Italianos da Basilicata em Leopoldina

Nem todos os imigrantes procedentes da Basilicata foram colonos. Entretanto, os descendentes das famílias procedentes desta região italiana estão hoje vinculados a muitos dos antigos moradores da Colônia Agrícola da Constança.

Arleo, Bianco, Brando, Campagna, Conti, Cunto, Damiani, Domarco, Esposito, Falabella, Gesualdi, Iennaco, Lamarca, Lammoglia, Lingordo, Maciello, Marchetti, Panza, Rinaldi, Schettini e Viola são sobrenomes de ancestrais de muitos leopoldinenses.

Descendentes de George Gadas

Uma família leopoldinense de origem egípcia.

A Imigração na história de Leopoldina

Palestra proferida por José Luiz Machado Rodrigues e Nilza Cantoni em evento promovido pela Academia Leopoldinense de Letras e Artes em abril de 2008.

Capela da sede da Colônia Agrícola da Constança

Estamos aqui, atendendo convite desta Academia para falarmos sobre a história de Leopoldina. Para nós este convite é uma feliz demonstração de que a Instituição se propõe a abraçar a luta pela preservação da memória da cidade.

Como pessoas que se dedicam à pesquisa do tema há vários anos, ficamos felizes e lisonjeados pelo convite. É uma oportunidade de contribuirmos para evitar que no futuro volte a se repetir o fato ocorrido no carnaval deste ano no Rio de Janeiro, quando se premiou com a nota máxima um samba que trazia na sua letra, escrita à moda do saudoso Stanislaw Ponte Preta, uma “confusão histórica” envolvendo o nome de Leopoldina. Dizia a tal letra que a Estrada de Ferro Leopoldina recebeu este nome em homenagem à Imperatriz Leopoldina, mãe de Dom Pedro II, falecida em 1826.

Como sabemos, a cidade de Leopoldina tem este nome em homenagem a uma filha do Imperador Pedro II, nascida em 1847. A estrada de ferro, por sua vez, cuja construção foi iniciada na década de 1870, herdou da cidade o seu nome porque aqui nasceu a construtora do primeiro trecho da ferrovia e porque saíram daqui os primeiros recursos para a formação da Companhia que posteriormente espalhou seus trilhos por boa parte da região sudeste.

Julgamos importante a preservação da memória cultural da cidade e temos pensado nisso com mais freqüência a partir de entrevistas com descendentes dos imigrantes que modificaram a face de Leopoldina desde as últimas décadas do século XIX. Acreditamos que, a partir da idéia de comemorarmos o Centenário da Colônia Agrícola da Constança, foi aberta uma grande oportunidade para valorização daquele sentimento que todos nós desenvolvemos desde a infância: o orgulho de sermos leopoldinenses.

Tenham a certeza de que este é o principal motivo para estarmos aqui.

Dentro da história da cidade hoje pretendemos abordar mais especificamente a imigração.

Mas como seria impossível começarmos pelo capítulo 8, vamos voltar um pouco no tempo e recordarmos o início da história.


O INÍCIO DA HISTÓRIA

A partir de 1500 começaram a surgir povoações de “homens brancos” na orla marítima. Os tempos foram passando e vieram as “entradas e bandeiras”, a busca por minérios e outras riquezas no interior do Brasil.

Quando, no final do século XVII foram descobertas as “minas de ouro”, tratou o governo de controlar a evasão de impostos. Um dos controles utilizados se valia da mãe natureza. Era a barreira natural das montanhas e florestas que margeavam o caminho que seguia do Rio de Janeiro para a região central das Minas. Toda a faixa de terras do leste mineiro, localizada à direita do Caminho Novo que subia para a região do ouro, até o final dos anos de 1700 era ocupada apenas por matas e pelos “primeiros habitantes” – Puris, Coroados e Coropós, constituindo um obstáculo natural de grande valia.

Estabeleceu o governo central, então, que esta parte das Minas hoje conhecida como Zona da Mata era uma área que não deveria ser habitada nem transitada, uma “área proibida”, para assim evitar que por ela fossem criadas rotas de contrabando do ouro para eventuais portos clandestinos nos litorais fluminense e capixaba.

Daí decorre o fato de a Zona da Mata ter permanecido por um longo período sem a presença de colonizadores.

Salvo uma ou outra informação esparsa, e por vezes não confirmada em documentos oficiais, poucas são as notícias sobre a presença do homem branco pela região. Sabe-se, apenas, das diligências chefiadas pelo sargento-mor do Regimento de Cavalaria de Minas Gerais, Pedro Afonso Galvão de São Martinho, das quais teria feito parte o Tiradentes, em 1784 e 1786, com a missão de fazer levantamento da região e perseguir contrabandistas e malfeitores “facinorosos” que desviavam riquezas por caminhos que chegavam a Cantagalo no estado do Rio de Janeiro.

SOBRE A CIDADE

Centremos o foco, agora, na região onde está Leopoldina.

Pelo que se localizou até aqui, a mais antiga evidência da existência de um povoado no Feijão Cru é de Sinval Santiago, em “Município de Rio Pomba”, informando que a Câmara Municipal do Pomba criou o distrito do Feijão Cru com base no Decreto Imperial de 11 de setembro de 1830. Este decreto foi revogado em agosto de 1834 e a partir dessa época a criação de distritos passou a ser da alçada do Presidente da Província. Considerando que o município do Pomba foi instalado em agosto de 1832, acreditamos que o distrito do Feijão Cru tenha sido criado entre agosto de 1832 e agosto de 1834.

Segundo a legislação da época, para ser criado o distrito era necessário já existir um arraial e uma igreja funcionando em patrimônio próprio. Sendo assim, acreditamos que a doação realizada por Joaquim Ferreira Brito e sua mulher Joana Maria de Macedo, no dia 01.06.1831, deve ter sido feita para atender às normas para se requerer a criação do distrito. A segunda doação do casal, em novembro do mesmo ano, parece-nos indicar que se tratava de terreno para a construção da Casa do Cura, o que viria corroborar a existência de um arraial.

Em 1834 o Feijão Cru já contava com 135 famílias em 82 propriedades. Mas é bom lembrar que algumas destas famílias estavam localizadas em território posteriormente desmembrado.

É a partir do ano de 1843 que podemos melhor observar a existência de moradias dentro do patrimônio de São Sebastião. Nesse ano, o território de São Sebastião contava com 2.171 moradores. Em 1851 a população do Feijão Cru atingia um número significativamente maior, quase 4.000 habitantes, num arraial agora elevado à condição de Freguesia. E chegamos finalmente a 1854 com a realização do sonho dos povoadores de não mais ficarmos na dependência de Barbacena, Rio Pomba, São João Nepomuceno ou Mar de Espanha, as anteriores sedes administrativas a que se subordinou o arraial e distrito. Em abril de 1854 foi promulgada a Lei nº. 666 e, em janeiro de 1855, era instalada a câmara municipal da cidade e vila Leopoldina.


O CAFÉ

Não se pode falar da história de Leopoldina sem se referir ao café.

Não resta dúvida de que ao lado da estrada de ferro e do escravo, o café teve grande importância no desenvolvimento da região.

Permitimo-nos, no entanto, discordar da afirmação mais ou menos geral de que unicamente o plantio da rubiácea foi responsável pelo progresso do município.

Noutras ocasiões já dissemos e repetimos aqui, que esta afirmativa é uma simplificação perigosa, uma vez que o café não foi o único produto das fazendas. Até porque, segundo fontes documentais, nem todas as propriedades dedicavam-se exclusivamente aos cafezais quando os imigrantes aqui chegaram. Sabe-se, por fontes seguras, que muitas delas contavam com extensos plantéis de gado bovino, por exemplo.

Claro que nosso questionamento se refere a algumas interpretações apressadas, que dão conta de que todos os braços e todo o capital disponível destinava-se exclusivamente ao plantio e manutenção dos cafezais. Insistimos que Leopoldina não produzia APENAS café.

Até porque, ao admitirmos por hipótese esta idéia, estaríamos obrigados a acreditar que teria ocorrido uma brusca mudança para a produção leiteira, o que todos sabemos não ser verdade.

Depoimentos de descendentes dos colonos imigrantes nos mostraram que existiam outros tipos de produção nas fazendas onde trabalharam e que essa diversidade de funções foi, inclusive, uma das grandes responsáveis pela inserção desses estrangeiros na sociedade local. Foi este grande número de atividades, muitas delas ligadas à agricultura e à pecuária, que facilitou a integração dos profissionais imigrantes e modificou totalmente o “retrato da região”.

Além do café alguns outros temas relativos à história da cidade mereceriam atenção de nossa parte. Assim, por exemplo, poderíamos falar agora, sobre a história da educação que legou à cidade o codinome de “Atenas da Mata Mineira”, das grandes e importantes fazendas do município, das famílias fundadoras, das ruas e logradouros da cidade, etc.

