Júlio Caboclo, o divulgador do poeta.

Marca da Coluna Trem de História

O Trem de História de hoje continua correndo os trilhos do Centenário de Augusto dos Anjos. Agora para falar um pouco sobre o professor Júlio Ferreira Caboclo, um dos grandes divulgadores e incentivadores do culto à obra de Augusto dos Anjos, seja em sala de aula ou escrevendo matérias para jornais e revistas.

Júlio Ferreira Caboclo que, segundo seu título de eleitor nasceu em 25.09.1901 em Manaus, AM, era filho de José Liberato Ferreira Caboclo e Maria Eliza Ferreira e sua história começa a ficar mais conhecida a partir do momento em que foi admitido como professor em Santo Antônio de Pádua, RJ.

De Pádua ele se transferiu para Leopoldina, por volta de 1922, onde passou a lecionar português, francês, geografia e história no então Ginásio Leopoldinense e foi descrito por Miguel Torga, poeta e médico português que foi seu aluno no Ginásio Leopoldinense, como sendo: “todo teso, pequenino, a ensinar os verbos franceses, metido no colarinho engomado, com as entradas do cabelo mais subidas ainda”.

Foi um dos fundadores e presidente do Grêmio Litero-Artístico Augusto dos Anjos, em 23.06.25, em Leopoldina, segundo o jornal O Paiz de 20 de agosto e a Revista Brasil Progresso na edição de setembro do mesmo ano, ambas as publicações do Rio de Janeiro.

Em Leopoldina Caboclo conheceu Esther Fialho, viúva de Augusto dos Anjos e com ela se casou em 16 de agosto de 1923, em Leopoldina.

Vale lembrar que, ao se casar com Júlio, Esther Fialho tinha um casal de filhos, Glória e Guilherme Augusto, do seu casamento com Augusto dos Anjos. Com Júlio teve as filhas: Selma, nascida em 1924 e Elida em 1925, ambas nascidas em Leopoldina e, Maria Elisa, em São João Nepomuceno, nascida em 21.05.31 e falecida em 06.06.31, quatro dias depois da morte de Esther Fialho.

Viúvo, com duas filhas menores e dois enteados do primeiro casamento de Esther, Júlio casou-se segunda vez com Lygia de Macedo Cerqueira em 21.06.33 em São João Nepomuceno, e com ela teve as filhas Guaynubi em 1934 e Apalaís em 1936, nascidas em Nova Friburgo, e o filho Júlio César Cerqueira Caboclo nascido em São João Nepomuceno em 1943.

Em 1938, em carta resposta enviada de São Paulo ao amigo Blair de Abreu, residente em São João Nepomuceno, Júlio Caboclo se mostra um homem angustiado, acossado, com saudades da mulher e das filhas e se declara uma pessoa “incontentável, que nasceu fora da época ou, noutros intermúndios”. Na mesma carta declara ainda ter ido “à missa pela manhã” e completa: “Reconciliei-me com a igreja. Estou feliz e satisfeito com a consciência. Posso lançar o brado para a grande batalha. Numa das mãos o sigma. Na outra a Cruz de Cristo”.

Membro da Ação Integralista Brasileira, cujas atividades foram proibidas pelo Decreto-Lei nº 37, no rastro dos efeitos da Constituição Brasileira conhecida como Polaca, promulgada a 10.11.37, Júlio Ferreira Caboclo era um verdadeiro soldado sempre pronto para a batalha. Foi preso e perseguido político.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de novembro de 2014

Centenário de Morte de Augusto dos Anjos – II

Coluna Trem de História no jornal Leopoldinense

A FAMÍLIA DO POETA

Trilhando ainda pelas terras da Paraíba, o Trem de História recolhe os retalhos de um imaginário proclama do casamento realizado a 04 de junho de 1910, na residência da mãe da noiva, em João Pessoa (PB), na Rua Duque de Caxias, onde se uniram Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho, e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos com a senhorita Esther Fialho, que adotou o nome de Esther Fialho Rodrigues dos Anjos, filha de Agnello Candido Lins Fialho e Michelina Amelia Monteiro Fialho, conforme certidão extraída do livro 9, casamentos, fls. 310-312, termo 1412, do Cartório de Registro Civil de João Pessoa (PB).

Ele nascido a 20 de abril de 1884 no Engenho do Pau D’Arco, e batizado no dia 27 de fevereiro de 1885 na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu, PB e ela nascida no dia 21 de novembro de 1887 e batizada aos 22 de fevereiro de 1888 em João Pessoa (PB).

Foram testemunhas do casamento civil: Arthur de Carvalho Rodrigues dos Anjos (29 anos), promotor público e irmão do noivo; Rômulo de Magalhães Pacheco (27 anos) e sua esposa Olga Fialho Pacheco, irmã da noiva; Orestes de Azevedo Cunha (54 anos); Joaquina Monteiro da Cunha; e, Maria José Fernandes dos Anjos.

Assinaram, também, Francisco Xavier Júnior; Aprigio de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; Alfredo de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo e que veio a ser Juiz Municipal em Carmo do Paranaíba (MG); José Antonio de Figueiredo; Carlos de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; e, Brazilino Pereira Luiz Wanderley Filho.

Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho nasceu em 09.05.1850 no Recife (PE) e faleceu 13.01.1905, segundo o Jornal A Província de 17.01.1905, página 2. Era filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e Francisca Augusta Xavier Camello Pessoa. Casou-se com Córdula Fernandes de Carvalho, nascida em 25.08.1855 e falecida em 04.08.1933, em João Pessoa (PB), filha de João Antonio Fernandes de Carvalho e Juliana Ludugério no dia 09.10.1875 no Recife (PE). Alexandre Filho bacharelou-se em direito, no Recife, em 1872. Segundo o obituário publicado no jornal A Província, do Recife, “logo que se formou exerceu os cargos de promotor público em Granja (CE), depois, em Aracahú (Aracati?) (CE), em Atalaya (AL), em Pedra de Fogo (PB) e, Juiz Municipal em Ipú (CE)”. Todos estes cargos desempenhados com proficiência e honestidade. Posteriormente deixou a magistratura e passou a dedicar-se à vida de agricultor. Sua esposa, Córdula, em 1899 era proprietária de Engenho de Açúcar, na Paraíba.

Augusto e Esther geraram três filhos. O primeiro deles morreu prematuro, aos sete meses. A segunda, Glória, nascida no Rio de Janeiro (RJ) e falecida em 10.10.1977 na mesma cidade. Foi casada com Antonio Cruz e o casal não deixou descendentes.

O terceiro, Guilherme, segundo o Arquivo da Diocese de Leopoldina, livro de batismos no 15, fls. 55, termo 5, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de junho de 1912 e foi batizado em Leopoldina (MG), no dia 05 de janeiro de 1915. Casou-se com Carmen Pena.

Ainda conforme o Arquivo da Diocese de Leopoldina, os padrinhos de Guilherme foram o senhor Joel Esdras Lins Fialho representado pelo Dr. Rômulo de Magalhães Pacheco e Michelina Amélia Monteiro Fialho, avó materna. Registre-se que o batizado de Guilherme ocorreu após a morte do pai e que o seu padrinho foi representado pelo marido da tia materna, Olga Fialho.

Augusto dos Anjos, como é bem sabido, faleceu em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914. Quase nove anos após enviuvar, Esther se casou com o professor Júlio Ferreira Caboclo no dia 16 de agosto de 1923, em Leopoldina. Deste segundo casamento teve três filhas: Selma, Elisa e Maria Elisa que faleceu com 15 dias de idade.

Mas a continuação do assunto virá em outra viagem do Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2014