Associações de Moradores

Quando não havia ainda a separação entre Estado e Igreja, as associações de moradores registravam seus estatutos e atas em livros paroquiais a este fim destinados.

Além deles, os livros dos Cartórios de Notas esclarecem um pouco sobre as atividades destes grupos de moradores que se encarregavam dos procedimentos necessários ao franco desenrolar da vida civil.

Em nossos estudos tivemos oportunidade de analisar os atos da Comissão encarregada pela construção do Cemitério Público em Conceição da Boa Vista, cujos membros faziam parte da Irmandade do Santíssimo Sacramento de Conceição da Boa Vista, em 1884 dirigida pelo procurador Antônio Caetano de Almeida [Gama?]. Naquele ano, a Irmandade tinha a receber o aporte financeiro de 3 contos 953 mil réis, legado testamentário do capitão Jacintho Manoel Monteiro de Castro para a Igreja e o Cemitério da Paróquia da Conceição da Boa Vista. Para atuar como interveniente credor no inventário, a Irmandade nomeou o advogado Theophilo Domingos Alves Ribeiro, conforme procuração datada de 23 de julho de 1884, registrada no livro do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista.

Lembramos que as Irmandades surgiram na Idade Média, na Europa. Compunham-se de leigos que, além da difusão religiosa, encarregavam-se também da assitência econômica de seus integrantes e tomavam as providências necessárias por ocasião da morte. Vale dizer: missa de corpo presente, acompanhamento do enterro, sepultamento em local digno e demais rituais. Segundo o Dicionário do Brasil Colonial, organizado por Ronaldo Vainfas, em Minas “as irmandades revelaram-se de especial importância para dinamizar a vida religiosa”, especialmente por conta da “precária implantação da rede de paróquias” e porque não foram autorizadas as ordens regulares.


Club da Lavoura

As associações assim denominadas reuniam os lavradores dos distritos com o objetivo de promover a agricultura e o comércio, seguindo orientações do Club Central da Lavoura e Commercio do Rio de Janeiro. Tratava-se, portanto, de um órgão regulador das atividades de produção e escoamento, exercendo certo poder de pressão sobre o poder público. Foram os Clubes da Lavoura que organizaram, por exemplo, o processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo braço imigrante.

No ano de 1884 o Club da Lavoura de Conceição da Boa Vista era presidido pelo Barão de Avelar Rezende, tendo como secretário o Padre Modesto Theophilo Alves Ribeiro e sendo membros da Comissão Permanente os fazendeiros Manoel Barbosa da Fonseca, Francisco Ferreira [Brito] Netto, Manoel Lobato Galvão de São Martinho, Lucas Matheus Monteiro de Castro, João Evangelista Teixeira de Barros e Valeriano Coelho dos Santos Monteiro.

Em geral um Club da Lavoura distrital nomeava um procurador para representá-lo nas reuniões do Club Central. Neste cargo surge, então, um outro nome que faz parte da história de Conceição da Boa Vista: Domingos de Andrade Filgueira representou o distrito na reunião do ano de 1884.  Morador da Corte, acreditamos que enviava suas comunicações através da Mala Postal da Estrada de Ferro da Leopoldina.

Atividade do Club da Lavoura

Apresentamos, a seguir, a transcrição de uma ata de reunião dos lavradores de Angustura, no ano de 1887, que bem exemplifica os objetivos e interesses da associação.


Emigração

Ata dos lavradores da freguesia d’Angustura

Aos 28 de Dezembro de 1887, à 1 da tarde, nesta freguesia d’Angustura, reunidos os lavradores: – Barão de S. Geraldo, Militão José de Souza Amêno, Francisco Martins Ferreira, Casimiro Vilela de Andrade, Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, membros da comissão permanente do “Club da lavoura desta freguesia”. Não comparecendo por doente, como oficiou o membro Lucas Soares de Gouvêa, e mais: Gustavo Teófilo Alves Ribeiro, Cipriano Gomes Figueira, Francisco Gomes Figueira, Carlos Gomes Figueira, José Pinto de Andrade Junior, Manoel José de Medeiros, José Cesário de Figueiredo Côrtes, Dr. Francisco Cesário de Figueiredo Côrtes, José Augusto de Figueiredo Côrtes, Manoel Gonçalves de Figueiredo Côrtes, João Cesário de Figueiredo Côrtes, Ricardo Antonio da Silva, José Alexandrino Vilas Boas Côrtes, Antonio Antunes de Siqueira, Gabriel Martins Ferreira, Antonio Manoel Domingues, Domingos Vilela de Andrade, José Vilela de Andrade, José Joaquim de Cerqueira, Manoel Joaquim de Cerqueira, Joaquim Antonio de Cerqueira, José Claudino de Cerqueira Leite, Francisco José de Paula Moutinho, Francisco de Assis Teixeira, João Baptista Celestino Ferreira, Joaquim Garcia de Oliveira Mattos, Manoel Nunes de Moraes Dutra, coronel Joaquim Martins Ferreira, Manoel José Pires de Carvalho, Manoel Rodrigues Pessoa Araújo, Valeriano Manso Monteiro da Costa Reis, Dr. Francisco Rodrigues Seixas, Teófilo Rodrigues Pessoa, Carlos Rodrigues Pessoa, Carlos José Ferreira, Francisco Teixeira Marinho, Romualdo Martins do Couto, Francisco Augusto Teixeira, José Venâncio Godoy Junior, Aureliano Xavier Arruda, Celestino Gonçalves da Silva, Fortunato Alves Vieira, Antonio Teixeira Rezende Junior, Francisco Faria Salgado, Leonardo Teixeira Marinho, José Candido Vilela Andrade, Dias Ferraz, Martins Ferreira & Irmão, Teixeira Leite & Irmãos e Manoel Pereira da Costa & Filho, foi lida pelo presidente da comissão permanente, Barão de S. Geraldo, a exposição do teor seguinte:

EXPOSIÇÃO FEITA PELA COMMISSÃO PERMANENTE DO CLUB DA LAVOURA DA FREGUEZIA D’ANGUSTURA, TERMO DE S. JOSÉ D’ALÉM PARAHYBA, PROVINCIA DE MINAS, NA REUNIÃO DOS LAVRADORES EM 28 DE DEZEMBRO DE 1887.

Introdução

Em 4 de Junho de 1884, reunidos aqui 70 lavradores, formaram um “club ou liga paroquial” e nomearam uma comissão permanente composta dos abaixo assinados.

Foram aprovados os respectivos estatutos.

Então, o principal intuito era formal oposição à projetada reforma da lei de 28 de Setembro de 1871; e, neste sentido, representou-se ao parlamento.

Depois, veio a lei de 28 de Setembro de 1885, reformando e ampliando aquela.

Hoje, aos nossos estatutos teremos um artigo a acrescentar:

Art. 7º O Club da Lavoura, atendendo à urgente necessidade que há de introduzir emigrantes neste freguesia, toma a si todo o empenho em desde já iniciá-la e dar-lhe o máximo desenvolvimento.

É, pois, o principal fim deste reunião tratar-se de tão importante assunto: e, para isso vos convocou a comissão permanente.

Antes de tudo, a comissão entendeu que devia marcar os Salários dos libertos que existissem na freguesia; e para aqueles que o fossem por quaisquer títulos.