Mas optamos falar sobre a imigração.

IMIGRAÇÃO

A partir do momento em que os fazendeiros entenderam que chegava ao final o período escravagista no Brasil, iniciaram-se as buscas por alternativas para suprir as lavouras e fazendas com a mão de obra necessária.

Muito embora o maior fluxo tenha ocorrido a partir de 1888, para efeito de nossos estudos fixamos 1881 como o início da imigração de colonos agricultores.

E falamos em imigrantes italianos porque, entre os europeus que por aqui se instalaram, a predominância numérica foi de nascidos na Itália.

Mas é bom lembrar que nem todos os imigrantes que passaram ao Brasil no século XIX eram agricultores, muito embora quase todos tenham sido contratados para substituir a mão-de-obra escrava. Exemplo disso é a Colônia Imperial de Petrópolis, formada em 1845 com imigrantes alemães, cujo objetivo era construir obras públicas. Quando as principais obras da cidade estavam concluídas, muitos daqueles imigrantes foram para outras construções, inclusive para a província mineira. É o caso, por exemplo, dos imigrantes que trabalharam na abertura da Estrada de Rodagem União Indústria e na Estrada de Ferro Dom Pedro II.

No início da década de 1870 encontramos, vivendo em Mar de Espanha, alemães que inicialmente trabalharam em Petrópolis. Em meados da mesma década, alguns deles haviam se transferido para Leopoldina. Sabemos que em Mar de Espanha eles trabalhavam nas obras da Estrada de Ferro Pedro II. Mas, e em Leopoldina? Qual o motivo pelo qual vieram para cá?

Uma das hipóteses é a de que tenham sido contratados para os trabalhos de abertura da Estrada de Ferro Leopoldina. A primeira concessão para construção dessa estrada, no trecho Porto Novo – Leopoldina é de 1871, mas segundo pudemos apurar, somente após a concessão de 1872 é que os trabalhos realmente tiveram início. E uma das condições impostas pelo capital inglês, que assumira a companhia construtora, era não utilizar mão-de-obra escrava. Donde concluímos que a chegada dos imigrantes alemães esteja vinculada à abertura do ramal da Leopoldina que ligaria a Estrada de Ferro Dom Pedro II às cidades de Leopoldina e Cataguases. Já o grande fluxo de italianos teria na origem a substituição da mão-de-obra escrava na lavoura.

O SENTIMENTO DE NACIONALIDADE ITALIANA

Antes de continuarmos a falar sobre os imigrantes queremos abrir parênteses para um comentário interessante.

Segundo Bertonha1, o sentimento de nacionalidade italiana estava em início de construção quando se deu o grande movimento de travessia do Atlântico. Isto porque a Itália, recém-unificada, vinha de longos séculos de fragmentação política e cultural que não permitiam às classes populares a percepção de algo que unisse genoveses, venezianos, romanos e sicilianos sob um mesmo arco cultural.

Esta fragmentação cultural está na origem, entre outras conseqüências, das diferenças lingüísticas que resultaram em italianos julgarem-se austríacos ou alemães, embora todos fossem provenientes de território abaixo do “passo de Brenner”, marco geográfico que separa a Itália dos países alpinos.

O mesmo autor ressalta também que a “incapacidade do protestantismo em se estabelecer no território italiano aumentou ainda mais a força do catolicismo no ser italiano”2. Em outro momento da mesma obra, Bertonha lembra que a cúpula da Igreja Católica preferia que os imigrantes viessem para a América do Sul porque aqui encontrariam solo fértil para a prática de sua fé religiosa. Mas cabe aqui uma observação curiosa: em Leopoldina só se lembraram de alocar um padre italiano quando a paróquia foi transferida para o Bispado de Mariana, em 1896.


NOSSAS PESQUISAS

A falta de acesso à documentação das antigas fazendas de Leopoldina dificulta o estudo mais detalhado sobre a vida dos imigrantes dos primeiros tempos.

No nosso caso, superamos um pouco desta dificuldade a partir de 1998, quando publicamos uma série de artigos comemorativos dos 90 anos da Colônia Agrícola da Constança. Com isto nossos leitores nos enviaram muitas mensagens, abrindo oportunidade para trocarmos informações com descendentes que guardam as memórias familiares.

E foram estas conversas que nos permitiram, por exemplo, vislumbrar alguns aspectos que orientaram a vida senão de todos, mas de grande parte dos que viveram por aqui e que mudaram o curso da história de Leopoldina.

Hoje, por exemplo, é sabido que para os imigrantes, principalmente os italianos, ter terra era sinônimo de liberdade. Por isto muitos levavam uma vida difícil e modesta, trabalhavam muito, controlavam suas economias e até abriam mão de pequenas coisas em prol de juntar dinheiro para a realização do sonho maior que era o de adquirir um pedaço de terra. E, via de regra, quando já haviam adquirido o primeiro lote o sonho se expandia no sentido de conquistar outros, preferencialmente nas proximidades, para acolher os descendentes e demais agregados.

Razão, inclusive, de muitos deles, num espaço de tempo relativamente curto, se transformarem de simples colonos em lavradores independentes e passarem a formar a nova classe de pequenos e médios proprietários até então praticamente desconhecida na cidade.

Esses imigrantes, que chegaram como simples força de trabalho para a lavoura que perdera o braço escravo, tornaram-se sitiantes. Quem chegou como empregado da fazenda, logo se tornou meeiro e depois proprietário.

E um dos locais onde ocorreu uma concentração maior dessa transformação de empregado em sitiante, foi exatamente na Colônia Agrícola da Constança, foco das nossas pesquisas.

COLÔNIAS AGRÍCOLAS EM MINAS GERAIS

Aqui vale a pena fazermos alguns comentários para que se possa entender melhor o curso dessa história.

A organização de colônias agrícolas em Minas Gerais, entre outros motivos, foi determinada pela necessidade de se oferecer atrativos que fixassem os imigrantes no estado.

O caminho encontrado pelos nossos dirigentes foi, então, criar e incentivar a criação de colônias agrícolas em terras devolutas e no entorno das estradas que se abriam, inclusive a ferrovia.

A criação da Colônia Agrícola da Constança tinha por objetivo desenvolver a agricultura, aproveitando o braço imigrante e as facilidades para o escoamento da produção através dos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina.

Importante reafirmar que desde a década de 1880 havia uma intensa movimentação política no sentido de facilitar a entrada de estrangeiros, de modo a atender a falta de braços para a lavoura.

Assim, quando da criação da Colônia, Leopoldina contava com um bom número de imigrantes espalhados por diversas fazendas, algumas em decadência, o que levou o povoamento inicial da Constança a ser constituído principalmente por imigrantes chegados antes da sua criação, ocorrida em 12.04.1910, pelo Decreto Estadual nº. 2801.

Ressalte-se que o relatório da administração da Colônia, relativo ao ano de 1909, informa que em março daquele ano o governo adquiriu as primeiras terras para formação da Colônia Agrícola da Constança. Diz ainda o relatório que ela foi “fundada em terras das fazendas annexadas e denominadas Constança, Sobradinho, Boa Sorte, Onça e sítio Puri”3.

OS IMIGRANTES COMO PROPRIETÁRIOS

Interessante observar que esses imigrantes, como proprietários de pequenas glebas de terra, de algum lote na Colônia Agrícola da Constança ou em outro lugar por onde foram surgindo as pequenas propriedades e verdadeiras comunidades (Palmeiras, Macuco, Piacatuba e outras), passaram a fazer parte da própria dinâmica da economia do município.

E um fato que não deve ser esquecido, por ser de justiça, é que muitas dessas propriedades eram verdadeiros “retalhos de terras esgotadas” vendidos pelos fazendeiros que viam nessa prática uma forma de o imigrante ver realizado o seu sonho de se tornar sitiante e, ao mesmo tempo, a fazenda garantir uma reserva de mão-de-obra nas suas proximidades. Apesar de não serem exatamente lotes de boa qualidade, aquelas terras se tornaram produtivas unicamente pela formidável capacidade de trabalho do imigrante e pela grande prole da maioria deles.

Encerrando esta nossa conversa, queremos destacar dois fatos que não podem ser esquecidos. O primeiro deles, o de que é evidente que a produção das lavouras, pomares, terreiros, moinhos, engenhos de cana e olarias da Colônia foi importante para o progresso da cidade. Esta produção fez movimentar muita riqueza pelas estradas de chão batido da Colônia e pelos trilhos da Estrada de Ferro da Leopoldina.

