Corujão da Madrugada e a Colônia de imigrantes em Leopoldina

A agremiação carnavalesca do distrito de Tebas escolheu a Boa Sorte, com seus inúmeros descendentes de imigrantes, como tema para o carnaval de 2020. Ali se localizava a sede da Colônia da Constança, criada há 110 anos.

122 – Relembrando a pesquisa publicada em 2010

Em diversas viagens do Trem de História, na série de artigos que lembraram o Centenário da Colônia Agrícola da Constança em 2010, foi ressaltado um ensinamento do teórico francês Jacques Le Goff a respeito das duas formas de alimentar a memória: os monumentos e os documentos. Ensinou ele que monumento é o que pode evocar o passado e permitir a recordação do vivido, como estátuas, construções e documentos.

Na viagem atual será abordado, segundo os ensinamentos daquele autor, um tipo de “documento de memória” formado pela “escrita da história local”. Reúne o conhecimento que se obteve sobre o assunto até o momento em que foi escrito. E poderá ser sempre enriquecido com novas pesquisas, especialmente pelo olhar de outros pesquisadores que vierem se debruçar sobre o mesmo assunto.

É um documento que se iniciou pela pesquisa, ou seja, pela consulta de documentos de onde se extraíram dados que foram analisados à luz de outras fontes para então constituir a base sobre a qual foi realizada a escrita, como ocorreu com o resgate da história da Imigração Italiana em Leopoldina.

Durante anos os autores reuniram dados e escreveram sobre o assunto. Em abril de 2010, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança, o jornal Leopoldinense publicou um resumo histórico sobre aquela instituição, composto por alguns dos textos publicados entre 1998 e aquela data na imprensa local. Simultaneamente, os autores publicaram uma edição virtual de toda a pesquisa e suas conclusões.

Criou-se, portanto, um ‘documento de memória’ que começa, agora, a ser revisado. Porque o tempo decorrido, as pesquisas que se sucederam e outros fatores determinaram a necessidade de tal revisão.

Um aspecto importante a ser destacado é que a pesquisa começou num tempo em que ainda não existiam as novas tecnologias de reprodução da informação, obrigando o pesquisador a copiar, manualmente, os dados encontrados nas fontes pertencentes aos acervos dos diversos centros de documentação visitados.

No decorrer da década de 1990, com o surgimento de novos meios de reprodução, algumas instituições passaram a fornecer cópias que permitiram a primeira revisão ou a conferência do que se tinha obtido até então.

Na mesma década, com o início do acesso comercial à rede mundial de computadores, tornou-se mais rápido solicitar documentos dos países de origem dos imigrantes. Entretanto, a popularização do acesso demorou ainda algum tempo e até o final do projeto, em 2010, muitas instituições nacionais e estrangeiras ainda não estavam aptas a atender aos pedidos. Nos anos seguintes, muito mais se obteve, seja remotamente ou pela aquisição de cópias digitais diretamente nos locais detentores dos acervos.

Outro fator a ser considerado é que, em 1997, quando a rede mundial de computadores era muito pouco conhecida e utilizada no Brasil, os autores publicaram o primeiro site dedicado a divulgar suas pesquisas sobre a história de Leopoldina. Com a popularização da rede, já em meados da década passada, descendentes dos imigrantes que viveram em Leopoldina começaram a entrar em contato através do site. A visitação e os contatos aumentaram sensivelmente após a publicação da mencionada edição de 2010. Portanto, nos últimos oito anos houve aumento substancial de indicadores que levaram a novas buscas com muitas confirmações do que já se sabia, mas também com algumas alterações importantes.

O objetivo desta revisão é, pois, acrescentar informações ao que foi publicado nos últimos vinte anos e apresentar novas descobertas. Além de recordar a Colônia Agrícola da Constança, cuja fundação completará 110 anos em 2020, será feita, também, uma ampliação do período de análise da imigração italiana em Leopoldina.

No trabalho anterior, o recorte temporal foi de 1880 a 1930. Agora, as novas descobertas obrigam a retroceder com a data de início acrescentando 20 anos ao recorte temporal, em virtude da identificação de imigrantes italianos chegados à Leopoldina na década de 1860, ano que se torna, assim, o marco inicial da pesquisa cujo término permaneceu em 1930.

Diante desta mudança, os 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina, comemorados em 2010, necessariamente serão corrigidos para 160 anos em 2020.

Mas antes de se embrenhar por estes caminhos, o Trem de História faz uma parada para reabastecimento antes de retomar a viagem, na próxima edição, com nova bagagem. Aguardem!


Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 375 no jornal Leopoldinense de 1 de março de 2019

Pelos 108 anos da Colônia Agrícola da Constança

O interesse inicial pela pesquisa sobre a imigração em Leopoldina surgiu no decorrer de estudo sobre antigas famílias leopoldinenses, quando foi observada, nos livros das paróquias, uma grande incidência de sobrenomes não portugueses entre os noivos, os pais e os padrinhos das crianças. Constatou-se que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes e, destes, 9% eram italianos. O 1% restante era composto de portugueses, espanhóis, sírios, açorianos, franceses, egípcios e nativos das Ilhas Canárias.

Observou-se que um contingente significativo de habitantes de Leopoldina carecia de um estudo melhor sobre suas vidas e importância para o município. E não se tinha notícia de qualquer movimento permanente no sentido de manter viva a memória daqueles conterrâneos por adoção.

Descobriu-se que os próprios descendentes haviam perdido a lembrança de muitos detalhes sobre a trajetória de seus antepassados, o que demandou um cuidadoso levantamento de fontes que pudessem comprovar ou corrigir o que era senso comum.

Assim, as primeiras informações foram organizadas em 1994 e começaram a ser publicadas cinco anos depois, após documentadas em outras fontes.

E desde então, contar a história do indivíduo para se chegar à da cidade passou a ser o carro de primeira classe deste imaginário Trem de História. Desde o começo das primeiras viagens. Desde o início da pesquisa sobre a imigração em Leopoldina, quando se observou que o esquecimento da história da cidade era favorecido pela falta de elementos que alimentassem a memória coletiva.

Conforme ensina Le Goff, “o que sobrevive não é o conjunto daquilo que existiu no passado”, mas os “materiais de memória”, ou seja, os monumentos e os documentos. Para o autor francês, “monumento é tudo aquilo que pode evocar o passado” e o interesse da memória coletiva que se desloca da história dos grandes homens e dos acontecimentos de impacto geral para aquilo que diz respeito mais de perto à coletividade.

Apreendidos estes ensinamentos, para alimentar a memória dos leopoldinenses, trazendo-lhes de volta a trajetória dos conterrâneos que aqui viveram na época analisada, entendeu-se necessário oferecer-lhes instrumentos adequados. Razão pela qual foi encaminhada em 2008, para a Câmara Municipal de Leopoldina, uma sugestão para nomear como “Caminho do Imigrante” parte do trajeto que eles faziam quando, de seus lotes na Colônia Agrícola da Constança demandavam a Igrejinha de Santo Antônio e a Casa Timbiras. Uma forma simples e de pequeno custo para perpetuar a gratidão a estes bravos. O que finalmente, no dia 10 de outubro de 2017, mereceu aprovação pela Câmara Municipal. Desta forma, mais um Monumento de Memória veio se juntar ao que foi construído a partir de 23.10.99, quando os autores da pesquisa começaram a publicar, na Gazeta de Leopoldina, uma série de artigos sobre a Colônia Agrícola da Constança.

Na verdade a ideia destes artigos havia tomado forma um ano antes, na edição de nov/dez 1998 do jornal Equipe, a primeira tentativa de levar ao conhecimento dos leitores um pouco da história da Colônia Agrícola da Constança e da sua parte que forma hoje o Bairro Boa Sorte. O objetivo era relembrar a importância dos imigrantes italianos para Leopoldina e o grande exemplo deixado por esta iniciativa de distribuição de terras. A partir daí, foram publicados 13 artigos na Gazeta e 79 no Jornal Leopoldinense, formando um grande conjunto de informações sobre os imigrantes que viviam em Leopoldina entre 1880 e 1930.

Da mesma forma, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, em abril de 2010, falou-se na inclusão, no calendário comemorativo da cidade, do dia 21 de fevereiro, Dia Nacional do Imigrante Italiano, criado pela Lei Federal nº 11.687, de 02.05.2008. Ideia que, ao que parece, não sensibilizou os administradores municipais. Mas este ano foi adotada pela ACIL, com uma bela festa em fevereiro.

Com a inauguração do Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira, em julho de 2016, mais um Monumento se concretizou através de coleção de fotografias, obtidas no decorrer da pesquisa, que foram entregues para a Superintendente de Cultura, professora Amanda Almeida, e foram reproduzidas em sala daquele importante equipamento cultural leopoldinense.

Agora, com o sentido de aprimorar o conhecimento adquirido, a pesquisa sobre os imigrantes continua em outro patamar. E para alegria dos autores, n’alguns pontos da cidade notam-se embrionários movimentos familiares e sociais no sentido de se valorizar o tema “imigração italiana”, dando a devida importância aos descendentes e preservando o pouco da lembrança que ainda resta dos primeiros que chegaram ao município.

E é muito bom que seja assim, para que mais adiante se possa continuar a contar a história deles e, por via de consequência a de Leopoldina que, entende-se melhor agora, não é apenas a lenda do caldeirão de Feijão Cru.

No mais, parabéns descendentes dos Imigrantes que ajudam a construir uma Leopoldina cada vez melhor para todos.


Referência bibliográfica:

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 5 ed. Campinas, SP: Editora da Unicamp, 2003. p.525-541

RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Leopoldina: 2010. Disponível em <https://cantoni.pro.br/blog/2010/04/imigracao-em-leopoldina/&gt;

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 353 no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2018

Castorina Cristina Nobre

Há 100 anos, no dia 19 de março de 1915, Castorina Cristina Nobre faleceu em Leopoldina. Ela era casada com Antonio José Gonçalves, natural de Argirita.

Castorina nasceu em Leopoldina, por volta de 1872, filha de Delfino Nobre e Antônia Cândida de Jesus. Foram seus filhos:

  •  Francisco José Gonçalves c/c Marta Maria Guarda;
  •  José Gonçalves Nobre c/c Josefina Marinato;
  •  Maria José Gonçalves Nobre c/c Giuseppino Locci;
  •  Delfim José Gonçalves c/c Maria Cândida das Dores;
  •  Joaquim José Gonçalves c/c Angelina Genebra Marinato;
  •  Ana Cunegundes Gonçalves c/c Antônio Carraro.

Dia Nacional do Imigrante Italiano

Projeto de Lei do Senado (PLS) 340/99, de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES), instituiu o Dia Nacional do Imigrante Italiano, a ser celebrado em 21 de fevereiro. Nessa data, em 1874, chegaram ao Porto de Vitória (ES), a bordo do navio Sofia, as primeiras 380 famílias italianas para se estabelecerem no estado.Italianos em Leopoldina, MG

Em homenagem às famílias de imigrantes italianos que se estabeleceram em Leopoldina, MG,  lembramos aqui os seus sobrenomes.

Abolis, Agus, Albertoni, Amadio, Ambri, Ambrosi, Andreata, Andreoni, Andreschi, Anselmo, Antinarelli, Antonelli, Antonin, Anzolin, Apolinari, Apova, Apprata, Arleo, Aroche, Artuzo

Bagetti, Balbi, Balbini, Baldan, Baldasi, Baldini, Baldiseroto, Baldo, Baqueca, Barbaglio, Barboni, Barra, Bartoli, Basto, Battisaco, Beatrici, Beccari, Bedin, Bellan, Benetti, Bergamasso, Berlandi, Bernardi, Bertini, Bertoldi, Bertulli, Bertuzi, Bestton, Betti, Bighelli, Bigleiro, Bisciaio, Bogonhe, Boller, Bolzoni, Bonini, Bordin, Borella, Bovolin, Brandi, Brando, Breschiliaro, Bresolino, Bronzato, Bruni, Bugghaletti, Bullado, Buschetti

Cadeddu, Cagliari, Caiana, Calloni, Caloi, Calza, Calzavara, Campagna, Campana, Cancelliero, Canova, Capetto, Cappai, Cappi, Capusce, Carboni, Carmelim, Carminasi, Carminatti, Carrara, Carraro, Casadio, Casalboni, Casella, Cassagni, Castagna, Castillago, Cataldi, Catrini, Cavallieri, Cazzarini, Cearia, Ceoldo, Cereja, Cesarini, Chiafromi, Chiappetta, Chiata, Chinelatta, Chintina, Ciovonelli, Cobucci, Codo, Colle, Columbarini, Contena, Conti, Corali, Corradi, Corradin, Cosenza, Cosini, Costa, Costantini, Crema, Cucco

Dal Canton, Dalassim, Dalecci, Dalla Benelta, Danuchi, Darglia, De Angelis, De Vitto, Deios, Donato, Dorigo, Duana

Eboli, Ermini, Estopazzale, Fabiani, Faccin, Faccina, Fachini, Falabella, Falavigna, Fannci, Fanni, Farinazzo, Fazolato, Fazzolo, Federici, Fermadi, Ferrari, Ferreti, Ferri, Fichetta, Filipoli, Filoti, Finamori, Finense, Finotti, Fioghetti, Fiorato, Fofano, Fois, Fontanella, Formacciari, Formenton, Fovorini, Franchi, Franzone, Fucci, Fuim

