42 – Gazeta de Leopoldina

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O Trem de História de hoje pretende falar sobre o mais duradouro e conhecido dos periódicos da cidade, a Gazeta de Leopoldina, fundada em abril de 1895, tendo como redatores e proprietários os senhores José Monteiro Ribeiro Junqueira e Antonio A. Teixeira. E como secretário gerente, Emílio A. Pereira Pinto.

Mas antes de tratar do assunto proposto, é importante registrar um agradecimento especial à Casa de Leitura Lya Maria Müller Botelho, detentora do acervo deste jornal, pela oportunidade de consultar o material ali existente. Até o início da redação da monografia de conclusão da pós-graduação, haviam sido consultados apenas os números existentes na Biblioteca Nacional e no Arquivo Público Mineiro. O acesso ao conjunto completo do mais longevo periódico que existiu em Leopoldina foi fundamental para compreender alguns aspectos que só se descortinaram com a leitura de números publicados na década posterior ao fim do período que foi objeto do trabalho.

Nelson Werneck Sodré, em A História da Imprensa no Brasil, afirma que as últimas décadas do século XIX representam uma grande época política e também literária.

Analisando os periódicos que circularam em Leopoldina no período, pode-se concluir que a efervescência literária marcou a imprensa local, num momento em que a cidade se destacava culturalmente e contava com muitas instituições de ensino de qualidade. Dentre os periódicos, a Gazeta de Leopoldina foi exceção por ultrapassar todos os outros em carga política.

Registre-se que este jornal surgiu quando a cidade contava com um bom número de folhas em circulação. E já em seus primeiros números mostrou a que veio: pavimentar a estrada para seu proprietário alcançar postos mais altos na política.05

É bom que se recorde que, naquele momento, o Sr. Ribeiro Junqueira não tinha assegurada sequer a sua posição à frente do governo local. Então, para ele que demonstrava pretensões claras, era crucial afastar os eventuais oponentes. E um dos meios a ser utilizado era a imprensa. Assim, de abril de 1895, quando veio à luz, a dezembro de 1899, último número analisado para este trabalho, raras foram as edições da Gazeta de Leopoldina que não disseminaram ironias e acusações contra seus oponentes. Fossem artigos do redator ou dos colaboradores, todos os periódicos publicados naquele quinquênio receberam alfinetadas mais ou menos intensas da folha que pretendia ser líder. E todos deixaram de circular pouco depois. Alguns sendo substituídos por outros títulos que também não sobreviveram ao furor com que a Gazeta lutava para reinar sozinha.

Nas edições do final do ano de 1896, a Gazeta de Leopoldina não deixou de dar algumas espetadelas em O Mediador e O Leopoldinense, pelo fato de terem sido escolhidos para publicar, no ano seguinte, os Atos da Câmara. E não foi apenas contra o nome dos periódicos que subterfúgios linguísticos frequentaram as páginas da Gazeta de Leopoldina, com o objetivo de desacreditar os concorrentes. Em diversas oportunidades também cita nomes de redatores ou proprietários dos outros jornais, quase sempre com alguma pitada de sarcasmo para denegri-los.

Como se vê, nos seus primeiros anos de vida, que correspondem aos últimos da série aqui estudada, a Gazeta de Leopoldina operava de forma bem diversa do que se conhece dos anos posteriores. Era, em certos momentos, um verdadeiro pasquim da imprensa local. Diante disto, e reconhecendo o seu valor histórico no meado dos novecentos, o Trem de História ressalta que ler só a Gazeta impedirá o leitor de conhecer o panorama sócio cultural que vigorava na Leopoldina daqueles tempos. Infelizmente, porém, não há edições dos demais periódicos na Biblioteca local, tendo sido necessário consultar os acervos da Biblioteca Nacional e do Arquivo Público Mineiro. Atualmente não é mais necessário visitar estas instituições, pois ambas dispõem de uma Hemeroteca digital em seus sites.

Na próxima edição o Trem de História abordará o último periódico utilizado em nossos estudos. Até lá!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2016

7 – Periódicos e suas Histórias

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Conforme prometido no artigo anterior o Trem de História traz um pouco da vida dos vinte e um periódicos publicados no município de Leopoldina entre 1879 e 1899. De alguns deles se falará um pouco mais em vagões posteriores.

01) O Leopoldinense, o mais antigo deles, circulou de 1879 a 1900. É o primeiro da lista e a ele se voltará em artigo posterior;

02) O Correio da Leopoldina veio em seguida, no ano de 1881. Deste se sabe apenas, por nota d’O Leopoldinense de 03.07.1881 que José de Souza Soares Filho e Manoel Teixeira da Fonseca Vasconcelos eram seus redatores e proprietários.  É possível que fossem moradores do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita;

03) O terceiro periódico é O Povo, que segundo o já citado Xavier da Veiga teria circulado de 1885 a 1890 no distrito de Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira). Dele pouco se sabe. Foram encontradas três edições datadas de 1885 e 1886, ano em que o proprietário se transferiu para Cataguases, onde continuou publicando o periódico;

04) Princípio da Vida. Deste periódico se sabe apenas que foi lançado em 1885;

05) O Pássaro, lançado em 1886, do qual não foram encontradas edições;

06) Estrela de Minas teve sua data de lançamento – 29 de julho de 1887, registrada por José Pedro Xavier da Veiga na monografia A Imprensa em Minas Gerais, publicada em 1894 em fascículo do jornal Minas Geraes e republicada em 1898 na Revista do Arquivo Público Mineiro. Entretanto, nenhuma edição foi localizada;

07) Ideia Nova teve o lançamento informado também por Xavier da Veiga, e assim como do anterior não foram encontradas suas edições. No jornal A Província de Minas, edição 501, 24 de novembro de 1887, página 1, anuncia-se o aparecimento no dia 17 de novembro de 1887, sob direção de Jacobino Freire e Reynaldo Matolla, sendo de propriedade de Arnaldo Lessa;

08) Irradiação circulou entre 1888 a 1890. Sua história será um pouco mais detalhada em artigo posterior;

09) A Voz Mineira. Deste periódico tem-se o registro de que circulou em 1890. Está na lista dos desconhecidos;

10) Gazeta de Leste circulou entre 1890 e 1891. Trazia no subtítulo a informação de que era Órgão Popular. Seu redator e proprietário era José de Moura Neves Filho. É mais um periódico que terá sua história contada em artigo vindouro;

11) A Leopoldina registra na sua primeira edição a data de 16.02.1893. Também sobre este periódico se vai falar em artigo futuro;

12) A Phalena é uma publicação de 1894 da qual nada mais se conseguiu apurar;

13) A Voz de Thebas foi um periódico publicado entre 1894 a 1897 no distrito de mesmo nome. Deste periódico se vai falar mais adiante;

14) O Correio de Leopoldina é de 1894. Um pouco mais sobre a sua história virá em artigo posterior;

15) A Gazeta de Leopoldina, o décimo quinto jornal do período, foi lançada em 1895. Um vagão inteiro será pouco para contar a sua história, como adiante se verá;

16) O Mediador circulou entre 1895 a 1896. Mais adiante se dará mais detalhes sobre sua trajetória;

17) O Tiradentes, publicado em 1897, foi mencionado por Xavier da Veiga como jornal do arraial de Vista Alegre, em Leopoldina. Na única edição encontrada informa-se que o proprietário foi M. C. Machado Júnior, os redatores eram Francisco Gama e Alberto Guimarães e o local consta como Vista Alegre (Minas). Ocorre que o distrito cataguasense recebeu este nome por causa da Estação Vista Alegre que havia sido instalada anos antes no município de Leopoldina, donde é comum encontrar referência a Vista Alegre como se fosse distrito de Leopoldina;

18) O Arame, jornal que circulou entre os anos 1898 a 1899, do qual foram encontrados 23 exemplares em acervo particular. Sobre ele se falará um pouco mais em artigo posterior;

19) A Lyra teria circulado em 1898 no distrito de Campo Limpo, conforme noticiado no jornal O Arame, de 11.12.1898. Seu proprietário e redador foi Jorge de Albuquerque Júnior;

20) O Pelicano, consagrado à maçonaria, teve seu lançamento em 1898. Tinha José Werneck como seu diretor e circulou no distrito de Campo Limpo; e,

21)O Recreio, lançado em 1899 no então distrito do mesmo nome, conforme a Gazeta de Leopoldina de 08.01.1899.  Era editado por “A. Napoleão & C”.

Com o Recreio encerra-se a relação dos 21 periódicos publicados em Leopoldina entre 1879 a 1899. Mas seguindo a História da Imprensa em Leopoldina, a partir do vagão seguinte o leitor conhecerá um pouco mais sobre alguns destes periódicos. “Aguardem a próxima composição”, diria o agente da estação.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 12 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Efemérides Leopoldinenses: Julho

O mês de julho na história antiga de Leopoldina.

1 de julho

1882


Olímpio Clementino de Paula Corrêa é professor de Português, Francês e Latim em Leopoldina.

2 de julho

1877

Inauguração da Estação de Leopoldina da Estrada de Ferro Leopoldina. [1]

Estação da Estrada de Ferro em Leopoldina.


4 de julho

1857

Laranjal

A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, município de Leopoldina, fica elevada a Distrito de Paz. [2]


10 de julho

1876

Presidente da Província é autorizado pela Assembleia Legislativa a auxiliar na construção de uma estrada (caminho) que da estação de ferro de Providência se dirija à cidade de Leopoldina. [3]


14 de julho

1832

São José do Paraíba: trajetória administrativa.

1895

Lançamento do jornal O Mediador, tendo como redator Alberto Moretz-Sohn Monteiro de Barros e como gerente, Alexandre Chaves. O novo jornal foi saudado nas edições dos concorrentes A Voz de Thebas – edição de 14 julho e Gazeta de Leopoldina – edição de 18 de julho.


15 de julho

1872

Criação da Comarca de Leopoldina e seus primeiros juízes.

1896

Em 1895 estava em funcionamento uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina, nas proximidades da Estação de Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina. [4]


16 de julho

1897

Leopoldina deixa de pertencer à diocese do Rio de Janeiro e é transferida para Mariana. [5]


17 de julho

1883

Antonio Diogo Vieira, professor público de Leopoldina.


19 de julho

1872

O Curato de Conceição da Boa Vista, pertencente do município de Leopoldina, é elevado à categoria de Paróquia. [6]


Referências:

[1] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag. 639

[2] Lei Mineira nr 818, de 04 de julho de 1857

[3] Lei Mineira nr 2287, de 10 de julho de 1876

[4] Mensagem do Presidente da Província Crispim Jaques Bias Fortes, 15 de julho de 1896, pag. 31

[5] Ata de Instalação da nova Comarca Eclesiástica, no livro de batismos 1897-1898, páginas 49 verso e 50

[6] Lei Mineira nº 1902, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro