165 – Descendentes de Manoel Joaquim e Leocádia

Para concluir o estudo sobre um dos pioneiros de Tebas, Manoel Joaquim Ferreira, o Trem de História traz hoje o que se conseguiu apurar sobre os 10 filhos do seu casamento com a segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis. E começa com o nome de José Joaquim para destacar que Manoel Joaquim teve dois filhos com este nome, um de cada casamento, sendo que o filho de Leocádia usava mais frequentemente o sobrenome Silva.

1) Francisco Ferreira da Silva (ou, Braga) c.c. Máxima Maria de Jesus em primeiras núpcias e com Maria Ilidia de Brito em segundas. Francisco vivia no Rio Pardo em 1844 com a primeira esposa com quem teve a filha Maria, batizada no dia 04.02.1844. Em 1862, Francisco já estava casado com Maria Ilidia de Brito, com quem teve a filha Eufrozina, batizada em Piacatuba no dia 14.05.1862. Em 1864 Francisco e Maria Ilidia batizaram o filho João, também em Piacatuba, aos 14 de agosto.

2) O segundo filho do casal foi Antonio Carlos Ferreira que se casou Miquelina Florentina de Jesus. O casal teve os seguintes filhos: Manoel, cujo batismo é de 18.02.1855. Ana, cujo batismo é de 11.10.1863 e Antonia, batizada em 11.12.1864.

3) Felisbina Florentina de Jesus c.c. Antonio da Costa Ferreira Júnior. Felisbina e Antonio tiveram os seguintes filhos batizados em Piacatuba: Rita, batismo de 08.10.1854, Joaquim, cujo batismo é de 04.03.1862 e Umbelina, batizada em 06.12.1863.

4) Lúcia Florentina de Assis casou-se com Joaquim Ignacio de Oliveira. Deste casal não se tem, ainda, outras informações.

5) José Ferreira da Silva é o sexto filho de Manoel Joaquim Ferreira e Leocadia. Ele se casou em Piacatuba aos 24.08.1853, com Maria Francisca de Assis. O casal José-Francisca teve os seguintes filhos: Maria, batizada em 17.01.1855, José, batizado em 08.08.1865, Joaquim, batizado em 29.07.1870 e Antonio, batizado em 19.03.1876.

6) José Joaquim da Silva, em 1856 registrou 5 alqueires no Meia Pataca, declarando serem terras compradas de Antonio Valentim da Fonseca, divisa com José Rodrigues Vicente, José Maria e Manoel Anacleto. Consta, ainda, que um Joaquim da Silva registrou 2 alqueires em comum no lugar Sobradinho, havidas por herança, que tudo leva a crer ser a mesma pessoa. Por estas informações, supõe-se que tenha vivido em território do Meia Pataca e não se sabe se casou ou teve filhos. Observe-se, ainda, que Manoel Joaquim Ferreira batizou dois filhos com o nome de José Joaquim, um de cada casamento. O primeiro usou o nome José Joaquim Ferreira e o segundo adotou Silva, sobrenome de sua mãe.

7) Manoel Joaquim Ferreira Filho foi o nome utilizado na idade adulta por este filho do segundo casamento. Ele se casou aos 18 de fevereiro de 1865, com Antonia Maria de Jesus, neta paterna de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Ou seja, Manoel se casou com uma neta do segundo marido de sua mãe. Observação: Manoel Joaquim Ferreira teve dois filhos homônimos, mas só o do segundo casamento usava o aposto “Filho”.

8) Francisca de Assis Lima c.c. Manoel Antonio Teixeira filho de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Assim como seu irmão Manoel, Francisca também se casou com filho do segundo marido de sua mãe. Francisca e Manoel batizaram o filho José, aos 29.07.1868.

9) Maria Leocadia de Jesus c.c. Manoel Joaquim Ferreira Amorim. Tiveram seis filhos. Alguns deles batizados em Piacatuba: Maria, batismo em 27.02.1870; Castorino, batismo em 20.10.1872; Joaquim, cuja filiação está no alistamento eleitoral em Tebas; Antonio, cuja filiação também está no mesmo alistamento; Flausina, batismo em 15.09.1878; Adolfo, cuja filiação foi confirmada pelo seu casamento em 1902 e que faleceu em Piacatuba aos 24.09.1938, aparece como condômino do Sítio da Onça, em Tebas, em 1933.