É obvia a necessidade de uniformizar esses salários, que a mercê da vontade de cada um poderia dar lugar a uma verdadeira anarquia.

Uniformizados e generalizados, é possível que se possa organizar os serviços dos libertos, rodeando-os dos cuidados que merecem e se deve à gente que não sabe dirigir-se.

Comissão o fez em sua sessão de 26 de Novembro próximo passado pela seguinte forma:

De 16 a 45 anos De 45 a 55 anos De 55 a 63 anos
Homens 100$ anuais 60$ anuais 35$ anuais
Mulheres 80$ anuais 40$ anuais 24$ anuais

com obrigação de alimentá-los, vesti-los, dar-lhes casas para morar e tratamento em suas moléstias, não se descontando até quinze dias de faltas (nesse caso de moléstia).

Exposição do Conselheiro Paulino

A comissão não pode deixar de chamar a vossa atenção para a exposição feita pelo Exmo. Sr. conselheiro Paulino José Soares de Souza, no palácio da presidência do Rio de Janeiro, em reunião solene com o presidente e deputados provinciais, e cujo transunto vem publicado no Jornal do Commercio de 10 do corrente mês.

Essa exposição, sensata como seu autor, deve ser lida; e é uma prova que a província do Rio de Janeiro, com muitos pontos de semelhança à nossa zona cafeeira, pelos terrenos e climas, tem no dito conselheiro, que já subiu às mais elevadas posições que pode aspirar um homem político, um companheiro leal.

Sistema de colonização

O tempo urge.

E esta freguesia tem sempre dado provas do maior tino, pelo trabalho e economia de seus habitantes, tanto que é considerada a mais importante desta província deve hoje, abstraindo-se das fórmulas, adotar um sistema – um modus vivendi em relação à emigração; e uma vez adotado, caprichar por executá-lo à risca.

Da união nasce a força.

E devemos sobretudo ter em vista que se caminharmos sem norte, e a nosso bel prazer, chegaremos a um fim desastrado.

Quando é certo que, se marcharmos todos unidos, com a probidade que sempre caracterizou os habitantes desta freguesia, seremos bem sucedidos; podendo as demais freguesias da província imitar-nos com vantagem.

Desde que tratamos da introdução de emigrantes, em que tantos lavradores tem naufragado, devemos começar todos juntos; e, começando todos juntos, aquilo que um fizer ao emigrante, todos devem fazê-lo, nem mais e nem menos.

Aproveitando os favores da lei geral e os transportes gratuitos da estrada de ferro Leopoldina, podemos ter o emigrante nas Estações, nossas freguesas, sem dispêndio algum.

O Sr. Angelo Fiorita, agente de algumas companhias de navegações, encarrega-se de mandar vir os emigrantes e colocá-los nas estações por nós designadas, sem dispêndio algum.

Para este fim teremos de entregar-lhe uma petição dirigida ao governo imperial, por nós assinada, requerendo e designando o número de famílias que desejamos, e uma procuração para solicitar os favores da lei.

Para isto existem modelos impressos, que pomos à vossa disposição.

Nos parece este o meio mais econômico e prático.

Devemos adotar o Sistema seguinte:

1º fazer ao colono o fornecimento no primeiro ano, por meio de uma caderneta, do que ele precisar para sua manutenção e de sua família, para ser pago no ano seguinte;

2º dar a cada família de colono 6.000 pés de café (novos) no mínimo para ela tratar;

3º fornecer uma casa, com 40 palmos sobre 20, coberta de telhas, com 12 palmos de pé direito e 7 de ponto, com duas portas de 4 ½ palmos de largura sobre 4 ½ de altura, conforme a planta que vos oferecemos.

Essas casas deverão ser barreadas, ficando os revestimentos de cal adiados para ocasião mais oportuna.

Quanto ao sistema de trabalho, abstraindo-nos de citar opiniões de economistas, e só atendendo à prática, temos (quanto à cultura de café),

Sistema de parceria

Em que o colono tem metade do café colhido, entregando-o, depois de seco, ao proprietário que lhe dá o último benefício nos terreiros e em suas máquinas, remete-o para o consignatário, entregando, depois ao colono, metade do líquido produto da conta de venda, que lhe deve ser apresentada, deduzidas as despesas do benefício do terreiro, máquinas e transportes.

O Sr. Antonio Van Erven, na sua colônia de Santa Clara, cobra por este serviço 600 rs. Por cada arroba de café, que devemos adotar: e assim também, 600 rs. Por cada saco de café em coco (quando ele assim é vendido) pelos benefícios do terreiro, ventilação e transportes.

Nesta colônia, composta em sua quase totalidade de “Madeirenses”o sistema seguido é o da parceria e é estilo dar-se a cada família de colono:

  • · uma casa tosca, apenas barreada, de 20 palmos sobre 40, coberta de telhas, junto à lavoura, e 6.000 pés de café novos;

  • · permissão para plantar os cereais, para sua alimentação, no meio dos cafesais (dos 6.000 pés);

  • · para um estreito cercado para ter os porcos do consumo (não passam de dois a três);

  • · para a criação de aves domésticas, não sendo permitido ter gado vacum ou de qualquer outra espécie;

  • · sendo feitos os transportes dos produtos dos colonos para as máquinas ou mercados consumidores nos veículos do proprietário.

Sistema de empreitada

Em S. Paulo, e sobretudo no oeste, é geralmente adotado o seguinte sistema, que denominaremos de empreitada.

A cada família de colono é distribuída uma partida de café, que lá chamam talhão com 10.000 pés.

Tratam dessa partida de café, dando 4 e 5 capinas anuais no mínimo, recebendo por cada 50 litros de café, que colhem e entregam na mesa do carro do proprietário 300 réis.

Além disto, tem casa para morar, com terrenos marcados na frente e nos fundos para hortas, jardins e estábulos; um pasto em comum para ter um animal muar e outro vacum, e terrenos para plantar os cereais que precisam para sua alimentação, e que lhes são designados previamente.

Empreitada mista

Também alguns usam ali o sistema – que denominaremos – empreitada mista, e é o seguinte: pagam ao colono 10$ por cada 1.000 pés de café que capinarem, e por cada 50 litros de café que colherem e entregarem pela mesma forma na mesa do casso 300 réis.

O mais é mesmo que no sistema de empreitada.

Salário

Na colônia “Nova Louzã” do Sr. Monte-Negro, também no oeste de S. Paulo, era usado antigamente sistema de salário.

Pagavam ali 1$ diários aos trabalhadores que eram apontados como geralmente se faz com

homens livres, e trabalhavam em turmas, tendo a alimentação.

Era a única colônia que seguia este sistema, que, hoje não podemos afirmar se sofreu modificações.

Colonos a introduzir

Atualmente só podemos apelar para os da ilha da Madeira ou Italianos, que, pelas condições especiais em que se acham em seus países, desejam emigrar; e, como que há mesmo uma corrente emigratória.

Para os da ilha da Madeira, devemos adotar o sistema da “parceria”, do qual eles não querem afastar-se; e deverá nos servir de tipo – a colônia de Santa Clara – do Sr. Antonio Van Erven.

Para os italianos (devemos exclusivamente preferir os do norte – lombardos em primeiro lugar) os sistemas por eles preferidos, e que devemos adotar, como se faz em S. Paulo, são os da empreitada e empreitada mista.

As casas dever ser construídas, como lá, juntas, ou com pouco espaço, formando viletas.

