157 – A Barca do Miranda e o distrito Vista Alegre

É difícil escrever sobre Vista Alegre sem que venha à lembrança a música de Serginho do Rock[1] com seu inspirado refrão: “se você está triste? Vista… Alegre!…” E, sem lembrar a ponte de metal, de onde o cantor sugere que se aprecie o visual.

Estação da Estrada de Ferro Leopoldina

Sacudindo estas lembranças e a saudade da Estação de onde partia a verdadeira Maria Fumaça, que pelo vale do Ribeirão Jacareacanga chegava ao centro de Leopoldina, o Trem de História segue tratando da Fazenda Santana dos Miranda, da Barca do Miranda e de Vista Alegre.

É sabido que Artur Vieira[2] se baseou em livros dos cartórios de notas de Cataguases, o que lhe confere um valor especial por ter utilizado fontes pouco consultadas e conhecidas. E foi em livros também pouco conhecidos, da Câmara de Leopoldina, que informações complementares surgiram. Num deles, dos primeiros anos após a emancipação do Feijão Cru, há referência a uma autorização para construção de barca para transposição do Rio Pomba. A Lei nº 734, de 24.05.1855, oficializou a decisão da Câmara da Villa Leopoldina de autorizar a construção de barca e a cobrança de taxas de acordo com a Lei nº 140. Até aqui, não se encontrou informação sobre o barqueiro nem tampouco sobre o local de aportamento de tal barca.

Ao consultar livros de controle fiscal do armazém da Estrada de Ferro Leopoldina em Campo Limpo (Ribeiro Junqueira), observa-se que no ano de 1880 aquele entreposto recebia produtos vindos de fazendas localizadas no outro lado do Rio Pomba, no então distrito de Laranjal, município de Cataguases. Pesquisando os livros do Registro de Porto Novo do Cunha, para o período 1841-1859, constata-se, ainda, que desde então mercadorias atravessavam o Rio Pomba para serem embarcadas em tropas na margem direita que as levariam até o Porto das Barcas, no Rio Paraíba do Sul, no atual município de Aperibé, RJ.

Sabendo-se, através dos nomes dos fazendeiros, que a produção de Leopoldina e arredores era embarcada[3] no Porto das Barcas até 1870, restava identificar o ponto em que as tropas coletavam estas mercadorias, antes da construção da ferrovia.

A continuação das pesquisas, por referências esparsas, indica como o local possível desta coleta o porto da Barca do Miranda.

O distrito de Vista Alegre

Quanto à criação do distrito de Vista Alegre, no município de Cataguases, Arthur Vieira informa que o distrito policial é de outubro de 1883. Mas Ribeiro Costa[4] deu uma interpretação diferente ao levantar a hipótese de que o distrito não teria sido instalado após a Lei nº 3171 em virtude de sua elevação a distrito policial e de paz ter sido determinada pelo Decreto nº 150 de 21 de julho de 1890.

Segundo Waldemar Barbosa[5], o Decreto nº 406 de 06 de março de 1891 criou o distrito de paz na povoação de Vista Alegre, no município de Leopoldina, localidade por ele não identificada. Já Ribeiro Costa se refere ao mesmo Decreto nº 406 para informar que o distrito no município de Leopoldina não teria sido instalado. Mas é curioso observar que a estação ferroviária de Vista Alegre, no município de Leopoldina, na margem direita do Rio Pomba, é de 1877. O distrito criado no município de Cataguases, na margem esquerda do mesmo rio, é de 1890. E o Decreto nº 406, que trata da criação de um distrito de mesmo nome no município de Leopoldina, é de 1891.

Ficou, então, a dúvida sobre a criação e eventual existência de um distrito de paz no município de Leopoldina com o nome de Vista Alegre. A busca da resposta para esta questão passou por consulta não só à legislação como também a processos judiciais, já que era também antiga a dúvida a respeito da existência de um Engenho Central Aracaty na margem direita o Rio Pomba.

Oras, sabendo-se que o nome remete ao povoado de Aracati, município de Cataguases, natural era entender que tal Engenho tenha funcionado na margem esquerda.

