Etiqueta: Carvalho
Sobrenome de antiga família leopoldinense.
Alistamento Militar de 1875
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O antigo Curato de Santana do Pirapetinga foi elevado à categoria de distrito através da Lei nº 1.240 de 29 de agosto de 1864, em território desmembrado do distrito de Conceição da Boa Vista, município de Leopoldina. Na época as divisas foram definidas a partir do rio Pirapetinga pelas fazendas de José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Mateus Herculano Monteiro de Castro e Jacinto Manoel Monteiro de Castro, até atingir as divisas do distrito de Angustura que também estava subordinado a Leopoldina. No mesmo mês de agosto de 1864 a freguesia de São José do Paraíba, hoje Além Paraíba, foi desmembrada de Leopoldina e incorporada a Mar de Espanha, aí permanecendo até novembro de 1880 quando, através da Lei nº 2678, foi emancipada. Para a formação do novo município, Leopoldina perdeu o distrito de Pirapetinga. No Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina podem ser encontrados alguns documentos sobre Pirapetinga relativos ao período de 16 anos de subordinação. Entre eles, o Alistamento Militar de 1875, do qual foram extraídas as informações abaixo.
* – E = Excluído * – I = Incluído Fonte: Livro de Alistamento Militar do arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina |
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Autoridades do distrito do Rio Pardo
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Capítulo da História de Argirita publicado em 2003. Antes da organização do distrito, o povoado tinha sua representação no padre que dava assistência aos moradores e no Juiz de Paz, eleito em assembléia da unidade administrativa a que pertencesse o território. Dos padres trataremos em outro capítulo. Para identificar os primeiros Juizes de Paz seria necessário encontrar o livro do cartório notarial de Rio Pomba, sede administrativa da época. Infelizmente, segundo informações que nos foram passadas pela Prefeitura de Rio Pomba, um incêndio destruiu o acervo relativo ao período que nos interessa. O primeiro livro cartorial do Distrito do Espírito Santo abrange os anos de 1839 a 1845. Encontra-se no Arquivo da Prefeitura Municipal de Mar de Espanha, muito danificado, com pouquíssimas páginas em condições de serem lidas. Outra fonte, o primeiro livro cartorial do Distrito do Rio Pardo, iniciado a 19.02.1841, pertencente ao acervo do Arquivo da Prefeitura de Leopoldina, em fase de restauração. Em nenhum dos dois livros foram registradas informações sobre os Juizes de Paz em exercício até 1851. Entre abril de 1841 e julho de 1851, estando o Rio Pardo subordinado a São João Nepomuceno, no Arquivo da Prefeitura Municipal daquela cidade deveriam ser encontradas as Atas de Assembléias Eleitorais. Surpreendentemente porém, nada foi localizado até o momento que dissesse respeito a eleições deste distrito. Desta forma, a informação mais antiga que conseguimos apurar, através de documento encontrado no Arquivo Público Mineiro, é a que trata da Qualificação de Eleitores do Rio Pardo em fevereiro de 1851. Pela ata ficamos sabendo que o Juiz de Paz era Antônio Bernardes de Carvalho e que os eleitores escolheram para a formação da mesa os senhores João Evangelista Coimbra, Custódio Dias Moreira e Antônio Júlio da Paixão. Morador do 3º quarteirão, Antônio Bernardes de Carvalho nasceu por volta de 1800, era lavrador, e em 1853 estava casado com Maria Bárbara Nunes, mãe de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão. De um relacionamento anterior com Ana Maria da Assunção, Antônio Bernardes