Centenário de Morte de Augusto dos Anjos – II

A FAMÍLIA DO POETA

Trilhando ainda pelas terras da Paraíba, o Trem de História recolhe os retalhos de um imaginário proclama do casamento realizado a 04 de junho de 1910, na residência da mãe da noiva, em João Pessoa (PB), na Rua Duque de Caxias, onde se uniram Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho, e de Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos com a senhorita Esther Fialho, que adotou o nome de Esther Fialho Rodrigues dos Anjos, filha de Agnello Candido Lins Fialho e Michelina Amelia Monteiro Fialho, conforme certidão extraída do livro 9, casamentos, fls. 310-312, termo 1412, do Cartório de Registro Civil de João Pessoa (PB).

Ele nascido a 20 de abril de 1884 no Engenho do Pau D’Arco, e batizado no dia 27 de fevereiro de 1885 na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu, PB e ela nascida no dia 21 de novembro de 1887 e batizada aos 22 de fevereiro de 1888 em João Pessoa (PB).

Foram testemunhas do casamento civil: Arthur de Carvalho Rodrigues dos Anjos (29 anos), promotor público e irmão do noivo; Rômulo de Magalhães Pacheco (27 anos) e sua esposa Olga Fialho Pacheco, irmã da noiva; Orestes de Azevedo Cunha (54 anos); Joaquina Monteiro da Cunha; e, Maria José Fernandes dos Anjos.

Assinaram, também, Francisco Xavier Júnior; Aprigio de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; Alfredo de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo e que veio a ser Juiz Municipal em Carmo do Paranaíba (MG); José Antonio de Figueiredo; Carlos de Carvalho Rodrigues dos Anjos, irmão do noivo; e, Brazilino Pereira Luiz Wanderley Filho.

Alexandre Rodrigues dos Anjos Filho nasceu em 09.05.1850 no Recife (PE) e faleceu 13.01.1905, segundo o Jornal A Província de 17.01.1905, página 2. Era filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e Francisca Augusta Xavier Camello Pessoa. Casou-se com Córdula Fernandes de Carvalho, nascida em 25.08.1855 e falecida em 04.08.1933, em João Pessoa (PB), filha de João Antonio Fernandes de Carvalho e Juliana Ludugério no dia 09.10.1875 no Recife (PE). Alexandre Filho bacharelou-se em direito, no Recife, em 1872. Segundo o obituário publicado no jornal A Província, do Recife, “logo que se formou exerceu os cargos de promotor público em Granja (CE), depois, em Aracahú (Aracati?) (CE), em Atalaya (AL), em Pedra de Fogo (PB) e, Juiz Municipal em Ipú (CE)”. Todos estes cargos desempenhados com proficiência e honestidade. Posteriormente deixou a magistratura e passou a dedicar-se à vida de agricultor. Sua esposa, Córdula, em 1899 era proprietária de Engenho de Açúcar, na Paraíba.

Augusto e Esther geraram três filhos. O primeiro deles morreu prematuro, aos sete meses. A segunda, Glória, nascida no Rio de Janeiro (RJ) e falecida em 10.10.1977 na mesma cidade. Foi casada com Antonio Cruz e o casal não deixou descendentes.

O terceiro, Guilherme, segundo o Arquivo da Diocese de Leopoldina, livro de batismos no 15, fls. 55, termo 5, nasceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de junho de 1912 e foi batizado em Leopoldina (MG), no dia 05 de janeiro de 1915. Casou-se com Carmen Pena.

Ainda conforme o Arquivo da Diocese de Leopoldina, os padrinhos de Guilherme foram o senhor Joel Esdras Lins Fialho representado pelo Dr. Rômulo de Magalhães Pacheco e Michelina Amélia Monteiro Fialho, avó materna. Registre-se que o batizado de Guilherme ocorreu após a morte do pai e que o seu padrinho foi representado pelo marido da tia materna, Olga Fialho.

Augusto dos Anjos, como é bem sabido, faleceu em Leopoldina (MG) no dia 12 de novembro de 1914. Quase nove anos após enviuvar, Esther se casou com o professor Júlio Ferreira Caboclo no dia 16 de agosto de 1923, em Leopoldina. Deste segundo casamento teve três filhas: Selma, Elisa e Maria Elisa que faleceu com 15 dias de idade.

