Formação e evolução do território de Leopoldina.

No dia 27 de março de 2014, a um mês da data em que se comemoram os 160 anos da emancipação político administrativa de Leopoldina, fiz uma apresentação para as professoras participantes do projeto de Educação Patrimonial coordenado por Livia Muchinelli.

O tema escolhido foi a formação e evolução administrativa e teve como objetivo refletir sobre o espaço onde nossos antecessores se organizaram. Para entender tal espaço, consultei a legislação específica e um bom número de fontes documentais que me permitiram chegar a um desenho inédito: o território do antigo Curato de São Sebastião do Feijão Cru. Em seguida, analisei os desmembramentos que se iniciaram em 1863 e tiveram sua última etapa em 1962.

Durante a apresentação, mencionei algumas passagens da obra A Invenção do Cotidiano, de Michel de Certeau, assim como outros teóricos que nos ajudam a perceber as crenças que os indivíduos compartilham com os demais membros do grupo como sustentáculo da “mentalidade” ou “modos de pensar” da comunidade e, consequentemente, da identidade coletiva. Identidade que está na base da constituição de um patrimônio cultural que nos cabe preservar.

Barbacena Século XXI entrevista

Programa da TV Estrada Real com Edna Rezende, Diretora do Arquivo Histórico Municipal Altair José Savassi.

 

Nos estudos de história de Leopoldina foram pesquisados muitos inventários e testamentos disponíveis neste Arquivo. Além da maioria dos povoadores do Arraial do Feijão Cru terem nascido em território da então Vila de Barbacena, a região do atual município de Leopoldina pertencia ao Termo de Barbacena.

Praça Félix Martins em pauta

A revitalização da Praça Félix Martins será o assunto principal em reunião da Câmara na segunda-feira, dia 17 de fevereiro, às 18:15.

“Requerimento do Vereador Diego Sávio convocando secretários foi aprovado por unanimidade.

O vereador Diego Sávio, PSL, através do Requerimento nº 02/2014 convocou os secretários municipais de Meio Ambiente, Marco Antônio de Toledo Gorrado e de Obras, José Márcio Gonçalves Lima, a prestarem esclarecimentos quanto aos reparos a serem realizados na Praça Félix Martins, bem como, o projeto de planejamento para a revitalização do espaço.

Segundo o vereador Diego Sávio, a convocação se fez necessária devido à falta de esclarecimentos e transparência por parte do poder Executivo com a população e com o Legislativo quanto aos cortes de árvores que vem foram realizados na Praça Félix Martins.

‘Assim como os vereadores, a população necessita de um esclarecimento com maiores detalhes. Sou questionado por onde passo sobre as ações da Prefeitura, muitos moradores estão revoltados com o que estão assistindo’, explica o vereador.

Aproveitando a oportunidade, o vereador Diego Sávio, PSL, convida toda a população a comparecer na Câmara Municipal no dia 17/2, às 18h15min.

Para finalizar, o vereador Diego Sávio, PSL, lembra que “uma Câmara Municipal forte depende da participação da população, compareça às reuniões: segundas e terças às 18h15min” apela o parlamentar.”

Matéria publicada hoje em:

JORNAL LEOPOLDINENSE – A Consciência Crítica da Cidade.

Parque Félix Martins

No momento em que se discute a reurbanização da Praça Félix Martins, republicamos, com acréscimos, um verbete de nosso livro Nossas Ruas, Nossa Gente: Logradouros Públicos de Leopoldina, publicado em 2004.

Esta praça central da cidade inicialmente chamou-se Parque Félix Martins. Foi, durante muito tempo, o ponto de encontro da maioria dos leopoldinenses. Na década de 1960, ali estava o cinema Brasil, a rodoviária, o final dos trilhos da estrada de ferro da Leopoldina, o fórum e as residências de algumas personalidades.

Abaixo algumas fotografias antigas. A primeira de nosso próprio acervo, a penúltima cedida por herdeiros do Foto Jarbas e as demais pertencentes ao acervo do antigo Espaço dos Anjos, que nos foram doadas pelo saudoso Luiz Raphael Domingues Rosa.

 Imagens antigas da atual Praça Félix Martis

O nome Félix Martins é uma referência ao doador do terreno para a construção da praça. Mas é necessário lembrar que, na época, não havia propriedade particular na área urbana como hoje a entendemos e que Félix Martins Ferreira detinha apenas o direito de uso do solo e não sua propriedade.

Voltemos um pouquinho no tempo.

Ao tempo do povoamento do Feijão Cru, para ser criado o distrito era necessário já existir um arraial e uma igreja funcionando em patrimônio próprio. Portanto, a doação realizada por Joaquim Ferreira Brito e sua mulher Joana Maria de Macedo, no dia 01.06.1831, parece ter sido feita para atender às normas para se requerer a criação do distrito. A segunda doação do mesmo casal, datada de 20.11.1831, indica que se tratava de terreno para a construção da Casa do Cura, o que vem corroborar a existência de um arraial.

Importante acrescentar que estas doações constituíam o “patrimônio do padroeiro” mas não se destinavam exclusivamente ao uso da Igreja. Serviam, também, ao uso público. É o que se constata nos mais antigos livros da Câmara Municipal de Leopoldina como se verá a seguir.

Além da mencionada doação por Joaquim Ferreira Brito, é possível que outro pioneiro, Bernardo José da Fonseca, tenha contribuído com terras de sua fazenda da Grama. Assim se depreende da regularização de posse, pela municipalidade, de um terreno na Grama, documento assinado em 1854 por Francisco Pereira Pontes Júnior e sua esposa Verônica Esméria de São Bento. Diga-se, à propósito, que em 1834 foi realizada uma contagem populacional, concluída em 1835 e encaminhada ao governo provincial apenas em 1838, tendo sido gerado um documento que esclarece alguns pontos além da nomeação dos moradores de então. Para este estudo interessa a informação de que o distrito estava dividido, administrativamente, em quatro quarteirões e que no primeiro deles foram listadas 27 famílias estabelecidas em território centralizado no atual bairro da Grama.

Em 1843 foi concluída outra contagem, através da qual pode-se inferir que o “patrimônio de São Sebastião do Feijão Cru” já apresentava adensamento populacional típico de área urbana. Em 1851 a população atingia um número significativamente maior. Os 2.171 moradores de 1843, haviam se transformado em quase 4.000 habitantes, de um arraial agora elevado à condição de Freguesia. Veio a emancipação em 1854 e em 1856 foram aprovadas as Posturas Municipais, através da Resolução número 1788, de 31 de maio, assinada pelo Presidente da Província de Minas Gerais. Este documento é fundamental para se entender o processo de organização não só das áreas urbanas como também das práticas sociais de então.

Há, porém, grandes lacunas na história de Leopoldina que ainda não puderam ser pesquisadas por falta de organização do acervo arquivístico da Câmara Municipal que deveria constituir o Arquivo Histórico. Em nosso esforço de higienização e digitalização de parte deste acervo, no início da década de 1990, tivemos oportunidade de nos depararmos com o livro de Atas da Câmara de número 7, em cuja folha 22-verso encontra-se o resumo da reunião de 10 de fevereiro de 1880, na qual foi discutida a formação da Comissão de Vereadores que se incumbiria de nomear logradouros e numerar as casas da cidade. Tal comissão, formada pelos vereadores Major Botelho Falcão e Theodoro Carneiro, parece ter atuado, também, na aprovação de requerimentos de utilização do espaço público para a construção de moradia.

Entretanto, o uso de terrenos do “patrimônio” vinha sendo concedido provavelmente desde a instalação da Câmara Municipal, em 20 de janeiro de 1855. É o que se conclui pela análise de matéria publicada na Gazeta de Leste, jornal publicado em Leopoldina no final do século XIX, que parece pertencer a uma série de artigos sobre os trabalhos de uma “comissão de urbanização”. Na edição de 11 de outubro de 1890 temos, então, a informação de que o sétimo quarteirão compreendia a parte do povoado que se estendia do largo capitão Félix Martins até a subida da serra, passando pela chácara do João Lourenço Ferreira de Lacerda, rua Dr. Vasconcelos até a casa de Francisco Vargas Correia.

Acrescente-se que, por ocasião da construção da Estação Ferroviária em Leopoldina, inaugurada em julho de 1877, além da municipalidade ter doado terrenos para instalação dos equipamentos necessários, ocorreram outras modificações na paisagem urbana do entorno. Possivelmente esteja aí a origem do Parque Félix Martins, em cuja lateral paralela à atual rua José Silva corriam os trilhos da parte final da área de manobras das composições.

Infelizmente, porém, não encontramos a cessão de direito do uso do solo para Félix Martins Ferreira. É possível que tenha ocorrido na década de 1870, pouco antes da chegada dos trilhos ao centro de Leopoldina.

Morador da Fazenda Araribá em Angustura, que foi distrito de Leopoldina, este personagem nasceu na Fazenda Trimonte, como informa o registro de seu batismo, aos 24 de maio de 1852, na Matriz de Madre de Deus do Angu. Era filho de Joaquim Martins Ferreira e Maria Esméria de Carvalho, ele nascido em São João del Rei e ela na Fazenda das Pedras, em Quatis, Barra Mansa, RJ. A família Martins Ferreira teve papel de destaque não só em Angustura como em Leopoldina. Os filhos do casal Joaquim e Maria Esméria atuaram de forma decisiva no processo de substituição da mão-de-obra escrava pelo trabalhador livre, através do Club da Lavoura, fundado em 1884.

Félix Martins foi eleito vereador em Leopoldina por duas vezes: em 1876 e em 1881. Foi casado com Heliodora Pinheiro Corrêa de Lacerda filha de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda e Maria de Nazareth Pereira, nascida em 07.01.1858 e batizada no dia 20 de março do mesmo ano. Ressalte-se que Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda foi um dos pioneiros de Leopoldina, tenho formado a Fazenda da Memória, em Providência.

Segundo Barroso Júnior, o Parque Félix Martins foi delineado e executado pelo superintendente dos serviços urbanos, Dr. Osório Resende Meireles. Na administração do Dr. Carlos Luz, a praça foi remodelada.

Em 1962, no governo de Zequinha Reis, construiu-se a concha acústica e na administração do prefeito Dr. Joaquim Furtado Pinto, patrocinado pelo Lions Clube da cidade, recebeu o mural de Funchal Garcia e outros melhoramentos. Na reforma ocorrida na década de 1960, suprimiu-se um antigo coreto, de tão belas lembranças, onde apresentavam-se bandas e as crianças brincavam sob as vistas de seus pais.

Mas falar da Praça Félix Martins remete a outro patrimônio cultural de Leopoldina cujo destino está para ser decidido. O jornal leopoldinense Novo Movimento, de 09.10.1910, noticiou o lançamento da pedra fundamental do edifício do fórum e cadeia, no Parque Félix Martins. A Gazeta de 01.01.1911 informou que estavam sendo feitas as fundações do fórum e cadeia. Um século depois, o edifício deixou de abrigar o Fórum, transferido para instalações mais adequadas à necessidade atual.

Qual será a utilização do prédio? Parece-nos que seria o local ideal para a instalação de equipamentos cultuais de que carece Leopoldina, quais sejam a Biblioteca Municipal e o Arquivo Histórico.

Fórum e Cadeia de Leopoldina

 

O trabalho da representação da Memória Social

Uma visão do que a constituição de patrimônios pode representar na memória de uma sociedade, entre outros aspectos, é o que propõe este artigo de Moysés M. de Siqueira Neto, Mestrando em Memória Social e Patrimônio Cultural da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), publicado na revista Veredas da História, Ano V, Edição 1, 2012, pp. 198-207.

RESUMO:

Este artigo objetiva analisar os bens culturais não tombados, através dos conceitos da memória social e ideias do patrimônio cultural, como silêncios das classes subalternas pela história oficial dominante no Brasil para construção de identidades.

Leia aqui o artigo na íntegra.

Ensino de História Local e Preservação do Patrimônio

Artigo publicado na Revista Historien (Petrolina). ano 4 , n. 9. Jul/Dez 2013: 113 – 129 sob o título Interações entre o Ensino de História Regional e Local e a Preservação do Patrimônio Cultural.

