165 – Descendentes de Manoel Joaquim e Leocádia

Para concluir o estudo sobre um dos pioneiros de Tebas, Manoel Joaquim Ferreira, o Trem de História traz hoje o que se conseguiu apurar sobre os 10 filhos do seu casamento com a segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis. E começa com o nome de José Joaquim para destacar que Manoel Joaquim teve dois filhos com este nome, um de cada casamento, sendo que o filho de Leocádia usava mais frequentemente o sobrenome Silva.

1) Francisco Ferreira da Silva (ou, Braga) c.c. Máxima Maria de Jesus em primeiras núpcias e com Maria Ilidia de Brito em segundas. Francisco vivia no Rio Pardo em 1844 com a primeira esposa com quem teve a filha Maria, batizada no dia 04.02.1844. Em 1862, Francisco já estava casado com Maria Ilidia de Brito, com quem teve a filha Eufrozina, batizada em Piacatuba no dia 14.05.1862. Em 1864 Francisco e Maria Ilidia batizaram o filho João, também em Piacatuba, aos 14 de agosto.

2) O segundo filho do casal foi Antonio Carlos Ferreira que se casou Miquelina Florentina de Jesus. O casal teve os seguintes filhos: Manoel, cujo batismo é de 18.02.1855. Ana, cujo batismo é de 11.10.1863 e Antonia, batizada em 11.12.1864.

3) Felisbina Florentina de Jesus c.c. Antonio da Costa Ferreira Júnior. Felisbina e Antonio tiveram os seguintes filhos batizados em Piacatuba: Rita, batismo de 08.10.1854, Joaquim, cujo batismo é de 04.03.1862 e Umbelina, batizada em 06.12.1863.

4) Lúcia Florentina de Assis casou-se com Joaquim Ignacio de Oliveira. Deste casal não se tem, ainda, outras informações.

5) José Ferreira da Silva é o sexto filho de Manoel Joaquim Ferreira e Leocadia. Ele se casou em Piacatuba aos 24.08.1853, com Maria Francisca de Assis. O casal José-Francisca teve os seguintes filhos: Maria, batizada em 17.01.1855, José, batizado em 08.08.1865, Joaquim, batizado em 29.07.1870 e Antonio, batizado em 19.03.1876.

6) José Joaquim da Silva, em 1856 registrou 5 alqueires no Meia Pataca, declarando serem terras compradas de Antonio Valentim da Fonseca, divisa com José Rodrigues Vicente, José Maria e Manoel Anacleto. Consta, ainda, que um Joaquim da Silva registrou 2 alqueires em comum no lugar Sobradinho, havidas por herança, que tudo leva a crer ser a mesma pessoa. Por estas informações, supõe-se que tenha vivido em território do Meia Pataca e não se sabe se casou ou teve filhos. Observe-se, ainda, que Manoel Joaquim Ferreira batizou dois filhos com o nome de José Joaquim, um de cada casamento. O primeiro usou o nome José Joaquim Ferreira e o segundo adotou Silva, sobrenome de sua mãe.

7) Manoel Joaquim Ferreira Filho foi o nome utilizado na idade adulta por este filho do segundo casamento. Ele se casou aos 18 de fevereiro de 1865, com Antonia Maria de Jesus, neta paterna de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Ou seja, Manoel se casou com uma neta do segundo marido de sua mãe. Observação: Manoel Joaquim Ferreira teve dois filhos homônimos, mas só o do segundo casamento usava o aposto “Filho”.

8) Francisca de Assis Lima c.c. Manoel Antonio Teixeira filho de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Assim como seu irmão Manoel, Francisca também se casou com filho do segundo marido de sua mãe. Francisca e Manoel batizaram o filho José, aos 29.07.1868.

9) Maria Leocadia de Jesus c.c. Manoel Joaquim Ferreira Amorim. Tiveram seis filhos. Alguns deles batizados em Piacatuba: Maria, batismo em 27.02.1870; Castorino, batismo em 20.10.1872; Joaquim, cuja filiação está no alistamento eleitoral em Tebas; Antonio, cuja filiação também está no mesmo alistamento; Flausina, batismo em 15.09.1878; Adolfo, cuja filiação foi confirmada pelo seu casamento em 1902 e que faleceu em Piacatuba aos 24.09.1938, aparece como condômino do Sítio da Onça, em Tebas, em 1933.

10) Domingos Ferreira de Oliveira era também conhecido por Domingos Ferreira Tebas de Oliveira ou simplesmente Domingos Ferreira Tebas. Casou-se em Argirita, em 1865, com Ana Rosa de Souza. Em 1871 o casal vendeu uma sorte de terras herdadas da avó de Ana Rosa, que foi a primeira esposa de José Antonio Teixeira, o segundo marido de Leocadia Florentina de Assis, mãe de Domingos. O casal Domingos e Ana Rosa teve os seguintes filhos: Vitalina, teve o seu batismo em 23.05.1869; Rosa, batizada em 18.06.1871; Presceliana, batizada em 25.01.1875; Antonio, batizado a 24.06.1878; e, Domingos Bernardino nascido em 1886 em Tebas e falecido em Leopoldina em 1971.

Com estas informações o Trem de História encerra a viagem pelas terras “dos Tebas”. Na próxima edição, outro pioneiro de Leopoldina ocupará este espaço. Até lá!

Dia 12 de Abril

111 anos de criação da Colônia Agrícola da Constança

Nossos cumprimentos aos descendentes dos colonos que ali viveram.


Fontes consultadas:

Cartório de Notas de Piacatuba – lv 1871-1872, fls 23v.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 69 nº 254 plano 2 sep 16.