tivera os filhos Carlos José Jacinto de Carvalho, Antônio Alves de Oliveira Carvalho e Maria Antônia de Jesus, esposa de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão. João Evangelista Coimbra era solteiro em 1851, carpinteiro de profissão, nascido por volta de 1818, residente no 4º quarteirão de Rio Pardo. Segundo escritura de compra e venda de bens de raiz encontrada no Livro 3 do Cartório de Notas de Argirita 1862-1867, era filho de Joaquim Manoel de Coimbra e Teodora Messias Candida de Assis, provavelmente os primeiros moradores do território onde mais tarde foi criado o distrito de Tebas. Segundo algumas fontes documentais, o pai de João Evangelista seria o Manoel Joaquim de Tebas que deu origem ao nome do distrito. . Custódio Dias Moreira nasceu em 1798, era lavrador, residente no 6º quarteirão, casado. Assim como a família Coimbra, os Dias Moreira foram numerosos na região. Antônio Júlio da Paixão foi negociante, nasceu por volta de 1815 e em 1851 residia no 1º quarteirão, casado. É um dos nomes mais freqüentes entre os chamados “homens bons” que dominaram a política do Rio Pardo segundo nos mostram os documentos. É sugestivo observar que os três mais votados para compor a mesa eram residentes em quarteirões diferentes. Considerando que João Evangelista Coimbra obteve 56 votos e o seu quarteirão contava com 28 eleitores, que Custódio Dias Moreira teve o mesmo número de votos e residia num quarteirão com 31 eleitores, e que Antônio Júlio da Paixão ficou com 40 votos sendo de um quarteirão com 14 eleitores, julgamos válido supor que os três tinham influência política também fora dos limites de sua própria jurisdição. Lembremo-nos que a expressão “curral eleitoral”, de sentido tão pejorativo hoje em dia, teve origem na liderança exercida por moradores sobre seus vizinhos de quarteirão. Já em 1853, segundo nos informa Celso Falabella, Inácio Nunes de Moraes foi um dos eleitos para o cargo de Juiz de Paz do Rio Pardo. No período que vai de julho de 1851 a abril de 1854, o distrito esteve subordinado a Mar de Espanha e as Atas Eleitorais deveriam estar nos livros daquele município. A exemplo do ocorrido em São João Nepomuceno, também ali não logramos êxito nas buscas. Sabe-se que naquela época eram 2 os eleitos para o cargo. No mesmo período em que Celso Falabella cita Inácio Nunes de Moraes, sabemos que Antônio Júlio da Paixão exercia o mesmo cargo. Desconhecemos o número de votos de cada um e, conseqüentemente, qual deles era o 1º e o 2º. É a partir de 1854 que se torna mais fácil acompanhar a história do Rio Pardo porque, subordinado a Leopoldina, teve a maioria de seus registros preservados pelo Arquivo da Prefeitura daquela cidade. Ainda assim encontraremos um intervalo sem documentos, já que em 1868 a cidade de Mar de Espanha requisitou e conseguiu administrar Rio Pardo por algum tempo. Resumindo o que pudemos apurar temos então os seguintes detentores do cargo de Juiz de Paz do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, de acordo com o ano em que foram empossados: 1851
1853
1857
1859
1860
1861
1862
1863
1865
1866
1867
1877
1881
1883
1888
1891
1892
1894
Muitos deles serão citados em outros capítulos por sua participação em outras atividades ou por fazerem parte de famílias melhor estudadas. Faz-se necessário acrescentar, ainda, as seguintes autoridades:
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Resultado de uma Eleição em 1852
Em setembro de 1852 foi realizada, em Piacatuba, uma Assembleia Paroquial para eleger sete vereadores para formar a Câmara Municipal de Mar de Espanha, e quatro juízes de paz para o Distrito do Feijão Cru.

Resultado apurado para vereador:
| Nomes: | Votos |
| Francisco Correa Pinto | 93 |
| Joaquim Vidal Leite Ribeiro | 79 |
| Domiciano Mateus Monteiro de Castro | 70 |
| José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros | 69 |
| Joaquim Antonio de Almeida e Gama | 67 |
| Domingos Eugenio Pereira | 62 |
| Domingos da Costa Matos | 51 |
| Emidio José de Barros | 41 |
| Antônio José de Carvalho | 39 |
| Custódio Ferreira Leite | 27 |
| José Dutra Nicacio | 22 |
| José Garcia de Matos | 20 |
| Domiciano Alves Garcia | 17 |
| Francisco Soares Valente | 16 |
| José Augusto Monteiro de Barros | 08 |
| Francisco de Paula Galdino Leite | 08 |
| Francisco Teixeira Alves | 03 |
| Manoel José Pires | 02 |
| João Pereira da Silva | 02 |
| João Gualberto Ferreira Brito | 02 |
| Antonio José Monteiro de Barros | 02 |
| José Antonio de Matos | 01 |
| José Eugênio Teixeira Leite | 01 |
| Antonio Avelino Teixeira Alves | 01 |
| Manoel José Monteiro de Barros Galvão de São Martinho | 01 |
| José Soares Valente | 01 |
| Joaquim Cláudio Nogueira | 01 |
| Claudino Vieira da Silva | 01 |
Resultado para Juiz de Paz:
| Nome: | Votos |
| Claudino Vieira da Silva | 77 |
| Custódio Dias Moreira * | 71 |
| Antônio Pereira da Silva * | 71 |
| Joze Henriques da Mata | 68 |
| Manoel de Sá Rocha | 21 |
| Luiz Pereira da Silva | 20 |
| João Patricio de Moura e Silva | 20 |
| Francisco Henriques Júnior | 18 |
| Teodoro Antunes da Costa | 15 |
| Ezequiel Henriques Brandão | 06 |
| João Batista Mendes | 06 |
| Vital Antonio de Mendonça | 05 |
| José Fajardo de Melo | 02 |
| Domingos Henriques de São Nicácio | 02 |
| Hipólito Pereira da Silva | 01 |
| Manoel Henriques | 01 |
Recontos de um Recanto – 4: Argirita
Nosso quarto reconto vai um pouco além das fronteiras do município de Leopoldina. Vamos, hoje, às terras da atual cidade de Argirita, o antigo arraial do Bom Jesus do Rio Pardo.
Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em “Minhas Recordações” página 371, se refere ao lugar como sendo apenas Rio Pardo, quando narra a vida de Manoel Antônio de Almeida para Leopoldina, em 1829. Diz ele que naquela época “em Rio Pardo já havia, então, um começozinho de povoação”.

Mas, nossa história começa bem antes desta data, com dois filhos do casal Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier que, conforme se observa na literatura existente, pertenciam à família do nosso alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. E estes filhos são: Felisberto Gonçalves da Silva, ou da Silva Gonçalves e Domingos Gonçalves de Carvalho (filho).
Provavelmente por volta de 1810 os irmãos Felisberto e Domingos, acompanhados das esposas e filhos, ocuparam terras nas vertentes do Rio Pardo. Requereram posse ao governo da província e em novembro de 1813 receberam as respectivas Cartas de Sesmaria, duas para cada casal. Felisberto, em 29.11.1813, obteve Sesmaria cujo limite era o Córrego da Glória, no Sertão do Pomba, Termo de Barbacena, conforme carta arquivada no APM, códice 353, página 76.
Sobre Felisberto sabemos, também que nasceu por volta de 1785 e casou-se em São João del Rei, a 29 de setembro de 1802 com Ana Bernarda da Silveira.
Em Velhos Troncos Mineiros, do Cônego Raimundo Trindade, consta que o casal teve um único filho, Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, que nasceu a 2 de janeiro de 1804 em São João del Rei e casou-se com Francisca de Paula de São José, provavelmente filha de seu tio paterno, Domingos Gonçalves de Carvalho e de Antônia Rodrigues. Chaves.
Analisando a trajetória de Felisberto após o casamento temos razões para suspeitar que teve pelo menos mais um filho: Joaquim Gomes da Silva Flores.
Hoje podemos afirmar, com segurança, que sua morte ocorreu depois de janeiro de 1863, uma vez que seu nome aparece nas listas de votantes do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo nesse ano.
Inexplicavelmente o nome de Felisberto da Silva Gonçalves desapareceu da história oficial de Leopoldina e Argirita, embora conste do Mapa de População de 1831 como possuidor de 33 escravos, sendo o terceiro maior proprietário de cativos no então Distrito do Curato do Espírito Santo, Termo de Barbacena.
Em 1840, segundo o primeiro livro de compra e venda de bens de raiz de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), ele comprou de José da Silva Paradela e sua mulher Ana Marinha de Jesus, 60 alqueires de terras de cultura. Uma propriedade que estava dentro do território atual de Argirita e limitava-se com Joaquim Gonçalves de Almeida e Antonio Henriques de Souza.
