Fernando Savater – A educação do cidadão no século XXI

“Fernando Savater, filósofo espanhol, reflete sobre a relação entre educação e cidadania em sua conferência ao Fronteiras do Pensamento. Segundo Savater, o papel da educação não é apenas treinar habilidades e processos, é também “formar pessoas completas, capazes de utilizar a democracia de uma maneira crítica e positiva”. O filósofo defende, ao longo de sua fala, a importância desta educação para que as pessoas saibam construir seus caminhos de vida, compreender seus papeis na democracia e exercitar seus deveres para com a sociedade. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2015.”

Fronteiras do Pensamento | Produção Telos Cultural | Conferência Edgar Morin | Edição Karina Roman | Finalização Marcelo Allgayer | Tradução Francesco Settineri e Marina Waquil

VII Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

SÉTIMO ENCONTRO DO CAMINHO NOVO / 17 E 18 DE JUNHO DE 2016
SANTOS DUMONT – MINAS GERAIS

VII Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

17 de junho de 2016 – sexta-feira
Local: Auditório da Fundação Educacional São José (antiga Escola Normal), Avenida Getúlio Vargas, 547, Centro

08:00h – Inscrições gratuitas feitas na hora – vagas limitadas ao espaço físico do auditório – público alvo: pesquisadores e professores

08:30h – Abertura – organizadores – Apresentação dos participantes – Professores Luiz Mauro Andrade da Fonseca e Francisco Rodrigues de Oliveira (Centro de Memória Belisário Pena e Associação dos Amigos do Arquivo Público Altair Savassi – Barbacena)

09:00h – “Educação Patrimonial em Santos Dumont” – Professores Bruno Campos Guilarducci, Ana Maria Marques Dias e Marisa Fontes (Prefeitura Municipal de Santos Dumont)

09:30h – “Homens ‘civilizados’, homens de negócios: São João Del Rei e as elites oitocentistas (1822-1842) ” – Prof. Leonardo Bassoli Ângelo (Programa de Pós-Graduação em História – Universidade Federal de Juiz de Fora)

10:00h – intervalo – café

10:30h – “Abandono e esquecimento: o patrimônio histórico nos caminhos antigos na Baixada Fluminense” – Prof. Paulo Clarindo (Coordenador do Grupo Amigos do Patrimônio Cultural – Nova Iguaçu – RJ).

11:00h – “A história social através do método de pesquisa genealógica: a genealogia corrigindo lapsos da história. ” – Prof.ª Nilza Cantoni (Leopoldina)

11:30h – “Santeiro, além da matéria” – Escultor Luciomar Sebastião de Jesus (Congonhas)

12:00h – Almoço

14:00h – “Vias de Minas: Caminho Novo e Ferrovias” – Prof.ª Helena Guimarães Campos (Belo Horizonte)

14:30h – “O traçado da E. F. Dom Pedro II e suas coincidências com o Caminho Novo”. – Prof. Antonio Pastori (Rio de Janeiro).

15:00h – “Instituto Federal e a Preservação da Educação Ferroviária” – Prof. André Diniz de Oliveira (Diretor do IFET – Santos Dumont).

15:30h – “Os Caminhos de Ernst Hasenclever em Minas Gerais” – Edson Brandão (Secretário de Cultura de Barbacena). Lançamento de livro.

16:00h – intervalo – café

16:30h – Mesa-redonda “Arquivos Públicos Regionais” – Barbacena (Prof.ª Edna Resende), São João del Rei (Prof. Jairo Machado) e Juiz de Fora (Prof. Antônio Henrique Duarte Lacerda).

17:30h – “Santos Dumont nos mapas antigos” – Prof. Antônio Gilberto da Costa (Belo Horizonte – UFMG)

18:00h – – “Atuação do Ministério Público de Minas Gerais na defesa do patrimônio cultural da Estrada Real – Caminho Novo” – Dr. Marcos Paulo de Souza Miranda (Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Histórico e Cultural de Minas Gerais).