10) Domingos Ferreira de Oliveira era também conhecido por Domingos Ferreira Tebas de Oliveira ou simplesmente Domingos Ferreira Tebas. Casou-se em Argirita, em 1865, com Ana Rosa de Souza. Em 1871 o casal vendeu uma sorte de terras herdadas da avó de Ana Rosa, que foi a primeira esposa de José Antonio Teixeira, o segundo marido de Leocadia Florentina de Assis, mãe de Domingos. O casal Domingos e Ana Rosa teve os seguintes filhos: Vitalina, teve o seu batismo em 23.05.1869; Rosa, batizada em 18.06.1871; Presceliana, batizada em 25.01.1875; Antonio, batizado a 24.06.1878; e, Domingos Bernardino nascido em 1886 em Tebas e falecido em Leopoldina em 1971.

Com estas informações o Trem de História encerra a viagem pelas terras “dos Tebas”. Na próxima edição, outro pioneiro de Leopoldina ocupará este espaço. Até lá!

Dia 12 de Abril

111 anos de criação da Colônia Agrícola da Constança

Nossos cumprimentos aos descendentes dos colonos que ali viveram.


Fontes consultadas:

Cartório de Notas de Piacatuba – lv 1871-1872, fls 23v.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 69 nº 254 plano 2 sep 16.

Igreja de Nossa Senhora da Piedade, 1º livro de batismos original, folhas 26, 28, 29, 45v, 53v, 55v, 60, 64v, 70v, 98, 102v, 108v, 110v, 117v, 127v, 147, 156, 174v, 176v; e lv 1 cas fls não numeradas, ordem 24

Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo, 1º livro de batismos, folhas soltas, não numeradas; lv 1 bat fls 17verso e lv 1 cas fls 10

Registro de Terras de Santa Rita do Meia Pataca. Arquivo Púlbico Mineiro TP-120, APM. Nr 76 fls 39, pesquisa de Joana Capella.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 418 no jornal Leopoldinense, março de 2021

163 – O Arraial se torna o distrito de Tebas

O arraial de Santo Antonio do Monte Alegre se tornou distrito com o nome de Santo Antonio de Tebas pela lei nº 2675 de 30.11.1880, conforme ficou dito no artigo anterior. No ano seguinte, em outubro o distrito foi elevado à categoria[1] de freguesia. Ao tempo do Império, como não havia separação entre Igreja e Estado, tornar-se freguesia significava que o poder eclesiástico avalizava a criação do distrito. Na prática, ao se tornar freguesia a Igreja de Santo Antonio de Tebas passou a ter livros próprios e os eventos não mais deveriam ser registrados nos livros da Freguesia de Bom Jesus do Rio Pardo [Argirita] ou de Nossa Senhora da Piedade [Piacatuba].

Um pouco antes, mais precisamente em agosto, o diretor geral dos Correios criou[2] uma agência em Tebas. Segundo o Jornal Liberal Mineiro[3], na sessão da Assembleia Legislativa de 09.08.1883, foram transferidas para Tebas algumas propriedades até então pertencentes à freguesia do Rio Pardo.

E neste mesmo ano de 1883 foram criadas[4] duas cadeiras de instrução primária na povoação, sendo uma para o sexo feminino e outra para o masculino. Fontes orais indicam que o prédio da imagem abaixo é de uma escola criada no final dos anos oitocentos.


No censo de 1890 o distrito de Santo Antonio de Tebas aparece com um total de 2.226 habitantes sendo 1161 do sexo masculino. Dessa população, 19 homens e 17 mulheres eram nativos e um total de 61 homens e 42 mulheres eram estrangeiros.

Quanto aos 36 nativos (indígenas) apontados pelo censo é oportuno lembrar a referência feita por Francisco de Paula Ferreira Resende[5] que chegou a Leopoldina em 1861:

“Quando vim para a Mata, ainda tive ocasião de ver um grande número desses índios na fazenda da Soledade que pertencia ao capitão Quirino; e vi também ainda algum tempo depois uma espécie de pequeno aldeamento deles, um pouco para lá do atual arraial de Tebas na estrada que ia para o Rio Pardo. Eram apenas alguns pequenos ranchos muito imundos e onde eles pareciam estar sempre a cozinhar preguiça. Nunca soube-lhes o número ao certo; mas parece que deveriam ser uns dez ou doze […] Eu já disse que estes índios eram aqui conhecidos pelo nome de Puris”

Em 1895 Francisco Gonçalves da Rocha Andrade, por contrato lavrado com a Câmara Municipal[6] encarregou-se da empreitada da estrada de Tebas, na seção à Fazenda da Constança, na extensão de 6 km.