Na empreitada mista nós não podemos pagar pelas capinas de 1.000 pés de cafés – 10$000 – como em S. Paulo, onde o cafezal é alinhado 6, 20, 22 palmos quadrados quando o nosso aqui o é a 10, 12 e 14 no máximo.

Nos parece que deve regular – metade – ou 5$000 por 1.000 pés.

Colonos nacionais

Não devemos perder de vista que é preciso utilizar os braços nacionais; e, que, portanto devemos fazer aos nossos patrícios o que fazemos aos estrangeiros.

EMPREITADAS PARA PLANTAÇÕES DE CAFÉ

Sistema seguido na colônia Santa Clara

Dá-se o mato para derrubar, plantar de café, desfrutar por 5 anos, pagando-se depois 100 rs. por cada pé de café.

Sistema seguido em S. Paulo

O empreiteiro derruba, planta e cuida do arbusto do café, até completar quatro anos; e então recebe entre 400 e 500 rs. por cada pé de café.

Sistema que deve ser seguido

Nos parece que devemos adotar o sistema seguido na colônia Santa Clara, que está mais em relação com os nossos terrenos.

Cultura de cana

Não parece fora de propósito, desde que temos essa cultura na freguesia e Engenhos Centrais, e quea estrada de ferro Leopoldina, por módicos preços, se presta aos transportes de cana, de qualquer ponto de sua linha, estabelecer algumas bases para os colonos que quiserem empregar-se nessa lavoura.

Sistema seguido na colônia Santa Clara

Meação completa em açúcar e aguardente. Fabrico pelo colono. Transportes de cana pelo proprietário.

Sistema seguido no Engenho Central Pureza

Esse engenho, que possui muitas terras, dá-las ao colono – em matas – ou não para plantar cana, e, para 4$ por cada tonelada de cana que recebe nos vagões de sua linha férrea.

E, como para o plantador de cana em terras do engenho, o preço da cana – é de 6$ por tonelada, segue-se que o colono tem dois terços do preço da cana por tonelada.

É permitido ao colono plantar cereais para seu consumo – no meio dos canaviais – ou fora, em terrenos designados previamente, sem ônus algum.

Quanto às casas – o engenho ajuda a fazê-las, dando a madeira e telhas; mas, não indeniza ao colono cousa alguma quando ele se retira, ficando a casa sua propriedade.

Também há ali indivíduos que tomam maior espaço de terreno, e plantam a cana com trabalhadores assalariados a 20$ e 25$ mensais, alimentado-os.

Conclusão

A comissão permanente julgou de seu dever fazer a presente convocação e exposição, e espera que tomeis a resolução que mais convier aos vossos interesses.

Mas, vos dirá.

Urge, e urge quanto antes, tratar da imigração nesta freguesia.

Angustura, 28 de Dezembro de 1887.

Barão de S. Geraldo, presidente

Militão José de Souza Amêno, vice-presidente

Francisco Martins Ferreira, secretário

Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis, tesoureiro

Custódio Pereira da Costa

Casimiro Vilela de Andrade.

Posta em discussão a exposição: pelo Sr. coronel Joaquim Martins Ferreira foi dito, que concordava com as idéias expostas pela comissão permanente e que, quanto aos sistemas de parceria, empreitada – e empreitada mista para a cultura de café – que mais nos interessava devem ser adotados – com a seguinte modificação.

No sistema de empreitada em vez de 500 rs. por cada 50 litros de café, 600 rs. e na empreitada mista em vez de 10$ por 1.000 pés – como em S. Paulo, ou 5$ como propunha a comissão – se dê ao colono 8$ por 1.000 pés – e, que em quaisquer dos três sistemas a que estivesse sujeito o colono – ele deveria dar três capinas anuais nos cafesais – que eram muito suficientes – e replantar os cafesais.

Diz mais que acha bons os tipos das casas – propostos pela comissão, e constantes da planta, – e que se dê ao colono – só cafesais novos – como se propõe (6.000 pés a cada família).

Quanto às casas já mandou fazer algumas casas para seis famílias de Italianos Lombardos que mandou vir: mas elas têm 35 palmos sobre 25 sem divisão alguma, pouco diferindo, ou no fundo nada diferindo do tipo adotado pela comissão.

Em seguida o Sr. Barão de S. Geraldo diz que devem ser adotadas as modificações propostas pelo Sr. Martins Ferreira e por isso propunha que se adotassem para a cultura do café, nos três sistemas: parceria, empreitada e empreitada mista, com as modificações propostas pelo mesmo senhor, ficando entendido que em quaisquer dos sistemas só se daria ao colono cafesais novos (6.000 pés, no mínimo, a cada família) e as casas, do tipo, e planta apresentados pela comissão, e mais que cada lavrador ficava obrigado a fornecer ao colono, por meio de uma caderneta, o que lhe fosse preciso para sua manutenção, e de sua família, para ser pago no ano seguinte ao de sua instalação.

O que foi aprovado unânimente.

Foi dito mais pelo Sr. Barão de S. Geraldo, que, quanto ao sistema dos salários, a comissão limitou-se a expor o que era usado em S. Paulo; mas, em um sistema que pode variar tanto, não quis logo propor cois aalguma de definitivo.

Sabe que nesta freguesia o agricultor Pacheco tem trabalhadores portugueses em sua situação para a cultura de café, a 20$ e 25$ mensais, sujeitando-os ao regime de trabalho geralmente usado em nossas fazendas com os trabalhadores servis, dando alimentação.

Na visinha freguesia de Pirapetinga, o Dr. Júlio Barbosa em sua fazenda e, também, para a cultura de café, tem uma turma de trabalhadores italianos a 1$ diários, a qual dá alimentação.

Foi resolvido mais que se consignasse nesta ata – que os colonos que se encaminhassem para esta freguesia não deviam contar com pastos para criação de gado de qualquer espécie – visto como os há em muito pequena escala – e só para os misteres das lavouras.

Foi aprovada a tabela dos salários dos libertos.

Nada mais havendo a tratar-se, pelo Sr. Barão de S. Geraldo foram convidados os lavradores a assinar os pedidos das famílias de colonos que precisassem para as suas lavouras – e, assim mais os requerimentos ao governo; -e que devíamos ter em vista pedir as famílias – as quais pudéssemos dar as casas correspondentes (conforme a planta) em suas chegadas à freguesia, que devia regular de três a quatro meses.

O Sr. Eugênnio P. Sigaud, oficiou não poder comparecer por doente, e declarou precisar de seis famílias.

Foram logo assinados pedidos para 78 famílias, sendo 1 alemã, 5 da Ilha de S. Miguel e 72 da Ilha da Madeira.

E, como muitos lavradores não compareceram, ficou a lista dos pedidos na freguesia para as respectivas assinaturas.

E como nada mais havia a tratar, levantou-se a sessão às 4 horas da tarde. Eu Francisco Martins Ferreira, secretário, lavrei esta ata, que assino com os membros da comissão permanente.

Barão de S. Geraldo – Militão José de Souza Ameno – Francisco Martins Ferreira – Bernardo Manso Monteiro da Costa Reis – Casimiro Vilela de Andrade – Custódio Pereira da Costa.

Os Cafelistas de Leopoldina

De forma geral é costume dizer que a ocupação do solo de Leopoldina se deu pelos plantadores de café. Discordo bastante desta posição.