Mas o que talvez mereça um destaque ainda maior, a ser proclamado com muita ênfase, é a nossa crença em que a grande contribuição da Colônia e dos imigrantes para Leopoldina não está somente no aspecto econômico. Está muito mais na mistura de etnias e nos belos exemplos de trabalho e dedicação deixados por esses imigrantes. Trabalho e dedicação, inclusive, que nos permitiram sem grandes traumas, por exemplo, fecharmos o ciclo do coronelismo e iniciarmos o de um desenvolvimento mais igualitário. Um novo ciclo onde a riqueza deixou de estar apenas nas mãos de uns poucos e abastados fazendeiros para se espalhar pelos diversos sobrenomes italianos que hoje se destacam no comércio, na indústria, na prestação de serviços, na agro-pecuária e nas demais atividades produtivas desta nossa Leopoldina.

Mas isto já é assunto para uma outra oportunidade.

NOTAS

1- BERTONHA, João Fábio. Os Italianos. 2ª edição, São Paulo: Contexto, 2005

2 – idem, página 35

3 – Os Relatórios da Colônia encontram-se no Aquivo Público Mineiro, fundo Secretaria de Agricultura.

Imigrantes na região de Palma e Muriaé

Para atender consultas sobre imigrantes que viveram em cidades vizinhas a Leopoldina, organizamos uma pequena relação com dados encontrados durante nossas buscas. Esclarecemos, porém, que pesquisamos apenas as famílias que viveram no município de Leopoldina porque seria impossível realizar um trabalho produtivo se abríssemos mais o nosso foco.

Alertamos, firmemente, sobre o caráter dos dados a seguir: não se trata de levantamento exaustivo, ou seja, contempla apenas um pequeno período dentro da época em que a região recebeu o maior número de imigrantes estrangeiros.


Fazendeiro contratante: Antonio Balbino Resende

Localização: Cisneiros, Palma

Sobrenomes de imigrantes contratados em outubro de 1895: Alti, De Rosso, Maggiolo, Pareschi, Piccolo, Presti, Tittonei


Fazendeiro contratante: Assis Fernandes

Localização: Banco Verde, São Paulo do Muriahé

Sobrenomes de imigrantes contratados em dezembro de 1895: Aldighieri, Bellato, Boarati, Burato, Busasca, Faggionato, Guerra, Maccadanza, Malotto, Pasin, Pezzetini, Tambo, Vio


Fazendeiro contratante: Barão de Monte Alto

Localização: Morro Alto, Palma

Sobrenomes de imigrantes contratados em abril de 1896: Aggio, Balleon, Boeri, Borile, Carpanese, Cesati, Cogo, Doro, Filippini, Grava, Mancini, Mantovan, Masega, Michieletti, Milani, Pandin, Riz, Sadocca, Salvatico


Fazendeiro contratante: Eudosia Augusta Carmelo

Localização: Barra Alegre, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em março de 1896: Barbini, Bazzeggio, Belletto


Fazendeiro contratante: Francisco Teodoro Macedo

Localização: Banco Verde, São Paulo do Muriaé

Sobrenome de imigrante contratado em dezembro de 1895: Topa


Fazendeiro contratante: Gabriel Arcangelo da Silva

Localização: Banco Verde/Monte Alegre, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em março de 1896: Baldiserotto, Boscariol, Casagrande, Dedin, Facca, Lusti, Moscardo


Fazendeiro contratante: Jeremias de Araújo Freitas

Localização: Palma

Sobrenomes de imigrantes contratados em outubro de 1895: Muzzioli, Zambon


Fazendeiro contratante: João Augusto Rodrigues Caldas

Localização: São Manoel, São Paulo do Muriahé

Sobrenomes de imigrantes contratados em junho de 1896: Baldi, Berardi, Cavalli, Drudi, Ferri, Gambati, Maltoni, Mancini, Migani, Nicolini, Parosi, Piccioni, Pironi, Pironi, Vandi, Vani, Villa


Fazendeiro contratante: Joaquim Hilario Teixeira

Localização: Palma

Sobrenomes de imigrantes contratados em junho de 1896: Anghietti, Baldazzi, Nati, Ricci, Rincini, Terzi, Tinti


Fazendeiro contratante: José Antonio Alves Oliveira

Localização: Morro Alto, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em março de 1896: Boldrin, Dian, Marzin, Pavan, Suman, Tisiot, Zordan


Fazendeiro contratante: José Januario Rabello

Localização: Parochena, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em outubro de 1895: Gamba


Fazendeiro contratante: José Machado

Localização: Parochena, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em outubro de 1895: Baratella, Bernardi, Casarin, Gatto, Pozzolo


Fazendeiro contratante: Raymundo Correia do Espírito Santo

Localização: Fazenda Santa Olímpia, Palma

Sobrenomes de imigrantes contratados em outubro de 1895: Andreini, Arvenghi, Barbi, Bergamini, Bertinazzi, Bonfigioli, Cassina, Cassis, Ermi, Locatelli, Maffialetti, Monfardini, Noris, Paltrinieri, Santinelli, Signorelli, Trapolli, Travellin, Vacchi, Vezzole


Fazendeiro contratante: S. Miguel Caputo

Localização: Morro Alto, Palma

Sobrenome de imigrante contratado em abril de 1896: Tramarin


Fazendeiro contratante: Theodoro Alves de Souza

Localização: Banco Verde, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em janeiro de 1896: Cesario, Curiani, Felippe, Mamponin, Marzano, Mattioli, Patuzzo, Pistore, Ruffato, Sabadin, Salviato, Testa, Tonello, Zardetto


Fazendeiro contratante: Venancio Alves da Silva

Localização: Banco Verde, São Paulo do Muriaé

Sobrenomes de imigrantes contratados em dezembro de 1895: Braga, Chilese, Cortese, Duse, Melisen, Mesilon, Sotterina


Fazendeiro contratante: Xisto Jorge dos Santos

Localização: São Paulo do Muriahé

Sobrenomes de imigrantes contratados em junho de 1896: Arcangeli, Arcangeli, Buontempi, Ottaviani, Savoretti, Tangheri

Italianos em Miraí, Muriaé e Palma

Muitas vezes encontramos informações que nos remetem aos municípios vizinhos, seja porque o imigrante foi contratado inicialmente por um fazendeiro daquelas cidades ou, no caso inverso, porque a família saiu de Leopoldina para trabalhar em outros lugares. De todo modo, é impossível circunscrever nossas buscas ao limite territorial de Leopoldina.

Agrupamos os imigrantes sobre os quais descobrimos passagem por Miraí, Muriaé ou Palma, com vistas a analisar sua trajetória. Descobrimos que nosso foco deveria centrar-se em antigos distritos. Para melhor situar nossos leitores, informamos a seguir os nomes das localidades na época, com os respectivos fazendeiros contratantes:

  • Banco Verde: Assis Fernandes, Francisco Teodoro Macedo, Gabriel Arcângelo da Silva, Theodoro Alves de Souza e Venâncio Alves da Silva

  • Bom Jesus da Cachoeira Alegre e São Sebastião da Cachoeira Alegre: Eudóxia Augusta Carmelo, Jeremias de Araújo Freitas, João Augusto Rodrigues Caldas, Joaquim Hilário Teixeira, José Januário Rabello, José Machado, Raymundo Correia do Espírito Santo e Xisto Jorge dos Santos

  • Cisneiros: Antonio Balbino Resende

  • Morro Alto: Barão de Monte Alto, José Antônio Alves Oliveira e Miguel Caputo

Além destes locais, Dores da Vitória, distrito de Miraí, aparece em várias fontes sem identificação do fazendeiro contratante.

Outro ponto que guiou a categorização do grupo foi a chegada ao Brasil. Descobrimos as seguintes datas de desembarque e vapores que os trouxeram:

Em 1895:

  • 31 de outubro, vapor Sempione

  • 18 de dezembro, vapor Arno

Em 1896:

  • 03 de janeiro, vapor Rosario

  • 13 de março, vapor Concordia

  • 21 de março, vapor Matteo Bruzzo

  • 05 de abril, vapor Colombo

  • 19 de junho, vapor Montevideo

Em 1897, outra viagem do vapor Rosario que aportou no Rio de Janeiro em abril.

Além das famílias que passaram por Leopoldina, estes vapores trouxeram outros imigrantes que seguiram para os mesmos lugares. Por não temos estudados todos eles, não podemos afirmar que a grafia original do sobrenome corresponda à que encontramos nos registros da Hospedaria Horta Barbosa. A relação a seguir serve, portanto, apenas como primeira informação.

