Nasce o distrito de Campo Limpo

Na esteira das modificações ocorridas na região, em função da construção da Estrada de Ferro da Leopoldina, em 12 de novembro de 1878 foi criado o distrito de Campo Limpo, constando da Lei que seu território foi desmembrado de Leopoldina. Entretanto, parte dele estava profundamente vinculada a Conceição da Boa Vista desde 1831.

O ribeirão São Manoel e o morro da Bocaina emprestaram seus nomes para a Fazenda São Manoel da Bocaina, formada pelo casal Manoel Ferreira Brito e Maria Josefa da Silva, pais de Francisco e Ignacio Ferreira Brito. A propriedade compreendia grande extensão de terras localizadas entre as “águas vertentes da Boa Vista e o distrito do Feijão Cru”, tendo sido desmembrada em diversas fazendas vendidas ao longo do século XIX.

Segundo os registros de compra e venda de bens de raiz relativos ao final dos anos de 1860 até 1878, quer nos parecer que a fazenda original de Manoel Ferreira Brito estendia-se desde o ponto marcado no desenho como Morro da Bocaina até o local onde foi construída a linha férrea ligando as estações Recreio e Campo Limpo. Deste ponto até a divisa sul de Campo Limpo, já dentro do município de Leopoldina, surge como referência a original fazenda Recreio, formada pelo casal Antônio José Dutra e Mariana Teresa Duarte na década de 1830. Esclareça-se, por oportuno, que as viúvas de Manoel Ferreira Brito e Antônio José Dutra aparecem como proprietárias em Conceição da Boa Vista em 1858. Ou seja: as duas propriedades não estavam dentro dos limites do Feijão Cru.

Com as sucessivas divisões, muitas delas por conta de transmissão de bens aos herdeiros, parte das duas fazendas originais ficaram pertencendo ao Campo Limpo a partir de 1878. Considerando-se que em 1856 a fazenda Recreio foi registrada como tendo 417 alqueires de terras, e que a São Manoel da Bocaina poderia ter tamanho equivalente, acredita-se que representassem grande parte do território destacado no desenho acima e que foi desmembrado de Conceição da Boa Vista para constituir o distrito de Campo Limpo, hoje Ribeiro Junqueira.

Leopoldinenses nascidos em junho de 1912

NASCIMENTO
PAI
MÃE
Maria José Corrêa
1 Junho
Sebastião de Vargas Corrêa
Maria José Ferreira de Almeida
Miguel Iennaco
4 Junho
Lorenzo Iennaco
Emma Sparanno
Amelia
8 Junho
João Ventura Gonçalves Neto
Alcina Paula Moraes
Regina Maria
8 Junho
Ramiro Zenobi
Maria de Jesus Pereira Barbosa
Mario
9 Junho
Manoel Gonçalves Ferreira
Eliza de Andrade Neto
Maria José
11 Junho
Custódio de Almeida Lustosa
Maria das Dores de Freitas
Antonieta
12 Junho
Francisco Freire de Carvalho
Rita Tereza de Oliveira
Antonio
13 Junho
Pedro José de Moraes
Joana Maria de Jesus
Eponina Ferreira Brito
15 Junho
Gastão Ferreira Brito
Ana Leodina Gonçalves Neto
João
22 Junho
Belizário José Barbosa
Zeneida Keb Kab
Carmelina Sangalli
24 Junho
Angelo Giulio Sangalli
Carolina Sangirolami
Laura
27 Junho
Francisco Elizio Bento da Rocha
Laura Ferreira de Andrade
Alzira Maragna
28 Junho
Higino Maragna
Olga Coelho dos Santos
José Pedro
28 Junho
Romão Cardoso
Maria Ferreti

Lugar e imagem: desvelando significados

Artigo de Zilá Mesquita publicado na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio Vargas em 2004.

Resumo

Como uma representação social contemporânea de um espaço público urbano pode revelar as suas transformações? Com o objetivo de refletir sobre significados visíveis e encobertos da imagem, detivemo-nos na análise de um espaço enquanto lugar. Selecionamos o desenho pictórico, o mapa pictórico e a fotografia como imagens capazes de evocar lugares. Essas imagens, associadas a textos de diferentes origens, permitem oferecer alguma recognoscibilidade às transformações sociais.

Disponível em: Mesquita

Práticas políticas de Antigo Regime

Com o subtítulo Redes governativas e centralidade régia na capitania de Minas Gerais (1720-1725), este artigo de Claudia Cristina Azeredo Atallah, publicado na Revista Topoi jan-jun 2011, procura demonstrar que existia “uma frágil fronteira que demarcava as relações de poder entre as autoridades”.
Texto completo está disponível em:

topoi 22 – artigo 2.pdf (objeto application/pdf)

Cataguarino

Leopoldina e Cataguarino

O antigo Empoçado é hoje o distrito de Cataguarino, pertencente a Cataguases. Quando de sua criação, o território pertencia a Leopoldina.

