172 – O vizinho Antonio Carlos da Silva Teles Faião e a divisão das grandes propriedades

O Trem de História traz hoje um dos vizinhos do pioneiro Antonio Rodrigues Gomes. E dá início a sua história informando que, embora só tenha chegado por aqui quando o Sertão do Feijão Cru já contava com um arraial e a matriz de São Sebastião, Antonio Carlos da Silva Teles Faião situa-se entre os pioneiros por ter participado do movimento de expansão que resultou na emancipação quase quinze anos depois.

Nascido em Simão Pereira por volta de 1801, Antonio Carlos era filho de José Ferreira da Silva Teles Faião e Felicia Josefa de Souza, sendo neto paterno de Antonio Ferreira da Silva e Ana Maria Ribeiro Teles Faião e neto materno de Francisco José Ferreira de Souza e Antonia Rita de Jesus Xavier, irmã do Alferes Tiradentes. Casou-se[1] em Santo Amaro de Camapuã, Conselheiro Lafaiete, com Francisca Candida de Jesus ali nascida, filha de Joaquim José de Andrade, neta paterna de João Cristóstomo de Magalhães e Bárbara Maria Dias e neta materna dos mesmos avós maternos de Antonio Carlos.

Registre-se que o estudo da ascendência do casal teve a colaboração do correspondente Carlos Henrique Resende cuja cópia de seu trabalho[2] veio confirmar a hipótese dos autores desta série em contraposição a Arthur Rezende na Genealogia Mineira. Diferentemente do que publicou o respeitado genealogista mineiro, a família Teles Faião não migrou para Leopoldina, mas para a Serra da Canastra. Apenas o filho Antonio Carlos veio para o Feijão Cru por volta de 1840, tendo adquirido[3], além das terras vizinhas a Antonio Rodrigues Gomes, outros 32 alqueires da Fazenda São Luiz, de Antonio Prudente de Almeida, onde fundou o Sítio Conceição e aí se instalou com a esposa e a filha Vicencia Antonia que se casou com um dos proprietários da fazenda Santa Cruz, da qual se falará na próxima edição do jornal.

No registro de terras realizado em 1856, Antonio Carlos da Silva Teles Faião[4] não indicou o nome de sua propriedade. Entretanto, na divisão[5] promovida por seu genro consta que o nome original de tal propriedade era Fazenda Barra das Laranjeiras. O adquirente havia descrito suas terrras informando localizar-se na margem direita do Rio Pomba, nas vertentes até a barra do Ribeirão denominado Recreio (atual Ribeirão das Virgens), com 140 alqueires que comprou de José Thomas d’Aquino Cabral, Carlos Augusto de Aquino Cabral e Sebastião Gomes Teixeira Jalles. Mais tarde a Barra das Laranjeiras teve seu nome mudado para Fazenda Natividade.

Por tais indicações, suspeita-se que o terço final do atual Córrego dos Barbosa tivesse o nome de Córrego das Laranjeiras.

Teles Faião declarou que sua propriedade fazia divisa ao norte com o Rio Pomba e seguia pelas divisas com Manoel José de Novais (fazenda Saudades), Francisco da Silva Barbosa (Boa Vista), Mariana Teresa Pereira Duarte (fazenda Recreio), Antonio Rodrigues Gomes (Águas Vertentes), Bento Rodrigues Gomes (Cachoeira do Bagre), Joaquim Firmino e seus cunhados (Santana do Pomba). Este último era genro de Genoveva Maria de Jesus, da fazenda Santana do Pomba, comentada pelo Trem de História nos textos 156 e 157, cuja sede ficava no local onde mais tarde foi construida a Estação Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina. Quanto aos demais vizinhos declarados, não foi possível comprovar todos eles, já que a área adquirida por Teles Faião era menor do que a compreendida pelas divisas entre os confrontantes mencionados e alguns deles não declaram ter divisas com Teles Faião.

Ressalte-se que as informações prestadas por Teles Faião no registro de 1856 foram importantes para localizar as propriedades indicadas no parágrafo anterior, pois ao citar o Ribeirão Recreio permitiu fazer a medição da área compreendida entre o Rio Pomba, na altura da Estação Vista Alegre, as vertentes do Ribeirão que então se denominava Recreio por conta da fazenda homônima, e o Córrego do Moinho onde estava a propriedade de Antonio Rodrigues Gomes.

Como tem sido afirmado em diversas oportunidades, é necessário utilizar-se de conhecimentos desenvolvidos por pesquisadores de várias ciências, assim como dos instrumentos a elas pertinentes para que se possa compreender a ocupação do território do Feijão Cru. Entre estes instrumentos estão os documentos cartográficos que, embora espaçados no tempo, conservam marcações importantes para o estudo. No caso da localização das antigas propriedades, a fonte mais antiga foi produzida[6] pelo cartógrafo João José da Silva Teodoro em 1847 e nela se encontram os nomes de 242 proprietários ou de suas propriedades então localizadas na área que veio a formar a Villa Leopoldina pouco mais de seis anos depois. A próxima informação cartográfica[7] é de 1926 e nela se conservam muitos nomes das primeiras fazendas. O exercício se completa na transposição das informações de Teodoro e da Carta de 1926 para a Carta[8] de Leopoldina de 1977, permitindo, então, uma visão panorâmica das unidades agrícolas no início do povoamento.