Igreja de Nossa Senhora da Piedade, 1º livro de batismos original, folhas 26, 28, 29, 45v, 53v, 55v, 60, 64v, 70v, 98, 102v, 108v, 110v, 117v, 127v, 147, 156, 174v, 176v; e lv 1 cas fls não numeradas, ordem 24

Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo, 1º livro de batismos, folhas soltas, não numeradas; lv 1 bat fls 17verso e lv 1 cas fls 10

Registro de Terras de Santa Rita do Meia Pataca. Arquivo Púlbico Mineiro TP-120, APM. Nr 76 fls 39, pesquisa de Joana Capella.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 418 no jornal Leopoldinense, março de 2021

154 – Sesmarias até para filhos ainda não nascidos

Em artigo anterior o Trem de História trouxe a informação de que alguns dos beneficiários das primeiras sesmarias concedidas na região foram parentes dos membros da tropa comandada por Pedro Afonso Galvão de São Martinho. E citou o exemplo de dois sobrinhos de Tiradentes e suas respectivas esposas, beneficiados com quatro sesmarias em 1813. Duas delas na divisa do Curato do Feijão Cru com o distrito de Bom Jesus do Rio Pardo (atual Argirita).

Hoje a viagem parte de um estudo iniciado após a leitura em Francisco de Paula Ferreira de Rezende[1] e Celso Falabella de Figueiredo Castro[2] que registram o fato de que uma das famílias povoadoras do Feijão Cru teria obtido “sesmarias até para filhos ainda não nascidos”.

Buscando compreender o assunto, foram consultadas inúmeras obras, encontrando informação semelhante em Lígia Osorio Silva[3], quando a autora afirma que: até o século XVIII […] houve casos de várias sesmarias concedidas a um mesmo indivíduo, e casos de indivíduos que as requeriam em nome “das mulheres, dos filhos e filhas, de crianças que estavam no berço e das que ainda estavam por nascer”.

Na verdade, a autora se referia a texto de Nadir Domingues Mendonça[4] que replicou informação de Alcides Lima[5] em História Popular do Rio Grande do Sul, que falava a respeito do ocorrido em outros pontos do Brasil.

Restava, então, saber se Rezende e Falabella também replicaram outros autores ou se, de fato, isto aconteceu em nossa região. Concluiu-se daí que a busca precisava continuar.

E para sustentar teoricamente a pesquisa, era necessário ler um pouco mais a respeito da legislação sobre concessão de sesmarias, iniciando-se pelos Anais do VIII Simpósio Nacional de Professores de História, de 1976, complementados por artigos de NOZOE (2006)[6] e mais recentemente revisado com a leitura de ALVEAL (2015)[7].

Numa segunda etapa a busca consistiu em selecionar, na Revista do Arquivo Público Mineiro de 1988, os sesmeiros que obtiveram Carta de Sesmaria no Termo de Barbacena, indicando local próximo ao Sertão do Feijão Cru.

Mas o exaustivo levantamento realizado no arquivo mineiro apenas ampliou de 6.642 para 7.985 as sesmarias com que até então trabalhavam os historiadores, nada acrescentando no sentido de esclarecer a tal concessão a filhos não nascidos.

No caso de Leopoldina sabe-se que, embora iniciada no final da década de 1990, esta listagem continua em atualização constante, seja pela descoberta de nomes não identificados anteriormente entre os povoadores ou, por ser encontrada uma referência topográfica antes não observada.

Com o seguir dos estudos, outras fontes de informação a respeito da ocupação do território onde se formou o arraial do Feijão Cru passaram a ser utilizadas e permanecem no horizonte da pesquisa como, por exemplo, os registros de terras de 1856, inventários, testamentos e processos de divisão de propriedades. Só que, para compreendê-los, é necessário agregar outra fonte que veio comprovar a necessidade de um trabalho multidisciplinar quando se pretende escrever história. Além do conhecimento das já mencionadas mudanças de legislação, é preciso conhecer e compreender as unidades de medida e os instrumentos utilizados nas demarcações ao longo do tempo, o que será assunto do próximo Trem de História.

Quanto à resposta definitiva sobre a existência, em Leopoldina, de sesmaria concedida à pessoa ainda não nascida, continua, por enquanto, um tema em aberto.

Nos próximos textos desta série, serão trazidas informações sobre as antigas propriedades formadas no território que em 1854 constituiu a Villa Leopoldina. Antes, porém, será necessário abordar as unidades de medida e instrumentos de demarcação da época.

O Trem de História faz uma parada para carregar a bagagem da próxima viagem. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 407 no jornal Leopoldinense de 1 de julho de 2020


Fontes consultadas:

[1] REZENDE, Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988. p. 347.

[2] CASTRO, Celso Falabella de Figueiredo. Os Sertões de Leste: achegas para a história da zona da mata. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1987. p.66

[3] SILVA, Lígia Osorio. Terras Devolutas e Latifúndio: Efeitos da Lei de 1850. Campinas, SP: UNICAMP,1996. p. 45.

[4] MENDONÇA, Nadir Domingues Mendonça. A propriedade rural. In: Anais do VIII Simpósio Nacional de Professores de História, São Paulo, 1976, p. 852.

[5] LIMA, Alcides. História popular do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Barcelos, Bertaso & Cia, 1935.

[6] NOZOE, Nelson. Sesmarias e Apossamento de Terras no Brasil Colônia. Economia, Brasília, v. 7, n. 3, p. 587-605, set-dez 2006

[7] ALVEAL, Carmen Margarida Oliveira. Transformações na legislação sesmarial, processo de demarcação e manutenção de privilégios nas terras das capitanias do norte do Estado do Brasil. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 28, nº 56, p. 247-263, julho-dezembro 2015.

Funchal Garcia: Leopoldinense de Letras e Artes

Pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes, acaba de ser lançado o mais recente trabalho dos acadêmicos Luja Machado e Nilza Cantoni.

Ensaio biográfico sobre o pintor Funchal Garcia, natural de Leopoldina-MG, escrito para a série Personagens Leopoldinenses. O artista foi também professor, ator, escritor e jornalista e é patrono de uma cadeira da ALLA.

Adquira seu e-book aqui.