Aggio Aldighieri Alti Andreini Anghietti Arcangeli Arvenghi
Baldazzi Baldi Baldiserotto Balleon Baratella Barbi Barbini
Bazzeggio Bellato Belletto Berardi Bergamini Bernardi Bertinazzi
Boarati Boeri Boldrin Bonfigioli Borile Boscariol Braga
Buontempi Burato Busasca
Carpanese Casagrande Casarin Cassina Cassis Cavalli Cesario
Cesati Chilese Cogo Cortese Curiani
Ermi
De Rosso Dedin Dian Doro Drudi Duse
Facca Faccio Faggionato Felippe Ferri Filippini Fiviani
Gamba Gambati Gatto Grava Guerra
Locatelli Lusti
Maccadanza Maffialetti Maggiolo

Malotto

Maltoni Mamponin Mancini
Mantovan Marzano Marzin Masega Mattioli Mazzuccato Melisen
Mesilon Michieletti Migani Meloni Milani Monfardini Moscardo
Muzzioli
Nati Nicolini Noris
Ottaviani
Paltrinieri Pandin Pareschi Parosi Pasin Patuzzo Pavan
Pezzetini Piccioni Piccolo Pironi Pistore Pozzolo Presti
Ricci Rincini Riz Ruffato
Sabadin Sadocca Salvatico Salviato Santinelli Savoretti Signorelli
Sotterina Suman
Tambo Tangheri Terzi Testa Tinti Tisiot Tittonei
Tonello Topa Tramarin Trapolli Travellin
Vacchi Vandi Vani Vezzole Villa Vio
Zambon Zardetto Zordan

O papel do Imigrante

A presença do imigrante europeu em Leopoldina pode ser detectada desde os seus primórdios. Entretanto, as esparsas referências não nos permitem seguir rigidamente os passos deste elemento povoador.

Observamos que formavam núcleos isolados por origem e mantinham o relacionamento mínimo indispensável com a “gente da terra”.

É a partir da metade do século dezenove que os “estrangeiros” passam a ser notados com mais vigor. Observe-se entretanto que o imigrante português nem sempre é tido como estrangeiro.

Como eles chegaram?

Estabeleçamos três períodos para definir-lhes a história: 1829-1859; 1860-1888; 1889 até os primeiros anos do século vinte.

Os pioneiros, encontrados na cidade antes de 1859, eram essencialmente comerciantes. Não encontramos referências a agricultores entre eles. Quase sempre identificados como “turcos”, a sala de suas casas era a loja e as demais dependências destinavam-se à moradia. Entre eles estão os primeiros mascates do lugar, homens que visitavam as fazendas levando os produtos para serem vendidos. Eventualmente aparece o elemento português como mascate ou comerciante, mas sua atividade é quase sempre voltada ao comércio de gêneros alimentícios. Provavelmente estes primeiros imigrantes chegaram a Leopoldina buscando produtos a serem “exportados” para São Fidélis.

O segundo período, entre 1860 e 1888, pode ser contado a partir da abertura da estrada destinada a escoar a produção agrícola da região de Barbacena e Juiz de Fora. Para construí-la, foi fundada a Companhia União e Indústria, que contratou engenheiros, técnicos e operários especializados na Alemanha em 1856. Numa segunda etapa, em 1858, foram contratados colonos para desenvolverem a agricultura na Colônia Dom Pedro II, em Juiz de Fora. Necessário também nos referirmos aos trabalhadores arregimentados entre aqueles colonos de 1845/1847 que já não encontravam ocupação nas obras públicas de Petrópolis.

No contrato com o primeiro grupo em 1856, aqui classificado como de artífices, a Companhia União e Indústria se comprometia a pagar as despesas da viagem para o Brasil, empregá-los durante dois anos com salário de 2.000 réis mensais e fornecer alojamento e alimentação durante a vigência do contrato. Esses contratados puderam assim formar uma boa reserva pecuniária. Ao término dos dois anos, estabeleciam-se por conta própria com base na poupança amealhada. Deste grupo saíram os primeiros industriais da Zona da Mata.

Já os colonos contratados depois, obtinham vantagens menores. O transporte do Rio até a Colônia Dom Pedro II era gratuito, mas as despesas de viagem da Alemanha ao Brasil eram financiadas pela Cia em 4 anos. O salário mensal caía para 1.500 réis, a moradia era garantida por um ano apenas e alimentos e demais produtos necessários eram adquiridos pelo próprio colono.

A partir de 1860 a Cia iniciou a venda das glebas aos colonos, com financiamento de quatro anos. A partir daí muitos deles tornaram-se mão de obra assalariada para os fazendeiros da região, já como reflexo da Lei do Ventre Livre em 1871.

O declínio da Compahia União Indústria ocorreu no período de implantação da Estrada de Ferro Dom Pedro II, cujo traçado era, em linhas gerais, o mesmo da rodovia. Muitos colonos alemães, bem como imigrantes de outras nacionalidades, passaram a trabalhar na ferrovia.

Por esta época, 1871, a Companhia Estrada de Ferro Leopoldina obteve concessão para a construção de uma linha de bitola de um metro, ligando Porto Novo do Cunha a Leopoldina. Substituida pela Leopoldina Railway Company Limited, esta companhia foi a principal responsável pela chegada da maioria dos imigrantes. Necessário esclarecer que quase todos estavam no Brasil há mais de dez anos, seja trabalhando na União Indústria ou na Estrada de Ferro Dom Pedro II.

O fluxo de imigrantes para Leopoldina, por conta da Leopoldina Railway Co. Ltd., estende-se por alguns anos. O assentamento desta Companhia ficava próximo a Vista Alegre, às margens do riacho Jacareacanga. Há menção a uma Hospedaria de Imigrantes no local, mas ainda não conseguimos localizar-lhe os documentos.

O terceiro período inicia-se com a Lei Áurea e representa percentualmente o maior volume de estrangeiros chegados à região. Enquanto até aqui os imigrantes eram profissionais das mais diversas categorias, a partir de então a região passa a receber quase que exclusivamente agricultores, basicamente espanhóis e italianos. Historiadores dos mais categorizados já disseram que, fustigados pela fome que assolava sua região de origem, estes imigrantes submeteram-se a condições de trabalho quase iguais às dos escravos que os precederam na lavoura. Diferentemente dos grupos anteriores, entre estes últimos o índice de analfabetismo era bastante elevado, o que contribuiu para torná-los ainda mais frágeis diante dos fazendeiros acostumados a lidar com cativos.

Os primeiros que conseguiram livrar-se dos absurdos contratos com os fazendeiros, estabeleceram-se no trecho que ligava a sede do município a Tebas. No bairro da Onça e na vizinha Fazenda da Constança, famílias de alemães e espanhóis haviam fixado residência e receberam os novos imigrantes sem dificuldades e, principalmente, sem o preconceito que os impedia de participarem ativamente da vida econômica da cidade. Nesta região, a Câmara Municipal havia estabelecido as bases de uma colônia de imigrantes.

São Sebastião da Cachoeira Alegre

Freguesia de 1887, pertencente à Paróquia de São Paulo de Muriaé, São Sebastião da Cachoeira Alegre ocupava grande extensão territorial, com 470 fazendas e 4.000 habitantes na década de 1870.

No seu extremo sul apareceu, ao final dos anos de 1880, o povoado de Bom Jesus da Cachoeira Alegre com metade da extensão territorial e população. Quando Palma alcançou autonomia administrativa, a população somada de São Sebastião e Bom Jesus era 40% superior à de Palma. No processo de incorporação, os 4.200 habitantes de São Sebastião permaneceram vinculados a Muriaé e os de Bom Jesus passaram a Palma que teve, então, sua população aumentada de 5.000 para quase 8.000 habitantes.

Houve muita disputa política entre o final do século anterior e a primeira década do século XX, com os administradores de Palma querendo exercer o poder sobre São Sebastião da Cachoeira Alegre. Em 1911 veio a decisão a favor de Palma,  o que não agradou aos moradores. Prosseguiram as disputas até que, em 1920, São Sebastião da Cachoeira Alegre passou para o distrito de Silveira Carvalho, pertencendo a Muriaé. Entre os mentores desta nova divisão administrativa encontram-se, entre outros, os Silveira Carvalho, Duarte, Almeida, Rocha, Lammoglia, Meloni e Montovani.

Bom Jesus da Cachoeira Alegre permaneceu em Palma até 1962, quando o distrito de Morro Alto foi elevado a município com o nome de Barão de Monte Alto. O principal motivo da separação foi o abandono a que estava relegado o distrito de Morro Alto, ao qual Bom Jesus havia sido incorporado.

Na década de 1920 as localidades de Morro Alto, Bom Jesus e São Sebastião receberam muitos imigrantes portugueses, atraídos pelo baixo preço das terras esgotadas pela monocultura de café. Desde o final do século anterior já havia grande número de imigrantes, especialmente italianos, em São Sebastião da Cachoeira Alegre. A multiplicação de pequenas propriedades, onde outrora existiram verdadeiros latifúndios produzindo apenas café, modificou sensivelmente o panorama local. Muriaé, que foi o 16º município brasileiro em produção cafeeira  naquele 1920, aos poucos passou a dedicar-se a outras atividades, liberando grande extensão de terras para os neo-agricultores. Assim, portugueses e italianos atingiram o sonho da terra própria. Infelizmente, porém, foram os mais atingidos pela quebradeira de 1929.

