143 – A Fazenda Constança do final do século XIX

O Trem de História traz hoje um retrato da Constança no meado dos anos de 1890. E começa registrando que, em 1896, 9,75 hectares da Fazenda[1] foram vendidos por Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França para Octaviano Nicomedes Barbosa. Tal propriedade fazia divisa por seus diversos lados com os herdeiros de Manoel Rodrigues da Silva; com João Baptista de Almeida; João Fonseca ou Francisco Guimarães; e, com a Fazenda do Feijão Cru. Formando uma área distinta, mas incorporada à Constança, também estavam 10 alqueires de terras desmembradas do Sítio Pury, parte esta que tinha como confrontantes: a fazenda do Coronel José Joaquim (Fazenda Boa Sorte); a fazenda Constança; Antonio Bernardino Machado; Domiciano Ferreira Monteiro de Castro (ou, Domiciano Ferreira Monteiro de Barros, administrador da Paraíso); herdeiros de Dona Messias (esposa de Custódio de Vargas Corrêa) e outros.

Dentro destes limites estava a casa sede[2] da fazenda, uma construção assobradada, com escada de madeira por fora, tendo na frente 3 janelas e um portão em baixo. Em cima, 8 janelas e uma porta no centro e divisões que formavam 3 salas, 10 quartos e 1 varanda. Esta, com porta e 4 janelas para o quadrado interno.

Em continuação era ligada por uma varanda a uma segunda casa contendo porta e 5 janelas para a frente. Esta segunda casa era dividida em sala e corredor com 4 quartos voltados para uma mesma varanda, uma dispensa e 1 quarto. Seguia outra varanda para o quadrado, que terminava numa cozinha com fogão econômico e em seguida 2 quartos.

No fim da varanda existia uma coberta de telhas (meia água), onde tinha um forno. No quadrado existia uma cocheira para animais e um quarto para empregados.

Existia, ainda, uma casa de sobrado, caiada, assoalhada e coberta de telhas, engenho de café com todo o maquinismo para preparo do mesmo e moinho para fubá, tocado por máquina a vapor. Engenho de serra e outras benfeitorias.

Mais adiante, outra casa com 2 portas e 7 janelas, sendo 1 porta e 2 janelas de morada e 1 porta e 5 janelas de armazém, com armação e balcão para negócio.

Além destas construções, existiam ainda as 44 casas mencionadas na coluna anterior, cujas indicações embasam a conclusão de que mais tarde se tornaram casas dos adquirentes dos lotes da Colônia Agrícola da Constança.

Com tantas casas, empregados, meeiros e mais as dificuldades vividas pelos lavradores da ocasião era natural que alguns desencontros pudessem se tornar mais sérios. Um deles, de 1899, chegou às páginas do jornal Minas Gerais[3] que o registrou na forma seguinte: “Na fazenda Constança deu-se no dia 22 de maio ultimo um grave conflito entre o proprietário da fazenda sr. Octaviano Barbosa e outros de um lado e o meeiro da fazenda Bartholomeu Mello e pessoas de sua família, do outro lado.”

Superando estes e outros contratempos, a Fazenda ainda sobreviveu como tal durante aproximadamente uma década até que o Relatório[4] assinado por Guilherme Prates a 20.03.1910 informou que a Colônia Agrícola da Constança foi “fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e o sitio Puris, que o Estado adquiriu”.

A partir daí, com a implantação da Colônia Agrícola da Constança, cuja administração foi instalada na sede da Fazenda da Boa Sorte, a casa sede da Fazenda Constança se tornou subsede da Colônia e residência do auxiliar do administrador, o sr. João Ventura Gonçalves Neto. Suas terras foram divididas para dar origem a muitos dos lotes vendidos aos colonos que deram início à bela história dos imigrantes que ali se fixaram.

Hoje, fruto do descaso para com a história, a casa sede da Constança, que ficava na margem direita da BR 267, na altura do km 2 desta rodovia, não existe mais. Para marcar o lugar, estão lá algumas palmeiras e os vestígios do que foi uma escola municipal, num terreno que ainda hoje pertence ao poder público.

Com este artigo o Trem de História encerra a série destinada ao resgate do que foi a Fazenda que emprestou seu nome à Colônia Agrícola da Constança e acolheu muitos dos imigrantes italianos que vieram para Leopoldina. Certamente a história não termina aqui. *** E até 17 de maio de 2020, quando acontecerá o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, muita novidade ainda pode surgir. *** Até a próxima!


Fontes de Referência:

[1] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781

[2] idem

[3] Jornal Minas Geraes, Ouro Preto (MG), 07.06.1899, Ed. 146 p. 2, col.3.

[4] Arquivo Público Mineiro. Relatório da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização de Minas Gerais, 1909.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 396 no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2020

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

A viagem de hoje do Trem de História segue com outras mudanças de proprietários da Fazenda Constança. E lembra que foi através de notícia do jornal A União[1], de 1888, que se teve conhecimento da presença de imigrantes naquela propriedade, com a nota informando que o “Governo autorizou Gervásio Antonio Monteiro de Castro a contratar imigrantes para sua fazenda Constança com passagens por conta do governo imperial”.

