44 – Conceitos Norteadores

logomarca da coluna Trem de História

Como o leitor pode observar nos artigos desta série, o estudo sobre a Imprensa em Leopoldina entre 1879 e 1899 pretendeu abordar diversos aspectos e situações.

Isto porque um dos conceitos norteadores do trabalho nasceu da declaração de Monica Pimenta Velloso, em “História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder”, de que em sua pesquisa as revistas tiveram dupla dimensão: eram fonte e objeto de análise.

Sabe-se que os jornais se tornaram objeto de averiguação histórica no Brasil a partir da década de 1970, quando começaram a surgir trabalhos que tomavam a imprensa como “objeto de investigação” conforme ensinam Capelato e Prado citados por Tânia de Luca em “História dos, nos e por meio dos Periódicos”. Quando se trata de um período mais distante, como foi o caso do estudo aqui abordado, a imprensa se torna a voz da sociedade daquela época, manifestada através das escolhas dos editores e redatores.

Com a finalidade utilizar os primeiros jornais de Leopoldina como fonte e objeto de análise, buscou-se firmar as melhores condições para o estudo. E para tentar entender a relação existente entre o mundo do texto e o do leitor daqueles jornais, concluiu-se que era preciso ler um grande número deles até que fosse possível formar uma opinião a respeito de cada aspecto a ser estudado.

Nos ensinamentos de Maria Beatriz Nizza da Silva, em “A Gazeta do Rio de Janeiro (1808-1822): Cultura e Sociedade”, encontrou-se um direcionamento para classificar as matérias, bem como para analisar as características da população e o cotidiano que ressaltasse das folhas consultadas. Para, através deste caminho, atingir o objetivo proposto.

E a ele se chegou, ainda que parcialmente. Em primeiro lugar porque os anúncios, meio bastante utilizado para este mister, no caso dos periódicos estudados eram de acanhada amplitude. E, por outro lado, porque a classificação das matérias por assunto deixou claro que apenas uma pequena parcela da sociedade merecia a atenção dos redatores. Por exemplo, em quase todas as edições há notícias sobre chegadas e partidas, seja de moradores da cidade ou de visitantes. Este era um tema que interessava muito mais à elite, ansiosa por notícias sobre o que faziam ou como se movimentavam os seus pares.

Durante a etapa de leitura dos jornais, chamou a atenção aquilo que Tânia Regina de Luca denominou “materialidade de jornais e revistas em diferentes momentos”. As modificações na aparência d’O Leopoldinense, entre 1879 e 1895, mereceram um cuidado maior na avaliação da importância dada às matérias publicadas. A simples observação permitiu suspeitar da ocorrência de avanços tecnológicos nos equipamentos de impressão disponíveis, os quais determinaram mudanças de formato do periódico.

Por outro lado, tomando como exemplo a coluna literária, observou-se que, em determinado período, ela fazia parte da primeira página e em outra época ocupou, indistintamente, a segunda ou terceira páginas. Sendo assim, seria inadequado utilizar uma classificação de importância dos temas a partir de uma hierarquização pelas páginas do jornal. Esta variação foi observada, também, nas mudanças de localização ocorridas nos cinco anos da Gazeta de Leopoldina que foram analisados.

A coluna literária surgiu nos jornais de Leopoldina como mais um fruto da época de forte expressão cultural da cidade – as últimas décadas do século XIX. Mais tarde foi desaparecendo das folhas, possivelmente em razão dos problemas apontados por Wagner Ribeiro em “Noções de Cultura Mineira”, que afirma: “Quem conhece as dificuldades, o desdém esterilizante, a falta de meios e de estímulos com que ainda hoje a imprensa do interior luta para afirmar-se e subsistir, pode calcular o que não representa de idealismo e tenacidade, a obra desses anônimos trabalhadores, numa época remota e em localidades então desprovidas dos menores recursos materiais para a consecução dos seus planos”.

Por hoje o assunto fica por aqui. Na próxima parada o Trem de História chegará ao final deste ramal sobre a Imprensa em Leopoldina. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de março de 2016

42 – Gazeta de Leopoldina

Logomarca da coluna Trem de História

O Trem de História de hoje pretende falar sobre o mais duradouro e conhecido dos periódicos da cidade, a Gazeta de Leopoldina, fundada em abril de 1895, tendo como redatores e proprietários os senhores José Monteiro Ribeiro Junqueira e Antonio A. Teixeira. E como secretário gerente, Emílio A. Pereira Pinto.

