Fazenda Paraíso e uma das lendas que a envolvem

Há cerca de cinquenta anos circula em Leopoldina, MG, uma versão romântica sobre a libertação dos escravos da Fazenda Paraíso. Dizem alguns que a lenda nasceu da pena de um professor leopoldinense que a teria ouvido de antigos moradores da cidade. Parece que desde então vem sendo repetida por diversos escritores sem que, aparentemente, tenham buscado avaliar a (in)coerência dos fatos.

Um dos “parágrafos” da lenda cita uma hipotética doação da propriedade para José Jerônimo de Mesquita, feita por seu avô como presente de casamento.  Nada mais insustentável à vista da documentação que compõe a Coleção Kenneth Light, pertencente ao Arquivo Histórico do Museu Imperial, Petrópolis (RJ). Importante esclarecer que o organizador da Coleção foi o memorialista Kenneth Ernest Hansen Light, autor da monografia Ligeiros Traços Biográficos, que também faz parte da Coleção. O Senhor Light era inglês e faleceu em Petrópolis em 1987. Era casado com Stella Lynch, filha de Edmund Lionel Lynch e de Francisca de Paula de Mesquita, sendo esta a segunda filha de José Jerônimo de Mesquita.

Alguns dos repetidores da lenda sequer se deram ao trabalho de identificar adequadamente os personagens envolvidos, o que faremos aqui pela menção dos nomes completos e do mais alto título nobiliárquico alcançado por cada um, ainda que em data posterior ao fato relatado, porque a homonímia parcial sugere usar o título para melhor distingui-los.

José Francisco de Mesquita, elevado a Marquês de Bonfim em 1872, em um dos quatro consórcios maritais teve o filho Jerônimo José de Mesquita, elevado a Conde de Mesquita em 1885.

Jerônimo José, em um de seus cinco consórcios maritais, teve o filho Jerônimo Roberto de Mesquita, Segundo Barão de Mesquita, e de outro consórcio teve o filho José Jerônimo de Mesquita, Segundo Barão de Bonfim.

Um texto sobre a família, que inclui a lenda e circula no território livre da internet desde 2007, dá os títulos de Segundo Barão de Mesquita e Segundo Barão de Bonfim para a mesma pessoa. O autor não observou que, além de serem filhos de mães diferentes, José Jerônimo nasceu em 1856 e Jerônimo Roberto em 1858.

Em outras versões, a lenda diz que o Marquês de Bonfim teria dado a Fazenda Paraíso para o Segundo Barão de Bonfim, confirmando que teria sido presente de casamento. Mas como, se o Marquês morreu em 1872 e o neto se casou apenas em 1879?

Para descredenciar ainda mais a versão romântica, a Fazenda Paraíso foi propriedade do Conde de Mesquita e não do Marquês de Bonfim, sendo que o Formal de Partilha dos bens do Conde de Mesquita só foi devidamente concluído em janeiro de 1889, quase dez anos após o casamento do Segundo Barão de Bonfim.

O futuro Conde de Mesquita tomou posse da Fazenda Paraíso por ela lhe ter sido hipotecada por seu então proprietário, Antônio José Monteiro de Barros. Segundo os documentos consultados, a dívida de Antônio José fora contraída antes de 23 de setembro de 1857, data de um segundo empréstimo para o qual foram hipotecados os escravos da propriedade. Em 1858, fazenda e escravos pertenciam ao então Comendador Mesquita.

Tendo iniciado a vida profissional como “caixeiro de terceira”, algo equivalente a menor aprendiz, o Conde de Mesquita tornou-se um dos grandes capitalistas do final do século XIX, em grande parte pela herança recebida de seu pai, o maior negociante de escravos para Minas Gerais segundo documentos constantes nos Códices 421 e 424 do Arquivo Nacional.