Pelo que se conhece da história escrita de Leopoldina, não parece ter havido consulta a fontes que descortinam como e quando se deram as divisões das antigas propriedades. E é de se supor que o desinteresse pelo assunto talvez encontre respaldo numa visão romântica tardia.

Segundo Saliba[9], o sonho de uma sociedade harmoniosa embalou o fazer de filósofos, artistas, escritores e pensadores até o período das revoluções de 1848 em que a denominada “primavera dos pobres”, na Europa, buscava o fim da política da “tradição” e perpetuação de uma mesma classe no poder.

Ainda que o movimento tenha demorado a atravessar o Atlântico, não se justifica que no século XX os escritores da nossa história continuassem presos à esta visão romântica que incluía latifúndios, escravaria incalculável e muitas benesses, quando é sabido que a Leopoldina da segunda metade do século XIX era outra, com novos atores sociais assumindo o controle de sua força de trabalho.

Há mais de vinte anos os autores do Trem de História estudam o movimento imigrante no município, tendo observado que muitos deles se tornaram proprietários e não só na Colônia Agrícola da Constança. E foi o estudar o processo de divisão das antigas fazendas que resultou em compreender a região mostrada no esquema do texto anterior, onde estava a Fazenda Barra das Laranjeiras. Região que em 1920 estava pontilhada de pequenas propriedades, conforme registrou o Censo[10] daquele ano e por onde o Trem de História seguirá viagem no próximo Jornal trazendo as fazendas Santa Cruz e Natividade. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 424 no jornal Leopoldinense, setembro de 2021


Fontes consultadas: 
[1] ASSIS, João Paulo Ferreira de. Polis 30 Um resgate da história dos municípios. Ressaquinha-MG: s.n., 1998-2003. nº 48 fls 19. 
[2] RESENDE, Carlos Henrique. Resendes e Rezendes. Juiz de Fora-MG: monografia, 2019. p 6 
[3] Registro de Terras de Leopoldina (Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114), nº 29. 
[4] idem), nº 8. 
[5] Divisão da Fazenda Natividade.  Processo 38404852 – COARPE - TJMG, img 8 
[6] TEODORO, João José da Silva. Carta Topográfica dos Termos do Presídio, Pomba e São João Nepumuceno (Acervo da Biblioteca Nacional: 1847). 
[7] Commissão Geographica e Geologica de Minas Geraes. Carta Geográfica de Cataguases Folha nº 20 S2 E3. São Paulo, Cayeiras e Rio: Secção Cartographica da Companhia Melhoramentos (Weisflog Irmãos incorporada), 1926. 
[8] Diretoria de Geodésia e Cartografia do IBGE – Superintendência de Cartografia. Carta de Leopoldina extraída da Carta do Brasil 1:50.000 Folha SF-23-X-D-V-2. 1977 
[9] SALIBA, Elias Thomé. As utopias românticas. 2.ed. São Paulo: Estação Liberdade, 2003. p. 90 
[10] Ministerio da Agricultura, Industria e Commercio. Directoria Geral de Estatística. Recenseamento do Brazil realizado em 1 de setembro de 1920. Rio de Janeiro: Typ. Da Estatistica, 1924. v.2 328-344

171 – O registro de terras e os vizinhos de Antonio e Bento Rodrigues Gomes

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Quando o Trem de História iniciou a série sobre os Pioneiros de Leopoldina surgiram indagações sobre como foram feitas as primeiras concessões de terras a particulares em Leopoldina. Assim, a viagem de hoje começa contando como isto se deu.

O ponto de partida é ter em mente que não houve concessão de sesmarias após a Independência, em 1822. E que dali em diante, até 1850, esteve em discussão o ordenamento jurídico sobre a propriedade da terra no país. Finalmente, em 1850 foi aprovada a chamada Lei de Terras[1] e a 30 de janeiro de 1854 o governo baixou o Decreto nº 1318 que regulamentou a mencionada Lei e criou os mecanismos para sua execução.

Entre estes mecanismos estava a obrigatoriedade dos proprietários de terras particulares levá-las a registro. Este registro se fazia através de declarações de área, localização e confrontações da propriedade, informadas ao Padre que fazia, então, o Registro de Terras em livro próprio. Uma declaração baseada unicamente em medidas muitas vezes acrescidas da expressão “pouco mais ou menos” e poucas referências além da indicação de um curso d’água, cachoeira ou montanha; e confrontações tão imprecisas que às vezes o declarante “A” omitia “B” que em registro mais adiante declarava “A” como vizinho. 