Segundo o Registro de Terras de 1856, dos 95 proprietários apenas um, Bernardo José Gonçalves Montes, declarou dedicar-se ao plantio de café. Outros 58 declaram atividade como lavoura em geral e 12 plantavam especialmente milho. Os demais 27 não declararam a quais atividades se dedicavam. Dentre estes já identificamos 13 proprietários de pequenas chácaras, localizadas na área urbana. É possível que alguns dos demais 14 fossem também chacareiros, mas pode ser que entre eles houvesse quem se dedicasse ao plantio do café, embora em propriedades de extensão diminuta.

Nos livros de arrecadação fiscal do período subseqüente, o café começa a ser mencionado ainda de forma esporádica. Segundo o Almanaque Administrativo de Minas Gerais para o ano de 1864, 60 fazendeiros de Angustura dedicavam-se ao cultivo do café. Infelizmente não houve remessa do mapa relativo à cidade de Leopoldina como um todo e, por conta disso, não sabemos quantos fazendeiros haviam se tornado agricultores.

É no período seguinte, 1865 a 1874, que o cultivo de café desponta como a principal atividade agrícola na região de Leopoldina. De acordo com os livros de arrecadação fiscal encontrados, comparados com o publicado no almanaque Administrativo de Minas Gerais para o ano de 1875, eram os seguintes os plantadores de café em Leopoldina e Piacatuba:

  • Américo Antonio de Castro Lacerda
  • Anselmo Alves Ferreira
  • Antonio Augusto de Almeida
  • Antonio Bernardino Machado
  • Antonio de Almeida Ramos
  • Antonio de Deus Barros
  • Antonio de Souza Almada
  • Antonio de Souza Almada Júnior
  • Antonio Ferreira Neto
  • Antonio Francisco Barbosa Neto
  • Antonio Joaquim Teixeira
  • Antonio José de Almeida Ramos
  • Antonio Lopes Ferreira
  • Antonio Mauricio Barbosa
  • Antonio Pereira da Silva
  • Antonio Pereira de Medeiros
  • Antonio Pereira Valverde
  • Antonio Prudente de Almeida
  • Antonio Rodrigues Gomes
  • Antonio Rodrigues Montes
  • Antonio Romualdo de Oliveira
  • Belisário Alves Ferreira
  • Bernardo Rodrigues Gomes
  • Bernardo Rodrigues Montes
  • Camilo Alves Ferreira
  • Carlos Augusto de Aquino Cabral
  • Carlos de Assis Pereira
  • Cassiano José do Carmo
  • Claudino Vieira da Silva
  • Cláudio José de Miranda
  • David Alves Ferreira
  • Domingos Ferreira Neto
  • Domingos Henriques de Gusmão
  • Domingos José da Silva
  • Domingos Marques de Oliveira
  • Evencio Fabricio da Fonseca
  • Ezaú Antonio Corrêa de Lacerda
  • Francisco Alves de Lacerda
  • Francisco Antonio de Brito
  • Francisco Antonio de Brito Júnior
  • Francisco Bernardino Machado
  • Francisco da Costa e Souza
  • Francisco de Paula Machado
  • Francisco de Paula Monteiro da Silva
  • Francisco Dias Ferraz
  • Francisco Esmério de Paiva Campos
  • Francisco Ferreira Brito
  • Francisco Gonçalves Neto
  • Francisco Henriques Pereira
  • Francisco Joaquim de Almeida e Gama
  • Francisco José Barbosa de Miranda
  • Francisco José de Freitas Lima
  • Francisco Mendes do Vale
  • Francisco Rodrigues de Almeida
  • Francisco Soares Valente Vieira
  • Jerônimo José de Mesquita
  • João Antonio da Costa Coimbra
  • João Antonio da Silva
  • João Antonio de Araújo Porto
  • João Basilio de Almeida
  • João Batista da Silva
  • João Batista de Almeida
  • João Batista Martins Guerra
  • João Damasceno Ferreira Brito
  • João Dutra Nicácio
  • João Evangelista Coimbra
  • João Francisco Coelho
  • João Gonçalves Nto
  • João Gualberto Ferreira Brito
  • João Pereira Valverde
  • João Rodrigues Ferreira Brito
  • João Vidal Leite Ribeiro
  • João Vieira da Silva
  • Joaquim Antonio de Almeida Gama
  • Joaquim Antonio de Almeida Ramos
  • Joaquim da Silva Tavares
  • Joaquim de Souza Werneck
  • Joaquim Francisco de Assis
  • Joaquim Honório de Campos
  • Joaquim Inacio de Oliveira
  • Joaquim José da Costa Cruz
  • Joaquim Machado Neto
  • Joaquim Pinheiro de Faria
  • José Alves Ferreira
  • José Antonio de Moraes
  • José Bernardino Machado
  • José Dias Moreira
  • José Evangelista do Carmo
  • José Fajardo de Melo
  • José Francisco de Paiva Campos
  • José Furtado de Mendonça
  • José Henriques da Mata
  • José Joaquim Pereira
  • José Maria da Penha
  • José Maria Gonçalves Coelho
  • José Martins Pacheco
  • José Ovídio Gomes de Aguiar
  • José Teixeira Lopes Guimarães
  • José Tomaz de Aquino Cabral
  • José Tomaz Dutra
  • Josué de Vargas Corrêa
  • Justino Marques de Oliveira
  • Justino Marques de Oliveira
  • Leopoldo de Vargas Corrêa
  • Manoel Antonio de Almeida
  • Manoel Benedito de Freitas
  • Manoel da Silva Miranda
  • Manoel Dias Ferraz
  • Manoel Ferreira Ribeiro
  • Manoel Francisco Coelho
  • Manoel Jacinto de Oliveira
  • Manoel Joaquim Pereira
  • Manoel José de Novaes
  • Manoel José Ferraz
  • Manoel José Monteiro da Silva
  • Manoel Rodrigues da Silva
  • Manoel Rodrigues do Nascimento
  • Maria do Carmo Monteiro da Silva
  • Maria Luiza de Miranda
  • Mariana de Jesus
  • Maxima Ferreira Braga
  • Miguel de Faria Coutinho
  • Narciso Marques Braz
  • Nicolau Alves Ferreira
  • Pedro Antonio Furtado de Mendonça
  • Pedro Baldoíno da Silva
  • Pedro Moreira de Souza
  • Processo José Corrêa de Lacerda
  • Rafael Teixeira de Souza
  • Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda
  • Silvano José da Cruz Nogueira
  • Venâncio José de Almeida Costa
  • Vicente Ferreira Monteiro de Barros
  • Vicente Rodrigues Gama
  • Vital Inacio de Moraes
  • Vital Rodrigues de Oliveira
  • Wenceslau Rodrigues Martins Pacheco

Procuração de um casal de italianos

Documento extraído do Livro do Cartório de Notas de Pirapetinga, MG, relativo ao período 12.1879 a 07.1880, folhas 29 verso e 30.

Procuração de Giuseppe Vincenzo Mercadante e sua mulher, Marina Dause, para que Miguel Delvick os represente na Italia, autorizando o casamento de seu filho Antonio Mercadante.

