A zona da mata mineira em antigos cartogramas

RECONTOS DE UM RECANTO – 02 – Artigo de José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni publicado na Gazeta de Leopoldina.

Para este artigo de hoje nos valemos, do “Mapa da Capitania de Minas Geraes, com a deviza de suas comarcas”, José Joaquim da Rocha, concluído em 1778; do “Mapa da Província de Minas Gerais,” de 1855, de Friedrich Wagner que, provavelmente, incorporou os levantamentos de João José da Silva Theodoro para as Cartas do Presídio, de São João Nepomuceno e do Pomba; dos Relatórios da Presidência da Província do período entre 1836 e 1855; e, das publicações do Centro de Estudos Históricos e Culturais da Fundação João Pinheiro – Coleção Mineiriana, principalmente os títulos: Geografia Histórica da Capitania de Minas Gerais e a Província Brasileira de Minas Gerais publicada em 1998 e que traz o artigo de Johann Jakob von Tschudi de 1862 que acompanhou o Mapa de 1855.

A terra mineira, na época da viagem de Tschudi, estava dividida em 18 comarcas. Destas, destacaremos duas, a do Paraibuna e a do Muriaé, que são as mais próximas a Leopoldina.

A primeira delas, a do Paraibuna, contava cerca de 58.500 habitantes e abrangia:

Barbacena, composta pela sede de mesmo nome e pelas freguesias de Santa Rita de Ibitipoca e de Nossa Senhora da Conceição de Ibitipoca.  Rio Preto, com seus 7 mil habitantes distribuídos entre a Vila de Nossa Senhora dos Passos do Rio Preto e a Freguesia de São José do Rio Preto. Paraibuna, atual cidade de Juiz de Fora, com cerca de 13 mil habitantes, que incluía as freguesias de Simão Pereira e Engenho do Mato.

Dessa comarca vieram muitos do povoadores do Feijão Cru.

A segunda comarca que nos interessa é a que levava o nome de seu mais importante rio: o Muriaé.

Com 88 mil habitantes distribuídos em 4 municípios (Leopoldina – 23.000 habitantes, Mar de Espanha – 19.000,Ubá – 32.000 e Muriaé – 14.000), não mereceu de Tschudi as referências adequadas provavelmente por falta de conhecimento de seus informantes da “extraordinária expansão do povoamento” da região, em razão do plantio de café e toda a Zona da Mata.  Embora se deva ressaltar que em 1856, por ocasião da aplicação da chamada Lei de Terras (Lei nr.601 de 18.03.1850), o café ainda não aparecia como principal produto de nossa economia. Entre os proprietários de terras da região somente 15% declararam possuir plantações de café. Cerca de 65% mencionaram “planta de milho” e os demais não indicaram o produto de suas roças.

O primeiro município dessa comarca, Leopoldina, abrangia a Vila Leopoldina (3.000 habitantes) e as Freguesias de São José do Paraíba (3.000) e de Santa Rita do Meia Pataca (3.000, incluindo-se aí toda a povoação da margem esquerda do Pomba), além dos Curatos de Conceição da Boa Vista, Nossa Senhora da Piedade, Bom Jesus do Rio Pardo e Madre de Deus do Angu (que somavam 14.000).

O segundo município, Mar de Espanha, que incluía a Vila, a Freguesia do Rio Novo e também os Curatos do Aventureiro e do Espírito Santo do Mar de Espanha.

Ubá aparece como terceiro município dessa comarca e era composto pela Vila e as Freguesias de São João Batista do Presídio, Santa Rita do Turvo e São Sebastião dos Aflitos.

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O quarto município da Comarca é o que leva o nome do rio e que só seria elevado à categoria de “cidade” em 1865 como São Paulo do Muriaé. Dele faziam parte a sede e as Freguesias de Nossa Senhora do Glória e Nossa Senhora da Conceição dos Tombos.