Mas a continuação do assunto virá em outra viagem do Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membro da Academia Leopoldinense de Letras e Artes

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de novembro de 2014

Centenário de Morte de Augusto dos Anjos – I

DESENTENDIMENTO COM O GOVERNADOR DA PARAÍBA

O Trem de História de hoje toma o rumo do nordeste e vai ao Engenho do Pau D’Arco, no município de Sapé e a João Pessoa, na Paraíba, para homenagear o poeta Augusto dos Anjos no centenário de sua morte. Desvia por ora da história da Imprensa em Leopoldina para contar um pouco sobre a vida do Poeta da Morte. Mais especificamente, para falar sobre um episódio aparentemente corriqueiro, mas que contribuiu para a vinda do poeta para o Rio de Janeiro e, dali, para Leopoldina, onde mais tarde seu corpo foi sepultado.

Como é sabido, Augusto dos Anjos nasceu no Engenho do Pau D’Arco, na zona rural do município de Sapé, na Paraíba, onde existe hoje a Comunidade Usina Santa Helena que conserva o Memorial Augusto dos Anjos, no dia 20 de abril de 1884 e foi batizado na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos em São Miguel de Taipu.

Aprendeu as primeiras letras com o pai, advogado, ainda no Engenho onde moravam. Posteriormente estudou no Lyceu Paraibano. Segundo o seu biógrafo, Órris Soares, em Elogio de Augusto dos Anjos, na página 23 do livro Eu e Outras Poesias, o menino Augusto “Descia do Pau d’Arco, sombrio engenho de açúcar plantado na aba do Rio Una, vindo prestar exame no Lyceu”. Cursou a Faculdade de Direito do Recife onde se bacharelou em 1907, mas nunca advogou. Retornou para João Pessoa onde passou a lecionar português no Lyceu e a dar aulas particulares de literatura brasileira.

Em 1910, devido a um desentendimento com o governador teria se afastado do cargo de professor do Lyceu Paraibano. Embora não se tenha, ainda, a razão exata deste desentendimento, faz sentido supor ter tido origem em algum fato decorrente das medidas de João Lopes Machado, que governou a Paraíba de 28.10.08 a 22.10.12, e que atingiram diretamente o Lyceu Paraibano.

Por este modo de pensar, a leitura da Mensagem do Presidente da Paraíba João Lopes Machado, para a Assembleia Legislativa do Estado em 01 de setembro de 1909, na qual ele aborda as medidas que julga necessárias para melhorar a qualidade do ensino no estado, talvez possa trazer alguma luz. Este documento está disponível na Hemeroteca Nacional <http://memoria.bn.br&gt;.

Destaque-se que o problema no Lyceu foi posterior à pretendida reforma sugerida por João Machado, a qual tratava tão somente da realocação do ensino primário, secundário e profissional, estabelecendo critérios que determinavam o que seria de alçada do município e o que ficaria a cargo do estado.

Dois anos depois veio a denominada “reforma federal” que pretendia reorganizar o ensino para que voltasse a ter as garantias da equiparação do Lyceu com o Ginásio Nacional. Na mensagem de 01 de setembro de 1911, na pag. 21, consta que estava em processo a “recente reforma federal” que intentava “adaptá-lo a um instituto inteiramente preparado para ministrar um ensino fundamental e prático, de maneira que se torne aproveitável aos que pretenderem se matricular nos cursos superiores e aos que aspirarem somente as noções indispensáveis para o exercício de qualquer profissão”.

Da leitura desses relatórios vê-se que pode estar por aqui o motivo do desentendimento de Augusto dos Anjos com o governador. Do relatório seguinte, de 1913, página 8, extrai-se: “O corpo docente corresponde em toda a altura às exigências do ensino moderno, sendo que as últimas nomeações dos Drs. Álvaro Pereira de Carvalho, Manoel Tavares Cavalcanti, Afonso Rodrigues de Souza Campos e Coronel João de Lyra Tavares não mentiriam à mais rigorosa expectativa, se tivessem de lecionar nos mais adiantados centros do país.” E do jornal O Paiz, de 23 de novembro de 1912, página 6, complementa-se: “Em virtude da reforma, o governo nomeou hoje lentes do Lyceu Parahybano o coronel João Lyra, para a cadeira de contabilidade comercial; o Dr. Ascendino Cunha, para inglez; o Dr. Alvaro de Carvalho, para italiano, e o Dr. Tavares Cavalcanti, para direito comercial e economia política. As demais cadeiras foram preenchidas pelos lentes antigos,”

É verdade que nas listas de pessoal efetivo do Lyceu, publicadas no Almanaque da Paraíba, Augusto dos Anjos não aparece como professor da Instituição em 1911 e 1912. Diz a autora do romance A Última Quimera que o poeta concorreu na seleção para a cadeira de história da literatura em 1912 e não foi escolhido, sendo o lugar dado a um apaniguado de Cazuza Trombone que parece ser apelido de algum político. Segundo a romancista, o escolhido jamais tomou posse e Augusto foi chamado para exercer o cargo como interino.

