149 – A terra e as atividades laborativas

No último dia 12 de abril a Colônia Agrícola da Constança completou os seus 110 anos de fundação. Uma data importante para a imigração italiana em Leopoldina pelo muito que esta Colônia representou para a cidade.

O Trem de História de hoje retroage um pouco e começa contando que, antes de se estabelecer por conta própria, antes de adquirir lote na Colônia ou em algum outro núcleo, o imigrante agricultor que veio para Leopoldina trabalhou em alguma fazenda do município. Isto porque a regra era o fazendeiro contratar o imigrante para cuidar dos cafezais.

É bem verdade que do contrato geralmente constava a permissão para o imigrante cultivar os cereais necessários à alimentação da família, no meio do cafezal. E os depoimentos colhidos mencionam, com certa frequência, exemplos de colonos que iam mais além e faziam com que esta produção de mantimentos suprisse as necessidades próprias e ainda sobrasse uma parte para ser vendida. Muitas das vezes vendida para o próprio fazendeiro.

Com esta prática ocorria que, à remuneração advinda da venda do café colhido, o colono somava esta renda auferida com o excedente da colheita dos outros cereais produzidos entre os pés de café. Somando-se a este valor as eventuais “diárias” por trabalhos extraordinários, o colono tinha uma certa folga e passava a alimentar os sonhos. Isto porque, como já foi dito anteriormente, a família imigrante tinha por objetivo adquirir seu próprio pedaço de terra.

Vale reforçar que o pagamento por aquilo que cultivavam, além dos cafezais, era independente e não era a única renda adicional dos imigrantes. Eles contavam, também, com recebimentos por um sem número de tarefas outras que executavam para o fazendeiro, tais como a feitura de telhas e tijolos, serviços de carpintaria, tarefas como pedreiros, carreteiros, podadores, ferreiros e outros serviços, em geral contratados sob a forma de empreitada, conforme relatos de descendentes.

Somava-se a isto o fato de que o pagamento pelo trato do cafezal não sofria interferências no caso de condições naturais adversas, o que fazia desse ganho a fonte para abastecer as despesas ordinárias, permitindo que praticamente todas as receitas extras se direcionassem para os “colchões” e demais formas utilizadas para guardar o dinheiro que sobrava.

É certo que a grande maioria dos imigrantes amealhou poupança suficiente para a compra da propriedade que almejava, ainda que de início fosse apenas um pequeno lote de terras bastante exauridas pelas lavouras dos seus antigos donos.

Na Colônia Constança estes lotes mediam aproximadamente cinco alqueires ou, 25 hectares de terras. Nas colônias particulares eram geralmente concedidas áreas menores para o colono explorar como desejasse. Mas dois exemplos a seguir comprovam que, por vezes, estas áreas chegavam a ser bem maiores. Um imigrante que viveu em fazenda do distrito de Ribeiro Junqueira adquiriu, depois de alguns anos, o lote onde residia desde que chegara a Leopoldina. Segundo o registro dessa propriedade, ela contava com “4.356 ares ou 9 alqueires e ficava na Fazenda da Piedade”. Do inventário de outro imigrante constou uma propriedade medindo “7.260 ares ou 15 alqueires”.

Quanto ao que se produzia nestas terras, sabe-se, através de Relatório[1] da Colônia Agrícola da Constança, que ali se cultivava “milho, arroz, feijão, hortaliças e arvores fructiferas” e que os lotes eram ocupados pelos compradores e também por “os aggregados por meiação, em virtude de contracto com os ex-proprietários das fazendas”. É possível que nas colônias particulares, ou seja, nas fazendas do município, a produção fosse menos diversificada, dado o interesse dos fazendeiros no plantio quase exclusivo do café. Entretanto, desde 1888 a Inspetoria Geral de Imigração em Minas Gerais se empenhava na “regeneração do trabalho agrícola”, conforme declarou o Inspetor Geral Diogo de Vasconcelos[2]. Isto significava, basicamente, estímulo à diversificação da produção. E como o governo subsidiava a vinda dos imigrantes, os fazendeiros precisavam cumprir suas determinações, entre elas a do plantio de alimentos.

Registre-se que, diversificada ou não a produção, um percentual dela era destinado à liquidação de empréstimos dos colonos, principalmente os relativos à aquisição da terra. Na Colônia Constança o financiamento dos lotes era amortizado pela entrega de 20% da colheita. Já na fazenda onde trabalharam os ancestrais de um declarante, 20% da colheita que faziam na pequena área que lhes era concedida eram entregues ao proprietário a título de pagamento de despesas.

