Barca para atravessar o Rio Pomba

Aos 24 de maio de 1855 o Presidente da Província de Minas Gerais sancionou a Lei número 734 que, em seu Art. 1º, autorizava a Câmara da Vila Leopoldina a construir uma barca para travessia do Rio Pomba, cobrando as taxas da Lei nr. 140.

Barca para atravessar o Rio PombaÉ possível encontrar determinações legais semelhantes para diversas outras municipalidades. Nem sempre, porém, fica estabelecido o ponto ou itinerário que tais embarcações poderiam explorar.

No caso de Leopoldina, sabe-se que a população do distrito de São Francisco de Assis da Capivara alegou, em 1866, que as taxas cobradas para travessia do Pomba eram muito altas e por ser mais perto de Muriaé, pediam a transferência de subordinação.

Sabe-se, também, que a origem do arraial que mais tarde recebeu o nome de Vista Alegre, distrito de Cataguases, foi um início de urbanização no local denominado Barca do Miranda. Waldemar de Almeida Barbosa, no Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais, informa que o nome se deve ao barqueiro Manoel da Silva Miranda.

Outros pontos de travessia devem ter existido ao longo dos quase 100 km de território da então Vila Leopoldina que eram cortados pelo Rio Pomba. Nem todos, certamente, foram explorados e fiscalizados pela Câmara, que assim deixava de arrecadar taxas autorizadas pela legislação da época.

Efemérides Leopoldinenses: Fevereiro

O mês de fevereiro na história de Leopoldina.

3 de fevereiro

1889

Nasce em Leopoldina, Manoel Funchal Garcia, patrono da cadeira nº 12 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes. [Arquivo da Diocese de Leopoldina, Livro 3 de batismos, fls 80]


11 de fevereiro

1900

Inaugurada a iluminação a gás em Leopoldina.


12 de fevereiro

1868

Criado Comando da Guarda Nacional em Leopoldina.

1874

Gama Cerqueira e Joaquim Barbosa de Castro são nomeados inspetores de instrução pública em Leopoldina. [Diário de Minas, edição 206, 12 fev 1874, página 2]


13 de fevereiro

1857

Notícias do Correio Oficial de Minas, 23 fev 1874, página 4:

– Ângelo Lopes dos Reis é nomeado como professor substituto de primeiras letras em Leopoldina;

– José Augusto Monteiro de Barros e Francisco José de Freitas Lima são nomeados juízes municipais substitutos.

1891

O Distrito de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Pomba, atual Itapiruçu, é transferido de Leopoldina para Palma, conforme Decreto Provincial 374 desta data.


18 de fevereiro

1855

Aberto o Primeiro Livro de Batismos, com o assento relativo a Cristina, filha de Francisco de Vargas Corrêa e Venância Esméria de Jesus, neta paterna de Francisco de Vargas e Teresa Maria de Jesus e neta materna de Antonio Rodrigues Gomes e Rita Esméria de Almeida. Há, porém, uma questão ainda não solucionada sobre este assento. Segundo a lápide do túmulo de Cristina, ela nasceu aos 21 de janeiro de 1853. Teria sido um engano da época do óbito, em 1907?

Quando se procura pelos primeiros livros de batismos em Leopoldina, verifica-se que o volume tido oficialmente como número 1 é uma transcrição iniciada pelo Padre José Francisco dos Santos Durães no dia 10 de abril de 1885 e concluída pelo Cônego José Ribeiro Leitão aos 28 de dezembro de 1958. O original não foi preservado e as datas demonstram que o trabalho não parece ter sido realizado com os devidos cuidados. Neste volume não há referência ao Termo de Abertura do original e o primeiro batismo é de 1852, de uma criança da família Monteiro de Barros. Os seis assentos seguintes, na mesma página, são de batismos dos anos de 1861, 62 e 63. No verso, o primeiro é de 1863 e a seguir vem a transcrição do batismo de Cristina, acima citado, acrescentando que ela teria nascido em dezembro de 1854.
A propósito, esclareça-se que os batismos realizados ao tempo do ainda Curato de São Sebastião do Feijão Cru devem ter sido lançados nos livros da Freguesia, que ainda não foram localizados. Estariam no arquivo da Arquidiocese do Rio de Janeiro, a cujo bispado o Feijão Cru estava subordinado.

