Há 100 anos

Leopoldinenses nascidos em 1914

José 8-set filho de Antonio José Ferreira e de Maria Madalena Noronha
Jonas 11-set filho de Sebastião Damasceno Neto e de Maria José Ferreira
Maria Octavia Gottardo 12-set filha de Michele Arcangelo Gottardo e de Vitalina Duana
Elpidio 14-set filho de Antonio Rodrigues d Oliveira e de Delfina de Moraes Machado
Vicente 15-set filho de José Carlos de Oliveira Ramos e de Geraldina de Freitas
Artur Maragna 24-set filho de Artur Maragna e de Idalina Perillo
Maria Lammoglia 26-set filha de Antonio Lammoglia e de Margaretha Lorenzetto

Oficina e palestra em homenagem a Augusto dos Anjos

Centenário de morte de Augusto dos Anjos

 

HORÁRIO LOCAL 24/OUTUBRO/2014
14:00 às 16:00 Museu Espaço dos Anjos            Oficina de Declamação
19:00
  • Palestra sobre Augusto dos Anjos, por Maria José Ladeira Garcia
  • Declamação de Poesia com Glória Barroso
  • Lançamento de livro

Veja a programação completa

6 – Literatura, Jornalismo e Política

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Ficou dito na coluna anterior que as últimas décadas do século XIX não foram apenas uma grande época política, mas também literária. E é Nelson Werneck Sodré, no livro “A História da Imprensa no Brasil”, quem lembra que, para Silvio Romero, “no Brasil […] a literatura conduz ao jornalismo e este à política”. O mesmo autor declara que “os homens de letras faziam imprensa e faziam teatro” e menciona a trajetória de literatos como José de Alencar e Machado de Assis.

O Trem de História de hoje lembra que em Leopoldina existiram dois exemplos clássicos de literatos que seguiram este caminho.

O primeiro foi o poeta Dilermando Martins da Costa Cruz, aqui nascido aos 15.09.1879. Tipógrafo dos primeiros anos da Gazeta de Leopoldina publicou vários de seus poemas neste jornal de cujas oficinas saiu também, em 1899, seu segundo livro de poesias – Diaphanas. Em janeiro daquele ano fundou um externato na cidade, conforme a Gazeta de Leopoldina de 22.01.1899. Em 1902 lançou o jornal Folha do Leste, em Leopoldina, do qual era o redator, conforme nota de O Pharol, de Juiz de Fora, 15.11.1904. Segundo ainda O Pharol, (edição de 13.09.1901, pag. 2), em 1901 era promotor de justiça da Comarca de Leopoldina e permanecia como redator da Folha do Leste em março de 1905, conforme noticiou o periódico juizforano na edição de 28 daquele mês. Na edição de 10.06.1905 o mesmo jornal informou que Dilermando Cruz atuava no Echo de Leopoldina. Em 16.05.1906, na primeira página d’O Pharol saiu a notícia de que Dilermando  estava cuidando da fundação de um diário na cidade de Juiz de Fora, o qual estaria nas ruas no final daquele mês, notícia confirmada na edição de 14 de junho seguinte já com o nome do periódico: Correio da Tarde. Tendo, então, transferido residência para Juiz de Fora, no ano seguinte ali nasceu o filho homônimo do poeta que viria a ser prefeito daquela cidade. Em junho de 1907, segundo O Pharol, estava concluído o terceiro livro do poeta Dilermando que seria enviado aos editores Garnier, de Paris. Informação que encontra maior relevância na declaração de Nelson Sodré para quem a Garnier “enobrecia os autores que lançava”.

O segundo exemplo de literato é o de Estevam José Cardoso de Oliveira, nascido em Piraí, RJ, no dia 28.01.1853. Estevam mudou-se para Cataguases em 1865, onde foi alfabetizado. Mais tarde ele se tornou professor de primeiras letras em Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira) onde fundou o jornal O Povo em 1885. Após residir por quase quinze anos em Leopoldina, retornou a Cataguases para onde transferiu o seu jornal. No mesmo ano lançou-se candidato ao Congresso Mineiro e, em 1894, transferiu-se para Juiz de Fora onde fundou o jornal Correio de Minas. Juntamente com Dilermando Cruz cuidou da organização da Liga Literária, semente da Academia Mineira de Letras, fundada em Juiz de Fora aos 25.12.1909, e de cuja primeira diretoria os dois faziam parte.

Não resta dúvida que a atuação política de Dilermando Cruz transparece desde o início de sua carreira jornalística, em Leopoldina, assim como a de Estevam de Oliveira. E esta atuação teve um ponto alto em julho de 1907, conforme nota na edição 171 d’O Pharol, quando os dois escritores levantaram, em seus respectivos jornais Correio da Tarde e Correio de Minas, a candidatura à reeleição como presidente da Câmara do Dr. Duarte de Abreu, tomando posição contrária ao poder vigente numa clara demonstração da atividade político partidária de dois representantes da imprensa leopoldinense dos primeiros tempos.

Aliás, Estevam de Oliveira publicou “Notas e Epístolas: Páginas Esparsas da Campanha Civilista pela Tipografia Brasil”, de Juiz de Fora, em 1911, obra na qual demonstrou, como já fizera Dilermando Cruz na edição número 258 d’O Pharol, em 29.10.1905, o desprezo que sentia pela atuação política do então Senador Ribeiro Junqueira, também natural de Leopoldina e um dos sócios do primeiro jornal em que trabalhou Dilermando Cruz, a Gazeta de Leopoldina.

A carga do vagão de hoje está completa. Restou na plataforma, um pouco de política e mais uma parte de literatura. Mas isto será embarcado na próxima viagem do Trem de História, no próximo Jornal.

Encontro Histórico Musical em Barbacena

 

A ACAHMPAS e a SCMB, em mais uma parceria, unem a música e a história e convidam você para, sob os acordes da melhor música, conhecer os personagens históricos que habitam o Arquivo Histórico Municipal e que fazem dele um lugar de memória tão privilegiado e único para Barbacena e região.

Convite Encontro Hisrórico Musical

Catedral de São Sebastião

Segundo Roberto Capri. Minas Gerais e seus Municípios. São Paulo: Pocai Weiss & Cia, 1916 p. 237-262

"A Matriz é consagrada a S. Sebastião. É esse um templo magestoso e solemne que eleva-se, ostentando ao céu a sua symbolica cruz, sobre bella e romântica eminência que domina toda a cidade, tendo na frente gracioso e lindo jardim com largas alamedas que cruzam-se entre si, um caprichoso repuxo d'agua, e no centro uma grande Cruz, symbolo de paz e de amor. O interior desta Matriz é ricamente decorado tendo do estatuas de alto valor. No  altar-mór erguem-se as estatuas do Coração de Jesus e de N. S. das Dores. Os altares lateraes são consagrados a S. Geraldo e S. Rita de Cássia e de frente ao Baptistério vê-se Nosso Senhor dos Passos. A Gruta de Lourdes é maravilhosamente bella; visitando-a a alma se esquece dos prazeres fugazes deste mundo e se eleva ao Céu, toda absorvida em Deus. Esta Egreja, Casa de Deus, fica sempre aberta, noite e dia, e nella se pratica a adoração perpetua; todo o anno ha bênçãos com cânticos e grande solemnidade, e, 3 vezes por dia, rosario com todos os mystérios. Esse templo, o mais bello desta região da Matta, é ricamente iluminado por 103 lâmpadas eléctricas de 100 e 50 velas."
Igreja Matriz de São Sebastião da Leopoldina

Imagem rara, nela se observa a gruta de Santa Rita que teria sido construída em local mencionado por antigos moradores como o da primeira Igreja do Feijão Cru. Esta matriz foi demolida na década de 1920 e pelo menos um de seus altares foi transferido para a Capela do Colégio Imaculada que estava em construção um pouco mais abaixo, do lado esquerdo.

