Descendentes de José de Rezende Montes

Atualização da pesquisa genealógica deste tronco, encabeçado pelo décimo segundo filho do povoador Bernardo José Gonçalves Montes.

1 José de Rezende Montes b: 1843

… + Tereza Joaquina de Jesus

……2 José Carlos de Rezende Montes b: Abt. 30 out 1865 in Piacatuba, Leopoldina, MG

……  + Petronilha de Oliveira Pires m: 09 fev 1891 in Providência, Leopoldina, MG

………3 José b: 22 ago 1892 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Ricardina b: 01 out 1894 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Regina b: 22 fev 1895 in Leopoldina, MG

………3 Alberto b: jan 1897 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Maria b: 15 out 1898 in Leopoldina, MG

………3 Eugenio b: 15 abr 1907 in Leopoldina, MG

………3 Sebastião b: 08 fev 1910 in Leopoldina, MG

……2 Moysés de Rezende Montes b: 12 dez 1867 in Piacatuba, Leopoldina, MG, d: 14 jan 1935 in Leopoldina, MG

……  + Baldoina Brasilina de Oliveira d: Aft. 1935

………3 Maria b: 25 dez 1893 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Ercilia de Rezende Montes b: 29 ago 1895 in Providência, Leopoldina, MG

……… + Biaggio Conti b: Abt. 1893 in Maratea, Potenza, Basilicata, Italia, m: 22 jun 1925 in Leopoldina, MG

………3 Aristóbolo b: 01 mai 1898 in Leopoldina, MG; São Lourenço

………3 Julieta b: 16 jun 1900 in Leopoldina, MG

………3 Francisca b: 23 abr 1902 in Leopoldina, MG

………3 Luiza Montes b: 19 ago 1911 in Leopoldina, MG, d: 10 set 2002 in Leopoldina, MG

……… + Murilo Rodrigues Pinto b: 28 set 1907 in Leopoldina, MG, m: 07 fev 1929 in Leopoldina, MG, d: 13 abr 1987 in Leopoldina, MG

…………4 Maria Luiza Pinto b: 26 jan 1955 in Leopoldina, MG

………… + José Antonio da Silva Oliveira b: in Recreio, MG, m: in Leopoldina, MG

……………5 Leonardo Pinto Oliveira b: 26 jun 1975 in Leopoldina, MG

  • Marcilene da Silva Almeida b: in Leopoldina, MG, m: in Leopoldina, MG
  • Fernanda Pinto Oliveira b: in Leopoldina, MG
    • Leonardo Rodrigues b: in Leopoldina, MG, m: in Leopoldina, MG

………………6 Thaíssa Oliveira Rodrigues b: in Leopoldina, MG

……………5 Leandro Pinto Oliveira b: in Leopoldina, MG

………3 Mogarino Rezende Montes b: Abt. 1916, d: 04 jul 1919 in Leopoldina, MG

………3 Dinalda b: 03 jun 1919 in Leopoldina, MG

………3 Geraldina b: 06 jan 1914 in Leopoldina, MG

……2 Querina Matilde de Oliveira Montes b: 04 jun 1869 in Leopoldina, MG

……  + Emilio Carlos de Oliveira b: 15 jan 1864 in Leopoldina, MG, m: 12 out 1888 in Leopoldina, MG

………3 Horacio b: 05 fev 1890 in Leopoldina, MG

………3 Clotildes b: 25 jul 1891 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Maria Tereza Montes b: 26 mai 1893 in Providência, Leopoldina, MG

………  + Virgilio José Ferraz b: Abt. 1884, m: 26 dez 1912 in Leopoldina, MG

…………4 Gasparina b: 22 set 1913 in Leopoldina, MG

…………4 Querina b: 22 set 1918 in Leopoldina, MG

…………4 Geralda b: 13 nov 1920 in Leopoldina, MG

………3 Perciliano Carlos de Oliveira b: 11 mai 1895 in Providência, Leopoldina, MG

………  + Eliza Rodrigues dos Santos m: 03 nov 1917 in Leopoldina, MG

………3 Graziela b: 23 fev 1897 in Providência, Leopoldina, MG

………3 Olivia Eulália de Oliveira b: 09 dez 1898 in Providência, Leopoldina, MG

……… + Alfredo Fontanella b: Abt. 1895 in Strona, Biella, Torino, Piemonte, Italia, m: 09 dez 1916 in Leopoldina, MG

…………4 Antonio Fontanella b: 04 ago 1917 in Leopoldina, MG

…………4 Augusto Fontanella b: 30 mai 1919 in Leopoldina, MG

………3 João b: 1900 in Leopoldina, MG

………3 Sebastião Carlos de Oliveira b: Abt. 1900, d: 09 ago 1917 in Leopoldina, MG

………3 Honorina b: 08 out 1904 in Leopoldina, MG

………3 Enelice b: 24 nov 1905 in Leopoldina, MG; São Lourenço

………3 Francisco b: 05 fev 1907 in Leopoldina, MG

………3 Maria Ana b: Abt. 1908 in Leopoldina, MG

………3 Antonio b: 10 jan 1909 in Leopoldina, MG

………3 Virgilio b: 05 mar 1911 in Leopoldina, MG

………3 Lourença b: 16 mai 1912 in Leopoldina, MG

………3 Adeodato b: 16 set 1917 in Leopoldina, MG

……2 Belarmino G. de Rezende b: Abt. jun 1871 in Piacatuba, Leopoldina, MG, d: 12 ago 1912 in Leopoldina, MG

……2 Auriel de Rezende Montes b: 02 nov 1874 in Piacatuba, Leopoldina, MG

……  + Ambrosina Francisca Coelho dos Santos b: Oliveira, MG, m: 24 abr 1895 in Leopoldina, MG

