Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira

Artigo de Enali De Biaggi publicado na revista Terra Brasilis (Nova Série), 4, 2015

Resumo:

“No momento da independência, os documentos cartográficos reunidos no Brasil são mobilizados para reforçar o argumento tradicional “uti possedetis” de posse, para lidar com os vários litígios de fronteiras típicos das novas nações sul americanas. A indefinição de limites do país permanece ao longo de todo o século XIX, mas a diplomacia brasileira consegue progressivamente justificar a ocupação real das terras, fazendo um uso hábil dos mapas disponíveis. Os mapas do Império buscam dar uma imagem positiva do país, mostrando o caráter “civilizado” da nova nação. Realizados por civis e militares formados nas novas escolas brasileiras, estrangeiros e brasileiros se sucedem nas novas instituições responsáveis pela cartografia nacional. Sem meios de realizar um levantamento sistemático total do país, os novos mapas são frutos de extensas compilações e não fornecem detalhes sobre a distribuição e a gestão interna do imenso território brasileiro.”

Leia a íntegra:

Tradições cartográficas e fixação de fronteiras na independência brasileira.

Entre definições e deflações

Artigo de André Reyes e David Palacios, publicado na Terra Brasilis, Revista da Rede Brasileira de História da Geografia e Geografia Histórica, 4, 2015, publicado online no dia 13 Fevereiro 2015.

Os autores destacam que

“Não é de hoje o reconhecimento da necessidade de uma aproximação entre história da cartografia e história das ciências (Harley, 1988) e muito tem se discutido sobre a quebra de dicotomias como realidade/representação, sujeito/objeto, corpo/espaço, território/mapa na prática de pesquisa da cartografia (Del Casino e Hanna, 2006). No entanto, buscamos aqui, apenas evidenciar como um autor de fora do campo da história da cartografia e da cartografia histórica pode oferecer caminhos e ferramentas para se pensar as trocas e a circulação de conhecimento cartográfico para além das dicotomias e relativismos generalizantes.”

Leia a íntegra: Entre definições e deflações.

Zona da Mata Sul em 1842

A Coleção David Rumsey de Cartografia contém uma carta muito interessante: Brazil, de John Arrowsmith, de 1838, publicado em Londres em 1842.

A coleção está disponível neste endereço.

Nos recortes abaixo podemos observar melhor a nossa região.

Da mesma coleção foi extraído o seguinte recorte da Carta produzida por Adrien Hubert Brue em 1826 e publicada em Paris em 1930. Destacamos que o autor marcou, além do Porto do Cunha, a localidade de Padova, atualmente sede do município de Santo Antônio de Pádua.

Evidentemente que a seleção dos pontos marcados numa cartografia é escolha do autor que recorre ao conhecimento produzido até então e depende do espaço disponível. Parece-nos, portanto, que além do Porto do Cunha, conhecido desde o final do século anterior por conta da expedição comandada por Galvão de São Martinho, no percurso final do Rio Pomba não havia outro povoado de destaque. E se observarmos atentamente a linha pontilhada no recorte acima, que marca a divisa entre as províncias, veremos que Santo Antônio de Pádua ficou dentro dos limites de Minas. Sabemos, porém, que o povoado surgiu no ponto em que o Rio Paraíba do Sul recebe o Rio Pomba e que ficava na província fluminense conforme já mencionado no artigo a seguir.

Cataguases e seus distritos

Cataguases, no século XIX, quando era subordinada a Leopoldina.

Parte do estudo concluído em março de 2013 sobre as alterações de área territorial de Leopoldina, o mapa acima destaca distritos de Cataguases nos anos oitocentos, ao tempo em que eram subordinados a Leopoldina.

São José do Paraíba

No início, o Feijão Cru era subordinado ao distrito de São José do Paraíba. Em 1854, quando foi emancipado com o nome de Vila Leopoldina, foi a vez do São José do Paraíba lhe ser subordinado. Mais tarde o território do atual município de Além Paraíba foi transferido para Mar de Espanha até emancipar-se.

Leopoldina, Angustura e São José do Paraíba