Demografia Histórica de Minas Gerais no Período Colonial

Artigo de Francisco Vidal Luna e Iraci del Nero da Costa publicado na Revista Brasileira de Assuntos Políticos, Belo Horizonte, 1984.
“Nesta comunicação arrolamos alguns dos resultados de nossos estudos concernentes a certos núcleos populacionais existentes em Minas Gerais no período colonial brasileiro. Não se trata, pois, de um sumário exaustivo de nossos trabalhos; selecionamos, tão somente, uma série de observações que, embora superficialmente, ilustram o esforço que temos votado ao entendimento dos processos demográficos e econômicos verificados na área de Minas Gerais na qual predominou a exploração do ouro e das pedras preciosas. Deve-se frisar, ademais, que nossas pesquisas, conquanto se refiram a parcela significativa dos centros mineratórios e a amplo lapso temporal, não abarcam a totalidade da população mineira nem abrangem todo o período colonial.”
Texto completo disponível em:

ar27.pdf (objeto application/pdf)

Itapiruçu

Também citado como Tapiruçu ou Tapirussu, este atual distrito de Palma foi criado quando o território pertencia a Leopoldina.

Leopoldina e Itapiruçu, atualmente distrito de Palma

Espírito Santo do Empoçado

Compor a carteira de identidade do distrito de Cataguarino foi um trabalho extremamente delicado. Delimitar a área que ocupavam os antigos distritos, no momento de sua criação, é quase tão difícil quanto encontrar fontes documentais sobre os primeiros habitantes. No caso do Espírito do Santo do Empoçado, faz alguns anos que as informações estão sendo reunidas pela pesquisadora Joana Capella, co-autora deste texto.

As divisas do Empoçado foram traçadas no mapa de 1927 com base nos seguintes normativos legais:

1) Lei 533 – 10.10.1851 – Artigo 17, sobre as divisas de Santa Rita do Meia Pataca;

2) Lei 1623 – 06.11.1869 – Artigo 1, elevação do povoado do Empoçado a distrito de paz;

3) Lei 1847 – 12.10.1871  – Artigo 7, divisa da Freguesia do Sapé (Ubá), com o distrito do Empoçado da Leopoldina.

Lei Mineira 1623

 

Itapiruçu deixa de ser distrito de Leopoldina

Comentar sobre o território desmembrado após a quebra do vínculo com o distrito de Conceição da Boa Vista seria fugir do escopo deste trabalho. Por esta razão não pretendemos nos aprofundar na história de Itapiruçu. Até porque ela é objeto da atenção de Joaquim Ricardo Machado, que mantém o blog História de Cisneiros, Palma e Itapiruçu Portanto, hoje acrescentaremos apenas uma questão sobre aquela localidade, relativa ao período de transição entre a subordinação a Leopoldina e a transferência para Palma.

 Segundo apuramos, no território do distrito atual não teriam existido grandes fazendas em meados do século XIX. Os registros da Arrecadação Tributária de Leopoldina fazem referência a somente duas propriedades sujeitas ao Imposto da Terra: as fazendas da Pedra e São Luiz.Como informado ontem, a fazenda da Pedra tinha área equivalente a 82 alqueires mineiros.Já a São Luiz, que em 1858 estendia-se por cerca de 120 alqueires, ao ser vendida em 1874 media apenas 70 alqueires.

Como entender a inexistência de grandes propriedades em Itapiruçu, já que a média de Conceição da Boa Vista era outra?

Uma das hipóteses seriam os desmembramentos por inventário. Entretanto, um olhar mais detido vai nos mostrando peculiaridades destas divisões. No caso da fazenda Bom Retiro, a área comprada por Antônio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho estava abaixo da medida sujeita a tributação.Um pouco antes de sua morte em 1887, já haviam sido vendidas algumas “sortes de terras” daquela parte da fazenda. Entre outros compradores, verificamos que Manoel Barbosa da Fonseca, já então Visconde de São Manoel, aparece como proprietário de uma destas “sortes de terras” mas continuava residindo na Belmonte, localizada onde hoje é Recreio.Querino Ribeiro de Avelar Rezende, o proprietário da fazenda da Pedra, teria adquirido outra um pouco antes de morrer, em 1875. E muitos outros nomes vão surgindo na documentação, a grande maioria adquirindo algo em torno dos 10 alqueires.

 Ressalte-se, por oportuno, que os fazendeiros citados no parágrafo anterior, além do proprietário da fazenda São Luiz, não devem ter tido sua residência principal em Itapiruçu. Esta conclusão está baseada no fato de terem sido contribuintes e eleitores qualificados em outra região de Conceição da Boa Vista.Aliás, os quatro foram sepultados no cemitério de Conceição da Boa Vista.

Ainda sobre as divisões, personagens como Antônio José de Menezes Júnior, Antônio José das Neves, Antônio Pedro de Lima Fernandes, José Lemos da Silva e os Barroso foram adquirindo, no decorrer da década de 1880, “situações” pertencentes ao distrito de Itapiruçu.

 Reformulemos nossa questão: qual o interesse em adquirir pequenas porções de terras em Itapiruçu, numa época em que a agricultura e a pecuária ainda incipiente demandavam maiores extensões?

Pode estar aí a chave do movimento político que resultou na criação do distrito em 1883. Talvez, até, resultando na transferência do distrito para outra região administrativa, oito anos depois.

Semana da Itália em Ubá

A Associação Cultural Emilia-Romagna Zona da Mata convida: