165 – Descendentes de Manoel Joaquim e Leocádia

Para concluir o estudo sobre um dos pioneiros de Tebas, Manoel Joaquim Ferreira, o Trem de História traz hoje o que se conseguiu apurar sobre os 10 filhos do seu casamento com a segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis. E começa com o nome de José Joaquim para destacar que Manoel Joaquim teve dois filhos com este nome, um de cada casamento, sendo que o filho de Leocádia usava mais frequentemente o sobrenome Silva.

1) Francisco Ferreira da Silva (ou, Braga) c.c. Máxima Maria de Jesus em primeiras núpcias e com Maria Ilidia de Brito em segundas. Francisco vivia no Rio Pardo em 1844 com a primeira esposa com quem teve a filha Maria, batizada no dia 04.02.1844. Em 1862, Francisco já estava casado com Maria Ilidia de Brito, com quem teve a filha Eufrozina, batizada em Piacatuba no dia 14.05.1862. Em 1864 Francisco e Maria Ilidia batizaram o filho João, também em Piacatuba, aos 14 de agosto.

2) O segundo filho do casal foi Antonio Carlos Ferreira que se casou Miquelina Florentina de Jesus. O casal teve os seguintes filhos: Manoel, cujo batismo é de 18.02.1855. Ana, cujo batismo é de 11.10.1863 e Antonia, batizada em 11.12.1864.

3) Felisbina Florentina de Jesus c.c. Antonio da Costa Ferreira Júnior. Felisbina e Antonio tiveram os seguintes filhos batizados em Piacatuba: Rita, batismo de 08.10.1854, Joaquim, cujo batismo é de 04.03.1862 e Umbelina, batizada em 06.12.1863.

4) Lúcia Florentina de Assis casou-se com Joaquim Ignacio de Oliveira. Deste casal não se tem, ainda, outras informações.

5) José Ferreira da Silva é o sexto filho de Manoel Joaquim Ferreira e Leocadia. Ele se casou em Piacatuba aos 24.08.1853, com Maria Francisca de Assis. O casal José-Francisca teve os seguintes filhos: Maria, batizada em 17.01.1855, José, batizado em 08.08.1865, Joaquim, batizado em 29.07.1870 e Antonio, batizado em 19.03.1876.

6) José Joaquim da Silva, em 1856 registrou 5 alqueires no Meia Pataca, declarando serem terras compradas de Antonio Valentim da Fonseca, divisa com José Rodrigues Vicente, José Maria e Manoel Anacleto. Consta, ainda, que um Joaquim da Silva registrou 2 alqueires em comum no lugar Sobradinho, havidas por herança, que tudo leva a crer ser a mesma pessoa. Por estas informações, supõe-se que tenha vivido em território do Meia Pataca e não se sabe se casou ou teve filhos. Observe-se, ainda, que Manoel Joaquim Ferreira batizou dois filhos com o nome de José Joaquim, um de cada casamento. O primeiro usou o nome José Joaquim Ferreira e o segundo adotou Silva, sobrenome de sua mãe.

7) Manoel Joaquim Ferreira Filho foi o nome utilizado na idade adulta por este filho do segundo casamento. Ele se casou aos 18 de fevereiro de 1865, com Antonia Maria de Jesus, neta paterna de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Ou seja, Manoel se casou com uma neta do segundo marido de sua mãe. Observação: Manoel Joaquim Ferreira teve dois filhos homônimos, mas só o do segundo casamento usava o aposto “Filho”.

8) Francisca de Assis Lima c.c. Manoel Antonio Teixeira filho de José Antonio Teixeira e Maria Rosa Faustina. Assim como seu irmão Manoel, Francisca também se casou com filho do segundo marido de sua mãe. Francisca e Manoel batizaram o filho José, aos 29.07.1868.

9) Maria Leocadia de Jesus c.c. Manoel Joaquim Ferreira Amorim. Tiveram seis filhos. Alguns deles batizados em Piacatuba: Maria, batismo em 27.02.1870; Castorino, batismo em 20.10.1872; Joaquim, cuja filiação está no alistamento eleitoral em Tebas; Antonio, cuja filiação também está no mesmo alistamento; Flausina, batismo em 15.09.1878; Adolfo, cuja filiação foi confirmada pelo seu casamento em 1902 e que faleceu em Piacatuba aos 24.09.1938, aparece como condômino do Sítio da Onça, em Tebas, em 1933.

10) Domingos Ferreira de Oliveira era também conhecido por Domingos Ferreira Tebas de Oliveira ou simplesmente Domingos Ferreira Tebas. Casou-se em Argirita, em 1865, com Ana Rosa de Souza. Em 1871 o casal vendeu uma sorte de terras herdadas da avó de Ana Rosa, que foi a primeira esposa de José Antonio Teixeira, o segundo marido de Leocadia Florentina de Assis, mãe de Domingos. O casal Domingos e Ana Rosa teve os seguintes filhos: Vitalina, teve o seu batismo em 23.05.1869; Rosa, batizada em 18.06.1871; Presceliana, batizada em 25.01.1875; Antonio, batizado a 24.06.1878; e, Domingos Bernardino nascido em 1886 em Tebas e falecido em Leopoldina em 1971.

Com estas informações o Trem de História encerra a viagem pelas terras “dos Tebas”. Na próxima edição, outro pioneiro de Leopoldina ocupará este espaço. Até lá!

Dia 12 de Abril

111 anos de criação da Colônia Agrícola da Constança

Nossos cumprimentos aos descendentes dos colonos que ali viveram.


Fontes consultadas:

Cartório de Notas de Piacatuba – lv 1871-1872, fls 23v.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv sepultamentos 1963-1975 fls 69 nº 254 plano 2 sep 16.

Igreja de Nossa Senhora da Piedade, 1º livro de batismos original, folhas 26, 28, 29, 45v, 53v, 55v, 60, 64v, 70v, 98, 102v, 108v, 110v, 117v, 127v, 147, 156, 174v, 176v; e lv 1 cas fls não numeradas, ordem 24

Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo, 1º livro de batismos, folhas soltas, não numeradas; lv 1 bat fls 17verso e lv 1 cas fls 10

Registro de Terras de Santa Rita do Meia Pataca. Arquivo Púlbico Mineiro TP-120, APM. Nr 76 fls 39, pesquisa de Joana Capella.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 418 no jornal Leopoldinense, março de 2021

162 – O patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre

Continuando a viagem, o Trem de História chega ao povoado que deu origem ao atual distrito de Tebas, para contar o que ocorreu na sua formação.

No início o nome do arraial era Santo Antonio do Monte Alegre, em homenagem à fazenda que lhe cedeu terras para formar o patrimônio.

O patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre foi instituído por José Antonio Teixeira, a pedido de sua falecida segunda esposa[1], Leocádia Florentina de Assis, em maio de 1868, conforme certidão[2] anexada ao processo de Divisão da fazenda Monte Alegre, também conhecida como Fazenda dos Thebas.[3] Diz o citado documento:

“Escritura de doação que faz José Antonio Teixeira de um terreno na Fazenda do Monte Alegre para patrimonio de Santo Antonio, sendo ele possuidor da meação das terras pro indiviso da Fazenda do Monte Alegre e desejando concorrer com outros fieis para a fundação de uma Igreja para o culto do Glorioso Padre Santo Antonio, pela presente escriptura faz doação […] de um terreno de 2 alqueires em a mencionada fazenda cerca de 100 braças adiante da casa em que reside em um outeiro que fica na encruzilhada que segue para o Rio Pardo e para o Pirapetinga, junto ao local mais adequado a uma povoação; do qual terreno abre mão de hoje para sempre a fim de que fique pertencendo ao patrimonio ora instituido do mesmo Glorioso Santo. E mais desiste em favor do mesmo patrimonio de todo e qualquer direito que porventura lhe assiste sobre mais quatro alqueires de terras na mesma fazenda pertencente a José Joaquim Ferreira Cazeca, cujo valor está sujeito a uma indenisação por perdas e danos pela qual elle outorgante protestou judicialmente e faz a presente dezistencia também de livre e espontanea vontade para que a todo tempo se aumente o terreno doado. […] e por não saber escrever pediu a seu filho Manoel Antonio Teixeira para assinar a seu rogo, o qual assina com as testemunhas Anastacio José da Silva e Coriolano José Francisco de Macedo”.

Não restam dúvidas quanto aos doadores das terras. Mas assim como ocorreu na formação de tantos outros povoados brasileiros e principalmente nos da Zona da Mata, a história de Tebas também precisa ser vista com um pouco mais de atenção para que se faça justiça aos reais pioneiros do lugar.

No caso, é preciso voltar um pouco no tempo, conhecer alguns nomes e contextualizar a época da criação do povoado que deu origem ao atual distrito. É preciso que se recorde o nome de Manoel Joaquim Ferreira, o Manoel Joaquim de Tebas.

Como se viu no artigo anterior, Manoel Joaquim era o proprietário da Fazenda Monte Alegre e em 1839, vinte e nove anos antes da doação para o Patrimônio, morava com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis, no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda do Monte Alegre.

Em 17.09.1847 Manoel faleceu[4]. Em abril de 1856 Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira. E em 25.05.1868, conforme se viu anteriormente, foi constituído o patrimônio de Santo Antonio do Monte Alegre.

E como Santo Antonio do Monte Alegre o arraial seguiu os seus dias até 1880, quando foi “elevado[5] à categoria de distrito de paz a povoação de Thebas, da freguesia da Piedade, Termo de Leopoldina” com o nome de Santo Antonio de Tebas.