Durante todo o dia, exposição e venda de livros relacionados pela Livraria Quarup, de Juiz de Fora, de livros usados, a cargo de Cláudio Luiz da Silva. Livros sobre o Caminho Novo e cidades mineiras. Lançamentos.

Após o final das comunicações, jantar de confraternização (por adesão) entre os participantes do evento, com música de fundo (roda de choro).

18 de junho de 2016 – sábado

09:00h – Turismo cultural pela cidade de Santos Dumont, compreendendo Museu Casa Natal de Santos Dumont, primeiras fábricas de laticínios, Estrada União e Indústria, e Fazenda da Mantiqueira.

SUGESTÃO DE HOSPEDAGEM EM SANTOS DUMONT

POUSADA VILLA DUMONT – Rua João Pessoa, 58, Centro, telefax: (32) 3251-3059
HOTEL ITAIPU – Rua 13 de maio, 357, Centro, telefone: (32) 3251-3013
HOTEL E LEITERIA SÃO LUIZ – BR 040, km 742 – tel: (32)3251-3153

Abrir um livro…

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Movimento Brasil Literário

50 – Joaquim Antonio e Maria Josefina Cândida de Jesus

Como ficou dito na edição anterior, hoje o Trem de História traz um pouco sobre os descendentes de Joaquim Antonio de Almeida Gama e Maria Josefina. Para a realização deste estudo, foram utilizados os livros de registro de batismos números 1 a 6 e de casamentos 1 e 2. Os livros de Atas de Alistamento Eleitoral de Leopoldina de 1897, 1898 e 1900 também foram utilizados para confirmar a filiação de alguns personagens aqui citados. Outra fonte importante foram os livros do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, especialmente o mais antigo, de 1880 a 1887, e o seguinte, de 1887 a 1904 e, na ausência de outras fontes, dados foram coletados nas lápides nos túmulos. Alguns personagens desta família foram mencionados em periódicos de Leopoldina, em situações diversas, sendo por isto utilizadas edições do jornal Irradiação (24 julho 1889), O Leopoldinense (31 janeiro 1891) e O Mediador (28 junho 1896).

Joaquim Antonio e Maria Josefina tiveram, pelo menos, os seguintes 13 filhos:

1) Teófilo Antonio de Almeida Gama nascido por volta de 1845 que se casou com Rosa Maria Vitória com quem teve a filha Maria, nascida (1) aos 26.12.1878 em São José das Três Ilhas, Belmiro Braga, MG. Em 1897 foi alistado como eleitor em Leopoldina, declarando ser comerciante;

2) Filomena Josefina Cândida da Gama que nasceu aos 28.12.1847 e faleceu no dia 04.01.1916. Casou-se com Américo Antonio de Castro Lacerda, único filho do casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com a primeira esposa (2), Ana Severina de Oliveira Castro.  Filomena e Américo Antonio tiveram dez filhos nascidos em Leopoldina e sua descendência será objeto do próximo Trem de História;

3) João Caetano de Almeida Gama que nasceu por volta de 1852 e em julho de 1889 era 1º suplente de delegado. Casou-se com Sofia Cândida de Lacerda, filha do segundo casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda com Maria de Nazareth Pereira. O casal teve, pelo menos, oito filhos nascidos em Leopoldina: Américo nascido por volta de 1877, Otávio nascido em julho de 1878, Adalgisa nascida em julho de 1880, Raul nascido em abril de 1883 e falecido em novembro de 1903, Vasco nascido em maio de 1884 e falecido em janeiro de 1885, Maria nascida em fevereiro de 1886 e falecida em julho de 1887, outro Vasco nascido em janeiro de 1888 e, João nascido em outubro de 1889 e falecido em janeiro de 1891;