………3 Tereza b: 18 jul 1901 in Leopoldina, MG; São Lourenço

………3 Sebastião b: 01 mai 1903 in Leopoldina, MG

………3 Arina b: 08 dez 1906 in Leopoldina, MG

………3 Graziela b: 25 abr 1908 in Leopoldina, MG

……2 Honorina de Rezende Montes b: 08 jun 1876 in Piacatuba, Leopoldina, MG

……2 Leonidia de Rezende Montes b: Abt. 1879

…… + Albino Batista Fernandes b: Abt. 1878 in Coimbra, Portugal, m: 05 fev 1902 in Tebas, Leopoldina, MG

………3 Helena Montes Batista b: 05 ago 1907 in Leopoldina, MG, d: 28 jan 1949 in Rio de Janeiro, RJ

……… + José Augusto Cotta de Menezes Corte Real b: 20 abr 1867 in Ilha Terceira, Açores, Portugal, d: 12 jul 1946 in Cataguases, MG

…………4 Helena Corte Real b: in Cataguases, MG

…………  + José Raimundo Reis da Silva b: 22 jul 1938 in Parnaíba, PI, d: 28 mai 2011 in Brasília, DF

……2 Dulcimira Tereza de Rezende Montes b: 31 jul 1880 in Leopoldina, MG, d: 09 ago 1898 in Providência, Leopoldina, MG

…… + Abílio José Barbosa b: 25 mar 1874 in Piacatuba, Leopoldina, MG, m: 14 ago 1897 in Providência, Leopoldina, MG, d: 28 nov 1915 in Leopoldina, MG

………3 Abílio José Barbosa filho b: 19 jul 1898 in Leopoldina, MG; São Lourenço, d: 07 ago 1899 in Leopoldina, MG

……2 Otávio de Rezende Montes b: 30 mar 1882 in Leopoldina, MG

……  + Albina Clara Fernandes

………3 José Rezende Montes b: 04 set 1919 in Leopoldina, MG

………3 Albino Montes b: in Vista Alegre, Cataguases, MG

………  + Maria Denis Leite

…………4 Herminia Montes

………  + Jovercino Felix de Oliveira

…………4 Nice Helena

…………4 Carlos Augusto

…………4 Antonio Otavio

…………4 Helenice

…………4 Maria Lucia

…………4 Denise

…………4 Deise

…………4 Delizete

………3 Helena Montes

………3 Francisco Wilson Montes

………  + Maria Rodrigues

…………4 Wilmara Montes

…………4 Wilmar Montes

…………4 Wilma Montes

………3 Palimércio Montes

………  + Mariana Barcelos

…………4 Luiz Otavio Montes

…………4 Maria Luiza Montes

…………4 Fernando Montes

…………4 Marcio Montes

………3 Maria Tereza Montes

………3 Leonides Montes

………3 Sebastião Rezende Montes

………3 Belarmino Montes

………  + Maria do Carmo Melo

…………4 Carlos Henrique Montes

…………4 Maria Aparecida Montes

…………4 Manoel Messias Montes

…………4 Luiza Helena Montes

…………4 Agostinho Tadeu Montes

………3 Dolcemira Montes

……2 Erminio b: 01 mar 1885 in Leopoldina, MG

……2 Grasiella b: 14 fev 1887 in Leopoldina, MG

Agradecemos a colaboração de Albino Montes, Elizabeth Dorigo de Oliveira, Helena Corte Real, José Gabriel Couto Viveiros Barbosa e Rosa Oliveira,  que contribuíram com informações sobre as gerações mais recentes.

16 – Gazeta de Leste

Hoje o trem de história traz o primeiro periódico da cidade que utilizou o título GAZETA e que foi a Gazeta de Leste, lançada em 05.10.1890. Um periódico que trazia no subtítulo a informação de que era Órgão Popular.

De início é bom que se diga que a diferença entre o papel da gazeta e o do jornal não é claramente perceptível na imprensa de Leopoldina porque aqui os periódicos surgiram, como já foi dito em artigos anteriores, no último quartel do século XIX quando os conceitos já não eram tão estáticos. Mas de qualquer forma a Gazeta de Leste é um exemplo de periódico que se enquadraria no significado antigo de Gazeta, até porque especificava o recorte espacial ao qual se dedicaria.

Diga-se a este respeito que os estudiosos ensinam ser próprio das gazetas a inclusão, no nome do periódico, do lugar que seria objeto da publicação, enquanto jornais nem sempre o faziam.

Outro aspecto importante é a relação do proprietário com a localidade, assim como com a sociedade local, porque isto pode ser determinante para a linha editorial. No caso da Gazeta de Leste o redator e proprietário, José de Moura Neves Filho, embora natural de Valença, era engenheiro municipal em Leopoldina, nomeado no final de 1890, conforme o próprio jornal noticiou na sua edição de 20.12.1890, onde ele aparece também como primeiro imediato de Juiz de Paz.

Ressalte-se que ele era casado com Ambrosina Cândida, filha de José Antônio de Oliveira Martins que foi Agente do Correio e gerente desta Gazeta. Ambrosina, por sua vez, era irmã de Ricardo José de Oliveira Martins que trabalhou em outra Gazeta da cidade, foi Agente do Correio e esteve envolvido num imbróglio com redatores de outros jornais de Leopoldina. O problema era relativo ao atraso na entrega de telegramas que os jornais recebiam habitualmente e nos quais baseavam suas colunas de notícias nacionais e internacionais.