No caso de Leopoldina, este procedimento de registro foi realizado entre 21 de fevereiro e 20 de abril de 1856 e o documento gerado se encontra no Arquivo Público Mineiro[2]. Trata-se de um caderno com 23 folhas utilizadas em frente e verso, nas quais foram feitos 95 lançamentos, sendo que em alguns deles há mais de uma propriedade descrita e há caso de propriedade com vários sócios, onde todos são mencionados num só registro.

Ressalte-se, ainda, que o registro era feito por Freguesia. Assim, lembrando que a Vila Leopoldina era um imenso território que abrangia outras freguesias, como Santa Rita do Meia Pataca e Bom Jesus do Rio Pardo, por exemplo, é fácil imaginar que é necessário consultar mais de um daqueles livros para abranger todos os proprietários que aqui viviam. Sem contar que diversos proprietários fizeram o registro em freguesias então vizinhas, como Santo Antônio de Pádua, o que foi o caso de residentes no então extenso distrito de Conceição da Boa Vista.

Outro fato a destacar é que após o registro da propriedade era necessário demarcá-la, atitude que nem sempre foi tomada de imediato, por razões as mais diversas.

Segundo Lígia Osório Silva[3], para iniciar o processo de medição era preciso fazer um requerimento ao Juiz Comissário, figura que não pertencia aos quadros da Magistratura. Entretanto, parece que no interior o papel era exercido pelo Juiz de Direito e Juiz Municipal, conforme se observa nos processos de Leopoldina analisados pelos autores desta série. O Juiz nomeava, com aprovação dos interessados, os profissionais que realizariam o trabalho, como o agrimensor e os “louvados” que eram as duas testemunhas de todo o processo.

Conforme ficou dito anteriormente, na época da chegada dos pioneiros os cursos d´água eram os principais marcadores para localização das propriedades. Mas é bom lembrar que nem todos cursos conservam hoje a denominação usual do início da história do lugar. No esquema adiante, por exemplo, é o caso do Córrego das Palmeiras que já se chamou João Ides e, do Córrego das Virgens, cujo primeiro nome foi Recreio, conforme consta em registros e processos de divisão das propriedades. Há, também, a hipótese de que o atual Ribeirão Jacareacanga tenha sido inicialmente denominado Córrego do Bagre, em referência à propriedade que Bento Rodrigues Gomes formou na barra do córrego deste nome.

Com base nas fontes citadas, os autores desta série montaram o esquema[4] abaixo para facilitar a localização das antigas fazendas na área que se estende a nordeste do centro urbano de Leopoldina em direção ao distrito de Ribeiro Junqueira. Nele as iniciais indicam: AV = Águas Vertentes; B = Boa Vista dos Barbosas; BL= Barra das Laranjeiras; CB = Cachoeira do Bagre; F = Fortaleza; Rc = Recreio; Rs = Residência; S = Santana dos Miranda; SC = Santa Cruz.

A fazenda Águas Vertentes, de Antonio Rodrigues Gomes, fazia divisa com as propriedades de seu irmão Bento Rodrigues Gomes e também com Antonio Carlos Teles Faião, Antonio Joaquim Teixeira, João Gualberto Ferreira Brito, José Thomaz de Aquino Cabral e Mariana Pereira Duarte.

O Trem de História pretende trazer algumas informações sobre estes confrontantes e esclarecer casos como o de Antonio Carlos da Silva Teles Faião[5] que não indicou o nome de sua propriedade. Mas isto vai ficar para a próxima viagem, porque a carga de hoje está completa. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 423 no jornal Leopoldinense, agosto de 2021


Fontes consultadas: 
[1] Lei nº 601 de 18 de setembro de 1850 
[2] Registro de Terras de Leopoldina, Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, nº 11 
[3] SILVA, Lígia Osorio. Terras devolutas e latifúndio: efeitos da Lei de 1850. Campinas, SP: Editora da Unicampo, 1996. p.168 
[4] Decalque de recorte da Carta do Brasil 1:50 000 - 1977 - Folhas SF-23-X-D-II-4 Cataguases e SF-23-X-D-V-2 Leopoldina - Instituto de Geociências Aplicadas de Minas Gerais - Diretoria de Geodésia e Cartografia 
[5] Registro de Terras de Leopoldina, Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, nº 8.

Tributo a Serginho do Rock pela Banda Improviso Etílico

"É com grande prazer que compartilhamos com todos vocês nosso projeto pela Lei Aldir Blanc.
Serginho do Rock é patrimônio sonoro de Leopoldina,grande poeta e compositor. Sua poesia ecoa em cada canto da cidade, onde acordes se misturam com versos rimados, onde pessoas e lugares são citados, sua memória sempre estará presente em nossos corações.
Escolhemos a canção Mineira Gostosa que retrata a nossa terra, a nossa gente. 
Obrigado Serginho! 
Vídeo e Áudio : Ricardo Oliveira"

170 – Bento Rodrigues Gomes

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O Trem de História de hoje fecha o ciclo dos dois irmãos pioneiros de Leopoldina trazendo Bento Rodrigues Gomes.

Bento casou-se aos 13 de julho de 1813, em Bom Jardim de Minas, com Ângela Joaquina de Jesus, filha do pioneiro Joaquim Ferreira Brito e de Catarina Esméria de Sene.

Em seu testamento [1], Bento declarou ter tido dezesseis filhos, mas relacionou apenas os nove que estavam vivos na ocasião.

Registre-se, por oportuno, que nas fontes consultadas até aqui foram encontrados doze filhos deste casal, sendo os dois mais novos nascidos no Feijão Cru. Bento faleceu aos 16 de março de 1862, na condição de viúvo.

Em 1856 ele declarou [2] ter comprado cerca de 300 alqueires de Francisco Manoel de Souza e Ana Rosa de São José, os quais faziam parte da propriedade denominada Fazenda Cachoeira Alta do Bagre quando de sua morte.

É importante registrar que talvez tenha havido engano na indicação do nome do vendedor, já que em uma Carta de Sesmaria [3] doando terras no “Ribeirão dos Bagres que deságua no Pomba por baixo do Feijão Cru”, o nome do beneficiário seria Manoel Francisco Corrêa. De todo modo, nem Francisco Manoel de Souza nem Manoel Francisco Corrêa são referidos na documentação ainda existente sobre os pioneiros do Feijão Cru.

Os vizinhos de Bento Rodrigues Gomes foram Genoveva Maria de Jesus, Marianna Pereira Duarte, José Thomaz de Aquino Cabral, Felisberto Antônio de Souza, Joaquim Dias Netto, Francisco Antônio de Almeida e Gama, Francisco Bernardino Machado, Antônio Joaquim Teixeira, Antônio Rodrigues Gomes e a propriedade limitava-se, ainda, com o Rio Pomba.

Conforme já se viu nesta série, Genoveva Maria de Jesus era proprietária da Fazenda Santana do Pomba, cuja sede ficava no local onde mais tarde foi construída a Estação Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina.

De Mariana Pereira Duarte era a Fazenda Recreio, vizinha dos Aquino Cabral da Fazenda Santa Cruz. Felisberto Antônio de Souza era proprietário de um pequeno sítio de 15 alqueires. Assim como Felisberto, o vizinho Joaquim Dias Neto também não declarou o nome da propriedade de 40 alqueires que levou a registro na mesma época. Francisco Antônio de Almeida Gama era vizinho de Bento Rodrigues Gomes pela propriedade que denominou Circuito, nome também da volta que o Rio Pomba faz pouco antes de atingir Vista Alegre, sendo aí também localizada a propriedade de Francisco Bernardino Machado. Os outros dois vizinhos citados por Bento foram Antônio Joaquim Teixeira, que registrou 200 alqueires no Ribeirão do Bagre e o seu irmão Antônio Rodrigues Gomes.

Na Divisão requerida por Antônio Sabino Damasceno Ferreira aos 07 de dezembro de 1889 para demarcação dos limites de sua fazenda Estrela [4], consta que

“Aos 25 dias de novembro de 1871, nesta fazenda dos Bagres, no alto de um espigão na divisa das fazendas dos Bagres e Fortaleza […] ordenou o Juiz que fosse cravado o marco para começo da divisa entre João Gualberto Damasceno Ferreira e Joaquim Antônio de Oliveira. […]”

Considerando que a Fazenda Fortaleza foi formada por João Gualberto Ferreira Brito, pai de João Gualberto Damasceno Ferreira, e que tal fazenda representou o legado paterno recebido por João Gualberto Damasceno, é possível concluir que a fazenda Cachoeira do Bagre, formada por Bento Rodrigues Gomes, estendia-se desde as proximidades do Rio Pomba, onde divisava com a fazenda Santana dos Miranda, até a altura da Fazenda Fortaleza.

Os filhos

Bento Rodrigues Gomes e Ângela Joaquina de Jesus tiveram os filhos a seguir.

