Autor: Nilza Cantoni
Cisneiros e Itapiruçu, distritos de Palma
POSTAGEM REPUBLICADA
CISNEIROS – Chamou-se inicialmente Aliança por extensão do nome da fazenda que lhe deu origem, propriedade de Bernardo Tolentino Cisneiros da Costa Reis. O distrito foi criado quando pertencia a Cataguases, em 1890, tendo seu nome alterado em 1892.
ITAPIRUÇU – Criado no município de Leopoldina em 1883 com o nome de Tapiruçu, mesma grafia com que aparece nos registos do Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista. Segundo estudos toponímicos publicados na Revista do Arquivo Público Mineiro, seria uma referência ao Tapirussu, animal silvestre que servia de alimentação aos indígenas. Trata-se de mamífero de pêlo avermelhado, pernas finas, sem chifres, lembrando um bovino ou equino no tamanho. Entretanto, Joaquim Ribeiro Costa diz que o nome do distrito tem origem na língua indígena: itá + apira + açu. O significado seria pedra + empinada + grande, ou seja, grande pedra empinada.
Ver e tocar o passado: emoção e sentimento na História do Brasil de John Armitage
Artigo de Flávia Florentino Varella publicado no número 8 da Revista História da Historiografia, disponível neste endereço.
Segundo a autora, Ver o Tocar o Passado “tem como principal objetivo analisar como a História do Brasil, escrita em 1836 pelo comerciante inglês John Armitage, pode ser entendida dentro dos parâmetros de uma historiografia de presença, e que espécie de práticas caracterizariam esse tipo de historiografia.”
Um trecho:
“a teatralidade e profusão na descrição das cenas, foi mobilizado por Armitage, na narrativa da história nacional brasileira, principalmente na caracterização da relação da Imperatriz Maria Leopoldina com D. Pedro I como um casamento repleto de desgostos causados pela infidelidade de seu marido e sofridos injustamente por ela. Ao invés de focar a narrativa do sofrimento em D. Pedro I, no qual a priori seria mais difícil estabelecer empatia com seus leitores, Armitage transferiu essa narrativa patética para a traída e indefesa Imperatriz. A temática do casamento, como fonte infinita de sofrimento e desgosto, não passou despercebida na História do Brasil, e a fragilidade feminina foi o espaço encontrado para a criação de empatia através da piedade.”
Os sertanistas de São Paulo em discursos de padres do século XVIII
Artigo de Michel Kobelinski sob o título A negação e a exaltação dos sertanistas de São Paulo nos discursos dos padres Pierre-François-Xavier de Charlevoix, D. José Vaissette e Gaspar da Madre de Deus (1756-1774), publicado no número 8 da Revista História da Historiografia, “procura entender como essas construções discursivas exaltavam ou negavam as ações “sertanistas” a partir de sensibilidades opostas, o ufanismo e o ressentimento, na construção da identidade nacional”.
Disponível neste endereço, o artigo aborda os “vínculos entre os cidadãos e a nação [que] somados ao hábito de supervalorizá-la excessivamente, decorrem de um modelo de história que exaltou os heróis e reverenciou a natureza.”
Na conclusão do autor declara que “a polêmica historiográfica envolveu, de um lado, o historiador Pedro Taques de Almeida Paes Leme e Frei Gaspar da Madre de Deus, que viram no passado um instrumento de luta política e de valorização pessoal, ao mesmo tempo em que refutavam os escritos jesuíticos de Charlevoix e Vaissette que, inversamente, procuravam mostrar imagens da barbárie e da degeneração social na formação da capital paulista.”
Confrontar as memórias do passado para libertar a imaginação de um outro presente.
Este é o título dado pela Revista Caderno de História para o resumo conversa de Pedro Telles da Silveira com a historiadora Iris Kantor, em abril de 2010, na Universidade Federal de Ouro Preto. A íntegra está disponível neste endereço.
