A história militar como a história do brasil: identidade nacional e usos do passado em Gustavo Barroso

“Gustavo Barroso (1888-1959), intelectual cearense, é comumente lembrado como estudioso do patrimônio histórico – devido a sua atuação no Museu Histórico Nacional por aproximadamente trinta e cinco anos – e partícipe da Ação Integralista Brasileira – considerado o principal expoente do antissemitismo no Brasil.”

Assim começa o artigo de Erika Morais Cerqueira publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 5, N.1, Janeiro-Julho de 2014, sob o seguinte resumo:

 Este artigo analisa algumas das ideias do intelectual Gustavo Barroso referentes à historiografia e aos historiadores do Brasil. A fonte principal é o livro A História Militar do Brasil (1938), e a abordagem focaliza a tensão — presente em seus textos e em sua época — entre a busca da imparcialidade científica e as exigências de posicionamento intelectual em defesa da nação. O objetivo é compreender a questão proposta por Barroso acerca da formação do Brasil, considerando o vínculo entre história militar e usos do passado.

Leia o artigo na íntegra neste endereço.

O uso político da Conjuração Mineira

“Um dos ideais apresentados n’O Arauto de Minas era que os inconfidentes tinham lutado com afinco pela independência do Brasil, e mesmo tendo falhado, o germe de suas aspirações à liberdade tinha permanecido latente entre seus contemporâneos.”

Declaração de Augusto Henrique Assis Resende no artigo publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 4, N.2, Agosto-Dezembro de 2013.

Resumo: Esta pesquisa propõe analisar a maneira como políticos conservadores e republicanos do último quartel do século XIX utilizaram a imagem dos conjurados mineiros para legitimar seus ideais. Monarquistas e republicanos buscariam em um passado pouco conhecido de fato, a Conjuração Mineira, um alento e uma inspiração, respectivamente a seus projetos. Do lado monarquista, um jornal de São João del-Rei – O Arauto de Minas – ligado ao partido Conservador assume a tarefa de difundir entre seus leitores e correligionários a ideia da conectividade entre o elemento simbólico da Inconfidência Mineira e o Império Brasileiro. Tal associação era baseada nos difundidos pressupostos dos conjurados: independência e liberdade; e que foram concretizados em 1822. Relativo à República, A Patria Mineira, jornal da mesma cidade defende a suposta orientação republicana dos inconfidentes. Daí surge a vindoura associação entre os inconfidentes e o novo regime, que surgiria em 1889 e que faria destes um de seus mais importantes sustentáculos. Há ainda a utilização de um terceiro jornal desta cidade mineira, O Tribunal, que é utilizado para um contraponto das ideias apresentadas nos dois primeiros.

Leia aqui a íntegra do artigo.

Paul Ricoeur e a narrativa histórica: limites no campo conceptual

Procurando artigos que tratassem de certos conceitos importantes para o fazer histórico, foi encontrado este artigo disponível aqui no endereço.

De Hélio Rebello Cardoso Júnior, foi publicado na Revista Semina, de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Estadual de Londrina.

Resumo

O tema da narrativa história tem recebido muita atenção ultimamente. Várias correntes teóricas contemporâneas se defrontam a fim de fornecer sua contribuição ao aprofundamento do tema. Aqui, procura-se apresentar o posicionamento de Paul Ricoeur, no debate da narrativa histórica, como herdeiro do pensamento fenomenológico, e, com isso, identificar as várias frentes teóricas nas quais concentram-se seus esforços.

Entre os aspectos destacados pelo autor está a distância que se observa entre o conhecimento histórico e a competência de se contar uma história que pode ocorrer em três níveis: dos procedimentos explicativos, do objeto e do tempo histórico. Cardoso Júnior comenta, então, que estes níveis de “ruptura tornam manifesta a necessidade de reatar conhecimento histórico e narrativa”.

Entendemos que isto é o que faziam, sem compromissos acadêmicos, os chamados historiadores diletantes do século XX. Através deles, muitos de nós aprendemos história regional numa época em que a escola só se ocupava da história dos grandes feitos e dos grandes heróis, mantendo-se distanciada da realidade circunvizinha.

Revista Brasileira de História

Sumário
Rev. Bras. Hist. vol.30 no.59 São Paulo jun. 2010

Dossiê: História e historiadores

· Capistrano de Abreu, viajante
· Fazer história, escrever a história: sobre as figurações do historiador no Brasil oitocentista
· O ofício do historiador e os índios: sobre uma querela no Império
· A institucionalização dos estudos Africanos nos Estados Unidos: advento, consolidação e transformações
· A teoria da história como hermenêutica da historiografia: uma interpretação de Do Império à República, de Sérgio Buarque de Holanda
· História do Brasil para o “belo sexo”: apropriações do olhar estrangeiro para leitoras do século XIX
Artigos
· Um rei indesejado: notas sobre a trajetória política de D. Antônio, Prior do Crato
· Novos elementos para a história do Banco do Brasil (1808-1829): crónica de um fracasso anunciado
· A floresta mercantil: exploração madeireira na capitania de Ilhéus no século XVIII
· Subsistemas de comércio costeiros e internalização de interesses na dissolução do Império Colonial português (Santos, 1788-1822)
· Modernizando a repressão: a Usaid e a polícia brasileira

Liberdade Teórica

Entraves à criação teórica: da sacralização à demonização de autores
Por José d´Assunção Barros
“Construir a “teoria” apropriada para uma pesquisa ou reflexão sobre determinado objeto de estudos é uma tarefa que nos põe diante de incontornáveis dilemas, angustiantes escolhas, de dúvidas que nos paralizam e de certezas que julgamos ter. Que autores escolher, por exemplo, para dialogar teoricamente? Vamos explorar este tema a partir de algumas perguntas. Existem autores incompatíveis uns com os outros? Existem autores sagrados? Existem autores malditos? Existem conceitos acima da crítica, ou conceitos abaixo da crítica? Como agir quando uma teoria flexível se converte em engessada doutrina?”

Teoria da História – Volume IV. Acordes Historiográficos

José d’Assunção Barros:

“A Crítica Documental foi uma conquista historiográfica cujas origens remetem ao trabalho de filólogos e teólogos do início do período moderno que começam a desenvolver uma criteriosa preocupação com a autenticidade e outros aspectos pertinentes aos diversos documentos que dizem respeito às suas instituições.”

Teoria da História – Volume IV. “Acordes Historiográficos” – Rede Histórica