O editorial de lançamento, na edição de 05.10.1890, esclarece que a Gazeta de Leste estava “particularizada à parte oriental do Estado de Minas, [e tomaria] a defesa dessa rica e futurosa Zona”. Neste número foram publicadas notícias locais e nacionais (como uma que informa ter havido um duelo, no Rio de Janeiro entre dois jornalistas) destacando-se como novidade em relação aos outros jornais de Leopoldina o fato de publicar um Obituário. Além disto, este exemplar trazia ainda a transcrição do Decreto Federal sobre a secularização dos cemitérios, notas sociais, notícias internacionais, editais da justiça e uma lista de destinatários de cartas registradas de Leopoldina, provavelmente em razão do seu gerente ser Agente do Correio.

Na segunda edição da Gazeta de Leste chama a atenção um editorial sobre o suicídio de Arão Garcia de Mattos, no qual o redator manifesta-se contrário à posição da Igreja e de parte da imprensa, aquela por negar sepultamento ao suicida e esta por não colaborar quando se nega a noticiá-lo.

O terceiro número mantém o editorial na primeira página. Entre as notícias nacionais selecionadas para comporem o espaço, duas deixam perceber que o fator idade chamou a atenção do redator, já que uma delas é relativa à passagem para a reforma de um general de apenas 47 anos e a outra destaca a longevidade de uma portuguesa falecida na capital federal aos 114 anos.

O padrão da Gazeta de Leste se manteve na quarta edição, datada de 25.10.1890 e, portanto, mantendo a periodicidade semanal anunciada desde o primeiro número. E seguiu até a oitava, que foi uma edição especial em homenagem ao primeiro aniversário da Proclamação da República, mas trouxe notícias locais, nacionais, internacionais e anúncios classificados, como os outros jornais. As demais edições encontradas, a partir da nona, não são subsequentes e estendem-se apenas até maio de 1891, não se sabendo ao certo quando a Gazeta de Leste parou de circular.

Sabe-se que a sua linha editorial foi sempre a mesma, contrariando o conceito de que ao redator de uma gazeta não cabia exibir seus conhecimentos ou opiniões, mas apenas divulgar notícias que selecionasse em periódicos de outros centros ou trazidos pelo telégrafo, como ensina Maria Beatriz Nizza da Silva, no artigo A Imprensa Periódica na Época Joanina, inserido na obra Livros Impressos: Retratos dos Setecentos e dos Oitocentos, organizada por Lúcia Maria Bastos P. das Neves.

Como registro final vale lembrar que a mesma autora ensina que assuntos relativos à literatura, comércio e artes eram próprios de jornais e não de gazetas. Mas que ao longo do tempo os redatores foram modificando a linha editorial até que, no final do século XIX, eram comuns as publicações que ostentavam o título de gazetas, mas se assemelhavam mais ao formato de jornais. Como é o caso da Gazeta de Leste que, entretanto, não perde o seu valor de fonte de consulta.

E assim se completa o vagão de hoje e o Trem de História coloca mais lenha na caldeira para seguir viagem. Na próxima estação ele recolherá o vagão do periódico “A Leopoldina”.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de janeiro de 2015

Parte XII de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

O uso político da Conjuração Mineira

“Um dos ideais apresentados n’O Arauto de Minas era que os inconfidentes tinham lutado com afinco pela independência do Brasil, e mesmo tendo falhado, o germe de suas aspirações à liberdade tinha permanecido latente entre seus contemporâneos.”

Declaração de Augusto Henrique Assis Resende no artigo publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 4, N.2, Agosto-Dezembro de 2013.

Resumo: Esta pesquisa propõe analisar a maneira como políticos conservadores e republicanos do último quartel do século XIX utilizaram a imagem dos conjurados mineiros para legitimar seus ideais. Monarquistas e republicanos buscariam em um passado pouco conhecido de fato, a Conjuração Mineira, um alento e uma inspiração, respectivamente a seus projetos. Do lado monarquista, um jornal de São João del-Rei – O Arauto de Minas – ligado ao partido Conservador assume a tarefa de difundir entre seus leitores e correligionários a ideia da conectividade entre o elemento simbólico da Inconfidência Mineira e o Império Brasileiro. Tal associação era baseada nos difundidos pressupostos dos conjurados: independência e liberdade; e que foram concretizados em 1822. Relativo à República, A Patria Mineira, jornal da mesma cidade defende a suposta orientação republicana dos inconfidentes. Daí surge a vindoura associação entre os inconfidentes e o novo regime, que surgiria em 1889 e que faria destes um de seus mais importantes sustentáculos. Há ainda a utilização de um terceiro jornal desta cidade mineira, O Tribunal, que é utilizado para um contraponto das ideias apresentadas nos dois primeiros.

Leia aqui a íntegra do artigo.

Os Italianos

Estudo realizado no decorrer do projeto de pesquisa sobre a imigração em Leopoldina, este é o capítulo 4 do livro publicado em 2010, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina.

RODRIGUES, José Luiz Machado e CANTONI, Nilza. Imigração em Leopoldina: história da Colônia Agrícola da Constança. Leopoldina, MG: edição particular, 2010.

4. Os italianos

Pesquisar é buscar resposta para uma questão que surge no contato com um tema. De modo geral o processo tem início quando, ao procurar conhecimento sobre um assunto, o leitor se sente atraído por um aspecto não abordado pelas obras disponíveis. No caso de pesquisas historiográficas relativas ao resgate da memória de uma cidade, isto se torna mais claro porque o pesquisador resolve fazer a busca por não ter encontrado uma fonte suficiente para esclarecê-lo. Entretanto, nem sempre se percebe que o trabalho já começou. E a falta de um esboço pode acarretar uma desistência, já que não é possível prosseguir num trabalho de pesquisa sem haver clareza do problema, do objetivo, da justificativa e da metodologia que será utilizada.