Galasso, Gallito, Gallo, Gambarini, Gambato, Gasparini, Gattis, Gazoni, Gazziero, Gentilini, Geraldi, Geraldini, Gessa, Gesualdi, Ghidini, Giacomelle, Giamacci, Gigli, Gismondi, Giudici, Giuliani, Gobbi, Gorbi, Gottardo, Grace, Graci, Grandi, Griffoni, Grilloni, Gripp, Gronda, Gruppi, Guarda, Guardi, Guelfi, Guerra, Guersoni, Guidotti

Iborazzati, Iennaco

La Rosa, Lai, Lamarca, La mi, Lammoglia, Lazzarin, Lazzaroni, Leoli, Lingordo, Locatelli, Locci, Loffi, Longo, Lorenzetto, Lorenzi, Lucchi, Lupatini

Macchina, Maciello, Magnanini, Maiello, Maimeri, Malacchini, Mamedi, ancastroppa, Mantuani, Manza, Maragna, Marangoni, Marassi, Marcatto, Marchesini,Marchetti, Marda, Marinato, Mariotti, Marsola, Martinelli, Marzilio, Marzocchi, Matola, Matuzzi,  Mauro, Mazzini, Meccariello, Melido, Meloni, Melugno, Menegazzi, Meneghelli, Meneghetti, Mercadante, Mescoli, Meurra, Miani, Minelli, Minicucci, Misalulli, Mona, Monducci, Montagna, Montovani, Montracci, Morciri, Morelli, Moroni, Morotti

Nacav, Naia, Nani, Netorella, Nicolini, Nocori

Pacara, Pachiega, Padovan, Paganini, Pagano, Paggi, Panza, Pasianot, Passi, Pavanelli, Pazzaglia, Pedrini, Pedroni, Pegassa, Pelludi, Perdonelli, Perigolo, Pesarini, Petrolla, Pezza, Piatonzi, Picci, Piccoli, Pierotti, Pighi, Pinzoni, Piovesan, Pittano, Pivoto, Piza, Porcenti, Porcu, Pradal, Prete, Previata, Principole, Properdi

Rafaelli, Raimondi, Ramalli, Ramanzi, Ramiro, Rancan, Ranieri, Rapponi, Ravellini, Reggiane, Richardelli, Righetto, Righi, Rinaldi, Rizochi, Rizzo, Rossi

Sabino, Saggioro, Sallai, Saloto, Samori, Sampieri, Sangalli, Sangiorgio, Santi, Sardi, Scantabulo, Scarelli, Schettini, Sedas, Sellani, Simionato, Sparanno, Spigapollo, Spoladore, Steapucio, Stefani, Stefanini, Stora

Taidei, Tambasco, Tartaglia, Tazzari, Tedes, Testa, Tichili, Toccafondo, Todaro, Togni, Tonelli, Tosa, Traidona, Trimichetta, Tripoli, Trombini

Valente, Vargiolo, Varoti, Vavassovi, Vechi, Venturi, Verona, Veronese, Vigarò, Vigeti, Viola, Vitoi

Zaccaroni, Zachini, Zaffani, Zamagna, Zamboni, Zamime, Zanetti, Zaninello, Zannon, Zecchini, Zenobi, Ziller, Zini, Zotti

Marinato procura parentes

Recebemos a seguinte mensagem de descedente dos Marinato:

Sou filho de Antonio José Gonçalves

– Neto de: Angelina Ginebra Marinatte e Joaquim José Gonçalves

– Tendo como tios em segundo grau: Manoel Alexandre Marinato e Umbelina Marinato.

[…]

Gostaria de fazer contato!

Acrescentamos que Angelina Genebra Marinato nasceu em Leopoldina no dia 25 de julho de 1906, filha dos italianos de Pianiga Ricardo Antonio Marinato e Oliva Palmira Carraro. Este casal era também pai do citado Manoel Alexandre Marinato, nascido em Leopoldina no dia 28 de março de 1905 e Umbelina Marinato nascida em 21 de agosto de 1916 também em Leopoldina.

Angelina casou-se em Leopoldina, no dia 16 de setembro de 1922, com Joaquim José Gonçalves, filho de Antônio José Gonçalves e Castorina Cristina Nobre, casados em Piacatuba em 2 de fevereiro de 1889. A família do marido de Angelina procedia de Argirita e viveu nas imediações da Colônia Agrícola da Constança.

Além de Angelina, Manoel e Umbelina, o casal de italianos teve outros seis filhos que chegaram à idade adulta: José, Maria Luiza, Marcolina, Felisbina, Eugênio e Sebastião. A maioria deles teria migrado para o sul do Espírito Santo e norte do estado do Rio de Janeiro, perdendo contato com os parentes que ficaram em Leopoldina.

Se você puder colaborar, por favor, escreva-nos e transmitiremos as informações ao neto de Angelina.