Mas antes de tratar do assunto proposto, é importante registrar um agradecimento especial à Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, detentora do acervo deste jornal, pela oportunidade de consultar o material ali existente. Até o início da redação da monografia de conclusão da pós-graduação, haviam sido consultados apenas os números existentes na Biblioteca Nacional e no Arquivo Público Mineiro. O acesso ao conjunto completo do mais longevo periódico que existiu em Leopoldina foi fundamental para compreender alguns aspectos que só se descortinaram com a leitura de números publicados na década posterior ao fim do período que foi objeto do trabalho.

Nelson Werneck Sodré, em A História da Imprensa no Brasil, afirma que as últimas décadas do século XIX representam uma grande época política e também literária.

Analisando os periódicos que circularam em Leopoldina no período, pode-se concluir que a efervescência literária marcou a imprensa local, num momento em que a cidade se destacava culturalmente e contava com muitas instituições de ensino de qualidade. Dentre os periódicos, a Gazeta de Leopoldina foi exceção por ultrapassar todos os outros em carga política.

Registre-se que este jornal surgiu quando a cidade contava com um bom número de folhas em circulação. E já em seus primeiros números mostrou a que veio: pavimentar a estrada para seu proprietário alcançar postos mais altos na política.05

É bom que se recorde que, naquele momento, o Sr. Ribeiro Junqueira não tinha assegurada sequer a sua posição à frente do governo local. Então, para ele que demonstrava pretensões claras, era crucial afastar os eventuais oponentes. E um dos meios a ser utilizado era a imprensa. Assim, de abril de 1895, quando veio à luz, a dezembro de 1899, último número analisado para este trabalho, raras foram as edições da Gazeta de Leopoldina que não disseminaram ironias e acusações contra seus oponentes. Fossem artigos do redator ou dos colaboradores, todos os periódicos publicados naquele quinquênio receberam alfinetadas mais ou menos intensas da folha que pretendia ser líder. E todos deixaram de circular pouco depois. Alguns sendo substituídos por outros títulos que também não sobreviveram ao furor com que a Gazeta lutava para reinar sozinha.

Nas edições do final do ano de 1896, a Gazeta de Leopoldina não deixou de dar algumas espetadelas em O Mediador e O Leopoldinense, pelo fato de terem sido escolhidos para publicar, no ano seguinte, os Atos da Câmara. E não foi apenas contra o nome dos periódicos que subterfúgios linguísticos frequentaram as páginas da Gazeta de Leopoldina, com o objetivo de desacreditar os concorrentes. Em diversas oportunidades também cita nomes de redatores ou proprietários dos outros jornais, quase sempre com alguma pitada de sarcasmo para denegri-los.

Como se vê, nos seus primeiros anos de vida, que correspondem aos últimos da série aqui estudada, a Gazeta de Leopoldina operava de forma bem diversa do que se conhece dos anos posteriores. Era, em certos momentos, um verdadeiro pasquim da imprensa local. Diante disto, e reconhecendo o seu valor histórico no meado dos novecentos, o Trem de História ressalta que ler só a Gazeta impedirá o leitor de conhecer o panorama sócio cultural que vigorava na Leopoldina daqueles tempos. Infelizmente, porém, não há edições dos demais periódicos na Biblioteca local, tendo sido necessário consultar os acervos da Biblioteca Nacional e do Arquivo Público Mineiro. Atualmente não é mais necessário visitar estas instituições, pois ambas dispõem de uma Hemeroteca digital em seus sites.

Na próxima edição o Trem de História abordará o último periódico utilizado em nossos estudos. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2016

21 – Mais um pouco de opinião e política

Logo da coluna Trem de História no jornal Leopoldinense

Conforme o prometido no artigo anterior, o Trem de História preencherá o vagão de hoje com o que resta na plataforma de opinião e política.

Para começo do trabalho, busca a edição de nº 3 do Arame, publicada em 11.12.1898, que bem representa o que foi este periódico. Nela se encontram matérias que descortinam vários assuntos daquele momento, numa clara demonstração de que este pequeno jornal praticava realmente a crítica assumida em seu subtítulo.

