Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

III Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo

Sexta-feira, 29 de junho de 2012
Auditório da Secretaria de Educação e Esportes, Praça Queluz, 11, Centro
PARTE TEÓRICA – Comunicações de 30 minutos cada
08:00h – Inscrição no local – Início de  venda de  livros pela Livraria Quarup (Juiz de Fora)
08:30h – Abertura / Apresentação
09:00h – “Primeiras sesmarias do Caminho Novo” – Prof.s Francisco Rodrigues de Oliveira e Luiz Mauro Andrade da Fonseca (Barbacena).
Sinopse: os autores apresentam uma relação de primeiros sesmeiros do Caminho Novo, em Minas Gerais, de Simão Pereira até Conselheiro Lafaiete, na primeira metade do século XVIII, baseada em relato de viajantes, mapas antigos e documentos tributários.
Autores: Francisco Rodrigues de Oliveira, engenheiro agrônomo (UFV, 1956). Mestre em Matemática (UnB) e Meteorologia (UFV). Memorialista. Membro da Associação de Apoio ao Arquivo Público de Barbacena e Centro de Memória Belisário Pena (Barbacena) / Luiz Mauro Andrade da Fonseca: médico (UFJF, 1973), memorialista, professor de Patologia Geral e de História da Medicina (Faculdade de Medicina de Barbacena). Membro do Instituto Mineiro de História da Medicina e da Sociedade Brasileira da História de Medicina. Membro da Fundação Casa de Cabangu (Santos Dumont) e do Centro de Memória Belisário Pena (Barbacena).
 09:30h – “A paleografia na pesquisa histórica” – Prof.s Jairo Machado Braga (São João Del Rei) e Sheldon de Carvalho (Barbacena)
“Leitura Documental” – Professor Jairo Braga Machado
Sinopse: Apresentação de um breve estudo sobre leitura documental, conceituando de maneira breve o que é paleografia, conceito de documento, documento público e privado. Na oportunidade, será também apresentado a compreensão da paleografia enquanto instrumento fundamental para a realização e desenvolvimento d pesquisa histórica, tendo como suporte a documentação cartorária dos séculos XVIII, XIX e XX.
Autor:  Professor Jairo Braga Machado: Graduado em História , especialista em Metodologia da História, Brasil República e Arquivologia, diretor do Arquivo Histórico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. de São João del-Rei- MG
-“Transcrição Documental: oportunidade de trabalho e desenvolvimento cultural” .
Sinopse: Apresentação de uma reflexão sobre as possibilidades do ofício de transcritor/pesquisador consoante à formação de oportunidades de trabalho e geração de um setor promissor para o mercado, bem como uma alavanca ao desenvolvimento da produção cultural pela facilitação e acessibilidade na divisão do trabalho de pesquisa entre o transcritor/pesquisador e o autor de uma pesquisa.
Apresentação: Sheldon Augusto de Carvalho é graduado em História pela Universidade Presidente Antonio Carlos de Barbacena (UNIPAC). Mestre em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutorando em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor do quadro efetivo do município de Conselheiro Lafaiete.