Para finalizar transcrevemos o parágrafo de encerramento do artigo de Tschudi, com a tradução que encontramos na obra citada:

“Resta-me apenas acrescentar algumas palavras sobre o mapa anexo. Ele é o resultado de longos anos de trabalho do engenheiro civil Sr. Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, de Juiz de Fora, e do geógrafo da província de Minas Gerais, Sr. Friedrich Wagner, que faleceu no ano passado em sua residência em Ouro Preto. Embora não satisfaça às exigências que se fazem a uma carta geográfica precisa, é, no entanto, a melhor disponível sobre a província de Minas Gerais, e até mesmo a melhor sobre qualquer das províncias do Império. O auxílio pecuniário que foi colocado à disposição dos engenheiros por parte do governo provincial foi insuficiente para cobrir as despesas de medição do território, que tem mais de 16 mil milhas quadradas, e que apresenta tantas dificuldades topográficas. Ainda assim, esse mapa será de grande importância e valia para a futura elaboração de uma carta apoiada em medições trigonométricas, pela qual, porém, teremos certamente de esperar ainda durante muitas décadas.”

Instalação da Vila Leopoldina

RECONTOS DE UM RECANTO

Voltamos às páginas da Gazeta para contar um pouco mais sobre a história de Leopoldina.

E, nesta edição comemorativa, começamos pela transcrição do Auto da Instalação da Vila, do primeiro livro de atas.

~ Auto da installação da Villa Leopoldina ~

Aos vinte dias do mez de Janeiro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cincoenta e cinco, trigesimo quarto da Independencia e do Imperio, na sala destinada para as Sessões da Camara Municipal da Villa Leopoldina, creada pela Lei Provincial numero seiscentos e sessenta e seis, de vinte e sete de Abril do anno proximo passado, achando-se o Doutor Domiciano Matheus Monteiro de Castro, vereador, servindo de Presidente da Camara Municipal da Villa do Mar d’Hespanha, comigo Secretario da mesma Camara, e reunidos os vereadores eleitos, o Capitão Manoel José Monteiro de Castro, Doutor José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Francisco José de Freitas Lima, Major João Vidal Leite Ribeiro , Capitão João Gualberto Ferreira Britto, e José Vieira de Resende e Silva, o mesmo Presidente, em cumprimento do Decreto de treze de Novembro de mil oitocentos e trinta e dous, e da Portaria do Excellentissimo Presidente da Provincia de vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e cincoenta e quatro, deferio-lhes juramento, e deo posse, não tendo comparecido o Vereador eleito Custodio Teixeira Leite, ficando assim installada a referida Villa Leopoldina. Para constar mandou o mesmo Presidente lavrar este Auto, em que se assigna com os mencionados Vereadores empossados. Eu José de Souza Lima, Secretario, o escrevi.

Assinaturas no Auto de Instalação da Vila Leopoldina

Identificação das assinaturas:

Domiciano Matheus Monteiro de Castro (Câmara de Mar de Espanha);

Manoel José Monteiro de Castro;

Joze Joaquim Ferreira Monteiro de Barros;

Francisco José de Freitas Lima;

José Vieira de Resende e Silva; e,

João Gualberto Ferreira Brito

Naquele 20 de janeiro de 1855 começava nossa independência administrativa. Mais de 50 anos depois que os primeiros homens livres escolheram as margens do Feijão Cru para viver.

Vale registrar que se os primeiros aventureiros cruzaram a mata virgem por volta de 1780, foi no alvorecer do século dezenove que a administração pública passou a localizá-los em documentos, concedendo-lhes terras, as sesmarias, nos então chamados “sertões do leste”. E a não mais de quarenta homens teria sido permitida a fixação de residência no caminho trilhado por Pedro Afonso Galvão de São Martinho quando da primeira diligência, em 1784, por estas matas até então proibidas.

Somente a partir das cartas concedidas em 1811 encontramos os “fregueses” do futuro Curato do Feijão Crú. Deste momento em diante é que passamos a observar a presença de famílias que deixaram descendentes dentro dos limites do que veio a constituir, quase vinte anos depois, o distrito do Feijão Cru, da então Vila de São Manoel do Pomba.

Conta-nos Sinval Santiago, em “Município do Pomba – Síntese Histórica”, que os distritos do Feijão Crú e da Santíssima Trindade do Descoberto foram os primeiros criados pela Câmara Municipal do Pomba, com base no Decreto Imperial de 11.09.1830. Infelizmente os incêndios freqüentemente citados nos livros de história também constituem justificativa para o desaparecimento dos documentos que esclareceriam melhor a gênese de Leopoldina.

Sabemos que em 1828 os principais moradores do Feijão Cru foram testemunhas da doação do patrimônio da futura capela de Santa Rita do Meia Pataca, o que nos confirma já existir por aqui algum tipo de organização social para “enviar” representantes para participar de um ato de tal importância.