Entre outras famílias que participaram desta retomada do crescimento está a do tio do poeta Miguel de Torga, que saiu de Leopoldina para comprar a Fazenda de Santa Cruz em São Sebastião da Cachoeira Alegre, na época distrito de Muriaé com o nome de Silveira Carvalho. Seus familiares estão profundamente vinculados ao movimento político que resultou na criação do município de Cachoeira Alegre e permaneciam em sua administração até a realização desta pesquisa, em 2001.

Quanto aos descendentes de italianos, a geração nascida a partir de 1930 conheceu dificuldades inomináveis. Embora a energia elétrica tenha chegado a Muriaé em 1910, seus distritos só a conheceram dez anos mais tarde. Por outro lado, Palma só teve energia elétrica a partir de 1920 e até 1964 este benefício não tinha chegado ao distrito de Morro Alto.

Da mesma forma teve influência a baixa escolarização dos habitantes. Apesar de Muriaé oferecer educação nos distritos desde o final do século XIX, as disputas políticas em São Sebastião da Cachoeira Alegre impediram a criação de escolas antes de sua re-anexação à antiga sede. Enquanto Muriaé contava com 36 núcleos de educação básica em 1916, o município vizinho atendia apenas a população da área urbana em suas 6 escolas.

Este texto foi composto a partir de informações obtidas em:

– entrevistas com descendentes dos Correia da Rocha;

– entrevistas com descendentes de italianos;

– relatórios da Presidência da Província de Minas Gerais;

– dados estatísticos fornecidos pelo Centro de Documentação da Fundação IBGE;

– dados estatísticos da Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais;

– Fundação Henrique Hastenreiter e sua Revista de Historiografia Muriaeense;

– Revista Municípios, número dedicado a Muriaé;

– FARIA, Maria Auxiliadora de. O que ficou dos 178 anos da história de Muriaé. Itaperuna, RJ: Damadá, 1985.

Cappai, Capace ou Capaz

Este pequeno estudo genealógico sobre a família Cappai foi publicado em abril de 2001, como um dos capítulos da genealogia da família Gottardo.

AGUS GIUSEPPE CAPPAI nasceu por volta de 1852 em Villasalto, Cagliari, Sardegna, Italia. Foi casado com ANA MARIANICA GESSA, nascida por volta de 1862 também em Villasalto, conforme apuramos nos Livros da Hospedaria Horta Barbosa (Arquivo Público Mineiro), SA 920 fls 145.

O casal deu entrada na Hospedaria Horta Barbosa no dia 28 de junho de 1897, acompanhado de 6 filhos. Saíram no dia 4 de julho de 1897 para trabalhar na Fazenda Bela Vista, de Antonio Belizandro dos Reis Meireles, localizada no então distrito de Rio Pardo, hoje município de Argirita.

A filha MARIA CAPPAI, nascida entre 1883 e 1887 em Villasanto, faleceu em Leopoldina aos 28 de dezembro de 1969, conforme lápide do túmulo no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG. Foi a segunda esposa de Domenico Giuseppe Gottardo, filho de Antonio Gottardo e Tereza Luigia Guerra, com quem se casara no civil aos 30 de julho de 1921 (microfilme 1.285.228 Leopoldina, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 4 fls 247 nr. 56) Segundo a Leva Militare delle province di Padova e Rovigo 1846 – 1902, o Registro de Estrangeiros da esposa realizado em Leopoldina e informações de parentes, ele nasceu aos 29 de março de 1871 em Vigonza, Padova, Veneto, Italia. Faleceu em Leopoldina no dia 27 de setembro de 1950, conforme lápide do túmulo no cemitério local.

No requerimento para seu Registro de Estrangeiros, realizado conforme artigo 149 do Decreto 3.010 de 1938, assinado em 30.01.1942, Maria Cappai declarou ser doméstica, residente no distrito de Santa Izabel, atual Abaíba. Declarou, também, que passou ao Brasil em 1893, informação que verificamos não ser correta, já que encontramos seu nome na lista de passageiros do Vapor Equitá, em 1897, junto com seus pais e irmãos.

ANTONIO CAPPAI, o segundo filho de Marianica e Agus, teria nascido por volta de 1884, conforme a lista de passageiros.

SALVATORE CAPPAI, o terceiro filho, nasceu por volta de 1889 em Villasalto e faleceu em Nova Venecia, ES, no dia 25 de março de 1958, conforme informações de parentes. Casou-se no distrito de Providência, Leopoldina, no dia 19 de julho de 1913, com Ersilia Pedrini, filha de Francesco Pedrini e Ermenegilda Vechi (Arquivo da Diocese de Leopoldina, MG, Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 5 cas fls 267 termo 42). Segundo o assento paroquial, Ersilia teria nascido em 1892 em Marzabotto, Bologna, Emilia Romagna, Italia, informação parcialmente confirmada em Livros da Hospedaria Horta Barbosa (Arquivo Público Mineiro), Livro SA-920 pag 182 fam 107.

FILOMENA CAPPAI, a quarta filha de Marianica e Agus, nasceu por volta de 1891 em Villasalto. Não encontramos outros informes sobre ela.

RAFFAELE CAPPAI nasceu por volta de 1893 também em Villasalto. Casou-se com Izabel da Conceição, filha de Antonio Carlos de Oliveira e Ana Cecília da Conceição, aos 10 de novembro de 1917 em Leopoldina (microfilme 1.285.228 Leopoldina, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 4 fls 84 reg. 100 e Cartório de Registro Civil de Leopoldina, MG, lv 6 fls 192 termo 50). Ela nasceu em Leopoldina, no dia 11 de março de 1899 (microfilme 1.285.225 Leopoldina, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 2 termo 105 fls 11v.)

DANIELE CAPPAI, o filho caçula de Ana Marianica e Agus Cappai, nasceu por volta de 1894 em Villasalto, Cagliari, Sardegna, Italia.. Nada mais conseguimos apurar sobre este filho.

Encontramos descendência apenas do casal Raffaele Cappai e Izabel da Conceição. Ainda assim, estão confusos os registros de batismo e óbito de duas crianças nascidas em 1920. No livro 2 do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, fls 97 nr 47, consta o sepultamento de um natimorto no dia 10 de março de 1920. Já no livro de batismos relativo ao mesmo período, consta o assento de Maria, batizada no dia 2 de maio de 1920, tendo nascido no dia 10 de abril do mesmo ano (microfilme 1.285.227 Leopoldina, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 2 bat termo 162 fls 37verso). É possível que fossem duas crianças nascidas no dia 10 de março e o padre teria cometido um engano ao lançar a data de nascimento ao batizar a criança sobrevivente.

Um estudo mais amplo sobre os Cappai está disponível neste endereço.

Registro de Estrangeiros

Os requerimentos para Registro de Estrangeiro, estabelecidos pelo Decreto 3010 de 1938, eram de dois tipos: para maiores ou menores de 60 anos. Quando o imigrante ainda não havia completado 60 anos, deveria prestar informações sobre cônjuge e filhos, além de data de chegada ao Brasil, porto de desembarque, nome da embarcação e viagens ao exterior após a primeira entrada. Já os maiores de 60 anos precisavam informar apenas os dados pessoais, data da chegada, porto e nome da embarcação.

As normas de preenchimento constavam do verso do formulário, conforme se observa na imagem a seguir.

 

Verso do formulário de Registro de Estrangeiros

 

O formulário era composto de 3 vias: uma para arquivamento na Delegacia da localidade, uma para encaminhamento ao Departamento de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras e uma via deveria permanecer em poder do imigrante. Entretanto, parece que a rotina não foi regular em todos os municípios brasileiros. Entrevistamos filhos de estrangeiros que relataram situações difíceis que seus pais passaram por terem entregue o passaporte ao Oficial de Justiça, por ocasião do preenchimento do requerimento, e não terem recebido nenhum documento.

 


 

As Informações Prestadas

Um aspecto interessante a ser observado é que o preenchimento dos requerimentos parece ter sido feito com pouco rigor e sem conferência. Pelo menos no que se refere aos requerimentos analisados em nossa pesquisa, há falhas inconcebíveis em relação a nomes, datas e idades de filhos, bem como local de moradia. Consultamos alguns de nossos entrevistados, contemporâneos da época em que os requerimentos foram feitos, e alguns justificaram as falhas de preenchimento por um problema já identificado em outras fontes documentais: o escrivão não falava a língua do imigrante, o imigrante não falava a língua portuguesa com desenvoltura e nenhum deles sabia escrever em português.

