Cemitério Nossa Senhora do Carmo

Lápide do túmulo do Padre José Maria Solleiro, nascido em 1811 e falecido em 1891.

Inaugurado em agosto de 1880, então com o nome de Cemitério Público da Leopoldina, o atual campo santo da cidade é seguramente o segundo mas pode ter sido o terceiro local escolhido para a morada eterna dos habitantes da cidade.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo

 

 

Por suas alamedas, especialmente no primeiro plano, podemos observar o resultado da obra de tantos artistas, vários deles italianos e seus filhos, que durante muitos anos se dedicaram a construir e reformar os túmulos das famílias de maior poder aquisitivo.

 

Passou a se chamar Cemitério Nossa Senhora do Carmo a partir da lei municipal nº 96, de 18.02.1950.

O túmulo mais famoso é o de Augusto dos Anjos, o poeta paraibano falecido em Leopoldina em 1914.

14 – Irradiação – parte 1

O Trem de História volta aos trilhos da Imprensa em Leopoldina no final do século XIX e fala hoje do jornal “Irradiação”, o mais claramente político dos periódicos de Leopoldina daquela época.

Sua história começa pela informação de Xavier da Veiga, em “A Imprensa em Minas Gerais” de que a sua primeira edição tem a data de 25 de fevereiro de 1888 e sabe-se que ele sobreviveu até 1890. Isto é, nasceu alguns meses antes da assinatura da Lei que regulamentou uma prática que já ocorria em Leopoldina desde o início da década: a da libertação de escravos. Circulou até um pouco além da Proclamação da República.

Este jornal era de propriedade das filhas de seu redator, Theophilo Domingues Alves Ribeiro, advogado natural de Aracati, no Ceará, que foi sócio da Cia Engenho Central Aracaty, localizada nas proximidades da Estação de Vista Alegre, no município de Leopoldina, onde se beneficiava a cana de açúcar.

Em 1890 Theofilo foi eleito presidente da Companhia Vila Rica, em Ouro Preto e vendeu o jornal para Sérvulo Fontes & Barreto e não se sabe se o periódico continuou em circulação.

Infelizmente não foi possível analisar os primeiros 39 números deste jornal por não terem sido preservados. Mas da leitura das edições encontradas na Biblioteca Nacional se constata ter sido o único jornal de Leopoldina a se enquadrar na hipótese de Nélson Werneck Sodré a respeito da disseminação das ideias republicanas. Em todas as nove edições compulsadas há notícia do partido. E o próprio subtítulo indica que a folha era um órgão republicano. Mas além desta posição, assim como os demais periódicos este também aceitava colaborações literárias como as de Davi Madeira e Dilermando Cruz que, ainda estudantes do Ateneu Leopoldinense, publicavam ali as suas poesias, conforme relata Cassio de Rezende em “Memórias de um Médico”.

Importante esclarecer que as ideias republicanas atraiam leopoldinenses há alguns anos, não sendo uma consequência do fim da escravidão por decreto, como o senso comum acreditava.

Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em seu livro “Minhas Recordações”, conta que no final de 1864 adquiriu a fazenda Córrego da Onça e a crismou com o nome de Filadélfia, “a grande cidade em que se proclamou a primeira das repúblicas americanas para recordar essa república pela qual vivia sempre a suspirar”. E disse mais: “razão porque os meus últimos filhos se chamaram Cássio, Flamínio e Manlio, grandes republicanos dos bons tempos de Roma”.

Como Rezende, outros republicanos viveram em Leopoldina antes de 1889. Embora não se tenha indícios claros a respeito da convicção republicana de todos os colaboradores do jornal Irradiação, é de se supor que se não o fossem não teriam aceitado o convite de um jornal que veio a luz com o objetivo de divulgar as vantagens deste sistema de governo. O fato torna-se mais sugestivo quando observamos na lista de colaboradores da coluna Literatura e Ciências, nomes de notórios opositores da monarquia. Nela estão, por exemplo: Antônio Augusto de Lima (Juiz Municipal em Leopoldina, depois Promotor Público em Serra-ES, Presidente de Minas em 1891, Poeta, Membro da Academia Brasileira de Letras em 1903); C. Drummond (há um literato com este sobrenome em jornais republicanos do Rio); Custódio de Almeida Magalhães (Advogado em Leopoldina); Estevam Lobo; Luiz de França Vianna (advogado em Leopoldina, concunhado do redator deste jornal); J. Lobo; José James Zig Zag (farmacêutico e oficial do judiciário em Leopoldina); Martiniano de Souza Lintz (Advogado, Juiz Municipal e Professor em Leopoldina); Octavio Esteves Ottoni (médico e político em Leopoldina); Theophilo A. Rodrigues; e, Vaz Pinto (nesta época existia no Rio um juiz federal, republicano, chamado Henrique Vaz Pinto Coelho).

É certo que esta lista não esgota os nomes de republicanos em Leopoldina. Outros tantos opositores da monarquia, menos conhecidos, também colaboraram com o jornal e escreveram em defesa dos ideais republicanos. Mas extrapolou a capacidade do vagão de hoje e o assunto precisa continuar. Resta, então, controlar a lenha na caldeira para que o Trem de História tenha tempo para organizar a carga e continuar falando sobre o mesmo jornal, no início do próximo ano. Até lá, um Feliz Natal e Próspero Ano Novo a todos.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de dezembro de 2014

Parte X de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Família Gonçalves Neto

Estudo sobre uma das famílias povoadoras dos atuais municípios de Recreio e Leopoldina

Os Processos de Habilitação

Com o subtítulo Fontes para a história social do século XVIII luso-brasileiro, Aldair Carlos Rodrigues publicou no primeiro número da Revista de Fontes, do Departamento de História da Unifesp um artigo em que

“busca evidenciar as potencialidades dos processos de habilitação enquanto fontes para a história social do século XVIII luso-brasileiro. Serão enfocadas três tipologias: habilitações para ordens sacras, habilitações do Santo Ofício e habilitações da Ordem de Cristo. Num primeiro momento, o trabalho apresenta a estrutura geral de cada uma delas, descrevendo as suas etapas e os requisitos que apuravam. Em seguida, procura compreender suas funções e seus significados na ordem social do Antigo Regime. Por fim, aponta os cuidados metodológicos que devem ser tomados na recolha, tratamento e análise das informações contidas na documentação.”

O autor trata de um assunto nem sempre muito bem compreendido pelos pesquisadores leigos. Entre outras passagens interessantes, destacamos:

“Em síntese, além da limpeza de sangue, outros dois requisitos difíceis de ser transpostos eram cobrados nas provanças para alguém se tornar cavaleiro da Ordem de Cristo. Um deles era que os candidatos tivessem prestado serviços à Coroa, a qual, como recompensa/remuneração, concedia a mercê do hábito de Cristo.

Depois de concedido o hábito e tendo a mercê sido registrada no Registro Geral de Mercês, para serem armados Cavaleiros, os súditos deveriam passar pela habilitação da Mesa de Consciência e Ordens. Os candidatos precisavam provar que não possuíam “defeito de mecânica”, ou seja, que não tinham vivido do trabalho de suas próprias mãos, exigência esta estendida também aos pais e avós dos candidatos.”

Leia o artigo na íntegra neste endereço.

Educação Patrimonial em Leopoldina

Dando continuidade ao projeto, a equipe convida para o lançamento, no próximo dia 12 de dezembro, do manual de capacitação de monitores.

Livreto para capacitação de monitores

Há 100 anos

Leopoldinenses nascidos em dezembro de 1914

Lindolfo 2-dez filho de Lindolfo Augusto T Pinheiro e de Guiomar de Lacerda
Nair 4-dez filha de Secundino Antonio d Oliveira e de Josefina Martins dos Santos
Rosa Farinazzo 6-dez filha de Giacomo Farinazzo e de Elisabetta Saggioro
Eunice 10-dez filha de José de Sales Nogueira e de Júlia de Vargas Ferreira Brito
Francisco 11-dez filho de Francisco de Souza Lima e de Ana Ferreira de Almeida
Paulo 13-dez filho de Nestor Capdeville e de Luiza Erminia Botelho
José 18-dez filho de Luiz Henrique Delfim e Silva e de Marfisa Nogueira
Omar 25-dez filho de Francisco Elizio Bento da Rocha e de Laura Ferreira de Andrade
Alice 26-dez filha de Virgilio de Souza Nogueira e de Suzana Narcisa de Jesus
Olga 26-dez filha de Joaquim Soares da Silva e de Natalina Monteiro Lobo
Estefania 27-dez filha de Pedro José de Moraes e de Joana Maria de Jesus
Cornélia Almeida 30-dez filha de Cornélio Antonio de Almeida e de Etelvina Caetano de Oliveira

Augusto dos Anjos por Júlio Caboclo

O Trem de História continua nos trilhos das Homenagens pelo Centenário da Morte de Augusto dos Anjos. Hoje, trazendo no vagão mais um pouco da história e a visão de um dos maiores divulgadores e grande incentivador do culto à obra do poeta paraibano: o professor e poeta Júlio Ferreira Caboclo, em suas aulas no Ginásio Leopoldinense e nas matérias publicadas em diversos jornais e revistas.

De início é bom lembrar que a história de Júlio Caboclo como professor, embora ainda incompleta, parece ter tido início quando desembarcou no Rio de Janeiro, com aproximadamente vinte anos em busca de “uma colocação”, conforme declarou à Polícia Política de Minas Gerais anos mais tarde.

Ainda conforme declarado à Polícia, poucos meses depois conseguiu emprego de professor no Colégio Ítalo-Brasileiro, de Santo Antônio de Pádua, RJ e por volta de 1922 passou a lecionar no então Ginásio Leopoldinense.

E em Leopoldina Júlio Caboclo passou a estimular o culto à obra e à pessoa de Augusto dos Anjos. De tal modo o fez, que se tornou uma figura indissociável da trajetória de Augusto dos Anjos entre a juventude leopoldinense. Os textos que produziu sobre o “rapaz de cérebro de ouro” conforme escreveu na seção Caixilhos, da Fon-Fon de 30 de outubro de 1926, o confirmam.

Além disto, no ano anterior, mais precisamente no dia 25 de junho de 1925, foi Júlio quem ajudou a fundar o Grêmio Lítero-Artístico Augusto dos Anjos, segundo a Revista Brasil Progresso, do Rio de Janeiro, edição de setembro 1925, do qual foi o primeiro presidente. E foi com o apoio dele que, para comemorar o décimo segundo aniversário de morte de Augusto dos Anjos, em 1926, o Grêmio promoveu uma romaria ao túmulo e uma sessão solene que incluiu a denominada Missa de Arte, na qual falaram vários oradores, entre os quais Erymá Carneiro (então acadêmico de Direito), Gerardo Majella Bijos, Antônio Pedro Braga, Francisco Eufrosino dos Santos e outros estudantes do Curso de Farmácia do Ginásio Leopoldinense.

Vale recordar que, naquela época, algumas pessoas do grupo acima citado lançaram a ideia de transferir as cinzas de Augusto dos Anjos para a sua terra natal, na Paraíba. Mas esta ideia não recebeu apoio da maioria, ficando sem efeito a proposta de buscar ajuda política para realizar o intento. Tal atitude, entretanto, parece ter sido estimulante no sentido de fazer nascer entre os leopoldinenses um maior apreço pelo poeta que tão pouco tempo viveu na cidade, mas que se tornou parte integrante da nossa história.

Fato curioso é que a notícia sobre as homenagens pelo décimo segundo aniversário de morte de Augusto dos Anjos, que saiu no jornal O Brasil, de 17 de outubro de 1926, traz alguma semelhança com os diversos eventos que foram realizados em vários novembros desde que o poeta passou para outra esfera. A própria celebração de missa com acompanhamento de cânticos sacros, organizada em 1926, tendo à frente Júlio Caboclo, foi uma ideia que se tentou reviver com a Missa em Latim deste ano do centenário de morte.

Antes, em 1924, em homenagem ao décimo ano de falecimento, segundo o periódico O Brasil, do Rio de Janeiro, edição de 22 de novembro de 1924, Júlio Ferreira Caboclo fizera publicar um texto que permanece desconhecido por especialistas da atualidade em função de ter saído com um erro de impressão no nome do autor, corrigido em nota da edição seguinte, onde afirmava:

“Augusto dos Anjos pertencia ao número dessas naturezas singulares cuja imperfeição procede de uma posse incompleta de si mesmas, mas pela razão de que nelas essa posse se torna mais difícil e tardia dos que nos casos mais comuns. Elas são o inédito propriamente dito; para se revelarem passam por todas as torturas e incertezas, todos os erros e descaminhos dos que vêm para descobrir um novo mundo.”

Palavras que nos trazem um pouco da dimensão que o poeta do EU deixou em Júlio Ferreira Caboclo que, por sua vez, impressionou não só os alunos em quem estimulou o culto da obra de Augusto dos Anjos como a nós, que quase cem anos depois nos debruçamos sobre os textos que escreveu e nos sentimos como Miguel Torga tão bem expressou: “Embora de carne e osso, parecia-nos mitológico”.

O Trem de História precisa terminar por aqui. E com ele encerrar a série de artigos em comemoração ao centenário da morte do poeta paraibano. Mas se for do interesse do leitor conhecer um pouco mais sobre o Poeta da Morte e sobre o seu grande divulgador, fica a sugestão para uma visita ao Museu Espaço dos Anjos, ali na Rua Cotegipe, onde morou Augusto dos Anjos. Porque ali se pode compulsar o material disponível sobre Augusto dos Anjos e Júlio Ferreira Caboclo e conhecê-los ainda melhor. No próximo Jornal o Trem de História retornará aos trilhos da Imprensa em Leopoldina e espera continuar contando com a atenção de seus leitores. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de dezembro de 2014

Júlio Caboclo, o divulgador do poeta.

O Trem de História de hoje continua correndo os trilhos do Centenário de Augusto dos Anjos. Agora para falar um pouco sobre o professor Júlio Ferreira Caboclo, um dos grandes divulgadores e incentivadores do culto à obra de Augusto dos Anjos, seja em sala de aula ou escrevendo matérias para jornais e revistas.

Júlio Ferreira Caboclo que, segundo seu título de eleitor nasceu em 25.09.1901 em Manaus, AM, era filho de José Liberato Ferreira Caboclo e Maria Eliza Ferreira e sua história começa a ficar mais conhecida a partir do momento em que foi admitido como professor em Santo Antônio de Pádua, RJ.

De Pádua ele se transferiu para Leopoldina, por volta de 1922, onde passou a lecionar português, francês, geografia e história no então Ginásio Leopoldinense e foi descrito por Miguel Torga, poeta e médico português que foi seu aluno no Ginásio Leopoldinense, como sendo: “todo teso, pequenino, a ensinar os verbos franceses, metido no colarinho engomado, com as entradas do cabelo mais subidas ainda”.

Foi um dos fundadores e presidente do Grêmio Litero-Artístico Augusto dos Anjos, em 23.06.25, em Leopoldina, segundo o jornal O Paiz de 20 de agosto e a Revista Brasil Progresso na edição de setembro do mesmo ano, ambas as publicações do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina Caboclo conheceu Esther Fialho, viúva de Augusto dos Anjos e com ela se casou em 16 de agosto de 1923, em Leopoldina.

Vale lembrar que, ao se casar com Júlio, Esther Fialho tinha um casal de filhos, Glória e Guilherme Augusto, do seu casamento com Augusto dos Anjos. Com Júlio teve as filhas: Selma, nascida em 1924 e Elida em 1925, ambas nascidas em Leopoldina e, Maria Elisa, em São João Nepomuceno, nascida em 21.05.31 e falecida em 06.06.31, quatro dias depois da morte de Esther Fialho.

Viúvo, com duas filhas menores e dois enteados do primeiro casamento de Esther, Júlio casou-se segunda vez com Lygia de Macedo Cerqueira em 21.06.33 em São João Nepomuceno, e com ela teve as filhas Guaynubi em 1934 e Apalaís em 1936, nascidas em Nova Friburgo, e o filho Júlio César Cerqueira Caboclo nascido em São João Nepomuceno em 1943.

Em 1938, em carta resposta enviada de São Paulo ao amigo Blair de Abreu, residente em São João Nepomuceno, Júlio Caboclo se mostra um homem angustiado, acossado, com saudades da mulher e das filhas e se declara uma pessoa “incontentável, que nasceu fora da época ou, noutros intermúndios”. Na mesma carta declara ainda ter ido “à missa pela manhã” e completa: “Reconciliei-me com a igreja. Estou feliz e satisfeito com a consciência. Posso lançar o brado para a grande batalha. Numa das mãos o sigma. Na outra a Cruz de Cristo”.

Membro da Ação Integralista Brasileira, cujas atividades foram proibidas pelo Decreto-Lei nº 37, no rastro dos efeitos da Constituição Brasileira conhecida como Polaca, promulgada a 10.11.37, Júlio Ferreira Caboclo era um verdadeiro soldado sempre pronto para a batalha. Foi preso e perseguido político.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2014

Há 100 anos

Leopoldinenses nascidos em novembro de 1914

Luzia                                1 nov 1914                filha de Abilio Moroni e de Ema Metilde Lupatini

Maria Santina                    1 nov 1914                filha de Egidio Sangirolami e de Pierina Mariana Borella

Joaquim                           5 nov 1914                filho de Joaquim Gama de Castro Lacerda e de Maria da Conceição Monteiro de Barros

Silvio Bedin                      6 nov 1914                filho de Gioacchino Bedin e de Angelina Sardi

Maria                                7 nov 1914                filha de João Evangelista F Neto e de Francisca Ramos de Melo

Marilia                              9 nov 1914                filha de Belizario Augusto Soares de Souza Filho e de Abigail Botelho Reis

Lourival Vieira d Oliveira    9 nov 1914                filho de Francisco Vieira de Oliveira e de Maria de Assis Pereira

Antonio                            14 nov 1914              filho de Galdino Cipriano de Carvalho e de Maria Silvana Soares

Caetano Zamboni             15 nov 1914              filho de Domenico Zamboni e de Assunta Campana

Gumercindo                      18 nov 1914              filho de Virgilio Garcia de Matos e de Virgilina Machado

Tereza                              21 nov 1914              filha de Francesco Zamboni e de Ursula Pagano

Vanor                               22 nov 1914              filho de Joaquim Martins de Almeida e de Laura Francisca Oliveira

Francisca                         25 nov 1914              filha de Jorge Elmaes e de Rosaria Maiello

Angelina                           27 nov 1914              filha de Paolo Samorè e de Carolina Honória de Jesus

Francisco                         27 nov 1914              filho de Custodio de Vargas Coimbra e de Maria das Dores Fontes

Centenário de Morte de Augusto dos Anjos – II

A FAMÍLIA DO POETA

Trilhando ainda pelas terras da Paraíba, o Trem de História recolhe os retalhos de um imaginário proclama do casamento realizado a 04 de junho de 1910, na residência da mãe da noiva, em João Pessoa (PB), na Rua Duque de Caxias, onde se uniram Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho, e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos com a senhorita Esther Fialho, que adotou o nome de Esther Fialho Rodrigues dos Anjos, filha de Agnello Candido Lins Fialho e Michelina Amelia Monteiro Fialho, conforme certidão extraída do livro 9, casamentos, fls. 310-312, termo 1412, do Cartório de Registro Civil de João Pessoa (PB).

Ele nascido a 20 de abril de 1884 no Engenho do Pau D’Arco, e batizado no dia 27 de fevereiro de 1885 na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu, PB e ela nascida no dia 21 de novembro de 1887 e batizada aos 22 de fevereiro de 1888 em João Pessoa (PB).

Foram testemunhas do casamento civil: Arthur de Carvalho Rodrigues dos Anjos (29 anos), promotor público e irmão do noivo; Rômulo de Magalhães Pacheco (27 anos) e sua esposa Olga Fialho Pacheco, irmã da noiva; Orestes de Azevedo Cunha (54 anos); Joaquina Monteiro da Cunha; e, Maria José Fernandes dos Anjos.

Assinaram, também, Francisco Xavier Júnior; Aprigio de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; Alfredo de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo e que veio a ser Juiz Municipal em Carmo do Paranaíba (MG); José Antonio de Figueiredo; Carlos de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; e, Brazilino Pereira Luiz Wanderley Filho.

Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho nasceu em 09.05.1850 no Recife (PE) e faleceu 13.01.1905, segundo o Jornal A Província de 17.01.1905, página 2. Era filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e Francisca Augusta Xavier Camello Pessoa. Casou-se com Córdula Fernandes de Carvalho, nascida em 25.08.1855 e falecida em 04.08.1933, em João Pessoa (PB), filha de João Antonio Fernandes de Carvalho e Juliana Ludugério no dia 09.10.1875 no Recife (PE). Alexandre Filho bacharelou-se em direito, no Recife, em 1872. Segundo o obituário publicado no jornal A Província, do Recife, “logo que se formou exerceu os cargos de promotor público em Granja (CE), depois, em Aracahú (Aracati?) (CE), em Atalaya (AL), em Pedra de Fogo (PB) e, Juiz Municipal em Ipú (CE)”. Todos estes cargos desempenhados com proficiência e honestidade. Posteriormente deixou a magistratura e passou a dedicar-se à vida de agricultor. Sua esposa, Córdula, em 1899 era proprietária de Engenho de Açúcar, na Paraíba.

Augusto e Esther geraram três filhos. O primeiro deles morreu prematuro, aos sete meses. A segunda, Glória, nascida no Rio de Janeiro (RJ) e falecida em 10.10.1977 na mesma cidade. Foi casada com Antonio Cruz e o casal não deixou descendentes.

O terceiro, Guilherme, segundo o Arquivo da Diocese de Leopoldina, livro de batismos no 15, fls. 55, termo 5, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de junho de 1912 e foi batizado em Leopoldina (MG), no dia 05 de janeiro de 1915. Casou-se com Carmen Pena.

Ainda conforme o Arquivo da Diocese de Leopoldina, os padrinhos de Guilherme foram o senhor Joel Esdras Lins Fialho representado pelo Dr. Rômulo de Magalhães Pacheco e Michelina Amélia Monteiro Fialho, avó materna. Registre-se que o batizado de Guilherme ocorreu após a morte do pai e que o seu padrinho foi representado pelo marido da tia materna, Olga Fialho.

Augusto dos Anjos, como é bem sabido, faleceu em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914. Quase nove anos após enviuvar, Esther se casou com o professor Júlio Ferreira Caboclo no dia 16 de agosto de 1923, em Leopoldina. Deste segundo casamento teve três filhas: Selma, Elisa e Maria Elisa que faleceu com 15 dias de idade.

Mas a continuação do assunto virá em outra viagem do Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2014