O produto da venda desta obra será integralmente revertido para o patrocínio das atividades culturais promovidas pela ALLA.
Imagem da capa: paisagem espanhola pintada por Funchal Garcia. Acervo Teófilo José Machado Rodrigues.

120 – Outros olhares sobre Manoel Funchal Garcia

Hoje o Trem de História encerra a série sobre o leopoldinense Funchal Garcia. Propositadamente em fevereiro de 2019 para marcar os 130 anos de nascimento desse conterrâneo. Personagem que soube, como poucos, escrever e pintar sobre o que viu, como atestam os artigos anteriores e as várias notas dos jornais a seguir selecionados.

Correio Paulistano[1]:

“O pintor leopoldinense Manuel Funchal Garcia inaugurou no saguão do Theatro Alencar uma exposição dos seus quadros. A exposição consta de 26 quadros, inclusive dois de Raul Pederneiras e dois de Paulo James, inteligente caricaturista, também nosso conterrâneo, que muito se tem distinguido no Rio, como collaborador de diversas revistas. Dos 26 quadros de Manoel Funchal, mais de 10 já foram adquiridos”.

O Paiz[2]:

“Exposição de quadros – Foi encerrada a exposição de quadros, do intelligente pintor Manoel Funchal Garcia, nosso estimado conterrâneo. Foi um verdadeiro sucesso”.

A Época[3]:

“Funchal Garcia – O talentoso e inspirado artista, que é o jovem pintor Funchal Garcia, acha-se nesta cidade, em excursão artística. Funchal, que ainda há pouco, realizou aqui uma bela exposição dos seus quadros, reveladores de um espirito superiormente educado, está organizando uma nova collecção de suas obras, com as quaes pretende conquistar o premio de viagem de estudos ao Velho Continuente, por conta do Estado”.

O Globo [4] destacou a Menção Honrosa recebida por Manoel Funchal Garcia no XXXVII Exposição Geral de Belas Artes, em 1930.

O Radical [5]:

“Funchal Garcia contou-me, há tempos, o seguinte caso. – Muitos quadros, poucos compradores. Eu preciso offerecel-os para vencer a situação financeira difícil de atravessar. Fui procurar o sr. Ribeiro Junqueira que prometeu adquirir um deles. Sorte! Tudo combinado, excepto o preço. O pintor sabia a tradição de parcimônia do titular da Republica. Pedir o valor real do quadro seria fazer fracassar a transacção.

– Quanto é?

– Oitocentos mil réis, senador!

– Você enlouqueceu, menino. Com este dinheiro eu compro uma vacca.

O artista concordou irônico: – Faz muito bem. Compre o animal e dependure na parede!”

A Noite [6]:

“Notícia de exposição organizada por Thomaz J. Wasson, de 30 de maio a 21 de julho no Rio, depois em São Paulo e Buenos Aires, composta por “93 quadros dos mais famosos pintores de  todas as partes do mundo, e de 150 gravuras”.  Funchal Garcia é um dos artistas brasileiros incluídos na exposição”.

Diário da Noite[7]:

“Homenagem ao Professor Funchal Garcia, o professor Luiz A. P. Victoria faz grandes elogios a Funchal. Chama-o de “poeta do pincel. Sente com a alma o que o pincel espalha na tela. […] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. […] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. […] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros teem alma e colorido.”

O Jornal[8]:

“Como já noticiamos, no Museu Nacional de Belas Artes, tem se realizado reuniões dos componentes dos diversos juris do “Salão” de 1944. Hoje, no entanto, podemos informar que da Divisão Geral, dos 411 trabalhos apresentados 69 foram aceitos e 342 recusados. Entre os trabalhos aceitos encontram-se nomes de […] Funchal Garcia – Na saída do capoeirão”.

O Dia, jornal paranaense[9]:

“Funchal Garcia é um pintor que merece palmas. Ninguém ama mais, sente mais encanto pela terra mater que esse paisagista de recursos amplos, de inspiração sadia e superior. Professor de dezenho de um estabelecimento de ensino, Funchal, que é tambem novelista de mérito, sempre que dispe de tempo toma o caminho das florestas, dos morros, das montanhas, a fim de colher com seu pincel tudo quanto de impressionante oferece a nossa exuberante e portentosa natureza.

Segundo Paulo Mercadante[10], Funchal Garcia

“pincelava a exuberância da natureza, a graça dos “flamboyants”. […] O brado tropical, irrompendo nas margens dos riachos, crescia com força não sufocada. Um modo de ser bandeirante, que de pincel e tela, procurava o trecho de beleza escondida. Alcançando as colinas, com os barrancos já feridos pela erosão, a perspectiva era ampla e iluminada”.

Muito mais se teria para falar sobre Funchal Garcia. A limitação de espaço, porém, indica o fim do trajeto. Na próxima edição, novo assunto será abordado.  Até lá!


Fontes consultadas;

1 – Correio Paulistano (São Paulo, SP) 07.11.1913, ed. 18068 p. 3 coluna 2, Notícia do Correio de Minas sob o título ‘Leopoldina Arte’

2 – O Paiz (Rio de Janeiro, RJ) 11.11.1913, ed 10627, p. 8 coluna 5, Notícia de Leopoldina

3 – A Época (Rio de Janeiro, RJ) 06.05.1914, ed 620, p. 4 coluna 5. Notícia de Cataguazes

4 – O Globo (Rio de Janeiro, RJ), 28.08.1930, p. 2

5 – O Radical (Rio de Janeiro, RJ) 04.11.1937, ed 1705, p. 2 coluna 6

6 – A Noite (Rio de Janeiro, RJ) 10.05.1941, ed 10503, p. 3 coluna 6, ‘Tres séculos de gravura nos Estados Unidos e Arte Contemporanea no Hemisferio Ocidental’

7 – Diário da Noite (Rio de Janeiro, RJ) 16.09.1943, ed 3879, p. 3 coluna 1, ‘A Arte e o Artista’

8 – O Jornal (Rio de Janeiro, RJ) 20.09.1944, ed 7485, 2ª seção p. 1 coluna 4 ‘O Salão de 1944’

9 – O Dia (Curitiba, PR) 05.09.1944, ed 6462, p. 4 coluna 8, ‘Quatro Notas de Arte’

10 – MERCADANTE, Paulo. Crônica de uma comunidade cafeeira: Carangola, o vale e o rio. Belo Horizonte: Itatiaia, 1990. p.106

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 373 no jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2019

119 – A produção literária de Manoel Funchal Garcia.