A seguir um modelo de requerimento, para maior de 60 anos, que apresenta diversas falhas embora o imigrante fosse alfabetizado e, até onde pudemos apurar, exercia uma certa liderança entre seus pares. Desta forma, parece estranho que não soubesse prestar as informações solicitadas.

 

Registro de Estrangeiro maior de 60 anos

 


 

Menores de 60 anos

O modelo abaixo é do requerimento para imigrantes menores de 60 anos que, conforme já mencionado, deveria conter declarações sobre filhos e cônjuges.

 

Registro de Estrangeiro menor de 60 anos.

O imigrante nos prontuários de registro de estrangeiros

Apresentamos a transcrição quase literal de dados extraídos dos Prontuários de Registros de Estrangeiros.

Muitas são as inconsistências detectadas no estudo comparativo entre as fontes. Entretanto, julgamos por bem publicá-las porque muitas vezes são estas as únicas informações que os descendentes conhecem.

Lembramos que a maioria das declarações foi prestada por estrangeiros que não dominavam a língua portuguesa e os encarregados do registro não conheciam a língua dos imigrantes. Em outros artigos, neste blog, encontram-se informações mais corretas sobre os imigrantes que conseguimos estudar de forma mais abrangente.

Abalem, Izabel

Filiação: Calil Abalem e Anna Bouhid

Nascimento: 15.08.1900 – Zahle, Siria

Chegada ao Brasil: 15.06.1921 Navio: Victoria Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, residiu na Vila da Providência, casada com Chadi Habib Azar

 

Aguirre, Gregoria Lasa (Madre)

Filiação: Angelo Lasa Sarazola e Francisca Aguirre Odriozola

Nascimento: 24.04.1904 – Guipuzcoa, Espanha

Chegada ao Brasil: Fev/1932 Navio: Formosa Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Almeida, Manoel de Souza

Filiação: Zeferino Souza Almeida e Maria de Souza

Nascimento: 28.11.1874 – Penafiel, Portugal

Chegada ao Brasil: 1898 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Jardineiro, analfabeto, apresentou passaporte de 25.11.1898

 

Alonso, José Maria

Filiação: Florencio Alonso e Izidora Postella

Nascimento: 25.11.1882 – La Guardia, Pontevedra, Espanha

Chegada ao Brasil: Abr/1894 Navio: Hespagne Porto: Santos

Outras informações: Comerciante, casado com Serafina Sobrino Rodriguez

 

Alvarez, Candido Gonzalez

Filiação: Jesus Gonzalez e Maria Alvarez

Nascimento: 24.02.1906 – Pontevedra, Espanha

Chegada ao Brasil: 07.11.1920 Navio: Highland Rover Porto: Rio

Outras informações: Auxiliar de maquinista, trabalhou na Serraria São José, casado com a brasileira Isaura Furtado, nascida em 1914

 

Alves, Jose Gil

Nascimento: 1868 – Espanha

Outras informações: morte em 28.04.1896

 

Amaral, Maria Gonçalves

Filiação: Antonio Amaral Medeiros e Conceição da Costa Pimentel

Nascimento: 25.06.1869 – Ilha de São Miguel, Portugal

Chegada ao Brasil: 1889 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu na Vila da Providência

 

Amorim, Manoel Pereira de

Filiação: Manoel Quintão de Amorim e Maria Pereira de Jesus

Nascimento: 22.04.1884 – Conselho de Vila da Feira, Portugal

Chegada ao Brasil: 16.11.1895 Navio: Oriça – Mala Real Inglesa Porto: Rio

Outras informações: Lavrados na Fazenda da Balança, teve filhos no Brasil

 

Antonio, Franco Carmelo

Nascimento: Laino Castello, Calabria, Italia

 

Antonio, Geraldo

Nascimento: 1851 – Italia

Outras informações: morte em 12.03.1903

 

Antonio, José

Filiação: Antonio Sahil e Nahucca Mansur

Nascimento: 1874 – Marmerito, Siria

Chegada ao Brasil: 1895 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, casado com Sarah Ibrahim

 

Antunes, Joaquim Francisco

Filiação: Joaquim Francisco Antunes e Maria Brittes Antunes

Nascimento: 20.03.1888 – Leiria, Portugal

Chegada ao Brasil: 1890 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, residiu na rua Tiradentes, casado com a brasileira Etelvina Rosa, nascida em 1908

 

Araujo, José Venancio de

Filiação: Manoel Antonio de Araujo e Maria Ignez de Araujo

Nascimento: 15.01.1867 – Traz os Montes, Portugal

Chegada ao Brasil: 1889 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, residiu na Vila da Providência, casado com a brasileira Elisa Rodrigues, nascida em 1885

 

Azar, Chadi Habib

Filiação: Habib Azar e Anna Azar

Nascimento: 15.11.1885 – Zahle, Siria

Chegada ao Brasil: 28.10.1895 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciante, residiu na Vila da Providência, casado com Izabel Abalem.

 

Balabran, Alberto

Nascimento: 1901 – Turquia

Outras informações: casado com Esther Cabelini

 

Barbosa, Delfina Anna

Filiação: Antonio Joaquim Pereira de Mattos e Anna Joaquina de Mattos

Nascimento: 21.09.1879 – Minho, Portugal

Chegada ao Brasil: 1900 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu em Campo Limpo

 

Barbosa, José Bernardino

Filiação: Francisco José Ribeiro Barbosa e Carolina Ribeiro Vieira

Nascimento: 04.07.1868 – Minho, Portugal

Chegada ao Brasil: Out/1886 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, residiu em Campo Limpo

 

Bastos, Guilhermina

Filiação: Giovanni Bastos

Nascimento: 1876 – Italia

Outras informações: morte em 04.11.1896

 

Beristein, Joana Mugabure (Madre)

Filiação: Pedro Mugabure Daguerre e Ramona Beristein Echezarieta

Nascimento: 05.04.1911 – Azpeitia, Pais Basco, Espanha

Chegada ao Brasil: 20.04.1932 Navio: Uruguay Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Bernardo, Suzana

Filiação: Sebastião Bernardo e Maria da Conceição

Nascimento: – São Martinho de Moros, Portugal

Chegada ao Brasil: 1888 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: esteve na Hospedaria da Ilha das Flores, analfabeta, casada com o brasileiro Virgilio Nogueira, nascido em 1875

 

Cabelini, Esther

Filiação: Clemente Cabelini e Rosa Cabelini

Nascimento: 12.09.1900 Ismirra, Turquia

Chegada ao Brasil: 08.04.1927 Navio: Darro Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, casada com Alberto Balabran, residiu na rua Cotegipe, cinco filhos brasileiros.

 

Cerejeira, Domingos José

Filiação: Antonio Joaquim Pires Cerejeira e Maria Francisca Domingues

Nascimento: 04.01.1911 – Viana do Castelo, Portugal

Chegada ao Brasil: 13.02.1939 Navio: Massilia Porto: Rio

Outras informações: Comerciário, trabalhou na Casa Rafael Domingues

 

Chaul, Geny

Filiação: Jorge Chaul e Rachid Sanan

Nascimento: 1894 – Siria

Chegada ao Brasil: 1895 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta

 

Correia, Fancisco

Filiação: Manoel Correia e Carolina Correia

Nascimento: 1887 – Ilha da Madeira, Portugal

Chegada ao Brasil: 1889 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, residiu na Vila da Providência, casado com a brasileira Guilhermina Correia, nascida em 1888

 

Cortez, Francisco Comitre

Filiação: Francisco Comitre Martins e Antonia Cortez Perez

Nascimento: 12.02.1882 – Malaga, Andalucia, Espanha

Chegada ao Brasil: 1890 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, residiu em Espera Feliz, teve um sítio em Cysneiros-Palma, casado com a brasileira Dulcinéa Fernandes Teixeira, nascida em 1898

 

Costa, Maria Gonçalves da

Filiação: Manoel Gonçalves e Maria da Costa

Nascimento: 1883 – Villa da Feira, Portugal

Chegada ao Brasil: 14.06.1906 Navio: Pacífico Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu na Vila da Providência, casada com José Pereira da Silva

 

Coury, Jamille Antonio

Filiação: Antonio Coury e Nasta Coury

Nascimento: 1899 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1912 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu na Vila da Providência, casada com Jorge João Reche

 

Dias, Antonio Ferreira

Nascimento: 1853 – Portugal

Outras informações: morte em 13.01.1899

 

Dias, Antonio Ribeiro

Nascimento: 1839 – Portugal

Outras informações: morte em 03.01.1899

 

Dias, José Correa

Nascimento: Portugal

Outras informações: Casado com Luiza Carvalho da Silva, morreu em 1935

 

Dib, Salim

Filiação: João José e Carmem Felix

Nascimento: 03.09.1897 – Thelel Calek, Siria

Chegada ao Brasil: 20.02.1905 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador

 

Duarte, José Pereira

Filiação: Joaquim Pereira Duarte e Anna Rabello

Nascimento: 1879 – Vizeu, Portugal

Chegada ao Brasil: 1898 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, residiu em Campo Limpo

 

Esteves, Joaquim Ernestino

Filiação: Manuel da Assumpção Esteves e Horminda das Dores Barbosa

Nascimento: 17.06.1897 – Vila Nova de Cerveira, Portugal

Chegada ao Brasil: 19.02.1921 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Viajante Comercial, casado com Laura Fernandes.