Mas através da análise das divisões e sucessões em propriedades rurais localizadas entre a foz do Rio Pardo no Pomba e a estação de Vista Alegre, foi encontrada resposta para a primeira questão. Sim, o Engenho Central Aracaty foi criado no município de Leopoldina em 1879 e o nome remetia ao município cearense, Aracaty, onde nasceu um dos sócios fundadores do engenho, Teófilo Domingos Alves Ribeiro, casado com Rita, irmã do sócio Custódio Martins da Costa Cruz.

Registre-se que na margem direita do Rio Pomba, na área denominada Circuito, a família de Joaquim José da Costa Cruz se instalara na década de 1850, em terras adquiridas dos herdeiros da fazenda Benevolência e outros confrontantes. Em 1880, promoveram a divisão e demarcação dos então denominados sítios Porangaba e Aracaty, e neste último funcionou o mencionado Engenho Central, contando até mesmo com um pequeno trecho de trilhos para levar a produção até a Estação de Vista Alegre.

Naquele período não foram poucas as referências ao distrito de Vista Alegre, inicialmente entendidas como sendo no município de Cataguases. Até que, em outros processos judiciais de Leopoldina foram encontradas algumas citações como, por exemplo, “sorte de terras em capoeira e matta virgem situadas em Vista Alegre desta Freguesia e comarca”, aqui transcrita como encontrada nos originais. Na década de 1880 Cataguases já havia se emancipado e não mais pertencia à Freguesia nem à Comarca de Leopoldina. Como se justificaria, então, a expressão “Vista Alegre desta Freguesia e comarca” utilizada por escrivães e oficiais de justiça até, pelo menos, 1893?

Como pode deduzir o leitor, a pesquisa continuará. Mas por hoje o Trem de História termina aqui. Na próxima edição ele trará outros Pioneiros de Leopoldina. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado na edição 410 no jornal Leopoldinense de 1 de setembro de 2020

Fontes consultadas:
[1] Antônio Sérgio Lima Freire (Serginho do Rock) nasceu no dia 26.10.1940, na chácara dos avós paternos, em Leopoldina-MG. Filho de Antônio Bastos Freire (Tonico Bastos) e de Marília de Lima Freire (Sinhazinha). Hoje Serginho do Rock é patrono da cadeira nº 9 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes – ALLA.
[2] SILVA, Arthur Vieira de Resende O Município de Cataguazes. Revista do Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, v. 13, 641-1028, ano 1908. p. 905
[3] Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro. Registro do Porto Novo do Cunha 1841-1842 e 1859; Registro da Barra do Pomba, 1860; Fundo Presidência da Província do Rio de Janeiro, Notação 439, 1864; Registro do Campo Limpo, 1880.
[4] COSTA, Joaquim Ribeiro. Toponímia de Minas Gerais. Belo Horizonte, Itatiaia, 1993. p.424
[5] BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia,1995.

130 – Primeiros impactos: a chegada do Trem e o desenvolvimento

O Trem de História hoje vai falar do Trem real e dos impactos provocados com a sua chegada.

É evidente que o braço escravo contribuiu muito para o desenvolvimento das fazendas da região. Mas é certo, também, que na década de 1870 começaram a ocorrer modificações estruturais importantes no processo de urbanização da região, desencadeadas com a abertura da Estrada de Ferro Leopoldina.

Segundo o Recenseamento de 1872[1], no município de Leopoldina, que na época incluía Angustura e os atuais municípios de Argirita, Cataguases, Laranjal, Miraí, Pirapetinga e Recreio, existiam 4.853 propriedades rurais com uma população total de 46.900 pessoas. Entre as freguesias que compunham o município, São Sebastião da Leopoldina tinha a maior área territorial, a maior população e fontes[2] de 1856 mostram que era também onde se encontrava o maior número de grandes propriedades.

É bom lembrar que os trilhos da Estrada de Ferro começaram a chegar pelas estações ferroviárias de Porto Novo (Além Paraíba), Pântano (depois Antônio Carlos e atual Fernando Lobo), Volta Grande, São Luiz (Trimonte) e Providência, em 1874; São Martinho, em 1875; Santa Isabel (Abaíba), Recreio e Campo Limpo (Ribeiro Junqueira), em 1876; Vista Alegre, Leopoldina e Cataguases, em 1877; São Joaquim (Angaturama), Aliança (Cisneiros) e Palma, em 1883; Banco Verde, em 1884; e, Morro Alto (Barão de Monte Alto), em 1885. E foi a partir daí que chegaram a essas comunidades urbanas os serviços de água encanada, esgoto e energia elétrica, o que provocou grandes mudanças.