Chega a vez do Trem de História descarregar o material sobre a obra literária de Funchal Garcia. É hora de se conhecer o trabalho desse grande artista leopoldinense, que em 1979, poucos meses após sua morte, recebeu homenagem de sua cidade natal nomeando[1] a avenida do bairro São Cristóvão que segue paralela ao córrego Jacareacanga, criando assim um monumento à memória desse nosso artista.

Funchal Garcia, com se pode observar pelos artigos anteriores, atuou em várias áreas. Os que viveram em Leopoldina nas décadas de 1940 e 1950 certamente se lembram da inesquecível dupla carnavalesca formada pelos saudosos Funchal Garcia e Dr. Irineu Lisboa. Dois artistas do melhor teatro.

Por outro lado, quem hoje anda pela Praça Félix Martins conhece o mural do conjunto da concha acústica, que retrata a lenda do Feijão Cru e provavelmente sabe que foi pintado por ocasião do centenário da cidade, conforme registra Barroso Júnior[2]. Talvez saiba também que, conforme as palavras de Mário de Freitas[3], aquela obra é de autoria do “laureado pintor Funchal Garcia”.

É sabido que diversos trabalhos seus a lápis, a bico de pena, a óleo, aquarela ou pastel, receberam elogios e alguns deles, prêmios. A tela “Pontão da Bandeira”, por exemplo, em 1939 foi escolhida[4] para exposição na Galeria de Ciências e Artes da Feira Mundial de Nova York e na Exposição Internacional de São Francisco, na Califórnia.

O que poucos sabem é que o pintor também escreveu comédias e novelas e como jornalista se destacou publicando matérias em diversos jornais e revistas de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, marcando importante presença nessa área, conforme consta na introdução do seu livro “Cachimbo e Cachaça…”[5]

Em 1937 Funchal Garcia publicou o seu primeiro livro: Memórias de Ivan Trigal, uma autobiografia que mereceu a seguinte nota[6] do Diário da Noite:

“Além de folhetos e artigos de imprensa, Funchal Garcia não tinha publicado ainda um volume. Com o “Memórias de Ivan Trigal”, oferece-nos muito mais do que um livro de reminiscências. Figuras simbólicas personificando virtudes ou defeitos ombreiam com as pessoas reais que vivem dentro do livro como no próprio mundo, falando uma linguagem simples, às vezes crua no seu naturalismo, escondendo crimes e perversidades, cultivando pequenas manias, irradiando simpatia ou pureza. Avulta, entre eles, a extraordinária sensibilidade de Ivan Trigal, em que o autor fixou os traços mais característicos da própria personalidade e os impactos culminantes de uma fase de sua vida.”

Do Litoral ao Sertão é seu segundo livro[7], no qual relata suas viagens pelo interior do país, em especial, a sua estada em Canudos, onde obteve o depoimento de testemunhas remanescentes da tragédia conhecida como Campanha ou, Guerra de Canudos.

Depois escreveu Retalhos da Minha Vida[8], em que retorna ao assunto do seu primeiro livro e a passagens de sua vida. Dois anos depois lançou Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça[9] de cuja introdução se conclui que ele deixou inéditos “livretes e livros”.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Mas resta um vagão de Funchal Garcia que virá com um pouco mais sobre o que se publicou a respeito deste importante personagem leopoldinense. Até lá.


Fontes consultadas:

[1]- Lei Municipal nº 1.393, de 16.11.79.

[2] BARROSO JÚNIOR. Leopoldina e Seus Primórdios. Rio Branco-MG: Gráfica Império, 1943. rodapé da p.14

[3] FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte, 1985. p.199.

[4] Diário de Notícias. Rio de Janeiro: 1 nov 1939, ed 5220, p. 3, primeira seção, coluna 5.

[5] FUNCHAL GARCIA, Manoel. Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça. Rio de Janeiro, GB: autor, 1971.

[6] Diário da Noite. Rio de Janeiro: 31 ago 1937 ed 3022 p. 2 col.7

[7] FUNCHAL GARCIA, Manoel. Do Litoral ao Sertão. Rio de Janeiro: Bibliex, 1965.

[8] FUNCHAL GARCIA, Manoel. Retalhos da Minha Vida. Belo Horizonte, MG: autor, 1969.

[9] FUNCHAL GARCIA, Manoel. Cachimbo e Cachaça, Verdade e Fumaça. Rio de Janeiro, GB: autor, 1971.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 372 no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2019

118 – Manoel Funchal Garcia, artista de vários instrumentos.

Segue a viagem do Trem de História. Agora, com Manoel Funchal Garcia, o renomado pintor e escritor Funchal Garcia, lembrado nesta série de artigos sobre ele e sua família.

Funchal Garcia nasceu[1] em Leopoldina no dia 03.02.1889 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 30 de junho de 1979.[2] Fez seus primeiros estudos em sua terra natal. Seguiu depois sua carreira de estudante na cidade do Rio Grande (RS) e no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (RJ). Estudou desenho e pintura com Maurício Jobim, Honório da Cunha Melo e César Formenti.

Por volta de 1912 casou-se[3] com Guiomar da Mota, com quem teve pelo menos sete filhos: Pedro Américo, Miguel Ângelo, Mariana, Ruth, Maria da Conceição, Maria Helena e Guiomar Garcia

Foi professor, renomado pintor paisagista, jornalista e escritor. Trabalhou em Carangola (MG), cidade onde tem sua profissão e nome homenageados em uma rua.