 

Farage, José Sallim

Filiação: Sallim José Farage e Mahiba Sallim Farage

Nascimento: 06.09.1923 – Libano

Chegada ao Brasil: 13.06.1933 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciário, residiu em Campo Limpo

 

Felix, Carmen

Filiação: Antonio Felix e Helena Nacib

Nascimento: 1876 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 21.02.1895 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, viúva de João José, falecido em 1929

 

Felix, Elias

Filiação: Antonio Felix e Helena Nacib

Nascimento: 1879 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: Dez/1896 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciário, residiu na Vila da Providência.

 

Felix, Miguel

Nascimento: Siria

Outras informações: Casado com Martha Feres, morreu em 1931

 

Feres, Martha

Filiação: Feliz Weuebá e Rosa Weuebá

Nascimento: 1873 – Zahle, Siria

Chegada ao Brasil: 28.10.1895 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu na Vila da Providência, viúva de Miguel Felix, falecido em 1931

 

Ferreira, Maria Alves

Filiação: Joaquim Alves Ferreira e Jesuina Alves Ferreira

Nascimento: 20.09.1869 – Porto, Portugal

Chegada ao Brasil: 21.09.1892 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu em Campo Limpo, casada com o português João Paes dos Santos

 

Ferreira, Norvet

Nascimento: 1865 – Turquia

Outras informações: morte em 25.06.1896

 

Garcia, Santiago de Souza

Filiação: José de Souza Santiago e Maria Candelaria Garcia

Nascimento: 25.07.1875 – Ilhas Canarias, Espanha

Chegada ao Brasil: 1881 Navio: São Martins Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, residiu no Sítio do Agrião em Thebas, casado com Silveria Gonzalez Garcia

 

Garcia, Silveria Gonzalez

Filiação: Julião Gonzalez Marreiro e Luiza Garcia Demessa

Nascimento: 09.06.1875 – Santa Cruz, Ilhas Canarias, Espanha

Chegada ao Brasil: 1882 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu no Sítio do Agrião em Tebas, casada com Santiago de Souza Garcia

 

Gaspar, Maria

Filiação: Antonio Gaspar Matheus

Nascimento: 1895 – Portugal

Outras informações: morte em 27.05.1898

 

Gomes, Candida Rodrigues

Nascimento: Portugal

Chegada ao Brasil: 1873 Navio: – Porto:

Outras informações: Residiu em Conceição da Boa Vista, casada com Jose Duarte dos Santos

 

Gomes, Francisco José

Filiação: Antônio José Gomes e Luiza Rosa

Nascimento: 21.03.1873 – Ponte da Barca, Portugal

Chegada ao Brasil: 1912 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciante, residiu na Pça Gal Osório, apresentou passaporte

 

Gomes, João Mello

Nascimento: Portugal

 

Gonçalves, Luiza Rodriguez

Filiação: Manoel Gonçalves e Joanna Gomes Rodriguez

Nascimento: 1867 – El Rosal, Pontevedra, Espanha

Chegada ao Brasil: – Navio: – Porto:

Outras informações: Residiu na Volta da Cobra, foi casada com João Caetano Bittencourt

 

Gonçalves, Rosa

Nascimento: 1864 – Espanha

Outras informações: Foi casada com Rafael Rodriguez y Rodrigues, morreu em 10.07.1900

 

Gonçalves, Silveria

Nascimento: 1876 – Espanha

 

Gonzalez, José Alvarez

Filiação: Jose Alvarez e Aurora Gonzalez

Nascimento: 14.09.1899 – El Rosal, Pontevedra, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 22.03.1929 Navio: Raul Soares Porto: Rio

Outras informações: Oleiro, enviuvou de uma Martinez por volta de 1936

 

Ibrahim, Sarah

Filiação: Ibraim Mansur e Negrinin Mansur

Nascimento: 1876 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1896 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, casada com José Antonio

 

Istueta, Theresa Iturrioz (Madre)

Filiação: Domingo Iturrioz e Michaella Istueta

Nascimento: 03.07.1907 – Legorreta, Pais Basco, Espanha

Chegada ao Brasil: 07.10.1937 Navio: Neptunia Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Jesus Filho, José de Souza de

Filiação: José de Souza de Jesus e Maria José de Jesus

Nascimento: 03.01.1881 – Ilha de São Miguel, Portugal

Chegada ao Brasil: – Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, residiu no distrito de Santa Cruz

 

João, Salim

Filiação: João Dibe e Joanna Dibe

Nascimento: 1879 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1901 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciante, residiu na Vila da Providência

 

Jorge, Abraham

Nascimento: 1865 – Turquia

Outras informações: morte em 05.05.1896

 

Jorge, Francisco

Nascimento: 1868 – Turquia

Outras informações: morte em 28.04.1896

 

José, Adelino

Filiação: José Joaquim e Constancia Rosa

Nascimento: 1890 – Villa Real, Portugal

Chegada ao Brasil: Mar/1912 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Motorista da Secretaria da Viação de Minas Gerais.

 

José, João

Nascimento: Siria

Outras informações: Casado com Carmen Felix, faleceu em 1929

 

José, Miguel

Nascimento: 1866 – Turquia

Outras informações: morte em 07.04.1896

 

Lambert, Feliciano

Filiação: João Lambert e Anne Lambert

Nascimento: 10.05.1892 – Exideuil, Charente, Poitou-Charentes, França

Chegada ao Brasil: 1894 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Barbeiro, residiu em Argirita, viúvo da brasileira Sebastiana, falecida em 1932, com quatro filhos brasileiros.

 

Legarra, Severiana Sorarrain (Madre)

Filiação: Francisco Sorarrain e Nicolaça Legarra

Nascimento: 09.09.1883 – Asteasu, Pais Basco, Espanha

Chegada ao Brasil: Jun/1917 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição. Embarcou no Rio, a 18.07.1937, no vapor General Osório com destino à Espanha. Regressou a 07.10.1937, desembarcando do vapor Neptunia no Rio.

 

Leite, Orlinda dos Santos

Filiação: Adelino dos Santos Leite

Nascimento: 1879 – Portugal

Chegada ao Brasil: – Navio: – Porto:

Outras informações: morte em 02.10.1902

 

Macedo, Maria de Jesus

Filiação: Francisco Carneiro de Macedo e Albina Rodrigues da Costa

Nascimento: 25.03.1881 – Traz os Montes, Portugal

Chegada ao Brasil: 1888 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu no Bairro da Onça, casada com o brasileiro Manoel Francisco Vieira, nascido em 1895

 

Maia, Antonio Simões

Filiação: Thomaz Simões Thomé e Maria José Clara Maia

Nascimento: 29.03.1877 – Douro, Portugal

Chegada ao Brasil: 30.06.1894 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, residiu em Tebas

 

Marques, Luiz

Nascimento: 1849 – Portugal

Outras informações: morte em 09.05.1899

 

Martinez, Anselmo Alvarez

Filiação: Jose Alvarez Gonzalez

Nascimento: 1924 – El Rosal, Pontevedra, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 22.03.1929 Navio: Raul Soares Porto: Rio

Outras informações:

 

Martinez, Hermelina Alvarez

Filiação: Jose Alvarez Gonzalez

Nascimento: 1927 – El Rosal, Pontevedra, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 22.03.1929 Navio: Raul Soares Porto: Rio

Outras informações:

 

Martinez, Luiza Alvarez

Filiação: Jose Alvarez Gonzalez

Nascimento: 1926 – El Rosal, Pontevedra, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 22.03.1929 Navio: Raul Soares Porto: Rio

 

Martinez, Odila Alvarez

Filiação: Jose Alvarez Gonzalez

Nascimento: 1928 – El Rosal, Pontevedra, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 22.03.1929 Navio: Raul Soares Porto: Rio

 

Matheus, Antonio Gaspar

Nascimento: Portugal

 

