45 – A Título de Conclusão

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Como foi dito no início, a pesquisa que deu origem a esta série de artigos teve por objetivo reunir e sintetizar informações obtidas na leitura dos jornais publicados em Leopoldina nas duas últimas décadas do século XIX.

Neste processo foram confirmadas as palavras de José Honório Rodrigues, em “Teoria da História do Brasil”, para quem “o jornal pode dar-nos a cor e a vivacidade de uma época [e] pode guiar-nos nas manobras externas da vida política”.

No período examinado teriam sido publicados vinte e um periódicos no município de Leopoldina:

01) – O Leopoldinense, o mais antigo deles, circulou de 1879 a 1900; 02) – O Correio da Leopoldina, de 1881; 03) – O Povo, que circulou de 1885 a 1890 no distrito de Campo Limpo; 04) – Princípio da Vida, de 1885; 05) – O Pássaro, lançado em 1886; 06) – Estrela de Minas lançado em 29.07.1887; 07) – Ideia Nova de 17.11.1887; 08) – Irradiação que circulou entre 1888 a 1890; 09) – A Voz Mineira, de 1890; 10) – Gazeta de Leste que circulou entre 1890 e 1891; 11) – A Leopoldina cuja primeira edição data de 16.02.1893; 12) – A Phalena de 1894; 13) – A Voz de Thebas que circulou entre 1894 a 1897 no distrito de mesmo nome; 14) – O Correio de Leopoldina, de 1894; 15) – A Gazeta de Leopoldina, lançada em 1895; 16) – O Mediador que circulou entre 1895 a 1896; 17) – O Tiradentes, publicado em 1897; 18) – O Arame que circulou entre 1898 a 1899; 19) – A Lyra que circulou em 1898 no distrito de Campo Limpo; 20) – O Pelicano, consagrado à maçonaria, lançado em 1898; e, 21) – O Recreio, lançado em 1899 no então distrito de mesmo nome.

Entretanto, da maioria destes só foi encontrada referência em outras publicações por não terem sido preservados os próprios jornais. Ao final puderam ser analisadas quinhentas e quarenta e oito edições de apenas doze periódicos entre os anos de 1879 e 1899.

Percebeu-se que alguns deles tiveram distribuição fora dos limites do município e até mesmo em cidades de outras regiões. Além disso, o público atingido não se limitou a pessoas alfabetizadas, já que notas dos próprios periódicos indicam a prática de leitura pública em locais de concentração da cidade.

Não foi identificada uma diferença significativa entre o teor das matérias abordadas nas diferentes fases estudadas. A destacar, sob este aspecto, apenas a extinção de textos sobre a escravidão na década de 1890 e o acirramento das denúncias de cunho político a partir de 1894, quando se deu a criação de um jornal pela família que acabara de alcançar o poder municipal.

Conforme destacou Agnes Heller, em “O Cotidiano e a História”, a “vida cotidiana não está fora da história, mas no centro do acontecer histórico”. Por esta razão, acredita-se que as pautas escolhidas, assim como o enfoque dado a cada um dos assuntos tratados ao longo daqueles vinte anos refletem “a essência da substância social”.

E se, conforme Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil”, a ampliação da cultura impressa se deu através dos almanaques, que funcionavam como livros para consulta generalizada, aos primeiros jornais de Leopoldina pode ser creditado o valor de prestar informações muitas vezes semelhantes aos almanaques da mesma época, bem como a formação de um público leitor que viria a se tornar consumidor de outros jornais e dos livros divulgados nas páginas daqueles pioneiros. E podem servir, também, ao resgate de parte da história da cidade e da sociedade como fizemos nesta série de textos.

Quanto a nós, que nos servimos deste trabalho para formatar esta série de artigos sobre a Imprensa em Leopoldina entre 1879 e 1899, resta-nos agradecer a paciência de todos, dizer que o Trem de História vai continuar viajando pela história de Leopoldina e, lembrar que a história não é importante pelo que se lê nela, mas pelo que se pode deduzir dela.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de abril de 2016

41 – Correio de Leopoldina

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O Trem de História traz hoje um periódico do qual se encontrou apenas a edição de lançamento, em dezembro de 1894, e uma de 03.01.1895, ambas pertencentes ao acervo da Biblioteca Nacional. Poucos exemplares de um periódico importante pelo que divulgou e pelas pessoas que o conduziram.