Com o trem começou, também, a chegar a nova força de trabalho, representada pelos imigrantes, o que modificou profundamente a economia local. No início, através do sistema de colonato implantado nas fazendas, com a circulação de mercadorias ainda sob o poder dos mesmos comerciantes do período escravista que logo tiveram que mudar de postura, forçados pela demanda do imigrante que chegara com outros valores e outra socialização.

A partir de então, não era mais somente o feitor que se dirigia ao ponto de venda em busca dos suprimentos que mantivessem em funcionamento a fazenda. Com trabalhadores remunerados, os fazendeiros não podiam mais determinar a aquisição de certos produtos de fornecedores previamente acordados, porque o imigrante passou a decidir onde e quando comprar. E em sua ânsia de fare l’America, impunha todo tipo de sacrifício para sua família, tendo por catecismo a necessidade de poupar sempre. E se o preço cobrado ou as condições do negócio lhe pareciam inadequadas, era o imigrante que decretava o fim do consumo daquele produto, o que obrigava o comerciante e rever seus conceitos.

Outra novidade que trouxe grande contribuição para a rápida mudança do panorama foi o sistema de contratação. Os trabalhadores realizavam um sem número de tarefas extras, sempre remuneradas à parte. Por vezes o chefe da família imigrante alugava sua própria força de trabalho para atividades extraordinárias como a derrubada da mata, o fabrico de móveis ou a construção de casas, enquanto a esposa e os filhos cuidavam da manutenção das “ruas de café” pelas quais assumira compromisso com o proprietário da fazenda.

Além disto, ao ser contratado o colono passava a ter direito a um pedaço de terra onde podia plantar os víveres de que necessitasse, o que possibilitava vender o excedente.

A forma de encarar o trabalho e a ferrenha vontade de vencer do imigrante modificaram substancialmente a economia do município. Mudanças com reflexos evidentes, principalmente no modo de produção e nas relações de trabalho e consumo que resultaram, nos anos seguintes, em profunda alteração na vida sócio-econômica de Leopoldina e, acredita-se, de todas as cidades que receberam grande número de trabalhadores livres naqueles últimos anos do século XIX.

No final dos oitocentos, em Leopoldina alguns imigrantes já não trabalhavam em propriedades particulares, mas numa colônia organizada pela Câmara Municipal[3]. Se no início eram colonos lavradores, logo passaram a atuar como pequenos artesãos e comerciantes de verduras, legumes e frutas. A consequência desta modificação no sistema de produção parece ter se refletido na cidade, abrindo novos mercados de trabalho e oportunidades para o estabelecimento de uma relação de emprego e renda que influenciou diretamente a economia local.

Não são poucas as obras que abordam o crescimento das periferias, promovido pela migração interna conhecida como êxodo rural. A família que deixa a área rural vai residir em áreas no entorno do núcleo do povoado e passa a atender às necessidades dos moradores locais, exercendo atividades tão variadas quanto a construção de pequenos artefatos em madeira, o plantio e venda de frutas e verduras, atividades da construção civil etc.

Tais práticas indicam a junção de vários fatores que promoveram, no caso de Leopoldina, o crescimento de áreas como o bairro Ventania ou, Quinta Residência, que surgiu às margens do antigo leito da Rio-Bahia, desenvolveu-se com a instalação da Residência do DER-MG e transformou-se num bairro bastante populoso, embora antes mesmo da abertura da antiga rodovia ali já estivessem residindo diversas famílias de imigrantes.

A história não para, mas o Trem precisa fazer uma pausa. Ele volta com nova carga no próximo número do Jornal. Aguardem!


Fontes de referência:

1 – Recenseamento do Brasil em 1872. Segunda Parte: Província de Minas Gerais. Publicação do Serviço Nacional de Estatística.

2 – Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, Registros de Terras TP 97, 114, 120, 121, 151 e  155 ; Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro,  Registro de Terras da Paróquia de Santo Antônio de Pádua.