Fato é que, com o ocorrido, perdeu a Paraíba e ganhou a terra do Trem de História que recebeu o poeta de braços abertos na estação de verdade da Estrada de Ferro da Leopoldina, e entregou a ele a direção do Grupo Escolar que posteriormente recebeu o nome Ribeiro Junqueira.

Mas a continuação do assunto virá em outra viagem a ser contada no próximo Jornal.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de outubro de 2014

9 – O Leopoldinense Pioneiro

No vagão anterior falou-se dos diversos jornais que utilizaram o nome “Leopoldinense”. Neste, o trem de história reitera alguns pontos apurados sobre o jornal O Leopoldlinense lançado pelo Alferes Francisco da Costa Sobrinho em 01 de janeiro de 1879, o primeiro periódico que circulou na cidade e, por via de consequência, o primeiro a usar este nome.

De início, para colocar o trem na linha e desfazer o equívoco registrado por Luiz Eugênio Botelho no seu livro “Leopoldina de Outrora”, é necessário que se esclareça que Luiz Botelho Falcão não lançou O Leopoldinense em 1879 conforme afirma o autor. As edições do próprio jornal, consultadas para este trabalho, dão conta de que Botelho Falcão só assumiu o periódico alguns anos depois da sua fundação. E esteve à frente dele por cerca de dois anos, ao final dos quais, em 1894, o vendeu a Randolpho Chagas e Valério de Rezende.

Feito este esclarecimento, que se coloque lenha na caldeira para que o trem prossiga com a história. E diga-se que O Leopoldinense aqui estudado trazia nas suas primeiras edições o subtítulo: “Consagrado aos Interesses dos municípios de Leopoldina e Cataguases”. A partir do seu segundo ano de existência este subtítulo foi alterado para informar que o periódico passou a ser “Dedicado à Causa Pública”, embora continuasse com os mesmos posicionamentos e com a mesma equipe editorial.

Mais adiante, em maio de 1882, de fato ele sofreu uma significativa mudança estrutural quando foi desfeita a sociedade “Costa Sobrinho & C” e todo o ativo e passivo da tipografia, bem como a casa de negócio situada à Rua do Rosário nº 37 (atual Rua Tiradentes), passou a ficar a cargo do sócio Francisco da Costa Sobrinho, conforme nota publicada na primeira página da edição de 21.05.1882. Mas esta mudança aparentemente não alterou em nada a linha editorial, a estrutura e o público alvo do jornal, conforme se deduz das edições subsequentes.

Ressalte-se que O Leopoldinense nasceu e circulou numa época em que a política marcava presença no cenário municipal. Num período conturbado, com manifestações sobre a libertação dos escravos, a monarquia e a república. Anos de acirradas disputas no campo político e com forte apelo literário bastante influenciado pelas publicações francesas. Sem contar que sofria a influência de jornais publicados na Corte, como o “Diário do Brasil”, conforme fica patenteado na sua edição de 25.05.1882 quando o editor deixa claro que seu periódico acompanha o referido diário. E é bom que se diga que o “Diário do Brasil” é citado por Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil” como sendo um dos órgãos da pequena imprensa que se isolou no apoio ao manifesto de Carl von Koseritz, em 1883, de incentivo à imigração germânica. Fato que leva a crer, com boa margem de certeza, que não teria sido por mero acaso que O Leopoldinense tenha se colocado em diversas oportunidades a favor da substituição da mão de obra escrava por colonos estrangeiros.

Alguns fatos podem dar uma ideia de quão árdua deve ter sido a sua luta. Um jornal do interior a defender a libertação dos escravos numa cidade que presta homenagem ao Barão de Cotegipe, dando o nome dele à rua principal. Um barão que, ao cumprimentar a princesa Isabel pela assinatura da Lei Áurea, teria afirmado: “Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono”. E no ano seguinte implantou-se a república. Uma cidade que homenageia Cotegipe, mas esquece a princesa Isabel e lembra Pedro II numa pequena Travessa que mais parece um apêndice da rua principal.

Mas vale lembrar que O Leopoldinense, além dos assuntos locais, publicava também matérias relativas a diversos municípios que não faziam parte da área de influência de Leopoldina. O que indica sua boa receptividade numa região mais vasta, embora não tenha sido possível identificar com precisão todo o universo dos seus assinantes. Sabe-se, apenas, que além dos moradores de localidades próximas ele possuía leitores em diferentes pontos das províncias de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, além dos residentes na Corte.