1) João Rodrigues Ferreira cc Messias Esméria de Almeida, filha de Manoel Antônio de Almeida e Rita Esméria de Jesus. Tiveram quinhão da fazenda Feijão Cru do pai de Messias, e foram condôminos e confrontantes da Constança; 2) Mariana Vitoria de Jesus cc Francisco Izidoro Ferreira Brito, filho de Joaquim Ferreira Brito e Joana Maria Macedo; 3) Francisco Rodrigues das Chagas cc Francisca Cândida da Gama. Residiram na fazenda Cachoeira Alta do Bagre, do pai de Francisco, na divisa com terras de Francisco Antônio de Almeida e Gama que pode ter sido familiar de Francisca; 4) Rita Flausina de Jesus cc João Ferreira de Macedo que também pode ser meio irmão da sogra; 5) Maria nasceu entre 1817 e 1822, e faleceu na infância; 6) Joaquim Rodrigues Gomes cc Ana Flausina de Nazareth; 7) Fidelis Rodrigues Gomes cc Mariana Leopoldina de Lacerda, filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda e Mariana Maria de Macedo; 8) Ana Catarina de Jesus cc Evencio José Fabrício da Fonseca, filho de Bernardo José da Fonseca e Ana de Souza da Guarda; 9) Vicente Rodrigues Ferreira cc Luciana Francelina da Anunciação, filha de Antônio Rodrigues Gomes e Rita Esméria de Almeida; 10) Calisto Roiz nasceu entre 1825 e 1827 e faleceu na infância; 11) Theodoro Roiz nasceu entre 1828 e 1833 e também faleceu na infância; e, 12) Bernardo Rodrigues Gomes cc Tereza Maria de Brito e segunda vez com Rita Silvéria de Almeida, filha de João Rodrigues Ferreira Brito e Messias Esméria de Almeida. No segundo casamento residia no Monte Redondo, em terras que teriam sido de Manoel Antônio de Almeida, avô materno de Rita. Talvez a primeira esposa fosse irmã da segunda.

O Trem de História encerra aqui a história conhecida dos dois irmãos pioneiros de Leopoldina que, entretanto, poderão vir a ser citados quando forem abordados seus vizinhos. Na próxima viagem um outro personagem virá. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 422 no jornal Leopoldinense, julho de 2021

Fontes consultadas: 
1 - Inventário de Bento Rodrigues Gomes processo 38404388 COARPE – TJMG. 
2 - Registro de Terras de Leopoldina. Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, termo 59. 
3 - Arquivo Público Mineiro. Carta de Sesmaria de 19 de setembro de 1821, SC 384 p. 107v. 
4 - Divisão amigável da Fazenda Estrela processo 38401585 COARPE-TJMG.

169 – Antônio Rodrigues Gomes

Logomarca Trem de História

Como foi dito na viagem anterior, Antônio Rodrigues Gomes se casou com Rita Esméria de Almeida, filha de Manoel Antônio de Almeida e Rita Esméria de Jesus. Com ela teve pelo menos 12 filhos, sendo 5 nascidos no Curato do Feijão Cru.

Aqui chegando em 1829, Antônio declarou[1] que adquiriu 200 alqueires de terras de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, encarregado de vender as duas sesmarias doadas aos irmãos Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda, tios do vendedor.

Antônio denominou sua propriedade como Águas Vertentes e informou que se localizava no Córrego do Moinho, sendo seus vizinhos José Tomaz de Aquino Cabral (Fazenda Santa Cruz), Mariana Pereira Duarte (Fazenda Recreio), João Gualberto Ferreira Brito (Fazenda Fortaleza), Antônio Joaquim Teixeira e seu irmão Bento Rodrigues Gomes. Além destes vizinhos, ainda se tem o registro de Antônio Carlos da Silva Teles Faião informando que sua propriedade, que se estendia das vertentes até a barra do Ribeirão Recreio, fazia divisa com Antônio Rodrigues Gomes.

Segundo Barroso Junior[2], Antônio Rodrigues Gomes foi o escrivão da doação que Joaquim Ferreira Brito fez para constituir o Patrimônio de São Sebastião do Feijão Cru no dia 01 de junho de 1831.

Antônio faleceu[3] em Leopoldina aos 13 de fevereiro de 1866.

Os filhos

Antônio e Rita Esméria de Almeida tiveram os filhos:

1) Maria Constança de Jesus cc Antônio de Almeida Ramos, filho de Manoel Antônio de Almeida e Rita Esméria de Jesus. O casal viveu na Fazenda Boa Vista, em Tebas, propriedade desmembrada da fazenda Feijão Cru, dos pais do marido; 2) Manoel Rodrigues do Nascimento cc Ana Esméria de Jesus, com quem viveu no distrito de Cataguarino, Cataguases; 3) Francisco Rodrigues Gomes de Almeida cc Maria Umbelina da Anunciação, filha de Bernardo José Gonçalves Montes e Maria Antônia de Jesus. O casal viveu na Fazenda Sossego, de Bernardo José; 4) Luciana Francelina da Anunciação cc Vicente Rodrigues Ferreira, filho de Bento Rodrigues Gomes e Ângela Joaquina de Jesus.O casal é citado como vizinho e/ou condômino nas fazendas Recreio, de Mariana Pereira Duarte e depois João José Dutra; fazenda Santa Cruz, dos Aquino Cabral, sítios Aracaty e Porangaba dos Costa Cruz e Alves Ribeiro. Compraram parte da fazenda Boa Vista, na mesma região onde viviam os pais de ambos; 5) Mariana Esméria da Natividade cc José Joaquim Pereira Garcia e numa segunda união com Antônio Joaquim Teixeira Filho, filho de Antônio Joaquim Teixeira e Lina Rosa da Trindade. Com o segundo marido, viveu na fazenda do pai dele que era vizinha do pai dela; 6) Ignacio Rodrigues Gomes cc Delfina Ignacia de Moraes, filha de Antônio Luiz de Moraes e Rita de Cássia de Almeida. O casal era vizinho das fazendas Recreio e Santa Cruz, de João José Dutra, tendo vivido na fazenda São Manoel da Bocaina onde o pai de Delfina era condômino; 7) Joaquina Eucheria de Jesus cc Josué de Vargas Corrêa, filho de Francisco de Vargas Corrêa e Teresa Maria de Jesus. O casal tinha quinhão na fazenda Santa Cruz, de João José Dutra e doou terreno para o cemitério de Vista Alegre em 1899; 8) Messias Rodrigues Gomes cc Francisco Ferreira Neto, filho de Manoel Ferreira Brito e Maria Josefa da Silva. Foram proprietários da fazenda Laranjeiras, de Recreio, vizinhos das fazendas Santa Clara, Recreio, São Manoel da Bocaina e Boa Vista. Ele foi vereador, presidente do conselho distrital de Recreio e diretor-presidente do Banco de Leopoldina; 9) Venancia Esméria de Jesus cc Francisco de Vargas Corrêa [filho], filho de Francisco de Vargas Corrêa e Teresa Maria de Jesus. Foram vizinhos da fazenda Constança, arrematantes de parte da fazenda Independência e condôminos da fazenda Alto da Serra; 10) Ana Rodrigues Gomes cc José Amâncio de Menezes, filho de Antônio José de Menezes e Joaquina Margarida, casal que adquiriu terras da fazenda Província, em Itapiruçu, Palma; 11) João Rodrigues Gomes cc Messias Ferreira Damasceno, filha de João Damasceno Ferreira e Rita Joaquina de Jesus.O casal era confrontante da fazenda Monte Alegre, tendo vivido na propriedade do pai de Messias, na fazenda Santa Clara; e, 12) Rita Guilhermina de Jesus cc Josué de Vargas Corrêa, filho de Francisco de Vargas Corrêa e Teresa Maria de Jesus.Confrontante das fazendas Recreio e Santa Cruz, com quinhão nesta última.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 421 no jornal Leopoldinense, junho de 2021

Fontes consultadas:


[1] Registro de Terras de Leopoldina. Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, termo 37 
[2] BARROSO JÚNIOR. Leopoldina e seus primórdios. Rio Branco: Gráfica Império, 1943: notas da pag 61 
[3] Inventário de Antônio Rodrigues Gomes processo 38404808 COARPE / TJMG fls 4v img 6.

168 – Antônio e Bento Rodrigues Gomes

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O Trem de História de hoje recorda dois irmãos pioneiros de Leopoldina que se uniram a filhas de dois outros pioneiros bastante conhecidos na cidade. São eles, Antônio Rodrigues Gomes, que se casou com Rita Esméria de Almeida, filha de Manoel Antônio de Almeida casado com Rita Esméria de Jesus e, Bento Rodrigues Gomes, que se uniu a Ângela Joaquina de Jesus, filha de Joaquim Ferreira Brito e Catarina Esméria de Sene.

A história destes dois irmãos começa em outubro de 1774 quando se casaram em Aiuruoca-MG o português João Rodrigues Gomes, natural de Santa Maria das Neves de Pedroso, e Mariana Rosa de Jesus. Ele, filho de João Rodrigues Truze e Ana Gomes. Ela, nascida por volta de 1753 no Termo de São João del Rei, filha de João da Silva de Oliveira e Maria Rosa de Jesus.

O casal João Rodrigues Gomes e Mariana Rosa de Jesus teve, pelo menos, dez filhos. O terceiro deles, Antônio Rodrigues Gomes, foi batizado em Aiuruoca no dia 31 de janeiro de 1779. Outro filho, Bento Rodrigues Gomes, foi batizado aos 17 de outubro de 1790 também em Aiuruoca.

Os dois irmãos acompanharam os sogros na mudança para o Feijão Cru e aqui adquiriram terras nas proximidades do Ribeirão Jacareacanga.

Tanto no inventário de Bento como no de Antônio, verifica-se que as propriedades de ambos diminuíram de extensão entre o momento do registro, em 1856, e da morte deles, 1862 e 1866 respectivamente. O que deve ter ocorrido em função de dotes de filhos e filhas.

Mas para compreender melhor este fato, necessário se faz relembrar comentários baseados na pesquisa realizada em processos de inventário, partilha e divisão de terras no município de Leopoldina entre 1846 e 1911.

De imediato é preciso lembrar que em História Social e Antropologia, usa-se o termo matrilocal para definir a prática social em que o casal reside perto dos pais da esposa.

Historicamente isto deu origem ao sistema de clãs em que três ou quatro gerações vivem no mesmo lugar. No caso das famílias leopoldinenses do século XIX, observou-se que a matrilocalidade foi praticada especialmente quando a família da noiva detinha maior poder econômico do que a do noivo.