Embora a mecanização da lavoura fosse quase desconhecida na região, é bom lembrar que nas colônias oficiais o estado fornecia algumas máquinas e equipamentos, além de sementes. Já nas colônias particulares, nem sempre os imigrantes podiam contar com tal suporte. Nos depoimentos obtidos foram comuns apenas as menções a carro de bois, carroças, arados e ferramentas menores, algumas trazidas da terra natal. Já os moinhos de fubá e monjolos, geralmente movidos a água, existiam não só na Constança como também em propriedades particulares.

O Trem de História de hoje fica por aqui. Na próxima viagem um novo tema será abordado. Até lá!

[1] Relatório da Diretoria de Agricultura, Terras e Colonização de Minas Gerais, 1909, disponível no Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte.

[2] O Mar de Espanha (Mar de Espanha, MG), 18 nov 1888, ed 141, p.1-2-col.4, 1-2.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 402 no jornal Leopoldinense de 16 de abril de 2020

148 – Imigrantes Italianos em Leopoldina – Trabalho, religião e lazer

Em artigos anteriores do Trem de História já ficou dito que os imigrantes italianos eram afeitos e dedicados ao trabalho. E as entrevistas realizadas com muitos deles permitiram observar, inclusive, uma boa divisão de tarefas, comum na maioria dos lotes.

Eram reservados aos homens principalmente os trabalhos mais pesados e os mais distantes da casa, tais como: a derrubada de árvores para o aproveitamento da madeira, o destocar as áreas a serem cultivadas e o preparo dos brejos e alagados para o plantio do arroz. Aos homens também estavam reservados os trabalhos de confecção de móveis e utensílios e a construção de casas, fazendo surgir no município a oferta de excelentes profissionais marceneiros, carpinteiros, “carapinas”, serradores (hábeis no manejo do golpeão, ou “gurpião”), pedreiros e mestres de obras.

Um dos entrevistados informou que seu avô era um bom artesão em latoaria, fazendo tachas e demais utensílios de uso cotidiano.

Mas se cabia aos homens todas essas tarefas, às mulheres competiam os muitos afazeres da casa e do terreiro, além de cuidar dos filhos. Bordavam pouco, costuravam o necessário para atender a toda a família e cozinhavam muito e, via de regra, bem. Além da cozinha e do cuidado com a casa, eram ainda responsáveis pela horta, jardim, galinheiro, chiqueiro, limpeza do terreiro (em geral com enormes vassouras de ramos ou de galhadas de bambu) e pelo ‘retiro’, ou seja, pela ordenha das vacas. Isto sem falar nos muitos casos de mulheres que dividiam, em igualdade de condições com os seus maridos e filhos, todas as tarefas que surgiam na propriedade.

Cumpridas as rotinas de trabalho e muitas vezes até mesmo durante estas, os imigrantes italianos demonstravam sua religiosidade. Confirmavam que muitos deles trouxeram da Itália uma forte influência religiosa cristã.

E na Colônia Agrícola da Constança este fato materializou-se de forma muito clara quando, dois anos após a criação da Colônia, um grupo de oriundi se organizou para a aquisição do terreno para construção de uma Capela em honra de Santo Antônio de Pádua ou, Padova. Que três anos mais tarde, em 1915, estava concluída, principalmente pelas mãos desses imigrantes, aquela que ainda hoje é mais conhecida pelo carinhoso apelido de “Igrejinha da Onça”.

E além da religiosidade propriamente dita, comum também em outros núcleos de imigrantes italianos formados em fazendas dos distritos de Piacatuba, Providência, Tebas e Ribeiro Junqueira, onde se reuniam frequentemente nas igrejas ou capelas próximas, esta Capela de Santo Antônio, em especial, muito representou na vida dos imigrantes que se instalaram na Colônia Agrícola da Constança e redondezas. Principalmente porque era em torno dela que se realizavam quase todas as festividades das quais participavam esses imigrantes. Era ali que eles se divertiam nas festas religiosas e nos encontros com parentes, vizinhos e conterrâneos. Era ali que participavam da festa do padroeiro, “a Festa de Santo Antônio” também conhecida como a “Festa da Onça” e de eventuais casamentos e batizados.

Aqui vale um comentário sobre um tema que vez por outra ressurge.