Outra informação sobre a presença de Gervásio na Fazenda é a descrição de Luiz Rousseau[2] sobre uma visita que teria empreendido à Fazenda. Conta ele que depois de passar pelo Sobradinho, “andamos uma légua, e depois de passar por dentro de córregos e bambuais, matas virgens com pássaros grandes e pequenos, chegamos à Fazenda da Constança, mas antes passando por baixo das senzalas que atravessavam a estrada. […] A Fazenda da Constança pertencia ao Gervazinho”. Parece que Rosseau se baseou em memória familiar para citar o proprietário da fazenda, já que Gervásio vendeu a Constança para Gustavo de Almeida Gama quando o menino Luiz Rosseau contava cerca de 3 anos de idade.

Por uma escritura[3] do cartório de Notas do Tabelião Castro, da capital da República, lavrada em 30 de dezembro de 1895, sobre a transferência da fazenda de Gustavo de Almeida Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, sabe-se que o valor da transação foi de 200 contos de reis e que o pagamento dessa importância foi feito através da liquidação de hipoteca de Gervásio Antonio Monteiro de Castro junto ao “Banco Hypothecario do Brazil cessionario do Banco da Republica do Brasil e este do Banco dos Estados Unidos do Brazil, do qual foi aceita a hypoteca por escritura de 16 de julho de 1890”.

Interessante observar que nessa escritura, além da regular transferência da propriedade da fazenda que passou de Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França da Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, consta uma averbação de esclarecimento sobre a hipoteca existente e sobre a reclamação pendente, ora por meios amigáveis, que tem os transmitentes contra o síndico da massa falida do Conde de Leopoldina[4] e atinente à compra de café feita simultaneamente com a fazenda Constança. Diz essa averbação que “os cafés colhidos que existem atualmente na referida fazenda que por comum acordo não são compreendidos no contrato por saberem os vendedores o seu direito à liquidação da colheita deste ano, ficando a cargo exclusivo dos mesmos transmitentes a solução de quaisquer dúvidas ou reclamações de colonos, oriundos de fatos anteriores ao presente contrato”.

Por estas informações, como se pode supor, no final dos anos de 1880 a Fazenda Constança talvez tenha passado por um período um pouco conturbado financeiramente.

Mas independente das dificuldades por que passavam os proprietários, o poder público se preocupava com a região onde ela estava. Em 1895 o jornal O Leopoldinense[5] registrou que “O Sr. Francisco Gonçalves Andrade, por contracto lavrado com a Camara Municipal em data de ante-hontem, encarregou-se da empreitada da estrada de Thebas, na secção de Thebas à Fazenda Constança, na extensão de 6 kilometros pela quantia de 18 contos de réis”.

Informação relevante, também obtida no Extrato de Confrontações da Fazenda Constança em 1895, na folha 3, é a existência de casas espalhadas pela lavoura, todas cobertas de telha, algumas assoalhadas e uma caiada (esta em Santa Cruz), a saber: no sítio do Buraco Fundo, uma; no cafezal de Santa Cruz, duas; na várzea entre o pasto e Santa Cruz, seis; na divisa do Vargas, duas; na fralda da Serra do Paraíso, dez; na estrada do Paraíso, duas; na divisa do Vargas a Paraíso, uma; na estrada em frente ao Marrière, uma; no cafezal da Conceição, três, no cafezal do Fernando, uma; no cafezal de S. Joaquim, quatro; no cafezal de Sto Antonio, uma; na várzea entre Santo Antonio e pasto, três; no cafezal do Marrière, uma e uma no Alto do mesmo Marrière. Muitas destas casas podem ser as que mais tarde foram ocupadas por colonos, conforme indica o relatório da Colônia Agrícola da Constança ao informar que alguns lotes já contavam com casa de morada.

Sobre estas moradias o Trem de História promete retornar em texto futuro. Quanto à viagem pela história da Fazenda Constança, os fatos continuaram acontecendo e merecem ser resgatados. Novos textos e *** o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, que acontecerá em 17 de maio de 2020, *** serão boas oportunidades para isto. Mas neste ponto da narrativa de hoje uma nova parada se impõe. Na próxima edição do Jornal a viagem continuará, com toda a certeza. Aguardem.

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17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 

Fontes de Referência:

[1] Jornal A União, Ouro Preto (MG), 07.04.1888, ed. 160, p. 2 coluna 4.

[2] BOTELHO, Luiz Rousseau. Alto Sereno. Além Paraíba: Editora Vega, 1975. P. 59.

[3] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781, 1895

[4] Não se tem conhecimento da existência deste título nobiliárquico em Leopoldina. Parece que seria uma referência ao pai de Gervásio, que não teve título nobiliárquico algum e cujo inventário estava em andamento na época.