No dizer dele próprio,[4] conheceu “o Brasil de norte a sul, de este a oeste e, oito países da Europa”. Retratou muitas das belas paisagens que encontrou nessas viagens.

Em 1915 era professor do Ginásio Carangolense[5] e em 1917 lecionava na Escola Normal Arthur Bernardes da mesma cidade, ao lado, dentre outros, do Prof. Joaquim de Souza Guedes Cardoso Menezes Machado. Lecionou, também, em Faria Lemos. Em 1927 voltou para Leopoldina para tomar novamente o destino de Carangola poucos anos depois, sob contrato com o Instituto Propedêutico Carangolense. Posteriormente fixou-se no Rio de Janeiro onde trabalhou até aposentar-se como professor do ensino secundário.

Na obra Retalhos da Minhas Vida, Funchal Garcia inseriu comentários publicados por autores como Manoel Esteves, em ‘Pelas Terras Longínquas de Minas’: “No belo e expressivo ‘ex-libris’ pôs êle a seguinte lenda, que, como tôda a marca de posse, deve retratar verdadeiramente o seu possuidor: (Nos píncaros, os pés… a fronte, nas estrelas…)”. Já no dizer de Gastão Penalva[6]:

“Se alguém disser a Funchal Garcia que lá longe nas grimpas da Mantiqueira, nos desvãos do Araguaia, nas vizinhanças do Iguaçu ou Paulo Afonso, há um trecho de natureza bastante digno de um pincel, ele não quer escutar mais nada: entrouxa o necessário, abarraca à cabeça o chapelão desabado, diz à família um rápido até logo e, lá vai, com as pernas magras a saltar de trem em trem, de morro em morro, de cidade em cidade, até chegar ao ponto desejado, que saúda com todos os rompantes da sua grande alma de artista”.

Na década de 1940, era funcionário[7] da prefeitura do Distrito Federal, em atividades educacionais, e continuava encantando os admiradores de sua arte, como o professor Luiz Victoria[8]:

“Chama-o de poeta do pincel, que sente com a alma o que o pincel espalha na tela. […] Nascido no velho e aristocrático município de Leopoldina, não teve a fortuna a bafejar-lhe o berço. Todavia, a sorte não lhe foi de todo madrasta. Dotou-o de uma sensibilidade fina e de um gosto requintado. […] Funchal é um produto da força de vontade. Ainda criança, quase entregue a sua sorte, oferecia-se para trabalhar em circos. Conseguindo vir para a capital, cursou a Escola de Belas Artes. Granjeou logo amigos entre os mestres que viam nele um espirito de eleição. Voltando para o interior fez-se professor. Seu entusiasmo pelo belo não encontrava todavia correspondência. Insulava-se, então, na sua arte. […] Funchal Garcia é um pintor emotivo. Seus quadros tem alma e colorido.”

Em 1950 foi encarregado de pintar os lugares onde se travaram os maiores combates da Campanha de Canudos e outros recantos dos sertões da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe[9].

Funchal Garcia pertenceu[10] à Associação dos Artistas Brasileiros; à Sociedade de Homens de Letras do Brasil, empossado em 1943, onde fez parte de comissão para prestar solidariedade às vítimas do ciclone que devastou dois estados do México e saudação a novo sócio; à Academia Valenciana de Letras, empossado[11] em 1955; à Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais[12], como representante do município de Leopoldina, empossado em 1965; e, em 2008 tornou-se patrono[13] da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.

Por uma questão de espaço o Trem de História de hoje precisa parar por aqui. No próximo número ele ainda trará mais um vagão com as obras deste grande pintor e escritor leopoldinense, passageiro destas últimas viagens. Até lá.


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 3 bt fls 80

2 – GARCIA, Maria José Ladeira. Saga de um Sonhador. Disponível em <http://almanaquearrebol.blogspot.com/2015/07/funchal.html&gt;. Acesso em 20 set. 2016

3 – Cálculo feito a partir da dedicatória da p. 11 do seu livro Do Litoral ao Sertão.

4 – FUNCHAL GARCIA, Manoel. Do Litoral ao Sertão. Rio de Janeiro, RJ: Bibliex, 1965. p. 16.

5 – O Paiz. Rio de Janeiro, 28.04.15, ed 11160, p. 7 col. 1, Notícia de Carangola. FUNCHAL GARCIA, Manoel. Retalhos da Minha Vida. Belo Horizonte, MG: do autor, 1969. p.63

6 – PENALVA, Gastão. O bandeirante da pintura. Rio de Janeiro: Jornal do Brasil, 17 set 1941, ed 219, p. 5, col. 1-2

7 – O Jornal. Rio de Janeiro: 07 ago. 1943 ed. 7410 p. 10 col. 7;  A Manhã. Rio de Janeiro: 22 fev. 1945 ed 7613 p. 5 col.3

8 – VICTORIA, Luiz A. P. A Arte e o Artista. Diário da Noite: Rio de Janeiro, 16.09.43, ed 3879 p. 3 col.1

9 – FUNCHAL GARCIA, Manoel. Do Litoral ao Sertão. Rio de Janeiro, RJ: Bibliex, 1965. p. 57

10 – A Noite, Rio de Janeiro, 13.12.45, ed 12134, p. 24 col. 1; 4 maio 1943 ed 11215 p. 5 col.6; 17 jan. 1944, ed 11470, p. 2 col.1-2; 04 maio 1943, ed 11215, p. 5 col.6.

11 – Ofício de Elizabeth Santos Cupello, ex-Presidente da AVL, em julho 2018.

12 – TOGEIRO, Angela. Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, comunicação eletrônica  <amulmig@gmail.com> em 11 de agosto de 2018.

13 – Academia Leopoldinense de Letras e Artes, Posse do Acadêmico Antônio Márcio Junqueira Lisboa.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 371 no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2019

117 – João Funchal Garcia, o irmão jornalista.