Em outros momentos já foi declarado que o interesse pela imigração em Leopoldina surgiu no decorrer de estudo sobre as famílias que ali viveram no primeiro século de sua existência. Ao realizar um levantamento nos livros paroquiais, observou-se grande número de sobrenomes não portugueses entre os pais das crianças batizadas, os noivos e os padrinhos dos eventos ocorridos na paróquia entre 1872 e 1930. Quando encerrado aquele estudo, um outro foi iniciado e resultou no texto A Imigração em Leopoldina vista através dos Assentos Paroquiais de Matrimônio[I], no qual ficou demonstrado que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes, sendo 9% italianos e os demais, naturais de Portugal, Espanha, Síria, Açores, França, Ilhas Canárias, Egito e uma parte sem definição do país de origem.

Deste estudo nasceu a questão: quem eram estes imigrantes italianos?


4.1 Pensando a Pesquisa

A justificativa para realizar a busca foi facilmente delineada. Embora o senso comum reconheça que o centro urbano é habitado por grande número de descendentes de italianos, são desconhecidas iniciativas de valorização desta comunidade. A exceção é a representação que ocorre anualmente na Feira da Paz, evento em que os clubes de serviço promovem atividades festivas de congraçamento. Procurou-se por um representante da comunidade, sem sucesso. Órgãos representativos também não existiam. E as pessoas consultadas demonstraram nada saber sobre a chegada dos primeiros italianos e a trajetória daquelas famílias.

Ensina Michel de Certeau (2006, p. 77) que “a articulação da história com um lugar é a condição de uma análise da sociedade”. Os motivos que levam os pensadores a analisar uma sociedade são múltiplos. Mas para quem já se dedicava há tantos anos a buscar conhecimento sobre Leopoldina, uma certeza já se fixara. Sabia-se que a ordenação de informações resultaria em benefício para os moradores, na medida em que conhecer a própria origem dá ao ser humano a oportunidade de reconhecer-se no tempo e no espaço, realimentando sua própria identidade e abrindo um novo olhar para o mundo. Sendo assim, pretendeu-se analisar aquela sociedade a partir de um de seus elementos constitutivos: os imigrantes. O objetivo era oferecer aos conterrâneos uma informação cultural até então pouco discutida, qual seja o reconhecimento da presença dos descendentes de italianos em todas as atividades locais.

Ao ser esboçado o projeto, foi feito um levantamento das fontes passíveis de serem analisadas. Decidiu-se que os dados obtidos no levantamento dos livros paroquiais seriam comparados com os registros de entrada de estrangeiros; processos de registro dos que viviam no município por ocasião do Decreto 3010 de 1938[II]; livros de sepultamento; pagamento de impostos e tributos municipais; escrituras de compra e venda de imóveis; e notícias em periódicos locais.

Todo pesquisador sabe que é fundamental estabelecer um recorte temporal para tornar viável o empreendimento. Sabe, também, que é necessário estabelecer adequadamente o seu objeto de pesquisa. No caso em pauta, era aconselhável restringir o número de pessoas a serem estudadas. Entretanto, levantou-se a hipótese de variações em torno da lista de nomes identificados nos livros paroquiais. Desta forma, ficou estabelecido que seriam acrescentados os nomes que surgissem nos demais documentos disponíveis e que a citação em mais de uma fonte seria tomada como base para o reconhecimento do imigrante como residente em Leopoldina. Determinou-se que o período de análise corresponderia à segunda fase da história de Leopoldina, ou seja, entre 1880 e 1930.


4.2 Processo de Busca

Segundo o teórico francês Jacques Le Goff (1996), do passado é possível recuperar duas formas de memória: os monumentos e os documentos. Monumento é o que pode evocar o passado e permitir a recordação do vivido, como estátuas, construções e atos escritos. Assim como os monumentos entendidos nesta acepção, os documentos históricos são também monumentos, produzidos conscientemente para deixar registrado um momento, uma passagem ou uma forma de ordenamento social. O documento escrito é resultado da escolha de quem o produziu, baseado nas concepções vigentes ao seu tempo.

Acrescente-se o ensinamento de Michel de Certeau (2006, p.81) a respeito da produção de documentos pelo pesquisador. Ao iniciar um trabalho, é necessário separar o material e reordená-lo na forma adequada ao estudo que se pretende. Este movimento é designado como produção de documentos de pesquisa. Portanto, numa pesquisa historiográfica podem ser utilizados documentos históricos (monumentos) para se produzir documentos de pesquisa. O estudioso, segundo Michel de Certeau, não aceita simplesmente os dados, mas combina-os para constituir as fontes sobre as quais atuará.

Sobre este aspecto, recorde-se ainda que Ginsburg (1990) chama a atenção para o fato de que se deve dar prioridade à fonte original, procurando o que é peculiar e importante para reconstruir um acontecimento do passado de acordo com os objetivos do estudo que se realiza.

Tendo por base estas orientações, foram listados os nomes constantes das fontes encontradas, inicialmente relativos a um espaço de tempo mais amplo do que o recorte temporal especificado. Os livros paroquiais consultados foram os de batismo de 1852 a 1930 e os de casamentos de 1872 a 1930. Esta coleta permitiu estabelecer o período provável de entrada dos imigrantes entre 1875 a 1910, o qual determinou as buscas nas listas de passageiros e nos livros das hospedarias. Entretanto, só foi possível localizar registros de hospedarias entre 1888 e 1901. Quanto aos livros de sepultamento, só foram encontrados os do cemitério da sede municipal a partir de 1889. Por não terem sido localizados os livros relativos aos distritos, seria necessária uma busca pessoal em cada cemitério, correndo-se o risco de inúmeras falhas por não terem sido preservadas todas as lápides. Optou-se, então, por registrar apenas os óbitos localizados nas fontes textuais disponíveis. Da mesma forma, não houve sucesso na tentativa de levantamento intensivo dos registros de compra e venda de imóveis. O Cartório de Registro de Imóveis de Leopoldina permitiu, uma única vez, que se consultasse um arquivo com fichas descritivas. Outras informações do gênero foram obtidas em certidões gentilmente fornecidas por familiares, em processos de inventário, nos Relatórios da Colônia Agrícola da Constança e em notícias de jornais.