Procuração de um casal italiano em Pirapetinga

Transcrição:

Procuração bastante que fazem José Mercadante e sua mulher Dona Marianna Dause como abaixo se declara. Saibão quantos este publico instrumento de Procuração bastante virem que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e oitenta aos dose dias do mes de Março do dito anno, nesta Freguesia de Santa Anna do Pirapetinga, termo de Leopoldina Provincia de Minas em meu cartorio perante mim escrivão de Paz deste Freguesia comparecerão como Outhorgantes José Mercadante e sua mulher Dona Marianna Dause moradores deste Freguesia e reconhecidos de mim Escrivão e das duas testemunhas ao diante assignadas ao que dou fé; perante ao quaes por elles me foi dito que nomeavão seu bastante Procurador na Italia a Mighel Detrick para por elles Outhorgantes passar e assignar conseção e licença que elles Outhorgantes consedem para seu filho Antonio Mercadante casar-se com Dona Rosa Demark filha de Vicente Dimak e Francisca Ragaon por ser muito de suas vontades para que lhe consede os poderes que forem precisos. Assim o disserão ao que dou fé; e me pedirão este instrumento que lhe li aceitarão e por elles Outhorgantes não saberem escrever pedirão a Antonio Botelho de Lima que a seus rogos asssignasse com as testemunhas presentes e abaixo assignadas, deste Freguesia e reconhecidas de mim José Victor Ramos, escrivão que a escrevi e assigno em publico e raso. Em ttº de verd. José Victor Ramos Antonio Botelho de Lima Testª Serafim Alves da Costa Francisco Jose Pires

Acrescente-se que o novo casal posteriormente passou ao Brasil, residindo no distrito de Itapiruçu, por volta de 1887, conforme se vê no livro de Notas do Cartório daquele distrito relativo ao ano de 1886, folhas 7 e verso, quando passam procuração para serem representados em batismo a ser realizado em São Paulo.

Além disso, conforme o Alistamento Eleitoral de Leopoldina de 1892, o casal continuava residindo no município. Por este documento apuramos que o nome completo do pai de Antonio Mercadante era Giuseppe Vicenzo Mercadante.

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina

Autoridades do distrito do Rio Pardo

Capítulo da História de Argirita publicado em 2003.

Antes da organização do distrito, o povoado tinha sua representação no padre que dava assistência aos moradores e no Juiz de Paz, eleito em assembléia da unidade administrativa a que pertencesse o território.

Dos padres trataremos em outro capítulo. Para identificar os primeiros Juizes de Paz seria necessário encontrar o livro do cartório notarial de Rio Pomba, sede administrativa da época. Infelizmente, segundo informações que nos foram passadas pela Prefeitura de Rio Pomba, um incêndio destruiu o acervo relativo ao período que nos interessa.

O primeiro livro cartorial do Distrito do Espírito Santo abrange os anos de 1839 a 1845. Encontra-se no Arquivo da Prefeitura Municipal de Mar de Espanha, muito danificado, com pouquíssimas páginas em condições de serem lidas. Outra fonte, o primeiro livro cartorial do Distrito do Rio Pardo, iniciado a 19.02.1841, pertencente ao acervo do Arquivo da Prefeitura de Leopoldina, em fase de restauração. Em nenhum dos dois livros foram registradas informações sobre os Juizes de Paz em exercício até 1851.

Entre abril de 1841 e julho de 1851, estando o Rio Pardo subordinado a São João Nepomuceno, no Arquivo da Prefeitura Municipal daquela cidade deveriam ser encontradas as Atas de Assembléias Eleitorais. Surpreendentemente porém, nada foi localizado até o momento que dissesse respeito a eleições deste distrito. Desta forma, a informação mais antiga que conseguimos apurar, através de documento encontrado no Arquivo Público Mineiro, é a que trata da Qualificação de Eleitores do Rio Pardo em fevereiro de 1851. Pela ata ficamos sabendo que o Juiz de Paz era Antônio Bernardes de Carvalho e que os eleitores escolheram para a formação da mesa os senhores João Evangelista Coimbra, Custódio Dias Moreira e Antônio Júlio da Paixão.

Morador do 3º quarteirão, Antônio Bernardes de Carvalho nasceu por volta de 1800, era lavrador, e em 1853 estava casado com Maria Bárbara Nunes, mãe de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão. De um relacionamento anterior com Ana Maria da Assunção, Antônio Bernardes tivera os filhos Carlos José Jacinto de Carvalho, Antônio Alves de Oliveira Carvalho e Maria Antônia de Jesus, esposa de Felisberto Rodrigues Pereira Brandão.

João Evangelista Coimbra era solteiro em 1851, carpinteiro de profissão, nascido por volta de 1818, residente no 4º quarteirão de Rio Pardo. Segundo escritura de compra e venda de bens de raiz encontrada no Livro 3 do Cartório de Notas de Argirita 1862-1867, era filho de Joaquim Manoel de Coimbra e Teodora Messias Candida de Assis, provavelmente os primeiros moradores do território onde mais tarde foi criado o distrito de Tebas. Segundo algumas fontes documentais, o pai de João Evangelista seria o Manoel Joaquim de Tebas que deu origem ao nome do distrito. .

Custódio Dias Moreira nasceu em 1798, era lavrador, residente no 6º quarteirão, casado. Assim como a família Coimbra, os Dias Moreira foram numerosos na região.

Antônio Júlio da Paixão foi negociante, nasceu por volta de 1815 e em 1851 residia no 1º quarteirão, casado. É um dos nomes mais freqüentes entre os chamados “homens bons” que dominaram a política do Rio Pardo segundo nos mostram os documentos.

É sugestivo observar que os três mais votados para compor a mesa eram residentes em quarteirões diferentes. Considerando que João Evangelista Coimbra obteve 56 votos e o seu quarteirão contava com 28 eleitores, que Custódio Dias Moreira teve o mesmo número de votos e residia num quarteirão com 31 eleitores, e que Antônio Júlio da Paixão ficou com 40 votos sendo de um quarteirão com 14 eleitores, julgamos válido supor que os três tinham influência política também fora dos limites de sua própria jurisdição. Lembremo-nos que a expressão “curral eleitoral”, de sentido tão pejorativo hoje em dia, teve origem na liderança exercida por moradores sobre seus vizinhos de quarteirão.

Já em 1853, segundo nos informa Celso Falabella, Inácio Nunes de Moraes foi um dos eleitos para o cargo de Juiz de Paz do Rio Pardo. No período que vai de julho de 1851 a abril de 1854, o distrito esteve subordinado a Mar de Espanha e as Atas Eleitorais deveriam estar nos livros daquele município. A exemplo do ocorrido em São João Nepomuceno, também ali não logramos êxito nas buscas. Sabe-se que naquela época eram 2 os eleitos para o cargo. No mesmo período em que Celso Falabella cita Inácio Nunes de Moraes, sabemos que Antônio Júlio da Paixão exercia o mesmo cargo. Desconhecemos o número de votos de cada um e, conseqüentemente, qual deles era o 1º e o 2º.

É a partir de 1854 que se torna mais fácil acompanhar a história do Rio Pardo porque, subordinado a Leopoldina, teve a maioria de seus registros preservados pelo Arquivo da Prefeitura daquela cidade. Ainda assim encontraremos um intervalo sem documentos, já que em 1868 a cidade de Mar de Espanha requisitou e conseguiu administrar Rio Pardo por algum tempo.

