67 – Martins de Almeida – Um modernista nascido em Leopoldina

“Às vezes, sou invadido pela dúvida de que não 

fiz mais do que sonhar às avessas dos outros.”

Martins de Almeida([i])

A partir de hoje o Trem de História empreenderá viagem pela obra e vida de Martins de Almeida, um modernista nascido em Leopoldina. Um importante personagem que se pretende retirar da gaveta dos esquecidos.

De início é justo registrar que a busca pelas suas origens foi estimulada por Glória Barroso e José Gabriel Barbosa que, sabedores de nossos estudos sobre as antigas famílias leopoldinenses, perguntaram a quem pertencia este nome citado por Pedro Nava como tendo nascido em Leopoldina. Uma pergunta que nos intrigou e para a qual não tínhamos resposta naquele momento.

Iniciadas as buscas a partir das informações de Pedro Nava e de outros modernistas, descobrimos o nome completo do personagem e de seu pai, embora não existisse menção alguma a eles em nosso banco de dados.

A luz no final do túnel surgiu quando a Hemeroteca Nacional se tornou disponível na rede mundial de computadores e permitiu que, através de uma busca pelos nomes, se chegasse ao anúncio do noivado([1]) de Georgina, filha de Félix Martins Ferreira [neto] e de Heliodora Pinheiro Correia de Lacerda com o então Secretário da Polícia de Ouro Preto, Dr. Antonio Francisco de Almeida.

Descobriu-se, então, que Francisco Martins de Almeida, o até então desconhecido modernista, nasceu([2]) em Leopoldina em 07 de janeiro de 1903 e faleceu([3]) no Rio de Janeiro (RJ) no dia 29 de julho 1983. Era filho do magistrado Dr. Antonio Francisco de Almeida e de Georgina Martins de Almeida. Teria sido aluno do Colégio Granbery, em Juiz de Fora, segundo informações de um membro da família. E soube-se que em 1920 ele já estava em Belo Horizonte onde, segundo o poeta Drummond de Andrade, teria aberto “a caixa com os primeiros livros de Proust a chegarem na cidade”([4]). Na capital mineira era acadêmico de direito([5]) em 1923 e participava do Grupo Estrela, com rapazes que “decompunham e recompunham o espetáculo humano e preparavam materiais de cultura”, conforme declarou Drummond([6]).

Fernando Correia Dias([7]) informa que pouco tempo depois nosso biografado estava residindo no interior do estado, na cidade de Oliveira, para onde havia sido nomeado promotor. O que não o impediu de continuar em contato com os companheiros, inclusive no debate que se seguiu a algumas opiniões. Fato que se confirma pelas páginas do jornal Diário de Minas, citado por Dias em sua obra, onde Martins de Almeida contestou a entrevista de João Alphonsus, outro nome da literatura mineira naquele momento.

Para concluir a carga deste vagão de hoje, destacamos que no posfácio de seu livro “Brasil Errado” o autor fala de si mesmo, numa espécie de autobiografia do seu fazer intelectual que se transcreve([8]):

“É muito comum deixarmos abandonadas nossas ideias no meio do caminho por onde enveredamos, um pouco distante do ponto terminal do nosso percurso espiritual. Propositadamente nem sempre chegamos ao extremo de nossos pensamentos. Talvez por pudor intelectual, receando o desapontamento de um efeito excessivo. Não sei bem, mas raramente atingimos as últimas conclusões de nossas ideias. Falo a respeito dos nossos pensamentos claros e frios, sem qualquer envoltório simbólico, que param de repente sem querer chegar às suas derradeiras consequências. O meu espírito vai muito além do que escrevi. De fato, os meus trabalhos estão quase todos por acabar”.

E acabar é a ação imposta a este texto, por razão de espaço. Mas fica a promessa de que na próxima edição o Trem de História continuará com Martins de Almeida. Aguardem!


[i] ALMEIDA, Francisco Martins de. Brasil Errado. 2.ed. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1953. p. 144.

