142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

A viagem de hoje do Trem de História segue com outras mudanças de proprietários da Fazenda Constança. E lembra que foi através de notícia do jornal A União[1], de 1888, que se teve conhecimento da presença de imigrantes naquela propriedade, com a nota informando que o “Governo autorizou Gervásio Antonio Monteiro de Castro a contratar imigrantes para sua fazenda Constança com passagens por conta do governo imperial”.

Outra informação sobre a presença de Gervásio na Fazenda é a descrição de Luiz Rousseau[2] sobre uma visita que teria empreendido à Fazenda. Conta ele que depois de passar pelo Sobradinho, “andamos uma légua, e depois de passar por dentro de córregos e bambuais, matas virgens com pássaros grandes e pequenos, chegamos à Fazenda da Constança, mas antes passando por baixo das senzalas que atravessavam a estrada. […] A Fazenda da Constança pertencia ao Gervazinho”. Parece que Rosseau se baseou em memória familiar para citar o proprietário da fazenda, já que Gervásio vendeu a Constança para Gustavo de Almeida Gama quando o menino Luiz Rosseau contava cerca de 3 anos de idade.

Por uma escritura[3] do cartório de Notas do Tabelião Castro, da capital da República, lavrada em 30 de dezembro de 1895, sobre a transferência da fazenda de Gustavo de Almeida Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, sabe-se que o valor da transação foi de 200 contos de reis e que o pagamento dessa importância foi feito através da liquidação de hipoteca de Gervásio Antonio Monteiro de Castro junto ao “Banco Hypothecario do Brazil cessionario do Banco da Republica do Brasil e este do Banco dos Estados Unidos do Brazil, do qual foi aceita a hypoteca por escritura de 16 de julho de 1890”.

Interessante observar que nessa escritura, além da regular transferência da propriedade da fazenda que passou de Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França da Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, consta uma averbação de esclarecimento sobre a hipoteca existente e sobre a reclamação pendente, ora por meios amigáveis, que tem os transmitentes contra o síndico da massa falida do Conde de Leopoldina[4] e atinente à compra de café feita simultaneamente com a fazenda Constança. Diz essa averbação que “os cafés colhidos que existem atualmente na referida fazenda que por comum acordo não são compreendidos no contrato por saberem os vendedores o seu direito à liquidação da colheita deste ano, ficando a cargo exclusivo dos mesmos transmitentes a solução de quaisquer dúvidas ou reclamações de colonos, oriundos de fatos anteriores ao presente contrato”.

Por estas informações, como se pode supor, no final dos anos de 1880 a Fazenda Constança talvez tenha passado por um período um pouco conturbado financeiramente.

Mas independente das dificuldades por que passavam os proprietários, o poder público se preocupava com a região onde ela estava. Em 1895 o jornal O Leopoldinense[5] registrou que “O Sr. Francisco Gonçalves Andrade, por contracto lavrado com a Camara Municipal em data de ante-hontem, encarregou-se da empreitada da estrada de Thebas, na secção de Thebas à Fazenda Constança, na extensão de 6 kilometros pela quantia de 18 contos de réis”.

Informação relevante, também obtida no Extrato de Confrontações da Fazenda Constança em 1895, na folha 3, é a existência de casas espalhadas pela lavoura, todas cobertas de telha, algumas assoalhadas e uma caiada (esta em Santa Cruz), a saber: no sítio do Buraco Fundo, uma; no cafezal de Santa Cruz, duas; na várzea entre o pasto e Santa Cruz, seis; na divisa do Vargas, duas; na fralda da Serra do Paraíso, dez; na estrada do Paraíso, duas; na divisa do Vargas a Paraíso, uma; na estrada em frente ao Marrière, uma; no cafezal da Conceição, três, no cafezal do Fernando, uma; no cafezal de S. Joaquim, quatro; no cafezal de Sto Antonio, uma; na várzea entre Santo Antonio e pasto, três; no cafezal do Marrière, uma e uma no Alto do mesmo Marrière. Muitas destas casas podem ser as que mais tarde foram ocupadas por colonos, conforme indica o relatório da Colônia Agrícola da Constança ao informar que alguns lotes já contavam com casa de morada.

Sobre estas moradias o Trem de História promete retornar em texto futuro. Quanto à viagem pela história da Fazenda Constança, os fatos continuaram acontecendo e merecem ser resgatados. Novos textos e *** o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, que acontecerá em 17 de maio de 2020, *** serão boas oportunidades para isto. Mas neste ponto da narrativa de hoje uma nova parada se impõe. Na próxima edição do Jornal a viagem continuará, com toda a certeza. Aguardem.

***

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 

Fontes de Referência:

[1] Jornal A União, Ouro Preto (MG), 07.04.1888, ed. 160, p. 2 coluna 4.

[2] BOTELHO, Luiz Rousseau. Alto Sereno. Além Paraíba: Editora Vega, 1975. P. 59.

[3] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781, 1895

[4] Não se tem conhecimento da existência deste título nobiliárquico em Leopoldina. Parece que seria uma referência ao pai de Gervásio, que não teve título nobiliárquico algum e cujo inventário estava em andamento na época.