Registre-se que a primeira edição não traz a data completa, mas o jornal O Pharol de Juiz de Fora, edição de 11 de dezembro de 1894, página 1, anuncia que acabara de receber o primeiro exemplar do Correio de Leopoldina.

É bom registrar também que, embora a última edição encontrada tenha sido de 1895, Xavier da Veiga em A Imprensa em Minas Gerais [Revista do Arquivo Público Mineiro, 1898, pag. 235]  inclui o Correio da Leopoldina na relação dos que circulavam em 1898.

Este Correio de Leopoldina tinha Henrique Cancio como redator e Antonio Luis Deslandes como gerente da Empresa Editora Mineira, responsável pela publicação e distribuição do periódico.

De Henrique Cancio sabemos tratar-se de um jornalista e literato mencionado em vários jornais de Minas e do Rio, ora como autor de poemas e contos, ora de matéria jornalística. Segundo consta, trabalhou no Correio de Leopoldina e teria sido também redator do Correio Fluminense de Niterói (1891); do Estado de Minas do Sul, jornal separatista (1892); de O Globo, do Rio de Janeiro (1899); do Assobio, periódico publicado no Rio de Janeiro (1902); da Pátria, da mesma cidade (1896); do jornal Cidade do Rio (1901) e, correspondente d’O Pharol de Juiz de Fora (1901-1906).

N’O Pharol, edições de 20 e 21 de março de 1892, página 1, Henrique Cancio é apontado como mau aluno em Ouro Preto que participou de baderna em Três Corações e Rio Verde, no movimento armado que pretendia formar o Estado de Minas do Sul. No jornal O Estado de Minas Geraes, página 2 da edição de 19 de março de 1892, matéria Presos Políticos, informa-se que “Henrique Cancio, um dos redatores do jornal oficial do novo estado” estava preso.

Em 15 de agosto de 1893, na cidade de Conceição do Turvo (Minas), foi orador oficial de homenagem a um padre, conforme notícia da página 4, edição de 17 de setembro de 1893 do jornal O Apóstolo, do Rio. Neste mesmo jornal, edição de 24 de setembro de 1893 publica um poema em homenagem ao mesmo padre.

Na lista de colaboradores em dezembro de 1894, o Correio de Leopoldina trazia alguns nomes bem conhecidos no meio jornalístico da época. Dentre eles: José Monteiro Ribeiro Junqueira, Ernesto de La Cerda e José James Zig Zag, de Leopoldina; e, Gustavo Santiago, Arthur Itabirano, Jacobino Freire (que colaborou também com o periódico A Leopoldina e com diversos jornais mineiros). Além destes, colaborava também José Maia, radicado na Capital Federal.

Indicando a linha editorial a que se propunha, em sua apresentação, no editorial da primeira página, ele sugeria que se plantasse o café e também cereais, que uma fábrica de tecidos era necessária, assim como emancipar-se do estrangeiro, ou seja, do trabalhador imigrante. Na página seguinte desta mesma edição, trazia a mensagem de Prudente de Moraes ao tomar posse da Presidência da República no dia 15 de novembro de 1894.  Diferentemente dos demais jornais de Leopoldina, o Correio já se apresentou com oito páginas que na primeira edição traziam notas locais e nacionais, dois textos literários, os objetivos da Empresa criada para publicar o periódico, o plano do almanaque planejado para 1895 e anúncios classificados.

O Trem de História de hoje chega à estação. Na gare, matérias de outros periódicos aguardam o momento do embarque. E no primeiro lugar da fila de espera está a Gazeta de Leopoldina que embarcará no próximo Trem. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de fevereiro de 2016

7 – Periódicos e suas Histórias

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Conforme prometido no artigo anterior o Trem de História traz um pouco da vida dos vinte e um periódicos publicados no município de Leopoldina entre 1879 e 1899. De alguns deles se falará um pouco mais em vagões posteriores.