Conforme ficou dito na quinzena passada, o Trem de História de hoje se ocupará com a vida e obra do filho caçula de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, o oitavo deles, João Funchal Garcia, nascido[1] no dia 11 de agosto de 1895 em Leopoldina.

E começa informando que em 1920 ele trabalhava[2] no Posto de Profilaxia de Além Paraíba, onde era colega de seu conterrâneo e amigo Luiz Rousseau Botelho, a quem conhecera na infância na rua Tiradentes.

João se casou com Zilca Macedo com quem teve, pelo menos, os filhos Carlos Alberto e Maria José, esta nascida[3] aos 14 de maio de 1925 em Leopoldina.

Iniciou sua carreira jornalística em 1927 quando escreveu para o jornal da terra natal a matéria intitulada[4] “A “Santa” existe?”, falando da aparição na Serra dos Andrés. O artigo descreve uma excursão que fez à localidade situada em território da atual cidade de Recreio (MG), bem ao estilo de um repórter em busca da notícia.

Naquele ano, João havia sido nomeado escrevente do Cartório do 3º Ofício de Palmyra, atual Santos Dumont (MG), onde também foi secretário[5] do jornal A Notícia. No ano seguinte, foi nomeado[6] Ajudante de Procurador da República na mesma cidade.

Em 1930, já no Rio de Janeiro, era[7] repórter de polícia do jornal A Pátria e em 1939 trabalhava como jornalista[8] no Diário Carioca onde conheceu Alberto Romero, que sobre ele escreveu[9]:

“No Rio pouca gente sabe hoje que o repórter Funchal Garcia optou pela rendosa profissão de mendigo para contar tudo mais tarde numa série de reportagens no DC. Funchal me disse que viveu não sei quantos meses do produto das esmolas. O salário do jornal era entregue à mulher dele, que ignorava a natureza da sua missão jornalística. O mais impressionante é que o velho Funchal chegou a tomar tanto gosto pela mendicância (ele próprio me confessou) que até pensou em abandonar o jornalismo, e certamente não faria mau negócio.”

Anos depois um jornal carioca[10] registrava que João Funchal Garcia era um dos jornalistas que assinaram telegrama ao presidente Eurico Gaspar Dutra em apoio ao ato que extinguiu o jogo no Brasil. Vale lembrar que a proibição dos chamados jogos de azar, considerados uma prática degradante para a sociedade, ocorreu com a publicação do Decreto nº 9215, de 30.04.46, do presidente Dutra.

Em 1947[11], o então funcionário João Funchal Garcia foi transferido da Agência Nacional para o Departamento de Segurança. Mas o jornalista continuava ativo e mesmo residindo no Rio de Janeiro, em 1949 enviou matéria[12] especial pelo Dia do Aviador para jornal de Santos Dumont, com o título “Santos-Dumont e o dever patriótico de Palmira”.

Em 1958 recebeu[13] Medalha Comemorativa do II Congresso de Polícia pela cobertura jornalística do evento. Aposentou-se[14] em agosto de 1960 mas continuou sendo procurado pelos colegas do meio e em 1965 foi chamado a opinar sobre o livro[15] ‘O Assunto é Jornal’, publicando uma crítica no mesmo Diário Carioca onde trabalhou.

O jornalista João Funchal Garcia faleceu no Rio de Janeiro, no dia 25 de maio de 1967.

Por hoje a história fica por aqui. No próximo Jornal o Trem de História trará a carga relativa à vida e obra do pintor e escritor (Manoel) Funchal Garcia. Aguardem!


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 06 bat fls 18 termo 586.

2 – BOTELHO, Luiz Rousseau, Dos 8 aos 80. Vega: Belo Horizonte, 1979 p. 293.

3 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 22 bat fls 9 termo 109.

4 – Gazeta de Leopoldina. 19 fev 1927 ed 224 p. 4 coluna 3.

5 – Jornal de Queluz. Conselheiro Lafaiete, MG, 24 nov 1928 ed 141 p. 1 coluna 5

6 – Correio da Manhã. Rio de Janeiro, RJ, 8 out. 1929 ed 10667 p. 7 coluna 9.

7 – Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, RJ, 24 e 25 julho 1949 ed 172 2ª seção p. 2 coluna 4

8 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez 1939 ed 3522 p. 11.

9 – idem, 2 ago 1965 ed 11460 p. 8.

10 – A Manhã. Rio de Janeiro, RJ, 01 maio 1946, ed 1449, p. 2 coluna 8

11 – A Noite. Rio de Janeiro, RJ, 05 ago 47, ed 12635, p. 4, coluna 3

12 – O Sol. Santos Dumont, MG, 23 out 49, ed 1125, p. 3

13 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 27 maio 1958 ed 9161 p. 10 coluna 7.

14 – idem, 11 ago 1960 ed 9853 p. 6 coluna 5.

15 – idem, 2 ago 1965 ed 11460 p. 8.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 369 no jornal Leopoldinense de 16 de dezembro de 2018

116 – Alfredo Funchal Garcia, o irmão engenheiro

Até aqui não se sabia que o terceiro filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, nascido[1] em Leopoldina no dia 02 de janeiro de 1885, tinha trabalhado[2] nas instalações telefônicas de Paranaguá e Rio Negro, no Paraná. Hoje se conhece isto e um pouco mais.

Alfredo era Engenheiro eletricista, em 1912 foi contratado pela Fernandes & Co, de propriedade de Paulino Fernandes, Aurélia Tanneg e Ignacio D. de Carvalho, para dirigir os trabalhos de instalação do serviço telefônico em Cataguases, Muriaé e Palma, em Minas Gerais, assim como em Santo Antônio de Pádua, no Estado do Rio.

Em 1922 era chefe[3] da secção de eletricidade da Secretaria de Agricultura do Espírito Santo, cargo que o levou a constantes viagens dentro do estado e também para o Rio de Janeiro.