[5] Jornal O Leopoldinense, Leopoldina (MG), 28.08.1895, p.1, col.5.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 395 no jornal Leopoldinense de 30 de dezembro de 2019

Outubro de 1916

Há 100 anos, nasceram em Leopoldina:

2 out 1916

Porcina  filha de Mário Alcântara e de Carolina de Jesus, e

Maria  filha de José Vitorino de Almeida e de Leonor Pereira de Oliveira

3 out 1916

Sebastião  filho de Herculano Rodrigues de Moraes e de Adalgisa da Gama Tavares

8 out 1916

Maria de Lourdes Rodriguez  filha de Rafael Rodrigues Y Rodriguez e de Maria Gottardo

13 out 1916

Duditalino  filho de Pedro de Oliveira Barbosa e de Maria Monteiro de Castro

24 out 1916

Nair Rodrigues Barbosa  filha de Feliciano José Barbosa e de Nelsina Augusto Rodrigues

26 out 1916

Odilon  filho de Sancio Maiello e de Adalgisa Marques Carneiro

28 out 1916

Ursolina  filha de Alfredo Carlos de Souza e de Maria Ferreira de Lacerda

31 out 1916

Nair  filha de Custodio de Vargas Coimbra e de Maria das Dores Fontes

Joaquim Cesário de Almeida

Há 160 anos, no dia 18 de março de 1855, faleceu um dos povoadores de Leopoldina: Joaquim Cesário de Almeida, filho de Inácio José do Bem e de Antônia Maria de Almeida, casado com sua prima Luciana Esméria de Almeida.

Joaquim Cesário era neto paterno de Manoel José de Bem e de Tereza Maria de Jesus e neto materno de Antônio de Almeida Ramos e Maria de Oliveira Pedroza. Sua esposa era filha de Manoel Antônio de Almeida e Rita Esméria de Jesus, sendo neta paterna de Antônio de Almeida Ramos e Maria de Oliveira Pedroza e neta materna de Bernardo da Costa Mendonça e Maria Tereza de Jesus.

Filhos de Joaquim e Luciana:

João Basílio de Almeida
Izahias de Almeida
Maria Cezária de Almeida
Mariana Ozoria de Almeida
Antonio Augusto de Almeida
Honorina Antonia de Almeida
Joaquina Eucheria de Almeida
Rita Virgínia de Almeida

O casal havia formado a Fazenda Tesouro do Feijão Cru cujos vizinhos, em 1856, eram Bernardo Jose Gonçalves Montes , José Ferreira Brito, Francisco José de Freitas Lima, Manoel José Monteiro de Castro e Antonio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho.

Instalação da Villa Leopoldina

Há 160 anos a então Vila Leopoldina foi solenemente instalada no dia 20 de janeiro de 1855, data religiosa que homenageia São Sebastião, padroeiro do município.

No primeiro Livro de Atas da Câmara Municipal temos o

~ Auto da installação da Villa Leopoldina ~

Aos vinte dias do mez de Janeiro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cincoenta e cinco, trigesimo quarto da Independencia e do Imperio, na sala destinada para as Sessões da Camara Municipal da Villa Leopoldina, creada pela Lei Provincial numero seiscentos e sessenta e seis, de vinte e sete de Abril do anno proximo passado, achando-se o Doutor Domiciano Matheus Monteiro de Castro, vereador, servindo de Presidente da Camara Municipal da Villa do Mar d’Hespanha, comigo Secretario da mesma Camara, e reunidos os vereadores eleitos, o Capitão Manoel José Monteiro de Castro, Doutor José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Francisco José de Freitas Lima, Major João Vidal Leite Ribeiro, Capitão João Gualberto Ferreira Britto, e José Vieira de Resende e Silva, o mesmo Presidente, em cumprimento do Decreto de treze de Novembro de mil oitocentos e trinta e dous, e da Portaria do Excellentissimo Presidente da Provincia de vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e cincoenta e quatro, deferio-lhes juramento, e deo posse, não tendo comparecido o Vereador eleito Custodio Teixeira Leite, ficando assim installada a referida Villa Leopoldina. Para constar mandou o mesmo Presidente lavrar este Auto, em que se assigna com os mencionados Vereadores empossados. Eu José de Souza Lima, Secretario, o escrevi.

Divisas de Santa Isabel

Na seqüência de nossos estudos sobre os primeiros moradores de Recreio, foi necessário definir quais daqueles pioneiros viviam em território que permaneceu em Conceição da Boa Vista depois das divisões de 1890. O método utilizado foi o da exclusão, ou seja, procuramos identificar os moradores dos novos distritos criados e os excluímos do grupo sobre o qual direcionamos nossas pesquisas.