E para fechar o vagão de hoje resta dizer que O Lepoldinense circulou até os primeiros anos do século XX, embora no estudo atual não se tenha chegado às últimas edições. Dizer, também, que a viagem continuará e na próxima estação recolherá o vagão com a história de outro periódico da cidade. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de outubro de 2014

Parte IX de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

8 – ‘Leopoldinense’: nome de vários jornais

Antes que agarre na memória de algum leitor distraído uma informação indevida, feito o pó de carvão que sujava a roupa dos passageiros da Maria Fumaça, o Trem de História vira a chave do desvio, evita possível descarrilamento e presta um esclarecimento importante.

Diferentemente do Leopoldinense atual, que acolhe mais uma vez um resgate histórico destes autores, o Leopoldinense do passado teve uma outra história.

O atual nasceu em agosto de 2003, bem depois de arrancados os trilhos e derrubada a estação ferroviária, com o nome de “Gazeta Leopoldinense de Notícias”. Assim circulou por alguns meses até que, em 2004, por alteração contratual a sua razão social passou para “Grupo Leopoldinense de Notícias Ltda”. E é esta empresa, comandada por Luiz Otávio Meneghite, a responsável pela edição do atual “Jornal Leopoldinense”, que empunha a bandeira da “Consciência crítica da Cidade”. Um jornal que tem uma tiragem média de 2.000 exemplares e circula rigorosamente a cada início de quinzena.

“O Leopoldinense”, ao qual se refere este estudo sobre a história da imprensa em Leopoldina entre 1879 e 1899, teve sua primeira edição em 01.01.1879. Seu primeiro editor e gerente foi o Alferes Francisco da Costa Sobrinho e o próprio jornal informava ser “propriedade de uma sociedade anônima”. Na sua fase inicial apresentava-se como “Folha Comercial Agrícola Noticiosa”, trazendo o subtítulo “Consagrado aos Interesses dos Municípios de Leopoldina e Cataguases”. Segundo consta de todas as edições d’O Leopoldinense a que se teve acesso, até julho de 1883 a sua tiragem era de 2000 exemplares.

Importante esclarecer que, após esta data, foram encontradas seis edições no Arquivo Público Mineiro entre 1890 e 1892, nas quais não constam informações sobre assinaturas ou tiragem, nem tampouco os nomes dos redatores e proprietários.

Quanto à data de lançamento e o nome do proprietário do Leopoldinense antigo, registre-se um esclarecimento importante.

Segundo Luiz Eugênio Botelho, em Leopoldina de Outrora, seu pai Luiz Botelho Falcão teria lançado o jornal em 1879, o que se comprovou não ser coerente com a realidade. Pelas edições do próprio jornal, Luiz Botelho teria assumido a empresa em 1892, naquela que se poderia chamar terceira das quatro fases conhecidas d’O Leopoldinense. Por outro lado, entre setembro e novembro de 1886, quando Carlos Wehrs esteve em Leopoldina, informaram-lhe que Luiz Eugênio seria o proprietário do jornal. Uma das hipóteses prováveis é a de que, com a morte do fundador Francisco da Costa Sobrinho, Botelho Falcão tenha adquirido a empresa e só alguns anos depois o periódico tenha voltado a circular.

De todo modo, apesar dos descendentes terem incensado o patriarca como grande e pioneiro jornalista leopoldinense, só há indicação de que Luiz Botelho Falcão tenha estado à frente do periódico por cerca de dois anos, vendendo-o a Randolpho Chagas e Valerio de Rezende em 1894.

Circulou ainda pela cidade, no final dos anos de 1950, outro informativo com o nome de Leopoldinense. Segundo consta, era uma publicação de responsabilidade da Diocese de Leopoldina, impresso numa tipografia que funcionava junto à casa episcopal. Mas como este informativo é de período posterior ao estudado, dele não se apurou maiores detalhes e influências. Faz-se apenas o registro da sua existência pela coincidência do nome e para que ele não perca o Trem de História.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 26 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Hospedaria de Jacareacanga, Leopoldina

Conforme se verifica no recorte acima, em setembro de 1895 teria sido adquirido o Sítio Jacareacanga, com o nome incorretamente grafado na nota. O objetivo era nele instalar a Hospedaria de Imigrantes de Leopoldina que, segundo outras fontes, funcionou por um curto período de tempo.

7 – Periódicos e suas Histórias

Conforme prometido no artigo anterior o Trem de História traz um pouco da vida dos vinte e um periódicos publicados no município de Leopoldina entre 1879 e 1899. De alguns deles se falará um pouco mais em vagões posteriores.