3 – Os livros contábeis da Câmara Municipal de Leopoldina, relativos ao último decênio do século XIX, registram pagamentos de víveres e objetos adquiridos de imigrantes da Colônia Santo Antônio.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 383 no jornal Leopoldinense de 28 de junho de 2019

 

Estrada de Ferro Leopoldina chega a Leopoldina

O dia 10 de dezembro de 1874 representa a data oficial de inauguração da primeira estação em território que ainda hoje pertence ao município de Leopoldina. Esta é a data informada por Xavier da Veiga, nas Efemérides Mineiras: 1664-1897 [Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes. pag 1042]. Entretanto, uma nota no Jornal do Commercio de 18 de dezembro de 1874, edição 350, página 4, informa que a estação de Providência foi aberta ao tráfego no dia 9 de dezembro de 1874.

Como se sabe, a lei nº 1.826 da antiga província de Minas Gerais, datada de 10 de outubro de 1871, concedeu privilégio para a construção de uma primeira estrada de ferro entre Porto Novo do Cunha, na fronteira entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, e Leopoldina. Posteriormente o decreto do governo imperial nº 4.914, de 27 de março de 1872, modificou a concessão, estendendo o percurso até Cataguases, com uma estação em Vista Alegre – então um povoado às margens do Pomba em território de Leopoldina, e o centro de Leopoldina.

Dois meses antes da inauguração da estação em Providência começaram a funcionar as estações Porto Novo (Além Paraíba), Pântano (depois Antônio Carlos, atual Fernando Lobo) e Volta Grande. A estação de São José, localizada entre a Porto Novo e a Pântano, só foi construída mais tarde, com o objetivo de desafogar a estação Porto Novo que era o ponto de ligação da Estrada de Ferro Pedro II com a Leopoldina.

No mesmo dia em que Providência foi inaugurada, começou também a funcionar a estação São Luiz (Trimonte). No ano seguinte foi a vez de iniciarem as operações em São Martinho e ser concluído o assentamento dos trilhos até Santa Isabel (Abaíba), cuja estação foi inaugurada somente em 25 de maio de 1876. Entre junho e agosto de 1876 foi a vez das estações Recreio e Campo Limpo (Ribeiro Junqueira) e no dia 02 de julho de 1877 foram inauguradas as estações Vista Alegre e Leopoldina.

 

Efemérides Leopoldinenses: Março

Memorial diário da história de Leopoldina, com acontecimentos do mês de março.

1 de março

1891

Começam a funcionar em Leopoldina o Colégio Werneck e o Banco de Leopoldina.


9 de março

1990

Morre em Leopoldina a professora Judith Lintz Guedes Machado[1], patrona da cadeira nº 4 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.


12 de março

1891

Baldoíno Teixeira Lopes Guimarães presta exame de habilitação para atuar como advogado.


13 de março

1897

Nasce em Leopoldina, Ormeo Junqueira Botelho[2], patrono da cadeira nº 22 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.


15 de março

1891

Antigos fotógrafos em Leopoldina: F. S. Teixeira, Manoel Machado de Azevedo Dias, Cesar Rolly, Hamilton Vascencelos e Jarbas Pereira da Silva.


18 de março

1941

Morre em Leopoldina o médico e político Custódio Monteiro Ribeiro Junqueira[3], patrono da cadeira nº 16 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.


23 de março

1843

O Feijão Cru aparece pela primeira vez num Relatório da Presidência da Província, relativo ao ano de 1842, como freguesia composta dos distritos do Feijão Cru e do Angu, pertencendo ao município de São João Nepomuceno, contando com 562 casas e 220 eleitores[4].


25 de março

1855

Leopoldina conta com 3 igrejas e 1 capela.

1894

Nasce em Pedralva, MG, Irineu Lisboa[5] patrono da cadeira nº 1 da Academia Leopoldinense de Letras e Artes.

1899

Dilermando Cruz publica o poema Ser Noivo, dedicado ao amigo e colega de trabalho Ricardo José de Oliveira Martins.


27 de março

1841

O curato de Madre de Deus do Angu é elevado à categoria de Distrito de Paz.

A lei que criou o Distrito do Angu é a mais antiga referência ao Distrito do Feijão Cru em documentos oficiais, já que não foi encontrado o documento que o criou. Como se pode ver na imagem abaixo, em seu Artigo 5 determina que o Ribeirão do Rio Pardo marque a divisa entre os distritos do Feijão Cru e do Senhor Bom Jesus (atual Argirita).