A análise do Formal de Partilha deste capitalista desmonta outra lenda: a de que todos os seus herdeiros teriam sido beneficiados com altas somas, joias e propriedades. Alguns de seus herdeiros nada receberam, nem tampouco as mães que ainda estavam vivas.

Outro aspecto, desconsiderado pelos criadores das diversas lendas sobre a Fazenda Paraíso, diz respeito à fantasia de que o Segundo Barão de Bonfim teria libertado seus escravos por magnanimidade. José Jerônimo não foi o inventariante de seu pai, pouco comparece nas chamadas descritas no inventário e foi sua irmã e inventariante quem decidiu libertar os escravos que ainda existiam na fazenda, poucos meses antes de maio de 1888. Diga-se, a propósito, que a decisão foi sugerida pelos advogados da família, provavelmente para evitar o pagamento dos tributos devidos na transmissão de bens, já que naquela altura todos esperavam pela assinatura da lei que encerraria oficialmente o regime escravocrata.

Para aqueles que gostam de uma boa novela, vai aqui mais uma informação. No testamento do Marquês de Bonfim, publicado no Jornal do Commercio um ano após a sua morte, consta que quatro filhos do Conde de Mesquita foram beneficiados. O Segundo Barão de Bonfim recebeu uma chácara na rua Hadock Lobo, Tijuca, Rio de Janeiro. Sabe-se lá por quais razões o criador da lenda trocou esta chácara pela Fazenda Paraíso.

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[1] Texto de Nilza Cantoni publicado no jornal Leopoldinense, edição 278 comemorativa do aniversário de Leopoldina em 2015, 24 abril 2015, página 4.

[2] A autora é Especialista em História Cultural, membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes e pesquisadora da História de Leopoldina.

Por conta do aniversário de emancipação de Leopoldina

Maurício de Almeida Abreu, no artigo Sobre a Memória das Cidades, ressalta que memória é a capacidade de armazenagem e conservação de informações, elemento essencial da identidade de um lugar. Para ele, a memória de uma cidade é coletiva, compartilhada.

E a memória coletiva é também uma corrente de pensamento contínuo, que retém do passado somente aquilo que ainda está vivo ou capaz de viver na consciência de um grupo. Ela está sempre se transformando porque os grupos que dela guardavam a lembrança vão desaparecendo. E quando isto acontece e não se quer perder uma lembrança, é comum e aconselhável que seja registrada, transformando-se então em memória histórica. Isto porque as memórias coletivas se eternizam muito mais em registros e documentos do que em outras formas materiais.

Lembramos, ainda, conforme nos ensinou Jacques Le Goff em História e Memória, que “o documento é monumento” porque é um registro feito pelo homem e que representará, para a sociedade que lhe suceder, uma visão de como funcionava à época em que foi produzido. O mesmo autor nos ensina que um documento é uma “roupagem, uma aparência, uma montagem” em torno de determinado acontecimento. Portanto, a memória histórica é construída e realimentada pelos registros e documentos que constituem os monumentos da história, os quais preservam a memória das cidades.

Esta é nossa intenção. Auxiliar na preservação da memória da cidade de Leopoldina através do registro no Jornal daquilo que pesquisamos. Por isto, hoje o Trem de História segue pelos trilhos das comemorações da emancipação do Feijão Cru em 27 de abril de 1854, relembrando um pouco do que se passou. E o faz pelo prazer de preservar a memória de uma cidade que desde 1877 tem o Trem na sua história, empresta o seu nome à história do Trem no Brasil e não pretende perder o Trem da História.

Tocando em frente, é necessário registrar que a mais antiga evidência da existência do povoado que deu origem a Leopoldina está no livro Município de Rio Pomba, de Sinval Santiago, na página 480, que se refere à criação do distrito do Feijão Cru pela Câmara Municipal do Pomba em 1831. Mas é bom lembrar que o Município do Pomba só foi instalado em 25 de agosto de 1832, o que contraria a informação de que a sua Câmara teria criado o Distrito do Feijão Cruz no ano anterior.