4) Rosa Cândida da Gama que nasceu dia 11.08.1855 e faleceu dia 01.05.1925. Casou-se com seu primo, João Evangelista de Castro Gama, filho de Caetano José de Almeida Gama e Carlota Teodora Castro, sendo neto paterno de Francisco Antonio de Almeida Gama e Maria Perpétua de Jesus e neto materno de Pedro Moreira de Souza e Feliciana Teodora de Castro. Ele nasceu por volta de 1851 e faleceu em Leopoldina no dia 11.02.1920. Como já mencionado Francisco Antonio era irmão de Antonio Francisco, pai de Joaquim Antonio de Almeida Gama. Rosa Cândida e João Evangelista tiveram, pelo menos, os sete filhos, que serão trazidos em vagão à parte, no próximo Jornal;

5) Antonio Francisco nascidono dia 03.04.1857;

6) Maria nascida dia 12.02.1858;

7) Luiza Augusta da Gama que nasceu dia 11.07.1860 e se casou dia 19.02.1881 com Joaquim Thomaz de Aquino Cabral, filho de José Thomaz de Aquino Cabral e Maria Benedita de Almeida. Foram pais de Maira da Conceição nascida dia 08.12.1882 e de Castellar, nascido dia 09.08.1886;

8) Carlota nascida no dia 14 de março de 1863;

9) Virginia Angélica da Gama que nasceu dia 16.08.1866 e faleceu dia 23.12.1950. Casou-se no dia 29.07.1888 com Luiz Salgado Lima, nascido aos 24.05.1859 em Pindamonhagaba, SP e falecido dia 25.05.1941. Ele era filho de Francisco Joaquim de Lima e de Francisca de Paula Salgado. Foram encontrados os nascimentos de seis filhos em Leopoldina. Deste casal se ocupará artigo futuro;

10) José Joaquim Cabral da Gama que nasceu em março de 1868. Foi matriculado sob nº 1631 no Colégio do Caraça (3) no dia 13 de março de 1885. Em 1900 foi alistado como eleitor em Leopoldina;

11) Elisa nascida no dia 16 de outubro de 1868;

12) Joaquim nascido no dia 8 de outubro de 1878; e,

13 Ernestina da Gama, cujo batismo não foi encontrado, casou-se aos 24.06.1892 com Francisco Salgado de Lima irmão de seu cunhado Luiz Salgado Lima acima citado. O casal teve, pelo menos, três filhos: Aníbal (1893), Edmundo (1895) e Cyro (1896). Francisco era comerciante e em 1896 anunciou que estava saindo de Leopoldina e vendendo todo o estoque de sua casa comercial.

Como ficou dito, nos próximos números o Trem de História ainda tratará de três filhas do casal Joaquim Antonio e Maria Josefina. Até lá.

———————–

Notas:

(1) Igreja de São José das Três Ilhas, Belmiro Braga, MG, lv 02 bat fls 82verso.

(2) Arquivo do Fórum de Mar de Espanha, ano 1846, inventário de Ana Severina de Oliveira Castro, caixa 1.

(3) Colégio do Caraça <http://www.santuariodocaraca.com.br&gt; Matrícula nr. 1631, Acesso 11 jun. 2006.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de junho de 2016

Junho de 1916

Há 100 anos, nasceram em Leopoldina:

5 jun 1916

Lea

filha de Lauro Teixeira Lopes Guimarães e de Marieta

8 jun 1916

Jacira Gouvêa

filha de Antonio Caetano Gomes e de Leniria Moraes Gouvêa

11 jun 1916

Raimundo Antinarelli

filho de Alfredo Antinarelli e de Carmen Franzone

22 jun 1916

Manoel

filho de Alfredo Gomes da Silva e de Cecília Pimentel

25 jun 1916

Abilio Conti

filho de Giuseppe Conti e de Aristea Regina Meneghelli

27 jun 1916

João Batista de Freitas Lustosa

filho de Custódio de Almeida Lustosa e de Maria das Dores de Freitas

30 jun 1916

Clemente Batista Maragna

filho de Silvio Maragna e de Elisa Fazzolo

Nos tornamos humanos em sociedade

Karen Armstrong, escritora britânica criadora da Charter for Compassion, explica que compaixão não é a mera aplicação da Regra de Ouro, “fazer aos outros o que gostaríamos que fizessem para nós”. Compaixão, na prática, diz a escritora, exige inteligência e empatia, pois, ao conhecer a história do outro, será possível respeitar as diferenças individuais e engrandecer nossa própria humanidade. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2013.