Um dos temas é uma “disputa de lavadeiras” entre a Gazeta de Leopoldina e O Leopoldinense, denunciada na primeira página. Conselho do articulista: que O Leopoldinense dê o exemplo de comedimento, calando-se, e deixe a Gazeta “gritar [porque] ela tem força é mesmo na língua”.

Logo depois, vem uma mensagem aparentemente cifrada: “as cabras preservam os outros animais da epizootia”, razão pela qual “o Zezé tomou o Mingote”.

Traduzindo-se por comparação com outras matérias d’O Arame, esta frase poderia significar que os jornais leopoldinenses deveriam agir como as cabras, defendendo-se da enfermidade contagiosa (epizootia) representada pelo Mingote (Ribeiro Junqueira).

E assim, sucessivamente as quatro páginas do periódico traziam também notícias como a do lançamento de um jornal em distrito da cidade, ao lado de reclamações por maus serviços públicos, bem como notas sociais. Na seção literária, inicialmente foram publicados poemas ou frases de Voltaire e José Alencar, além de máximas do escritor e teatrólogo francês Edmond de Goncourt que, na época, saíam em jornais parisienses e nacionais. Mais tarde esta seção, que inicialmente chamou-se “Pensamentos” e localizava-se na terceira página, passou para a primeira e publicou ensaios literários de autores sem fama conhecida.

Vale registrar que em todos os periódicos leopoldinenses analisados foi encontrado, de forma mais ou menos frequente, material produzido em ou sobre localidades distantes e até mesmo vindas do exterior. Num primeiro momento pensou-se na hipótese de serem republicações de outros jornais a que os editores tinham acesso. Contudo, informações sobre a trajetória profissional de Ricardo José de Oliveira Martins encaminharam as sondagens em outra direção.

Nascido em Leopoldina no dia 03.04.1879, aos 20 anos Ricardo Martins era encarregado da composição de tipos na Gazeta de Leopoldina, portanto empregado de Ribeiro Junqueira que o nomeou para o cargo de Agente do Correio. Através de acusações e cartas de defesa publicadas nas páginas d’O Leopoldinense e da Gazeta, entre dezembro de 1898 e abril de 1899 envolvendo Ricardo Martins, entende-se que houve problemas com a entrega de telegramas que trariam informações importantes para os jornais concorrentes.

Diga-se, a propósito, que antes da inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina a população contava com um único meio de receber correspondência: as cartas vinham pelo Correio que, segundo A. Assis Martins e J. Marques Oliveira, no Almanak Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Geraes para o ano de 1865, deveriam chegar a Leopoldina às 18 horas dos dias ímpares de todos os meses do ano. Depois da ferrovia, conforme ensina Joseph D. Straubhaar e Robert La Rose, em “Comunicação, Mídia e Tecnologia” “a estrada de ferro e o telégrafo se integraram e se complementaram” e o interior teve acesso a um novo meio de comunicação. A partir daí, segundo os mesmos autores “o desenvolvimento do telégrafo […] levou a uma revolução na distribuição das notícias”. Opinião corroborada por Nelson Werneck Sodré para quem, até 1874, as notícias chegavam ao interior por carta e telégrafo que, ao agilizar o acesso, estimulou até mesmo a criação de página dedicada a notícias internacionais.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo ele volta com outro assunto.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de abril de 2015

Parte XVI de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

8 – ‘Leopoldinense’: nome de vários jornais

Logomarca da Coluna Trem de História, no jornal Leopoldinense

Antes que agarre na memória de algum leitor distraído uma informação indevida, feito o pó de carvão que sujava a roupa dos passageiros da Maria Fumaça, o Trem de História vira a chave do desvio, evita possível descarrilamento e presta um esclarecimento importante.

Diferentemente do Leopoldinense atual, que acolhe mais uma vez um resgate histórico destes autores, o Leopoldinense do passado teve uma outra história.

O atual nasceu em agosto de 2003, bem depois de arrancados os trilhos e derrubada a estação ferroviária, com o nome de “Gazeta Leopoldinense de Notícias”. Assim circulou por alguns meses até que, em 2004, por alteração contratual a sua razão social passou para “Grupo Leopoldinense de Notícias Ltda”. E é esta empresa, comandada por Luiz Otávio Meneghite, a responsável pela edição do atual “Jornal Leopoldinense”, que empunha a bandeira da “Consciência crítica da Cidade”. Um jornal que tem uma tiragem média de 2.000 exemplares e circula rigorosamente a cada início de quinzena.