Francisco foi subdelegado, segundo o periódico A Voz de Thebas[7] e, 2º Juiz de Paz de Tebas, conforme a Gazeta de Leopoldina[8].

Na década de 1890 e por curto período de tempo, circularam em Tebas dois periódicos: A Voz de Thebas, de 1894 a 1897 e, o Arame, de 1898 a 1899. Ambos se tornaram conhecidos pelas posições críticas e contestadoras que assumiram.

Em 1894 uma epidemia de febre amarela atingiu a sede do município de Leopoldina obrigando ao fechamento do cemitério local pela impossibilidade de receber mais corpos. A contaminação assustava de tal modo que a administração municipal se viu obrigada a transferir o centro administrativo para o distrito de Tebas.

Com esta lembrança triste o Trem de História de hoje fica por aqui. Na próxima edição ele voltará para falar de Manoel Joaquim Ferreira e seus descendentes. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 416 no jornal Leopoldinense, janeiro de 2021

Fontes consultadas:
[1] Arquivo Público Mineiro. Lei N. 2848 de 25 de outubro de 1881. Art. 1
[2] O Leopoldinense. 28 ago 1881. p.1 col. 3
[3] Jornal Liberal Mineiro, 23.08.1883, Ed. 88, p.1. col. 3
[4] Arquivo Público Mineiro. Livro da Lei Mineira tomo I Parte Primeira Folha N. 11 Lei N. 3127 18 de outubro de 1883.
[5] REZENDE. Francisco de Paula Ferreira de. Minhas Recordações. Belo Horizonte: Itatiaia, 1988. p. 364.
[6] O Leopoldinense, 28.07.1895, ed. 59, p. 2, col. 5.
[7] A Voz de Thebas, 1897, ed. 29, p.2, col. 3.
[8] A Gazeta de Leopoldina, 01.05.1898, ed. 3, p.2, col. 4. 

162 – O patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre

Continuando a viagem, o Trem de História chega ao povoado que deu origem ao atual distrito de Tebas, para contar o que ocorreu na sua formação.

No início o nome do arraial era Santo Antonio do Monte Alegre, em homenagem à fazenda que lhe cedeu terras para formar o patrimônio.

O patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre foi instituído por José Antonio Teixeira, a pedido de sua falecida segunda esposa[1], Leocádia Florentina de Assis, em maio de 1868, conforme certidão[2] anexada ao processo de Divisão da fazenda Monte Alegre, também conhecida como Fazenda dos Thebas.[3] Diz o citado documento:

“Escritura de doação que faz José Antonio Teixeira de um terreno na Fazenda do Monte Alegre para patrimonio de Santo Antonio, sendo ele possuidor da meação das terras pro indiviso da Fazenda do Monte Alegre e desejando concorrer com outros fieis para a fundação de uma Igreja para o culto do Glorioso Padre Santo Antonio, pela presente escriptura faz doação […] de um terreno de 2 alqueires em a mencionada fazenda cerca de 100 braças adiante da casa em que reside em um outeiro que fica na encruzilhada que segue para o Rio Pardo e para o Pirapetinga, junto ao local mais adequado a uma povoação; do qual terreno abre mão de hoje para sempre a fim de que fique pertencendo ao patrimonio ora instituido do mesmo Glorioso Santo. E mais desiste em favor do mesmo patrimonio de todo e qualquer direito que porventura lhe assiste sobre mais quatro alqueires de terras na mesma fazenda pertencente a José Joaquim Ferreira Cazeca, cujo valor está sujeito a uma indenisação por perdas e danos pela qual elle outorgante protestou judicialmente e faz a presente dezistencia também de livre e espontanea vontade para que a todo tempo se aumente o terreno doado. […] e por não saber escrever pediu a seu filho Manoel Antonio Teixeira para assinar a seu rogo, o qual assina com as testemunhas Anastacio José da Silva e Coriolano José Francisco de Macedo”.