Importante também destacar que no período colonial os filhos adultos solteiros não se tornavam automaticamente emancipados ao atingir os 25 anos, idade limite para a maioridade. Era preciso requerer judicialmente a emancipação. Já no século XIX a maioridade se tornou automática[1], mas quando se tratava de tomar posse dos bens herdados dos genitores, o interessado precisava apresentar prova de idade obtida junto ao pároco da igreja na qual tinha sido batizado. Sendo assim, enquanto os genitores viviam, os filhos de qualquer idade permaneciam morando com os pais por não deterem meios de subsistência, já que habitualmente trabalhavam para a “empresa familiar”, como era entendida a propriedade rural. Conforme destacou Nazzari[2], segundo o Livro III das Ordenações Filipinas, “os pais deviam conservar e aumentar seu patrimônio em benefício de seus herdeiros”.

Depois da Independência, a constituição do patrimônio familiar sofreu significativa mudança. Nos séculos anteriores, a terra não era mercadoria avaliada em termos monetários, já que não era comprada, mas recebida em doação e sua transferência só era permitida com autorização da Coroa ou de seus prepostos. Com o fim da concessão de sesmarias e mais tarde com a aprovação da Lei nº 601 de 18 de setembro de 1850, conhecida como Lei de Terras, passou a ser legalmente permitida a compra e não só de terras públicas. Esta transformação da terra em mercadoria pode ser observada nos inventários. Enquanto no período colonial destacavam-se bens como joias, roupas, artefatos de metal e benfeitorias, no século XIX o valor primordial passou a ser a terra. A diminuição da quantidade deste bem, no caso dos irmãos Rodrigues Gomes, pode ser compreendia através de informações sobre os filhos deles.

Mas isto já será carga para nova viagem Trem de História que virá com a próxima edição do Jornal. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 420 no jornal Leopoldinense, maio de 2021

Fontes Consultadas:


[1] SIDOU, J. M. Othon. O Ingresso na maioridade (à luz do Código Civil e do direito Comparado) In: Revista da Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Rio de Janeiro: Imprenta, Academia Brasileira de Letras Jurídicas, 1985.v. 20, n. 26, p. 125–131, jul./dez., 2004. p. 126 [2] NAZZARI, Muriel. O Desaparecimento do Dote. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. p.147

167 – Fazendas Thezouro e Cachoeira da Boa Vista

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Percorrer os caminhos traçados pelos primeiros entrantes no território do atual município de Leopoldina tem sido o combustível e a razão de muitas viagens do Trem de História. Hoje, com estes mesmos ingredientes, ele visita a Fazenda Thezouro e a sua filha, a Fazenda Cachoeira da Boa Vista.

É bom lembrar, de início, que numa região montanhosa como este leste mineiro é natural que a maioria dos rios e ribeirões contem com quedas d’água ou cachoeiras que, por via de consequência, acabaram entrando na composição do nome de diversas fazendas. Fato que às vezes confunde um pouco a pesquisa em documentos da época, pela repetição do nome em vários pontos do município.

FAZENDA THEZOURO

A fazenda Thezouro foi formada no início do povoamento do Feijão Cru por Luciana Esméria de Almeida, filha de Manoel Antonio de Almeida e seu marido Joaquim Cesário de Almeida, que vinha a ser sobrinho materno do mesmo Manoel Antonio. Joaquim Cesário faleceu[1] aos 18 de março de 1855 e a propriedade passou a ser administrada por sua esposa que a registrou[2] em 1856 pelo tamanho de uma sesmaria, ou seja, mais ou menos 225 alqueires.

Divisava com Bernardo José Gonçalves Montes, José Ferreira Brito e Francisco José de Freitas Lima que mais tarde se tornaram sogros de filhos do casal Luciana-Joaquim Cesário. Eram também vizinhos da Fazenda do Tesouro: Manoel José Monteiro de Castro (1º Barão de Leopoldina) e Antonio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho.

No processo[3] de Derrota[4], em 1868, consta que a Fazenda Thezouro divisava com “um corrigo chamado da Independencia”; com Domiciano Antonio Monteiro de Castro; com os vizinhos originais, Bernardo José Gonçalves Montes (que veio a ser sogro de João Basílio de Almeida), José Ferreira Brito e Francisco José de Freitas Lima. Divisava, ainda, com Prudente Vital de Oliveira que havia comprado 8.512 braças quadradas de Domiciano Antonio Monteiro de Castro, conforme escritura transcrita no processo de Derrota; e com o filho do casal João Basílio e seus cunhados Antonio Venancio de Almeida e Antonio Augusto de Almeida.

Nessa ocasião, Francisco José de Freitas Lima já havia comprado a legítima de Ignacio Ferreira Brito, que era genro do casal formador da fazenda. E o 1º Barão da Leopoldina havia comprado a legítima da esposa de Francisco Gonçalves Neto, que era filha do casal formador da fazenda.