Em 1842 vendeu parte de sua fazenda no Córrego da Glória, no lugar denominado Monte Redondo e em 1846 comprou, de Lino da Silva Paradela, terras no Ribeirão de São Bento.
No Registro de Terras de 1856 Felisberto aparece como vizinho da Fazenda do Socorro, de propriedade dos herdeiros de José Joaquim Monteiro de Barros.
A partir do estudo de diversos documentos concluímos que a Fazenda formada a partir das concessões de sesmarias ao casal Felisberto e Ana é a mesma Fazenda Fortaleza que ainda aparece nas cartas atuais do IBGE.
Quanto a Domingos Gonçalves de Carvalho, irmão de Felisberto, pouco sabemos. O Cônego Trindade informa que ele casou-se com Antonia Rodrigues Chaves com quem teve apenas uma filha, de nome Maria, nascida em 1809. Em nossas pesquisas encontramos outros possíveis filhos do casal sem contudo podermos garantir dados sobre a descendência, tendo em vista a precariedade dos assentos paroquiais encontrados. Mas, nos livros pesquisados, encontramos batismos de Francisca, Maria, Rita, Antonio, José e Joaquim entre 1802 e 1820, cujos pais podem ser os casais que estamos abordando.
Resta dizer que o filho de Felisberto – Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, teve, pelo menos uma filha que recebeu o nome de Carolina Rosa de São José. E pela localização da residência de seus pais acreditamos que tenha sido batizada na Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre (Taruaçu). Mas, infelizmente ainda não foi possível descobrir onde estariam os registros dos primeiros atos realizados naquela Capela. É certo que Carolina foi casada com Francisco de Paula Pereira Pinto e deixou enorme descendência em Leopoldina e arredores.
Ficamos por aqui. Os Recantos de um Recanto continuarão no próximo número.
josé luiz machado rodrigues
nilza cantoni
Tebas nos Recontos de um Recanto
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Hoje o tema da coluna é o distrito de Tebas cujo nome, para nós, ainda não está devidamente explicado quanto a sua origem. Vamos falar sobre a terra de uma água especial que, no dizer da jornalista Silvia Fonseca,[i]“quem bebe da água tebana sempre volta à fonte.”
Começamos pelo Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais de 1894 que nos informa ter a febre amarela atingido a nossa região de forma alarmante.[ii] Uma epidemia que causou, inclusive, um lapso nas anotações de óbitos da cidade entre agosto de 1894 e janeiro de 1898, embora exista um livro iniciado a 01.01.1896,[iii] onde foram anotados “a posteriori” sepultamentos ocorridos entre agosto/94 e dezembro/1895. Foi esta epidemia de febre amarela que motivou a mudança temporária da administração municipal para o distrito de Tebas o que, no mínimo, é muito curioso quando se sabe que o distrito de (Piedade) Piacatuba é bem mais antigo. Mas, como surgiu o nome e o lugar chamado Tebas? Se consultarmos o dicionário veremos que Tebas pode referir-se à cidade grega, a uma pessoa forte e desembaraçada ou, ao nosso distrito.[iv] Autores existem que registram a origem do topônimo na língua tupi, com o sentido de desembaraçado, forte, graúdo[v]. Outros dizem que distrito herdou o nome de um ribeirão local, sem informar de onde surgiu o nome do tal ribeirão.. Hoje sabemos, no entanto, que existiu por ali um Manoel Joaquim Thebas que, entre outros, foi vizinho da fazenda Feijão Cru, que pertencia a Manoel Antonio de Almeida. E como esta informação sobre este Manoel J. Thebas é de 1856 e a paróquia data de 1881, acreditamos ser possível que o patrimônio tenha sido doado por este senhor e dele surgiu o nome do distrito. Quanto ao povoado, tudo leva a crer ser ele bem antigo. Francisco de Paula Ferreira Rezende[vi] a ele se refere quando afirma que por ocasião de sua vinda para Leopoldina, pelos idos de 1860 ainda encontrou remanescentes dos Puris na estrada de Tebas para Rio Pardo. É certo que a povoação foi elevada a distrito pela lei provincial nº 2675, de 30.11.1880. A confirmação eclesiástica veio com a lei nº 2848 de 25.10.1881 que elevou o distrito a Freguesia. E a lei nº 3113, de 1882, registra o nome do distrito como Santo Antônio de Tebas. Vale lembrar que a lei que criou o distrito autorizou a câmara municipal de Leopoldina a estabelecer a divisas. Para este fim a câmara nomeou comissão de vereadores que estudaram o assunto e apresentaram parecer conclusivo. E, segundo consta, o parecer desta comissão foi aprovado em plenário com a ressalva apenas de que o nome do lugar passou a ser Santo Antonio dos Thebas, ao invés de Santo Antonio do Monte Alegre como anteriormente era conhecido. O distrito de Tebas foi constituído por terras antes pertencentes a Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). Assim, pela lei nº 2938, de 23.09.1882, algumas fazendas da Piedade foram transferidas para Thebas. Em 06.10.1883 foi a vez de Rio Pardo perder algumas propriedades que passaram para o novo distrito. E em 18 do mesmo mês, através da lei nº 3171, a fazenda de João Pereira Valverde foi transferida de Thebas para a freguesia de Piedade.