Não restam dúvidas quanto aos doadores das terras. Mas assim como ocorreu na formação de tantos outros povoados brasileiros e principalmente nos da Zona da Mata, a história de Tebas também precisa ser vista com um pouco mais de atenção para que se faça justiça aos reais pioneiros do lugar.

No caso, é preciso voltar um pouco no tempo, conhecer alguns nomes e contextualizar a época da criação do povoado que deu origem ao atual distrito. É preciso que se recorde o nome de Manoel Joaquim Ferreira, o Manoel Joaquim de Tebas.

Como se viu no artigo anterior, Manoel Joaquim era o proprietário da Fazenda Monte Alegre e em 1839, vinte e nove anos antes da doação para o Patrimônio, morava com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis, no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda do Monte Alegre.

Em 17.09.1847 Manoel faleceu[4]. Em abril de 1856 Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira. E em 25.05.1868, conforme se viu anteriormente, foi constituído o patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre.

E como Santo Antonio do Monte Alegre o arraial seguiu os seus dias até 1880, quando foi “elevado[5] à categoria de distrito de paz a povoação de Thebas, da freguesia da Piedade, Termo de Leopoldina” com o nome de Santo Antonio de Tebas.

A história continua. Mas o Trem de História precisa fazer uma pausa. Fica a promessa de que na próxima edição do Jornal a viagem continuará. Aguardem.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 415 no jornal Leopoldinense de 15 a 31 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:


[1] José Antonio Teixeira foi casado em primeiras núpcias com Maria Rosa Faustina.

[2] Cartório de Notas do distrito da Piedade. Livro 1, fls 35.

[3] Divisão judicial da Fazenda Monte Alegre. Processo 38404325 COARPE/TJMG.

[4] Inventário de Manoel Joaquim Ferreira, processo 38403704 COARPE – TJMG img 3.

[5] Arquivo Público Mineiro. Lei N. 2675 de 30 de novembro de 1880.

161 – Fazenda Monte Alegre

O Trem de História, na busca de trazer para o presente os Pioneiros de Leopoldina, hoje empreende viagem na direção da área onde se formou o distrito de Tebas, na Fazenda Monte Alegre.

E começa por afirmar que Fazenda Monte Alegre pertencia a Manoel Joaquim Ferreira, citado em algumas fontes como Manoel Joaquim de Tebas e que possivelmente usou também o nome Manoel Joaquim de Santana ou era parente próximo deste último.

E para que o leitor se localize no espaço, informa que nos Registros de Terras de Leopoldina os seus herdeiros foram mencionados[1] como sendo proprietários de quinhões que confrontavam com as terras da fazenda Feijão Cru, de Manoel Antonio de Almeida, o que dá uma ideia do tamanho da fazenda partilhada.

Quanto à origem da Fazenda, embora ainda não se tenha documentado o fato, é de se supor que Manoel Joaquim e sua primeira esposa podem ter sido os formadores dela. Porque é certo que, em junho de 1839, Manoel Joaquim Ferreira estava casado com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis (ou, da Silva) e morava no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda Monte Alegre, o que se deduz pelo nascimento e o batizado[2] de um filho homônimo do pai realizado na Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo.

É bom lembrar que nessa época as terras da Fazenda Monte Alegre pertenciam ao distrito de Senhor Bom Jesus do Rio Pardo criado[3] em 1839 e que atualmente é o município de Argirita, emancipado[4] em 1962.

Em abril de 1856, nove anos depois da morte de Manoel Joaquim, sua viúva Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira e residia na Fazenda Monte Alegre. Registre-se que José Antonio ficara viúvo[5] em março de 1852 e em 1868, conforme se verá adiante, constituiu o patrimônio do santo de quem ele e Leocádia eram devotos. E no dia em que se completaram seis meses da assinatura da doação, José Antonio Teixeira veio a falecer[6].

Durante as décadas de 1850 e 1860, várias foram as operações de compra e venda de partes da Fazenda Monte Alegre, que chegou ao ano de 1874 com uma área de cerca de 185 alqueires. José Antonio Teixeira, auxiliado por filhos e enteados, administrou a Fazenda de sua segunda esposa até a morte[7] dela, em 1867.