1856

Iniciado o Registro de Terras em Leopoldina.

1883

Notícias sobre Libertação de Escravos em Leopoldina.

1915

Matéria paga publicada no jornal Correio da Manhã desta data, página 5, traz um conjunto de informações do município de Leopoldina naquele momento.


20 de fevereiro

1848

O mais antigo batismo registrado em livro da Paróquia de São Sebastião do Feijão Cru.

21 de fevereiro

1851

Aberto o Alistamento dos Votantes do Curato de São Sebastião do Feijão Cru, então distrito de São João Nepomuceno, constando de 8 quarteirões nos quais foram computados 357 votantes. [Arquivo Público Mineiro, PP 11 cx 36 pacote 29].


22 de fevereiro

1895

Autorizada a compra de um prédio para a Câmara Municipal de Leopoldina.


24 de fevereiro

1882

Juízes de paz multados por não terem presidido as respectivas juntas de alistamento eleitoral.


25 de fevereiro

1875

Nasce em Abaíba, Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira, patrono da cadeira nº 16 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.  [Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, data na lápide no túmulo]


27 de fevereiro

1945

Nasce em Leopoldina Luiz Raphael Domingues Rosa, patrono da cadeira nº 14 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

18 de outubro de 1883: Criação do distrito do Tapirussu

Há 130 anos era criado o distrito de Itapirussu, em território então pertencente a Leopoldina.

Em 13 de fevereiro de 1891 o Decreto 374 transferiu o distrito para Palma.

Cisneiros e Itapiruçu, distritos de Palma

POSTAGEM REPUBLICADA

CISNEIROS – Chamou-se inicialmente Aliança por extensão do nome da fazenda que lhe deu origem, propriedade de Bernardo Tolentino Cisneiros da Costa Reis. O distrito foi criado quando pertencia a Cataguases, em 1890, tendo seu nome alterado em 1892.

ITAPIRUÇU – Criado no município de Leopoldina em 1883 com o nome de Tapiruçu, mesma grafia com que aparece nos registos do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Segundo estudos toponímicos publicados na Revista do Arquivo Público Mineiro, seria uma referência ao Tapirussu, animal silvestre que servia de alimentação aos indígenas. Trata-se de mamífero de pêlo avermelhado, pernas finas, sem chifres, lembrando um bovino ou equino no tamanho. Entretanto, Joaquim Ribeiro Costa diz que o nome do distrito tem origem na língua indígena: itá + apira + açu. O significado seria pedra + empinada + grande, ou seja, grande pedra empinada.

A história destes distritos pode ser lida no blog de Joaquim Machado.

X – Delimitando o Universo Pesquisado

Muitos nomes foram excluídos da listagem por terem sido localizados em apenas uma das fontes consultadas. Em alguns casos foi possível descobrir que, embora o casamento tenha sido realizado na Paróquia de São Sebastião, os noivos não residiam em Leopoldina. Também muitos nomes constantes nos registros de hospedaria como tendo sido contratados por fazendeiros do município, na realidade desembarcaram em uma de suas estações ferroviárias mas foram trabalhar em municípios vizinhos, como Palma, Cataguases e Muriaé. No sentido inverso, imigrantes contratados para trabalhar em outros municípios fixaram residência em Leopoldina poucos meses depois. Entre estes, além dos acima citados há os que foram inicialmente para Ubá, Astolfo Dutra e São João Nepomuceno. Importante destacar, ainda, que Recreio e Argirita eram distritos de Leopoldina no período analisado.
Portanto, é preciso esclarecer que o resultado encontrado não pode ser considerado como definitivo, mas tão somente um esboço que prescinde de maior aprofundamento. Talvez o leitor se pergunte se, a partir da afirmação de que muito ainda há por fazer, não seria mais conveniente adiar a publicação ora encetada. Neste caso, sugere-se um argumento em contrário, no sentido de considerar que, após 15 anos de pesquisas, não foi possível atingir plenamente o objetivo proposto, ou seja, responder adequadamente à questão que motivou o estudo. Se depois de todo este tempo não foi possível identificar todos os imigrantes que aqui viveram entre 1880 e 1930, abandonar o material já reunido seria desistir de comunicar aos moradores de Leopoldina o conhecimento adquirido até então. Esta é, portanto, uma conclusão provisória que se espera seja utilizada pelos próximos pesquisadores.