Etiqueta: Rodrigues
Sobrenome bastante comum em Leopoldina, em diversas composições com outros sobrenomes.
Amélia Vargas: centenário de nascimento
Elvira: centenário de nascimento
Igreja do Divino Espírito Santo
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Sob a invocação do Divino Espírito Santo, em meados dos anos 1800, foi construída a primeira capela de pau-a-pique e, certamente em torno dela, surgiu o arraial do Empoçado, hoje Cataguarino. Em 6 de novembro de 1869, quando ainda pertencia ao município de Leopoldina, o povoado foi elevado a Distrito de Paz pela Lei 1.623, com a denominação de Espírito Santo do Empoçado, passando a Paróquia em 1º de dezembro de 1873.
Uma bela Igreja, em estilo colonial, foi construída no mesmo local da primeira capela, sendo capelão do distrito, em 1874, o Reverendo Padre Mariano.Nesta época, aqui já residiam as famílias Pereira de Souza, Teixeira de Siqueira, Souza Lima, Afonso Rodrigues, Cardoso Abranches, Silva Spíndola, Gomes de Santana, Andrade, Silva Pinto, Fialho Garcia, Lopes Nascimento, Henriques, Assis, Gomes de Barros, Moreira da Silva, Azevedo, Pinto, Cardoso, Medeiros, Marlière, Oliveira Brasil, Alves Ferreira, Ferreira dos Santos, Miranda, Ribeiro da Silva, Fernandes Vieira, Barros, Soares, Ribeiro do Vale, Lopes de Faria, Barroso, Serrotinho, Vieira, Souza Reis, Barroso, Esteves dos Santos, Fonseca Viana, Rodrigues Nascimento, Pereira, Rodrigues, Silva, Marques de Oliveira, Ferreira, Vieira de Souza, os italianos Aliano e Spina, dentre outras. A Comissão Eclesiástica, encarregada das obras, era composta pelos Srs. José Joaquim de Oliveira, comerciante, Antonio Carlos de Mello e Antonio José Pinto, ambos fazendeiros, todos residentes no distrito. A Assembléia da Província de Minas Gerais, sediada em Ouro Preto, fez a doação de 2.500$000 (dois contos e quinhentos mil réis) para a conclusão das obras, valor equivalente, na época, a 52 alqueires de terras na região. Com esta verba, o oficial Antonio Fernandes Ramos, residente no distrito de Meia Pataca, hoje Cataguases, foi contratado para construir o altar, conforme a escritura pública de contrato, assinada em 23 de outubro de 1874, que previa: “fazer um altar mor lizo porem com alguma talha no Sacrario, Tarja e capulus, colunnas xatas e degraus do trono lizo e guarnecido, e levantar o lugar do biobiterio e formar escada de entrada, e forrar o tecto da capella mór, e uma semalha por dentro abacho do fôrro ” Das matas virgens então existentes no distrito do Empoçado, sairam, por certo, as madeiras para a construção, madeiras estas que já se achavam “ tiradas e lavradas, e parte serradas”, conforme cita o referido contrato. Sob este altar foram enterrados os corpos de João José de Souza Lima, fazendeiro, falecido em 27 de abril de 1874; de Carlota Rachel de Souza Lima, viúva de João José, fazendeira, falecida aos 54 anos, em 06 de dezembro de 1894, e o de José Fabiano de Souza, o comerciante e vereador Zeca Fabiano, falecido em 19 de outubro de 1904. As primeiras cerimônias realizadas na nova Igreja, até agora conhecidas, são:
A celebração de batizados e casamentos em oratórios particulares, prática comum na época, justifica estes registros tardios. A bela igreja colonial serviu à comunidade de Cataguarino até 1965, quando foi demolida para a construção de uma outra, no mesmo local. O majestoso altar foi guardado, por quarenta anos, no porão da casa do então Coordenador da igreja, Sr. Sebastião Rodrigues Pinto, e sua esposa, Maria Nascimento Rodrigues, até que, em outubro de 2005, a partir das informações de Marcelino Abritta Pinto, que primeiramente identificou as peças, e da professora Célia Abritta, esta por muitos anos dedicada catequista, o altar foi localizado por Maria Joana Neto Capella e a comunidade, então, conhecedora do fato, se mobilizou para que o mesmo fosse recuperado, de forma que retornasse à Igreja.