Por esta época, da meação a que teve direito no inventário de Leocádia restavam[8] pouco mais de 20 alqueires, uma vez que além da doação ao patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre ele fez outras doações de sua terça, composta também pelo que restava da meação de seu primeiro casamento com Maria Rosa Faustina.

Um dos compradores de partes da Fazenda Monte Alegre, Narcizo Marques Braz, requereu a divisão judicial indicando 54 condôminos interessados. Ao final do processo de retombo, divisão e marcação dos quinhões, em agosto de 1874, alguns destes condôminos já não faziam mais parte do grupo por terem vendido, permutado ou doado sua parte.

Um dos quinhões era o de Santo Antonio de Tebas, com 282.010,20 m2, que já estava sob administração da Câmara Municipal de Leopoldina.

Mas esta será a carga que o Trem de História trará na próxima viagem. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 414 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:

[1] Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nº 18.

[2] Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo. 1º livro de batismos, [folhas soltas, não numeradas]

[3] Arquivo Público Mineiro. Livro da Lei Mineira 1839. Tomo V Parte 1ª Folha nº 10 Lei N. 147 6 de abril.

[4] Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Lei 2764 de 30/12/1962.

[5] Cartório de Notas de Piacatuba – livro 1871-1872, fls 23verso

[6] Inventário de José Antonio Teixeira, processo 38402863 COARPE – TJMG img 3.

[7] Partilha amigável dos bens de Leocádia Florentina da Silva, processo 38404224 COARPE – TJMG img 16.

[8] Inventário de José Antonio Teixeira TJMG/COARPE processo 38402863 COARPE – TJMG img 35

142 – Fazenda Constança: de Gervásio a Octaviano

A viagem de hoje do Trem de História segue com outras mudanças de proprietários da Fazenda Constança. E lembra que foi através de notícia do jornal A União[1], de 1888, que se teve conhecimento da presença de imigrantes naquela propriedade, com a nota informando que o “Governo autorizou Gervásio Antonio Monteiro de Castro a contratar imigrantes para sua fazenda Constança com passagens por conta do governo imperial”.

Outra informação sobre a presença de Gervásio na Fazenda é a descrição de Luiz Rousseau[2] sobre uma visita que teria empreendido à Fazenda. Conta ele que depois de passar pelo Sobradinho, “andamos uma légua, e depois de passar por dentro de córregos e bambuais, matas virgens com pássaros grandes e pequenos, chegamos à Fazenda da Constança, mas antes passando por baixo das senzalas que atravessavam a estrada. […] A Fazenda da Constança pertencia ao Gervazinho”. Parece que Rosseau se baseou em memória familiar para citar o proprietário da fazenda, já que Gervásio vendeu a Constança para Gustavo de Almeida Gama quando o menino Luiz Rosseau contava cerca de 3 anos de idade.

Por uma escritura[3] do cartório de Notas do Tabelião Castro, da capital da República, lavrada em 30 de dezembro de 1895, sobre a transferência da fazenda de Gustavo de Almeida Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, sabe-se que o valor da transação foi de 200 contos de reis e que o pagamento dessa importância foi feito através da liquidação de hipoteca de Gervásio Antonio Monteiro de Castro junto ao “Banco Hypothecario do Brazil cessionario do Banco da Republica do Brasil e este do Banco dos Estados Unidos do Brazil, do qual foi aceita a hypoteca por escritura de 16 de julho de 1890”.

Interessante observar que nessa escritura, além da regular transferência da propriedade da fazenda que passou de Gustavo Augusto de Almeida Gama e sua mulher Carolina Rosa França da Gama para Octaviano Nicomedes Barbosa, consta uma averbação de esclarecimento sobre a hipoteca existente e sobre a reclamação pendente, ora por meios amigáveis, que tem os transmitentes contra o síndico da massa falida do Conde de Leopoldina[4] e atinente à compra de café feita simultaneamente com a fazenda Constança. Diz essa averbação que “os cafés colhidos que existem atualmente na referida fazenda que por comum acordo não são compreendidos no contrato por saberem os vendedores o seu direito à liquidação da colheita deste ano, ficando a cargo exclusivo dos mesmos transmitentes a solução de quaisquer dúvidas ou reclamações de colonos, oriundos de fatos anteriores ao presente contrato”.

