D. Leopoldina: a história não contada

Em comemoração aos 200 anos da chegada da arquiduquesa Leopoldina de Habsburgo ao Brasil, e ao seu posterior casamento com o Príncipe Dom Pedro de Alcântara e Bragança, o escritor Paulo Rezzutti lança o livro D. Leopoldina: a história não contada.

Foi em homenagem à Imperatriz Leopoldina que seu filho, o Imperador Pedro II, deu o nome à segunda filha, Princesa Dona Leopoldina que, por sua vez, é a homenageada com o nome da cidade de Leopoldina, MG.

História, Memória e Identidade

Nos últimos meses cresceu o número de pessoas que nos procuram em busca de informações sobre seus antepassados italianos. Muitos deles querem apenas os dados que lhes permitirão requerer o reconhecimento de cidadania. Outros se interessam pela história da família e se surpreendem quando percebem que a memória de seus parentes próximos não corresponde ao que se encontra em outras fontes.

Nem sempre é possível desenvolver o assunto numa troca de e-mails. Até porque, nossas convicções se baseiam em pressupostos teóricos que nem todos compreendem ou aceitam. É o caso, por exemplo, de uma pessoa que desejava saber data e local de nascimento de um antepassado e não concordou com nossa resposta porque em sua família sempre disseram que os parentes vieram para o Brasil para fugir da Segunda Guerra. Oras, como aceitar que o personagem em questão havia nascido no Brasil e que os pais dele aqui chegaram solteiros, na década de 1910?

Para nós, a divergência indica como o assunto Segunda Guerra foi assimilado pela família e descortina outros aspectos da memória familiar e da identidade construída a partir das representações do passado. Para melhor compreensão, sugerimos a leitura de “História, Memória e Identidade: aspectos metodológicos de pesquisa”, de Anne Emilie Souza de Almeida Cabral, apresentado no Encontro Internacional de Formação de Professores e Fórum Permanente de Inovação Educacional de 2015 e está disponível neste endereço.

Eis o resumo:

Este trabalho tem como escopo compreender a relação entre história, memória e identidade e busca compreender como se pode fazer estudos que envolvem a memória. Através de análises das obras de Le Goff (2003); Maurice Halbwachs (1990) e Jeanne Marie Gagnebin (2006), Ecléa Bosi (2003) e Balandier (1990) verificaremos a importância da memória para a compreensão da nossa identidade e também, a história como o meio da narração dessas memórias. E em seguida, faremos uma discussão sobre como se faz pesquisa que envolve a memória dos sujeitos que estão presentes e daqueles que não estão mais no meio de nós, para isso trabalharemos com as pesquisas feitas por Marizete Lucini (2007), a qual aborda sobre o processo de identificação e de Ibarê Dantas que faz um estudo focado na história de vida.

A regulação do trabalho feminino em um sistema político masculino, Brasil: 1932-1943

Artigo de Teresa Cristina Novaes Marques publicado na Revista de Estudos Históricos da FGV, v. 29, n. 59 (2016).

Resumo

O artigo discute a ação de vários grupos políticos que se envolveram com a questão do trabalho feminino – os grupos feministas, os políticos católicos e os integrantes do governo Vargas. Toma por hipótese que a integração da mulher no mercado de trabalho deve ser examinada concomitantemente à ideia de família, uma vez que, historicamente, assim os dois assuntos foram tratados. A construção das diferenças de gênero, no Brasil, expressou-se na legislação do trabalho feminino, que tomou a ordem pública e a ordem privada como indissociáveis.

Disponível neste endereço.

A América do Sul no mapa mural de Willem Blaeu de 1608: contribuições para a construção do continente

Artigo de Andréa Doré, publicado no Revista Domínios da Imagem, volume 9, número 17, 2015

Resumo

A idade de ouro da cartográfica holandesa que se desenvolveu no final do século XVI e ao longo do século XVII foi a mais rica e criativa na produção de mapas murais, feitos para decorar as paredes de palácios, salas de famílias nobres, bibliotecas de homens de estado ou de ricos comerciantes. Este artigo apresenta alguns aspectos relativos à América do Sul contidos no mapa mural de Willem Jansz Blaeu, de 1608, intitulado America quarta pars orbis, considerado um dos mais influentes mapas da América. Interessa especialmente destacar as fontes e as escolhas feitas pelos autores – cartógrafo e gravador – concernentes às representações de homens e mulheres, habitantes naturais da terra, e as cidades já existentes ou inauguradas pelos europeus.