[5] Jornal O Leopoldinense, Leopoldina (MG), 28.08.1895, p.1, col.5.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 395 no jornal Leopoldinense de 30 de dezembro de 2019

86 – Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda: descendentes do segundo casamento – Parte II

Para encerrar a família de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, o Trem de História se ocupa hoje dos quatro filhos restantes.

f) HELIODORA PINHEIRO CORRÊA DE LACERDA nasceu a 07.01.1858 em Leopoldina. Algumas publicações informam erradamente que Heliodora seria filha de Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, irmão de seu pai que faleceu cerca de dezesseis anos antes do nascimento da sobrinha. Pesquisa no livro de batismo, no entanto, deixa clara a paternidade de Heliodora, ao informar que era filha do casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com Maria de Nazareth Pereira.

Heliodora se casou com Felix Martins Ferreira, que dá nome à praça principal de Leopoldina, filho de Joaquim Martins Ferreira e Maria Esméria de Carvalho Leite, nascido por volta de 1852 em Providência, Leopoldina e falecido em data próxima a fevereiro 1901, em Conselheiro Lafaiete (MG). Félix Martins foi proprietário da fazenda Araribá, na divisa de Leopoldina com Angustura, delegado de polícia, vereador na cidade e acionista do Banco de Leopoldina. Eles tiveram seis filhos: Rafael Felix, Jorge Martins, Maria Magdalena Martins, Georgina Martins, Joaquim Martins e Lafayette Martins.

Sobre esta família o Trem de História trouxe informações quando, em sete artigos publicados no Leopoldinense entre dezembro de 2016 e março de 2017, falou sobre o escritor modernista leopoldinense, Francisco MARTINS DE ALMEIDA, um dos netos de Heliodora e Félix Martins.

g) SOFIA CÂNDIDA DE LACERDA nasceu a 09.05.1860 em Leopoldina. Casou-se com João Caetano Almeida Gama, filho de Joaquim Antonio de Almeida e Gama e Maria Josefina Cândida de Jesus. Eles tiveram oito filhos: Américo de Lacerda Gama (1877); Otávio (1878); Adalgisa (1880); Raul (1883 – 1903); Vasco da Gama (1884 – 1885); Maria (1886 – 1887); Vasco (1888); João (1889 – 1891). Esta família foi abordada em artigo do Trem de História publicado em 16 de junho de 2016.

h) LUIZ ANTONIO CORRÊA DE LACERDA nasceu a 12.04.1863 em Leopoldina, onde era eleitor em 1892 e fundou o Centro Espírita Beneficiente em 1904. Assim como seus irmãos, Luiz Antonio também estudou no Colégio Caraça. Foi professor de português e latim do Ginásio Leopoldinense. Em 1886 foi citado entre os proprietários rurais e de escravos em Leopoldina. Casou-se com Isabel Maria de Lacerda Werneck, filha de Luiz Boaventura Peixoto de Lacerda Werneck e Isabel Augusta de Lacerda Werneck, sendo neta paterna do Barão do Pati de Alferes Francisco Peixoto de Lacerda Werneck. Isabel nasceu na Suíça, na época em que seu pai era Consul Brasileiro naquele país. Luiz Antonio e Isabel tiveram nove filhos nascidos em Leopoldina: Izabel (1885 – 1887); Maria Francisca (1887); Mario Vito (1889); Pedro das Chagas (1891); Paulo (1894); Luis Pio (1897); Romão (1900); Maria Nazareth (1902 – 1909); e, Maria da Glória Werneck (1904 – 1909).

O sétimo filho do casal chamou-se Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda em homenagem ao avô paterno. Casou-se com Maria José de Lacerda Werneck, filha de José Ignacio de Lacerda Werneck e Sophia Selma Güenter. José Ignacio era natural de Pati do Alferes e se casou em Leopoldina em 1893. Em 1896 ele inaugurou “à rua do Tiradentes um novo estabelecimento de fazendas, armarinho roupas feitas e calçados”, conforme noticiou o jornal O Mediador de 6 de setembro daquele ano.

Romão Neto e Maria José tiveram, pelo menos, quatro filhos: Selma Izabel, José Luiz, Maria Aparecida e Paulo Antônio Werneck de Lacerda.

Conclui-se, aqui, o relato sobre filhos e netos de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda que, conforme registrado no texto nr 82 que iniciou esta série, era filho de Ana e Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda. Sua mãe faleceu antes de fevereiro de 1797, quando seu pai se casou pela segunda vez com Ângela Maria do Livramento. Mas Álvaro morreu pouco mais de cinco anos depois e, ao que tudo indica, Ângela ficou como tutora de todos os filhos dele, transferindo-se para o Feijão Cru por volta de 1931, na companhia de Romão.

A próxima viagem do Trem de História abordará esta transferência, cuja origem está no “Registro Civil do Feijão Cru”, em dois documentos emitidos há 200 anos, nos dias 13 e 14 de outubro, a favor de dois tios paternos de Romão: Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda.

Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 340 no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2017

Ana Claudina: 150 anos de nascimento

No dia 28 de agosto de 1867, Ana Claudina de Lacerda nasceu em Leopoldina. Filha de Maria Antonia do Nascimento e de Ezaú de Lacerda Leal, era neta paterna de Lourenço José Leal, e por ele bisneta de Ana e Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda.

Sua avó paterna foi Ana Catarina Ferreira de Lacerda, filha de José Ferreira  Brito e Mariana Paz de Lacerda. Seu bisavô José era filho de Manoel Ferreira Brito e Maria Teresa de Jesus. Já a bisavó Mariana era filha de Antonio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda que, por sua vez, eram pais de Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda acima citado.

Ana Claudina casou-se com José Augusto de Almeida Gama, com quem teve os filhos Teofilo Augusto, Hipólito, José Augusto, Carlos e Virginia Eulalia da Gama.

Sesquicentenário de Nascimento

No dia 30 de junho de 1867 nasceu, em Leopoldina, Adelaide da Gama de Castro Lacerda. Ela era neta de dois importantes personagens da história de Leopoldina.

Por um lado, Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda e Ana Severina de Oliveira Castro tiveram o único filho Américo Antonio de Castro Lacerda, pai de Adelaide. Romão foi um dos primeiros moradores do Feijão Cru, formou a Fazenda Memória, foi vereador e atuou pelo desenvolvimento de Leopoldina até sua morte em 1872. Romão teve seus restos mortais trasladados para o novo Cemitério criado em 1888.

Pelo lado materno, Adelaide era neta de Joaquim Antonio de Almeida Gama, o primeiro historiador de Leopoldina. Sua mãe foi Filomena Josefina Candida da Gama, a segunda filha de Joaquim Antonio.

Adelaide casou-se em Leopoldina, no dia 29 de julho de 1888, com Americo Moretzshon Monteiro de Oliveira Castro, neto paterno de um irmão da avó paterna de Adelaide.

Localizamos seis filhos do casal Adelaide-Américo: Maria (1890), Américo (1893), Dinah (1894), Hugo (1895), Jurema (1899) e Alberto Moretzshon de Lacerda.

Rosa Cândida e Virgínia Angélica Almeida Gama

Com o texto de número 52, publicado na edição do dia 16 de julho do jornal Leopoldinense, encerramos a série sobre Joaquim Antonio de Almeida Gama, iniciada em abril deste ano.

Estas duas últimas filhas do primeiro historiador de Leopoldina reforçaram diversas ligações com outras famílias locais, especialmente com os Castro, os Moreira, os Gama Cerqueira, os Lacerda e os Salgado Lima. Estes últimos permanecem representados na cidade em diversos âmbitos, especialmente nas denominações do Conservatório de Música e do Terminal Rodoviário.

Os textos seguintes trarão informações sobre outro historiador da cidade: Barroso Júnior.

53 – Barroso Júnior: o Cidadão

O Trem de História vez por outra circula, desde o início da sua viagem, por ramais diversos. Percorreu a Imprensa Leopoldinense do fim do século XX. Numa linha diferente, passou pelo Centenário do poeta Augusto dos Anjos e por lá encontrou o professor Júlio Caboclo.

Trouxe para os dias atuais a vida dos Expedicionários Leopoldinenses, numa justa homenagem pelos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Em seguida retornou ao assunto inicial para fechar aquele ciclo de pesquisa sobre os periódicos de 1879 a 1899.

Partiu, então, em busca de outros personagens que fizeram a história da cidade, alguns deles verdadeiros “ilustres desconhecidos”, relegados ao esquecimento muitas das vezes por questões políticas ou, por terem sido vítimas de imaginária “chave de desvio de trilhos” que os obrigou a percorrer caminho distante dos holofotes das suas épocas.

Por vezes pessoas simples, mas que deixaram marcas e contribuições que os tornaram merecedores de destaque na sociedade ou, proles avantajadas que se multiplicaram em progressão e se entrelaçaram com outros núcleos familiares para formar o povo leopoldinense.

É por esta linha que o Trem de História transitou nos últimos seis artigos falando do primeiro historiador da cidade, Joaquim Antonio de Almeida Gama, e segue agora com Barroso Júnior, o autor que possibilitou a descoberta do nome de Joaquim Antonio.

Barroso Júnior, o cidadão

João Barroso Pereira Junior, o Barrosinho, segundo Mário de Freitas(1) ou, Barroso Júnior como assinava suas obras, nasceu no dia 05.02.1903, em Queluz, SP(2). Era filho do português, João Barrozo Pereira e de Carolina Barrozo Pereira, natural de Vassouras, RJ(3).  Neto paterno de Antonio Barrozo Pereira e Maria Affonso Pereira e, materno, de Joaquim José Teixeira Filho e Ephigênia Bernarda Teixeira, conforme sua certidão de nascimento. Segundo consta, teria estudado em Lavrinhas, então município de Lorena, SP. Alistou-se em 1924 no município de Queluz, SP(4).