10:00h – Café / pausa
10:30h – “A integração incompleta das instituições preservacionistas e culturais de Minas Gerais” – Prof. Alex Guedes dos Anjos (Barbacena).
Sinopse:  apresentação das principais instituições de preservação de bens culturais e a forma como se relacionam.
Autor: Alex Guedes dos Anjos é advogado (UNIPAC-2002), conselheiro do Patrimônio Histórico e Artístico de Barbacena, membro honorário do Movimento pela Defesa da Cidadania, coordenador da Comissão de Defesa de Prerrogativas dos Advogados da Subseção de Barbacena da OAB-MG.
10:00h – “Os Índios Carijós nos primórdios de Conselheiro Lafaiete” – Prof.a Mauricéia Maia (Conselheiro Lafaiete).
Sinopse: abordagem geral de fontes que discutem a vida dos índios carijós que deram origem a Conselheiro Lafaiete.
Autora:  Mauríceia Maia, professora, responsável pelo Conselho de Patrimônio Cultural e secretária municipal de Cultura de Conselheiro Lafaiete.
11:30h – “Santeiro, além da matéria” –Escultor Luciomar de Jesus (Congonhas).
Autor: Luciomar Sebastião de Jesus, natural de Congonhas (1964), escultor (arte aprendida no Seminário Caraça), desenhista, publicitário, funcionário da Fundação Cultural de Congonhas.
 12:00h – almoço
14:00h – “A Teoria das Assinaturas e o Caminho Novo” – Prof. Geraldo Barroso de Carvalho
Sinopse: Comentário sobre uma estranha teoria, criada no início do século XVI, por Paracelso, sobre analogias existentes entre certos sinais apresentados pelos seres da terra (que estariam ocultos ou camuflados) e as suas virtudes. Essa Teoria das Assinaturas chegou a ser usada no Brasil para descobrir as virtudes curativas de certas plantas e misturou-se à pratica médica popular e à de um cirurgião-barbeiro português.
Autor:  Geraldo Barroso de Carvalho é titulado em Dermatologia (SBD) e Hansenologia (ABH), ex-professor de dermatologia da Faculdade de Medicina de Barbacena, membro efetivo da Academia Mineira de Medicina, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, da Sociedade Brasileira de História da Medicina, da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores, do Centro de Memória Belisário Pena e das academias barbacenense e valenciana de letras.
14:30h – “A Genealogia no Século XXI: metodologia de pesquisa” – Prof. Gustavo Almeida Magalhães de Lemos (Rio de Janeiro – Colégio Brasileiro de Genealogia – Gen-Minas).
Sinopse: O grande desafio a ser enfrentado pelos genealogistas do presente é adequar as suas pesquisas aos métodos utilizados pela História e Ciências Sociais. A Genealogia pode prestar uma grande contribuição para a História, na medida em que o enfoque do passado, do ponto de vista da família, ajuda a entender melhor os processos históricos e os caminhos de penetração.
Autor: Gustavo Almeida Magalhães de Lemos: Graduado em Ciências Econômicas, com ênfase na área de pesquisa social. Dedicou-se, nos últimos dez anos, a desenvolver uma metodologia de pesquisa mais científica em uma atividade praticada por leigos em História na sua maioria.