Resumindo o que pudemos apurar temos então os seguintes detentores do cargo de Juiz de Paz do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, de acordo com o ano em que foram empossados:

1851

  • Antônio Bernardes de Carvalho

1853

  • Antônio Júlio da Paixão
  • Inácio Nunes de Moraes

1857

  • 1º Gonçalo de Souza Lima
  • 2º Cândido José de Barros
  • 3º Inácio Nunes de Moraes
  • Antônio Júlio da Paixão toma posse em substituição a Gonçalo de Souza Lima

1859

  • José Vieira da Silva, eleito por Dores do Monte Alegre
  • Manoel Dornelas da Costa, eleito por Dores do Monte Alegre

1860

  • José Furtado de Mendonça, eleito por Dores do Monte Alegre

1861

  • Firmino Antônio de Lima

1862

  • 1º Antônio Júlio da Paixão
  • 2º Francisco Antônio da Cunha
  •  3º Cândido José de Barros
  • 4º Joaquim José Coimbra
  • José Joaquim Barbosa, especial de Dores do Monte Alegre.

1863

  • 1º Albino Silvino de Lima e Melo
  • 4º Joaquim Soares Ferreira, eleito por Dores do Monte Alegre

1865

  • 1º Emygdio José de Barros
  • 2º Francisco Antônio da Cunha
  • 3º Antônio Bernardes de Carvalho, eleito por Dores do Monte Alegre.
  • 4º João Antônio Martins
  • 1º Felisberto Rodrigues Pereira Brandão, especial de Dores do Monte Alegre.
  • 2º José Vieira da Silva, especial de Dores do Monte Alegre.

1866

  • 1º Jacob Dornelas da Costa
  • 3º Manoel Luiz Pereira
  • 4º José Antônio Nunes de Moraes, eleito por Dores do Monte Alegre.

1867

  • Francisco Antônio da Cunha

1877

  • Francisco Rosa Cândido

1881

  • 1º Joaquim Pereira de Sá
  • 4º Antônio Hermogêneo Dutra

1883

  • 1º Valério de Souza Meireles
  • 3º Joaquim Teixeira de Meireles
  • 4º Antonio Cardoso Brochado Júnior

1888

  • Antônio Hermogêneo Dutra

1891

  • José Maria Furtado de Souza

1892

  • José Teixeira Meireles

1894

  • 1º Manoel Marinho da Cunha
  • 2º Jerônimo Fernandes das Chagas

Muitos deles serão citados em outros capítulos por sua participação em outras atividades ou por fazerem parte de famílias melhor estudadas. Faz-se necessário acrescentar, ainda, as seguintes autoridades:

  • Antônio Bernardino Damasceno tomou posse como Fiscal do distrito a 16.02.1883;
  • Antônio Rodrigues de Barros, indicado para Fiscal do distrito a 30.07.1877;
  • Antonio Júlio da Paixão tomou posse como Vereador em Leopoldina a 09.04.1862 e como 3º substituto de Juiz Municipal, também em Leopoldina, em 05.03.1866;
  • João Antonio da Costa Coimbra, Vereador empossado em Leopoldina a 07.01.1881;
  • João Evangelista Coimbra, Vereador suplente empossado em Leopoldina a 09.10.1862;
  • Joaquim Pereira de Sá, Vereador com posse em Leopoldina a 07.01.1887

  Carta de Liberdade

Passada no Cartório de Notas de Pirapetinga por Vicente Ferreira da Silva a 21.05.1872, concedendo liberdade ao filho de sua escrava Silvana, na época com 8 meses e 4 dias.

6º livro de Notas do Cartório de Paz de Pirapetinga, códice 30 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 38.

Carta de Liberdade

Saibão quantos este publico instrumento virem, que sendo no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo, de mil oito centos e setenta e dous, aos vinte e hum dias de Maio do dito nesta Freguesia de Santa Anna do Pirapetinga Termo da Leopoldina Comarca do Rio Novo e Provincia de Minas, em meo Cartorio compareceo perante mim escrivão, O cidadão Vicente Ferreira da Silva morador nesta Freguesia do meo conhecimento e das testemunhas abaixo assignados perante as quaes por elle foi dito que é Senhor, e possuidor de hum escravinho de nome Pedro, de idade de oito meses e quatro dias, filho de sua escrava Silvana, ao qual concede plena liberdade como se nassesse de ventre livre, isto de muito sua livre e espontanea vontade, e de como assim o disse me pedio este instrumento em meo livro de nottas para a todo o tempo constarem o qual assigna com as testemunhas, com migo Manoel Jose de Magalhaens, escrivão que escrevi e assigno em publico e razo.

Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba

Segundo Joaquim Ribeiro Costa, Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú.

No início de 2000 um visitante do site escreveu pedindo informações sobre Itapiruçu, especialmente sobre a família Vieira Pires. Informei que não tinha estudos sobre famílias da região, embora meu grande interesse pelo antigo distrito do Tapiruçu, terra onde viveram alguns de meus antepassados. Do sobrenome citado eu conhecia apenas um nome: Manoel José Vieira Pires, Solicitador em Palma, por volta de 1890. Não era o nome procurado pelo correspondente. Por conta disso trocamos diversas mensagens até que não mais recebi respostas. Daquele contacto ficou a vontade de conhecer a história do lugar.

Itapiruçu, Palma, MG

Segundo a memória familiar o casal Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez vivia no território do distrito de Itapiruçu desde o nascimento. Antonio Vicente nasceu a 13 de junho de 1862 e foi batizado no dia 21 de junho[iv] do mesmo ano. Ana José nasceu no dia 1º de agosto de 1858 e foi batizada no dia 19 de setembro[v] seguinte. Os pais de ambos procediam da região da Serra da Ibitipoca e migraram para a zona da mata por volta de 1830. Vejamos pois, alguns detalhes sobre estas famílias.

José Rodrigues Carneiro Ferreira, também conhecido por José Rodrigues Carneiro de Bem, descendia de Manoel José de Bem e Tereza Maria de Jesus, ela filha da ilhoa Maria Teresa de Jesus e de Inácio Franco. Migrado para a zona da mata ainda criança, radicou-se no território do que veio a se constituir na Freguesia de Conceição da Boa Vista, onde se casou com Mariana Esméria de Sena, filha de João Gualberto Ferreira Brito e Maria Venância de Almeida. José e Mariana tiveram, pelo menos, 4 filhos batizados no Curato de Conceição da Boa Vista. O segundo destes filhos foi Ana José Rodriguez.

Segundo Joaquim Ribeiro Costa[i], Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação[ii] pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú.

De fato podemos comprovar que a antiga Capela das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba já é citada em livros paroquiais de Conceição da Boa Vista em data bem anterior à criação do distrito policial. Como exemplo citamos o casamento de Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez, realizado naquela capela no dia 10 de abril de 1875.[iii] Prosseguindo na busca de informações sobre a construção da Igreja de Itapiruçu nos deparamos com dados que podem interessar a todo estudioso da história da região.