Uma de suas posições:
“não creio que devamos ter receio de utilizar fontes digitais, a revolução digital abre novos horizontes não só para a investigação histórica, como também para a atuação profissional do historiador. Obviamente será necessário estar ainda mais atento à confiabilidade dos sites, das bibliotecas e dos arquivos digitais. Mas nossa geração tem a oportunidade inédita de acessar milhares de obras raras que não estariam acessíveis sem os meios eletrônicos.”
Significados e Mudanças de Nomes das Localidades
Hoje trazemos algumas informações sobre as denominações dos antigos povoados. Nossa fonte principal é a obra Toponímia de Minas Gerais, de Joaquim Ribeiro Costa, edição de 1993 pela Itatiaia, de Belo Horizonte.
Ao mencionar os topônimos representados por nomes do calendário cristão, o autor lembra ser este um atestado do sentimento religioso daqueles que desbravaram o território e fundaram os antigos povoados. De modo geral, a formação do arraial iniciava-se em torno de uma igreja erguida em homenagem ao santo de devoção, cujo nome estendia-se para toda a localidade. Assim é que Leopoldina, por exemplo, chamou-se Tesouro de São Sebastião do Feijão Cru.
Obedecendo ao “Esquema Genealógico” constante na página 93 da obra de Ribeiro Costa, temos que de Leopoldina foram desmembrados os seguintes atuais municípios: Argirita, Astolfo Dutra, Barão do Monte Alto, Cataguases, Dona Eusébia, Itamarati de Minas, Laranjal, Miraí, Palma, Recreio e Santana de Cataguases. Para os objetivos deste comentário, vamos nos referir a Laranjal, Palma e Recreio.
PALMA – O Curato de São Francisco de Assis da Capivara foi incorporado a Leopoldina em 1854, transferido para São Paulo do Muriaé em 1871, depois para Cataguases em 1875 e elevado a município em 1890, compreendendo os distritos de Laranjal e Aliança (hoje Cisneiros). Em 1891 incorporou os distritos de Itapiruçu e São Sebastião da Cachoeira Alegre.
LARANJAL – A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal foi incorporada ao município de Leopoldina em 1871, transferida para São Francisco de Assis da Capivara (Palma) em 1890, para Cataguases em 1891 e elevada a município em 1938, compreendendo o distrito sede e o de São João da Sapucaia. Até onde pudemos apurar, a mudança de nomes foi apenas pela supressão do santo invocado na denominação original.
RECREIO – Nome da fazenda onde foi construída a estação da estrada de ferro, conforme já mencionado nos primeiros posts deste blog. Distrito criado em território de Conceição da Boa Vista em 1890, elevado a município em 1938 com os distritos de Conceição da Boa Vista e São Joaquim (atual Angaturama).
Nos próximos comentários vamos tratar dos distritos.
Divisas de Santa Isabel
Na seqüência de nossos estudos sobre os primeiros moradores de Recreio, foi necessário definir quais daqueles pioneiros viviam em território que permaneceu em Conceição da Boa Vista depois das divisões de 1890. O método utilizado foi o da exclusão, ou seja, procuramos identificar os moradores dos novos distritos criados e os excluímos do grupo sobre o qual direcionamos nossas pesquisas.
No caso de Santa Isabel, no decretonº 241 de 21 de novembro de 1890, parágrafo 2º, as divisas informam os nomes dos proprietários cujas terras passariam a pertencer ao novo distrito. Eram eles:
Antonio Augustode Almeida,
Antonio de Almeida Freitas Lima,
Antonio Lourenço Peixoto,
Antonio Rodrigues Montes,
Antonio Theodoro de Almeida Montes,
Domiciano Matheus Monteiro de Castro,
Domingos Marques de Oliveira,
Francisco Alves de Souza Guerra,
Francisco Antonio Reiff,
Francisco Ribeirode Rezende,
Gabriel de Andrade Junqueira,
João Ignacio deMoraes,
José Antonio de Moraes,
JoséBatistaGuimarães,
José Cesario de Castro Monteiro de Barros,
José Coelho de Andrade,
José Coelho dos Santos Monteiro,
José Ferreira Britto,
Marcos Monteiro de Rezende,
Maria da Gloria,
Martiniano Coelho dos Santos Monteiro,
Miguel de Faria Coutinho,
Quirino de Rezende Montes,
Quirino Ribeiro Monteiro de Rezende,
Romualdo José Monteiro de Rezende,
Sebastião Mendes do Valle,
Valeriano Coelho dos Santos Monteiro,
Victorio daCosta.
