Ver e tocar o passado: emoção e sentimento na História do Brasil de John Armitage

Artigo de Flávia Florentino Varella publicado no número 8 da Revista História da Historiografia, disponível neste endereço.

Segundo a autora, Ver o Tocar o Passado “tem como principal objetivo analisar como a História do Brasil, escrita em 1836 pelo comerciante inglês John Armitage, pode ser entendida dentro dos parâmetros de uma historiografia de presença, e que espécie de práticas caracterizariam esse tipo de historiografia.”

Um trecho:

“a teatralidade e profusão na descrição das cenas, foi mobilizado por Armitage, na narrativa da história nacional brasileira, principalmente na caracterização da relação da Imperatriz Maria Leopoldina com D. Pedro I como um casamento repleto de desgostos causados pela infidelidade de seu marido e sofridos injustamente por ela. Ao invés de focar a narrativa do sofrimento em D. Pedro I, no qual a priori seria mais difícil estabelecer empatia com seus leitores, Armitage transferiu essa narrativa patética para a traída e indefesa Imperatriz. A temática do casamento, como fonte infinita de sofrimento e desgosto, não passou despercebida na História do Brasil, e a fragilidade feminina foi o espaço encontrado para a criação de empatia através da piedade.”

 

 

 

Os sertanistas de São Paulo em discursos de padres do século XVIII

Artigo de Michel Kobelinski sob o título A negação e a exaltação dos sertanistas de São Paulo nos discursos dos padres Pierre-François-Xavier de Charlevoix, D. José Vaissette e Gaspar da Madre de Deus (1756-1774), publicado no número 8 da Revista História da Historiografia, “procura entender como essas construções discursivas exaltavam ou negavam as ações “sertanistas” a partir de sensibilidades opostas, o ufanismo e o ressentimento, na construção da identidade nacional”.

Disponível neste endereço, o artigo aborda os “vínculos entre os cidadãos e a nação [que] somados ao hábito de supervalorizá-la excessivamente, decorrem de um modelo de história que exaltou os heróis e reverenciou a natureza.”

Na conclusão do autor declara que “a polêmica historiográfica envolveu, de um lado, o historiador Pedro Taques de Almeida Paes Leme e Frei Gaspar da Madre de Deus, que viram no passado um instrumento de luta política e de valorização pessoal, ao mesmo tempo em que refutavam os escritos jesuíticos de Charlevoix e Vaissette que, inversamente, procuravam mostrar imagens da barbárie e da degeneração social na formação da capital paulista.”


Os Historiadores e a Declaração Universal dos Direitos Humanos

Um artigo de Antoon de Baets, publicado na revista História da Historiografia nr. 5, setembro de 2010,  sob o título O impacto da Declaração Universal dos Direitos Humanos no estudo da História, suscita boas reflexões sobre o papel de quem escreve e/ou ensina História.
Abordando diretamente os artigos da Declaração ou combinando-os, o autor procura demonstrar que ali está uma fonte de “cinco importantes direitos para os historiadores: o direito à livre expressão e informação, o de se reunir e fundar associações, à propriedade intelectual, à liberdade acadêmica e ao silêncio” e de “três deveres dos historiadores: o dever de produzir conhecimento especializado sobre o passado, o de disseminá-lo e o de ensiná-lo”.
Para leitura na íntegra, acessem este endereço.