Esta lei marca as divisas entre os distritos do Rio Pardo e do Feijão Cru.

1872

Decreto Imperial concede ao engenheiro Antonio Paulo de Mello Barreto autorização para organizar uma companhia que se incumba de construir uma estrada de ferro econômica, entre a Estação do Porto Novo do Cunha e Santa Rita da Meia Pataca[6]


28 de março

1818

Maria Umbelina de Santa Brígida e Antônio Francisco Teixeira Coelho recebem duas sesmarias no Sertão do Rio Paraíba do Sul[7]. No testamento de Antônio Francisco confirma-se que eles haviam tido a filha Maria Antônia de Jesus que se casou em Prados, os 18 de setembro de 1822[8], com Bernardo José Gonçalves Montes, que recebeu as duas sesmarias como dote. No mesmo testamento é informado que as terras foram repassadas para Antônio José Monteiro de Barros. As duas sesmarias estão na origem da Colônia Agrícola da Constança e da Fazenda Paraíso.


[1] Cartório de Registro Civil de Leopoldina, MG, Livro de Óbitos 88-91 fls 206 termo 4407.

[2] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lápide no túmulo.

[3] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lápide no túmulo.

[4] Exposição feita pelo Exmo. Conselheiro Bernardo Jacintho da Veiga, na qualidade de presidente da província de Minas Gerais, a seu sucessor, o Exmo. Tenente-general Francisco José de Souza Soares de Andréa, no ato da sua posse. Rio de Janeiro: Typ. Imp. e Const. de J. Villeneuve e C.a, 1843, Mapa 9, p. 2

[5] Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, data na lápide no túmulo.

[6] VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. v. 1, p. 338

[7] Revista do Arquivo Público Mineiro. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, vol. 37, nr. 1, 1988, SC. 377 fls 68 e 70.

[8] SETTE, Bartyra e JUNQUEIRA, Regina Moraes. Projeto Compartilhar(http://www.projetocompartilhar.org/), ensaio Os Rodrigues Dantas. Acesso set.2007.

Efemérides Leopoldinenses: Maio

Aconteceu em Leopodina, em antigos meses de maio.

1 de maio

1853

O Relatório da Presidência da Província informa que naquele ano o distrito do Feijão Cru estava dividido em 4 quarteirões, que ali residiam 237 votantes e que pertencia ao município de Mar de Espanha. Informa ainda que o distrito da Piedade contava com 199 votantes em 7 quarteirões, que o Rio Pardo dividia-se em 9 quarteirões com 154 votantes e que Conceição da Boa Vista contava com 358 votantes. No ano seguinte o Feijão Cru seria emancipado e, além dos distritos da Piedade, Rio Pardo e Conceição da Boa Vista, seria cabeça de uma grande área territorial.


9 de maio

1890

Criação do distrito de Providência.


12 de maio

1895

Uma notícia sobre pagamento a professores permitiu costurar alguns dados sobre antigas escolas no distrito de Campo Limpo, atual Ribeiro Junqueira.


15 de maio

1855

No segundo ano de emancipação, Leopoldina contava com os seguintes professores públicos: Antônio Felício de Miranda e Maria Carlota da Gama.


16 de maio

1867

O proprietário da Fazenda Suspiro teve negado seu pedido para interromper um caminho que ele mesmo mandara fazer.


20 de maio

1865

Nasce Lino Montes, um dos mais antigos restratistas pintores de Leopoldina.


21 de maio

1881

Decreto nº 8.117 organiza os distritos eleitorais da Província e Leopoldina é o nono distrito.

Artigo do Decreto 8117 de 21 de maio de 1881


24 de maio

1855

Assembleia Legislativa Provincial autoriza a Câmara Municipal da Vila Leopoldina a construir uma barca para dar passagem no Rio Pomba, cobrando as taxas devidas dos passantes.


25 de maio

1876

Inauguração da Estação de Santa Isabel (Abaíba) da Estrada de Ferro Leopoldina[1]


31 de maio

1856

Assembléias Legislativa Provincial aprova as Posturas da Câmara Municipal da Vila Leopoldina: 220 artigos divididos entre 7 títulos.

Caput da Resolução nr 788 de 31 de maio de 1856

1893

Território mineiro é dividido em 5 distritos de imigração, sendo que o 2º tem sede em Leopoldina [2]

______________________________________

Notas

[1] VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, p. 516

[2] idem, p. 525

Efemérides Leopoldinenses: Julho

O mês de julho na história antiga de Leopoldina.

1 de julho

1882


Olímpio Clementino de Paula Corrêa é professor de Português, Francês e Latim em Leopoldina.

2 de julho

1877

Inauguração da Estação de Leopoldina da Estrada de Ferro Leopoldina. [1]


4 de julho

1857

Laranjal

A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, município de Leopoldina, fica elevada a Distrito de Paz. [2]


10 de julho

1876

Presidente da Província é autorizado pela Assembleia Legislativa a auxiliar na construção de uma estrada (caminho) que da estação de ferro de Providência se dirija à cidade de Leopoldina. [3]


14 de julho

1832

São José do Paraíba: trajetória administrativa.

1895

Lançamento do jornal O Mediador, tendo como redator Alberto Moretz-Sohn Monteiro de Barros e como gerente, Alexandre Chaves. O novo jornal foi saudado nas edições dos concorrentes A Voz de Thebas – edição de 14 julho e Gazeta de Leopoldina – edição de 18 de julho.


15 de julho

1872

Criação da Comarca de Leopoldina e seus primeiros juízes.

1896

Em 1895 estava em funcionamento uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina, nas proximidades da Estação de Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina. [4]


16 de julho

1897

Leopoldina deixa de pertencer à diocese do Rio de Janeiro e é transferida para Mariana. [5]


17 de julho

1883

Antonio Diogo Vieira, professor público de Leopoldina.


19 de julho

1872

O Curato de Conceição da Boa Vista, pertencente do município de Leopoldina, é elevado à categoria de Paróquia. [6]


Referências:

[1] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag. 639

[2] Lei Mineira nr 818, de 04 de julho de 1857

[3] Lei Mineira nr 2287, de 10 de julho de 1876

[4] Mensagem do Presidente da Província Crispim Jaques Bias Fortes, 15 de julho de 1896, pag. 31

[5] Ata de Instalação da nova Comarca Eclesiástica, no livro de batismos 1897-1898, páginas 49 verso e 50

[6] Lei Mineira nº 1902, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

Efemérides Leopoldinenses: Outubro

O mês de outubro na história de Leopoldina.

1 de outubro

1874

Resultado do Recenseamento de 1872.


5 de outubro

1893

Publicados os Estatutos da Sociedade Anônima Arcádia Leopoldinense, destinada à instrução da mocidade.


8 de outubro

1873

A Assembleia Legislativa Provincial de Minas decreta que o Curato do Rio Pardo torna-se Freguesia. A Lei Mineira n. 2027, de 1 de dezembro do mesmo ano, em seu artigo 3º confirma a decisão.

Lei Mineira nº 2027, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

Na mesma data a Assembleia autoriza a presidência da província a contribuir com a construção de uma estrada de rodagem entre a estação ferroviária de Santa Izabel (hoje Abaíba) e Dores do Pomba (hoje Itapiruçu).

Estrada entre Abaíba e Itapiruçu

1874

Inauguração das primeiras estações da Estrada de Ferro Leopoldina: Porto Novo (Além Paraíba), Pântano (depois Antônio Carlos, atual Fernando Lobo) e Volta Grande. A estação de São José, localizada entre a Porto Novo e a Pântano, só foi construída mais tarde, com o objetivo de desafogar a estação Porto Novo que era o ponto de ligação da Estrada de Ferro Pedro II com a Leopoldina.

Fonte: Jornal do Commercio, 10 de outubro de 1874, edição 281, pag. 3


9 de outubro

1831

Encaminhada para o governo provincial a primeira contagem populacional com moradores do Feijão Cru.

1895

José Feijó Monteiro de Rezende vende prédio do Bairro da Grama para a Casa de Caridade.


10 de outubro

1851

Criação de novos distritos que em 1854 viriam a compor o território da Vila Leopoldina.

1871

Companhia Estrada de Ferro Leopoldina, obtém concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina. Posteriormente houve mudança na concessão e a Estrada de Ferro Leopoldina passou a ligar Porto Novo ao Meia Pataca, com o ramal Vista Alegre dando acesso à sede do município de Leopoldina.

Lei Mineira nº 1826, Coleção de Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro

1895

Primeira Sede do Colégio Imaculada Conceição.


12 de outubro

1894

Morre o Padre Muniz, sacerdote que dedicou seus últimos anos de vida aos paroquianos da Piedade, hoje Piacatuba.


13 de outubro

1817

Concedida a Fernando Affonso Correia de Lacerda, uma sesmaria com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto do Ubá, Termo de Barbacena.


14 de outubro

1817

Concedida a Jeronimo Pinheiro de Lacerda, uma sesmaria também com limite no Córrego do Feijão Cru, Distrito de Santo Antônio do Porto de Ubá, Termo de Barbacena.


16 de outubro

1861

Leopoldina é elevada a Categoria de Cidade pela Lei Mineira nº 1166.


17 de outubro

1895

Acervo da Câmara Municipal de Leopoldina: patrimônio cultural desaparecido.


18 de outubro

1883

Criação do distrito do Tapirussu que havia sido criado como distrito policial um ano antes.

1883

Criadas duas cadeiras de instrução primária em Thebas, sendo uma para o sexo feminino e outra para o masculino

Lei Mineira nº 3127, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


19 de outubro

1866

A Secretaria da Presidência de Minas Gerais oficiou ao Ministério da Guerra, pedindo informações sobre a morte, na Guerra do Paraguai, do voluntário Candido Silva Brandão que ocupava o ofício de 2º tabelião em Leopoldina.

Diário de Minas, 9 de janeiro de 1867, edição 160, pag 1


20 de outubro

1882

Criada outra escola de instrução primária para o sexo masculino

Lei Mineira nº 2902, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


23 de outubro

1882

Cedido território do então distrito da Piedade, hoje Piacatuba, para ampliar o território de Cataguases.

Lei Mineira nº 3049, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


25 de outubro

1881

O então “districto dos Thebas, município de Leopoldina”, é elevado à categoria de Freguesia.

Lei Mineira nº 2848, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


28 de outubro

1878

O empresário Custódio José Martins da Costa Cruz obtém concessão de privilégio para construção, uso e gozo de uma estrada de ferro entre Recreio e São Francisco do Glória.

Lei Mineira nº 2452, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro


29 de outubro

1874

Fuga de criminosos na Cadeia de Leopoldina, envolvendo o assassino de João José de Souza Lima, crime ocorrido em maio de 1874 na Freguesia do Espírito Santo do Empoçado, atual Cataguarino, distrito de Cataguases.

Fuga de presos da Cadeia de Leopoldina

Efemérides Leopoldinenses: Dezembro

Alguns acontecimentos de meses de Dezembro em Leopoldina.

1 de dezembro

1873

  • Lei Mineira nº 2027 eleva o distrito de Nossa Senhora da Piedade (atual Piacatuba) à categoria de Paróquia.
  • Lei Mineira nº 2029 cria escola de instrução primária para o sexo masculino no distrito da Piedade
  • Lei Mineira nº2031 eleva à categoria de Paróquia o distrito então pertencente a Leopoldina com o nome de Espírito Santo do Empossado. Atualmente é o distrito de Cataguarino, município de Cataguases.

1889

Num marco de granito exposto na entrada principal da Casa de Caridade encontra-se a inscrição “SPB – 01.12.1889”. Trata-se de data da fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, a partir de 25.03.1917, quando a S. P. B. foi liquidada. Veja.

1894

Funciona uma hospedaria de imigrantes, no sítio Jacareacanga.

Fonte: VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag 525


5 de dezembro

1882

Professor Olímpio Clementino de Paula Corrêa é designado para a 3ª cadeira de instrução primária de 2º grau na cidade de Leopoldina, como professor de Português, Francês e Geografia.

Fonte: Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, AD 46 e 47


7 de dezembro

1888

Autorizada a criação de uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina.

Fonte: Relatório do 1º vice-presidência da Província, o Sr. Barão de Camargos, em 7 de dezembro de 1888.


10 de dezembro

1874

Inauguração da Estação de Providência da Estrada de Ferro Leopoldina

Fonte: VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag 1042

1882

Anunciada a próxima abertura das atividades de filial do Colégio Venerando.