A autora observa que as representações da América demonstram “um desejo de ‘domesticar’ o Novo Mundo” para que se tornasse adequado à visão europeia. Como consequência, ocorreu uma espécie de apagamento da heterogeneidade aqui existente e a ideia de que o continente foi “uma invenção ou construção” dos europeus.

Vulgarização: outra história para a História

A Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia, volume 4, 2014, traz um artigo com este título, de Mary del Priore, que despertou a lembrança de outras discussões sobre o assunto. Apresentado como “uma pensata sobre as origens e a difusão da ‘divulgação científica’ e sua presença no Brasil do século XIX aos dias de hoje” o texto passeia por vários momentos do processo de vulgarização, antes de abordar a o conhecimento histórico propriamente dita.

Convidamos nossos leitores para esta leitura em que a autora nos lembra que “a história possui uma função social: a da manutenção da memória de uma nação ou de um grupo”. E ressalta:

“…os historiadores têm uma missão que é a construção da consciência histórica. Para tal, eles devem enfrentar duas tarefas contraditórias: por um lado, desmistificar os mitos consolidados pela memória coletiva, inscritos nos documentos, nos textos oficiais e na língua falada, enfim, nas construções sociais que, a sua volta, constituem a consciência comum. E por outro, participar à construção mesma desta mesma memória, ao produzir um saber que serve de referência e forma a consciência histórica dos seus contemporâneos…”

Leia o texto na íntegra, aqui.

A constituição do espaço público em Hanna Arendt

Com o subtítulo “por uma ressignificação semântica do conceito de ‘polis’ para a historiografia do mundo antigo”, este artigo de Diego Avelino de Moraes Carvalho foi publicado no volume 21, jul.-dez. de 2014 da Revista Labirinto. Segundo o autor, em Hanna Arendt “o conceito de Polis [passa] ao largo de definições meramente topográficas, antes se alojando em definições que apontam para aspectos significativos do imaginário, mentalidade, ou de modo mais sucinto, de identidade cultural helênica”.

O assunto se torna especialmente interessante no sentido de enfatizar que o poder “sustenta e preserva a esfera pública” e que, se for anulado, impossibilita a ação natural do homem no espaço público, abrindo oportunidade para organizações opressoras como os absolutismos e as ditaduras.

Resumo

De modo genérico, o conceito de “Polis” sempre esteve ligado ao de “Cidade-Estado”, de localidade física e institucionalizada. Doravante, a filósofa Hannah Arendt vem lançar luzes sobre esse entendimento, compreendendo a “Polis”, antes, numa esfera existencial, filosófica, de um espaço interpessoal resultante da ação coletiva de cidadãos reunidos para tratar de interesses comuns e não de um aglomerado urbanístico, ou mesmo de um Estado na concepção moderna do termo. Tal afirmação é de extrema importância, pois nos faz repensar a categoria de identidade política helênica tomando como referência um conjunto de crenças, hábitos e visões de mundo comum que se expressam num espaço não concreto e necessariamente institucionalizado. A proposta desta comunicação, portanto, é de apresentar a noção de “espaço público” como expressão semântica genuína do conceito de Polis dentro da obra de Hannah Arendt.

Leia o texto na íntegra…

Memórias e diálogos que compreendem o lugar

O texto da doutoranda Sônia Barreto de Novaes, publicado no nr. 12 da Contemporâneos -Revista de Artes e Humanidades, aborda uma preocupação que aflige pensadores de várias pequenas cidades brasileiras: o encolhimento das atividades culturais, muitas vezes definidos como sendo a morte da cidade.

Novaes analisa o caso de Piracaia, SP, focando nas memórias como propulsoras da legitimação dos espaços. O resumo do artigo informa:

“Em pesquisa que está sendo realizada em uma cidade do interior paulista estamos entendendo o estreito elo entre memória e desenvolvimento cultural. Esse estreitamento é, por vezes, tão ínfimo que mal nos damos conta que o desenvolvimento do local como um todo, mas principalmente da cultura, não ocorre porque não valorizamos nossas memórias, colocando-as como mero depósito de onde podemos extrair recursos, sem, no entanto, alimentá-las. Percebemos também que, estas memórias estão nas narrativas e, o registro destas subleva sentimentos de pertencimento e permite aflorar o ser enquanto cidadão dialógico nos diferentes espaços que ocupa. Dentre as questões pautadas no dia a dia estão àquelas relacionadas ao patrimônio material e imaterial como forma de representação perene diante das imbricações desenvolvimentistas que a Cidade vem tomando. “

Leiam o texto completo neste endereço.