No ano seguinte ele já apareceu em Leopoldina como um dos sócios fundadores do Grêmio Lítero-Artístico Augusto dos Anjos, fundado (5) em 25.06.1925, ocupando os cargos de 2º Orador e 2º Secretário.

Barroso Júnior era professor. Durante bom tempo foi funcionário público e por um curto período, empresário, proprietário de um colégio em Visconde do Rio Branco, MG. Sobre esta empreitada José Barroso Junqueira(6), acadêmico da ALLA e sobrinho de Barroso Junior, conta que trabalhou nesse colégio no começo da década de 40 quando o tio adquiriu o Ginásio Rio Branco que, “na oportunidade, lutava com dificuldades para sobreviver, em se tratando de iniciativa particular”.

O vagão completou a carga de hoje. Na próxima viagem ele trará mais informações sobre Barroso Júnior. Até lá.


Fontes consultadas:

(1) FREITAS, Mário de. Leopoldina do Meu Tempo. Belo Horizonte: Página, 1985. p 244.

(2) Histórico de Cidades pelo IBGE. Disponível em: <http://zip.net/bqs8CM >. Acesso 27 jun. 15

(3) Certidão matrícula 122622 01 55 1903 1 00006 196 0000411 72.

(4) Certificado de reservista nº 926442, de 3ª categoria, 2ª Região Militar, 4ª C. R., São Paulo, 28 dez 1944.

(5) Brasil Progresso. Rio de Janeiro: L.A. Babo Júnior, 1925, set nr 9 pag 3.

(6) Discurso de posse na Academia Leopoldinense de Letras e Artes, em maio de 2009, sobre seu patrono.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 22 de julho de 2016

52 – Rosa Cândida e Virgínia Angélica: filhas de Joaquim Antonio de Almeida Gama

O Trem de História encerra, com este vagão, a série sobre Joaquim Antonio de Almeida Gama, autor da mais antiga matéria, publicada em 1864, com notícias sobre Leopoldina. Fato que motivou os autores da coluna a dedicarem a este primeiro historiador de Leopoldina os seis últimos textos.

Hoje será abordado um pouco da genealogia das duas últimas filhas: Rosa Cândida e Virgínia Angélica, para cujo estudo foram consultados os livros de batismos 1 a 14 e o 4 de casamentos de Leopoldina, os livros 1 a 3 do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, além das edições de 23 de abril de 1899 e 3 de junho de 2009 da Gazeta de Leopoldina.

Rosa Cândida da Gama nasceu dia 11.08.1855 e faleceu dia 01.05.1925. Casou-se com seu primo, João Evangelista de Castro Gama, filho de Caetano José de Almeida Gama e Carlota Teodora Castro, sendo neto paterno de Francisco Antonio de Almeida Gama e Maria Perpétua de Jesus e neto materno de Pedro Moreira de Souza e Feliciana Teodora de Castro.  João Evangelista nasceu por volta de 1851 e faleceu em Leopoldina no dia 11.02.1920. Como já mencionado, Francisco Antonio era irmão de Antonio Francisco, pai de Joaquim Antonio de Almeida Gama.

Rosa Cândida e João Evangelista tiveram, pelo menos, sete filhos:

1) Caetano, nascido dia 31.10.1878 e falecido dia 30.10.1880;

2) Carolina, nascida dia 28.10.1880 e casada em maio de 1899 com Álvaro da Gama Cerqueira, filho de Eduardo Ernesto da Gama Cerqueira e Matilde da Silva Reis, sendo neto paterno de Cesário Augusto da Gama e Emília da Gama Cerqueira. Foram pais de Matilde, nascida dia 25.12.1911, e de Mário da Gama Cerqueira que se casou com Maria da Conceição Gama Lacerda acima citada;

3) Joaquim, nascido em janeiro de 1884 e falecido dia 15.05.1885;

4) Nair da Gama, esposa de Américo de Castro Lacerda acima citado;

5) Rita de Cassia da Gama, nascida aos 30.11.1887 e casada com Lucas de Castro Lacerda, filho de Filomena Josefina Cândida da Gama acima citada;

6) Alcina de Castro Gama, nascida por volta de 1891, casada aos 14.12.1922 com o português Joaquim Teixeira de Carvalho, filho de João Teixeira de Carvalho e de Olinda de Jesus; e,

7) Antonio, nascido aos 07.04.1894.

A outra filha é Virginia Angélica da Gama nasceu dia 16.08.1866 e faleceu dia 23.12.1950. Casou-se no dia 29.07.1888 com Luiz Salgado Lima, nascido aos 24.05.1859 em Pindamonhagaba, SP e falecido dia 25.05.1941. Ele era filho de Francisco Joaquim de Lima e de Francisca de Paula Salgado. Foram encontrados os nascimentos de seis filhos em Leopoldina:

1) Luiz Salgado Gama, nascido no dia 19.04.1889;

2) Clovis, nascido a 14.02.1898 e provavelmente falecido antes de 1906, quando nasceu o irmão que recebeu o mesmo nome;

3) Gilberto Salgado Gama nascido a 19.07.1898 e falecido no dia 19.02.1988;

4) Clóvis Salgado Gama nascido dia 20.01.1906 e falecido em Belo Horizonte no dia 25.06.1978. Casou-se com Lia Portocarrero de Albuquerque, que dá nome ao Conservatório de Música. Clóvis era médico e deixou alguns livros publicados. Sua história de vida é bem conhecida pela atuação política. Segundo o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro Pós 1930, foi eleito vice-governador do estado de Minas Gerais em 1950, junto com Juscelino Kubitschek, a quem substituiu em março de 1955, quando este se lançou candidato à Presidente do país. Em 1956 assumiu o Ministério da Educação e Cultura. Em 1967 assumiu a Secretaria de Saúde de Minas Gerais e em 1973 a direção da Faculdade de Medicina da UFMG. Empresta seu nome a uma avenida e uma praça em Leopoldina;

5) Jairo Salgado Gama nascido dia 26.07.1907 e falecido dia 24.07.1970. Era médico respeitado. Foi prefeito de Leopoldina no final da década de 1950. Empresta seu nome ao Parque do CEFET e ao Terminal Rodoviário da cidade. Casou-se com Rita Miranda, com quem teve quatro filhos;

6) Jório Salgado Gama nascido dia 27.08.1909.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. A promessa, agora, é que no próximo número ele traga uma outra personalidade leopoldinense. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2016

50 – Joaquim Antonio e Maria Josefina Cândida de Jesus

Como ficou dito na edição anterior, hoje o Trem de História traz um pouco sobre os descendentes de Joaquim Antonio de Almeida Gama e Maria Josefina. Para a realização deste estudo, foram utilizados os livros de registro de batismos números 1 a 6 e de casamentos 1 e 2. Os livros de Atas de Alistamento Eleitoral de Leopoldina de 1897, 1898 e 1900 também foram utilizados para confirmar a filiação de alguns personagens aqui citados. Outra fonte importante foram os livros do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, especialmente o mais antigo, de 1880 a 1887, e o seguinte, de 1887 a 1904 e, na ausência de outras fontes, dados foram coletados nas lápides nos túmulos. Alguns personagens desta família foram mencionados em periódicos de Leopoldina, em situações diversas, sendo por isto utilizadas edições do jornal Irradiação (24 julho 1889), O Leopoldinense (31 janeiro 1891) e O Mediador (28 junho 1896).

Joaquim Antonio e Maria Josefina tiveram, pelo menos, os seguintes 13 filhos:

1) Teófilo Antonio de Almeida Gama nascido por volta de 1845 que se casou com Rosa Maria Vitória com quem teve a filha Maria, nascida (1) aos 26.12.1878 em São José das Três Ilhas, Belmiro Braga, MG. Em 1897 foi alistado como eleitor em Leopoldina, declarando ser comerciante;

2) Filomena Josefina Cândida da Gama que nasceu aos 28.12.1847 e faleceu no dia 04.01.1916. Casou-se com Américo Antonio de Castro Lacerda, único filho do casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com a primeira esposa (2), Ana Severina de Oliveira Castro.  Filomena e Américo Antonio tiveram dez filhos nascidos em Leopoldina e sua descendência será objeto do próximo Trem de História;

3) João Caetano de Almeida Gama que nasceu por volta de 1852 e em julho de 1889 era 1º suplente de delegado. Casou-se com Sofia Cândida de Lacerda, filha do segundo casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com Maria de Nazareth Pereira. O casal teve, pelo menos, oito filhos nascidos em Leopoldina: Américo nascido por volta de 1877, Otávio nascido em julho de 1878, Adalgisa nascida em julho de 1880, Raul nascido em abril de 1883 e falecido em novembro de 1903, Vasco nascido em maio de 1884 e falecido em janeiro de 1885, Maria nascida em fevereiro de 1886 e falecida em julho de 1887, outro Vasco nascido em janeiro de 1888 e, João nascido em outubro de 1889 e falecido em janeiro de 1891;

4) Rosa Cândida da Gama que nasceu dia 11.08.1855 e faleceu dia 01.05.1925. Casou-se com seu primo, João Evangelista de Castro Gama, filho de Caetano José de Almeida Gama e Carlota Teodora Castro, sendo neto paterno de Francisco Antonio de Almeida Gama e Maria Perpétua de Jesus e neto materno de Pedro Moreira de Souza e Feliciana Teodora de Castro. Ele nasceu por volta de 1851 e faleceu em Leopoldina no dia 11.02.1920. Como já mencionado Francisco Antonio era irmão de Antonio Francisco, pai de Joaquim Antonio de Almeida Gama. Rosa Cândida e João Evangelista tiveram, pelo menos, os sete filhos, que serão trazidos em vagão à parte, no próximo Jornal;