11 de dezembro

1898

Circula a primeira edição do jornal O Arame, propriedade de Ovídio Rocha.


15 de dezembro

1843

É encaminhada ao Governo Provincial a segunda Lista Nominal dos Habitantes do Distrito de São Sebastião do Feijão Cru em 1843.


17 de dezembro

1882

Numa prática da época, o resultado dos exames do Colégio Nossa Senhora do Amparo e no Externato Santo Antônio foi publicado em jornal.


18 de dezembro

1880

Autoriza a professora de instrução primária do sexo feminino Joana Carolina Pinto Coelho, a afastar-se em licença de saúde.

Lei Mineira nº 2740, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.


19 de dezembro

1865

O distrito de Santo Antônio do Muriaé (atual Miraí) é transferido de Leopoldina para Muriaé.

 


20 de dezembro

1882

Morre Joaquim Antônio Almeida Gama, proprietário da Fazenda Floresta.


22 de dezembro

1863

O Arraial de Conceição do Paraíba, no município de Leopoldina, é elevando a Distrito. Atualmente é distrito do município de Pirapetinga.

Lei Mineira nº 1172, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

 


23 de dezembro

1892

Surge a ideia de construir um fórum.

Não se sabe como o assunto progrediu. O que se apurou, através de notícia  do jornal Novo Movimento, de 9 de outubro de 1910, é que naqueles dias havia sido lançada a pedra fundamental para a construção dos prédios da Cadeia e do Fórum, na Praça Félix Martins. Já a edição da Gazeta de Leopoldina de 1 de janeiro de 1911 informa que estavam sendo feitas as fundações dos dois edifícios.


27 de dezembro

1898

Suspenso o funcionamento de escola em Campo Limpo.


31 de dezembro

1849

Curato do Feijão Cru pertence ao Bispado do Rio de Janeiro. No civil, pertence à província de Minas Gerais, ao Termo de São João Nepomuceno.

 

 

A transferência para Mariana ocorreu em julho de 1897, conforme Ata de Instalação da nova Comarca Eclesiástica, no livro de batismos 1897-1898, páginas 49 verso e 50.

Movimento da Estrada de Ferro da Leopoldina

Atendendo consulta de um visitante deste blog, voltamos a mencionar a Estrada de Ferro da Leopoldina para explicar que nosso interesse encontra-se nos 112 km que ligavam a Estação Porto Novo, da Estrada de Ferro Pedro II, à cidade de Cataguases. Neste percurso funcionavam, em 1878, as seguintes estações: Porto Novo, São José, Pântano, Volta Grande, São Luiz, Providência, Santa Isabel, Recreio, Campo Limpo, Vista Alegre, Leopoldina e Cataguases.

Segundo a tabela publicada no Almanak Laemmert, as viagens do trem de carga obedeciam ao seguinte horário:

Chegada

Partida

Porto Novo

2h00

São José

2h06

2h08

Pântano

2h26

2h28

Volta Grande

2h58

3h03

São Luiz

3h23

3h28

Providência

3h40

3h47

Santa Isabel

4h19

4h23

Recreio

4h39

4h43

CampoLimpo

5h09

5h14

Vista Alegre

5h30

5h34

Cataguases

6h10

6h30

Vista Alegre

7h06

7h10

Campo Limpo

7h26

7h30

Recreio

7h56

8h00

Santa Isabel

8h16

8h20

Providência

8h50

8h55

São Luiz

9h07

9h12

Volta Grande

9h33

9h38

Pântano

10h08

10h12

São José

10h30

10h32

Porto Novo

10h40

Na parte da tarde, em alguns dias da semana havia uma segunda viagem.

A estrada era também percorrida pelo trem misto, de carga e passageiros. Além disso, entre as estações de Vista Alegre e Leopoldina circulavam composições saindo de Leopoldina nos horários de 6h30, 7h41, 11h32 e no percurso inverso, ou seja, saindo de Vista Alegre com direção a Leopoldina às 7h15 e às 11h00, tanto para carga como para o trem misto.

Desta forma, o que se pretendia é que a ferrovia atendesse à demanda pelotransporte de passageiros e carga entre as cidades da região e sua conexão com as composições que do Porto Novo seguiam para o Rio de Janeiro ou, a partir de Três Rios, para outras cidades mineiras.