Frequentemente encontram-se referências a valores que os imigrantes remetiam para a Itália. E existem diferentes publicações que mencionam os diversos motivos por trás dessas remessas que os imigrantes faziam: desde o pagamento de um empréstimo obtido com a própria família, passando pela promessa que fizeram de continuar ajudando-os, até as doações para a paróquia na qual nasceram.

Em Leopoldina podem ser citados, a título de exemplo, dois casos de colonos da Fazenda Paraíso, que fizeram uma pequena remessa[1] para a Itália alguns meses antes do destinatário vir para o Brasil, o que leva a crer ter sido uma ajuda para a viagem.

Mas outras hipóteses de motivação para estas transferências podem ter existido. Provavelmente a “tenacidade com que os emigrados permanecem ligados às tradições italianas”, citada por Ianni[2] em Relatório de um parlamentar em 1911, tenha sido praticada aqui através das festas religiosas. E é possível, por exemplo, que a devoção dos emigrados tenha se transferido para o padroeiro local, como parece indicar a compra do terreno e a construção da Igreja de Santo Antonio de Pádua, do bairro da Onça.

Passados os compromissos com o trabalho e a religião surgia, então, o tempo para o lazer. E o pouco lazer que tinham, além dos encontros familiares e dos festejos religiosos, se limitava aos jogos de malha, esporte no qual até a bem pouco tempo Leopoldina se destacou; o futebol, praticado nos terreiros e nas várzeas onde se demarcavam campos; e, às chamadas mesas de carteados, montadas nas “vendas” ou, na casa de amigos.

Alguns apreciavam as caçadas ao tatu e à paca, geralmente realizadas nas noites de lua cheia, assim como a apreensão de passarinhos como o canário da terra, o coleiro, o pintassilgo, o melro e o curió, apreciados pela beleza da plumagem e pelo canto.

Quanto ao futebol, há notícias de equipes formadas em diversos núcleos que vez por outra disputavam torneios entre elas. Na Colônia Constança, durante muito tempo existiu o time de futebol denominado Boa Sorte Futebol Clube, que chegou a disputar campeonatos amadores na cidade. Durante muitos anos o Boa Sorte foi mantido e comandado por João Bonin. E ainda hoje seus herdeiros, muitos dos quais ex-jogadores do time, ainda preservam os troféus e objetos do Clube.

O Trem de História precisa fazer mais uma pausa. Até a próxima edição!

Em virtude da pandemia de coronavírus, foram suspensos os preparativos para o ENCONTRO DE DESCENDENTES DOS IMIGRANTES DE LEOPOLDINA que seria realizado no próximo dia 17 de maio de 2020. Nova data será oportunamente informada.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 401 no jornal Leopoldinense de 1 de abril de 2020


Fontes Consultadas:

[1] Comprovantes do Banco Comercial do Porto incluídos na Coleção Kenneth Light, disponível no Arquivo Histórico do Museu Imperial, Petrópolis, RJ. Tombos 1920/97 e 1921/97.

[2] IANNI, Constantino. Homens Sem Paz. São Paulo: Civilização Brasileira, 1972. p. 127.

150 – A ocupação do território que constitui o município

Logomarca Trem de História

Há quase três anos os autores do Trem de História publicaram o resultado de um estudo sob o título “200 anos do Registro Civil do Feijão Cru”[1] para marcar o aniversário de batismo do curso d’água que deu nome ao arraial mais tarde emancipado com o nome de Villa Leopoldina. Naquele outubro de 2017, o tema foi a concessão de duas sesmarias em cujas cartas, datadas de 13 e 14 de outubro de 1817, pela primeira vez foi mencionado o nome “Córrego do Feijão Cru”, mais tarde renomeado como Ribeirão do Feijão Cru.

Hoje o Trem de História retoma o assunto para que, nesta edição do jornal Leopoldinense em que se comemoram os 166 anos de emancipação administrativa, possam os autores tratar de um tema que lhes é muito caro: a ocupação do território que constitui o município de Leopoldina, nas terras do antigo Feijão Cru. E com este retorno ao tema, dar início a uma nova série de artigos sobre “Os pioneiros de Leopoldina”.

A pesquisa

Como se sabe, uma pesquisa sempre começa por uma questão que desperta o interesse e a curiosidade do pesquisador. No caso em pauta, melhor expressá-la em três ou quatro perguntas. Por onde chegaram os homens livres que ocuparam as terras indígenas neste sertão? Quando começaram a chegar? Onde se estabeleceram? Do quê se ocupavam?

