Corujão da Madrugada e a Colônia de imigrantes em Leopoldina

A agremiação carnavalesca do distrito de Tebas escolheu a Boa Sorte, com seus inúmeros descendentes de imigrantes, como tema para o carnaval de 2020. Ali se localizava a sede da Colônia da Constança, criada há 110 anos.

141 – Fazenda Constança: mudança de domínio

Na edição anterior, o Trem de História mencionou alguns dados sobre a Fazenda homônima da Colônia que acolheu muitos imigrantes que viveram em Leopoldina. Falou-se no Registro de Terras de 1856, documento que contém informações preciosas na indicação da propriedade e de seu proprietário. Mas que exige que se tenha cautela ao utilizar seus dados uma vez que registra a informação oral de um declarante, que nem sempre sabia o exato tamanho de suas terras, muitas vezes indicadas em documentos oficiais com medidas acrescidas de expressões do tipo “pouco mais ou menos”. Feitas estas observações iniciais segue, então, a viagem de hoje.

Três anos depois do Registro feito por José Augusto Monteiro de Barros o seu pai, Antonio José, declarou que vendeu a Fazenda Constança para José Teixeira Lopes Guimarães[1]. E numa escritura[2] de troca de terras, Guimarães e sua mulher Maria Teixeira da Fonseca se referiram ao plantio de milho em suas terras afirmando que a FaliFaria Lonstança [tem] em um corrego Marrier, 28 alqueires de semeadura de milho”.

José Teixeira Lopes Guimarães faleceu[3] em Leopoldina aos 02 de fevereiro de 1884 e sobre ele há uma passagem interessante, relacionada à Fazenda Constança. No Almanaque de Leopoldina de 1886, um texto sem indicação de autoria, páginas 71 a 81, termina com a seguinte informação:

“Até 1887 carissimos leitores, emquanto não raia o seculo XX em cuja aurora prometto-vos escrever não um artigo, mas um livro bastante para uma cidade de 200.000 almas, cuja serra offerece já perspectivas encantadoras, e na elevada casa do finado capitão José Teixeira Lopes um panorama superior ao do Corcovado, dominando verdadeiro oceano de selva virgem.”

Ainda sobre a família Teixeira Guimarães, no conjunto documental da Fazenda Paraíso, pertencente ao Arquivo Histórico do Museu Imperial, encontra-se uma escritura de troca de partes da Fazenda Feijão Cru, ocorrida em 14.01.1868. Segundo essa fonte, João Teixeira da Fonseca Guimarães, José Teixeira Lopes Guimarães Júnior e Joaquim Teixeira Lopes Guimarães, filhos de José Teixeira Lopes Guimarães e Maria Teixeira da Fonseca, adquiriram quatro partes da Fazenda Feijão Cru pertencentes aos herdeiros Ignacio Ferreira Brito, João Rodrigues Gomes, José Mancio de Moraes e Antonio de Freitas Lima, num total de 35 alqueires, no valor de 3 contos de réis. Em todas estas partes havia planta de milho. O filho João realizou a troca com os pais, que cederam a “Constancia”, terras em torno do córrego Marrier, com 28 alqueires de semeadura de milho, mais o sítio formado pelo filho Joaquim, com 7 alqueires.

As fontes analisadas indicam que a Fazenda Constança sofreu diversos desmembramentos entre 1856, data em que foi citada pela primeira vez, e 1882, quando foi realizada a medição e definição dos proprietários de cada parte de seus 989 hectares.

Esta medição foi requerida[4] ao Juiz por Gervasio Antonio Monteiro de Castro e outras 14 pessoas, entre condôminos da Constança e seus confrontantes.

Gervasio Antonio Monteiro de Castro era filho de José Joaquim Monteiro de Castro e Maria do Carmo Monteiro da Silva. Estudou no Caraça[5] entre 1860 e 1864, donde se pode supor que tenha nascido por volta de 1850. Em 1869, na partilha[6] dos bens da mulher de Manoel Antonio de Almeida, ele é citado como proprietário de 35 alqueires de planta de milho na Fazenda Feijão Cru. A confirmar a sua presença em Leopoldina estão os registros de filhos aqui nascidos entre 1880 e 1888. Mas em 1893 ele residia em Faria Lemos, então distrito de Carangola, conforme se conclui pelo batismo[7] da filha Joaquina lá realizado.