15:00h – “Arquivologia: técnicas de preservação e conservação” – Prof.a Andréia de Freitas Rodrigues (Juiz de Fora)

Sinopse: A apresentação trata de uma breve introdução à conservação de documentos, apontando fatores de deterioração e ressaltando os aspectos mais importantes na realização da conservação de um acervo, visando a preparação contínua das pessoas envolvidas e preocupadas com a formulação e execução de políticas de proteção e promoção do patrimônio cultural e salvaguarda de documentos em papel.

Autora: Andréia de Freitas Rodrigues: Restauradora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), atuando como conservadora na Coordenação de Preservação do Arquivo Histórico/Arquivo Central – UFJF, desde 2010. Graduou-se em Artes e Design pela UFJF em 2005. É mestre em História, pelo Programa de Pós-graduação em História (UFJF – 2009). Possui diversos cursos de aperfeiçoamento em Conservação e Restauro, pela Universidade Santa Úrsula e Restaurart, no Rio de Janeiro. Tem atuação na área de Artes, com ênfase em Artes plásticas, trabalhando principalmente com os seguintes temas: articulações entre arte, história, memória; representações da melancolia; preservação, conservação e restauração em diferentes suportes, especialmente papel.

15:30h – “Inscrições latinas nos monumentos de Minas Gerais” – Prof. Aldo Eustáquio Assir Sobral (Ouro Preto).
16:00h – Café / pausa
16:30h – “O Caminho Novo entre o Arraial dos Carijós e Conselheiro Lafaiete por meio da cartografia e de outras iconografias” – Prof. Antônio Gilberto da Costa (Belo Horizonte)
Sinopse:  Apresentação do traçado e de algumas transformações envolvendo o Caminho Novo na região de Conselheiro Lafaiete, do início do século XVIII (Arraial dos Carijós) ao início do XX, quando então Queluz de Minas passou a se chamar Conselheiro Lafaiete.
Autor: Antônio Gilberto é natural de Conselheiro Lafaiete, geólogo pela UFMG, Doutor pela Universidade de Clausthal Zellerfeld, Alemanha, foi Diretor do Instituto de Geociências da UFMG, de 1998 a 2006 e atualmente coordenada o Centro de Referência em Cartografia Histórica da UFMG e a Rede de Museus e Espaços de Ciência e Cultura da UFMG. Entre outras, organizou e é co-autor das obras: – Os Caminhos do Ouro e a Estrada Real (Premio Jabuti 2006); – Roteiro Prático de Cartografia: da América portuguesa ao Brasil Império (Premio Jabuti 2008) e As Rochas e Histórias do Patrimônio Cultural do Brasil e de Minas.
17:00h – “Album Chorographico Municipal de Minas Geraes (1927)” – Fundamar – Fundação 18 de Março – Prof.a Maria Lúcia Prado Costa (Belo Horizonte) – http://www.albumchorographico1927.com.br
Sinopse: esta obra rara da cartografia brasileira está disponível na web acompanhada de estudos críticos de especialistas em cartografia histórica; história; linguística e planejamento urbano. São 178 mapas aquarelados acrescidos de desenhos a bico de pena dos principais bens ambientais e arquitetônicas dos municípios de Minas Gerais. O site dispõe de um índice de localização dos atuais 853 municípios nos territórios apresentados no álbum corograico. E apresenta em verbetes a toponímia de cada localidade. E traz breve biografia dos realizadores desta obra de 1927, realizada em comemoração ao centenário da Independência do Brasil.
Autora:  Maria Lúcia Prado é graduada em História e Mestre em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável pela UFMG. É assistente social e coordenadora das oficinas de arte-educação e artesanato da Fazenda-Escola Fundamar, da Fundação 18 de Março, em Paraguaçu/MG.
17:30h – “Vias de Minas – Caminho Novo e Ferrovias” – Prof.a Helena Guimarães Campos (Belo Horizonte).
Sinopse: Apresentação de um breve estudo comparativo entre as estradas coloniais do século XVIII que integram o roteiro do Programa Estrada Real – com ênfase no Caminho Novo – e as ferrovias que serviram Minas Gerais nos séculos XIX e XX. Aborda-se de forma comparativa o traçado, as técnicas construtivas e aspectos históricos ligados à economia, ao trabalho, às relações sociais, ao imaginário e às práticas culturais.
Autora: Helena Guimarães é graduada em História, Especialista em História da América Latina e em Educação Ambiental, Mestre em Ciências Sociais, Coordenadora do Núcleo Educação, Cultura e Cidadania da ONG Trem – Transporte e Ecologia em Movimento, Integrante do Movimento de Preservação Ferroviária e da Academia Ferroviária de Letras.
18:00h – “Caminho Novo em 3D” – Prof. Ângelo Alves Carrara (UFJF).