Uma outra fase do levantamento foi realizada no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. Ali foram encontrados alguns processos de registro dos estrangeiros que viviam em território nacional após 1940. Além disso, contou-se com a prestimosa colaboração do saudoso Luiz Raphael, que mantinha no Espaço dos Anjos um bom número de cópias de documentos deste gênero.


4.3 Análise dos Resultados

É reconhecida a impossibilidade de se retratar fielmente o passado, uma vez que, por mais que se controle a análise dos documentos, ela é sempre orientada pelo presente, ou seja, pela interpretação que o pesquisador é capaz de fazer dos vestígios que consegue recuperar. Destaque-se, a propósito, que Bloch (2001, p.73) chama a atenção para as características da observação, já que “o conhecimento de todos os fatos humanos no passado deve ser um conhecimento através de vestígios”. E indica a contribuição das testemunhas como fonte subsidiária para que o pesquisador volte no tempo se fazendo acompanhar de materiais fornecidos por gerações passadas. Entretanto, alerta, “o conhecimento do passado é uma coisa em progresso, que incessantemente se transforma e aperfeiçoa” (BLOCH, 2001, p. 75).

Assim é que, através de pistas fornecidas pelos colaboradores, foi possível fazer uma comparação entre as citações encontradas nas fontes. Inclusive, e isto é de enorme importância, entrevistas indicaram caminhos para se identificar transformações sofridas por grande número de sobrenomes italianos. Nunca será excessivo mencionar dois exemplos clássicos. Num deles, um italiano aparece no registro de estrangeiros como Severino Terceira, nome que dificilmente será original. O outro caso é o de Sancio Maiello que se transformou em Francisco Ismael.

Não foram poucos os casos em que um mesmo personagem apareceu com diversas formas de nomes. Somente após inúmeras comparações foi possível reuni-los sob um único sobrenome. Provavelmente muitos mais ainda o serão, quando outros estudiosos complementarem o estudo que ora se conclui.

Num destes casos, entre os batismos dos filhos encontramos as seguintes variações para o nome do pai: João, Jovão e Jovane. A mãe apareceu como Maria Amalia, Amalia, Adelia e Maria Adelia. Em nosso banco de dados tínhamos o casal Giovanni-Amabile. Considerando que os oito batismos indicaram que as crianças nasceram a um intervalo médio de 17 meses, e que a primeira criança nasceu 11 meses após o casamento dos pais, montamos o grupo familiar após verificar que os padrinhos das crianças incluíam sempre um dos avós.

Ao fazer uma revisão no livro de sepultamentos do cemitério de Leopoldina, percebemos que uma das crianças aparecia como filha de “Jordão”. Decidimos refazer outras buscas e consultas a familiares, tendo descoberto que existiu um Giordano na família. Este personagem passou ao Brasil antes dos pais, foi para o estado de São Paulo e só veio para Leopoldina muitos anos depois, já casado e com filhos. Além disso, faleceu em outro estado para onde seus filhos tinham migrado na década de 1920. Mais algumas consultas e aquele grupo familiar foi acrescido de mais 6 pessoas: Giordano, a esposa que também se chamava Amabile e 3 filhos homônimos dos primos nascidos em Leopoldina.

O segundo exemplo é relativo aos irmãos Antonio Sante, Antonio Agostino e Agostino Sante. Os três casaram-se com mulheres de nome Maria e tiveram filhos a intervalos que permitiria localizá-los num mesmo núcleo familiar.

O terceiro caso é dos irmãos Giovanni, Giovanni Battista e Battista Fortunato, cujas esposas se chamavam Ana, Maria e Mariana. Nos assentos paroquiais estes irmãos aparecem ora como João, João Batista ou apenas Batista e as esposas aparecem como Ana Maria ou Maria.

Da mesma forma, muitos nomes foram excluídos da listagem final por terem sido localizados em apenas uma das fontes consultadas. Em alguns casos foi possível descobrir que, embora o casamento tenha sido realizado na Paróquia de São Sebastião, os noivos não residiam em Leopoldina. Também muitos nomes constantes nos registros de hospedaria como tendo sido contratados por fazendeiros do município, na realidade desembarcaram em uma de suas estações ferroviárias mas foram trabalhar em municípios vizinhos, como Palma, Cataguases e Muriaé. No sentido inverso, imigrantes contratados para trabalhar em outros municípios fixaram residência em Leopoldina poucos meses depois. Entre estes, além dos acima citados há os que foram inicialmente para Ubá, Astolfo Dutra e São João Nepomuceno. Importante destacar, ainda, que Recreio e Argirita eram distritos de Leopoldina no período analisado.

Portanto, é preciso esclarecer que o resultado encontrado não pode ser considerado como definitivo, mas tão somente um esboço que prescinde de maior aprofundamento. Talvez o leitor se pergunte se, a partir da afirmação de que muito ainda há por fazer, não seria mais conveniente adiar a publicação ora encetada. Neste caso, sugere-se um argumento em contrário, no sentido de considerar que, após 15 anos de pesquisas, não foi possível atingir plenamente o objetivo proposto, ou seja, responder adequadamente à questão que motivou o estudo. Se depois de todo este tempo não foi possível identificar todos os imigrantes que aqui viveram entre 1880 e 1930, abandonar o material já reunido seria desistir de comunicar aos moradores de Leopoldina o conhecimento adquirido até então. Esta é, portanto, uma conclusão provisória que se espera seja utilizada pelos próximos pesquisadores.