Isto nos leva a colocar em dúvida o ano de 1831 como sendo o do nascimento do nosso povoado. Ainda mais se considerarmos que encontramos os pioneiros do Feijão Cru em registros paroquiais nos seus povoados de origem, basicamente as capelas da Serra da Ibitipoca, somente até bem antes da data que historiadores antigos consideram como de nossa fundação. E mais dúvidas se podem acrescentar quando encontramos filhos dos primeiros moradores que, ao se casarem, declararam terem nascido no nosso Feijão Cru.

Mas a incúria de alguns detentores de cargos públicos do passado obriga-nos a repetir a palavra “infelizmente”. Porque o descaso deles permitiu que desaparacessem  livros paroquiais que nos contariam a história completa deste recanto da Mata.

Verdade é que, documentado em nosso território desde o início do século dezenove, o homem livre conseguira, finalmente, em 1854, realizar o sonho de organizar-se em uma sociedade. Nascia, então, no território da Vila de São Manoel do Pomba, à qual pertenceu até 10 de setembro de 1851, o Feijão Cru, pela Lei 666 de 27 de abril de 1854.     E a 20 de janeiro de 1855, antes de completados nove meses da promulgação da Lei, o presidente da câmara municipal da Vila de Mar de Espanha deu posse aos nossos primeiros representantes, presididos pelo senhor Manoel José Monteiro de Castro, o mais velho dentre os eleitos para a Câmara de Leopoldina, sendo coadjuvado na administração pelos senhores Francisco José de Freitas Lima, João Gualberto Ferreira Brito, José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros e José Vieira de Resende e Silva.

josé luiz machado rodrigues

nilza cantoni

Autoridades em Santa Isabel

Autoridades distritais do atual distrito de Abaíba, município de Leopoldina, empossadas entre 1891 e 1892.


SANTA ISABEL, atual distrito de Abaíba, município de Leopoldina

  • Alcebiades Francisco da Cunha – 3º Juiz de Paz – 23.01.1892
  • José Antonio de Moraes – 1º Juiz de Paz – 09.06.1891
  • José Ribeiro Junqueira – 1º suplente de Juiz de Paz – 30.06.1891

Autodidades de Santa Isabel

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

 

Autoridades em São Joaquim

Autoridades distritais de São Joaquim, atual distrito de Angaturama, município de Recreio, MG.

SÃO JOAQUIM, atual distrito de Angaturama, município de Recreio
Agostinho Teixeira da Mota Bastos 3º Juiz de Paz 23.01.1892
Antonio José de Menezes 1º Juiz de Paz 11.09.1891
Jacinto Luiz Machado Escrivão de Paz 24.09.1891

Autoridades de São Joaquim

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Autoridades em Tebas

Autoridades distritais de Tebas, município de Leopoldina, empossadas entre 1883 e 1892.

TEBAS, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina

Assinatura de Autoridades

Cândido José de Almeida 2º Juiz de Paz 08.01.1883
Francisco José Barbosa 3º Juiz de Paz 07.01.1883
Francisco Xavier Augusto 2º Juiz de Paz 26.02.1887
Joaquim Dias de Medeiros 3º Juiz de Paz 23.01.1892
José Antunes Vieira 1º Juiz de Paz 07.01.1883
José Ferreira de Carvalho Fiscal Interino 02.11.1881
Teófilo Herculano Barbosa de Miranda 4º Juiz de Paz 07.01.1883

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Autoridades em São José do Paraíba

Autoridades distritais de São José do Paraíba, empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina entre 1857 e 1863.

SÃO JOSÉ DO PARAÍBA, atual município de Além Paraíba
Antonio Arnaldo de Moura Ruas 2º Juiz de Paz 10.01.1857
Antonio Francisco Alves Malveiro 3º Juiz de Paz 10.01.1857
Joaquim Luiz de Souza Breves 1º Juiz de Paz 12.02.1861
José Luiz de Souza Breves 2º Juiz de Paz 26.03.1861
Luiz José de Oliveira 4º Juiz de Paz 12.01.1863
Manoel Gonçalves dos Santos Suplente de Juiz de Paz 09.10.1858
Miguel Eugenio Monteiro de Barros 1º Juiz de Paz 10.01.1857

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Posse de autoridades de Bom Jesus do Rio Pardo

Autoridades empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina em Rio Pardo, atual Argirita.