Luciana Esméria de Almeida faleceu[5] dia 1 de agosto de 1864 e foi sucedida na administração dos bens do casal pelo filho mais velho, João Basílio de Almeida.

FAZENDA CACHOEIRA DA BOA VISTA

A história da fazenda Cachoeira da Boa Vista começa alguns anos antes de 30 de outubro de 1868, quando o piloto agrimensor Carlos Pereira de Souza apresentou o Memorial da Derrota[6] da “Fazenda Thezouro”. E, em linha gerais, a partir dos documentos a que se teve acesso, pode ser contada assim.

Algum tempo depois do falecimento de Luciana a fazenda Thezouro foi dividida. Na época, os condôminos eram João Basílio de Almeida e Antonio Augusto de Almeida que eram herdeiros da Tesouro; Antonio Venâncio de Almeida, João Ferreira de Almeida e Antonio de Freitas Lima (genros dos formadores da Tesouro), Francisco José de Freitas Lima (sogro de uma filha dos formadores da Tesouro) e o 1º Barão da Leopoldina, que havia comprado uma parte da fazenda.

A partir daí uma parte da Thezouro recebeu o nome de Fazenda da Cachoeira da Boa Vista e como tal funcionou por aproximadamente duas décadas.

Vinte anos depois, em 1884, Antonio José de Siqueira, um dos condôminos, requereu a divisão[7] da Fazenda Cachoeira da Boa Vista. Nessa ocasião eram condôminos: Antonio José de Freitas Lima; Bernardo Rodrigues Gomes e sua mulher Augusta Leopoldina de Rezende Montes; Manoel José de Siqueira Araújo e sua mulher Maria Virgilina de Almeida Siqueira, residentes na Corte; Romualdo Rodolfo Rodrigues Montes e sua mulher Blandina Leopoldina de Almeida; Antonio Pedro de Almeida; Joaquim Martins de Almeida; Filomena Ludovina de Almeida, filha do finado João Basílio de Almeida; Elisa de Almeida com seu tutor Bernardo Rodrigues Gomes; Dorcelina, Luciano e Eurico filhos de João Basilio de Almeida.

A Fazenda Cachoeira da Boa Vista divisava com as terras de: João Baptista Guimarães e sua mulher; Emidio Manoel Victorio da Costa; João Ferreira de Almeida e sua mulher Maria Cesaria de Almeida; Lucas e João, filhos de João Ferreira de Almeida; Antonio Augusto de Almeida e sua mulher Virginia Pereira Werneck; Antonio Venancio de Almeida e sua mulher Rita Virginia de Almeida; Antonio José de Freitas Lima e sua mulher Honorina Antonia de Almeida; José Antonio de Moraes e sua mulher; Francisco de Souza Guerra e sua mulher; José Luiz Machado e sua mulher; José de Moraes Lima e sua mulher Mariana Augusta de Almeida; Francisco de Moraes Lima e sua mulher; Miguel de Faria Coutinho e sua mulher Felicidade Perpétua de Freitas; Ana Eufrosina de Freitas Lima; Francisco José de Freitas Lima e sua mulher Francisca Margarida.

Em 04.07.1883 Augusta Leopoldina Rezende de Almeida vendeu[8] a Antonio José de Siqueira sua meação na Fazenda da Cachoeira da Boa Vista, que fazia divisa com herdeiros de Francisco José de Freitas Lima, com João Batista Guimarães, João Ferreira de Almeida, Antonio Augusto de Almeida, Antonio Venancio de Almeida e Emidio Manoel Victorio da Costa, num total de 137 hectares e 94 ares. E em 24.09.1883 nova escritura ratifica os termos da anterior registrando que a meação de Augusta Leopoldina Rezende de Almeida foi dada em pagamento a Antonio José de Siqueira.

Augusta Leopoldina Rezende de Almeida, viúva de João Basilio de Almeida, casou-se a segunda vez com Bernardo Rodrigues Gomes que passou, então, a ser condômino da fazenda.

Registre-se que o processo ora analisado menciona o ribeirão São Lourenço em algumas passagens e, comparando-se com outras informações do mesmo processo, conclui-se que a fazenda se localizava em território que pertenceu ao distrito de Conceição da Boa Vista sendo desmembrado para a formação do distrito de Abaíba, criado em 1890.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Mas fique certo o eventual leitor que na próxima edição do Jornal um pouco mais da história da cidade ocupará este espaço. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 419 no jornal Leopoldinense, abril de 2021

Fontes consultadas:


[1] Cartório de Notas de Leopoldina, MG - 1º Ofício, Maço 20
[2] Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nr 40
[3] Processo COARPE – TJMG 38405817. Divisão da Fazenda Cachoeira da Boa Vista.
[4] Derrota era o termo usado para denominar o processo de medição de uma propriedade rural.
[5] Cartório de Notas de Leopoldina, MG - 2º Ofício, Maço 64.
[6] Processo COARPE/TJMG 38405817. Divisão da Fazenda Cachoeira da Boa Vista.
[7] Idem
[8] Idem

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