Fronteiras do Pensamento | Produção Telos Cultural | Produção Audiovisual Okna Produções | Documentário Um mundo complexo | Direção e Edição Marcio Reolon | Direção de Produção Gina O’Donnell | Tradução Marina Waquil e Francesco Settineri

Sesquicentenário de nascimento: junho

Há 150 anos, nasceram em Leopoldina:

4 jun 1866

Alice filha de Antonio Augusto Barreiro e de Gabriela Candida de São José

4 jun 1866

Maria filha de Antonio Dias Tostes e de Maria Francisca do Nascimento

5 jun 1866

Américo filho de Joaquim Francisco de Assis e de Balbina Maria de Vargas

26 jun 1866

Ubaldina de Oliveira filha de José Ignacio de Oliveira e de Maria Messias de Almeida

27 jun 1866

João filho de João Antonio de Brito e de Maria Carolina de Jesus

49 – Joaquim Antonio de Almeida Gama: o casamento

A viagem continua e o Trem de História fala hoje sobre o casamento de Joaquim Antonio. Antes, porém, quer dar notícia do Registro de Terras(1) de 1856, cujo item 6 se transcreve com a ortografia original.

Conforme se verá a seguir, é relativo ao fazendeiro em estudo e a uma fazenda cujas terras chegavam a uma parte do que é hoje o centro da cidade. Diz o registro:

“Joaquim Antonio de Almeida e Gama he senhor e possuidor da fazenda denominada Floresta, sita nesta Freguesia adequeridas por titulo de compra, levará dusentos e vinte alqueires de planta de milho e divide por um lado com Romão Pinheiro Correia de Lacerda, José Zeferino de Almeida, José Joaquim Cordeiro, D. Maria do Carmo, com os herdeiros do finado Bernardino, com o Dr Antonio José Monteiro de Barros. Villa Leopoldina em trez de Março de mil oitocentos e cincoenta e seis. Joaquim Antonio de Almeida e Gama. O Vigº José Mª Solleiro”

Quanto às núpcias de Joaquim Antonio é de se registrar que não se sabe quando exatamente elas ocorreram porque ainda não foram encontrados os livros paroquiais com os eventos realizados no então Curato do Feijão Cru antes de 1850. Pode-se, entretanto, supor que ele e Maria Josefina Cândida de Jesus tenham se casado logo depois da Contagem Populacional de 1843, já que o filho mais velho do casal nasceu por volta de 1845.

Maria Josefina era filha de José Thomaz de Aquino Cabral e de Rosa Cândida da Gama, cujo sobrenome faz acreditar ser parenta de Joaquim Antonio.

Vale registrar que o casamento de Joaquim Antonio com Maria Josefina aproxima o Trem de História de outro antigo morador de Leopoldina, o senhor José Thomaz de Aquino Cabral que, em 1856, era proprietário da Fazenda Santa Cruz(2) cujas terras, cerca de 265 alqueires, divisavam com João Gualberto Ferreira Brito (Fazenda Fortaleza), Antonio Rodrigues Gomes (Fazenda Águas Vertentes do Córrego do Moinho), José Ferreira Brito (Fazenda Dois Irmãos), Francisco da Silva Barbosa (Fazenda Boa Vista) e Mariana Luiza ou Tereza Pereira Duarte (Fazenda Recreio).

Registre-se, ainda, que o casal José Thomaz e Rosa Cândida teve pelo menos mais um filho, Carlos Augusto de Aquino Cabral, cujas terras recebidas por herança dos seus pais foram transformadas na Fazenda Natividade, localizada na divisa(3) do Distrito de Paz de Vista Alegre(4).