Sinopse: apresentação do projeto “O Caminho Novo em 3D”, que busca relacionar os aspectos históricos (econômicos e sociais, principalmente), às modernas tecnologias de difusão do conhecimento. O objetivo fundamental é apresentar um modelo de reconstituição do Caminho Novo capaz de permitir ao usuário do programa uma aproximação consistente dos principais elementos condicionantes das viagens no século XVIII.
Autor: Angelo Alves Carrara é professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro; responsáveis pelo projeto Thiago Berzoini e Gáyan Justo de Moraes.
18:30h – “Mapeamento Interativo da Estrada Real -Caminho Novo” – Prof. Altino Caleira (PUC-BH)
Sinopse: apresentação do multimídia contendo informações sobre os bens culturais tombados em níveis federal, estadual e municipal nos municípios que fazem parte do Caminho Novo da Estrada Real. Esta pesquisa foi elaborada no Laboratório de Estudos Urbanos e Regionais do programa de Pós-graduação em Geografia/Tratamento da Informação Espacial da PUC-Minas e contou com o apoio financeiro da FAPEMIG.
Autor: Altino Barbosa Caldeira, Ph.D. Graduado em Arquitetura pela UFMG. Especialista em Cultuar e Arte Barroca pela UFOP. Doutor em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Sheffield, Inglaterra. Pós-Doutor pela Universidade de Bolonha, Itália. Professor do curso de Arquitetura e Urbanismo e Coordenador-Adjunto do Programa de pós-graduação em Geografia da PUC-Minas. Cel: (31) 8471- 7229 // Tel: (31) 3413-6370
20:30h – Coquetel, restrito aos participantes do encontro, apresentação de violeiros do local, sediado e patrocinado pela Casa de Cultura de Conselheiro Lafaiete. A Casa de Cultura “Gabriella Mendonça”, situada à rua Comendador Baeta Neves, 68 –Centro, é uma construção do final do século XVIII em pedra e pau-a-pique, coberta de telhas. O sobrado onde funciona a Casa de Cultura, situado na antiga Rua Direita, é um dos poucos marcos, ainda de pé, da história queluziana. As “Violas de Queluz” são instrumentos musicais de origem portuguesa, introduzidas no cenário cultural brasileiro através da colonização e catequização jesuítica. Existem dezenas de modelos de violas no Brasil, sendo a viola caipira a mais conhecida, no entanto, a “viola de Queluz” é a que representa Minas Gerais no universo musical.
Sábado, 30 junho 2012 –
PASSEIO CULTURAL (por adesão)
09:00h – saída
09:30h – Alto das Bandeirinhas– Monumento aos Inconfidentes.
– Monumento criado para reverenciar os inconfidentes da antiga Carijós e da Real Vila de Queluz, considerando o Alto das Bandeirinhas o local para homenagear os inconfidentes de Queluz e a Tiradentes.
10:00h – Passeio pelo Caminho Novo dentro da cidade de Conselheiro Lafaiete.
-Trajeto a ser apresentado pela Prof.a Mauricéia Maia.
10:30h – Visita à Matriz de Nossa Senhora da Conceição.
Templo construído a partir de 1732. O painel do altar-mor, os retábulos e altares possuem características das três classes barrocas do Brasil Colonial e de outras estéticas posteriores, que configuram o processo histórico de mais de duzentos e cinquenta anos.
11:00h às 13:00h – Restaurante Moinho Velho
 Bate-papo e almoço.
14:00h – Visita à Estalagem do Lourenço, com monumento a Tiradentes e trecho do Caminho Novo.
-Trata-se de visita ao sítio arqueológico da Varginha (MG129, km2, junto à Estrada Real), no município de Conselheiro Lafaiete, onde se encontram as ruínas da Estalagem da Varginha do Lourenço (local de reunião de inconfidentes), a Gameleira (de 500 anos, onde se pendurou uma perna de Tiradentes) e o Monumento a Tiradentes (feito pelo Raul Amarante Santiago).
15:00h – Visita ao Museu Municipal para conhecer o seu acervo e também apreciar a exposição especial de cartografia histórica intitulada “Dos Sertões das Minas de Ouro a Minas Gerais”, organizada pelo Prof. Antônio Gilberto da Costa.
-O acervo consta de centenas de documentos do século passado, livros da Câmara, hemeroteca, obras de artes, coleções de variedades, vestuário, porcelanas, jornais, revistas e literatura informativa.
INFORMAÇÕES GERAIS:
– A inscrição será feita na hora, no local.
– A inscrição será de R$30,00 para os assistentes, não sendo cobrada dos palestrantes.
– A taxa da inscrição não cobre as despesas com almoço, jantar e passeio cultural.
– Outras informações: Prof. Luiz Mauro –(32)3331-7590 – email lmkultur@hotmail.com
– A escolha de hotéis poderá ser feita livremente pela internet (Hotéis de Conselheiro Lafaiete). Algumas sugestões:
. HOTEL CARUMBÉ- (31) 3763-1555
. RHUDS HOTEL – (31) 3763-4199
. VILLA REAL HOTEL – (31) 3763-4042 –
. MINAS APART HOTEL – (31) 3763- 1920