O pai de Gervásio também faz parte da proto-história da Colônia Agrícola da Constança por ter sido proprietário de 614 hectares da Fazenda Boa Sorte, que passou para o Banco Rural Hypothecario no decorrer de seu inventário. José Joaquim Monteiro de Castro faleceu[8] em Leopoldina aos 13 de dezembro de 1892. Seus filhos fizeram abstenção judicial dos bens a inventariar em benefício da liquidação das dívidas do espólio.

O assunto “Fazenda Constança” não esgotou. Mas o Trem de História precisa fazer uma parada técnica para atender ao limite de espaço do Jornal. *** Antes, porém, lembra ao leitor que o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina acontecerá em 17 de maio de 2020 e todos estão convidados a participar. Na próxima edição do Jornal a história continua. Até lá.

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 

Fontes de Referência:

[1] Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Coleção Kenneth Light, doc. 2198/97, histórico da Fazenda Paraíso.

[2] Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Coleção Kenneth Light, doc. 2265/97, histórico da Fazenda Paraíso.

[3] Cemitério Público de Leopoldina, MG (1880-1887), folhas 15 sepultura 470.

[4] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Divisão Amigável da Fazenda da Constança. Processo códice 38402839.

[5] Colégio do Caraça Disponível em <http://www.santuariodocaraca.com.br> Matrícula nr. 99

[6] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE/TJMG. Divisão Amigável da Fazenda Feijão Cru. Processo códice 38402789.

[7] Igreja de São Mateus, Faria Lemos, MG. lv 1 bat fls 7.

[8] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Inventário de José Joaquim Monteiro de Castro. Processo códice 38404143 fls 7 img 12.


De Leopoldina para o Espírito Santo

Na segunda metade do século XIX, muitos leopoldinenses migraram para o norte da zona da mata, noroeste do estado do Rio de Janeiro e sul do Espírito Santo. Com o colaboração do saudoso Ib Teixeira, pudemos seguir a trajetória de alguns deles. Agora trazemos o esquema de um grupo que pode ser vinculado para além do ascendente comum Antonio Prudente de Almeida que foi neto do genearca Antonio de Almeida Ramos.

Atualização de estudos genealógicos

Informamos aos nossos leitores que atualizamos dois capítulos da genealogia da Família Almeida Ramos:

Capítulo 3 – Descendentes de Antonia Maria de Almeida

Capítulo 7 – Descentes de José de Almeida Ramos

Agora estes capítulos contam com seis gerações de descendentes.

O Theatro Alencar e as Companhias Dramáticas em Leopoldina

Com grande prazer convidamos nossos leitores para conhecerem o trabalho de Alan Villela Barroso, disponível neste endereço.

RESUMO:

Partindo do pressuposto de que se existiu teatro, existiram espetáculos e, se a imprensa esteve presente, existiram registros, esta pesquisa objetiva averiguar as principais produções teatrais e circenses realizadas em Leopoldina, com base em recortes e matérias de jornais publicadas entre o entardecer do século XIX e o amanhecer do século XX, tendo em vista que, tanto as Casas de Espetáculos, quanto as tipografias, se expandiram pelo interior de Minas Gerais durante o período, não sendo exceção em Leopoldina, ao inaugurar seu primeiro jornal em 1879 e, cinco anos depois, o Teatro.

Ana Cecília, mais um membro da família Almeida Ramos

Nasceu hoje, 31 de janeiro de 2020, mais um membro da imensa árvore dos Almeida Ramos.

Ana Cecília pertence à 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos.

Sua terceira-avó, Maria Magdalena Rodrigues Ferreira, também descende dos Almeida Ramos mas no nível seguinte, sendo da sétima geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho Manoel Antonio de Almeida cuja genealogia está em atualização. Descende ainda de outros povoadores do Feijão Cru, como Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Luiz Ignacio de Moraes.

140 – Fazenda Constança: primeiras informações

Faz alguns anos que o Trem de História viaja pelo passado da cidade em seguimentos diversos e, de forma recorrente, pela imigração italiana e a Colônia Agrícola da Constança. Mas até aqui, pouco reuniu sobre a fazenda que emprestou seu nome para a instituição que se tornou moradia de tantos estrangeiros que passaram por Leopoldina.