Números são sempre perguntados por alguns leitores. Ao longo destes anos chegamos a alguns deles. O primeiro refere-se aos personagens nascidos na Itália que, segundo as fontes consultadas, somaram 1.867 (um mil, oitocentos e sessenta e sete) pessoas. Ao finalizar o estudo, obtivemos uma lista de 597 (quinhentos e noventa e sete) sobrenomes de imigrantes italianos em Leopoldina.

Reiteramos que estes dois números sofreram modificações entre a data em que o levantamento foi concluído – maio de 2003, e a finalização do trabalho em junho de 2009. Conforme já foi dito, nomes foram excluídos ou acrescentados por diversas razões. As exclusões ocorreram por variações no nome de um mesmo imigrante, por descobrir posteriormente que o personagem não residiu no município ou por só ter sido mencionado em uma única fonte. Os acréscimos ao total inicial foram, basicamente, consequência de correção de falhas não observadas na primeira análise.

Do universo final de sobrenomes, 406 (quatrocentos e seis) pertencem a imigrantes sobre os quais reunimos um maior número de informações. Em sua maioria são de famílias que ainda vivem em Leopoldina, muito embora nem todas o preservem na forma original. Além do que, habitualmente o italiano não transmitia ao descendente o sobrenome materno.

Este texto se encerra com os sobrenomes identificados e que representam o esforço para resgatar um pouco da memória de tantos imigrantes italianos que habitaram o município de Leopoldina.

Abolis, Agus, Albertoni, Amadio, Ambri, Ambrosi, Andreata, Andreoni, Andreschi, Anselmo, Antinarelli, Antonelli, Antonin, Anzolin, Apolinari, Apova, Apprata, Arleo, Aroche, Artuzo, Bagetti, Balbi, Balbini, Baldan, Baldasi, Baldini, Baldiseroto, Baldo, Baqueca, Barbaglio, Barboni, Barra, Bartoli, Basto, Battisaco, Beatrici, Beccari, Bedin, Bellan, Benetti, Bergamasso, Berlandi, Bernardi, Bertini, Bertoldi, Bertulli, Bertuzi, Bestton, Betti, Bighelli, Bigleiro, Bisciaio, Bogonhe, Boller, Bolzoni, Bonini, Bordin, Borella, Bovolin, Brandi, Brando, Breschiliaro, Bresolino, Bronzato, Bruni, Bugghaletti, Bullado, Buschetti, Cadeddu, Cagliari, Caiana, Calloni, Caloi, Calza, Calzavara, Campagna, Campana, Cancelliero, Canova, Capetto, Cappai, Cappi, Capusce, Carboni, Carmelim, Carminasi, Carminatti, Carrara, Carraro, Casadio, Casalboni, Casella, Cassagni, Castagna, Castillago, Cataldi, Catrini, Cavallieri, Cazzarini, Cearia, Ceoldo, Cereja, Cesarini, Chiafromi, Chiappetta, Chiata, Chinelatta, Chintina, Ciovonelli, Cobucci, Codo, Colle, Columbarini, Contena, Conti, Corali, Corradi, Corradin, Cosenza, Cosini, Costa, Costantini, Crema, Cucco, Dal Canton, Dalassim, Dalecci, Dalla Benelta, Danuchi, Darglia, De Angelis, De Vitto, Deios, Donato, Dorigo, Duana, Eboli, Ermini, Estopazzale, Fabiani, Faccin, Faccina, Fachini, Falabella, Falavigna, Fannci, Fanni, Farinazzo, Fazolato, Fazzolo, Federici, Fermadi, Ferrari, Ferreti, Ferri, Fichetta, Filipoli, Filoti, Finamori, Finense, Finotti, Fioghetti, Fiorato, Fofano, Fois, Fontanella, Formacciari, Formenton, Fovorini, Franchi, Franzone, Fucci, Fuim, Galasso, Gallito, Gallo, Gambarini, Gambato, Gasparini, Gattis, Gazoni, Gazziero, Gentilini, Geraldi, Geraldini, Gessa, Gesualdi, Ghidini, Giacomelle, Giamacci, Gigli, Gismondi, Giudici, Giuliani, Gobbi, Gorbi, Gottardo, Grace, Graci, Grandi, Griffoni, Grilloni, Gripp, Gronda, Gruppi, Guarda, Guardi, Guelfi, Guerra, Guersoni, Guidotti, Iborazzati, Iennaco, La Rosa, Lai, Lamarca, Lami, Lammoglia, Lazzarin, Lazzaroni, Leoli, Lingordo, Locatelli, Locci, Loffi, Longo, Lorenzetto, Lorenzi, Lucchi, Lupatini, Macchina, Maciello, Magnanini, Maiello, Maimeri, Malacchini, Mamedi, Mancastroppa, Mantuani, Manza, Maragna, Marangoni, Marassi, Marcatto, Marchesini, Marchetti, Marda, Marinato, Mariotti, Marsola, Martinelli, Marzilio, Marzocchi, Matola, Matuzzi, Mauro, Mazzini, Meccariello, Melido, Meloni, Melugno, Menegazzi, Meneghelli, Meneghetti, Mercadante, Mescoli, Meurra, Miani, Minelli, Minicucci, Misalulli, Mona, Monducci, Montagna, Montovani, Montracci, Morciri, Morelli, Moroni, Morotti, Nacav, Naia, Nani, Netorella, Nicolini, Nocori, Pacara, Pachiega, Padovan, Paganini, Pagano, Paggi, Panza, Pasianot, Passi, Pavanelli, Pazzaglia, Pedrini, Pedroni, Pegassa, Pelludi, Perdonelli, Perigolo, Pesarini, Petrolla, Pezza, Piatonzi, Picci, Piccoli, Pierotti, Pighi, Pinzoni, Piovesan, Pittano, Pivoto, Piza, Porcenti, Porcu, Pradal, Prete, Previata, Principole, Properdi, Rafaelli, Raimondi, Ramalli, Ramanzi, Ramiro, Rancan, Ranieri, Rapponi, Ravellini, Reggiane, Richardelli, Righetto, Righi, Rinaldi, Rizochi, Rizzo, Roqueta, Rossi, Sabino, Saggioro, Sallai, Saloto, Samori, Sampieri, Sangalli, Sangiorgio, Santi, Sardi, Scantabulo, Scarelli, Schettini, Sedas, Sellani, Simionato, Sparanno, Spigapollo, Spoladore, Steapucio, Stefani, Stefanini, Stora, Taidei, Tambasco, Tartaglia, Tazzari, Tedes, Testa, Tichili, Toccafondo, Todaro, Togni, Tonelli, Tosa, Traidona, Trimichetta, Tripoli, Trombini, Valente, Vargiolo, Varoti, Vavassovi, Vechi, Venturi, Verona, Veronese, Vigarò, Vigeti, Viola, Vitoi, Zaccaroni, Zachini, Zaffani, Zamagna, Zamboni, Zamime, Zanetti, Zaninello, Zannon, Zecchini, Zenobi, Ziller, Zini, Zotti.


[I] Este estudo foi publicado pela primeira vez alguns anos depois de concluído, em 1999. Em 2009 foi revisto e republicado.

[II] Este Decreto, promulgado por Getúlio Vargas, determinava que todo imigrante residente em território nacional deveria preencher um requerimento a ser encaminhando para controle pelo Departamento de Polícia Marítima, Aérea e de Fronteiras. Os que foram preservados encontram-se no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro.

Referências Bibliográficas

BLOCH, Marc. Apologia da História ou O Ofício de Historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

CERTEAU, Michel de. A Escrita da História. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense: 2006.

GINSBURG, Carlo. Mitos, emblemas, sinais: Morfologia e História. São Paulo: Cia das Letras, 1990.

LE GOFF, Jacques. História e Memória. 4. ed. Campinas: Unicamp, 1996

 

Há 100 anos…

nasceram no município de Leopoldina

3 jan

  • Nivaldo Costa, filho de Tobias Figueira da Costa e de Mariana Vargas Neto

4 jan

  • Fortunato Sangirolami, filho de Pietro Sangirolami e de Paschoa Bonini

8 jan

  • Nilo, filho de Custódio de Freitas Limae de Tereza Martins Vargas

10 jan

  • Lucy Vargas Neto, filha de Joaquim Izidoro Vargas Neto e de Helcida Werneck
  • Sebastião, filho de Miguel Arcanjo Monteiro de Rezende e de Francisca de Rezende Lara

11 jan

  • Maria Meneghetti, filha de Felice Augusto Meneghetti e de Ida de Angelis
  • Antonio José Colle, filho de Francesco Colle e de Pierina Galasso

13 jan

  • Julio, filho de Custódio de Almeida Lustosa e de Maria das Dores de Freitas

14 jan

  • Francisco Ermini, filho de Agostino Ermini e de Luigia Giuliani

15 jan

  • Gerson, filho de Avelino José de Almeida e de Nelsina de Medeiros Pinto

24 jan

  • Nair, filha de Otavio José Ferraz e de Angelina de Almeida Ramos

25 jan

  • Adelia Zamagna ,filha de Claudio Zamagna e de Sofia Gigli

Antigas fazendas de Leopoldina

Notícia do dia 2 de janeiro de 1868, no jornal Diário de Minas, informa que os proprietários das fazendas Morro Alto e Bom Destino pediram que ambas passassem a subordinar-se à paróquia de Leopoldina. A primeira pertencia a José Maria Manso da Costa Reis e a segunda a Maria do Carmo Nogueira da Gama.

As duas propriedades ficavam em território até então subordinado à paróquia de Madre de Deus do Angu, distrito de Angustura, que em 1884 foi transferido de Leopoldina para Além Paraíba. O distrito de Providência, em cujo território se inserem atualmente as duas fazendas, só foi criado em 1890. Na imagem abaixo estão destacados os nomes das duas propriedades e da Estação Providência, conforme cartografia de 1939.

Localização de antigas fazendas de Leopoldina

O Leopoldinense

Há 136 anos circulou a primeira edição do jornal O Leopoldinense, o mais antigo periódico do município.

Paul Ricoeur e a narrativa histórica: limites no campo conceptual

Procurando artigos que tratassem de certos conceitos importantes para o fazer histórico, foi encontrado este artigo disponível aqui no endereço.

De Hélio Rebello Cardoso Júnior, foi publicado na Revista Semina, de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Estadual de Londrina.

Resumo

O tema da narrativa história tem recebido muita atenção ultimamente. Várias correntes teóricas contemporâneas se defrontam a fim de fornecer sua contribuição ao aprofundamento do tema. Aqui, procura-se apresentar o posicionamento de Paul Ricoeur, no debate da narrativa histórica, como herdeiro do pensamento fenomenológico, e, com isso, identificar as várias frentes teóricas nas quais concentram-se seus esforços.

Entre os aspectos destacados pelo autor está a distância que se observa entre o conhecimento histórico e a competência de se contar uma história que pode ocorrer em três níveis: dos procedimentos explicativos, do objeto e do tempo histórico. Cardoso Júnior comenta, então, que estes níveis de “ruptura tornam manifesta a necessidade de reatar conhecimento histórico e narrativa”.