Vicente Rodrigues Ferreira era filho de  Bento Rodrigues Gomes e Ana Joaquina de Jesus, tendo migrado de Santana do Garambeo para a zona da mata por volta de 1830. Em Conceição da Boa Vista casou-se com sua prima Luciana Francelina da Anunciação, filha de Antônio Rodrigues Gomes e Mariana Bernardina de São José. O novo casal residia na margem direita do Rio Pomba, a meio caminho entre São Joaquim (hoje Angaturama) e a atual divisa entre Palma e Santo Antônio de Pádua. É ainda a memória familiar que dá notícia da presença de eclesiásticos na fazenda onde residiam, nas diversas visitações realizadas pelo Bispado do Rio de Janeiro àquelas terras. Ainda não localizamos documentos sobre tais visitações, embora alguns autores as mencionem e citem como fonte o Arquivo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Entre outras referências, Oswaldo Ribeiro[vi] informa que em 1851 Frei Bento, de Santo Antônio de Pádua, obteve provisão para a Capela de São Francisco da Capivara, atualmente Palma. Parece-nos que para atingir seu destino o padre teria forçosamente que passar por Itapiruçu. E provavelmente também visitasse alguns fazendeiros vizinhos ao casal que, segundo contam, seriam os doadores do patrimônio da Capela de Itapiruçu e dos quais falaremos adiante. Importa registrar ainda que os batismos dos 10 filhos de Vicente e Luciana podem ser encontrados nos livros paroquiais de Miracema, Santo Antônio de Pádua e Conceição da Boa Vista. O sétimo destes filhos foi Antônio Vicente Ferreira.

Analisando os mais diferentes documentos a que tivemos acesso, observamos que o antigo distrito de Tapiruçu pode ter ficado relegado pela autoridades em função das disputas ocorridas entre os Minas e Rio de Janeiro. Ou, hipótese levantada por um de nossos correspondentes, ter sido criado justamente para permitir melhor controle do território disputado. É sabido que não foi sem traumas que o atual município de Palma conseguiu firmar-se, havendo registros de desentendimentos do mais variado calibre com os povoados vizinhos. Entre outros transcrevemos parte de uma ata eleitoral que demonstra a dúvida existente entre os moradores do lugar. [vii]

“… Deu o Presidente conhecimento da Portaria do Governo que em seguida vai transcrita. Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais Ouro Preto em 13 de Agosto de 1866. 1ª Sessão. Declaro a vossamercê para a devida inteligência e publicidade que essa paroquia criada pela Lei nº 1239 de 1864 deve dar na proxima Eleição se a esse tempo já tiver sido Canonicamente provida, três Eleitores para o território de que se compõe abrange cento e setenta e sete votantes e foi desmembrada da Paróquia da Meia Pataca que deu quinze Eleitores na Legislatura que vai findar e qualificou naquele ano novecentos e cinquenta e oito votantes. Conquanto a Lei citada anexa a essa Freguesia do Distrito do Laranjal devem os votantes nele compreendidos concorrer na Eleição na Freguesia da Meia Pataca, visto pertencer esta e o dito distrito ao Bispado de Mariana, e essa nova Freguesia a do Rio de Janeiro. … Joaquim José de Santa’Ana. Snr. Juiz de Paz mais votado da Paróquia do Capivara….”

Cartão de Visitas

Temos tentado levantar documentos sobre a doação do terreno onde foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba, com vistas a confirmar ou não as hipóteses formuladas a partir da memória familiar. Consta que o casal Antonio Vicente e Ana José tinha como vizinhos as famílias Amorim, Felix, Melo, Menezes e Vieira. Curiosamente encontramos, dentro do Breviário da Missa que pertenceu a uma nora de Antonio Vicente e Ana José, o cartão de visitas acima, de Manoel José Vieira Pires.

Verso do Cartão de Visitas

Como se pode observar, no verso do cartão é feito um pedido de cópia da escritura de compra de terras realizada pelo Padre Manoel Martins Lopes, em março de 1890. Sabendo que a Capela existia desde pelo menos 1875, procuramos os livros do Cartório de Notas de Itapiruçu em busca de esclarecimentos. Infelizmente só pudemos encontrar um deles, do qual extraímos as seguintes informações:

–         21.03.1887 o Padre Manoel Lopes Martins compra uma sorte de terras anexas ao Patrimônio de Nossa Senhora das Dores [viii]. Vendedor: Antônio José de Menezes.

–         06.04.1887 o mesmo Padre compra terras no Porto das Madeiras[ix]. Vendedores: Francisco Joaquim dos Reis e sua mulher Virgínia Maria da Conceição.

Os vizinhos das terras compradas em março eram Francisco Joaquim dos Reis, José Francisco do Amorim, herdeiros de Luiz de Souza Melo e herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo. A compra de abril foi de 2,5 alqueires na divisa com Balbino Teixeira Ramos, Rio Pomba, José Francisco de Amorim, Serafim José da Costa e a Fazenda Cachoeira Alegre. Em outra escritura do mesmo livro, folhas 37, vimos que Balbino Teixeira Ramos e sua mulher Vitalina Maria de Jesus haviam comprado terras de Francisco Joaquim dos Reis no Porto das Madeiras, e as revendem em setembro de 1887. Na escritura consta que os vizinhos eram José Francisco de Amorim, o Rio Pomba, herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo e o patrimônio de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba.

Portanto, as famílias mencionadas nas memórias familiares estavam realmente presentes no distrito de Itapiruçu na época em que ali viveram Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez. As compras realizadas pelo Padre Manoel Lopes Martins parecem indicar que ele pretendia ampliar as posses da Igreja, deixando claro que já havia um patrimônio regularmente inscrito. Resta-nos encontrar a doação inicial e assim nos aproximarmos da data em que foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba.


Fontes:

[i] in Toponímia de Minas Gerais, Editora Itatiaia Ltda, 1993, Belo Horizonte, MG, página 262

[ii] Lei n. 3171 de 18.10.1883

[iii] Primeiro Livro de casamentos da Igreja de Conceição da Boa Vista, folhas 70 verso

[iv] Transcrição do Livro de Batismos de Conceição da Boa Vista no Livro 1 de batismos da Matriz de São Sebastião de Leopoldina, folhas 86, termo 464

[v] idem, folhas 38, termo 201

[vi] in História de Santo Antônio de Pádua, Edição do Autor em 1999, página 23

[vii] in Livro de Atas da Freguesia da Capivara, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 1 e verso

[viii] in Livro de Notas do Distrito de Tapirussu, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 9 verso

[ix] idem, folhas 16 verso

Resultado de uma Eleição em 1852

Em setembro de 1852 foi realizada, em Piacatuba, uma Assembleia Paroquial para eleger sete vereadores para formar a Câmara Municipal de Mar de Espanha, e quatro juízes de paz para o Distrito do Feijão Cru.

Resultado apurado para vereador:

Nomes:Votos
Francisco Correa Pinto93
Joaquim Vidal Leite Ribeiro79
Domiciano Mateus Monteiro de Castro70
José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros69
Joaquim Antonio de Almeida e Gama67
Domingos Eugenio Pereira62
Domingos da Costa Matos51
Emidio José de Barros41
Antônio José de Carvalho39
Custódio Ferreira Leite27
José Dutra Nicacio22
José Garcia de Matos20
Domiciano Alves Garcia17
Francisco Soares Valente16
José Augusto Monteiro de Barros08
Francisco de Paula Galdino Leite08
Francisco Teixeira Alves03
Manoel José Pires02
João Pereira da Silva02
João Gualberto Ferreira Brito02
Antonio José Monteiro de Barros02
José Antonio de Matos01
José Eugênio Teixeira Leite01
Antonio Avelino Teixeira Alves01
Manoel José Monteiro de Barros Galvão de São Martinho01
José Soares Valente01
Joaquim Cláudio Nogueira01
Claudino Vieira da Silva01

Resultado para Juiz de Paz:

Nome:Votos
Claudino Vieira da Silva77
Custódio Dias Moreira *71
Antônio Pereira da Silva *71
Joze Henriques da Mata68
Manoel de Sá Rocha21
Luiz Pereira da Silva20
João Patricio de Moura e Silva20
Francisco Henriques Júnior18
Teodoro Antunes da Costa15
Ezequiel Henriques Brandão06
João Batista Mendes06
Vital Antonio de Mendonça05
José Fajardo de Melo02
Domingos Henriques de São Nicácio02
Hipólito Pereira da Silva01
Manoel Henriques01

Instalação da Vila Leopoldina

RECONTOS DE UM RECANTO

Voltamos às páginas da Gazeta para contar um pouco mais sobre a história de Leopoldina.