Hoje, para preencher esta lacuna, num imaginário olhar a partir do alto do Belvedere da Serra da Vileta, fixando a vista em derredor do trevo da BR 116 e nas terras cortadas pela BR 267, no trecho que vai dali até as proximidades de Tebas, o Trem de História traz um pouco da história desta fazenda que, após sua derrocada, recebeu numerosos imigrantes e compõe o atual Bairro da Constança.

Logo de início é bom que se diga que ainda não foi possível documentar o momento exato da constituição e a origem das terras da Fazenda Constança. Mas o que se pode afirmar, desde logo e com muita segurança, é que em 1847 ela não aparecia entre as propriedades mapeadas no distrito do Feijão Cru, o que leva a crer que não existisse até aquele momento.

Recorde-se, no entanto, que Francisco de Paula Ferreira de Rezende[1], ao tratar da chegada de Manoel Antonio de Almeida à atual Leopoldina, refere-se à Constança quando comenta que este pioneiro da cidade adquiriu terras acima da confluência do Feijão Cru pequeno com o grande[2] e que “A sua posse veio por esta forma a compreender todas as vertentes desse mesmo ribeirão, e o que é certo, é que apesar de ter-se dela destacado a grande fazenda ou sesmaria da Constança….”

Tal informação de Rezende não retira do campo das hipóteses o possível esclarecimento sobre a formação da Fazenda Constança. Assim, optou-se pela realização de uma análise comparativa com outras fontes a partir da mais antiga referência sobre sua existência. Trata-se do Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina[3], em 1856, no qual se encontra a declaração de José Augusto Monteiro de Barros, filho de Antonio José Monteiro de Barros, informando ser proprietário da Fazenda Constança, cuja extensão foi estimada em uma sesmaria.

Considerando que as sesmarias concedidas a partir do final do século XVIII mediam “meia légua em quadra”, convertendo-se tal medida chega-se 10,89 km2 ou, 1.089 hectares, total que muito se aproxima do encontrado no processo de Divisão da Fazenda[4] em 1882, registrado como 989 hectares.

Neste mesmo Registro o proprietário declarou, ainda, que suas terras confrontavam com “as sismarias do Dr. Antonio José Monteiro de Barros (seu pai, proprietário da Fazenda Paraíso), João Vidal Leite Ribeiro (seu cunhado, proprietário da Fazenda Independência), com posses de Manoel Antonio de Almeida (Fazenda Feijão Cru), de Custodio de Vargas Correa e seos irmãos (Fazenda Boa Esperança) e com Manoel Rodrigues da Silva (Fazenda Purys)”, conforme anotou o Vigário José Maria Solleiro, em 15 de abril de 1856.

Recorrendo a outros registros da mesma época, bem como a processos de divisão de outras propriedades na região, verifica-se que Francisco de Vargas Corrêa, pai de Custódio de Vargas Corrêa, em julho de 1830 comprou[5] 150 alqueires ou 726 hectares de terras da sesmaria que havia sido concedida[6] a José Maria Monteiro de Barros que delas fez doação[7] a seu irmão Antonio José Monteiro de Barros. Já a propriedade de Manoel Antonio de Almeida foi registrada[8], em 1856, como sendo equivalente a duas sesmarias, ou seja, 2.178 hectares aproximadamente. Considerando que outros proprietários declararam ter comprado terras de Manoel Antonio nos anos anteriores, e que a medição da Fazenda Constança em 1882 cita condôminos herdeiros de Rita Esméria de Jesus, mulher de Manoel Antonio falecida em 1865, é provável que José Augusto Monteiro de Barros tenha adquirido terras também de Manoel Antonio para formar a Fazenda Constança.

Há indícios de que José Augusto teria homenageado sua avó paterna ao nomear sua propriedade. Trata-se de Francisca Leocádia Constança da Fonseca que foi casada com o avô paterno de José Augusto, o Barão de Paraopeba, falecido em dezembro de 1855. A formação da Fazenda Constança teria ocorrido logo depois da morte do avô e pouco antes do casamento de José Augusto com Rita Vidal Leite Ribeiro, filha de Francisco Leite Ribeiro e Teresa Angélica de Jesus.