Por estas informações, como se pode supor, no final dos anos de 1880 a Fazenda Constança talvez tenha passado por um período um pouco conturbado financeiramente.

Mas independente das dificuldades por que passavam os proprietários, o poder público se preocupava com a região onde ela estava. Em 1895 o jornal O Leopoldinense[5] registrou que “O Sr. Francisco Gonçalves Andrade, por contracto lavrado com a Camara Municipal em data de ante-hontem, encarregou-se da empreitada da estrada de Thebas, na secção de Thebas à Fazenda Constança, na extensão de 6 kilometros pela quantia de 18 contos de réis”.

Informação relevante, também obtida no Extrato de Confrontações da Fazenda Constança em 1895, na folha 3, é a existência de casas espalhadas pela lavoura, todas cobertas de telha, algumas assoalhadas e uma caiada (esta em Santa Cruz), a saber: no sítio do Buraco Fundo, uma; no cafezal de Santa Cruz, duas; na várzea entre o pasto e Santa Cruz, seis; na divisa do Vargas, duas; na fralda da Serra do Paraíso, dez; na estrada do Paraíso, duas; na divisa do Vargas a Paraíso, uma; na estrada em frente ao Marrière, uma; no cafezal da Conceição, três, no cafezal do Fernando, uma; no cafezal de S. Joaquim, quatro; no cafezal de Sto Antonio, uma; na várzea entre Santo Antonio e pasto, três; no cafezal do Marrière, uma e uma no Alto do mesmo Marrière. Muitas destas casas podem ser as que mais tarde foram ocupadas por colonos, conforme indica o relatório da Colônia Agrícola da Constança ao informar que alguns lotes já contavam com casa de morada.

Sobre estas moradias o Trem de História promete retornar em texto futuro. Quanto à viagem pela história da Fazenda Constança, os fatos continuaram acontecendo e merecem ser resgatados. Novos textos e *** o Encontro de Descendentes dos Imigrantes de Leopoldina, que acontecerá em 17 de maio de 2020, *** serão boas oportunidades para isto. Mas neste ponto da narrativa de hoje uma nova parada se impõe. Na próxima edição do Jornal a viagem continuará, com toda a certeza. Aguardem.

***

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

 

Fontes de Referência:

[1] Jornal A União, Ouro Preto (MG), 07.04.1888, ed. 160, p. 2 coluna 4.

[2] BOTELHO, Luiz Rousseau. Alto Sereno. Além Paraíba: Editora Vega, 1975. P. 59.

[3] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Extrato de Confrontações da Fazenda Constança – Processo códice 38405781, 1895

[4] Não se tem conhecimento da existência deste título nobiliárquico em Leopoldina. Parece que seria uma referência ao pai de Gervásio, que não teve título nobiliárquico algum e cujo inventário estava em andamento na época.

[5] Jornal O Leopoldinense, Leopoldina (MG), 28.08.1895, p.1, col.5.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 395 no jornal Leopoldinense de 30 de dezembro de 2019

125 – Viagem com os sobrenomes de imigrantes italianos

Hoje o Trem vem carregado de história e memória. Carga um pouco diferente, com jeito de festa para lembrar alguns sobrenomes e os trilhos imaginários que teriam percorrido em terras leopoldinenses. Uma viagem com os sobrenomes de imigrantes que estiveram por aqui plantando lavouras e costumes, cultivando terras, amizades e amores. E para recordar, também, onde muitos deles se encontravam para vender a colheita, comprar o indispensável, se divertirem no jogo de malha ou de futebol e, se alegrarem nas festas sociais e religiosas da Capela de Santo Antônio, no Bairro da Onça.

Mesmo sabendo que nem todos fizeram exatamente os roteiros traçados a seguir, vale-se do artifício de citá-los para resgatar sobrenomes e lembrar que muitos certamente transitaram pelo agora oficial “Caminho do Imigrante”. Caminho que ideias recentes sugerem que seja estendido pela Boa Sorte para, por uma das opções de estrada já existente, chegar ao distrito de Tebas. Num roteiro que necessariamente passará por terras que pertenceram ou foram trabalhadas, dentre outros, pelos conhecidos sobrenomes: Bonin, Carraro, Colle (Coli), Fófano, Gottardo do Giovanni Battista casado com Constantina Meneghetti (Meneghite), Marinato, Zangirolani que reúne a família do pracinha da FEB, João Zangirolani, que lutou na Itália e ganhou medalhas, mas na Guerra, infelizmente, perdeu parte da sua capacidade laboral.