A favor de 1831 como indicativo da existência de um povoado no Feijão Cru temos as duas doações realizadas por Joaquim Ferreira Brito e sua mulher Joana Maria de Macedo, nos dias 01.06 e 20.11.1831. Por elas pode-se imaginar terem sido feitas para atender às normas para o requerimento de criação do distrito. A segunda delas, a doação de um terreno para a construção da Casa do Cura, reforçaria a suposição da existência de um arraial que procurava se organizar para a criação do distrito.

O que se tem como certo é que em 1843 já eram 213 as famílias (2.171 moradores) no distrito de São Sebastião do Feijão Cru. Muitas delas constituídas por filhos dos primeiros moradores, então já casados. E é a partir deste momento que se pode observar a provável existência de moradias dentro do território que foi doado para constituir o patrimônio de São Sebastião.

Em 1851 a população do Feijão Cru, um arraial elevado à condição de Freguesia, atingia quase 4.000 habitantes. Esta freguesia chega a 1854 com a realização do sonho de alguns antigos povoadores: consegue se libertar da subordinação, a que esteve sujeita até então, às sedes administrativas de Barbacena depois Rio Pomba, São João Nepomuceno e Mar de Espanha. Em 27 de abril daquele ano foi promulgada a Lei de Emancipação e em janeiro de 1855 foi instalada a Câmara Municipal da Vila Leopoldina.

Aqui é válido abrir parênteses para alguns comentários pertinentes.

Em Portugal, Vila ainda é um aglomerado urbano intermediário entre aldeia e cidade. No Brasil colonial, povoações eram elevadas a vilas, e essas a cidades, de acordo com o sistema português. Quando o arraial se tornava vila, passava a contar com uma câmara de vereadores, com direito de cobrar impostos e baixar posturas municipais. Recebia um juiz e instalava-se uma cadeia pública. Ao tempo da criação da Vila Leopoldina, já no Império, era este o sistema que funcionava no Brasil.

O título de Cidade era mais honorífico e pouco acrescentava em termos de organização política e administrativa. Em função disto, ensina Maurício de Abreu, muitos municípios criados no império e na colônia comemoram o dia da sua fundação como sendo o dia em que foram elevados a cidade, o que não é correto. Na verdade, eles alcançaram autonomia política no dia da criação da Vila. No caso de Leopoldina, o título de Cidade foi concedido pela Lei Mineira 1.116, de 16 de outubro de 1861, ano que está inscrito no atual Brasão do município para lembrar este fato.

Brasão do Município de Leopoldina, MG

A partir da emancipação e instalação da câmara municipal de Leopoldina, surgiram os primeiros arruamentos nas imediações da Igreja do Rosário. Possivelmente com as ruas Riachuelo – atual Joaquim Ferreira Brito; Direita – atual Rua Gabriel Magalhães; e, Rosário – atual Rua Tiradentes.

Trinta anos depois a Maria Fumaça da Estrada de Ferro da Leopoldina começou a espalhar trilhos e seu nome por boa parte do País. E hoje, dois memorialistas registram alguns fatos que fizeram a sua história.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 24 de abril de 2015

Vulgarização: outra história para a História

A Revista Expedições: Teoria da História e Historiografia, volume 4, 2014, traz um artigo com este título, de Mary del Priore, que despertou a lembrança de outras discussões sobre o assunto. Apresentado como “uma pensata sobre as origens e a difusão da ‘divulgação científica’ e sua presença no Brasil do século XIX aos dias de hoje” o texto passeia por vários momentos do processo de vulgarização, antes de abordar a o conhecimento histórico propriamente dita.