Construção da nova Matriz de São Sebastião da Leopoldina
Igreja Matriz de São Sebastião da Leopoldina

Embora identificada como Catedral nas duas fotos acima, somente em 1942 Leopoldina tornou-se sede de Diocese.

Catedral de São Sebastião da Diocese de Leopoldina
Catedral de São Sebastião da Diocese de Leopoldina
Catedral de São Sebastião da Diocese de Leopoldina
Catedral de São Sebastião da Diocese de Leopoldina
Catedral de São Sebastião da Diocese de Leopoldina

 

5 – Porque Tantos em Tão Pouco Tempo

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Nesta viagem sobre a Imprensa em Leopoldina o leitor deve ter observado que o Trem de História corre por trilhos imaginários que ligam os periódicos que circularam durante um determinado recorte de tempo – entre 1879 e 1899. No artigo de hoje a viagem continua.

Agora, para falar da razão de tantos periódicos em período tão curto.

E o princípio da conversa é a afirmação de Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil”, de que durante o Império houve uma interiorização da imprensa através da publicação de periódicos nas pequenas cidades como forma de compensar a dificuldade de transporte e do serviço de Correio, os quais embaraçavam a chegada às cidades menores dos jornais da Corte e das capitais de província.

Por este modo de pensar os periódicos da cidade teriam proliferado num vazio deixado pela falta ou, deficiência do transporte para o interior do país.

Tudo leva a crer que esta não seria a melhor justificativa para a profusão de folhas que se lançaram em Leopoldina nas duas últimas décadas do século XIX. Até pelo simples fato de que a cidade poderia ser considerada uma privilegiada pela proximidade do Rio de Janeiro. Além de a Estrada de Ferro da Leopoldina já existir, a análise de Rodolpho Jacob no livro “Minas Gerais XX Século” e as tabelas do movimento de transporte ferroviário publicadas no Almanaque Laemmert entre 1879 e 1889 registram que era significativo o movimento diário de carga que chegava a Leopoldina, aí incluída a correspondência. Em verdade Leopoldina contava com o trem e uma boa troca de interesses com a capital.

Outro argumento utilizado para tentar explicar a grande quantidade de jornais na segunda metade do século XIX é a disseminação das ideias republicanas, mencionada por Sodré, na sua obra já citada.

Por este caminho o surgimento do grande número de periódicos publicados em Leopoldina decorreria da necessidade de disseminar tais ideias, o que também não parece tese de fácil defesa. Isto porque a leitura destes jornais não conduz à certeza de que teriam sido criados com o objetivo de divulgá-las ou rebatê-las a qualquer pretexto.

Mas o mesmo autor apresenta um outro motivo que parece adequar-se melhor ao que ocorreu em Leopoldina. Argumenta ele que as últimas décadas do século XIX não representam apenas uma grande época política. Foi também uma época literária, o que parece ser a causa mais provável para o lançamento de tantos jornais em tão curto espaço de tempo. Um motivo que melhor se amolda à Leopoldina daquele tempo e, à dos anos posteriores ao período estudado, quando a cidade se destacou culturalmente e contou com um dos melhores colégios da região.

No próximo Jornal o Trem de História continuará a viagem puxando o vagão que vai nominar e contar um pouco da história dos vinte e um periódicos que circularam no município de Leopoldina no período estudado. Tem jornal para todo gosto.

Há 100 anos

Leopoldinenses nascidos em agosto de 1914

Luiza Maria Lai 2-ago filha de Vito Lai e de Felismina Lopes
Dalzira 12-ago filha de Antonio Luiz de Medeiros e de Tereza Maria de Nazareth
José de Almeida 12-ago filho de José Vitorino de Almeida e de Leonor Pereira de Oliveira
Maria da Conceição 15-ago filha de Manoel da Cruz Cartacho Filho e de Maria Nascimento
Antonio Fofano 15-ago filho de Giuseppe Fofano e de Maria Rosa Marcatto
Rosa Bartoli 16-ago filha de Alberto Bartoli e de Natalina Sardi
Avelina Maria Sangalli 17-ago filha de Angelo Giulio Sangalli e de Carolina Sangirolami
Bernardo 20-ago filho de Bernardo Rodrigues Y Rodriguez e de Regina Rosa da Silva
Costantino João Anzolin 20-ago filho de Giovanni Ottavio Anzolin e de Rosa Pasianot
José Ladeira 20-ago filho de Jovencio José de Oliveira e de Alice Garcia de Matos
Cirilo 20-ago filho de Antonio Luiz Neto e de Maria Sebastiana de Oliveira
Thier 23-ago filho de Luiz Eugênio Botelho e de Cynira Capdeville
Rosa Carraro 26-ago filha de Vittorio Carraro e de Elisabetta Carraro
Jandira Almeida 29-ago filha de Francisco Antonio de Almeida e de Francisca Pereira de Oliveira
Agostinho Giuliani 29-ago filho de Luigi Giuliani e de Teresa Ermini
Maria Sebastiana 30-ago filha de Manoel Gonçalves Ferreira e de Eliza de Andrade Neto

4 – Colunas Literárias

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2014

Continuação do estudo sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Não foram apenas os dois autores citados no artigo anterior que escreveram colunas literárias publicadas nos antigos jornais de Leopoldina. No jornal O Leopoldinense, havia uma coluna denominada Folhetim, na metade da primeira página.

Na Gazeta de Leopoldina, na edição nº 5 do terceiro ano, foi inaugurada uma seção, também na primeira página, com o título A Gazetinha e o subtítulo Folha Literária.

Em outros jornais da época existiam colunas contendo material semelhante, que no livro “História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder”, organizado por Ariane Ewald e outros, é descrito como crônicas folhetinescas “divulgadoras de uma trama social, de um estilo de vida, de valores que sinalizaram a modernidade no século XIX”. Que equivaliam ao que Nelson Werneck Sodré classificou de “romances e novelas anônimas, fabricadas aos montes para distrair o espírito das sinhazinhas e dos estudantes”.

É o caso, por exemplo, d’O Leopoldinense, que durante o ano de 1881 publicou a tradução feita por Silva Ennes para A Condessa de Talma dividida em várias edições, sem ter sido indicada a nacionalidade ou o nome do autor da obra.

Também eram publicadas traduções e análises críticas de obras europeias. Algumas vezes com conteúdo que surpreende por aparentar certa incompatibilidade com o que o senso comum entende ser característica da sociedade da época. Como a análise da obra “As Mulheres que Votam e as Mulheres que Matam”, de Alexandre Dumas Filho, publicada na primeira página da edição nº 51, de 07.11.1880, d’O Leopoldinense. Anunciada como “correspondência do Leopoldinense”, o texto informa que a primeira parte da obra trata de três mulheres acusadas de terem assassinado os pais de seus filhos, sendo uma delas atriz, a segunda uma serva e a terceira uma senhora casada. Após descrever os processos, o autor dialoga com o leitor declarando que os crimes aconteceram “porque não tendes ânimos de fazer leis que confiram à honra das donzelas as mesmas garantias que à mais grosseira mercadoria”. Já na segunda parte da obra, diz o articulista, o autor defende “o direito que tem a mulher de votar, como o homem”. O texto questiona a diferença entre sexos e declara que as teses advogadas por Dumas Filho passariam por diversas fases como espanto, hábito, experiência, dever e finalmente um bem para a sociedade.

De resto, a apreciação dessas colunas literárias suscita algumas conclusões.

Em primeiro lugar, há uma sensível diferença entre a primeira fase, em que O Leopoldinense era o único periódico e a quarta fase, com vários jornais sendo publicados simultaneamente ou não. Se naquela os autores não puderam ser identificados, nesta houve nomes que permaneceram na lide literária. Enquanto a primeira fase caracterizou-se por romances e novelas anônimas, na última eram publicadas poesias, contos curtos e pequenas crônicas, quase sempre com identificação da autoria. Por outro lado, a quarta fase inaugurou a época das charadas, piadas e colunas de opinião.

De todo modo, não se pode esquecer o alerta do livro de Ariane Ewald de que as “crônicas são fragmentos e, ao mesmo tempo, elementos do social” e que tais “fragmentos da vida no século XIX indicam também os sinais mais públicos e visíveis do projeto da modernidade” que se vivia à época. Ampliando-se a área de alcance destes conceitos para além das crônicas folhetinescas, percebe-se que outras matérias publicadas nos primeiros periódicos leopoldinenses se enquadram na mesma condição de reflexo da vida cotidiana.

De certo modo foi o que se observou, por exemplo, na crônica publicada na edição de 30.01.1896 da Gazeta de Leopoldina, assinada por J. Lorbela, provável pseudônimo. Após uma introdução bastante rebuscada em elogios ao distrito de Conceição da Boa Vista, o autor usa de fina ironia para denunciar “esse ninho de águias” que seria o Conselho Distrital e fazer provocações sobre a falta de água, de iluminação e de prédio para a escola. No prosseguimento, declara que não houve eleição no distrito porque “na forma do costume, os eleitores deixaram-se ficar no seu dulce far niente”, abstendo-se de participar do pleito. E encerra o texto pedindo ao fiscal distrital para por “termo às infrações ao estatuto municipal, tão desrespeitado por indivíduos menos ocupados que se divertem dia e noite a alvejar as suas armas, pondo em sobressalto crianças e famílias”. Pela leitura das crônicas deste articulista durante boa parte do ano de 1896 é possível acompanhar o cotidiano do distrito de Conceição da Boa Vista.

Dá até vontade de continuar nesta toada. Mas o Trem de História soou o apito indicando que é chegada a vez do vagão que vai explicar as razões para Leopoldina ter tido tantos periódicos em tão pouco tempo. Aguardem.

Instituto Agronômico em Leopoldina

Há 120 anos a Revista Industrial de Minas Gerais, em sua edição número 10 assim se manifestava a respeito da criação dos institutos agronômicos e especialmente da regulamentação através do Decreto nr. 737 de 13 de julho:

Entretanto, segundo notícia publicada na primeira página do jornal O Leopoldinense, de 11 de agosto de 1895, a Lei n. 140, de 20 de junho daquele ano, reformou o ensino agrícola no estado e cancelou a instalação de novos Institutos Agrícolas. Como a unidade de Leopoldina fora criada mas ainda não havia sido instalada, seria convertida em “campo prático ou campo de demonstração”. Estaria aí a origem da Fazenda do Estado, na Laginha?

Há outras dúvidas sobre o ensino agrícola em Leopoldina. Foram encontradas referências a uma Escola Agrícola fundada cerca de quinze anos depois, subsidiada pelo governo do estado e administrada pelos proprietários do então Gymnasio Leopoldinense. As referências são nebulosas e alguns intérpretes acreditam tratar-se de uma instituição particular. Na fotografia abaixo o prédio identificado com o nome do colégio particular foi reconhecido por antigos moradores como sendo a sede do Aprendizado Agrícola.

3 – Influências e Financiamento

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de julho de 2014

Terceira parte do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Neste tempo de muito falar sobre financiamento de campanha e contabilidade criativa para que a grana não saia dos trilhos, o Trem de História conta um pouco sobre os caminhos percorridos para o financiamento dos periódicos e as influências que exerciam sobre a linha editorial de um jornal.

E o ponto de partida para a viagem de hoje é a edição nº 40 do ano 3, de 25.05.1882, d’O Leopoldinense, que na primeira página traz um aviso com os preços cobrados para veicular declarações, publicações solicitadas, avisos e anúncios, esclarecendo-se que “adotamos os preços moderadíssimos do Diário do Brasil”, de onde se extrai primeira constatação interessante.