5) Antonio Francisco nascidono dia 03.04.1857;

6) Maria nascida dia 12.02.1858;

7) Luiza Augusta da Gama que nasceu dia 11.07.1860 e se casou dia 19.02.1881 com Joaquim Thomaz de Aquino Cabral, filho de José Thomaz de Aquino Cabral e Maria Benedita de Almeida. Foram pais de Maira da Conceição nascida dia 08.12.1882 e de Castellar, nascido dia 09.08.1886;

8) Carlota nascida no dia 14 de março de 1863;

9) Virginia Angélica da Gama que nasceu dia 16.08.1866 e faleceu dia 23.12.1950. Casou-se no dia 29.07.1888 com Luiz Salgado Lima, nascido aos 24.05.1859 em Pindamonhagaba, SP e falecido dia 25.05.1941. Ele era filho de Francisco Joaquim de Lima e de Francisca de Paula Salgado. Foram encontrados os nascimentos de seis filhos em Leopoldina. Deste casal se ocupará artigo futuro;

10) José Joaquim Cabral da Gama que nasceu em março de 1868. Foi matriculado sob nº 1631 no Colégio do Caraça (3) no dia 13 de março de 1885. Em 1900 foi alistado como eleitor em Leopoldina;

11) Elisa nascida no dia 16 de outubro de 1868;

12) Joaquim nascido no dia 8 de outubro de 1878; e,

13 Ernestina da Gama, cujo batismo não foi encontrado, casou-se aos 24.06.1892 com Francisco Salgado de Lima irmão de seu cunhado Luiz Salgado Lima acima citado. O casal teve, pelo menos, três filhos: Aníbal (1893), Edmundo (1895) e Cyro (1896). Francisco era comerciante e em 1896 anunciou que estava saindo de Leopoldina e vendendo todo o estoque de sua casa comercial.

Como ficou dito, nos próximos números o Trem de História ainda tratará de três filhas do casal Joaquim Antonio e Maria Josefina. Até lá.

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Notas:

(1) Igreja de São José das Três Ilhas, Belmiro Braga, MG, lv 02 bat fls 82verso.

(2) Arquivo do Fórum de Mar de Espanha, ano 1846, inventário de Ana Severina de Oliveira Castro, caixa 1.

(3) Colégio do Caraça <http://www.santuariodocaraca.com.br&gt; Matrícula nr. 1631, Acesso 11 jun. 2006.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de junho de 2016

47 – Pelos 162 Anos da Emancipação Administrativa de Leopoldina: Joaquim Antonio de Almeida Gama

Para as comemorações do aniversário de Leopoldina neste ano de 2016, o Trem de História traz, a partir deste número, uma série de textos sobre uma personalidade pouco conhecida dos leopoldinenses.

Um nome importante, mas que parece esquecido: Joaquim Antonio de Almeida Gama.

A razão para esta escolha é a informação de Barroso Júnior(1) segundo a qual “a publicação mais antiga trazendo notícias de Leopoldina data de 1864 e foi escrita pelo tenente-coronel Joaquim Antônio de Almeida Gama”.

Como fonte para esta informação, Barroso Junior indica o Almanaque administrativo, civil e industrial da Província de Minas Gerais(2) em cujo verbete Município de Leopoldina consta a nota de rodapé: “Devemos grande parte do trabalho deste município ao prestante cidadão sr. Tenente coronel Joaquim Antonio de Almeida Gama, a quem rendemos agradecimento”. Este registro vem confirmar ser Joaquim Antonio o primeiro historiador da cidade e merecedor, portanto, de uma atenção especial.

Ressalte-se que a mais antiga referência a Joaquim Antonio de Almeida Gama em Leopoldina é de 1843, nove anos antes da emancipação, quando seu nome aparece na Contagem Populacional do Feijão Cru(3) enviada para o governo da Província no dia 15 de dezembro. Por este documento verifica-se que ele era solteiro e estava com 31 anos, idade confirmada pelo Alistamento Eleitoral(4) de 1851.

Ele era filho de Antonio Francisco de Almeida e Gama e de Inocencia Claudina da Costa. E possivelmente sua vinda para Leopoldina tenha sido em consequência do movimento de 1842.

Como se sabe, a declaração de maioridade do Imperador Pedro II em 1841 levou os liberais a formarem a maioria da Câmara dos Deputados. A coroação ocorreu no dias 18 de julho e no dia 1 de maio do ano seguinte, cedendo à pressão dos conservadores, o jovem Imperador dissolveu(5) a Câmara. No dia 17 de maio desencadeou-se o movimento, a partir de Sorocaba, SP, e rapidamente se espalhou por Minas Gerais. Os liberais, mais tarde conhecidos como “luzias”, numa referência a Santa Luzia, MG onde estabeleceram a sede do governo rebelde, se insurgiam contra as leis reformistas dos conservadores – “os saquaremas” – que receberam o apelido porque em Saquarema, RJ ocorreu um embate vencido pelos conservadores. Estes queriam a Restauração do Conselho de Estado e a Reforma do Código de Processo Criminal de 1841.

