Nasceu em Leopoldina no dia 25 de novembro de 1911, filha de Virgulino Montes Pereira e Ana de França Teixeira.
Seu pai era neto materno do povoador Bernardo José Gonçalves Montes.
Sobrenome de antiga família leopoldinense.
Interessante notar que o ano de nascimento de Sebastião pode não ter sido lançado de forma correta, uma vez que sua irmã Carmen teria nascido no dia 17 de março de 1911.
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O antigo Curato de Santana do Pirapetinga foi elevado à categoria de distrito através da Lei nº 1.240 de 29 de agosto de 1864, em território desmembrado do distrito de Conceição da Boa Vista, município de Leopoldina. Na época as divisas foram definidas a partir do rio Pirapetinga pelas fazendas de José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Mateus Herculano Monteiro de Castro e Jacinto Manoel Monteiro de Castro, até atingir as divisas do distrito de Angustura que também estava subordinado a Leopoldina. No mesmo mês de agosto de 1864 a freguesia de São José do Paraíba, hoje Além Paraíba, foi desmembrada de Leopoldina e incorporada a Mar de Espanha, aí permanecendo até novembro de 1880 quando, através da Lei nº 2678, foi emancipada. Para a formação do novo município, Leopoldina perdeu o distrito de Pirapetinga. No Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina podem ser encontrados alguns documentos sobre Pirapetinga relativos ao período de 16 anos de subordinação. Entre eles, o Alistamento Militar de 1875, do qual foram extraídas as informações abaixo.
* – E = Excluído * – I = Incluído Fonte: Livro de Alistamento Militar do arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina |
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Nosso quarto reconto vai um pouco além das fronteiras do município de Leopoldina. Vamos, hoje, às terras da atual cidade de Argirita, o antigo arraial do Bom Jesus do Rio Pardo.
Francisco de Paula Ferreira de Rezende, em “Minhas Recordações” página 371, se refere ao lugar como sendo apenas Rio Pardo, quando narra a vida de Manoel Antônio de Almeida para Leopoldina, em 1829. Diz ele que naquela época “em Rio Pardo já havia, então, um começozinho de povoação”.

Mas, nossa história começa bem antes desta data, com dois filhos do casal Domingos Gonçalves de Carvalho e Maria Vitória de Jesus Xavier que, conforme se observa na literatura existente, pertenciam à família do nosso alferes José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes. E estes filhos são: Felisberto Gonçalves da Silva, ou da Silva Gonçalves e Domingos Gonçalves de Carvalho (filho).
Provavelmente por volta de 1810 os irmãos Felisberto e Domingos, acompanhados das esposas e filhos, ocuparam terras nas vertentes do Rio Pardo. Requereram posse ao governo da província e em novembro de 1813 receberam as respectivas Cartas de Sesmaria, duas para cada casal. Felisberto, em 29.11.1813, obteve Sesmaria cujo limite era o Córrego da Glória, no Sertão do Pomba, Termo de Barbacena, conforme carta arquivada no APM, códice 353, página 76.
Sobre Felisberto sabemos, também que nasceu por volta de 1785 e casou-se em São João del Rei, a 29 de setembro de 1802 com Ana Bernarda da Silveira.
Em Velhos Troncos Mineiros, do Cônego Raimundo Trindade, consta que o casal teve um único filho, Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, que nasceu a 2 de janeiro de 1804 em São João del Rei e casou-se com Francisca de Paula de São José, provavelmente filha de seu tio paterno, Domingos Gonçalves de Carvalho e de Antônia Rodrigues. Chaves.
Analisando a trajetória de Felisberto após o casamento temos razões para suspeitar que teve pelo menos mais um filho: Joaquim Gomes da Silva Flores.
Hoje podemos afirmar, com segurança, que sua morte ocorreu depois de janeiro de 1863, uma vez que seu nome aparece nas listas de votantes do Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo nesse ano.
Inexplicavelmente o nome de Felisberto da Silva Gonçalves desapareceu da história oficial de Leopoldina e Argirita, embora conste do Mapa de População de 1831 como possuidor de 33 escravos, sendo o terceiro maior proprietário de cativos no então Distrito do Curato do Espírito Santo, Termo de Barbacena.
Em 1840, segundo o primeiro livro de compra e venda de bens de raiz de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), ele comprou de José da Silva Paradela e sua mulher Ana Marinha de Jesus, 60 alqueires de terras de cultura. Uma propriedade que estava dentro do território atual de Argirita e limitava-se com Joaquim Gonçalves de Almeida e Antonio Henriques de Souza.
Em 1842 vendeu parte de sua fazenda no Córrego da Glória, no lugar denominado Monte Redondo e em 1846 comprou, de Lino da Silva Paradela, terras no Ribeirão de São Bento.