Entendemos que isto é o que faziam, sem compromissos acadêmicos, os chamados historiadores diletantes do século XX. Através deles, muitos de nós aprendemos história regional numa época em que a escola só se ocupava da história dos grandes feitos e dos grandes heróis, mantendo-se distanciada da realidade circunvizinha.

15 – Irradiação – parte II

Como ficou dito no artigo anterior, o Trem de História segue a mesma toada tratando ainda da bagagem do jornal Irradiação, o mais claramente político dos periódicos de Leopoldina do final do século XIX.

E para prender um vagão ao outro, recomeça a história contando que a divulgação das ideias republicanas chega a uma incidência um pouco maior em algumas das edições analisadas, como ocorreu na de número 62, datada de 21 de abril de 1889. Nela, além de noticiar o lançamento de novos órgãos do Partido Republicano em São João del Rei, Ubá e no estado do Pará, de rechaçar notícias falsas sobre o Club Republicano do Pará e comentar a eleição de um vereador republicano em Rio Novo, foi noticiado em cores fortes o atentado contra o republicano Nilo Peçanha em Lage do Muriaé e foi publicada uma forte reclamação contra o delegado de Conceição da Boa Vista por ter soltado os manifestantes que provocaram distúrbios em fevereiro daquele ano, com o objetivo de impedir a conferência republicana. O mesmo acontece na edição de 26 de junho de 1889, quase toda ela preenchida com notícias políticas. Na de número 71, um editorial transcrito do jornal O Movimento comparou a República do Haiti com a Monarquia do Brasil, afirmando que enquanto os partidários do

“velho sistema monárquico […] continuam a devorar a melhor seiva deste povo por demais explorado; enquanto forem apontando e dilapidando os cofres públicos, iremos apontando as nossas desgraças e mostrando a felicidade e riqueza das nações irmãs pelo continente”. E mais adiante informa que “a população do Império do Brasil sendo 15 vezes maior do que a do Haiti, para que os dois países estivessem em igualdade de circunstâncias seria preciso que todos os dados estatísticos relativos ao Brasil fossem 15 vezes maiores do que os do Haiti”.

Aqui vale uma explicação pertinente, à moda de uma nota de rodapé: Pensar nesta comparação hoje, século XXI, 125 anos depois de ter sido escrita, poderá gerar incredulidade e espanto naqueles que desconhecem os meandros da história e apenas sabem que o Haiti atualmente se encontra em situação política e econômica muito delicada. Entretanto, a matéria faz alusão aos benefícios que a República, sistema político vigente na ilha caribenha naquela época, trazia para a população e que, na opinião do articulista, não era prática da nossa monarquia.

Voltando ao trilho da história, é bom que se diga que o jornal muitas vezes divulgava, também, matérias sobre os Clubes da Lavoura, instituições que começaram a surgir na região de Leopoldina no início da década de 1880 e que tinham por objetivo substituir a mão de obra escrava pelo trabalhador livre. E, também, matérias sobre temas recorrentes como a imigração.

Uma destas matérias, que também merece uma nota de rodapé para lembrar o leitor sobre a época em que foi escrita, diz:

“Na opinião desses […] o chinês é a jaça, que desmerecerá o valor moral, intelectual, físico e… nem sabemos mais qual outro, das populações que o Brasil tem de atrair para seus extensos vales e férteis montanhas”. E prossegue: “vícios, trazem-nos europeus e asiáticos; virtudes trazem-nas também ambos, a menos que nos provem, coisa simplesmente impossível, que ao lado das mais peregrinas virtudes, que podem exaltar os povos, não rastejam por toda parte, formando embaixo relevo das misérias humanas, o vício em todas as suas formas de tendências, hábitos e ações”.  Mais adiante declara que “o ponto que nos deve interessar na questão [é] saber se as aptidões do chinês como trabalhador podem corresponder às condições do nosso país e satisfazer convenientemente a necessidade que nos assoberba”.

Interessante observar que o redator do Irradiação, Theophilo Alves Ribeiro, procedia do Ceará, primeiro estado brasileiro a abolir a escravidão. O que torna ainda mais difícil compreender a leitura de matéria publicada na edição de número 60, de abril de 1889, a respeito do serviço doméstico. Escreveu o redator:

“O serviço doméstico, por exemplo, de que se não cogitou ou se cogitou mal, foi abandonado como qualquer outro, reinando no interior das casas a mesma confusão que perturba e aniquila a atividade industrial. […] Se a parte pobre da população fugia do serviço doméstico; se as imigrações estrangeiras fugiam do país, explicavam uma e outra anomalia pela existência da instituição escrava; entretanto, esta desapareceu e com ela desapareceram também todos ou a maior parte dos que se empregavam no serviço doméstico e o estrangeiro só entra no país a custo de enormes sacrifícios da receita e de promessas…”.

E que não pense o leitor em censura porque o motivo para encerrar este artigo agora é bem outro. Acaba de chegar, pelo telégrafo da ferrovia, a mensagem:

– ENCERRAR HISTÓRIA IRRADIAÇÃO vg LEITOR QUER NOVIDADE pt TREM DE HISTÓRIA FALARÁ SOBRE GAZETA DE LESTE pt RECOLHER MATERIAL PRÓXIMO VAGÃO pt SAUDAÇÕES

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de janeiro de 2015

Parte XI de A Imprensa em Leopodina (MG) entre 1879 e 1899

Distritos Eleitorais de Minas Gerais

Segundo José Pedro Xavier da Veiga, em Efemérides Mineiras: 1664-1897 (Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes), em nota da página 139, em 09 de janeiro de 1881 Leopoldina passou a sediar o 9º Distrito Eleitoral da Província de Minas Gerais.

Para ler um pouco sobre o assunto sugerimos o ensaio Processo Eleitoral.