E, nesta edição comemorativa, começamos pela transcrição do Auto da Instalação da Vila, do primeiro livro de atas.

~ Auto da installação da Villa Leopoldina ~

Aos vinte dias do mez de Janeiro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cincoenta e cinco, trigesimo quarto da Independencia e do Imperio, na sala destinada para as Sessões da Camara Municipal da Villa Leopoldina, creada pela Lei Provincial numero seiscentos e sessenta e seis, de vinte e sete de Abril do anno proximo passado, achando-se o Doutor Domiciano Matheus Monteiro de Castro, vereador, servindo de Presidente da Camara Municipal da Villa do Mar d’Hespanha, comigo Secretario da mesma Camara, e reunidos os vereadores eleitos, o Capitão Manoel José Monteiro de Castro, Doutor José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Francisco José de Freitas Lima, Major João Vidal Leite Ribeiro , Capitão João Gualberto Ferreira Britto, e José Vieira de Resende e Silva, o mesmo Presidente, em cumprimento do Decreto de treze de Novembro de mil oitocentos e trinta e dous, e da Portaria do Excellentissimo Presidente da Provincia de vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e cincoenta e quatro, deferio-lhes juramento, e deo posse, não tendo comparecido o Vereador eleito Custodio Teixeira Leite, ficando assim installada a referida Villa Leopoldina. Para constar mandou o mesmo Presidente lavrar este Auto, em que se assigna com os mencionados Vereadores empossados. Eu José de Souza Lima, Secretario, o escrevi.

Assinaturas no Auto de Instalação da Vila Leopoldina

Identificação das assinaturas:

Domiciano Matheus Monteiro de Castro (Câmara de Mar de Espanha);

Manoel José Monteiro de Castro;

Joze Joaquim Ferreira Monteiro de Barros;

Francisco José de Freitas Lima;

José Vieira de Resende e Silva; e,

João Gualberto Ferreira Brito

Naquele 20 de janeiro de 1855 começava nossa independência administrativa. Mais de 50 anos depois que os primeiros homens livres escolheram as margens do Feijão Cru para viver.

Vale registrar que se os primeiros aventureiros cruzaram a mata virgem por volta de 1780, foi no alvorecer do século dezenove que a administração pública passou a localizá-los em documentos, concedendo-lhes terras, as sesmarias, nos então chamados “sertões do leste”. E a não mais de quarenta homens teria sido permitida a fixação de residência no caminho trilhado por Pedro Afonso Galvão de São Martinho quando da primeira diligência, em 1784, por estas matas até então proibidas.

Somente a partir das cartas concedidas em 1811 encontramos os “fregueses” do futuro Curato do Feijão Crú. Deste momento em diante é que passamos a observar a presença de famílias que deixaram descendentes dentro dos limites do que veio a constituir, quase vinte anos depois, o distrito do Feijão Cru, da então Vila de São Manoel do Pomba.

Conta-nos Sinval Santiago, em “Município do Pomba – Síntese Histórica”, que os distritos do Feijão Crú e da Santíssima Trindade do Descoberto foram os primeiros criados pela Câmara Municipal do Pomba, com base no Decreto Imperial de 11.09.1830. Infelizmente os incêndios freqüentemente citados nos livros de história também constituem justificativa para o desaparecimento dos documentos que esclareceriam melhor a gênese de Leopoldina.

Sabemos que em 1828 os principais moradores do Feijão Cru foram testemunhas da doação do patrimônio da futura capela de Santa Rita do Meia Pataca, o que nos confirma já existir por aqui algum tipo de organização social para “enviar” representantes para participar de um ato de tal importância.

Isto nos leva a colocar em dúvida o ano de 1831 como sendo o do nascimento do nosso povoado. Ainda mais se considerarmos que encontramos os pioneiros do Feijão Cru em registros paroquiais nos seus povoados de origem, basicamente as capelas da Serra da Ibitipoca, somente até bem antes da data que historiadores antigos consideram como de nossa fundação. E mais dúvidas se podem acrescentar quando encontramos filhos dos primeiros moradores que, ao se casarem, declararam terem nascido no nosso Feijão Cru.

Mas a incúria de alguns detentores de cargos públicos do passado obriga-nos a repetir a palavra “infelizmente”. Porque o descaso deles permitiu que desaparacessem  livros paroquiais que nos contariam a história completa deste recanto da Mata.

Verdade é que, documentado em nosso território desde o início do século dezenove, o homem livre conseguira, finalmente, em 1854, realizar o sonho de organizar-se em uma sociedade. Nascia, então, no território da Vila de São Manoel do Pomba, à qual pertenceu até 10 de setembro de 1851, o Feijão Cru, pela Lei 666 de 27 de abril de 1854.     E a 20 de janeiro de 1855, antes de completados nove meses da promulgação da Lei, o presidente da câmara municipal da Vila de Mar de Espanha deu posse aos nossos primeiros representantes, presididos pelo senhor Manoel José Monteiro de Castro, o mais velho dentre os eleitos para a Câmara de Leopoldina, sendo coadjuvado na administração pelos senhores Francisco José de Freitas Lima, João Gualberto Ferreira Brito, José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros e José Vieira de Resende e Silva.

josé luiz machado rodrigues

nilza cantoni

Autoridades em São Joaquim

Autoridades distritais de São Joaquim, atual distrito de Angaturama, município de Recreio, MG.

SÃO JOAQUIM, atual distrito de Angaturama, município de Recreio
Agostinho Teixeira da Mota Bastos 3º Juiz de Paz 23.01.1892
Antonio José de Menezes 1º Juiz de Paz 11.09.1891
Jacinto Luiz Machado Escrivão de Paz 24.09.1891

Autoridades de São Joaquim

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146

Autoridades em Tebas

Autoridades distritais de Tebas, município de Leopoldina, empossadas entre 1883 e 1892.

TEBAS, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina

Assinatura de Autoridades

Cândido José de Almeida 2º Juiz de Paz 08.01.1883
Francisco José Barbosa 3º Juiz de Paz 07.01.1883
Francisco Xavier Augusto 2º Juiz de Paz 26.02.1887
Joaquim Dias de Medeiros 3º Juiz de Paz 23.01.1892
José Antunes Vieira 1º Juiz de Paz 07.01.1883
José Ferreira de Carvalho Fiscal Interino 02.11.1881
Teófilo Herculano Barbosa de Miranda 4º Juiz de Paz 07.01.1883

FONTE: Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, antigos códices 32 e 146