01) O Leopoldinense, o mais antigo deles, circulou de 1879 a 1900. É o primeiro da lista e a ele se voltará em artigo posterior;

02) O Correio da Leopoldina veio em seguida, no ano de 1881. Deste se sabe apenas, por nota d’O Leopoldinense de 03.07.1881 que José de Souza Soares Filho e Manoel Teixeira da Fonseca Vasconcelos eram seus redatores e proprietários.  É possível que fossem moradores do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita;

03) O terceiro periódico é O Povo, que segundo o já citado Xavier da Veiga teria circulado de 1885 a 1890 no distrito de Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira). Dele pouco se sabe. Foram encontradas três edições datadas de 1885 e 1886, ano em que o proprietário se transferiu para Cataguases, onde continuou publicando o periódico;

04) Princípio da Vida. Deste periódico se sabe apenas que foi lançado em 1885;

05) O Pássaro, lançado em 1886, do qual não foram encontradas edições;

06) Estrela de Minas teve sua data de lançamento – 29 de julho de 1887, registrada por José Pedro Xavier da Veiga na monografia A Imprensa em Minas Gerais, publicada em 1894 em fascículo do jornal Minas Geraes e republicada em 1898 na Revista do Arquivo Público Mineiro. Entretanto, nenhuma edição foi localizada;

07) Ideia Nova teve o lançamento informado também por Xavier da Veiga, e assim como do anterior não foram encontradas suas edições. No jornal A Província de Minas, edição 501, 24 de novembro de 1887, página 1, anuncia-se o aparecimento no dia 17 de novembro de 1887, sob direção de Jacobino Freire e Reynaldo Matolla, sendo de propriedade de Arnaldo Lessa;

08) Irradiação circulou entre 1888 a 1890. Sua história será um pouco mais detalhada em artigo posterior;

09) A Voz Mineira. Deste periódico tem-se o registro de que circulou em 1890. Está na lista dos desconhecidos;

10) Gazeta de Leste circulou entre 1890 e 1891. Trazia no subtítulo a informação de que era Órgão Popular. Seu redator e proprietário era José de Moura Neves Filho. É mais um periódico que terá sua história contada em artigo vindouro;

11) A Leopoldina registra na sua primeira edição a data de 16.02.1893. Também sobre este periódico se vai falar em artigo futuro;

12) A Phalena é uma publicação de 1894 da qual nada mais se conseguiu apurar;

13) A Voz de Thebas foi um periódico publicado entre 1894 a 1897 no distrito de mesmo nome. Deste periódico se vai falar mais adiante;

14) O Correio de Leopoldina é de 1894. Um pouco mais sobre a sua história virá em artigo posterior;

15) A Gazeta de Leopoldina, o décimo quinto jornal do período, foi lançada em 1895. Um vagão inteiro será pouco para contar a sua história, como adiante se verá;

16) O Mediador circulou entre 1895 a 1896. Mais adiante se dará mais detalhes sobre sua trajetória;

17) O Tiradentes, publicado em 1897, foi mencionado por Xavier da Veiga como jornal do arraial de Vista Alegre, em Leopoldina. Na única edição encontrada informa-se que o proprietário foi M. C. Machado Júnior, os redatores eram Francisco Gama e Alberto Guimarães e o local consta como Vista Alegre (Minas). Ocorre que o distrito cataguasense recebeu este nome por causa da Estação Vista Alegre que havia sido instalada anos antes no município de Leopoldina, donde é comum encontrar referência a Vista Alegre como se fosse distrito de Leopoldina;

18) O Arame, jornal que circulou entre os anos 1898 a 1899, do qual foram encontrados 23 exemplares em acervo particular. Sobre ele se falará um pouco mais em artigo posterior;

19) A Lyra teria circulado em 1898 no distrito de Campo Limpo, conforme noticiado no jornal O Arame, de 11.12.1898. Seu proprietário e redador foi Jorge de Albuquerque Júnior;

20) O Pelicano, consagrado à maçonaria, teve seu lançamento em 1898. Tinha José Werneck como seu diretor e circulou no distrito de Campo Limpo; e,

21)O Recreio, lançado em 1899 no então distrito do mesmo nome, conforme a Gazeta de Leopoldina de 08.01.1899.  Era editado por “A. Napoleão & C”.