Convidamos nossos leitores para esta leitura em que a autora nos lembra que “a história possui uma função social: a da manutenção da memória de uma nação ou de um grupo”. E ressalta:

“…os historiadores têm uma missão que é a construção da consciência histórica. Para tal, eles devem enfrentar duas tarefas contraditórias: por um lado, desmistificar os mitos consolidados pela memória coletiva, inscritos nos documentos, nos textos oficiais e na língua falada, enfim, nas construções sociais que, a sua volta, constituem a consciência comum. E por outro, participar à construção mesma desta mesma memória, ao produzir um saber que serve de referência e forma a consciência histórica dos seus contemporâneos…”

Leia o texto na íntegra, aqui.

Colônia Agrícola da Constança e Igrejinha da Onça

No artigo anterior o Trem de História falou de opinião e política e terminou prometendo mudar o rumo da viagem no vagão de hoje. A razão para a mudança foi o cansaço. Para quem não é do ramo, política é um tema pesado e cansativo.

Cumprindo o prometido, o Trem de hoje segue por outros trilhos e recolhe cargas da Colônia Agrícola da Constança que completa neste mês de abril seus 105 anos de criação. Já a Capela da Onça comemora o Centenário de inauguração em 2015.

De início é bom lembrar que a Colônia surgiu da combinação de diversos fatores como os econômicos e políticos. Não nos parece possível eleger um deles como proeminente, embora a proibição do tráfico de escravos, que estimulou a busca de alternativas para o aumento da produção agrícola, possa ser tida como importante para o surgimento do núcleo. Principalmente se considerado que a economia da região dependia de um número cada vez maior de trabalhadores e estes não existiam no território nacional.

Começaram a chegar os imigrantes, antes mesmo do fim do regime escravocrata. Algumas fazendas, segundo consta, passaram a contar com escravos e trabalhadores livres em suas terras, até que os primeiros migraram para a periferia da cidade.

Aos poucos surgiram e se propagaram os sistemas de parceria e colonato como reguladores da nova relação de trabalho. E a experiência do Senador Vergueiro, em São Paulo, deve ser considerada como elemento difusor do sistema.

Agregando experiências diversas surgiram, então, as primeiras colônias destinadas a imigrantes estrangeiros, que foram sendo aperfeiçoadas. É evidente que uma instituição, como uma Colônia, não provém de causa isolada. Ela surge, na maioria das vezes, como resultado de diversos fatores que perpassam a vida do grupo social na qual é criada. E as razões que levaram à criação da Colônia Agrícola da Constança não são muito diferentes das demais coirmãs. O estudo sobre ela ainda carece de mais pesquisas, uma vez que os trabalhos realizados até aqui sempre estiveram focados na vida dos colonos que nela se instalaram, motivados pela vontade de conhecer homens e mulheres comuns que viveram na Colônia e nos seus arredores. Gente que tinha muita história para contar e, como sugeriu o filósofo alemão Walter Benjamin, relatadas na medida certa possibilitou “escovar o passado” recoberto com a poeira do tempo e trazer para a luz do sol, a importância da Colônia Agrícola da Constança e dos italianos que constituíram o seu núcleo mais ativo e permanente. De importância tal que fez a cidade contar, em 1911, com um Agente Consular Italiano, o Sr. Angelo Maciello, representante de Sua Majestade Vittorio Emanuelle III, Rei da Itália na época.

Uma Colônia que não era pequena. Pois contava, segundo os relatórios anuais encaminhados pelo Administrador à Secretaria Estadual de Agricultura, inicialmente com 60 lotes demarcados. No ano seguinte, eram 65 e, em 1911, este número aumentou para 68. Lotes devidamente cercados e com uma casa de morada coberta de telhas, vendidos principalmente aos imigrantes que ali passaram a cultivar toda sorte de produtos, a maioria deles para serem comercializados na cidade ou na “venda de secos e molhados”, Casa Timbiras, que ficava na entrada do Bairro Boa Sorte e que se transformou num verdadeiro entreposto comercial para uma vasta região.

E quando se recorda a Colônia e a Venda do Timbiras é forçoso tomar o “Caminho do Imigrante” e chegar à Igrejinha da Onça. “Caminho do Imigrante”, um sonho que ainda persiste de dar este nome à via secundária que liga a Igrejinha à entrada do Bairro Boa Sorte.