[vii] Mas vamos retroagir um pouco e começar nossa busca pela venda de seis alqueires da fazenda Monte Alegre, em julho de 1841. As terras vendidas localizavam-se na “cabeceira” ou nascente do córrego hoje chamado Tebas e a sede da fazenda era residência de Elias da Silva Espíndola. Os compradores dessas terras foram Honório Alves Ferreira e João Vieira Machado de Freitas. Por esta fazenda passava uma estrada que, vindo de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), atingiria as terras de Antônio José Monteiro de Barros (fazenda Paraíso).[viii] Sete meses depois o mesmo Elias da Silva Espíndola vende outros oito alqueires da mesma fazenda para José Miguel Dias da Silva e registra que estas terras limitam-se com as vendidas anteriormente e estão localizadas na serra entre o Rio Pardo e o Rio Pirapetinga.[ix] Sabe-se que um dos vizinhos da fazenda Monte Alegre era o capitão Felisberto da Silva Gonçalves, um dos primeiros sesmeiros do lugar que, juntamente com sua esposa, Ana Bernarda da Silveira, recebeu duas sesmarias entre os córregos Glória e Fortaleza (nomes que desapareceram da toponímia local). Podemos acrescentar, ainda, que estas duas sesmarias limitavam-se com as terras recebidas, também em novembro de 1813,[x] por seu irmão e cunhada, Domingos Gonçalves de Carvalho e Antonia Rodrigues Chaves. E, segundo consta, uma das fazendas de Felisberto ficava no Monte Redondo, no caminho de Tebas para Argirita. Entre os vizinhos de Felisberto surge, ainda, o nome de Joaquim Manoel Coimbra, algumas vezes citado como Manoel Joaquim Coimbra, provavelmente ancestral do vereador Antonio da Costa Coimbra que fez parte da comissão que estudou os limites do distrito de Tebas. As terras deste Manoel Coimbra, por sua vez, limitavam-se com o já mencionado Felisberto da Silva Gonçalves, com os Valverdes e com Elias da Silva Espíndola. Em função dessas informações, passamos a suspeitar que a tal fazenda “Campo Alegre” seja a mencionada por Manoel Antônio de Almeida, em 1856, como propriedade dos “herdeiros de Manoel Joaquim Thebas”,[xi] possivelmente um homem destemido e que recebeu dos puris o nome de “teba”. Vale registrar que pela análise do movimento de compra e venda de bens de raiz no então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual Argirita, observa-se que a fazenda Campo Alegre foi citada como local em que o Escrivão realizou diversos registros entre 1841 e 1853. Para encerrarmos por hoje, registramos que entre 1862 e 1864, os eleitores do distrito de Tebas pertenciam às famílias Almeida, Braga, Carvalho, Coimbra, Cunha, Dias, Dornelas da Costa, Freitas, Gonçalves, Lemos, Moraes, Pereira, Policiano, Reis, Ribeiro, Santos e, Silva.[xii] E dentre os italianos que viveram em Leopoldina um bom número deles residiu temporária ou definitivamente em Tebas, dos quais destacamos os sobrenomes Albertoni, Angeli, Bedin, Ceoldo, Gruppi, Marsola, Meneghetti, Stefani e Zotti. Até a próxima edição, com novos recontos. __________ Fontes utilizadas: [i] Jornal O Globo, 16.02.1989. [ii] Mensagem do Presidente da Província de 1895, p. 10 [iii] Arquivo da Prefeitura Municipal de Leopoldina, livros do Cemitério Público. [iv] Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. [v] Toponímia de Minas Gerais, Joaquim Ribeiro Costa. [vi] Minhas Recordações, p. 386. [vii] Artigo da Gazeta de Leopoldina, de 1922, assinado por J. Botelho Reis. [viii] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 8 v. [ix] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 11. [x] Cartas de Sesmarias emitidas pelo Presidente da Província. [xi] Registro de Terras de Leopoldina, TP 114, número 18. [xii] Alistamento Eleitoral de Bom Jesus do Rio Pardo, 4º quarteirão. |
Autoridades em Providência
Autoridades distritais do século XIX, conforme constante nos códices 32 e 146 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina.