O trabalho de marcenaria, que utilizou madeiras de lei (cedro e vinhático) para recompor as peças danificadas, coube às seguintes empresas: – Fábrica de Móveis Duarte, dirigida pelos irmãos Manoel Pereira Boia e Welington Pereira Boia, sendo os serviços executados pelos competentes artesãos Milton Gomes de Oliveira e João Batista de Oliveira; – Nagimerito Móveis e Esquadrias, de propriedade de Márcio José Duarte, cuja execução ficou a cargo de sua equipe, composta dos habilidosos profissionais Aloísio Cláudio Rios Rodrigues, Luis Alvino Fontoura e Leandro de Souza Andrade. A instalação foi um trabalho de arte dos marceneiros Alexandre da Costa Martins e Célio de Souza Landes, gentilmente cedidos pela Prefeitura Municipal de Cataguases. O trabalho de base da pintura foi de José Luiz Eugênio Monteiro e Gérson Bento Rodrigues. A pintura de arte e sua delicada douração, na forma original, foram realizadas por Laiz de Assis Teixeira e o acabamento na douração da mesa e dos vasos foi um trabalho gracioso de Maria Antonia Rodrigues Correia. O projeto de ambientação, de forma que a Igreja ficasse mais condizente com o altar restaurado, foi graciosamente realizado pela conceituada decoradora cataguasense, Maria Heliana Lourenço Machado, atualmente radicada em Belo Horizonte. As obras do piso ficaram a cargo de João Batista Justino e seu ajudante, Joel Gonçalves Marques. O projeto de reforma do telhado para a instalação do altar, cuja altura excedia à do antigo telhado, foi elaborado pela equipe do Programa de Arquitetura Pública, sob a coordenação do arquiteto Paulo Henrique Alonso, através do convênio entre a Universidade Federal de Minas Gerais, Prefeitura Municipal de Cataguases e o Instituto Cidade de Cataguases. A execução da obra coube à empresa Empreendimentos CATAUÁ Ltda, sob a direção de César Ferreira da Cruz. Hoje, 136 anos após o início de sua construção, sob as bençãos do Bispo Dom Dario Campos, do atual pároco Monsenhor Alexandre dos Santos Ferraz, do Padre Antonio Luiz da Silva e do Padre José Carlos Ferreira Leite, o imponente altar, novamente instalado, constitui o patrimônio cultural maior da comunidade de Cataguarino. Nosso profundo agradecimento a todos que trabalharam neste projeto, bem como àqueles que, de alguma forma, contribuíram para a sua realização. a) Comissão de Restauração. Cataguarino, 30 de outubro de 2010.
Pesquisa de Maria Joana Neto Capella Revisão: Dilson Martins de Freitas Fontes Textuais: Livros de Notas 1870 a 1910, distrito de Espírito Santo do Empoçado. Livros Paroquiais 1875 a 1895, Matriz de Santa Rita de Cataguases. MARTINS, Antonio de Assis. Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais – 1875. Ouro Preto: Imprensa Oficial, 1864-1875. Fontes Iconográficas: Acervo de Teócrito Abritta Acervo de Célia Abritta. Laiz de Assis Teixeira Maria Joana Neto Capela |
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Alistamento Militar de 1875
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O antigo Curato de Santana do Pirapetinga foi elevado à categoria de distrito através da Lei nº 1.240 de 29 de agosto de 1864, em território desmembrado do distrito de Conceição da Boa Vista, município de Leopoldina. Na época as divisas foram definidas a partir do rio Pirapetinga pelas fazendas de José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Mateus Herculano Monteiro de Castro e Jacinto Manoel Monteiro de Castro, até atingir as divisas do distrito de Angustura que também estava subordinado a Leopoldina. No mesmo mês de agosto de 1864 a freguesia de São José do Paraíba, hoje Além Paraíba, foi desmembrada de Leopoldina e incorporada a Mar de Espanha, aí permanecendo até novembro de 1880 quando, através da Lei nº 2678, foi emancipada. Para a formação do novo município, Leopoldina perdeu o distrito de Pirapetinga. No Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina podem ser encontrados alguns documentos sobre Pirapetinga relativos ao período de 16 anos de subordinação. Entre eles, o Alistamento Militar de 1875, do qual foram extraídas as informações abaixo.
* – E = Excluído * – I = Incluído Fonte: Livro de Alistamento Militar do arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina |
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Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba
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Segundo Joaquim Ribeiro Costa, Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú. No início de 2000 um visitante do site escreveu pedindo informações sobre Itapiruçu, especialmente sobre a família Vieira Pires. Informei que não tinha estudos sobre famílias da região, embora meu grande interesse pelo antigo distrito do Tapiruçu, terra onde viveram alguns de meus antepassados. Do sobrenome citado eu conhecia apenas um nome: Manoel José Vieira Pires, Solicitador em Palma, por volta de 1890. Não era o nome procurado pelo correspondente. Por conta disso trocamos diversas mensagens até que não mais recebi respostas. Daquele contacto ficou a vontade de conhecer a história do lugar.
Segundo a memória familiar o casal Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez vivia no território do distrito de Itapiruçu desde o nascimento. Antonio Vicente nasceu a 13 de junho de 1862 e foi batizado no dia 21 de junho[iv] do mesmo ano. Ana José nasceu no dia 1º de agosto de 1858 e foi batizada no dia 19 de setembro[v] seguinte. Os pais de ambos procediam da região da Serra da Ibitipoca e migraram para a zona da mata por volta de 1830. Vejamos pois, alguns detalhes sobre estas famílias. José Rodrigues Carneiro Ferreira, também conhecido por José Rodrigues Carneiro de Bem, descendia de Manoel José de Bem e Tereza Maria de Jesus, ela filha da ilhoa Maria Teresa de Jesus e de Inácio Franco. Migrado para a zona da mata ainda criança, radicou-se no território do que veio a se constituir na Freguesia de Conceição da Boa Vista, onde se casou com Mariana Esméria de Sena, filha de João Gualberto Ferreira Brito e Maria Venância de Almeida. José e Mariana tiveram, pelo menos, 4 filhos batizados no Curato de Conceição da Boa Vista. O segundo destes filhos foi Ana José Rodriguez. Segundo Joaquim Ribeiro Costa[i], Itapiruçu significa “a grande pedra elevada ou empinada”, resultado da aglutinação de “itá-apira”, ou pedra empinada e “açu”, grande. O “distrito policial de Tapirussú” conforme consta em sua lei de criação[ii] pertencia ao município de Leopoldina e permaneceria com as “actuaes divisas”. Ou seja, em 1883 já existia um povoado com o nome de Tapirussú. De fato podemos comprovar que a antiga Capela das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba já é citada em livros paroquiais de Conceição da Boa Vista em data bem anterior à criação do distrito policial. Como exemplo citamos o casamento de Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez, realizado naquela capela no dia 10 de abril de 1875.[iii] Prosseguindo na busca de informações sobre a construção da Igreja de Itapiruçu nos deparamos com dados que podem interessar a todo estudioso da história da região. Vicente Rodrigues Ferreira era filho de Bento Rodrigues Gomes e Ana Joaquina de Jesus, tendo migrado de Santana do Garambeo para a zona da mata por volta de 1830. Em Conceição da Boa Vista casou-se com sua prima Luciana Francelina da Anunciação, filha de Antônio Rodrigues Gomes e Mariana Bernardina de São José. O novo casal residia na margem direita do Rio Pomba, a meio caminho entre São Joaquim (hoje Angaturama) e a atual divisa entre Palma e Santo Antônio de Pádua. É ainda a memória familiar que dá notícia da presença de eclesiásticos na fazenda onde residiam, nas diversas visitações realizadas pelo Bispado do Rio de Janeiro àquelas terras. Ainda não localizamos documentos sobre tais visitações, embora alguns autores as mencionem e citem como fonte o Arquivo da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Entre outras referências, Oswaldo Ribeiro[vi] informa que em 1851 Frei Bento, de Santo Antônio de Pádua, obteve provisão para a Capela de São Francisco da Capivara, atualmente Palma. Parece-nos que para atingir seu destino o padre teria forçosamente que passar por Itapiruçu. E provavelmente também visitasse alguns fazendeiros vizinhos ao casal que, segundo contam, seriam os doadores do patrimônio da Capela de Itapiruçu e dos quais falaremos adiante. Importa registrar ainda que os batismos dos 10 filhos de Vicente e Luciana podem ser encontrados nos livros paroquiais de Miracema, Santo Antônio de Pádua e Conceição da Boa Vista. O sétimo destes filhos foi Antônio Vicente Ferreira. Analisando os mais diferentes documentos a que tivemos acesso, observamos que o antigo distrito de Tapiruçu pode ter ficado relegado pela autoridades em função das disputas ocorridas entre os Minas e Rio de Janeiro. Ou, hipótese levantada por um de nossos correspondentes, ter sido criado justamente para permitir melhor controle do território disputado. É sabido que não foi sem traumas que o atual município de Palma conseguiu firmar-se, havendo registros de desentendimentos do mais variado calibre com os povoados vizinhos. Entre outros transcrevemos parte de uma ata eleitoral que demonstra a dúvida existente entre os moradores do lugar. [vii]
Temos tentado levantar documentos sobre a doação do terreno onde foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba, com vistas a confirmar ou não as hipóteses formuladas a partir da memória familiar. Consta que o casal Antonio Vicente e Ana José tinha como vizinhos as famílias Amorim, Felix, Melo, Menezes e Vieira. Curiosamente encontramos, dentro do Breviário da Missa que pertenceu a uma nora de Antonio Vicente e Ana José, o cartão de visitas acima, de Manoel José Vieira Pires.
Como se pode observar, no verso do cartão é feito um pedido de cópia da escritura de compra de terras realizada pelo Padre Manoel Martins Lopes, em março de 1890. Sabendo que a Capela existia desde pelo menos 1875, procuramos os livros do Cartório de Notas de Itapiruçu em busca de esclarecimentos. Infelizmente só pudemos encontrar um deles, do qual extraímos as seguintes informações: – 21.03.1887 o Padre Manoel Lopes Martins compra uma sorte de terras anexas ao Patrimônio de Nossa Senhora das Dores [viii]. Vendedor: Antônio José de Menezes. – 06.04.1887 o mesmo Padre compra terras no Porto das Madeiras[ix]. Vendedores: Francisco Joaquim dos Reis e sua mulher Virgínia Maria da Conceição. Os vizinhos das terras compradas em março eram Francisco Joaquim dos Reis, José Francisco do Amorim, herdeiros de Luiz de Souza Melo e herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo. A compra de abril foi de 2,5 alqueires na divisa com Balbino Teixeira Ramos, Rio Pomba, José Francisco de Amorim, Serafim José da Costa e a Fazenda Cachoeira Alegre. Em outra escritura do mesmo livro, folhas 37, vimos que Balbino Teixeira Ramos e sua mulher Vitalina Maria de Jesus haviam comprado terras de Francisco Joaquim dos Reis no Porto das Madeiras, e as revendem em setembro de 1887. Na escritura consta que os vizinhos eram José Francisco de Amorim, o Rio Pomba, herdeiros de Nicolau Antonio Lombardo e o patrimônio de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba. Portanto, as famílias mencionadas nas memórias familiares estavam realmente presentes no distrito de Itapiruçu na época em que ali viveram Antonio Vicente Ferreira e Ana José Rodriguez. As compras realizadas pelo Padre Manoel Lopes Martins parecem indicar que ele pretendia ampliar as posses da Igreja, deixando claro que já havia um patrimônio regularmente inscrito. Resta-nos encontrar a doação inicial e assim nos aproximarmos da data em que foi construída a primeira Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre do Rio Pomba. Fontes: [i] in Toponímia de Minas Gerais, Editora Itatiaia Ltda, 1993, Belo Horizonte, MG, página 262 [ii] Lei n. 3171 de 18.10.1883 [iii] Primeiro Livro de casamentos da Igreja de Conceição da Boa Vista, folhas 70 verso [iv] Transcrição do Livro de Batismos de Conceição da Boa Vista no Livro 1 de batismos da Matriz de São Sebastião de Leopoldina, folhas 86, termo 464 [v] idem, folhas 38, termo 201 [vi] in História de Santo Antônio de Pádua, Edição do Autor em 1999, página 23 [vii] in Livro de Atas da Freguesia da Capivara, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 1 e verso [viii] in Livro de Notas do Distrito de Tapirussu, Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, folhas 9 verso [ix] idem, folhas 16 verso |
Uma viagem imaginária a Piacatuba
Crônica de José Luiz Machado Rodrigues publicada no jornal comemorativo do sesquicentenário do antigo distrito de Nossa Senhora da Piedade.

Este ano comemoram-se os 150 anos de criação do distrito de Piacatuba. Os Fajardos, que têm sua origem ali, assinalaram a data com um bloco carnavalesco formado pela família, que desfilou pelas ruas de Leopoldina espalhando alegria e animação.
De nossa parte, pacatos filhos do bairro da Onça, optamos por comemorar a data percorrendo, numa viagem imaginária, as estradas do distrito, para abraçar amigos, rever lugares e curtir saudades. Tomamos nossa fantasia dos tempos da roça, arreamos o cavalo, enchemos o bornal cáqui com as mais gostosas “bolachas da padaria Lamarca” e rumamos para Piacatuba.
Logo chegamos à fazenda da Bela Aurora, que um dia virou fazenda do Banco, quem sabe por obra de alguma hipoteca executada pelo Banco do Brasil. Lá, recordamos que a Bela Aurora pertenceu a Tobias L. Figueira de Mello, que virou nome de rua em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Fazenda esta, havida, segundo o jornal O Leopoldinense, de 28.03.1895, por via de uma ação de execução movida contra Emerenciana Garcia de Mattos e que no início dos anos de mil e novecentos, foi adquirida por Paulino Augusto Rodrigues, nome lembrado em rua da cidade.
Seguimos nossa viagem e, passando pela Estiva, fomos conhecer a história da fazenda Filadélfia, onde o proprietário atual se esforça para preservar o pouco que ainda resta da antiga sede. A Filadélfia chamava-se fazenda Córrego da Onça. Pertenceu ao grande jurista e memorialista Francisco de Paula Ferreira de Resende. Segundo palavras do próprio Resende, seu nome foi mudado porque, tendo ele, “naquele tempo perdido quase de todo a esperança de chegar a ver a república estabelecida neste nosso amplívago império, eu quis que nessa vida solitária em que teria agora de viver, o nome do meu retiro me recordasse essa república pela qual vivia sempre a suspirar sem nunca vê-la; e, então, dei à fazenda o nome da grande cidade em que se proclamou a primeira das repúblicas americanas”.
Da Filadélfia entramos no distrito de Piacatuba logo depois da fazenda da Alegria, terras do Juca Barbosa, ainda hoje pertencentes e preservadas pela família. Deixamos a Samambaia e o Valverde à esquerda, cruzamos o Rio Pardo, subimos os montes da Boa Vista e depois da fazenda Bela Vista, chegamos à fazenda Santa Rita, na divisa com o município de Argirita. Cruzamos, em seguida, os lugares chamados Capoeirão e Braúna para conhecer a fazenda da Graminha, no sopé da serra dos Pintos, na divisa de São João Nepomuceno, bem junto ao Rio Novo.
Por esse rio descemos, pelo espelho das águas mansas da represa da Usina Maurício. Tomamos emprestado o violão e os versos da música “Poeira D’Água”, do Serginho do Rock e curtimos o lugar onde “a corredeira cai nos braços de um remanso e a cachoeira dá luz a um ribeirão”.
Paramos na Cachoeira Alegre, antes de continuarmos margeando o rio e passar pelas fazendas Boa Esperança, Limeira, Palmeira e Fortaleza, que ficam no ponto extremo do município, entre Itamarati e Cataguases.
Seguimos andança pela fazenda da Macaúbas, que pertenceu a Antônio Augusto de Souza, proprietário da usina de açúcar de Cataguases e, posteriormente, a Francisco Gama de Oliveira. Visitamos o Chalé, terras da sogra do mesmo Antônio Augusto. Deixamos de lado o Mato Dentro e a fazenda da Aurora, lá para as bandas da estrada de Cataguases e, rapidamente, chegamos à Vargem Linda, ao aeroporto, à fazenda experimental, ao pesque-e-pague, à antiga Casa Timbiras, à Casa da Escola, onde lecionou Dona Pequetita (Maria Machado Rodrigues), minha mãe e, um pouco mais para o lado, os alicerces da antiga fazenda do Engenho, onde residiu o subdelegado Theóphilo José Machado, meu avô.
Assistimos a uma partida de futebol no campo do União, reminiscências do goleiro Bacuráo que, se a memória não falha, era do Carrapato, terras do Zeca Vital. Depois, fomos rever a cotieira que existia ali, imediações do Arrasta Couro, e apreciar as plantações do Aterrado. Não perdendo a viagem, esticamos até a Ressaca, antiga propriedade da família Furtado. Alcançamos, depois, a Santa Cruz, terras do Joaquim Honório de Campos, o Barão do Rio Pardo, filho de Elias Gonçalves Campos e Maria Claudina de São José, falecido em 03.12.1881, aos 72 anos, segundo nota do jornal O Leopoldinense, de 10.12.1881. A Santa Cruz foi uma fazenda importante na vida da cidade. Que o digam os estudiosos da tradicionalíssima família Fajardo.
Rumamos depois para a Santa Maria. Esta fazenda pertenceu a Manoel Pereira Valverde, meu bisavô e irmão do Francisco Pereira Valverde, dono da fazenda Indaiá.
Dali alcançamos a velha “Piedade”, hoje Piacatuba. Subimos a ladeira cujo calçamento, com desnível para o centro, nos remete a um passado instigante. Saboreamos a paz e a beleza das edificações antigas. Conhecemos um pouco da história do ilustre clínico – hoje esquecido por aqui – Dr. Joaquim Antonio Dutra, que ali viveu a partir do final do século XIX até, pelo menos, abril de 1895 quando partiu para Ouro Preto. Na antiga capital, ocupou uma cadeira no Senado mineiro, escolhido numa eleição onde foi o mais votado no estado. Esse mesmo Dr. Dutra, que foi vereador especial por Piacatuba, presidente da câmara municipal de Leopoldina, agente executivo, médico conceituado, cidadão respeitado, político de grande prestígio, fundador da Casa de Caridade Leopoldinense, e que hoje é nome de rua na cidade de Barbacena, onde exerceu o cargo de primeiro diretor do Hospital de Alienados.
Depois, em silêncio de fim de crônica, elevamos uma prece ao pé da cruz queimada.
Rio, 19.03.2001
José Luiz Machado Rodrigues
Principais moradores da Piedade em 1875
| No tempo do Império, de acordo com as Leis que regiam a administração municipal, cada freguesia encaminhava ao governo provincial as listagens de seus moradores, identificando-os de acordo com os padrões de avaliação próprios da época. De modo geral, as informações eram extraídas dos livros de arrecadação fiscal de cada distrito, e reunidas no conjunto da freguesia. No ano de 1875, o distrito da Piedade encaminhou a relação a seguir.