Medeiros, Antonio Soares de

Filiação: João Soares de Medeiros e Maria do Rosario

Nascimento: 1889 – Provincia de São Miguel, Portugal

Chegada ao Brasil: 1891 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, residiu na Fazenda da Floresta, casado com a brasileira Olga Ferreira de Medeiros, nascida em 1899

 

Miguel, Abrahão

Filiação: Miguel el Barkil e Laia Fadel el Barkil

Nascimento: 10.02.1880 – Maloula, Siria

Chegada ao Brasil: 1896 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, residiu em Campo Limpo, casado com Rosa Grace

 

Miguel, Jorge

Filiação: Miguel Fadul e Sarah Fadul

Nascimento: 1878 – Monte Libano, Libano

Chegada ao Brasil: 1891 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Comerciante, residiu em São Martinho

 

Montenegro, Joaquim Ferreira Silva

Nascimento: . 1826 – Portugal

Outras informações: morte em 04.08.1899

 

Neder, Calil

Nascimento: . Siria

Outras informações: Casado com Carmen Neder, morreu em 1939

 

Neder, Carmen

Filiação: Abrahão Silami e Nasta Aboud

Nascimento: . 1884 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1905 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu em Santa Isabel, viúva de Calil Neder, falecido em 1939

 

Pereira, Antonio Ribeiro

Nascimento: . 1836 – Portugal

Outras informações: morte em 11.07.1898

 

Pereira, Francisco

Nascimento: . Portugal

 

Poyares, Marco Telles

Nascimento: . 1838 – Portugal

Outras informações: morte em 16.11.1898

 

Raschid, Jamile Antonia

Nascimento: . 1900 – Siria

Outras informações: casada com Jorge João Raschid

 

Raschid, Jorge João

Filiação: João Raschid e Joanna Antonia Raschid

Nascimento: . 1895 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1912 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, residiu na Vila da Providência, casado com Jamile Antonia Raschid

 

Reche, João Jorge

Nascimento: . 1895 – Siria

Chegada ao Brasil: 1895

Outras informações: casado com Jamile Antonio Coury

 

Reche, Paulo João

Filiação: João José Reche e Joanna Reche

Nascimento: . 1893 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 1904

Outras informações: Comerciante, analfabeto, casado com Amelia Calil Tuma

 

Rhyner, Maria

Nascimento: . 01.05.1881 – Suiça

 

Rivas, Herminia Fernandez (Madre)

Filiação: Manoel Fernandez e Esperança Rivas

Nascimento: . 21.12.1905 – Codeseda, Galicia, Espanha

Chegada ao Brasil: 20.11.1929 Navio: Rainha Victória Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Rocha, Luiz Alves da

Nascimento: . 1862 – Portugal

Outras informações: morte em 10.02.1902

 

Rodriguez, Bernardo Rodrigues Y

Filiação: Seraphim Rodriguez e Maria Rodriguez Alvarez

Nascimento: . El Rosal, Pontevedra, Espanha

 

Rodriguez, Joanna Gomes

Nascimento: . El Rosal, Pontevedra, Espanha

 

Rodriguez, Rafael Rodriguez Y

Filiação: Seraphim Rodriguez e Maria Rodriguez Alvarez

Nascimento: . El Rosal, Pontevedra, Espanha

Outras informações: Veio da Espanha casado com Rosa Gonçalves. Viúvo, casou-se pela segunda vez com Maria Gothardo.

 

Rodriguez, Salvador Rodriguez Y

Filiação: Seraphim Rodriguez e Maria Rodriguez Alvarez

Nascimento: . El Rosal, Pontevedra, Espanha

 

Rodriguez, Serafina Sobrino

Filiação: Silverio Sobrino e Conceiçan Rodriguez

Nascimento: . 01.07.1892 – La Guardia, Espanha

Chegada ao Brasil: 29.05.1913 Navio: Arlanza Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, casada com José Maria Alonso, residiu na rua Tiradentes.

 

Roesler, Alfred

Filiação: Benjamim Roesler e Luise Papke

Nascimento: . 20.09.1905 – Dantzig, Polonia

Chegada ao Brasil: 30.01.1931 Navio: Sierra Morena Porto: Santos

Outras informações: Técnico de laticínios, trabalhou na Companhia Leiteria Leopoldinense, casado com a brasileira Relinda Weigert, nascida em 1910

 

Salomão, Massaud

Filiação: Salomão Antonio e Maria Musse

Nascimento: 15.02.1894 – Marmerita, Siria

Chegada ao Brasil: 30.04.1910 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, residiu em São Lourenço, casado com a brasileira Belmira Monteiro, nascida em 1915

 

Santos, João Paes

Nascimento: . 1846 – Portugal

Outras informações: Residiu em Campo Limpo, casado com Maria Alves Ferreira

 

Santos, José Duarte dos

Filiação: José Duarte e Angelica dos Santos

Nascimento: . 1872 – Vizeu, Portugal

Chegada ao Brasil: 1889 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Agricultor, analfabeto, residiu em Conceição da Boa Vista, casado com Cândida Rodrigues Gomes

 

Schultz, Heinrich

Filiação: Heinrich Schultz e Maria Iansen

Nascimento: . 15.05.1869 – Homberg, Hessen, Alemanha

Chegada ao Brasil: 27.09.1921 Navio: Poconé Porto: Rio

Outras informações: esteve na Hospedaria da Ilha das Flores, carpinteiro, trabalhou na Serraria São José, foi casado com Maria Rhyner

 

Silva, Bernardino Mouço E

Filiação: Gabriel José Garcia e Maria Rosa de Jesus

Nascimento: . 1880 – Villa do Conde, Portugal

Chegada ao Brasil: 21.12.1893

Outras informações: Cerjeiro, residiu na Vila da Providência

 

Silva, José Pereira da Silva

Filiação: Antonio Pereira e Joaquina de Jesus

Nascimento: . 1883 – Marco de Canavezes, Portugal

Chegada ao Brasil: 14.06.1906 Navio: Pacífico Porto: Rio

Outras informações: Comerciante, residiu na Vila da Providência, casado com Maria Gonçalves da Costa

 

Silva, Luiza Carvalho da

Filiação: José Carvalho da Silva e Maria Alves Pereira

Nascimento: . 1862 – Beira Baixa, Portugal

Chegada ao Brasil: 1892 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Doméstica, analfabeta, residiu no Sítio Boa Vista em Thebas, viúva de José Correa Dias, falecido em 1935

 

Simões, Joaquim

Nascimento: . 1854 – Portugal

Outras informações: morte em 29.08.1899

 

Sobral, Francisco Luiz

Filiação: Manoel Luiz Sobral e Maria Mendonça

Nascimento: . 06.09.1895 – Minho, Portugal

Chegada ao Brasil: 17.07.1912 Navio: Itatinga Porto: Rio

Outras informações: Carpinteiro, residiu no Alto dos Pirineus, casado com Maria Luiza Barbaglio

 

Thome, Francisco Ignacio

Nascimento: . 1849 – Portugal

Outras informações: morte em 10.08.1901

 

Tuma, Amelia Calil

Filiação: Calil Tuma e Catharina Tuma

Nascimento: 1897 – Tripoli, Siria

Chegada ao Brasil: 1910 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Analfabeta, casada com Paulo João Reche

 

Tuma, Malaque

Filiação: Calil Tuma e Catharina Tuma

Nascimento: 1905 – Tripoli, Siria

Chegada ao Brasil: 1921 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Analfabeta, residiu na Vila da Providência

 

Velasco, Constantina Rogelia (Madre)

Filiação: Manoel Velasco e Maria de la Soledad Fernandes

Nascimento: 28.07.1911 – Rojas, Buenos Aires, Argentina

Chegada ao Brasil: 1915 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Ventina, Manoel Monteiro

Filiação: José Monteiro Alves e Josefa Rita da Ventina

Nascimento: 19.01.1869 – Canal de Senhorim, Portugal

Chegada ao Brasil: Ago/1888 Navio: – Porto: Rio

Outras informações: Lavrador, analfabeto, residiu em Barreiros

 

Vicente, Maria Del Carmen Cornejo (Madre)

Filiação: Pedro Cornejo e Ines Vicente

Nascimento: 20.05.1886 – Salamanca, Castilla y León, Espanha

Chegada ao Brasil: 24.12.1918 Navio: Balmess Porto: Rio

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição

 

Zugarrondo, Natividade (Madre)

Filiação: Thomaz Zugarrondo e Nicacia Aguirre

Nascimento: 24.12.1888 – San Sebastian, Pais Basco, Espanha

Chegada ao Brasil: 24.12.1918 Navio: Balmess Porto: Santos

Outras informações: Colégio Imaculada Conceição, embarcou no Rio a 18.07.1937 com destino à Espanha, pelo vapor General Osório. Regressou a 07.10.1937, desembarcando no Rio do vapor Neptunia.