Foi a partir de uma leitura mais atenta da história tradicional, na década de 1960, que os autores começaram a buscar respostas para estas questões. No início, de forma desorganizada. Mas ao longo do tempo o projeto de pesquisa foi esboçado em bases mais sólidas e as buscas começaram a dar frutos.

Um destes frutos decorreu de leituras despertadas pelo capítulo 4 do livro “Os Sertões do Leste”, de Celso Falabella publicado em 1987.

Tratando da ‘segunda diligência’ empreendida por Pedro Afonso Galvão de São Martinho, o autor cita trecho de uma carta do então Governador da Capitania de Minas, Luiz da Cunha Menezes, que se tornou conhecido pela alcunha de “Fanfarrão Minézio” como a ele se referiu o poeta Tomás Antonio Gonzaga na famosa obra “Cartas Chilenas”.

Vale relembrar que em 1784 e 1786 foram realizadas duas diligências com o objetivo de estancar o desvio do ouro pelas então mencionadas ‘zonas proibidas’, denominação que remete ao fato de que não era permitido ao homem livre se estabelecer nesta região da zona da mata. Ambas comandadas por Galvão de São Martinho e, entre seus membros, figurava o militar Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes.

As concessões de sesmarias

Antes da segunda diligência, Cunha Menezes escreveu a carta a Galvão de São Martinho na qual procurou divulgar a informação de que permitiria o estabelecimento de quarenta pessoas e duzentos escravos na região trilhada pela tropa, e que se estendia desde a cidade de Rio Pomba até o Porto do Cunha, registro criado em 1784.

Oficializada ou não a disposição escrita pelo Governador, o fato é que na última década do século XVIII foram concedidas algumas sesmarias no início do percurso e em 1810 tais concessões já chegavam às margens do Rio Novo. Alguns dos beneficiários eram parentes dos membros da tropa comandada por Galvão de São Martinho. Entre eles, dois sobrinhos de Tiradentes e suas respectivas esposas foram beneficiados com quatro sesmarias concedidas em novembro de 1813. Duas delas, concedidas a Felisberto da Silva Gonçalves e sua esposa Ana Bernarda da Silveira, estão na origem da Fazenda do Glória em território que mais tarde marcaria a divisa do Curato do Feijão Cru com o distrito de Bom Jesus do Rio Pardo.

Registre-se que o Córrego do Glória, cuja denominação inicial se perdeu na história, margeava o Monte Redondo, conforme referência de 1842 na folha 27 do primeiro livro do Cartório de Notas de Bom Jesus do Rio Pardo.

Mas não só os parentes de Tiradentes se estabeleceram por aqui. Também os de Pedro Afonso Galvão de São Martinho foram beneficiados com sesmarias ao longo do percurso daquelas diligências. Segundo Francisco de Paula Ferreira de Rezende, citado como exagero por Celso Falabella[2], os Monteiro de Barros teriam requerido sesmarias até para uma filha que ainda não nascera[3].

Do que foi até agora possível apurar, as sesmarias concedidas aos Monteiro de Barros, descendentes de Galvão de São Martinho, tiveram suas cartas datadas entre março e maio de 1818.

A última sesmaria concedida em território que comprovadamente fez parte do Distrito do Feijão Cru foi concedida em setembro de 1821.

Efetiva ocupação das terras

Estas terras foram concedidas, mas a ocupação nem sempre ocorreu na mesma data. Foi esta a conclusão a que se chegou na comparação entre as datas das Cartas de Sesmaria, os denominados Mapas de Habitantes e os poucos registros paroquiais das duas primeiras décadas do século XIX que já foram identificados.

De um lado, observou-se que Felisberto da Silva Gonçalves, sobrinho de Tiradentes, juntamente com a esposa, parece ter se estabelecido no Monte Redondo quase dez anos antes de fazer o requerimento que resultou na concessão das duas sesmarias ao casal. No outro extremo, as sesmarias concedidas aos Monteiro de Barros em 1818 não estavam ocupadas até 1831, quando foi feita a contagem dos habitantes do território.

Já as sesmarias doadas aos sogros de Bernardo José Gonçalves Montes em março de 1818 teriam sido ocupadas por ele em 1822.

Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda receberam sesmarias em 1817 e, ao que parece, não residiram nestas terras. Encarregaram o sobrinho Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda de vendê-las. E consta que ele só se estabeleceu em terras do Feijão Cru em 1828, como agregado na propriedade de seu sogro Joaquim Ferreira Brito, a quem havia vendido parte de uma das ditas sesmarias doadas a seus tios.