[1] Minas Geraes. Belo Horizonte, MG, 2 abr 1898, ed 89 p.5

[2] Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais de Providência, Leopoldina, MG, matricula: 0371430155 1903 1 00003 053 0000003 81.

[3]Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 30 jul 1983, ed 113 p.14

[4] Tribuna da Imprensa, Rio de Janeiro, RJ, 26 out 1977, ed. 8589 p.9.

[5] O Pharol, Juiz de Fora,MG, 29 jul 1923, ed 366 p. 1.

[6] ANDRADE, Carlos Drummond de. Recordação de Alberto Campos. In: Confissões de Minas. São Paulo: Cosac Naify, 2011. p.50

[7] DIAS, Fernando Correia. O Movimento Modernista em Minas: uma interpretação sociológica. Brasília: Ebrasa, 1971. p.38

[8] MARTINS DE ALMEIDA. Brasil Errado. 2.ed. Rio de Janeiro: Organização Simões, 1953. p.143

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 322 no jornal Leopoldinense de 1  de janeiro de 2017

 

Centenário de Nascimento

Nascidos no município de Leopoldina

02 fev 1917

Maria Antonia Rodrigues Vargas

Pai: Antonio Vargas Ferreira

Mãe: Olivia Rodrigues da Silva


04 fev 1917

Maria Sebastiana Cucco

Pai:                          Giuseppino Cucco

Mãe:                        Carolina Farinazzo


08 fev 1917

Albina

Pai:                          Francisco José Botelho Falcão

Mãe:                        Ana Maria de Oliveira Ramos

Geraldo

Pai:                          Pedro José de Moraes

Mãe:                        Joana Maria de Jesus


09 fev 1917

Eleonor Veronica Anzolin

Pai:                          Giovanni Ottavio Anzolin

Mãe:                        Rosa Pasianot

José Bolzoni

Pai:                          Pietro Bolzoni

Mãe:                        Tereza Stievano


11 fev 1917

Ruy Tavares Rodrigues

Pai:                          Antonio Germano Rodrigues

Mãe:                        Maria Dietz Tavares


12 fev 1917

Ana de Angelis

Pai:                          Otavio de Angelis

Mãe:                        Amalia Calzavara

Noêmia Almeida

Pai:                          Francisco Rodrigues de Almeida

Mãe:                        Dionízia de Moraes Lima


16 fev 1917

Isolina Meneghetti

Pai:                          Agostino Meneghetti

Mãe:                        Camila Stefani


19 fev 1917

Maria Ana Sangalli

Pai:                          Angelo Giulio Sangalli

Mãe:                        Carolina Sangirolami


24 fev 1917

Sebastião Matos

Pai:                          José de Matos

Mãe:                        Maria Carolina Ferreira do Couto


26 fev 1917

Wilson

Pai:                          Abdon Saraiva Carvalho

Mãe:                        Filomena Gonçalves


27 fev 1917

Antonio Casadio

Pai:                          Giuseppe Casadio

Mãe:     Carlota Maria da Conceição

Há 100 anos

Em Leopoldina, MG, no dia 10 de janeiro de 1917, Josué de Vargas Ferreira filho de Antonio José de Vargas Corrêa e de Maria Venancia Ferreira casou-se com Maria de Almeida Lacerda filha de Honório Rodrigues Lacerda e de Marieta Rodrigues de Almeida

O noivo era neto paterno de Josué de Vargas Corrêa e Joaquina Euqueria de Jesus, sendo esta filha de Antonio Rodrigues Gomes, um dos primeiros moradores do Feijão Cru, que formou a Fazenda Águas Vertentes cujo nome deriva da proximidade com a nascente do Córrego do Moinho. Josué era neto materno de Antonio Venâncio de Almeida Brio, o qual era filho do “capitão” João Gualberto Ferreira Brito e de Inácia Maria de Santo Inácio que, por sua vez, era filha de Antonio Prudente de Almeida.

A noiva, também natural de Leopoldina, era neta paterna de Ezaú Antônio Corrêa de Lacerda, filho de José Ferreira Brito e de Mariana Paz de Lacerda. E era neta materna de Francisco Martins de Almeida, filho de Antônio de Almeida Ramos que, por sua vez, era filho do “comendador Manoel Antônio de Almeida, um dos povoadores de Leopoldina.

No mesmo dia 10 de janeiro, Francisco Marçal Ferreira de Rezende filho de Pedro Marçal Ferreira e de Ignez de Castro Rezende, casou-se com Maria do Carmo Rezende filha de Francisco Rezende e de Francisca de Paula Rezende.

E Pedro da Cruz Nogueira filho de Pedro José da Cruz Nogueira e de Maria Marques da Silva, casou-se com Carolina Maria Cazzarini filha de Luigi Cazzarini e de Luigia Maimeri.

66 – Eugênio Botelho Falcão

O personagem de hoje é Eugênio Botelho Falcão, filho de Luiz Botelho Falcão III e de Ana Cecília. Irmão, portanto, do Luiz Botelho Falcão IV, de cuja família o Trem de História se ocupou nos três últimos artigos publicados.

Documentos diversos registram que Eugênio era Alferes do 37º Batalhão da Guarda Nacional em 1880 e 1881. No ano seguinte foi nomeado 2º suplente de delegado. Em 1883, tomou posse como vereador. Três anos mais tarde aparece como representante de “Venâncio dos Santos Pereira & C, Comissarios de Café e mais generos do Paiz”, estabelecimento sediado no Rio de Janeiro. Continuava como negociante em 1892 e foi acionista da Sociedade Educacional Arcádia Leopoldina, fundada em setembro de 1893. E em setembro de 1898 foi nomeado 3º suplente de delegado.

Segundo o sobrinho Luiz Rousseau, residia num sobrado na Rua Tiradentes, embora informe, no mesmo livro, que seu tio morava no Largo Félix Martins. Ao se referir ao sobrado da Rua Tiradentes, Luiz Rousseau esclarece que tal residência ficava na esquina com a Rua Sete de Setembro e que no andar térreo funcionava a carpintaria de Ricardo de Oliveira e a agência dos Correios, cujo agente era o próprio Eugênio.

Registre-se que esta informação encontra respaldo no órgão oficial da província de 1893, informando que Luiz Botelho Falcão (sic) e José Bastos foram nomeados estafetas ambulantes entre Cataguases, Santana de Cataguases, Vista Alegre e Leopoldina.

Sabe-se que Eugênio Botelho Falcão se casou com Maria Amélia, com quem teve dez filhos: Luiza Rosa; Luiz (1881); Luiza Eugênia; Luiz (1886); Luiz (1888); Luiza (1891); Luiza (1892); Luiz (1895); Luiza (1897); e, Luiza (1901). De apenas duas filhas, Luiza Rosa e Luiza Eugênia, obtivemos algumas informações.

Luiza Rosa foi, provavelmente, a filha nascida em 1879, que se casou em 1902 com Ovídio Rocha e teve pelo menos dois filhos: Eugênio (1903) e Euclides (1905). Seu marido Ovídio era filho de Honório Fideles Ferreira e Joaquina Eucheria de Jesus e, irmão de Clotilde Eucheria de Jesus que se casou com o açoriano Jerônimo Botelho Falcão, filho de Francisco Botelho Falcão Sobrinho e Rosa Emilia já citados neste ensaio. Ovídio foi o criador do combativo periódico O Arame, de oposição aos Ribeiro Junqueira. Por conta de sua posição política foi vítima de um processo difamatório através das páginas da Gazeta de Leopoldina, jornal de propriedade de seu desafeto.

Luiza Eugênia foi provavelmente a filha que nasceu em 1883. Casou-se com Francisco d’Almeida, nascido em 1881, filho de Lino José de Almeida e Antonia Carolina Pereira Pinto, descendente dos Almeida Ramos povoadores de Leopoldina.