PROVIDÊNCIA, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina.
| Afonso José de Carvalho
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Escrivão de Paz | 25.03.1891 |
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| Carlos Furquim Mendes | 2º Juiz de Paz | 23.01.1892 |
| Galdino Manoel Monteiro de Castro | 1º Juiz de Paz | 06.09.1890 |
| José Antonio Monteiro da Silva | 3º Juiz de Paz | 23.01.1892 |
Autoridades de Dores do Monte Alegre, atual Taruaçu
Lista de autoridades de Dores do Monte Alegre, atual distrito de Taruaçu, município de São João Nepomuceno, empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina entre 1859 e 1865.
| Albino Silvino de Lima e Melo | 1º Juiz de Paz | 23.02.1863 |
| Antonio Bernardo de Carvalho | 3º Juiz de Paz | 07.01.1865 |
| Felisberto Rodrigues Pereira Brandão | 1º Juiz de Paz | 07.01.1865 |
| Joaquim Soares Ferreira | 4º Juiz de Paz | 21.02.1863 |
| José Antonio Nunes de Moraes | 4º Juiz de Paz | 07.01.1865 |
| José Furtado de Mendonça | 1º Juiz de Paz | 16.07.1860 |
| José Joaquim Barbosa | 4º Juiz de Paz | 28.05.1862 |
| José Vieira da Silva | 1º Juiz de Paz | 17.01.1859 |
| 2º Juiz de Paz | 12.01.1865 | |
| Manoel Dornelas da Costa | 1º Juiz de Paz | 10.01.1859 |
Raízes no Rio Pardo
Mauro de Almeida Pereira, autor de “Os Almeidas, os Britos e os Netos em Leopoldina”, foi quem direcionou meus passos para Argirita mesmo sem que ele próprio soubesse de nossa ligação com o antigo Curato do Senhor Bom Jesus do Rio Pardo.
Desde o lançamento de seu livro em 1966 e até alguns meses antes de sua morte em junho de 2001, o Mauro foi meu principal interlocutor. No início era dele que eu ouvia as principais referências que serviram de base para estabelecer minha estratégia de buscas. Nos últimos anos ele foi o ouvinte atento, sempre vibrando com cada nova descoberta.
Pois bem! Pesquisando a genealogia dos Almeidas o Mauro descobriu que a avó materna dele era filha de Carolina Rosa, de quem se dizia ser parente do Alféres José Joaquim da Silva Xavier. Durante muitos anos ele acreditou que o parentesco viria através da mãe de Carolina Rosa. Mas, ao tempo em que pesquisava ativamente, era ainda mais difícil encontrar documentos probatórios das lendas familiares. Além disso, ele confiou nas informações publicadas por Artur Vieira de Rezende e Silva em “Genealogia Mineira”, acreditando que ali foram listados todos os parentes do Tiradentes que viveram em nossa região. Somente na década de 80 apresentei ao Mauro uma hipótese que justificasse a memória familiar. Ele achou válida e passamos a buscar provas documentais para defendê-la.