 www.minasaparthotel.com.br

Área de Conceição da Boa Vista no século XX

Para concluir nossos comentários sobre os desmembramentos territoriais de Conceição da Boa Vista, apresentamos a seguir o desenho de sua área original, destacando na cor verde o que restou do distrito.

Diogo Álvares, o Caramuru, e a fundação mítica do Brasil

Artigo publicado por Janaína Amado em 2000, na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio Vargas

Resumo

Este artigo analisa a construção da história de Diogo Álvares, o Caramuru, que tem se constituído, desde o século XVI, em uma das narrativas preferidas de brasileiros, portugueses e pessoas de outras nacionalidades quando querem falar a respeito do Brasil e estabelecer uma origem para o país. É uma antiga história arraigada na cultura brasileira, importante para a formação de uma certa idéia de nação, que tem transitado com facilidade do erudito ao popular e à comunicação de massas. O presente texto trabalha com narrativas eruditas que se mostraram importantes para a construção da memória coletiva sobre o personagem; na conclusão, o texto analisa as relações entre história e literatura em torno do Caramuru e a construção do seu mito.

Texto disponível neste endereço: Amado

ANTIQUE apresenta: Carl Czerny (Barrozo Netto), Opus 162, nº 1 e nº 5

ANTIQUE apresenta: Método de Pianoforte, parte I, Lição 12

Da Série Peças Didáticas, aqui o Antique Apresenta: Método de Pianoforte, parte I, Lição 12 , José Maurício Nunes Garcia.

ANTIQUE apresenta: Prelúdio nº 21

O grupo Antique  apresenta, na Série Peças Didáticas: Prelúdio nº 21, Si Benol Maior, O Cravo Bem Temperado, Vol: II, Johan Sebastian Bach

ANTIQUE apresenta: Solfeggietto, Carl Phillip Emanuel Bach.

O distrito de São Joaquim

Por ser parte integrante do município de Recreio, o distrito de São Joaquim, atual Angaturama, tem sido mencionado freqüentemente neste blog. No comentário de hoje abordamos os moradores e fazendas que já pudemos identificar. Lembremos que as primeiras referências ao arraial foram encontradas nos registros de compra e venda de bens de raiz da década de 1860. Entretanto, sabemos que a corrente de povoamento chegou ao local por volta de 1831.

Para auxiliar os leitores que não conheçam a região, iniciamos pelo desenho que montamos para nossos estudos.

À esquerda, o número 1 marca a região da divisa com o distrito de Ribeiro Junqueira, pertencente ao município de Leopoldina. Basicamente todas as propriedades próximas desta divisa seriam desmembramentos da fazenda São Manoel da Bocaina que, como visto no post sobre aquele distrito, foi formada por Manoel Ferreira Brito, pai de Francisco e Ignacio Ferreira Brito.

Utilizamos o número 2 para indicar a linha pontilhada, na metade esquerda da figura, que marca a divisa de Angaturama com o distrito sede de Recreio. Esta linha divisória, logo depois de passar pelas terras desmembradas da fazenda São Manoel da Bocaina, entra pelas propriedades que tiveram origem na fazenda Recreio, também citada no post sobre Ribeiro Junqueira. Depois da mudança de curso, direcionando-se para o lado direito, os limites entre Recreio e Angaturama passam por pequenas propriedades ainda não totalmente identificadas.

No alto, à direita, o número 3 indica propriedades de herdeiros de Antônio Rodrigues Gomes citados no post sobre Itapiruçu. O número 4 indica propriedades que tiveram origem em terras de Felicíssimo Vital de Moraes. Finalmente, marcamos com o número 5 a região onde viveram descendentes de Lauriano José de Carvalho.

O curso do ribeirão dos Monos, que praticamente divide o distrito de Angaturama em duas partes, é referência para divisas de muitas propriedades organizadas no século XIX. Isto nos leva a crer que os habitantes pioneiros de Conceição da Boa Vista compraram terras às margens do ribeirão e depois expandiram suas propriedades. No sentido sul-norte, as primeiras referências que encontramos indicam que Francisco Barbosa da Silva ocupou as terras da margem esquerda, ali formando a fazenda Boa Vista. Na margem direita estariam as terras onde Lauriano José de Carvalho formou a fazenda Buraco Quente, vizinha das terras ocupadas por seu sogro Felicíssimo Vital de Moraes, formador das fazendas Barreiros e Bom Retiro.