Juizes de Paz: 1º Francisco Esmério de Paiva Campos 2º Francisco Soares Valente Vieira 3º José da Costa Matos 4º José Fajardo de Melo Senhores de Engenho:
Criador de gado:
Carpinteiros:
Sapateiro:
Fazendeiros de Café:
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Eleitores residentes na Piedade em 1882
Relação dos moradores da Piedade inscritos como eleitores conforme o livro de Alistamento Eleitoral de Leopoldina relativo ao ano de 1882.
- Adolfo Gustavo Guilherme Hufnagel
- Agostinho de Souza Campos
- Antônio Alves Tavares
- Antônio da Silva Tavares
- Antônio David Alves Ferreira
- Antônio de Souza Almada
- Antônio Fajardo de Melo
- Antônio Gonçalves de Castro
- Antônio Gonçalves Filgueiras
- Antônio Joaquim de Nazareth
- Antônio Maurício Barbosa
- Antônio Pereira Valverde
- Antônio Pinto de Carvalho
- Antônio Pires Veloso de Sá
- Antônio Romualdo de Oliveira
- Antônio Teixeira de Mendonça
- Antônio Teixeira Reis
- Antônio Vieira da Silva
- Bernardo Tolentino Cisneiros da Costa Reis
- Camilo Alves Ferreira
- Cândido José Batista
- Custódio Dias Moreira
- David Alves Ferreira
- Domingos Henriques Porto Maia
- Domingos José Barbosa de Miranda
- Domingos Vieira da Silva
- Eleotério Gonçalves Pereira
- Elias Gonçalves Filgueiras
- Francisco Antônio Nogueira
- Francisco Casemiro da Costa Filho
- Francisco de Paula Ladeira
- Francisco Esmério de Paiva Campos
- Francisco Fajardo de Melo
- Francisco Henriques Porto Maia
- Francisco José Barbosa de Miranda
- Francisco Luiz Pereira
- Francisco Martins Pacheco
- Francisco Soares Valente Vieira
- Higino Dutra de Rezende
- Jacob Antôno Furtado de Mendonça
- João Antônio da Costa Coimbra
- João Antônio de Araújo Porto
- João Antônio Valverde
- João de Souza Almad
- João Desidério da Silva Durães
- João Francisco Vieira da Silva
- João Henrique da Costa Ramos
- João José Alves Ferraz
- João Paulino Barbosa
- João Pereira Valverde
- João Rodrigues Gomes
- Joaquim Constâncio Loures
- Joaquim de Souza Almada
- Joaquim Fajardo de Melo
- Joaquim Fidélis Marques
- Joaquim Gomes de Araújo Porto
- Joaquim José Medina
- Joaquim Rodrigues Gomes Corujinha
- Joaquim Vieira da Silva
- Joaquim Wenceslau de Campos
- José Carlos de Oliveira Pires
- José de Rezende Montes
- José Fajardo de Melo
- José Fajardo de Melo Júnior
- José Fernandes da Silva
- José Francisco de Paiva Campos
- José Francisco Vieira
- José Furtado de Mendonça
- José Henriques da Mata
- José Joaquim Furtado de Mendonça
- José Justino de Carvalho
- José Martins Pacheco
- José Maximiano de Moura e Silva
- José Rodrigues Barbosa de Miranda
- José Rodrigues Carneiro de Souza
- José Rodrigues Gomes
- José Teixeira de Oliveira Guimarães
- José Vieira da Silva
- Laurindo Gonçalves de Castro
- Luiz Teixeira Machado
- Manoel Antônio da Mota
- Manoel Antônio Dutra
- Manoel Ferreira Ribeiro
- Manoel Ferreira Ribeiro Filho
- Manoel Henriques Porto Maia
- Manoel Henriques Porto Maia Filho
- Manoel Luiz Pereira
- Manoel Muniz de Azevedo Coutinho
- Manoel Rodrigues de Oliveira
- Mariano Henriques Pereira
- Olímpio Rodrigues de Mendonça
- Olímpio Sinfrônio de Souza
- Pedro Antônio Furtado de Mendonça
- Pedro Rodrigues Gomes
- Roberto de Souza Almada
- Silvério Gomes Filgueiras
- Silvério José Barbosa de Miranda
- Teotônio Joaquim de Araújo Porto
- Urbano Otoni de Andrade Rezende
- Vicente Alves Ferreira
- Vital Inácio de Moraes
- Vital Rodrigues de Oliveira
- Wenceslau José de Campos
- Wenceslau Martins Pacheco Filho
Primeiros óbitos em Piacatuba
A lista dos primeiros moradores falecidos e sepultados no cemitério de Piacatuba foi composta a partir de um trabalho realizado entre 1996 e 2001, quando fizemos a higienização, indexação e acondicionamento dos primeiros livros paroquiais de Piacatuba, preparando-os para consulta de forma menos danosa à conservação deste patrimônio do distrito.
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Data |
Falecido |
Parente |
| 20.01.1853 | Ana Teodora de Jesus | |
| 19.10.1851 | Antonio | |
| 29.09.1852 | Antonio Baptista | |
| 28.09.1851 | Antonio Nunes de Moraes | |
| 26.06.1903 | Brasileiro | |
| —.10.1864 | Cesaria | filha de Joaquina |
| 01.08.1852 | Custodio | filho de Francisco Antonio da Silva e Mariana Custódia de Jesus |
| 28.02.1852 | Domingos | filho de Antonio de Sá Rocha e Francisca Rosa de Jesus |
| 02.06.1852 | Domingos de Oliveira Curto | |
| 03.10.1851 | Eugenio | |
| 10.03.1862 | Eustachio | escravo de Joaquim Honorio de Campos |
| 09.11.1851 | Francisca Rosa de Jesus | mulher de Antonio de Sá Rocha |
| —.04.1862 | Francisco | |
| 13.12.1851 | Francisco | filho de Francisco José de Miranda e Maria Luiza de Oliveira |
| 18.04.1852 | Francisco | João Luciano de Rezende e Felicidade |
| 2?.12.1851 | Francisco | filho do Manuel Rodrigues e Anna |
| 17.10.1864 | Gabriel | filho de Carolina Maria de Jesus |
| 02.01.1852 | João | filho de Manoel Dias de Meirelles e Florentina Maria de Jesus |
| 03.08.1851 | João | |
| 08.10.1853 | João Francisco Pires | |
| 27.09.1851 | João Purí | |
| 23.05.1852 | Joaquim Antonio da Silva | |
| 22.12.1851 | José | filho de Antonio Costa Ferreira e Anna Joaquina |
| 07.07.1852 | José Carlos de Oliveira | |
| 25.03.1861 | José Luis Pereira | filho de Francisca de …. |
| 07.10.1851 | José Nunes de Moraes | |
| 29.04.1863 | Josepha | escrava de David Alves Ferreira |
| 04.08.1851 | Leopoldino | |
| 14.05.1862 | Lina Emigdia de Assis | mulher de Francisco Fernandes Ferraz |
| 11.04.1862 | Manoel Benedicto | |
| 31.12.1851 | Manoel Joaquim Ferreira | marido de Mariana |
| —.07.1851 | Maria | mulher de Marcelino |
| 02.12.1851 | Maria | |
| 09.04.1862 | Maria | mulher de João Pires |
| 17.11.1851 | Maria | |
| 27.05.1903 | Maria | mulher de Sebastião Rezende de Mendonça |
| 22.04.1862 | Maria de Nazareth | filha de Ana Valverde |
| 27.03.1852 | Maria Gomes | mulher de João Rodrigues |
| 30.05.1852 | Matheus | filho de João José de Souza e Verdiana de Jesus |
| 28.06.1852 | Rita | escrava de Ana Teodora do Nascimento |
| 07.03.1854 | Rita Maria de Jesus | mulher de Manoel Antonio de Oliveira |
| 19.08.1852 | Thomaz | escravo de Hipolito Pereira da Silva |
| 19.02.1862 | Zeferino | |
| 26.05.1852 | Zeferino José Ribeiro |