No Registro de Terras de 1856 Felisberto aparece como vizinho da Fazenda do Socorro, de propriedade dos herdeiros de José Joaquim Monteiro de Barros.
A partir do estudo de diversos documentos concluímos que a Fazenda formada a partir das concessões de sesmarias ao casal Felisberto e Ana é a mesma Fazenda Fortaleza que ainda aparece nas cartas atuais do IBGE.
Quanto a Domingos Gonçalves de Carvalho, irmão de Felisberto, pouco sabemos. O Cônego Trindade informa que ele casou-se com Antonia Rodrigues Chaves com quem teve apenas uma filha, de nome Maria, nascida em 1809. Em nossas pesquisas encontramos outros possíveis filhos do casal sem contudo podermos garantir dados sobre a descendência, tendo em vista a precariedade dos assentos paroquiais encontrados. Mas, nos livros pesquisados, encontramos batismos de Francisca, Maria, Rita, Antonio, José e Joaquim entre 1802 e 1820, cujos pais podem ser os casais que estamos abordando.
Resta dizer que o filho de Felisberto – Antonio Felisberto da Silva Gonçalves, teve, pelo menos uma filha que recebeu o nome de Carolina Rosa de São José. E pela localização da residência de seus pais acreditamos que tenha sido batizada na Capela de Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre (Taruaçu). Mas, infelizmente ainda não foi possível descobrir onde estariam os registros dos primeiros atos realizados naquela Capela. É certo que Carolina foi casada com Francisco de Paula Pereira Pinto e deixou enorme descendência em Leopoldina e arredores.
Ficamos por aqui. Os Recantos de um Recanto continuarão no próximo número.
josé luiz machado rodrigues
nilza cantoni
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Hoje o tema da coluna é o distrito de Tebas cujo nome, para nós, ainda não está devidamente explicado quanto a sua origem. Vamos falar sobre a terra de uma água especial que, no dizer da jornalista Silvia Fonseca,[i]“quem bebe da água tebana sempre volta à fonte.”
Começamos pelo Relatório da Presidência da Província de Minas Gerais de 1894 que nos informa ter a febre amarela atingido a nossa região de forma alarmante.[ii] Uma epidemia que causou, inclusive, um lapso nas anotações de óbitos da cidade entre agosto de 1894 e janeiro de 1898, embora exista um livro iniciado a 01.01.1896,[iii] onde foram anotados “a posteriori” sepultamentos ocorridos entre agosto/94 e dezembro/1895. Foi esta epidemia de febre amarela que motivou a mudança temporária da administração municipal para o distrito de Tebas o que, no mínimo, é muito curioso quando se sabe que o distrito de (Piedade) Piacatuba é bem mais antigo. Mas, como surgiu o nome e o lugar chamado Tebas? Se consultarmos o dicionário veremos que Tebas pode referir-se à cidade grega, a uma pessoa forte e desembaraçada ou, ao nosso distrito.[iv] Autores existem que registram a origem do topônimo na língua tupi, com o sentido de desembaraçado, forte, graúdo[v]. Outros dizem que distrito herdou o nome de um ribeirão local, sem informar de onde surgiu o nome do tal ribeirão.. Hoje sabemos, no entanto, que existiu por ali um Manoel Joaquim Thebas que, entre outros, foi vizinho da fazenda Feijão Cru, que pertencia a Manoel Antonio de Almeida. E como esta informação sobre este Manoel J. Thebas é de 1856 e a paróquia data de 1881, acreditamos ser possível que o patrimônio tenha sido doado por este senhor e dele surgiu o nome do distrito. Quanto ao povoado, tudo leva a crer ser ele bem antigo. Francisco de Paula Ferreira Rezende[vi] a ele se refere quando afirma que por ocasião de sua vinda para Leopoldina, pelos idos de 1860 ainda encontrou remanescentes dos Puris na estrada de Tebas para Rio Pardo. É certo que a povoação foi elevada a distrito pela lei provincial nº 2675, de 30.11.1880. A confirmação eclesiástica veio com a lei nº 2848 de 25.10.1881 que elevou o distrito a Freguesia. E a lei nº 3113, de 1882, registra o nome do distrito como Santo Antônio de Tebas. Vale lembrar que a lei que criou o distrito autorizou a câmara municipal de Leopoldina a estabelecer a divisas. Para este fim a câmara nomeou comissão de vereadores que estudaram o assunto e apresentaram parecer conclusivo. E, segundo consta, o parecer desta comissão foi aprovado em plenário com a ressalva apenas de que o nome do lugar passou a ser Santo Antonio dos Thebas, ao invés de Santo Antonio do Monte Alegre como anteriormente era conhecido. O distrito de Tebas foi constituído por terras antes pertencentes a Leopoldina (sede), Piedade (Piacatuba) e Rio Pardo (atual Argirita). Assim, pela lei nº 2938, de 23.09.1882, algumas fazendas da Piedade foram transferidas para Thebas. Em 06.10.1883 foi a vez de Rio Pardo perder algumas propriedades que passaram para o novo distrito. E em 18 do mesmo mês, através da lei nº 3171, a fazenda de João Pereira Valverde foi transferida de Thebas para a freguesia de Piedade.