Tal hipótese transferia para a ascendência paterna de Carolina Rosa o parentesco com Tiradentes e acrescentava um sobrenome ao que já conhecíamos como sendo o terceiro-avô materno do Mauro. Compulsando diversas fontes, encontrei em “Velhos Troncos Mineiros” do Cônego Raimundo Trindade, a afirmação de que o personagem que eu acreditava ser pai de Carolina Rosa foi filho único e faleceu em 1845, na Fazenda Campo Limpo, em Leopoldina. Infelizmente nós ficamos com a publicação do Cônego Trindade e não mais procuramos documentos em Leopoldina, após constatarmos que não existia o inventário do personagem em questão e tampouco de seus pais.
Já na década de 90 consegui acesso ao Arquivo da Prefeitura Municipal de Leopoldina e, para nossa surpresa, constatamos que a informação do Cônego Trindade não procedia. Encontrei o pai e o avô de Carolina Rosa como eleitores do Curato de Bom Jesus do Rio Pardo em 1862!
A partir daí foi fácil reordenar os dados colhidos em diversos documentos e demonstrar minha hipótese. Para tanto voltei a pesquisar todos os documentos possíveis sobre Argirita. O resumo desta busca foi publicado sobre o título Pioneiros Esquecidos, há cerca de um ano. O conjunto das pesquisas permitiu compor um estudo da história de Argirita. Futuramente poderão ser acrescentados outros dados já que ainda existe a hipótese dos pais de Carolina terem sido primos por parte de pai e, a se confirmar, alguns textos sofrerão modificação.
§ Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, nascido a 2 janeiro 1804 em São João d’El Rei, MG; faleceu entre 1865 e 1868 em Argirita ou Aventureiro. Era filho de Felisberto Gonçalves Silva e Ana Bernarda da Silveira. Antonio Felisberto casou-se com Francisca de Paula de São José, nascida por volta de 1815 provavelmente em Baependi, MG.
§ De Antonio Felisberto e Francisca de Paula encontramos apenas a filha Carolina Rosa de São José, nascida por volta de 1831 em território do então Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo. Carolina casou-se com Francisco de Paula Pereira Pinto, filho de Carlos Pereira Pinto e Francisca Augusta. Do casal Carolina Rosa e Francisco de Paula Pereira Pinto descende o Mauro de Almeira Pereira e muitos outros usuários do sobrenome Almeida em Leopoldina e cidades vizinhas.
§ Felisberto Gonçalves Silva nasceu em São Sebastião do Rio Abaixo e faleceu em 1863 em Argirita, MG. Era filho de Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier. Felisberto casou-se com Ana Bernarda da Silveira no dia 29 setembro 1802 em São Tiago, Ibituruna, São José del Rei, MG.
§ Ana Bernarda da Silveira nasceu em 1789 em São João d’El Rei, filha de Bernardo José Gomes da Silva Flores e Joaquina Bernarda da Silveira.
§ Domingos Gonçalves de Carvalho, nascido por volta de 1740 em São João de Arneja, Bastos, Portugal, era filho de Antonio Gonçalves e Maria Mendes. Domingos casou-se com Maria Vitória de Jesus Xavier em 1 outubro 1759 na Igreja de Nossa Senhora da Conceição dos Prados, MG.
§ Maria Vitória de Jesus Xavier, nascida por volta de 1742 em São João d’El Rei, MG, era filha de Domingos da Silva Santos e Antonia da Encarnação Xavier.
§ Bernardo José Gomes da Silva Flores, nascido em San Thiago de Lobam, Porto, Portugal, era filho de Manoel Gomes da Silva e Maria Rosa de Jesus. Bernardo casou-se com Joaquina Bernarda da Silveira no dia 26 agosto de 1787 em São João del Rei, MG.
§ Joaquina Bernarda da Silveira, nascida por volta de 1770 em São João d’El Rei, MG, era filha de Anastácio José de Souza e Maxima Jesuina da Silveira.
Eleitores residentes na Piedade em 1882
Relação dos moradores da Piedade inscritos como eleitores conforme o livro de Alistamento Eleitoral de Leopoldina relativo ao ano de 1882.