A história continua. Mas o Trem de História precisa fazer uma pausa. Fica a promessa de que na próxima edição do Jornal a viagem continuará. Aguardem.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 415 no jornal Leopoldinense de 15 a 31 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:


[1] José Antonio Teixeira foi casado em primeiras núpcias com Maria Rosa Faustina.

[2] Cartório de Notas do distrito da Piedade. Livro 1, fls 35.

[3] Divisão judicial da Fazenda Monte Alegre. Processo 38404325 COARPE/TJMG.

[4] Inventário de Manoel Joaquim Ferreira, processo 38403704 COARPE – TJMG img 3.

[5] Arquivo Público Mineiro. Lei N. 2675 de 30 de novembro de 1880.

161 – Fazenda Monte Alegre

O Trem de História, na busca de trazer para o presente os Pioneiros de Leopoldina, hoje empreende viagem na direção da área onde se formou o distrito de Tebas, na Fazenda Monte Alegre.

E começa por afirmar que Fazenda Monte Alegre pertencia a Manoel Joaquim Ferreira, citado em algumas fontes como Manoel Joaquim de Tebas e que possivelmente usou também o nome Manoel Joaquim de Santana ou era parente próximo deste último.

E para que o leitor se localize no espaço, informa que nos Registros de Terras de Leopoldina os seus herdeiros foram mencionados[1] como sendo proprietários de quinhões que confrontavam com as terras da fazenda Feijão Cru, de Manoel Antonio de Almeida, o que dá uma ideia do tamanho da fazenda partilhada.

Quanto à origem da Fazenda, embora ainda não se tenha documentado o fato, é de se supor que Manoel Joaquim e sua primeira esposa podem ter sido os formadores dela. Porque é certo que, em junho de 1839, Manoel Joaquim Ferreira estava casado com sua segunda esposa, Leocádia Florentina de Assis (ou, da Silva) e morava no Rio Pardo, possivelmente na sua Fazenda Monte Alegre, o que se deduz pelo nascimento e o batizado[2] de um filho homônimo do pai realizado na Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo.

É bom lembrar que nessa época as terras da Fazenda Monte Alegre pertenciam ao distrito de Senhor Bom Jesus do Rio Pardo criado[3] em 1839 e que atualmente é o município de Argirita, emancipado[4] em 1962.

Em abril de 1856, nove anos depois da morte de Manoel Joaquim, sua viúva Leocádia estava casada com José Antonio Teixeira e residia na Fazenda Monte Alegre. Registre-se que José Antonio ficara viúvo[5] em março de 1852 e em 1868, conforme se verá adiante, constituiu o patrimônio do santo de quem ele e Leocádia eram devotos. E no dia em que se completaram seis meses da assinatura da doação, José Antonio Teixeira veio a falecer[6].

Durante as décadas de 1850 e 1860, várias foram as operações de compra e venda de partes da Fazenda Monte Alegre, que chegou ao ano de 1874 com uma área de cerca de 185 alqueires. José Antonio Teixeira, auxiliado por filhos e enteados, administrou a Fazenda de sua segunda esposa até a morte[7] dela, em 1867.

Por esta época, da meação a que teve direito no inventário de Leocádia restavam[8] pouco mais de 20 alqueires, uma vez que além da doação ao patrimônio de Santo Antônio do Monte Alegre ele fez outras doações de sua terça, composta também pelo que restava da meação de seu primeiro casamento com Maria Rosa Faustina.

Um dos compradores de partes da Fazenda Monte Alegre, Narcizo Marques Braz, requereu a divisão judicial indicando 54 condôminos interessados. Ao final do processo de retombo, divisão e marcação dos quinhões, em agosto de 1874, alguns destes condôminos já não faziam mais parte do grupo por terem vendido, permutado ou doado sua parte.

Um dos quinhões era o de Santo Antonio de Tebas, com 282.010,20 m2, que já estava sob administração da Câmara Municipal de Leopoldina.

Mas esta será a carga que o Trem de História trará na próxima viagem. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 414 no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2020

Fontes consultadas:

[1] Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nº 18.

[2] Igreja do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo. 1º livro de batismos, [folhas soltas, não numeradas]

[3] Arquivo Público Mineiro. Livro da Lei Mineira 1839. Tomo V Parte 1ª Folha nº 10 Lei N. 147 6 de abril.

[4] Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Lei 2764 de 30/12/1962.

[5] Cartório de Notas de Piacatuba – livro 1871-1872, fls 23verso

[6] Inventário de José Antonio Teixeira, processo 38402863 COARPE – TJMG img 3.

[7] Partilha amigável dos bens de Leocádia Florentina da Silva, processo 38404224 COARPE – TJMG img 16.

[8] Inventário de José Antonio Teixeira TJMG/COARPE processo 38402863 COARPE – TJMG img 35