Uma correção da história

Neste ponto um registro importante se faz necessário repetir para que se corrija um desvio da história de Leopoldina.

Conforme já foi dito em outros textos desta coluna Trem de História, Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, inúmeras vezes citado pela história tradicional como fundador de Leopoldina, não o foi. Também não foi o primeiro a chegar às terras do Feijão Cru, como se vê acima. E nem estava mais aqui quando o arraial se tornou o Distrito de São Sebastião do Feijão Cru. Em verdade ele foi, tão somente, o emissário de seus tios, Fernando e Jerônimo Corrêa de Lacerda, na venda das terras que eles ganharam[4] em 1817. E, tão logo concluiu essa venda, seguiu o curso do Rio Pomba e se estabeleceu próximo à foz no Paraíba do Sul, onde veio a falecer[5] antes mesmo do Curato do Feijão Cru ter seus limites territoriais estabelecidos.

Mapa de Habitantes

Após identificar o período em que foram concedidas sesmarias do Termo de Barbacena que viriam a formar o território do Arraial do Feijão Cru, o passo seguinte foi analisar os moradores que aqui estavam em 1831, conforme apurado no Mapa de Habitantes daquele ano.

Naquela época, os mapas eram uma espécie de recenseamento que tinha como um dos objetivos a arrecadação de tributos.

Ressalte-se que só eram computados os moradores livres e seus cativos, sem qualquer registro ou notícia dos naturais da terra.

Outro objetivo da contagem populacional era demonstrar ao poder central que a localidade já atingira o número suficiente de habitantes para ser alçada ao patamar de comunidade organizada, ou seja, em condição de se tornar distrito.

O distrito do Feijão Cru

Naquele ano de 1831, o distrito do Feijão Cru ainda não existia e os primeiros moradores daqui passaram a compor o distrito então criado: São José do Paraíba, que deu origem ao atual município de Além Paraíba.

A cronologia documentada diz que em meados da década de 1820, a área onde está o atual município de Leopoldina deixou de fazer parte do Termo de Barbacena.

Em 1829 a capela de São João Nepomuceno, à qual o Feijão Cru pertencia, era filial da Freguesia do Mártir de São Manoel, que se tornou[6] a Vila de São Manuel do Pomba em 1831.

Sinval Santiago[7] registra que o Decreto Imperial de 11 de setembro de 1830, que autorizava as Câmaras Municipais a criar distritos e eleger seus Juízes de Paz, vigorou até 1834 e sob ele o Distrito do Feijão Cru teria sido criado.

Entretanto, a mais antiga referência ao Distrito do Feijão Cru é posterior à Carta de Lei de 12 de agosto de 1834 que transferiu para a presidência da província a prerrogativa da criação de distritos. Mais especificamente, o Distrito do Feijão Cru teria sido criado após 29 de novembro de 1835, quando Manoel Ferreira Brito assinou[8] o “mapa dos indivíduos” moradores no “Novo Curato de São Sebastião do Feijão Cru”.

Por outro lado, o mais antigo documento oficial a citar a denominação Distrito de São Sebastião do Feijão Cru foi assinado[9] por João Ferreira da Silva a 7 de setembro de 1838. Este documento encapava uma lista de habitantes distribuídos em 135 fogos[10], número superior ao mínimo necessário para criação de um distrito.

Reafirma-se, portanto, que o Distrito de São Sebastião do Feijão Cru foi criado entre novembro de 1835 e setembro de 1838.

O distrito fazia divisa com a Aldeia da Pedra (Itaocara) ao norte, distante 10 léguas; ao sul com o Espírito Santo (Guarará), distante 6 léguas; com São José do Paraíba (Além Paraíba) a 4 léguas e com Santa Rita do Meia Pataca (Cataguases) a 3 léguas.

Conclusão

Como se vê, a história de Leopoldina começou a ser desenhada no alvorecer do século XIX. Ao final da década de 1830 foi criado o Distrito de São Sebastião do Feijão Cru que foi emancipado[11] como Vila Leopoldina em abril de 1854.

Naquela primeira metade do século o homem livre chegou, ocupou as margens de córregos, ribeirões e rios, e formou fazendas que no final da década de 1850 entraram num novo patamar: as lavouras de milho foram substituídas pelas de café.

No final dos anos de 1800, ao lado da ocupação territorial, o emprego da mão de obra disponível na época gerou a necessidade de se recorrer à imigração, um dos temas que ocupou muitos vagões e viagens do Trem de História.