- Adolfo Gustavo Guilherme Hufnagel
- Agostinho de Souza Campos
- Antônio Alves Tavares
- Antônio da Silva Tavares
- Antônio David Alves Ferreira
- Antônio de Souza Almada
- Antônio Fajardo de Melo
- Antônio Gonçalves de Castro
- Antônio Gonçalves Filgueiras
- Antônio Joaquim de Nazareth
- Antônio Maurício Barbosa
- Antônio Pereira Valverde
- Antônio Pinto de Carvalho
- Antônio Pires Veloso de Sá
- Antônio Romualdo de Oliveira
- Antônio Teixeira de Mendonça
- Antônio Teixeira Reis
- Antônio Vieira da Silva
- Bernardo Tolentino Cisneiros da Costa Reis
- Camilo Alves Ferreira
- Cândido José Batista
- Custódio Dias Moreira
- David Alves Ferreira
- Domingos Henriques Porto Maia
- Domingos José Barbosa de Miranda
- Domingos Vieira da Silva
- Eleotério Gonçalves Pereira
- Elias Gonçalves Filgueiras
- Francisco Antônio Nogueira
- Francisco Casemiro da Costa Filho
- Francisco de Paula Ladeira
- Francisco Esmério de Paiva Campos
- Francisco Fajardo de Melo
- Francisco Henriques Porto Maia
- Francisco José Barbosa de Miranda
- Francisco Luiz Pereira
- Francisco Martins Pacheco
- Francisco Soares Valente Vieira
- Higino Dutra de Rezende
- Jacob Antôno Furtado de Mendonça
- João Antônio da Costa Coimbra
- João Antônio de Araújo Porto
- João Antônio Valverde
- João de Souza Almad
- João Desidério da Silva Durães
- João Francisco Vieira da Silva
- João Henrique da Costa Ramos
- João José Alves Ferraz
- João Paulino Barbosa
- João Pereira Valverde
- João Rodrigues Gomes
- Joaquim Constâncio Loures
- Joaquim de Souza Almada
- Joaquim Fajardo de Melo
- Joaquim Fidélis Marques
- Joaquim Gomes de Araújo Porto
- Joaquim José Medina
- Joaquim Rodrigues Gomes Corujinha
- Joaquim Vieira da Silva
- Joaquim Wenceslau de Campos
- José Carlos de Oliveira Pires
- José de Rezende Montes
- José Fajardo de Melo
- José Fajardo de Melo Júnior
- José Fernandes da Silva
- José Francisco de Paiva Campos
- José Francisco Vieira
- José Furtado de Mendonça
- José Henriques da Mata
- José Joaquim Furtado de Mendonça
- José Justino de Carvalho
- José Martins Pacheco
- José Maximiano de Moura e Silva
- José Rodrigues Barbosa de Miranda
- José Rodrigues Carneiro de Souza
- José Rodrigues Gomes
- José Teixeira de Oliveira Guimarães
- José Vieira da Silva
- Laurindo Gonçalves de Castro
- Luiz Teixeira Machado
- Manoel Antônio da Mota
- Manoel Antônio Dutra
- Manoel Ferreira Ribeiro
- Manoel Ferreira Ribeiro Filho
- Manoel Henriques Porto Maia
- Manoel Henriques Porto Maia Filho
- Manoel Luiz Pereira
- Manoel Muniz de Azevedo Coutinho
- Manoel Rodrigues de Oliveira
- Mariano Henriques Pereira
- Olímpio Rodrigues de Mendonça
- Olímpio Sinfrônio de Souza
- Pedro Antônio Furtado de Mendonça
- Pedro Rodrigues Gomes
- Roberto de Souza Almada
- Silvério Gomes Filgueiras
- Silvério José Barbosa de Miranda
- Teotônio Joaquim de Araújo Porto
- Urbano Otoni de Andrade Rezende
- Vicente Alves Ferreira
- Vital Inácio de Moraes
- Vital Rodrigues de Oliveira
- Wenceslau José de Campos
- Wenceslau Martins Pacheco Filho