“O Leopoldinense”, ao qual se refere este estudo sobre a história da imprensa em Leopoldina entre 1879 e 1899, teve sua primeira edição em 01.01.1879. Seu primeiro editor e gerente foi o Alferes Francisco da Costa Sobrinho e o próprio jornal informava ser “propriedade de uma sociedade anônima”. Na sua fase inicial apresentava-se como “Folha Comercial Agrícola Noticiosa”, trazendo o subtítulo “Consagrado aos Interesses dos Municípios de Leopoldina e Cataguases”. Segundo consta de todas as edições d’O Leopoldinense a que se teve acesso, até julho de 1883 a sua tiragem era de 2000 exemplares.

Importante esclarecer que, após esta data, foram encontradas seis edições no Arquivo Público Mineiro entre 1890 e 1892, nas quais não constam informações sobre assinaturas ou tiragem, nem tampouco os nomes dos redatores e proprietários.

Quanto à data de lançamento e o nome do proprietário do Leopoldinense antigo, registre-se um esclarecimento importante.

Segundo Luiz Eugênio Botelho, em Leopoldina de Outrora, seu pai Luiz Botelho Falcão teria lançado o jornal em 1879, o que se comprovou não ser coerente com a realidade. Pelas edições do próprio jornal, Luiz Botelho teria assumido a empresa em 1892, naquela que se poderia chamar terceira das quatro fases conhecidas d’O Leopoldinense. Por outro lado, entre setembro e novembro de 1886, quando Carlos Wehrs esteve em Leopoldina, informaram-lhe que Luiz Eugênio seria o proprietário do jornal. Uma das hipóteses prováveis é a de que, com a morte do fundador Francisco da Costa Sobrinho, Botelho Falcão tenha adquirido a empresa e só alguns anos depois o periódico tenha voltado a circular.

De todo modo, apesar dos descendentes terem incensado o patriarca como grande e pioneiro jornalista leopoldinense, só há indicação de que Luiz Botelho Falcão tenha estado à frente do periódico por cerca de dois anos, vendendo-o a Randolpho Chagas e Valerio de Rezende em 1894.

Circulou ainda pela cidade, no final dos anos de 1950, outro informativo com o nome de Leopoldinense. Segundo consta, era uma publicação de responsabilidade da Diocese de Leopoldina, impresso numa tipografia que funcionava junto à casa episcopal. Mas como este informativo é de período posterior ao estudado, dele não se apurou maiores detalhes e influências. Faz-se apenas o registro da sua existência pela coincidência do nome e para que ele não perca o Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

4 – Colunas Literárias

Coluna Trem de História

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2014

Continuação do estudo sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Não foram apenas os dois autores citados no artigo anterior que escreveram colunas literárias publicadas nos antigos jornais de Leopoldina. No jornal O Leopoldinense, havia uma coluna denominada Folhetim, na metade da primeira página.

Na Gazeta de Leopoldina, na edição nº 5 do terceiro ano, foi inaugurada uma seção, também na primeira página, com o título A Gazetinha e o subtítulo Folha Literária.

Em outros jornais da época existiam colunas contendo material semelhante, que no livro “História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder”, organizado por Ariane Ewald e outros, é descrito como crônicas folhetinescas “divulgadoras de uma trama social, de um estilo de vida, de valores que sinalizaram a modernidade no século XIX”. Que equivaliam ao que Nelson Werneck Sodré classificou de “romances e novelas anônimas, fabricadas aos montes para distrair o espírito das sinhazinhas e dos estudantes”.

É o caso, por exemplo, d’O Leopoldinense, que durante o ano de 1881 publicou a tradução feita por Silva Ennes para A Condessa de Talma dividida em várias edições, sem ter sido indicada a nacionalidade ou o nome do autor da obra.

Também eram publicadas traduções e análises críticas de obras europeias. Algumas vezes com conteúdo que surpreende por aparentar certa incompatibilidade com o que o senso comum entende ser característica da sociedade da época. Como a análise da obra “As Mulheres que Votam e as Mulheres que Matam”, de Alexandre Dumas Filho, publicada na primeira página da edição nº 51, de 07.11.1880, d’O Leopoldinense. Anunciada como “correspondência do Leopoldinense”, o texto informa que a primeira parte da obra trata de três mulheres acusadas de terem assassinado os pais de seus filhos, sendo uma delas atriz, a segunda uma serva e a terceira uma senhora casada. Após descrever os processos, o autor dialoga com o leitor declarando que os crimes aconteceram “porque não tendes ânimos de fazer leis que confiram à honra das donzelas as mesmas garantias que à mais grosseira mercadoria”. Já na segunda parte da obra, diz o articulista, o autor defende “o direito que tem a mulher de votar, como o homem”. O texto questiona a diferença entre sexos e declara que as teses advogadas por Dumas Filho passariam por diversas fases como espanto, hábito, experiência, dever e finalmente um bem para a sociedade.

De resto, a apreciação dessas colunas literárias suscita algumas conclusões.

Em primeiro lugar, há uma sensível diferença entre a primeira fase, em que O Leopoldinense era o único periódico e a quarta fase, com vários jornais sendo publicados simultaneamente ou não. Se naquela os autores não puderam ser identificados, nesta houve nomes que permaneceram na lide literária. Enquanto a primeira fase caracterizou-se por romances e novelas anônimas, na última eram publicadas poesias, contos curtos e pequenas crônicas, quase sempre com identificação da autoria. Por outro lado, a quarta fase inaugurou a época das charadas, piadas e colunas de opinião.

De todo modo, não se pode esquecer o alerta do livro de Ariane Ewald de que as “crônicas são fragmentos e, ao mesmo tempo, elementos do social” e que tais “fragmentos da vida no século XIX indicam também os sinais mais públicos e visíveis do projeto da modernidade” que se vivia à época. Ampliando-se a área de alcance destes conceitos para além das crônicas folhetinescas, percebe-se que outras matérias publicadas nos primeiros periódicos leopoldinenses se enquadram na mesma condição de reflexo da vida cotidiana.

De certo modo foi o que se observou, por exemplo, na crônica publicada na edição de 30.01.1896 da Gazeta de Leopoldina, assinada por J. Lorbela, provável pseudônimo. Após uma introdução bastante rebuscada em elogios ao distrito de Conceição da Boa Vista, o autor usa de fina ironia para denunciar “esse ninho de águias” que seria o Conselho Distrital e fazer provocações sobre a falta de água, de iluminação e de prédio para a escola. No prosseguimento, declara que não houve eleição no distrito porque “na forma do costume, os eleitores deixaram-se ficar no seu dulce far niente”, abstendo-se de participar do pleito. E encerra o texto pedindo ao fiscal distrital para por “termo às infrações ao estatuto municipal, tão desrespeitado por indivíduos menos ocupados que se divertem dia e noite a alvejar as suas armas, pondo em sobressalto crianças e famílias”. Pela leitura das crônicas deste articulista durante boa parte do ano de 1896 é possível acompanhar o cotidiano do distrito de Conceição da Boa Vista.

Dá até vontade de continuar nesta toada. Mas o Trem de História soou o apito indicando que é chegada a vez do vagão que vai explicar as razões para Leopoldina ter tido tantos periódicos em tão pouco tempo. Aguardem.

Apontamentos para a História da Educação em Leopoldina

O administrador municipal de 1895 fez publicar, no jornal de sua propriedade, uma série de artigos denominados Governo Local nos quais manifestava opinião sobre variados temas de interesse público. Uma destas colunas, publicada há exatos 119 anos, o tema era o então chamado Ensino Primário e a Escola Noturna.

Iluminação a gaz em Leopoldina

Há 114 nos inaugurava-se a iluminação a gaz acetileno no jardim do Largo Visconde do Rio Branco, atual Praça Professor Botelho Reis. Este local, que em meados do século XX passou a ser conhecido como “pracinha do Ginásio”, foi o jardim central da cidade antes da urbanização do Parque, hoje Praça Félix Martins.

Esta modernização havia sido anunciada no dia 24 de dezembro de 1899, como se verá no anúncio a seguir.

Conforme se vê nesta notícia, Leopoldina teria sido pioneira na instalação deste tipo de iluminação pública.