Tebas, distrito que foi sede do município por um curto período e que acolheu os sobrenomes Albertoni, da senhora Virgínia, esposa de Giuseppe e o Moroni, da senhora Maria que se casou com Domenico, ambos da mesma família Sampieri (Zampier) que até hoje se liga ao lugar.

Tebas de onde partia o ônibus do Marcatto que da memória não se afasta. Sobrenome que ali chegou com o casal Luigi Marcatto e Anna Maria Ceoldo.

Que se registre por ser vero, ônibus às vezes preterido pelo menino da roça quando o tempo permitia aguardar uma carona gratuita num dos “caminhões de leite” dos irmãos Lupatini.

E falando em ônibus, vem à memória a paixão e profissão de outro descendente, Bartoli, senhor José, dono dos ônibus urbanos da cidade conhecidos popularmente, desde então, como “catanique” porque a passagem se pagava com moeda de níquel.

Na linha de Tebas, que passava pelas terras das antigas fazendas Constança, Puri e Onça, viviam descendentes do casal Otavio de Angelis e Amalia Calzavara e de Emílio Isidoro Carraro e Maria Farinazzo. O sobrenome Anzolin, da família do combatente José Luiz Anzolin que trouxe das trincheiras geladas da Itália, na Segunda Guerra Mundial, medalhas e sequelas nunca esquecidas. O Bedin e o Bolzoni, este, artesão que fabricava balaios, esteiras e peneiras de taquara, indispensáveis na lida diária da roça. O Marinato e o Meneghetti do Agostino) e do Felice, sobrenome encontrado com grafias várias. Cosini, Stievano, Gruppi e o Montan, que saiu da fazenda Paraíso desceu a Serra da Vileta e foi trabalhar em terras da Constança, Água Espalhada e Bairro da Onça, juntamente com Bronzato, Campana, Campagna, Lomba, Longordo, Togni, Sangalli (Zangali) e Zachini (Zaquine) que hoje empresta o sobrenome à rua do bairro Caiçara e recepciona os motoristas que chegam à cidade pelas avenidas Jehú Pinto de Faria e Getúlio Vargas, com suas lojas de autopeças e serviços.

Todos estes sobrenomes familiares aos que conheceram a Casa Timbira – o entreposto da Colônia, os campos de futebol, as raias de malha e as festas na Capela da Onça.

Mas além destes, outros mais também frequentaram estes mesmos pontos de convergência dos imigrantes italianos de Leopoldina.

Por vezes, para um imaginário torneio no campo do Boa Sorte podiam chegar, vindo dos lados de Abaíba, talvez trazidos por este mesmo ônibus antigo que ainda “serve” ao distrito, sobrenomes como Algeri, Bettelli e Bellini que entra na defesa deste time pelo seu possível parentesco com grande capitão da seleção brasileira de futebol campeã do mundo em 1958. Na linha média, Cappai, Rocchi e Pinna. Na frente, Fanni, Finotti, Marangoni, Meneghelli e Sacchetto. Na reserva: Vaccari, Venturini e Salis. No socorro mecânico, Benati, que pode ter algum parentesco com a pessoa maravilhosa do Perseu Benati que há mais de meio século cuida da sua loja de peças. Bozza, por ser sobrenome de médicos no Rio de Janeiro, fica no banco para eventual aplicação de spray e bandagens. E o Scolari, com este sobrenome, é o treinador.

O “escrete” de Providência, numericamente o maior de todos, formado por Gatti cujo nome já diz ser bom para o posto. Antonelli (Antonio no plural) e Boesso (mercador de bois) que talvez possa ter algum parentesco com os irmãos Orlando e Miguel Baeso, os primeiros a praticar o futebol em Maripá de Minas, por volta de 1917. Bianchi, Casarotti e De Vito na linha média. No ataque, um ponta veloz, Ferrari. Um meia direita experiente, Franzoni. Um centroavante desbravador, Fortini. Um lançador perfeito e de jogadas limpas, Zamagna e, na ponta esquerda, para consertar todo o time, um experiente Magnani, talvez descendente do mais antigo da família no lugar, o Giacomo Magnani. Para as providências de custeio das despesas, Mantega; para o apoio espiritual, Capella ou, Padovani, nome que tem origem na cidade de Padova do Santo Antônio da Capela do Onça; e, para o caso de comemoração ou, festa, um Adriani, para lembrar o cantor da jovem guarda, Jerry.