No caso de Santa Isabel, no decretonº 241 de 21 de novembro de 1890, parágrafo 2º, as divisas informam os nomes dos proprietários cujas terras passariam a pertencer ao novo distrito. Eram eles:

Antonio Augustode Almeida,

Antonio de Almeida Freitas Lima,

Antonio Lourenço Peixoto,

Antonio Rodrigues Montes,

Antonio Theodoro de Almeida Montes,

Domiciano Matheus Monteiro de Castro,

Domingos Marques de Oliveira,

Francisco Alves de Souza Guerra,

Francisco Antonio Reiff,

Francisco Ribeirode Rezende,

Gabriel de Andrade Junqueira,

João Ignacio deMoraes,

José Antonio de Moraes,

JoséBatistaGuimarães,

José Cesario de Castro Monteiro de Barros,

José Coelho de Andrade,

José Coelho dos Santos Monteiro,

José Ferreira Britto,

Marcos Monteiro de Rezende,

Maria da Gloria,

Martiniano Coelho dos Santos Monteiro,

Miguel de Faria Coutinho,

Quirino de Rezende Montes,

Quirino Ribeiro Monteiro de Rezende,

Romualdo José Monteiro de Rezende,

Sebastião Mendes do Valle,

Valeriano Coelho dos Santos Monteiro,

Victorio daCosta.

Baseando-se somente nesta fonte, alguns pesquisadores foram levados a enganos de natureza variada. Em primeiro lugar, o livro de atas do Conselho Distrital de Santa Isabel traz muitos outros nomes de proprietários naquele e em outros distritos. Outro problema refere-se à formação dos nomes que, conforme já informamos em outro post, não era sempre a mesma. De tal sorte que alguns dos nomes acima não correspondem à forma utilizada em outros documentos, gerando não poucas confusões entre homônimos.

Para não nos estendermos em demasia, citamos apenas dois enganos cometidos por alguns intérpretes.

O proprietário citado como Quirino de Rezende Montes era filho de Bernardo José Gonçalves Montes, pioneiro de Leopoldina, formador da Fazenda Sossego, no local hoje conhecido por São Lourenço. Em 1899 Quirino continuava residindo em sua Fazenda Vai e Volta em São Lourenço, terras que foram desmembradas da propriedade de seu pai. Portanto, não há sustentação para a hipótese de Quirino de Rezende Montes ter sido o Barão de Avelar Rezende.

Já o proprietário listado como Quirino Ribeiro Monteiro de Rezende era filho de Antônio José Monteiro de Rezende. Aparece em alguns documentos como Querino Desidério Monteiro de Rezende, nascido por volta de 1863 e que em 1890 era lavrador, residente em Santa Isabel. Ou seja, não há justificativa para a informação de que este personagem era o pai do Barão de Avelar Rezende.

Por oportuno, esclarecemos que o citado Barão era filho de Querino Ribeiro de Avelar Rezende, sendo neto paterno de João Ribeiro de Avelar. Segundo transações imobiliárias registradas no Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista, o Barão e seu pai residiram na Fazenda Saudade, em território que permaneceu no distrito de Conceição da Boa Vista depois da divisão territorial. A confirmar esta interpretação, informe-se que as atas do Conselho Distrital de Santa Isabel não incluem o Barão de Avelar Rezende nem seu pai como proprietários de terras em seus quarteirões, nem tampouco eles aparecem entre os eleitores daquele distrito.

Uma hipótese: a Fazenda Saudade estaria localizada em território desmembrado de Conceição da Boa Vista em 1883, para constituir o distrito de Itapiruçu. Este distrito foi criado em território de Conceição da Boa Vista e pertenceu a Leopoldina até 1891, quando foi incorporado ao município de Capivara, hoje Palma. Esta hipótese sustentaria a informação, presente em algumas publicações, de que o Barão foi proprietário em Palma. Permanecemos, porém, em dúvida quanto à localização da Fazenda Saudade. Isto porque, se assim o fosse, transações imobiliárias dos herdeiros não poderiam ter sido registradas em outro distrito depois de 1883.

Leopoldinenses nascidos em março de 1912

NASCIMENTO
PAI
MÃE
Dolores
3 Março
Ricardo dos Reis Coutinho
Maria Cândida
Edson de Freitas Ramos
3 Março
José Carlos de Oliveira Ramos
Geraldina de Freitas
Auta
6 Março
Jesuino de Barros
Maria Antonia Pagano
Felisbina Marinato
6 Março
Riccardo Antonio Marinato
Oliva Palmira Carraro
José
10 Março
José Joaquim Monteiro de Castro
Joaquina Monteiro Jorge
Italia Precisvale
12 Março
Quitilio Precisvale
Luiza Piatonzi
Americo
18 Março
Américo de Castro Lacerda
Nair da Gama
Januaria
23 Março
Luiz Henrique Delfim e Silva
Marfisa Nogueira
Victorino Boller
25 Março
Giovanni Boller
Maria Boller
Deolinda
29 Março
Antonio José Gonçalves
Castorina Cristina Nobre

Autoridades em Providência

Autoridades distritais do século XIX, conforme constante nos códices 32 e 146 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina.

PROVIDÊNCIA, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina.
Afonso José de Carvalho

 

Escrivão de Paz 25.03.1891
Affonso José de Carvalho
Carlos Furquim Mendes 2º Juiz de Paz 23.01.1892
Galdino Manoel Monteiro de Castro 1º Juiz de Paz 06.09.1890
José Antonio Monteiro da Silva 3º Juiz de Paz 23.01.1892