Autor: Moisés Amado Frutuoso

Resumo: O artigo discute como o ensino da história regional e local pode contribuir no ambiente escolar para a preservação do patrimônio cultural, a partir da construção da memória social e da elaboração das identidades coletivas. Realizamos um estudo de caso para mostrar a situação atual da igreja do Divino Espírito Santo e de seu terreiro, ambos localizados numa das primeiras aldeias jesuítas do Brasil – a Aldeia do Espírito Santo, em Vila de Abrantes (município de Camaçari, no Estado da Bahia). Ao relacionar a preservação do patrimônio material com o ensino da história regional e local, o texto aborda dois pontos: o papel do poder público enquanto promotor, ora da preservação, ora do esquecimento, do patrimônio material no processo de construção da memória social; e, por outro lado, como a escola pode se tornar o espaço para fortalecimento das identidades regionais e locais.

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Acervo da Câmara Municipal de Leopoldina

No mês de outubro de 1895, portanto há 118 anos, foram publicadas duas notícias que consideramos como efemérides leopoldinenses. Referem-se a peças que foram doadas por moradores locais e que constituiriam acervo histórico da Câmara Municipal.

Este material deveria estar disponível ao público. Entretanto, apesar de nossos esforços para localizá-lo ou dele obter notícias, nada foi encontrado. 

O primeiro Grupo Escolar de Leopoldina

Em 1906, com a reunião das “aulas públicas” em um grupo, surgiu o primeiro Grupo Escolar de Leopoldina. Funcionava em um casarão situado na esquina formada pela Rua Sete de Setembro e a parte baixa da Rua Tiradentes na atual Praça Gama Cerqueira. Em 1914 o poeta Augusto dos Anjos foi nomeado seu diretor, transferindo residência para Leopoldina onde faleceu meses depois, em novembro de 1914. A escola tinha recebido o nome de Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, instituição sobre a qual escreveu CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios. São Paulo: Pocai Weiss & Cia,, 1916 p. 237-262

"O Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, funccionando em duas turmas e com 8 cadeiras. O turno da manhã é frequentado por meninos, e o da tarde por meninas. A matricula do corrente ano (1916) é de 482 alumnos, sendo 255 do sexo masculino e 225 do feminino, com a frequencia média annual é de 320 alumnos. É seu director o Prof. José Barroso Lintz. No Grupo existe uma Caixa Escolar, cujo presidente é o Dr. Custodio Junqueira, para o fornecimento de roupas e merendas aos alumnos pobres."
Grupo de Aulas Públicas reunidas em prédio na esquina da atual Praça Gama Cerqueira formada pelas ruas Sete de Setembro e Tiradentes parte baixa. Imagem de 1916 do livro Minas Gerais e seus Municípios.
Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em foto da década de 1920. Acervo Espaço dos Anjos de Luiz Raphael.

Por volta de 1920 a família Ribeiro Junqueira vendeu um terreno para o poder público que contratou a Companhia Zona da Mata, de propriedade da família, para a construção de um prédio para o Grupo Escolar, na confluência entre as atuais ruas José Peres e Gabriel Andrade Junqueira.

Grupo Escolar Ribeiro Junqueira visto da Casa de Caridade. Acervo Foto Jarbas.

 

Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Acervo Espaço dos Anjos, de Luiz Raphael.
O prédio do Grupo Escolar em postal vendido em banca de jornal na década de 1960.
Em 1956, alunos do Ginásio Leopoldinense visitam a escola que então já era conhecida como Grupo Velho, em função da inauguração do Grupo Escolar Botelho Reis, então Grupo Novo, naquela década. Acervo de José do Carmo Rodrigues.
Alunos do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em 1958 ou 59.

  

As últimas imagens acima são de 2004, de uma escola quase nonagenária. Para escrever esta postagem foram consultados os saudosos José do Carmo Rodrigues e Jairo Salgado Filho, além da imprensa periódica das duas primeiras décadas do século XX e um Livro Caixa da Prefeitura Municipal de Leopoldina.