 

Capela de Santo Antònio de Pádua na Colônia Constança

Igreja de Santo Antonio de Pádua que comemora 100 anos e foi escolhida como símbolo dos estudos sobre o Centenário da Colônia por ser a imagem a que sempre se referiam os entrevistados no curso daquelas pesquisas, quando abordados sobre a vida dos mais antigos. Símbolo a que todos se referiam com um misto de saudade e orgulho.

A capela foi construída com a participação e o trabalho dos habitantes da Colônia e das propriedades das imediações. A escritura pública de compra e venda de uma quarta de terra (12.100 m2), lavrada pelo 2º Ofício de Notas de Leopoldina em 21.08.1912, é testemunha inconteste da influência italiana, pelos sobrenomes dos vendedores e compradores: Jesus Salvador Lomba e sua mulher Maria Magdalena Lomba (Proprietários do lote nº 04 da Colônia). Luciano Borella, Otavio de Angelis, Luigi Giuseppe Farinazzo, Ferdinando Zaninello, Agostino Meneghetti e Fausto Lorenzetto. A compra teve a destinação registrada no livro do Cartório: – “imóvel para nele ser edificada uma Capela consagrada a Santo Antonio de Pádua”.

Terminado este breve passeio pelas lembranças desta parte da zona rural do município, o Trem de História volta ao perímetro urbano para, no próximo número do Jornal, falar de outra data importante para a nossa história, a da emancipação do Feijão Cru como Vila Leopoldina.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2015

6 de abril de 1839: criação do distrito de Rio Pardo

A Lei Mineira número 147, em seu artigo 1º, determinou a elevação a Distrito de Paz de vários curatos, entre eles o de Senhor Bom Jesus do Rio Pardo.

Art. 1º Ficão elevados a Districto de Paz os seguintes Curatos:

[…]

§ 2. O do Senhor Bom Jezus do Rio Pardo, no Municipio da Pomba, comprehendendo a Aplicação das Dores, e as vertentes do Rio Pardo, e do Ribeirão de S. João, dividido do Districto do Espirito Santo pela serra dourada grande até a do Angu.

Em 27 de abril de 1854, o distrito foi incorporado à Vila Leopoldina, conforme Lei número 666.  Já em 27 de julho de 1863, a Lei número 1600 transferiu-o para Mar de Espanha, de onde foi excluído aos 7 de novembro de 1869, pela Lei número 1630 que o reincorporou a Leopoldina. Finalmente, aos 30 de dezembro de 1962, já com o nome de Argirita foi o distrito emancipado pela Lei número 2764.

Leopoldinenses nascidos em abril de 1915

Dia 2

  • José da Paixão Marinato, filho de Vincenzo Sante Marinato e de Maria Francisca de Jesus

Dia 6

  • Emilia, filho de Francisco Freire de Carvalho e de Rita Tereza de Oliveira
  • Izabel, filho de Antonio Prudente de Almeida Ramos e de Emilia Presciliana de Rezende

Dia 12

  • José Codo, filho de Eugenio Codo e de Alexandrina Maragna

Dia 14

  • Anezio, filho de Francisco Ferreira de Almeida e de Julieta Magdalena de Moraes

Dia 18

  • Julio Heitor Jendiroba, filho de Benedito Heitor Jendiroba e de Zulmira de Oliveira Rodrigues

Dia 19

  • Aurora Rodriguez, filho de Rafael Rodrigues Y Rodriguez e de Maria Gottardo

Dia 20

  • Jaques, filho de Ignacio de Lacerda Leal e de Honorina de Castro Lacerda

Dia 24

  • Wanda, filho de Eduardo de Souza Werneck e de Cecilia Pereira Werneck

Dia 25

  • Elpidio Guersoni, filho de Andrea Guersoni e de Mariana Umbelina de Lacerda
  • Rita Farinazzo, filho de Giovanni Farinazzo e de Teresa Pedroni