A notícia em si, indicando uma das formas de financiamento do jornal, pouca novidade tem. Mas nela o editor do Leopoldinense deixou entrever que seu jornal acompanhava o Diário do Brasil, periódico publicado na Corte, que foi incluído por Nelson Werneck Sodré, em A História da Imprensa no Brasil, entre os órgãos da pequena imprensa que se isolou no apoio ao manifesto de Carl von Koseritz, em 1883, de incentivo à imigração germânica. O Diário do Brasil era um informativo classificado pelo jornalista francês Max Leclerc entre os que “exerciam grande influência na opinião” e, como se vê, servia de parâmetro para O Leopoldinense. Isto faz crer, com boa margem de segurança, que não teria sido por mero acaso que O Leopoldinense se colocou, em diversas oportunidades, a favor da substituição da mão de obra escrava por colonos estrangeiros.

Recorde-se que o tema da imigração foi estudado pelos autores deste Trem de História em projeto desenvolvido há alguns anos sobre a Colônia Agrícola da Constança. Naquela oportunidade afirmou-se mais de uma vez que os fazendeiros leopoldinenses adotaram a ideia da contratação de colonos estrangeiros a partir do início da década de 1880 e a substituição da mão de obra foi um processo crescente, não se justificando a visão de que o 13.05.1888 desestruturou todas as propriedades agrícolas do município.

Recorde-se, ainda, que entre outras fontes utilizadas naquele estudo estão as matérias publicadas em jornais, especialmente as colunas d’O Leopoldinense e da Gazeta de Leopoldina que divulgavam a chegada de imigrantes na Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora.

Voltando à fonte de financiamento do primeiro periódico leopoldinense, vale observar que ela traz um indicador importante. Analisando a denominada Seção Livre, observa-se que o jornal publicava matérias relativas a diversos municípios que não faziam parte da área de influência de Leopoldina, o que indica uma boa receptividade do jornal numa região mais vasta.

Embora não tenha sido possível identificar com precisão todo o universo dos assinantes do jornal, pode-se concluir, por hipótese, que além dos moradores de localidades próximas os houvesse em diferentes pontos das províncias de Minas e Rio, além da Corte, o que por si só amplia bastante a sua possibilidade de financiamento através das assinaturas. E esta ampliação pode ser observada em anúncio na primeira página da edição de 19.11.1881 informando que as assinaturas poderiam ser pagas num endereço na capital do Império – Rua da Quitanda 84-B, onde se estabelecia a empresa Portella & C. que recebia, também, assinaturas tomadas por moradores de outras cidades. Segundo o próprio jornal era possível, também, pagar a assinatura diretamente, através de remessa de vale postal, como fez um padre de Valença, RJ, em 1881.

Uma fonte importante de financiamento, não só para O Leopoldinense, sempre foi a proveniente das publicações oriundas da administração municipal e do poder judiciário. Neste ponto é importante lembrar que as receitas destas publicações algumas vezes traziam consigo seus prós e contras. Assim, em alguns casos, pareciam constituir-se na razão para a existência de uma folha informativa. Noutros, agraciados com maior ou menor volume de recursos, podiam ser confundidos com algum favor concedido ou negado devido à cor da bandeira partidária assumida por seu editor.

Outra forma de financiamento dos periódicos eram as colunas com noticiário religioso. Segundo consta em alguns dos “papeizinhos” do Padre Julio Fiorentini, que estava à frente da Paróquia de São Sebastião nos últimos anos do século XIX, eram feitas arrecadações específicas pelas irmandades para publicação de anúncios no jornal. Esclareça-se que tais papeizinhos foram encontrados dentro de livros de assentos paroquiais de batismo transcritos pelo Padre José Ribeiro Leitão em dezembro de 1958, não estando organizados ou arquivados de forma a permitir sua referenciação.

Completando-se o rol de meios para obtenção de fundos para financiamento dos periódicos, há a indicação de venda avulsa realizada por “moleques” esporadicamente mencionados. Contudo, apesar do preço da assinatura ser informado sempre na primeira página, no caso d’O Leopoldinense não foi encontrado o valor para venda avulsa.

Conhecidas as fontes de influência e financiamento dos periódicos o próximo vagão promete falar de literatura, jornalismo e política. Aguardem. Ele vem puxado pela Maria Fumaça, mas é rapidinho.