Chichico, como era conhecido, foi editor de uma folha denominada O Cafageste (sic), que passou para J. Siqueira em 1898. Segundo Mauro de Almeida Pereira, Francisco d’Almeida mudou-se para Recreio quando foi nomeado Escrivão de Paz e oficial do Registro Civil de Recreio. Desde jovem ele trabalhava no Cartório Judicial de Notas de Leopoldina. Em Recreio, que na época era distrito de Leopoldina, foi presidente da Banda de Música 1º de Maio, do Clube dos Baetas e de outras agremiações esportivas. Além disto, substituiu Luiz Soares na direção do jornal O Verbo e foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Recreio.

Em Leopoldina foram batizados os dois filhos de Luiza Eugenia e Francisco d’Almeida: Edson (1903) e Maria, nascida e falecida em junho de 1905. Em consequência deste segundo parto, Luiza Eugênia Botelho faleceu no dia 26.06.1905. Viúvo, Chichico contraiu segundas núpcias em 1908, com Francisca Ferreira Damasceno, filha de Antonio Sabino Damasceno Ferreira e Porcina Padilha Figueiredo, sendo neta paterna de Zeferina de Jesus e João Gualberto Damasceno Brito. Por este ramo, bisneta do Capitão João Gualberto Ferreira Brito, personagem conhecido na história de Leopoldina por sua carreira política e por sua atuação como Chefe do Partido Conservador.

Edson Botelho de Almeida, o filho de Luiza Eugênia, foi então criado pelo pai e sua segunda esposa em Recreio, onde se casou e teve quatro filhos com a descendente de imigrantes italianos Virgínia Artuza Conti.

Encerra-se aqui a série de nove textos sobre os “Botelho Falcão” de Leopoldina. Virão outros personagens nas próximas viagens desse Trem de História. A galeria dos conterrâneos esquecidos é grande e nosso objetivo é resgatar a história de Leopoldina através da construção de “peças” para a salutar brincadeira de montar um imaginário quebra-cabeça mostrando a cidade e seus construtores.

Até a próxima ou, o próximo número do Jornal, caro leitor.


Fontes consultadas:

Barroso Júnior. O centenário da Cidade de Leopoldina, em Minas Geraes. Rio de Janeiro: Revista Eu Sei Tudo, Abril 1932. p.11.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 7 sep 2 – 1º plano e fls 8 sep. 82 3º plano

Gazeta de Leopoldina 1898 19 junho ed 10 p.4 e 5 de novembro de 1899, página 2.

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 6 termo 30, fls 46 termo 433,.fls 55v termo 527, fls 103v termo 969 e fls 156 termo 1491; lv 03 bat fls 61v termo ordem 587 e fls 189 termo 120; lv 04 bat fls 75v termo 900; lv 05 bat fls 78 termo 313; lv 07 bat fls 45 termo 1238; lv 10 bat fls 26 termos 252 e 253, fls 30 termo 295 e fls 88 termo 137; lv 3 cas fls 163  termos 40 e 41; lv 5 cas fls 19.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 321 no jornal Leopoldinense de 16  de dezembro de 2016