Dia 26

  • Cristina, filho de Antonio Izidoro Vargas Neto e de Rita de Cássia Machado

Dia 29

  • Edgard Moraes Neto, filho de João Ventura Gonçalves Neto e de Alcina Paula Moraes

Dia 30

  • Julia, filho de Eduardo Faria Rayol e de Laura Candida Jendiroba

O ofício do historiador

“A jornalista Mônica Teixeira ouve a historiadora Maria Helena Capetalo sobre a profissão de historiador. Professora Titular do Departamento de História da FFLCH / USP, Capelato aborda, entre outros temas, o papel do historiador como investigador e a ampliação do mercado de trabalho para além da docência.”

 Divulgado pela Univesptv

A constituição do espaço público em Hanna Arendt

Com o subtítulo “por uma ressignificação semântica do conceito de ‘polis’ para a historiografia do mundo antigo”, este artigo de Diego Avelino de Moraes Carvalho foi publicado no volume 21, jul.-dez. de 2014 da Revista Labirinto. Segundo o autor, em Hanna Arendt “o conceito de Polis [passa] ao largo de definições meramente topográficas, antes se alojando em definições que apontam para aspectos significativos do imaginário, mentalidade, ou de modo mais sucinto, de identidade cultural helênica”.

O assunto se torna especialmente interessante no sentido de enfatizar que o poder “sustenta e preserva a esfera pública” e que, se for anulado, impossibilita a ação natural do homem no espaço público, abrindo oportunidade para organizações opressoras como os absolutismos e as ditaduras.

Resumo

De modo genérico, o conceito de “Polis” sempre esteve ligado ao de “Cidade-Estado”, de localidade física e institucionalizada. Doravante, a filósofa Hannah Arendt vem lançar luzes sobre esse entendimento, compreendendo a “Polis”, antes, numa esfera existencial, filosófica, de um espaço interpessoal resultante da ação coletiva de cidadãos reunidos para tratar de interesses comuns e não de um aglomerado urbanístico, ou mesmo de um Estado na concepção moderna do termo. Tal afirmação é de extrema importância, pois nos faz repensar a categoria de identidade política helênica tomando como referência um conjunto de crenças, hábitos e visões de mundo comum que se expressam num espaço não concreto e necessariamente institucionalizado. A proposta desta comunicação, portanto, é de apresentar a noção de “espaço público” como expressão semântica genuína do conceito de Polis dentro da obra de Hannah Arendt.

Leia o texto na íntegra…

21 – Mais um pouco de opinião e política

Conforme o prometido no artigo anterior, o Trem de História preencherá o vagão de hoje com o que resta na plataforma de opinião e política.

Para começo do trabalho, busca a edição de nº 3 do Arame, publicada em 11.12.1898, que bem representa o que foi este periódico. Nela se encontram matérias que descortinam vários assuntos daquele momento, numa clara demonstração de que este pequeno jornal praticava realmente a crítica assumida em seu subtítulo.

Um dos temas é uma “disputa de lavadeiras” entre a Gazeta de Leopoldina e O Leopoldinense, denunciada na primeira página. Conselho do articulista: que O Leopoldinense dê o exemplo de comedimento, calando-se, e deixe a Gazeta “gritar [porque] ela tem força é mesmo na língua”.

Logo depois, vem uma mensagem aparentemente cifrada: “as cabras preservam os outros animais da epizootia”, razão pela qual “o Zezé tomou o Mingote”.

Traduzindo-se por comparação com outras matérias d’O Arame, esta frase poderia significar que os jornais leopoldinenses deveriam agir como as cabras, defendendo-se da enfermidade contagiosa (epizootia) representada pelo Mingote (Ribeiro Junqueira).