Baseando-se somente nesta fonte, alguns pesquisadores foram levados a enganos de natureza variada. Em primeiro lugar, o livro de atas do Conselho Distrital de Santa Isabel traz muitos outros nomes de proprietários naquele e em outros distritos. Outro problema refere-se à formação dos nomes que, conforme já informamos em outro post, não era sempre a mesma. De tal sorte que alguns dos nomes acima não correspondem à forma utilizada em outros documentos, gerando não poucas confusões entre homônimos.
Para não nos estendermos em demasia, citamos apenas dois enganos cometidos por alguns intérpretes.
O proprietário citado como Quirino de Rezende Montes era filho de Bernardo José Gonçalves Montes, pioneiro de Leopoldina, formador da Fazenda Sossego, no local hoje conhecido por São Lourenço. Em 1899 Quirino continuava residindo em sua Fazenda Vai e Volta em São Lourenço, terras que foram desmembradas da propriedade de seu pai. Portanto, não há sustentação para a hipótese de Quirino de Rezende Montes ter sido o Barão de Avelar Rezende.
Já o proprietário listado como Quirino Ribeiro Monteiro de Rezende era filho de Antônio José Monteiro de Rezende. Aparece em alguns documentos como Querino Desidério Monteiro de Rezende, nascido por volta de 1863 e que em 1890 era lavrador, residente em Santa Isabel. Ou seja, não há justificativa para a informação de que este personagem era o pai do Barão de Avelar Rezende.
Por oportuno, esclarecemos que o citado Barão era filho de Querino Ribeiro de Avelar Rezende, sendo neto paterno de João Ribeiro de Avelar. Segundo transações imobiliárias registradas no Cartório de Notas de Conceição da Boa Vista, o Barão e seu pai residiram na Fazenda Saudade, em território que permaneceu no distrito de Conceição da Boa Vista depois da divisão territorial. A confirmar esta interpretação, informe-se que as atas do Conselho Distrital de Santa Isabel não incluem o Barão de Avelar Rezende nem seu pai como proprietários de terras em seus quarteirões, nem tampouco eles aparecem entre os eleitores daquele distrito.
Uma hipótese: a Fazenda Saudade estaria localizada em território desmembrado de Conceição da Boa Vista em 1883, para constituir o distrito de Itapiruçu. Este distrito foi criado em território de Conceição da Boa Vista e pertenceu a Leopoldina até 1891, quando foi incorporado ao município de Capivara, hoje Palma. Esta hipótese sustentaria a informação, presente em algumas publicações, de que o Barão foi proprietário em Palma. Permanecemos, porém, em dúvida quanto à localização da Fazenda Saudade. Isto porque, se assim o fosse, transações imobiliárias dos herdeiros não poderiam ter sido registradas em outro distrito depois de 1883.