Com o Recreio encerra-se a relação dos 21 periódicos publicados em Leopoldina entre 1879 a 1899. Mas seguindo a História da Imprensa em Leopoldina, a partir do vagão seguinte o leitor conhecerá um pouco mais sobre alguns destes periódicos. “Aguardem a próxima composição”, diria o agente da estação.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 12 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

6 – Literatura, Jornalismo e Política

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de setembro de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Ficou dito na coluna anterior que as últimas décadas do século XIX não foram apenas uma grande época política, mas também literária. E é Nelson Werneck Sodré, no livro “A História da Imprensa no Brasil”, quem lembra que, para Silvio Romero, “no Brasil […] a literatura conduz ao jornalismo e este à política”. O mesmo autor declara que “os homens de letras faziam imprensa e faziam teatro” e menciona a trajetória de literatos como José de Alencar e Machado de Assis.

O Trem de História de hoje lembra que em Leopoldina existiram dois exemplos clássicos de literatos que seguiram este caminho.

O primeiro foi o poeta Dilermando Martins da Costa Cruz, aqui nascido aos 15.09.1879. Tipógrafo dos primeiros anos da Gazeta de Leopoldina publicou vários de seus poemas neste jornal de cujas oficinas saiu também, em 1899, seu segundo livro de poesias – Diaphanas. Em janeiro daquele ano fundou um externato na cidade, conforme a Gazeta de Leopoldina de 22.01.1899. Em 1902 lançou o jornal Folha do Leste, em Leopoldina, do qual era o redator, conforme nota de O Pharol, de Juiz de Fora, 15.11.1904. Segundo ainda O Pharol, (edição de 13.09.1901, pag. 2), em 1901 era promotor de justiça da Comarca de Leopoldina e permanecia como redator da Folha do Leste em março de 1905, conforme noticiou o periódico juizforano na edição de 28 daquele mês. Na edição de 10.06.1905 o mesmo jornal informou que Dilermando Cruz atuava no Echo de Leopoldina. Em 16.05.1906, na primeira página d’O Pharol saiu a notícia de que Dilermando  estava cuidando da fundação de um diário na cidade de Juiz de Fora, o qual estaria nas ruas no final daquele mês, notícia confirmada na edição de 14 de junho seguinte já com o nome do periódico: Correio da Tarde. Tendo, então, transferido residência para Juiz de Fora, no ano seguinte ali nasceu o filho homônimo do poeta que viria a ser prefeito daquela cidade. Em junho de 1907, segundo O Pharol, estava concluído o terceiro livro do poeta Dilermando que seria enviado aos editores Garnier, de Paris. Informação que encontra maior relevância na declaração de Nelson Sodré para quem a Garnier “enobrecia os autores que lançava”.

O segundo exemplo de literato é o de Estevam José Cardoso de Oliveira, nascido em Piraí, RJ, no dia 28.01.1853. Estevam mudou-se para Cataguases em 1865, onde foi alfabetizado. Mais tarde ele se tornou professor de primeiras letras em Campo Limpo (atual Ribeiro Junqueira) onde fundou o jornal O Povo em 1885. Após residir por quase quinze anos em Leopoldina, retornou a Cataguases para onde transferiu o seu jornal. No mesmo ano lançou-se candidato ao Congresso Mineiro e, em 1894, transferiu-se para Juiz de Fora onde fundou o jornal Correio de Minas. Juntamente com Dilermando Cruz cuidou da organização da Liga Literária, semente da Academia Mineira de Letras, fundada em Juiz de Fora aos 25.12.1909, e de cuja primeira diretoria os dois faziam parte.

Não resta dúvida que a atuação política de Dilermando Cruz transparece desde o início de sua carreira jornalística, em Leopoldina, assim como a de Estevam de Oliveira. E esta atuação teve um ponto alto em julho de 1907, conforme nota na edição 171 d’O Pharol, quando os dois escritores levantaram, em seus respectivos jornais Correio da Tarde e Correio de Minas, a candidatura à reeleição como presidente da Câmara do Dr. Duarte de Abreu, tomando posição contrária ao poder vigente numa clara demonstração da atividade político partidária de dois representantes da imprensa leopoldinense dos primeiros tempos.

Aliás, Estevam de Oliveira publicou “Notas e Epístolas: Páginas Esparsas da Campanha Civilista pela Tipografia Brasil”, de Juiz de Fora, em 1911, obra na qual demonstrou, como já fizera Dilermando Cruz na edição número 258 d’O Pharol, em 29.10.1905, o desprezo que sentia pela atuação política do então Senador Ribeiro Junqueira, também natural de Leopoldina e um dos sócios do primeiro jornal em que trabalhou Dilermando Cruz, a Gazeta de Leopoldina.