E assim, sucessivamente as quatro páginas do periódico traziam também notícias como a do lançamento de um jornal em distrito da cidade, ao lado de reclamações por maus serviços públicos, bem como notas sociais. Na seção literária, inicialmente foram publicados poemas ou frases de Voltaire e José Alencar, além de máximas do escritor e teatrólogo francês Edmond de Goncourt que, na época, saíam em jornais parisienses e nacionais. Mais tarde esta seção, que inicialmente chamou-se “Pensamentos” e localizava-se na terceira página, passou para a primeira e publicou ensaios literários de autores sem fama conhecida.

Vale registrar que em todos os periódicos leopoldinenses analisados foi encontrado, de forma mais ou menos frequente, material produzido em ou sobre localidades distantes e até mesmo vindas do exterior. Num primeiro momento pensou-se na hipótese de serem republicações de outros jornais a que os editores tinham acesso. Contudo, informações sobre a trajetória profissional de Ricardo José de Oliveira Martins encaminharam as sondagens em outra direção.

Nascido em Leopoldina no dia 03.04.1879, aos 20 anos Ricardo Martins era encarregado da composição de tipos na Gazeta de Leopoldina, portanto empregado de Ribeiro Junqueira que o nomeou para o cargo de Agente do Correio. Através de acusações e cartas de defesa publicadas nas páginas d’O Leopoldinense e da Gazeta, entre dezembro de 1898 e abril de 1899 envolvendo Ricardo Martins, entende-se que houve problemas com a entrega de telegramas que trariam informações importantes para os jornais concorrentes.

Diga-se, a propósito, que antes da inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina a população contava com um único meio de receber correspondência: as cartas vinham pelo Correio que, segundo A. Assis Martins e J. Marques Oliveira, no Almanak Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Geraes para o ano de 1865, deveriam chegar a Leopoldina às 18 horas dos dias ímpares de todos os meses do ano. Depois da ferrovia, conforme ensina Joseph D. Straubhaar e Robert La Rose, em “Comunicação, Mídia e Tecnologia” “a estrada de ferro e o telégrafo se integraram e se complementaram” e o interior teve acesso a um novo meio de comunicação. A partir daí, segundo os mesmos autores “o desenvolvimento do telégrafo […] levou a uma revolução na distribuição das notícias”. Opinião corroborada por Nelson Werneck Sodré para quem, até 1874, as notícias chegavam ao interior por carta e telégrafo que, ao agilizar o acesso, estimulou até mesmo a criação de página dedicada a notícias internacionais.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. No próximo ele volta com outro assunto.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de abril de 2015

Parte XVI de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Memórias e diálogos que compreendem o lugar

O texto da doutoranda Sônia Barreto de Novaes, publicado no nr. 12 da Contemporâneos -Revista de Artes e Humanidades, aborda uma preocupação que aflige pensadores de várias pequenas cidades brasileiras: o encolhimento das atividades culturais, muitas vezes definidos como sendo a morte da cidade.

Novaes analisa o caso de Piracaia, SP, focando nas memórias como propulsoras da legitimação dos espaços. O resumo do artigo informa:

“Em pesquisa que está sendo realizada em uma cidade do interior paulista estamos entendendo o estreito elo entre memória e desenvolvimento cultural. Esse estreitamento é, por vezes, tão ínfimo que mal nos damos conta que o desenvolvimento do local como um todo, mas principalmente da cultura, não ocorre porque não valorizamos nossas memórias, colocando-as como mero depósito de onde podemos extrair recursos, sem, no entanto, alimentá-las. Percebemos também que, estas memórias estão nas narrativas e, o registro destas subleva sentimentos de pertencimento e permite aflorar o ser enquanto cidadão dialógico nos diferentes espaços que ocupa. Dentre as questões pautadas no dia a dia estão àquelas relacionadas ao patrimônio material e imaterial como forma de representação perene diante das imbricações desenvolvimentistas que a Cidade vem tomando. “

Leiam o texto completo neste endereço.