É de se destacar, ainda, um relato[4] publicado em jornal de Conselheiro Lafaiete que se transcreve com a ortografia da época:

“De há muito que se tornou assumpto obrigatório em rodas de inteligentes a discussão sobre a radiographia e a radiophonia. Entretanto, até há poucos dias, o assumpto não era de nosso pleno conhecimento, pois, se bem que já houvéssemos lido muito e muito escutado sobre o assumpto, não nos tinha sido proporcionada a ocasião de ver um desses aparelhos e ver o seu funcionamento, se bem que já houvéssemos tido ocasião de ouvir, por uma gentileza dos Srs. João Hallais de Oliveira e Brandimarte do Valle, algo cantado no Rio, por intermédio do aparelho que o primeiro desses senhores tem funcionando em Buarque[5], mas pela linha da Comp. Telephonica de Queluz, cuja ligação nos permitiu amavelmente o segundo. Só há bem pouco, no ‘Meridional-Hotel’, conseguimos ver um desses apparelhos funcionar, quando ali se encontrava hospedado o Sr. Alfredo Funchal Garcia, residente no Rio à rua Maris e Barros n. 294, atencioso representante da Red-Corporation, com sede no Rio de Janeiro, e da General Eletric, também com sede no Rio, á Avenida Rio Branco ns. 60 a 64.

[…]Agora, porém, o nosso Municipio já possue diversos aparelhos radiophonicos. Tem o do Sr. João de Oliveira, em Buarque. Outro existe na Comp Santa Mathilde, o qual, segundo nos asseveraram, ainda não conseguiu funcionar perfeitamente.

Em Congonhas do Campo formou-se uma sociedade, que adquiriu um desses modernos aparelhos, que, nos informam com segurança, está funcionando perfeitamente. O Dr. Victorino dos Santos Ribeiro, ainda é informação que temos, vae colocar um desses aparelhos em sua residência. Para o Meridional-Hotel, o Sr. Leonidio Dias também já adquiriu um magnifico aparelho, dos mais modernos e potentes, o qual está funcionando regularmente.”

Como se vê, o leopoldinense Alfredo Funchal Garcia participou da difusão de um meio de comunicação que representou, para a época, o equivalente ao que a rede mundial de computadores passou a representar nos últimos vinte anos. E não foi só isso. Em 1926, Alfredo estudava[6] a implantação de uma usina hidroelétrica em Conselheiro Lafaiete (MG), para fornecer força e luz ao distrito de Morro do Chapéu daquele município.

Em 1938, era professor[7] do Gymnasio de Porto Novo do Cunha, da cidade de Além Paraíba, onde se tornou sócio fundador[8] do Aero-Clube local, em junho de 1943, fazendo parte da primeira diretoria com o cargo de diretor de material.

A história de Alfredo fica por aqui. Mas a dos irmãos Funchal Garcia continuará na próxima edição, quando o Trem de História trará o caçula, João Funchal Garcia, que se destacou noutra atividade. Até lá.


Fontes consultadas e nota:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 128 termo 1214.

2 – A Imprensa. Rio de Janeiro, 27 jun. 1912, ed 1638, p. 7, coluna 1

3 – Diário da Manhã. Vitória, ES, 23 mar. 1922 ed 183 p. 3 coluna 2.

4 – Correio da Semana. Queluz de Minas, MG, 26 de março de 1925 ed 517 p. 4 colunas 2/3.

5 – Buarque é a forma simplificada de Buarque de Macedo, distrito de Conselheiro Lafaiete (MG).

6 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 14 nov. 1926 ed 2433 p. 10 coluna 8.

7 – Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, RJ, 17 jul. 1938 ed 167 p. 8 coluna 5.

8 – O Jornal. Rio de Janeiro, RJ, 29 ju.1943 ed 7373 p. 2 coluna 2.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 368 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2018

115 – Os irmãos do pintor Funchal Garcia

A viagem do Trem de História segue pela família de Manoel Funchal Garcia, trazendo um pouco sobre os filhos do casal Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.

Maria Amélia nasceu em 28 de outubro de 1880 e foi batizada no dia 07 de novembro do mesmo ano, tendo por padrinhos Antonio Francisco Alves Neto e Rosa Martins Funchal, esposa de José Joaquim, tio materno da batizanda. Maria Amélia se casou com o português Antonio Alves de Freitas com quem teve, pelo menos, quatro filhos: Adelia, Altilia, Irene e José, este ultimo advogado[1] em Carangola em 1939. Maria Amélia faleceu no Rio de Janeiro aos 24 de setembro de 1924.

O segundo filho de Alfredo e Mariana foi Silvandino Funchal Garcia. Nascido[2] em novembro de 1882. Por volta de 1910 Silvandino assumiu a padaria da família. Dele, vale ressaltar que numa demonstração de boa percepção dos avanços da época, em fevereiro de 1913 adquiriu[3] amassadeira mecânica e outros aparelhos acionados por energia elétrica para modernizar as instalações ainda bem precárias da padaria e aproveitar a eletricidade que havia chegado a Leopoldina pouco mais de 4 anos antes.

Silvandino casou-se com Esmenia Ferreira, nascida em Leopoldina aos 29 de novembro de 1884, filha de João Batista Ferreira e Leopoldina Esméria de Almeida, com quem teve sete filhos, dentre eles Paulo Ferreira Garcia que ocupou a cadeira nº 16 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes e, José Ferreira Garcia, nascido em Leopoldina aos 16 de junho de 1913, pai de Maria José Ladeira Garcia que ocupa a cadeira nº 13 da mesma Academia.

Alfredo Funchal Garcia foi o terceiro filho do casal e será abordado em artigo especial.

O quarto filho de Alfredo e Mariana foi Antônio Funchal Garcia Nascido por volta de 1887, faleceu[4] em Leopoldina aos 04 de setembro de 1963. Segundo Mário de Freitas[5], só veio a falar de maneira inteligível após a morte da mãe. Figura popular nas ruas de Leopoldina, eventualmente era vítima de brincadeiras desagradáveis da garotada.