A parte norte do distrito de Angaturama teria sido ocupada, do lado esquerdo do Monos, por familiares de Manoel José de Novaes, Processo José Correia de Lacerda, Lauriano José de Carvalho e alguns Ferreira Brito. Por ali estariam as fazendas Água Limpa da Boa Vista, Bom Jardim, Cachoeirinha da Serra, Córrego do Ouro, Duas Barras e Entre Monos. Encontramos muitas referências a Domingos Ferreira Brito, Domingos Ferreira Neto, Domingos Custódio e Domingos Custódio Neto. Suspeitamos que todos estes nomes refiram-se ao Domingos irmão de Francisco e Ignacio Ferreira Brito. Mas até o momento nada podemos afirmar a respeito.

O distrito de Recreio, sede do município

As divisas estabelecidas na criação do distrito de Recreio dentro do município de Leopoldina começaram a sofrer alterações naquele mesmo ano de 1890. Isto porque estava em discussão a criação de dois novos distritos: Santa Isabel e São Joaquim. De fato, cinco meses depois Conceição da Boa Vista perdeu mais uma grande parte de seu território.

Se comparamos as discussões que resultaram dos Decretos nº 123 de 27 de junho de 1890 e nº 241 de 21 de novembro do mesmo ano, compreenderemos os motivos que geraram as revisões destes instrumentos legais. Muitas propriedades ainda estavam em processo de “retombo”, ou seja, não tinham sido devidamente medidas e registradas segundo a legislação em vigor. Portanto, era preciso refazer as linhas demarcatórias ou seria inviável o recolhimento de impostos. E não foram só os limites de Recreio a serem modificados nos anos seguintes. Conforme já comentamos, em 1891 foram alteradas as divisas do distrito de Itapiruçu, na época já transferido para Palma. Em todos os casos analisados, pode-se constatar que as linhas originais dividiriam diversas fazendas entre dois distritos.

Como alguns processos de medição se prolongaram por muitos anos, Recreio só teve seus limites definitivamente estabelecidos em 1918. Entre outros entraves, observamos que o processo de inventário de Ignacio Ferreira Brito interferiu de forma significativa, já que parte de sua herança marcaria a divisa sudoeste com o distrito de Conceição da Boa Vista.

Por tudo isso, apresentamos o desenho abaixo com um alerta importante: trata-se apenas de um esboço aproximado para orientar nossos estudos.

O número 1 indica o Alto da Bocaina, acidente geográfico que servira, sessenta anos antes, como divisa entre as fazendas dos pioneiros. O número 2 marca a sede da Fazenda São Manoel da Bocaina na época da criação do distrito de Recreio. Recordemos, entretanto, que esta propriedade já se encontrava dividida entre vários herdeiros mas sem medição concluída, não sendo possível defini-la com precisão.

O número 3 indica a região da Fazenda Laranjeiras, de cujas terras foram feitos os aforamentos que deram origem a Recreio. Pelos mesmos motivos já expostos, deixamos de citar os nomes de diversas propriedades localizadas em suas proximidades e que só tiveram concluída a medição alguns anos mais tarde.

Durante a leitura das várias fontes que utilizamos em nossos estudos, não raras vezes encontramos referência a um “pouso de tropeiros” nas “terras de Dona Mariana”. Sabemos que Mariana Teresa Duarte, viúva de Antônio José Dutra, recolheu impostos sobre a Fazenda Recreio em 1858. Pelos limites informados no Registro de Terras de 1856, a propriedade estava loalizada nas nascentes do Ribeirão dos Monos, a oeste da atual sede do município de Recreio. Entretanto, com as múltiplas divisões dos seus mais de 400 alqueires ao longo da segunda metade do século XIX, é provável que a sede ainda existisse por volta de 1890, justificando a referência ao “pouso da Dona Mariana” que marcava os limites entre Santa Isabel, Campo Limpo e Recreio.

Encontro dos Antigomobilistas de Leopoldina

Neste Encontro será fechada a programação do Passeio a Tebas, a realizar-se no domingo,  dia 17 de junho de 2012.