Centenário de Nascimento

Nascimentos em Leopoldina

01 jan 1917

Antonio

Pai: Francisco Benedito do Nascimento

Mãe: Rosa Corradin


07 jan 1917

Ozieta

Pai: João Ventura Gonçalves Neto

Mãe: Alcina Paula Moraes


08 jan 1917

Ana

Pai: João Ferreira de Oliveira

Mãe: Maria Lazarina Duana

Dorotea Zamboni

Pai: Francesco Zamboni

Mãe: Orsola Pagano


11 jan 1917

Eunice Maciello

Pai: Angelo Maciello

Mãe: Sarah de Oliveira Rocha

Maria de Lourdes

Pai: José Augusto Monteiro da Silva Filho

Mãe: Maria da Glória de Aguiar


18 jan 1917

Rosa Maria Sangalli

Pai: Arturo Sangalli

Mãe: Maria Stella Borella

Sebastiana

Pai: Pedro Pacheco de Carvalho filho

Mãe: Manoela Rodrigues de Moraes


24 jan 1917

Francisco Gigli

Pai: Celso Gigli

Mãe: Ida Fontanella


26 jan 1917

Maria de Lourdes Pedroni

Pai: Angelo Pedroni

Mãe: Maria Pedroso de Oliveira


27 jan 1917

Eliza Bartoli

Pai: Alberto Bartoli

Mãe: Natalina Sardi


29 jan 1917

Lauro

Pai: Joaquim Martins de Almeida filho

Mãe: Maria Julia Silva

Rosa Bartoli

Pai: Alfredo Bartoli

Mãe: Virginia Rosa Carraro


30 jan 1917

Nizia Lacerda

Pai: Custódio Lacerda Filho

Mãe: Etelvina Rodrigues Ferreira

29 de dezembro de 1916

Há 100 anos nasceu, em Leopoldina,

Maria Sangirolami

filha de

Pietro Sangirolami

e de

Paschoa Bonini

28 de dezembro de 1916

Há 100 anos nasceu, em Leopoldina,

Marieta

filha de

Artur Guimarães Leão

e de

Iramira Furtado

65 – Luiz Botelho Falcão IV – parte 3

A viagem de hoje se inicia com a segunda descendente do casal Luiz IV e Emília, Luiza Erminia Botelho, nascida em 1883 e casada em 1903 com Nestor Capdeville, filho do imigrante francês Batista Capdeville e sua esposa Maria Albuquerque.

Registre-se que Nestor Capdeville trabalhava na Gazeta de Leopoldina em 1916 e faleceu antes de 1942, ano em que a família passou a receber pensão do Instituto dos Bancários do qual ele era associado.

Luiza Ermínia e Nestor foram pais de Ester (1905-1906); Teófilo (1907); Ester (1908); Iracema (1909-1910); Maria Luiza nascida e falecida em 1911; Nestor nascido e falecido em 1912; Dinah, a primeira aviadora de Minas Gerais (1913-2005); Paulo (1914); Luiza (1916-1917); e, o expedicionário Celso Botelho Capdeville que, segundo Pedro Wilson Carrano de Albuquerque, nasceu em 1921 e se casou em 1941, no Rio de janeiro, com Elza Guimarães Antunes, de família leopoldinense.

O próximo filho de Luiz IV e Emília de quem se tem registro é Luiz Eugênio Botelho, nascido em 1889 e que se casou em 1913 com Cyrina Capdeville, irmã de seu cunhado Nestor Capdeville.

Luiz e Cyrina tiveram doze filhos: Thier (1914); Yvete (1915); Lizete; Suzete (1916); Ruth (1920); Maria Emilia; Belkiss; Arethusa (1927); Lucíola; Luiz; Antonio e Helena.

Luiz Eugenio foi memorialista, tendo publicado os livros “Leopoldina de Outrora” (1963), “Leopoldina de Hoje… e de Ontem” (1967), além de vários textos em jornais da cidade. Foi funcionário do DNER, tendo recebido o distintivo do Grêmio dos Veteranos da instituição em 1957. Faleceu no Rio de Janeiro em 1975 e foi sepultado em Leopoldina. Vinte e cinco dias depois, por iniciativa do irmão de seu genro Otacyr, o então prefeito de Leopoldina Osmar Lacerda França, seu nome foi dado à Biblioteca Municipal.

O penúltimo filho de Luiz IV e Emília foi Luiz Rousseau Botelho, nascido em 1892 e que se casou em Além Paraíba, em 1921, com Joaquina Santos, com quem teve os filhos Maria Josefina, Solange e José Botelho.