01) O Leopoldinense, o mais antigo deles, circulou de 1879 a 1900. É o primeiro da lista e a ele se voltará em artigo posterior;

02) O Correio da Leopoldina veio em seguida, no ano de 1881. Deste se sabe apenas, por nota d’O Leopoldinense de 03.07.1881 que José de Souza Soares Filho e Manoel Teixeira da Fonseca Vasconcelos eram seus redatores e proprietários.  É possível que fossem moradores do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita;

03) O terceiro periódico é O Povo, que segundo o já citado Xavier da Veiga teria circulado de 1885 a 1890 no distrito de Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira). Dele pouco se sabe. Foram encontradas três edições datadas de 1885 e 1886, ano em que o proprietário se transferiu para Cataguases, onde continuou publicando o periódico;

04) Princípio da Vida. Deste periódico se sabe apenas que foi lançado em 1885;

05) O Pássaro, lançado em 1886, do qual não foram encontradas edições;

06) Estrela de Minas teve sua data de lançamento – 29 de julho de 1887, registrada por José Pedro Xavier da Veiga na monografia A Imprensa em Minas Gerais, publicada em 1894 em fascículo do jornal Minas Geraes e republicada em 1898 na Revista do Arquivo Público Mineiro. Entretanto, nenhuma edição foi localizada;

07) Ideia Nova teve o lançamento informado também por Xavier da Veiga, e assim como do anterior não foram encontradas suas edições. No jornal A Província de Minas, edição 501, 24 de novembro de 1887, página 1, anuncia-se o aparecimento no dia 17 de novembro de 1887, sob direção de Jacobino Freire e Reynaldo Matolla, sendo de propriedade de Arnaldo Lessa;

08) Irradiação circulou entre 1888 a 1890. Sua história será um pouco mais detalhada em artigo posterior;

09) A Voz Mineira. Deste periódico tem-se o registro de que circulou em 1890. Está na lista dos desconhecidos;

10) Gazeta de Leste circulou entre 1890 e 1891. Trazia no subtítulo a informação de que era Órgão Popular. Seu redator e proprietário era José de Moura Neves Filho. É mais um periódico que terá sua história contada em artigo vindouro;

11) A Leopoldina registra na sua primeira edição a data de 16.02.1893. Também sobre este periódico se vai falar em artigo futuro;

12) A Phalena é uma publicação de 1894 da qual nada mais se conseguiu apurar;

13) A Voz de Thebas foi um periódico publicado entre 1894 a 1897 no distrito de mesmo nome. Deste periódico se vai falar mais adiante;

14) O Correio de Leopoldina é de 1894. Um pouco mais sobre a sua história virá em artigo posterior;

15) A Gazeta de Leopoldina, o décimo quinto jornal do período, foi lançada em 1895. Um vagão inteiro será pouco para contar a sua história, como adiante se verá;

16) O Mediador circulou entre 1895 a 1896. Mais adiante se dará mais detalhes sobre sua trajetória;

17) O Tiradentes, publicado em 1897, foi mencionado por Xavier da Veiga como jornal do arraial de Vista Alegre, em Leopoldina. Na única edição encontrada informa-se que o proprietário foi M. C. Machado Júnior, os redatores eram Francisco Gama e Alberto Guimarães e o local consta como Vista Alegre (Minas). Ocorre que o distrito cataguasense recebeu este nome por causa da Estação Vista Alegre que havia sido instalada anos antes no município de Leopoldina, donde é comum encontrar referência a Vista Alegre como se fosse distrito de Leopoldina;

18) O Arame, jornal que circulou entre os anos 1898 a 1899, do qual foram encontrados 23 exemplares em acervo particular. Sobre ele se falará um pouco mais em artigo posterior;

19) A Lyra teria circulado em 1898 no distrito de Campo Limpo, conforme noticiado no jornal O Arame, de 11.12.1898. Seu proprietário e redador foi Jorge de Albuquerque Júnior;

20) O Pelicano, consagrado à maçonaria, teve seu lançamento em 1898. Tinha José Werneck como seu diretor e circulou no distrito de Campo Limpo; e,

21)O Recreio, lançado em 1899 no então distrito do mesmo nome, conforme a Gazeta de Leopoldina de 08.01.1899.  Era editado por “A. Napoleão & C”.

Com o Recreio encerra-se a relação dos 21 periódicos publicados em Leopoldina entre 1879 a 1899. Mas seguindo a História da Imprensa em Leopoldina, a partir do vagão seguinte o leitor conhecerá um pouco mais sobre alguns destes periódicos. “Aguardem a próxima composição”, diria o agente da estação.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 12 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899