A carga do vagão de hoje está completa. Restou na plataforma, um pouco de política e mais uma parte de literatura. Mas isto será embarcado na próxima viagem do Trem de História, no próximo Jornal.

5 – Porque Tantos em Tão Pouco Tempo

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de agosto de 2014

Continuação do trabalho A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Nesta viagem sobre a Imprensa em Leopoldina o leitor deve ter observado que o Trem de História corre por trilhos imaginários que ligam os periódicos que circularam durante um determinado recorte de tempo – entre 1879 e 1899. No artigo de hoje a viagem continua.

Agora, para falar da razão de tantos periódicos em período tão curto.

E o princípio da conversa é a afirmação de Nelson Werneck Sodré, em “A História da Imprensa no Brasil”, de que durante o Império houve uma interiorização da imprensa através da publicação de periódicos nas pequenas cidades como forma de compensar a dificuldade de transporte e do serviço de Correio, os quais embaraçavam a chegada às cidades menores dos jornais da Corte e das capitais de província.

Por este modo de pensar os periódicos da cidade teriam proliferado num vazio deixado pela falta ou, deficiência do transporte para o interior do país.

Tudo leva a crer que esta não seria a melhor justificativa para a profusão de folhas que se lançaram em Leopoldina nas duas últimas décadas do século XIX. Até pelo simples fato de que a cidade poderia ser considerada uma privilegiada pela proximidade do Rio de Janeiro. Além de a Estrada de Ferro da Leopoldina já existir, a análise de Rodolpho Jacob no livro “Minas Gerais XX Século” e as tabelas do movimento de transporte ferroviário publicadas no Almanaque Laemmert entre 1879 e 1889 registram que era significativo o movimento diário de carga que chegava a Leopoldina, aí incluída a correspondência. Em verdade Leopoldina contava com o trem e uma boa troca de interesses com a capital.

Outro argumento utilizado para tentar explicar a grande quantidade de jornais na segunda metade do século XIX é a disseminação das ideias republicanas, mencionada por Sodré, na sua obra já citada.

Por este caminho o surgimento do grande número de periódicos publicados em Leopoldina decorreria da necessidade de disseminar tais ideias, o que também não parece tese de fácil defesa. Isto porque a leitura destes jornais não conduz à certeza de que teriam sido criados com o objetivo de divulgá-las ou rebatê-las a qualquer pretexto.

Mas o mesmo autor apresenta um outro motivo que parece adequar-se melhor ao que ocorreu em Leopoldina. Argumenta ele que as últimas décadas do século XIX não representam apenas uma grande época política. Foi também uma época literária, o que parece ser a causa mais provável para o lançamento de tantos jornais em tão curto espaço de tempo. Um motivo que melhor se amolda à Leopoldina daquele tempo e, à dos anos posteriores ao período estudado, quando a cidade se destacou culturalmente e contou com um dos melhores colégios da região.

No próximo Jornal o Trem de História continuará a viagem puxando o vagão que vai nominar e contar um pouco da história dos vinte e um periódicos que circularam no município de Leopoldina no período estudado. Tem jornal para todo gosto.

4 – Colunas Literárias

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado no jornal Leopoldinense de 1 de agosto de 2014

Continuação do estudo sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Não foram apenas os dois autores citados no artigo anterior que escreveram colunas literárias publicadas nos antigos jornais de Leopoldina. No jornal O Leopoldinense, havia uma coluna denominada Folhetim, na metade da primeira página.

Na Gazeta de Leopoldina, na edição nº 5 do terceiro ano, foi inaugurada uma seção, também na primeira página, com o título A Gazetinha e o subtítulo Folha Literária.

Em outros jornais da época existiam colunas contendo material semelhante, que no livro “História e Imprensa: Representações Culturais e Práticas de Poder”, organizado por Ariane Ewald e outros, é descrito como crônicas folhetinescas “divulgadoras de uma trama social, de um estilo de vida, de valores que sinalizaram a modernidade no século XIX”. Que equivaliam ao que Nelson Werneck Sodré classificou de “romances e novelas anônimas, fabricadas aos montes para distrair o espírito das sinhazinhas e dos estudantes”.

É o caso, por exemplo, d’O Leopoldinense, que durante o ano de 1881 publicou a tradução feita por Silva Ennes para A Condessa de Talma dividida em várias edições, sem ter sido indicada a nacionalidade ou o nome do autor da obra.

Também eram publicadas traduções e análises críticas de obras europeias. Algumas vezes com conteúdo que surpreende por aparentar certa incompatibilidade com o que o senso comum entende ser característica da sociedade da época. Como a análise da obra “As Mulheres que Votam e as Mulheres que Matam”, de Alexandre Dumas Filho, publicada na primeira página da edição nº 51, de 07.11.1880, d’O Leopoldinense. Anunciada como “correspondência do Leopoldinense”, o texto informa que a primeira parte da obra trata de três mulheres acusadas de terem assassinado os pais de seus filhos, sendo uma delas atriz, a segunda uma serva e a terceira uma senhora casada. Após descrever os processos, o autor dialoga com o leitor declarando que os crimes aconteceram “porque não tendes ânimos de fazer leis que confiram à honra das donzelas as mesmas garantias que à mais grosseira mercadoria”. Já na segunda parte da obra, diz o articulista, o autor defende “o direito que tem a mulher de votar, como o homem”. O texto questiona a diferença entre sexos e declara que as teses advogadas por Dumas Filho passariam por diversas fases como espanto, hábito, experiência, dever e finalmente um bem para a sociedade.

De resto, a apreciação dessas colunas literárias suscita algumas conclusões.

Em primeiro lugar, há uma sensível diferença entre a primeira fase, em que O Leopoldinense era o único periódico e a quarta fase, com vários jornais sendo publicados simultaneamente ou não. Se naquela os autores não puderam ser identificados, nesta houve nomes que permaneceram na lide literária. Enquanto a primeira fase caracterizou-se por romances e novelas anônimas, na última eram publicadas poesias, contos curtos e pequenas crônicas, quase sempre com identificação da autoria. Por outro lado, a quarta fase inaugurou a época das charadas, piadas e colunas de opinião.

De todo modo, não se pode esquecer o alerta do livro de Ariane Ewald de que as “crônicas são fragmentos e, ao mesmo tempo, elementos do social” e que tais “fragmentos da vida no século XIX indicam também os sinais mais públicos e visíveis do projeto da modernidade” que se vivia à época. Ampliando-se a área de alcance destes conceitos para além das crônicas folhetinescas, percebe-se que outras matérias publicadas nos primeiros periódicos leopoldinenses se enquadram na mesma condição de reflexo da vida cotidiana.

De certo modo foi o que se observou, por exemplo, na crônica publicada na edição de 30.01.1896 da Gazeta de Leopoldina, assinada por J. Lorbela, provável pseudônimo. Após uma introdução bastante rebuscada em elogios ao distrito de Conceição da Boa Vista, o autor usa de fina ironia para denunciar “esse ninho de águias” que seria o Conselho Distrital e fazer provocações sobre a falta de água, de iluminação e de prédio para a escola. No prosseguimento, declara que não houve eleição no distrito porque “na forma do costume, os eleitores deixaram-se ficar no seu dulce far niente”, abstendo-se de participar do pleito. E encerra o texto pedindo ao fiscal distrital para por “termo às infrações ao estatuto municipal, tão desrespeitado por indivíduos menos ocupados que se divertem dia e noite a alvejar as suas armas, pondo em sobressalto crianças e famílias”. Pela leitura das crônicas deste articulista durante boa parte do ano de 1896 é possível acompanhar o cotidiano do distrito de Conceição da Boa Vista.

Dá até vontade de continuar nesta toada. Mas o Trem de História soou o apito indicando que é chegada a vez do vagão que vai explicar as razões para Leopoldina ter tido tantos periódicos em tão pouco tempo. Aguardem.

Instituto Agronômico em Leopoldina

Há 120 anos a Revista Industrial de Minas Gerais, em sua edição número 10 assim se manifestava a respeito da criação dos institutos agronômicos e especialmente da regulamentação através do Decreto nr. 737 de 13 de julho:

Entretanto, segundo notícia publicada na primeira página do jornal O Leopoldinense, de 11 de agosto de 1895, a Lei n. 140, de 20 de junho daquele ano, reformou o ensino agrícola no estado e cancelou a instalação de novos Institutos Agrícolas. Como a unidade de Leopoldina fora criada mas ainda não havia sido instalada, seria convertida em “campo prático ou campo de demonstração”. Estaria aí a origem da Fazenda do Estado, na Laginha?

Há outras dúvidas sobre o ensino agrícola em Leopoldina. Foram encontradas referências a uma Escola Agrícola fundada cerca de quinze anos depois, subsidiada pelo governo do estado e administrada pelos proprietários do então Gymnasio Leopoldinense. As referências são nebulosas e alguns intérpretes acreditam tratar-se de uma instituição particular. Na fotografia abaixo o prédio identificado com o nome do colégio particular foi reconhecido por antigos moradores como sendo a sede do Aprendizado Agrícola.