Na próxima edição o Trem de História virá com mais bagagem sobre a Fazenda Constança antes dela se tornar parte da Colônia Agrícola que herdou o seu nome. Mas hoje ainda resta lembrar a todos que em 17 de maio de 2020 acontecerá na cidade o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina e que espera contar com a participação de todos.***

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 


Fontes de Referência:

[1] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988. p. 348.

[2] Ribeirão do Feijão Cru Pequeno é o que corta a cidade. Feijão Cru Grande é o braço atualmente denominado Ribeirão do Banco.

[3] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termos 70 e 71.

[4] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Divisão Amigável da Fazenda da Constança. Processo códice 38402839.

[5] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termo 44.

[6] Arquivo Público Mineiro. Carta de Sesmaria códice SC 377 fls 105, concedida a 2 maio 1918

[7] Arquivo do Museu Imperial de Petrópolis. Coleção Kenneth Light, doc. 2123/97, histórico da Fazenda Paraíso

[8] Arquivo Público Mineiro. Registro de Terras de São Sebastião da Leopoldina. Seção Colonial, TP 114, termo 18.

Luja Machado e Nilza Cantoni - Membros da ALLA

Publicado na edição 393 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2019

139 – Pelos Caminhos da Colônia

O Trem de História convida o leitor para uma viagem imaginária pela Colônia Agrícola da Constança. Inicialmente em busca de compreender o motivo pelo qual ela herdou o nome da fazenda Constança e teve sua sede instalada na fazenda Boa Sorte.

Importante compreender que eram outras as estradas ou, os caminhos que serviam às duas fazendas vizinhas, cujas sedes eram relativamente próximas, se consideradas as alternativas de deslocamento daquela época.

Ressalte-se, ainda, o fato de que da estação ferroviária de Leopoldina se chegava com muito mais facilidade à Boa Sorte do que à Constança, antes da abertura da Rio-Bahia na década de 1930.

Até então era difícil a transposição do vale dos Puris, por onde desce o Córrego da Onça que hoje cruza a BR-116 no km 771. Como também era difícil vencer as escarpas do estreito por onde passa o Córrego Água Espalhada, local que os imigrantes italianos e os tebanos mais antigos chamavam de Buraco do Cubu[1]. E não menos problemático era, após vencer estes obstáculos, construir uma estrada transitável durante o período de chuvas sobre o alagadiço que deu nome ao Córrego Água Espalhada, no km 773 da mesma rodovia, no local onde está o “Restaurante Seta”.

Por outro lado, pela estrada da Boa Sorte se chegava primeiro e com menor esforço, às terras da Constança.

Outro fato que merece explicação é o que se refere à localização de alguns lotes. A visão do traçado da Colônia, a partir da realidade das novas rodovias, é também um dos complicadores para se entender a localização dos lotes que hoje são de difícil acesso. Ocorre que muitos deles, quando foram demarcados, eram servidos por estrada de trânsito normal ou até intenso, que posteriormente foram abandonadas em função de novas opções e interesses.

Outro fato que hoje parece estranho, mas que pode ser explicado com facilidade, é o número de colonos da fazenda Paraíso que adquiriram lotes na Colônia Agrícola da Constança.

Já se falou noutros artigos que muitas propriedades foram vendidas por outros fazendeiros aos colonos porque eles viam nessa prática uma forma de o imigrante realizar o sonho de se tornar sitiante, ao mesmo tempo em que a fazenda garantia uma reserva de mão de obra nas suas proximidades. O que deu origem a muitos dos núcleos de imigrantes existentes no município.

Os lotes da Colônia Agrícola da Constança não se encaixam exatamente nesse perfil de venda. Entretanto, na aquisição de partes de fazendas para formar o território da Colônia, ficou determinado que ela abrigaria, também, colonos oriundos dessas propriedades adquiridas.

Além disto, considerando o caminho hoje inexistente, que descia da Paraíso nas imediações da “Água Espalhada”, a distância entre a Colônia e a sede da citada fazenda não era grande, ainda mais para os padrões daquela época.

Para compreender o acesso à Colônia, não se pode esquecer da Capela de Santo Antônio, na Onça, construída entre 1912 e 1915, estrategicamente localizada no percurso natural do imigrante, viesse ele da Boa Sorte ou da Constança em direção à cidade ou, simplesmente para orar ao seu Santo Protetor.