O pintor Manoel Funchal Garcia, foi o quinto filho e é o personagem leopoldinense que se homenageia com esta série de artigos que pretendem marcar os 130 anos do seu nascimento.

O sexto filho do casal foi Aurora, nascida[6] aos 23 de janeiro de 1891, de quem nada se conseguiu apurar.

José Funchal Garcia, o sétimo filho, nasceu[7] a 28 de fevereiro de 1893 e faleceu[8] a 27 de setembro de 1966 em Leopoldina. Vivia no Rio de Janeiro na década de 1930. Morou[9] na Rua da Candelária nº 93. Em 1933 era funcionário[10] da Companhia de Armazéns Geraes Mineiros, sediada na então Capital da República.

João, o oitavo filho de Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal, terá sua trajetória comentada em artigo à parte.

Completada a família, encerra-se aqui a viagem de hoje. No próximo encontro, o Trem de História trará a história do filho Alfredo Funchal Garcia que se destacou como engenheiro eletricista e foi figura importante na implantação da telefonia em diversas cidades dos estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro. Aguardem!


Fontes consultadas:

1 – O Radical. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez. 1939 ed 2343 p. 2 coluna 7

2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 02 bat fls 83 termo 755.

3 – O Paiz. Rio de Janeiro, RJ, 12 de fevereiro de 1913 ed 10355 p. 4 coluna 2

4 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 6 nº 251 plano 2 sep 125.

5 – FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: 1985. p.39

6 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 03 bat fls 186v termo 95.

7 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 04 bat fls 117v termo ordem 1140.

8 – Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 30 nr 256 plano 2 sep 703.

9 – Crítica. Rio de Janeiro, RJ, 24 jun 1930 ed 507 p. 8 coluna 2.

10 – A Noite. Rio de Janeiro, RJ, 10 jan 1933 ed 7590 p. 8 coluna 3.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 367 no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2018

 

114 – A formação da família Funchal Garcia

O Trem de História segue por sua linha principal cujo objetivo é trazer para os dias de atuais os personagens leopoldinenses que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.

A partir de hoje, numa sequência de vagões, pretende trazer a vida e obra de um renomado pintor e professor leopoldinense. Do autor do mural do conjunto da concha acústica da Praça Félix Martins que retrata a lenda do Feijão Cru. Do conterrâneo que empresta seu nome a uma avenida do bairro São Cristóvão. E, do também jornalista e escritor, patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA, (Manoel) Funchal Garcia, nascido[1] a 03.02.1889 em Leopoldina e falecido no Rio de Janeiro (RJ) em 1979.

E começa trazendo um pouco sobre a sua família, iniciada em 31 de janeiro de 1880, em Leopoldina, com o casamento[2] dos portugueses Alfredo Garcia Ribeiro e Mariana dos Prazeres Funchal.

Alfredo, filho de Francisco Garcia Monteiro e Ana Ribeiro Borges, segundo descendentes, procedia de Midões, em Portugal. Importante registrar que esta informação sobre o local de origem de Alfredo não foi, ainda, devidamente documentada. Sabe-se que Midões é designação geográfica que remete o pesquisador a três diferentes locais: o primeiro deles, pertencente à freguesia de Sazes do Lorvão, Concelho de Coimbra; o segundo, à freguesia de Tábua, também no Concelho de Coimbra; e, o terceiro, a uma freguesia do Concelho de Barcelos, extinta em 2013. Daí não se saber o exato local do nascimento de Alfredo.

Alfredo Garcia Ribeiro faleceu por volta de 1900, possivelmente em Leopoldina. Foi sócio[3] da empresa Araújo & Ribeiro até janeiro de 1882 quando desfez a sociedade e assumiu todo o negócio. Segundo notícia de jornal da época, a empresa funcionava na Rua do Rosário nº 49. Ao que tudo indica, o mesmo endereço[4] da Casa de Pensão que em 1896 funcionava na já então nomeada Rua Tiradentes nº 30. Endereço de moradia da família e onde funcionava a padaria[5] de Alfredo, que após sua morte ficou sob administração da esposa e, mais tarde, do filho mais velho.

Mariana, filha de José Antonio Funchal e Francisca Inácia Mendes, tem como origem provável a cidade de Funchal, capital da Região Autônoma da Madeira, uma das ilhas atlânticas de Portugal.

Sobre Mariana, conta-se que no dia 11 de outubro de 1933 ela foi atropelada[6], na rua Tiradentes, pelo automóvel dirigido por José Vilela. Segundo algumas fontes, a partir daí passou por sucessivos problemas de saúde até 1939 quando, bastante doente, os filhos a levaram para o Rio de Janeiro, onde faleceu[7] no dia 30 de novembro daquele ano.

Registre-se, por fim que, segundo Luiz Rousseau Botelho[8], Dona Mariana participava do mais antigo Centro Espírita de Leopoldina[9].

A carga de hoje termina aqui. Mas no próximo Jornal tem mais Funchal Garcia. Aguardem.


Fontes consultadas:

1 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 3 bt fls 80 termo s.nº

2 – Arquivo da Diocese de Leopoldina, lv 1 cas fls 31 termo 79.

3 – O Leopoldinense. Leopoldina, MG,. 22 jan. 1882, ed. 7, p. 3.

4 – O Mediador. Leopoldina, MG,. 28 jan. 1896, ed. 21, p. 3

5 – idem, 1 nov. 1896, ed 50, p. 1

6 – Gazeta de Leopoldina. Leopoldina, MG, 14 out 1933 ed 143 p. 2 coluna 2.

7 – Diário Carioca. Rio de Janeiro, RJ, 1 dez 1939 ed 3522 p. 11.

8 – BOTELHO, Luiz Rousseau. Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p. 44.

9 – Almanack do Arrebol. Leopoldina-MG, 1984-1985, ano 2, nº 6, p. 6.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 366 no jornal Leopoldinense de 30 de outubro de 2018