Nesse ambiente de disputa política, é lícito supor que a indisposição de algum delegado ou subdelegado (cargos de influência dos chefes políticos) contra alguém, em razão de antigas ofensas ou ódios a vingar, conduziu muitos indivíduos para as cadeias. Acredita-se, inclusive, que pode ser esta a origem da informação a respeito da prisão de Joaquim Antonio e de outros liberais na cadeia do Feijão Cru, sem que o nome dele sequer tenha sido mencionado pelos estudiosos do movimento de 1842 e tampouco como subscritor das obras escritas sobre o movimento.

O que se tem de fato é que, na Ata de abertura do Alistamento Eleitoral de 1850(6), Joaquim Antonio é indicado como 3º Juiz de Paz do Feijão Cru. No pleito de 1855, foi eleito 2º substituto do Primeiro Juiz Municipal de Leopoldina.

Segundo Mauro de Almeida Pereira (7), até então as audiências judiciais eram presididas pelo Juiz Municipal, cargo eletivo, geralmente exercido por leigos, conforme se verifica em suas assinaturas que estão sempre seguidas da qualidade “3º, 4º substituto”. E periodicamente era realizada a “correição” por um juiz de fora.

Vale lembrar que a Comarca de Leopoldina foi criada pela Lei Provincial nº 1867, de 15.07.1872 e Caetano Augusto da Gama Cerqueira, primo de Joaquim Antonio, foi o seu primeiro Juiz de Direito. Dr. Gama Cerqueira, como era conhecido, de acordo com a Lei nº 406 de 03.10.1961 empresta seu nome à praça que antes recebia a denominação de “Melo Vianna” e que ainda hoje é mais conhecida como “Praça do Urubu”.

Em janeiro de 1858 Joaquim Antonio foi designado(8) 2º Substituto de Juiz Municipal e dois meses depois tomou posse (9) como 3º Substituto do Juiz Municipal e de Órfãos de Leopoldina. Em 1864 era Tenente-Coronel Chefe do Estado Maior da Guarda Nacional (10) de Mar de Espanha. Nesta ocasião, não havia Subdelegado do distrito da cidade e Joaquim Antonio ocupava o cargo na qualidade de 1º suplente (11). Em fevereiro de 1865 ocupou o posto (12) de 2º Suplente do Delegado de Polícia e um ano depois, foi empossado (13) como 1º Substituto do Juiz Municipal e de Órfãos. No dia 7 setembro de 1868 ele não participou da Assembleia de Formação da Mesa Paroquial para a eleição que ocorreria três dias depois e na qual recebeu 3 votos para vereador, ficando em 34º lugar, e 84 votos para Juiz de Paz, ficando como 1º suplente (14).  Nas eleições de 1872, ficou novamente como suplente (15) de Juiz de Paz e em novembro de 1873 foi nomeado (16) para cumprir o final do mandato deste cargo.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo número ele falará sobre os antepassados de Joaquim Antonio de Almeida Gama.


NOTAS:

1 – BARROSO JÚNIOR. Leopoldina: os seus primórdios. Rio Branco, MG: Gráfica Império, 1943. p. 25

2 – MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais para o ano de 1865. Ouro Preto: s.n., 1864. p.435

3 – Mapa da População do Feijão Cru 1843, fam. 158. APM cx 03 doc 04.

4 – Qualificação de eleitores do Feijão Cru em Janeiro de 1851. APM PP1 cx 44 pct 30 nr 233

5 – MARINHO, José Antonio. História do Movimento Político de 1842 em Minas Gerais. Rio de Janeiro: J.Villeneuve, 1844. v.1 p. 56

6 – Alistamento Eleitoral de 1850. APM PP 11 cx 36 pct  29 (SJN); PP 11 cx 44 pct 30 (Feijão Cru) e PP 11 cx 43 pct 09 (Rio Pardo).

7 – PEREIRA, Mauro de Almeida. Os Juízes de Direito de Leopoldina. In: Ilustração (Leopoldina, MG), 1961, 15 out, ed. 312

8 – Relatórios de Conselheiros e Presidentes da Província de Minas Gerais, 1858, 463 Mapa SN

9 – Livro de Juramento e Posse de Vereadores em Leopoldina – 1º livro, fls 15

10 – MARTINS, Antonio de Assis, Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais para o ano de 1865. Ouro Preto: s.n., 1864, pag 439

11 – idem, Suplemento, pag 4

12 – Livro de Juramento e Posse de Vereadores em Leopoldina – 1º livro, fls 45-verso

13 – idem, fls 49-verso

14 – Livro de Atas de Eleição de Juizes de Paz e Vereadores em Leopoldina, fls 3, 8v e 9v

15 – idem fls 15 e 16v

16 – Diário de Minas, (Outro Preto, MG), 1873 28 abril ed 81 pag 1

 

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 27 de abril de 2016