É bom registrar que no fundo do galpão de leilões, ao lado da Igrejinha, existia no ano de 1943 uma escola rural. Na segunda metade dos anos de 1950, com a instalação em Leopoldina do projeto piloto que propunha a erradicação do analfabetismo no Brasil, foi construído um prédio no pátio fronteiro à Igrejinha, ali passando a funcionar a Escola Singular Rural que a Lei Municipal nº 936, de 17.10.1973, deu o nome de “Carlos de Almeida” em homenagem a este ruralista que, em conjunto com os imigrantes que então habitavam a Colônia, trabalhou na construção da Igreja.

Recorde-se que o trânsito da produção da Colônia trazida para a cidade era realizado por antiga via que teve alguns de seus trechos aproveitados no traçado da BR 116, a Rio-Bahia, construída no final dos anos de 1930.

Neste percurso, numa remodelação da rodovia em meados do século XX, alguns trechos da velha estrada de terra permaneceram com menor utilização. Dentre eles está a ligação entre a Igreja de Santo Antônio e o ponto em que a estrada da Boa Sorte encontra-se com a BR 116. Hoje esse trecho se tornou uma via importante, é o Caminho do Imigrante, usado pelos moradores do local, por pedestres, ciclistas e cavaleiros que, procedentes da Boa Sorte dirigem-se à Igreja, à cidade e ao ponto final do ônibus urbano, no Posto Puris.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Na próxima viagem virá o histórico da fazenda que emprestou o nome à Colônia. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 392 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2019

Nota:

1 - Cubu é um bolo ou broa de fubá assado no formato do pão de cachorro quente.

Descendentes de Stefano Cassagni

A pedido de Maria Felipa Castanha, republicamos antiga postagem sobre uma família de imigrantes com referência em Leopoldina, MG. Se você, leitor, tiver alguma informação a respeito dos sobrenomes Cassaghi, Cassagni, Cassagne, Castagna ou Castanha, agradecemos se puder nos escrever.

Segundo os registros da Hospedaria Horta Barbosa, Stefano Cassagni teria nascido por volta de 1859. Pelo casamento religioso do filho, a família procedia de Milano, Lombardia, Italia. Foram encontrados diversos usuários do sobrenome Cassaghi na Lombardia mas não com os nomes da família referida em Leopoldina.

Na mesma época em que eles chegaram, viviam no município pelo menos dois outros personagens com sobrenome semelhante, sendo que um deles, estabelecido no então povoado de Recreio, seria francês como se observa na seguinte nota do jornal Liberal Mineiro de 9 de março de 1883:

“Remeteram-se […] ao juiz municipal e de órfãos do termo da Leopoldina, cópia do ofício do ministério dos negócios da agricultura, comércio e obras públicas, de 16 [de fevereiro], em que exige informações acerca do súdito francês Bertrano Cassagne, que se diz haver residido até pouco tempo na estação do Recreio, estrada de ferro da Leopondina, ou no lugar denominado Conceição da Boa Vista, a fim de que habilite a Presidência a responder quanto antes o mesmo aviso.”

Bertrand Cassagne se transferiu pouco depois para Santo Antonio de Pádua, onde se casou e teve a filha Ernestina, por volta de 1910.

O outro seria Domingos Cassanha de quem sabemos apenas que era imigrante e vivia no distrito de Providência em 1898.

Stefano Cassagni deixou a hospedaria dia 9 de Novembro de 1894 sob contrato com a Camara Municipal de Leopoldina, MG. Estava acompanhado da esposa Rosa Sallai e de três filhos pequenos. Das duas crianças mais velhas, Maria e Maddalena, não temos informações. Já o menino Angelo Cassagni, nascido por volta de 1891, casou-se em Leopoldina aos 26 de Julho de 1930 com Maria Sodré, filha de José Sodré de Souza e Rita Maria de Jesus. O novo casal teria se estabelecido em Laranjal onde nasceu, pelo menos, o filho Paulo Cassagni que se tornou padre e viveu na cidade do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina nasceu uma filha de Rosa e Stefano Cassagni, no dia 26 de junho de 1895. Chamou-se Carolina e se casou em Leopoldina aos 25 de Janeiro de 1919 com Rogerio Menezes Dias, filho de Antonio Menezes Dias e Maria Dias de Jesus. Rogerio era leopoldinense, nascido no dia 18 de Dezembro de 1889.