Aqui vale a explicação de que este antigo Distrito de Paz pertencia a Leopoldina, em 1891, e ficava nas proximidades do córrego Jacareacanga, na margem direita do Rio Pomba. O atual distrito de Vista Alegre, pertencente ao município de Cataguases, fica na margem esquerda.

Outra informação que pode ser interessante é a de que, possivelmente, a esposa de Joaquim Antonio era meia-irmã de Antonio e Joaquim Thomaz de Aquino Cabral, cuja mãe é indicada nas fontes como sendo Maria Benedita de Almeida e o pai, José Thomaz de Aquino Cabral. Antonio Thomaz foi alistado(5) no mesmo distrito eleitoral de Carlos Augusto e foi casado com Rosa Vitalina, provavelmente de sobrenome Gama. Teve nove filhos em Leopoldina, entre 1878 e 1893 e uma filha que teria nascido no estado do Espírito Santo. O irmão Joaquim Thomaz de Aquino Cabral casou-se(6) em Leopoldina, no dia 19.02.1881, com Luiza Augusta da Gama, filha de Joaquim Antonio de Almeida Gama e Maria Josefina Cândida de Jesus.

Joaquim Antonio e Maria Josefina tiveram, pelo menos, 13 filhos nascidos em Leopoldina São eles: Teófilo Antonio, Filomena Josefina, João Caetano, Rosa Cândida, Antonio Francisco, Maria, Luiza Augusta, Carlota, Virginia Angélica, José Joaquim, Elisa, Joaquim e Ernestina, que lotarão o próximo vagão do Trem de História. Aguardem!


Notas:

1 – Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nr  6

2 – idem, nr 3

3 – Leis Mineiras, Arquivo Público Mineiro, Decreto 406 de 6 de março de 1891

4 – idem, Lei 3171 de 18 de outubro de 1883

5 – Alistamento Eleitoral de Leopoldina século XIX, lv 37 fls 14v nr 21

6 – Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 2 cas fls 52 termo 143

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de junho de 2016

48 – Joaquim Antonio de Almeida Gama: seus antepassados

Como ficou prometido no número anterior, o Trem de História continua falando sobre o autor que, em 1864 publicou as mais antigas informações sobre Leopoldina, o tenente-coronel Joaquim Antonio de Almeida Gama. Hoje, para identificar seus antepassados.

Joaquim Antonio era filho de Antonio Francisco de Almeida e Gama e de Inocencia Claudina da Costa que se casaram em Rio Preto, MG aos 12.07.1812. Ele, natural de São João del Rei onde nascera por volta de 1788, filho de Caetano José de Almeida Gama e de Antonia Maria Custódia Dias.

Sabe-se que Inocencia recebeu o sacramento do batismo(1) em Conceição de Ibitipoca em 02.10.1797 e que era filha de João Rodrigues da Costa [filho] e de Vicencia Faria Corrêa de Lacerda. Portanto, neta materna de Antonio Carlos Corrêa de Lacerda e Ana de Souza da Guarda, casal que teve muitos descendentes radicados em Leopoldina e cujos filhos Fernando Afonso e Jerônimo foram beneficiados com duas sesmarias no Feijão Cru. Vicencia nasceu e foi batizada(2) em Bom Jardim de Minas em 07.07.1759 e lá mesmo teria se casado.

Vale lembrar que Conceição de Ibitipoca, onde Inocencia nasceu, é distrito de Lima Duarte e faz divisa com Bom Jardim. Considerando-se o parentesco e a proximidade das localidades de origem, é lícito supor que Joaquim Antonio de Almeida Gama tenha sido atraído para o Feijão Cru pelos sobrinhos de sua mãe, Romão e Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, que para cá haviam migrado por volta de 1830, com o objetivo de ocupar e vender as sesmarias doadas aos tios acima citados.