Para torneios imaginários, para os jogos de confraternização e para as festas na Igrejinha de Santo Antônio, também não faltavam sobrenomes de imigrantes vindos da cidade e de outros pontos do município. Como, por exemplo, das Palmeiras, terra de Seoldo; de São Lourenço dos Ambri, Gallito, Gottardo, Maragna, Marinato, Mori, Stievano e Zenobi; e, do Arrasta Couro, dos Bartoli.

De Argirita, hoje cidade independente, vinham Cappai, Carminati, Curcio, Gondolo, Nannini e Vitoi, que tomavam lá as suas providências ou, o ônibus da Viação Mineira e chegavam para a festa.

De Piacatuba, o mais antigo distrito da cidade, selavam seus cavalos ou, aprontavam suas “conduções”: Baldan, Bedin, Bertulli, Bogonhe, Bullado, Carmelim,  Fofano, Lazzaroni, Marcatto, Pesarini, Righetto, Sacchetti. Sangirolami e Stefani, seguidos de Lorenzeto e outros habitantes da Vargem Linda que buscando caminhos pelas margens dos tributários do Ribeirão do Banco, passando pela região do Taquaril, chegavam bem dispostos.

Caminhando no sentido contrário ao das águas do córrego Jacareacanga, vinham outros tantos sobrenomes, pisando os dormentes da linha férrea como se degraus fossem ou, utilizando os vagões do ramal da Leopoldina – Vista Alegre. Ferrovia que foi a razão de ter existido a Hospedaria Jacareacanga e a própria Colônia Agrícola da Constança, criada após acordo do governo com as empresas ferroviárias.

Do vizinho distrito de Campo Limpo, hoje Ribeiro Junqueira, o Trem de sobrenomes trazia Bellan, Bigleiro, Binalti, Cattozzi e Crepaldi, Dorigo, Mondin, Pezzolato e Tambasco. E mais Bellavia, Biasucci, Panzavolta e Pellicani, de Recreio, possivelmente embarcados no mesmo trem que trazia o pessoal da estação anterior, São Martinho, de onde vinham Beccari, Beltrani, Borghi, Bortolotti, Facchini, Ferretti, Ropa e Tonelli.

Brincadeiras à parte, posto que são utilizadas apenas para tornar mais agradável a leitura, o que se pretende aqui é lembrar que todos estes e muitos outros sobrenomes italianos povoaram a coluna Trem de História e as que a antecederam nos 20 anos de publicações sobre a história da cidade. E estão aqui, mais uma vez, para lembrar a quantidade e a importância dos imigrantes italianos que viveram em Leopoldina.

E para mostrar que são 6.084 italianos ligados direta ou indiretamente a Leopoldina e que destes, 3.939 possuem vínculo com a cidade devidamente documentado.

São 1.166 sobrenomes italianos, muitos deles perdidos nos seguidos casamentos dos descendentes, mas todos, com certeza, presentes pelo sangue em mais da metade da população da cidade. Motivo de sobra para merecerem uma homenagem, neste mês, quando se comemora os 159 anos do início dessa imigração e desejar a todos que 2019 seja o ano dos preparativos para a festa dos 110 anos da Colônia Agrícola da Constança e os 160 anos da Imigração Italiana para Leopoldina, em abril de 2020.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 378 no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2019

 

17/03/2020: em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA. Nova data será oportunamente informada.

Fazendas de Leopoldina

O município de Leopoldina estendia-se por um território muito vasto e até hoje, apesar de muitos desmembramentos, sua área ainda é uma das maiores na região sul da zona da mata, num total de 942,31 km² conforme o site da Prefeitura Municipal.

Inúmeras foram as fazendas formadas no decorrer do século XIX. Muitas já não existem mais, quer por terem sido divididas em propriedades menores que por terem se tornado área urbana. Algumas delas foram analisadas e localizadas no texto “Antigas Cartas de Leopoldina” apresentado em Seminário realizado em 2004.