Serafim Teixeira da Luz
Este personagem, já citado algumas vezes neste blog, gerou comentários e consultas de leitores. Voltamos hoje ao assunto para informar que fizemos novas buscas e não encontramos nenhuma evidência de que tenha sido o mesmo Serafim Coimbra, proprietário de hotel já no século XX conforme indicou um dos leitores.Do que apuramos podemos apenas garantir que, em 7 de abril de 1885, Serafim Teixeira da Luz assinou contrato de aforamento de um terreno da Fazenda Laranjeiras, no qual estava construída uma casa. Naquele registro consta apenas que ele era Negociante. Quatro dias depois, o mesmo personagem compareceu ao Cartório de Conceição da Boa Vista para assinar contrato de arrendamento de bens pertencentes a João Francisco Gonçalves e sua mulher, Constancia Ferreira Brito, filha de Ignacio Ferreira Brito. O objeto do contrato:
“casa de vivenda, pés de café, bemfeitoria, neste Districto, na Fazenda Larangeiras, pertencente a Ignacio Ferreira Brito e sua mulher […] area de dezenove hectares e trinta e seis avos (iguais a quatro alqueires da antiga medida) de planta de milho mais ou menos, dividindo o dito sitio por um lado com Antonio de Melo, por outro com Manoel Barboza da Fonseca, e pelos outros lados com as terras da mesma Fazenda Larangeiras”.
O contrato de arrendamento foi de seis anos, com obrigação de ceder metade da colheita do café aos outorgantes, assim como tratar da plantação, não fazer derrubada dos matos nem cortes de madeira. Concluímos, portanto, que Serafim Teixeira da Luz adquiriu uma casa por aforamento e dedicou-se à agricultura por arrendamento de outra propriedade na mesma Fazenda Laranjeiras.
Leopoldinenses nascidos em maio de 1912
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NASCIMENTO
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PAI
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MÃE
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José
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3 Maio
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Teodorico Joaquim Barbosa
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Maria da Conceição
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Damaso Penido
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12 Maio
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Hilário de Castro Rodrigues Penido
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Martinha Ferreira Pires
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Maria da Glória Vargas Neto
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12 Maio
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Guilherme de Vargas Neto
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Maria Constância da Conceição
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Osmar
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13 Maio
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Eugênio José da Cruz Nogueira
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Mariana Luiza da Conceição
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Lourença
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16 Maio
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Emilio Carlos de Oliveira
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Querina Matilde de Oliveira Montes
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Dionízio Lacerda
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18 Maio
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Custódio Lacerda Filho
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Etelvina Rodrigues Ferreira
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Ivo
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20 Maio
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Teófilo Otoni Machado
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Albertina Rodrigues Martins
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Sebastião
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25 Maio
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Jovencio José de Oliveira
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Alice Garcia de Matos
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Wellington Izidoro de Carvalho Neto
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25 Maio
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João Izidoro Gonçalves Neto
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Ambrosina Rodrigues de Carvalho
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Germano Gallito
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28 Maio
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Vitória Gallito
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Julio
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28 Maio
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Joaquim Dias Neto
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Rosa Lazzaroni
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Foreira vende casa
Os contratos de aforamento da Fazenda Laranjeiras foram modificados desde o primeiro ano do loteamento que deu origem a Recreio. Três meses depois de assinar o contrato de aforamento, Dona Guilhermina Amélia de Medeiros, viúva de Lino Marques Dias, estava residindo em Ipiabas, Valença(RJ) onde procurou o cartório para nomear José da Cruz Navega como seu procurador para a venda do terreno de 46 metros e 20 centímetros quadrados com uma casa de morada, no Arraial Novo do Recreio. A venda foi realizada no dia 18 de abril de 1885, ficando assim registrada:
Vende a Júlio de Moraes Tavares, morador na mesma Estação Recreio, uma casa térrea coberta de telhas, localizada na Estação Recreio, que divide pela frente com a linha férrea Alto Muriahé, pela direita com uma pequena casa ocupada pela Companhia da Leopoldina, pelo lado esquerdo com terrenos da Fazenda das Laranjeiras. A dita casa edificada nas terras da Fazenda das Larangeiras, junto da Estação Recreio, cujo terreno ela outorgante fez aforamento perpétuo aos proprietários da dita Fazenda Ignacio Ferreira Brito e sua mulher Mariana Osoria de Almeida.
Assim é que Júlio de Moraes Tavares, o proprietário de um dos hotéis de Recreio, assumiu, também, o foro anual de 340 reis por metro quadrado de mais este imóvel adquirido.