A avó paterna de Joaquim Antonio, a senhora Antonia Maria Custódia Dias, era filha do português de Barcelos, Manoel Martins Gomes e de Maria de Siqueira Paes, natural de São Paulo e falecida(3) no dia 28.10.1776. Já o avô paterno, Caetano José de Almeida Gama, era filho de Manoel Gomes Vilas Boas e Inacia Quiteria da Gama, sendo esta, filha de Luiz de Almeida Ramos que, por sua vez, era filho de Manoel de Paiva Muniz e Maria Ramos da Costa. Da mãe de Inacia Quiteria da Gama vem este último sobrenome. Chamava-se Helena Josefa Corrêa da Gama, sendo filha de Leonel da Gama Bellens e de Maria Josefa Corrêa, falecida(4) em 1737.

Registre-se que Joaquim Antonio veio para o Feijão Cru na mesma época de seu tio paterno, Francisco Antonio de Almeida e Gama, casado(5) em Bocaina de Minas, no dia 13.09.1812, com Maria Perpétua de Jesus que já havia falecido em 1843 quando o marido e o filho Caetano José foram recenseados no Feijão Cru. Além deste filho, sabe-se que Francisco Antonio e Maria Perpétua foram pais, também, de Joaquim Firmino que surge nas fontes leopoldinense na década de 1850, casado com Joaquina Francisca de Jesus. Já o Caetano José de Almeida Gama era casado com Carolina Teodora de Castro, com quem teve oito filhos em Leopoldina, entre 1851 e 1868.

Segundo o Registro de Terras de 1856, Francisco Antonio de Almeida Gama tinha duas propriedades. A primeira, em conjunto com seu filho Caetano José de Almeida Gama, com o nome de Fazenda Circuito(6), localizava-se numa ilha do Rio Pardo e media cerca de 220 alqueires. A outra chamava-se Fazenda Bom Retiro(7), media cerca de 70 alqueires e se localizava na margem do Rio Pomba, sendo que uma de suas divisas era com a Fazenda Benevolência, de Albina Joaquina de Lacerda, então viúva de Ignacio de Souza Werneck. Albina era filha de Álvaro Pinheiro de Lacerda e Angela Maria do Livramento, sendo meia-irmã de Romão e Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda e também sobrinha dos beneficiários de sesmarias que foram divididas e vendidas antes da formação do Distrito do Feijão Cru.

Por hoje o Trem de História fica por aqui. Mas voltará no próximo número do Jornal para continuar contando a história desta personalidade que ficou esquecida pelos historiadores leopoldinense. Até lá.


NOTAS:

1 – Microfilme 1.252.363 Barbacena, Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, item 02 bat fls 112-v

2 – Centro de Memória do Seminário Santo Antonio em Juiz de Fora, MG, lv bat 1772-1750 fls 120

3 – SETTE, Bartyra e JUNQUEIRA, Regina Moraes, Projeto Compartilhar (http://www.projetocompartilhar.org/), Inventários de Manoel Martins Gomes e Maria de Siqueira Paes, acesso 26 jun. 2009

4 – ASSIS, João Paulo Ferreira de. Polis 30 Um resgate da história dos municípios. Ressaquinha: s.n., 1998-2003, nr 41 fls 20

5 – Igreja N. S. da Piedade, Barbacena, MG, lv cas 1808-1826 fls 43 verso

6 – Arquivo Público Mineiro, Seção Colonial, TP 114, Registro de Terras de Leopoldina, nr 15

7 – idem, nr 16

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de maio de 2016

Mario Vargas Llosa: o poder da tolerância

Nobel de Literatura reflete sobre a história da América Latina, concluindo que a prática da tolerância é a essência da democracia. Segundo Llosa, é preciso praticar a ideia de que podemos estar equivocados e, portanto, que as pessoas das quais discordamos podem ter razão, pois esta humildade, fonte da tolerância, é a chave para erradicar a violência da América Latina. Conferencista do Fronteiras do Pensamento 2010 e 2016.

Fronteiras do Pensamento | Edição Karina Roman | Finalização Marcelo Allgayer | Tradução Marina Waquil e Francesco Settineri