Autoridades do distrito de Rio Pardo

  • Antonio Bernardino Damasceno, Fiscal, 16.02.1883
  • Antonio Cardoso Brochado Júnior, 4º Juiz de Paz, 26.09.1883
  • Antonio Hermogeneo Dutra, 1º Juiz de Paz, 06.02.1888; 4º Juiz de Paz, 25.10.1881
  • Antonio Júlio da Paixão, 1º Juiz de Paz, 16.09.1857; 1º Juiz de Paz, 11.04.1862
  • Cândido José de Barros, 2º Juiz de Paz, 08.01.1857; 3º Juiz de Paz, 16.06.1862
  • Emidio José de Barros, 1º Juiz de Paz, 01.02.1865
  • Firmino Antonio de Lima, 1º Juiz de Paz, 12.02.1861
  • Francisco Antonio da Cunha, 2º Juiz de Paz, 07.07.1862; 2º Juiz de Paz, 09.01.1865; 2º Juiz de Paz, 29.01.1867
  • Gonçalo de Souza Lima1º Juiz de Paz, 08.01.1857
  • Inácio Nunes de Moraes, 3º Juiz de Paz, 08.01.1857
  • Jacob Dornelas da Costa, 1º Juiz de Paz, 25.07.1866
  • Jerônimo Fernandes das Chagas, 1º suplente de Juiz de Paz, 14.06.1894
  • João Antonio Martins, 4º Juiz de Paz, 07.01.1865
  • Joaquim José Coimbra, 4º Juiz de Paz, 27.11.1862
  • Joaquim Pereira de Sá, 1º Juiz de Paz, 24.10.1881
  • Joaquim Teixeira de Meireles, 3º Juiz de Paz, 24.07.1883
  • José Maria Furtado de Souza, 3º suplente de Juiz de Paz, 05.02.1891
  • José Teixeira Meireles, 3º Juiz de Paz, 23.01.1892
  • Manoel Luiz Pereira, 3º Juiz de Paz, 25.07.1866
  • Manoel Marinho da Cunha, 1º suplente de Juiz de Paz, 25.04.1894
  • Valério de Souza Meireles, 1º Juiz de Paz, 07.01.1883

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Autoridades do distrito de Recreio

Autoridades empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina em 1890 e 1892.

RECREIO, atual município de mesmo nome.
Antonio Anacleto Spinola e Castro 2º Juiz de Paz 10.09.1890
Francisco Avelino de Oliveira Fiscal 12.02.1892
Francisco Ferreira Neto 1º Juiz de Paz 10.09.1890
Joaquim Antonio Machado 4º Juiz de Paz 08.10.1890
Manoel Alves de Oliveira Paranhos 3º Juiz de Paz 10.09.1890

 

Posse de Autoridade de Recreio

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Autoridades em Providência

Autoridades distritais do século XIX, conforme constante nos códices 32 e 146 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina.

PROVIDÊNCIA, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina.
Afonso José de Carvalho

 

Escrivão de Paz 25.03.1891
Affonso José de Carvalho
Carlos Furquim Mendes 2º Juiz de Paz 23.01.1892
Galdino Manoel Monteiro de Castro 1º Juiz de Paz 06.09.1890
José Antonio Monteiro da Silva 3º Juiz de Paz 23.01.1892

Autoridades em Santana do Pirapetinga

Autoridades distritais de Pirapetinga empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina, Minas Gerais.05

Santana do PIRAPETINGA, atual município de pirapetinga.
Antonio Vieira de Souza Gomes 4º Juiz de Paz 29.01.1866
Azarias de Andrade Vilela 2º Juiz de Paz 07.01.1881
Cândido Francisco Rosa Fiscal 05.11.1880
Carlos Augusto da Fonseca Ramos Administrador da Recebedoria 22.10.1878
Domiciano Augusto Monteiro de Barros 4º Juiz de Paz 07.01.1881
Domingos José Teixeira Pena 2º Juiz de Paz 30.01.1866
Francisco José Soares 3º Juiz de Paz 22.01.1881
José Coutinho da Silva Pereira 1º Juiz de Paz 07.01.1881
José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros 1º Juiz de Paz 04.10.1865
Mateus Herculano Monteiro de Castro 3º Juiz de Paz 29.01.1866
Neftaly da Mota Pinto

 

Fiscal 06.04.1881

Juramento de Posse de Neftaly da Mota Pinto