Luiz Rousseau, a exemplo de seu irmão Luiz Eugênio, foi também memorialista que, incentivado pela filha Solange, publicou os livros Dos 8 aos 80 (1979), Alto Sereno (1981), Moinho de Fubá (1982) e Coração de Menino (1984).

Segundo o prefácio do livro Alto Sereno, Rousseau foi acrescentado ao nome de Luiz por um seu irmão em referência a Jean-Jacques Rousseau, filósofo suíço, nascido em Genebra, figura marcante do iluminismo francês.

Em seu livro Dos 8 aos 80, Luiz Rousseau informa que seu primeiro trabalho foi como ajudante de seu irmão Tatão (Luiz Emílio) numa farmácia em Tebas. Depois, foi admitido como empregado da Gazeta de Leopoldina e em 1913 foi para a Cia. Força e Luz Cataguases Leopoldina, dali saindo em 1914 para trabalhar na Cia. Mineira de Eletricidade em Juiz de Fora. Em 1920 era microscopista no Posto de Profilaxia em Campo Limpo, distrito de Leopoldina, sendo depois transferido para o Posto de Profilaxia de Além Paraíba. Em 1921 foi designado para Tombos do Carangola para combater um surto de Tifo. Em 1923 a Brasilian Light and Power, na Ilha dos Pombos, em Além Paraíba era o seu local de trabalho. Depois passou a ser funcionário da Light em São Paulo, Pirapora e Santos. Em 1930 tornou-se funcionário da Prefeitura de Além Paraíba, trabalhando em Pirapetinga como encarregado do serviço de abastecimento d’água que vinha do rio que deu nome àquele município. Em 1933 voltou a trabalhar para a Light em Além Paraíba.

No Almanaque do Arrebol, ano II, outubro 1985, há uma entrevista de Luiz Rousseau em que ele declara ter vivido em Leopoldina até 1918 e que o Dr. Irineu Lisboa foi seu padrinho de casamento.

Concluída a descrição da família de Luiz Botelho Falcão IV e Emília Antunes, caminhamos para a última estação, onde nos encontraremos com o irmão dele, Eugênio Botelho Falcão. Até lá!


Fontes consultadas:

Secretaria Paroquial da Matriz do Rosário, Leopoldina, MG, lv 02 bat fls 98v termo 922; lv 03 bat fls 108 termo ordem 1061; lv 04 bat fls 51v termo 663; lv 11 bat fls 21 termo 32 e fls 73v termo 199; fls 29v termo 38 e fls 73v termo 117; lv 13 bat fls 39v termo 193; lv 14 bat fls 15v termo 264; lv 15 bat fls 11v termo 106, fls 64v termo 97 e fls 76v termo 216; lv 16 bat fls 5v termo 504, fls 25 termo 161 e fls 72 termo 90; lv 18 bat fls 75 termo 539; lv 3 cas fls 183 termo 21.

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina, MG, lv 2 fls 10 sep. 190, fls 33 nr 58, fls 39 nr 111, fls 46 nr 122 e 2 fls 81 nr 222.

Lei Municipal de Leopoldina nr 1106 de 20 de novembro de 1975.

Diário Carioca (Rio de Janeiro, 1957, 19 dez, ed 38 p.5.

Diário de Notícias do Rio de Janeiro, edição 5953 de 22 de março de 1942, página 17, coluna Vida Bancária

Gazeta de Leopoldina, 1914, 26 nov, p.1 e 1924, 8 maio, ed 8, p.4.

BOTELHO, Luiz Rousseau, Dos 8 aos 80. Belo Horizonte: Vega, 1979. p.305.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 320 no jornal Leopoldinense de 1  de dezembro de 2016

21 de dezembro de 1916

Em Leopoldina, há 100 anos nasceu

Maria Luiza Anzolin

filha de

Basilio Anzolin

e de

Antonia Ramanzi

20 de dezembro de 1916

Em Leopoldina, há 100 anos nasceu

Altiva

filha de

Antonio Luiz de Medeiros

e de

Tereza Maria de Nazareth