[vii] Mas vamos retroagir um pouco e começar nossa busca pela venda de seis alqueires da fazenda Monte Alegre, em julho de 1841. As terras vendidas localizavam-se na “cabeceira” ou nascente do córrego hoje chamado Tebas e a sede da fazenda era residência de Elias da Silva Espíndola. Os compradores dessas terras foram Honório Alves Ferreira e João Vieira Machado de Freitas. Por esta fazenda passava uma estrada que, vindo de Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita), atingiria as terras de Antônio José Monteiro de Barros (fazenda Paraíso).[viii] Sete meses depois o mesmo Elias da Silva Espíndola vende outros oito alqueires da mesma fazenda para José Miguel Dias da Silva e registra que estas terras limitam-se com as vendidas anteriormente e estão localizadas na serra entre o Rio Pardo e o Rio Pirapetinga.[ix] Sabe-se que um dos vizinhos da fazenda Monte Alegre era o capitão Felisberto da Silva Gonçalves, um dos primeiros sesmeiros do lugar que, juntamente com sua esposa, Ana Bernarda da Silveira, recebeu duas sesmarias entre os córregos Glória e Fortaleza (nomes que desapareceram da toponímia local). Podemos acrescentar, ainda, que estas duas sesmarias limitavam-se com as terras recebidas, também em novembro de 1813,[x] por seu irmão e cunhada, Domingos Gonçalves de Carvalho e Antonia Rodrigues Chaves. E, segundo consta, uma das fazendas de Felisberto ficava no Monte Redondo, no caminho de Tebas para Argirita. Entre os vizinhos de Felisberto surge, ainda, o nome de Joaquim Manoel Coimbra, algumas vezes citado como Manoel Joaquim Coimbra, provavelmente ancestral do vereador Antonio da Costa Coimbra que fez parte da comissão que estudou os limites do distrito de Tebas. As terras deste Manoel Coimbra, por sua vez, limitavam-se com o já mencionado Felisberto da Silva Gonçalves, com os Valverdes e com Elias da Silva Espíndola. Em função dessas informações, passamos a suspeitar que a tal fazenda “Campo Alegre” seja a mencionada por Manoel Antônio de Almeida, em 1856, como propriedade dos “herdeiros de Manoel Joaquim Thebas”,[xi] possivelmente um homem destemido e que recebeu dos puris o nome de “teba”. Vale registrar que pela análise do movimento de compra e venda de bens de raiz no então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual Argirita, observa-se que a fazenda Campo Alegre foi citada como local em que o Escrivão realizou diversos registros entre 1841 e 1853. Para encerrarmos por hoje, registramos que entre 1862 e 1864, os eleitores do distrito de Tebas pertenciam às famílias Almeida, Braga, Carvalho, Coimbra, Cunha, Dias, Dornelas da Costa, Freitas, Gonçalves, Lemos, Moraes, Pereira, Policiano, Reis, Ribeiro, Santos e, Silva.[xii] E dentre os italianos que viveram em Leopoldina um bom número deles residiu temporária ou definitivamente em Tebas, dos quais destacamos os sobrenomes Albertoni, Angeli, Bedin, Ceoldo, Gruppi, Marsola, Meneghetti, Stefani e Zotti. Até a próxima edição, com novos recontos. __________ Fontes utilizadas: [i] Jornal O Globo, 16.02.1989. [ii] Mensagem do Presidente da Província de 1895, p. 10 [iii] Arquivo da Prefeitura Municipal de Leopoldina, livros do Cemitério Público. [iv] Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. [v] Toponímia de Minas Gerais, Joaquim Ribeiro Costa. [vi] Minhas Recordações, p. 386. [vii] Artigo da Gazeta de Leopoldina, de 1922, assinado por J. Botelho Reis. [viii] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 8 v. [ix] Livro 1 de Compra e Venda de Bens de Raiz de Bom Jesus do Rio Pardo, fls. 11. [x] Cartas de Sesmarias emitidas pelo Presidente da Província. [xi] Registro de Terras de Leopoldina, TP 114, número 18. [xii] Alistamento Eleitoral de Bom Jesus do Rio Pardo, 4º quarteirão. |