ela se casou com Antonio Belarmino da Silva Porto, natural de Valença-RJ, filho de Belarmino Quintanilha da Silva Porto e Francisca Belarmina de Oliveira e Silva.

O objetivo do pedido de nosso correspondente é contar com a colaboração de outros leitores, porque nós não temos conhecimento de que o músico Francisco Belarmino da Silva Porto, autor de polcas anunciadas em jornais da Corte na época, tenha passado por Conceição da Boa Vista.

Imigração em Leopoldina: revisão da pesquisa

Alguns temas da pesquisa publicada em 2010 foram atualizados e republicados a partir de fevereiro de 2019. Ei-los:

121 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – O início do estudo

122 – Relembrando a pesquisa publicada em 2010

123 – Fontes das Informações

124 – Acréscimos e Correções

125 – Viagem com os sobrenomes de imigrantes italianos

127 – A identificação mais antiga

128 – Colônia Agrícola da Constança

129 – A formação da colônia e o ensino agrícola

130 – Primeiros impactos: a chegada do Trem e o desenvolvimento

131 – Imigrantes de outras origens

132 – Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina

133 – As Hospedarias

134 – O Ribeirão Jacareacanga

135 – Hospedaria Jacareacanga

136 – Imigrantes e a Hospedaria Jacareacanga

137 – Propriedades pequenas e produtivas

138 – Colônias em Minas Gerais e migrações entre elas

139 – Pelos Caminhos da Colônia

140 – Fazenda Constança: primeiras informações

141 – Fazenda Constança: mudança de domínio

142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

143 – A Fazenda Constança do final do século XIX

144 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Regiões de origem

142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

A viagem de hoje do Trem de História segue com outras mudanças de proprietários da Fazenda Constança. E lembra que foi através de notícia do jornal A União[1], de 1888, que se teve conhecimento da presença de imigrantes naquela propriedade, com a nota informando que o “Governo autorizou Gervásio Antonio Monteiro de Castro a contratar imigrantes para sua fazenda Constança com passagens por conta do governo imperial”.

Outra informação sobre a presença de Gervásio na Fazenda é a descrição de Luiz Rousseau[2] sobre uma visita que teria empreendido à Fazenda. Conta ele que depois de passar pelo Sobradinho, “andamos uma légua, e depois de passar por dentro de córregos e bambuais, matas virgens com pássaros grandes e pequenos, chegamos à Fazenda da Constança, mas antes passando por baixo das senzalas que atravessavam a estrada. […] A Fazenda da Constança pertencia ao Gervazinho”. Parece que Rosseau se baseou em memória familiar para citar o proprietário da fazenda, já que Gervásio vendeu a Constança para Gustavo de Almeida Gama quando o menino Luiz Rosseau contava cerca de 3 anos de idade.

Por uma escritura[3] do cartório de Notas do Tabelião Castro, da capital da República, lavrada em 30 de dezembro de 1895, sobre a transferência da fazenda de Gustavo de Almeida Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, sabe-se que o valor da transação foi de 200 contos de reis e que o pagamento dessa importância foi feito através da liquidação de hipoteca de Gervásio Antonio Monteiro de Castro junto ao “Banco Hypothecario do Brazil cessionario do Banco da Republica do Brasil e este do Banco dos Estados Unidos do Brazil, do qual foi aceita a hypoteca por escritura de 16 de julho de 1890”.

Interessante observar que nessa escritura, além da regular transferência da propriedade da fazenda que passou de Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França da Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, consta uma averbação de esclarecimento sobre a hipoteca existente e sobre a reclamação pendente, ora por meios amigáveis, que tem os transmitentes contra o síndico da massa falida do Conde de Leopoldina[4] e atinente à compra de café feita simultaneamente com a fazenda Constança. Diz essa averbação que “os cafés colhidos que existem atualmente na referida fazenda que por comum acordo não são compreendidos no contrato por saberem os vendedores o seu direito à liquidação da colheita deste ano, ficando a cargo exclusivo dos mesmos transmitentes a solução de quaisquer dúvidas ou reclamações de colonos, oriundos de fatos anteriores ao presente contrato”.

Por estas informações, como se pode supor, no final dos anos de 1880 a Fazenda Constança talvez tenha passado por um período um pouco conturbado financeiramente.

Mas independente das dificuldades por que passavam os proprietários, o poder público se preocupava com a região onde ela estava. Em 1895 o jornal O Leopoldinense[5] registrou que “O Sr. Francisco Gonçalves Andrade, por contracto lavrado com a Camara Municipal em data de ante-hontem, encarregou-se da empreitada da estrada de Thebas, na secção de Thebas à Fazenda Constança, na extensão de 6 kilometros pela quantia de 18 contos de réis”.

Informação relevante, também obtida no Extrato de Confrontações da Fazenda Constança em 1895, na folha 3, é a existência de casas espalhadas pela lavoura, todas cobertas de telha, algumas assoalhadas e uma caiada (esta em Santa Cruz), a saber: no sítio do Buraco Fundo, uma; no cafezal de Santa Cruz, duas; na várzea entre o pasto e Santa Cruz, seis; na divisa do Vargas, duas; na fralda da Serra do Paraíso, dez; na estrada do Paraíso, duas; na divisa do Vargas a Paraíso, uma; na estrada em frente ao Marrière, uma; no cafezal da Conceição, três, no cafezal do Fernando, uma; no cafezal de S. Joaquim, quatro; no cafezal de Sto Antonio, uma; na várzea entre Santo Antonio e pasto, três; no cafezal do Marrière, uma e uma no Alto do mesmo Marrière. Muitas destas casas podem ser as que mais tarde foram ocupadas por colonos, conforme indica o relatório da Colônia Agrícola da Constança ao informar que alguns lotes já contavam com casa de morada.

Sobre estas moradias o Trem de História promete retornar em texto futuro. Quanto à viagem pela história da Fazenda Constança, os fatos continuaram acontecendo e merecem ser resgatados. Novos textos e *** o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, que acontecerá em 17 de maio de 2020, *** serão boas oportunidades para isto. Mas neste ponto da narrativa de hoje uma nova parada se impõe. Na próxima edição do Jornal a viagem continuará, com toda a certeza. Aguardem.

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 

Fontes de Referência:

[1] Jornal A União, Ouro Preto (MG), 07.04.1888, ed. 160, p. 2 coluna 4.

[2] BOTELHO, Luiz Rousseau. Alto Sereno. Além Paraíba: Editora Vega, 1975. P. 59.

[3] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781, 1895

[4] Não se tem conhecimento da existência deste título nobiliárquico em Leopoldina. Parece que seria uma referência ao pai de Gervásio, que não teve título nobiliárquico algum e cujo inventário estava em andamento na época.

[5] Jornal O Leopoldinense, Leopoldina (MG), 28.08.1895, p.1, col.5.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 395 no jornal Leopoldinense de 30 de dezembro de 2019