E assim, cada nova fonte trazia uma surpresa e despertava novas questões.

Questões como, por exemplo, a descoberta recente de que, entre as bacias do Rio Pardo e do Ribeirão do Feijão Cru, existiu um curso d’água com águas vertentes do Quilombo, denominação assumida por uma propriedade rural assim identificada em 1862. Um tema que, considerando que o termo ‘quilombo’ remete a um local de moradia e esconderijo de pessoas escravizadas que teriam fugido da servidão, pode ser indício de que ali tenha habitado algum grupo de resistência.

Questões que deixam a certeza de que há, ainda, muita história a ser contada. Muitas questões em aberto. E a certeza de que Leopoldina merece ter seu passado conhecido e preservado. Leopoldina merece cultivar a Lenda do Feijão Cru, sabendo que é lenda, mas conhecendo a sua história.

No próximo Jornal o Trem de História seguirá viagem, a partir de agora, percorrendo as sesmarias que se transformaram em propriedades ocupadas pelos pioneiros de Leopoldina. Até lá!

Fontes Consultadas:

[1] CANTONI, Nilza e MACHADO, Luja. 200 Anos do Registro Civil do Feijão Cru. Disponível em <https://www.academia.edu/34989583/200_ANOS_DO_REGISTRO_CIVIL_DO_FEIJ%C3%83O_CRU>

[2] CASTRO, Celso Falabella de Figueiredo. Os Sertões de Leste: Achegas para a história da Zona da Mata. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1987, p.70.

[3] REZENDE, Francisco de Paula. Minhas Recordaões. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1944, p.369.

[4] Arquivo Público Mineiro, Secretaria de Governo da Capitania, seção Colonial. SC-363 fls 190v e 192v.

[5] Arquivo Permanente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais – COARPE – TJMG. Inventario in vitae dos sogros, processo 38404416 fls 4 img 7

[6] Decreto Imperial de 13 de outubro de 1831

[7] SANTIAGO, Sinval. Município de Rio Pomba - Síntese Histórica. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1991. p.480-481

[8] Arquivo Público Mineiro. Mapa da População do Feijão Cru CX 03 DOC 06, Termo da Vila da Pomba fl.1

[9] Arquivo Público Mineiro. Ofício ao Presidente da Província de Minas. CX 03 DOC 06, Termo da Vila da Pomba fl.23

[10] Fogos eram unidades habitacionais que poderiam ser compostas por uma ou mais casas de moradia.

[11] Lei Mineira nº 66 de 27 de abril de 1854.


Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 403 no jornal Leopoldinense de 30 de abril de 2020

Ascendência de Murilo Almeida Corrêa Alves

Ascendentes de Murilo Almeida Corrêa Alves

Nascido em 2018, Murilo é mais um representante da 10ª geração de descendentes de Antonio de Almeida Ramos, através de seu filho José de Almeida Ramos. Pela terceira-avó Maria Magdalena, pertence também à 11ª geração do mesmo genearca.

Outros povoadores de Leopoldina, cidade da zona da mata mineira, fazem parte da ascendência de Murilo: Joaquim Ferreira Brito, Antonio e Bento Rodrigues Gomes, Bernardino José Machado e José Vital ou Vital Luiz Ignacio de Moraes.

IX Seminário Imigração Italiana em Minas Gerais

“Breve documentário retratando o evento realizado em setembro de 2019 na cidade de Andradas, no Sul de Minas. Região com grandes atrativos turísticos, caraterizada pela agricultura familiar, com enfase na cafeicultura e vitivinicultura. A porcentagem de ítalo descendentes em toda a região é muito alta, chegando a 70% em Andradas, que faz divisa com o estado de São Paulo. O trasbordamento destes imigrantes italianos do estado de São Paulo para Minas escapa dos registros oficiais das hospedarias de imigrantes ou dos registros portuários, portanto os novos dados levantados no estudo de caso de Andradas pelo historiador Dr. Carlos Eduardo Rovaron contribuem para valorar a tese de que o número de imigrantes italianos que se estabeleceram em Minas Gerais é bem maior daquele contabilizado até hoje”.

Veja mais informações, fotos e noticias no site Ponte Entre Culturas
Os trabalhos estão disponíveis na Revista Virtual da Imigração Italiana em MG.

Casamentos em Conceição da Boa Vista

Assentos paroquiais pesquisados no livro 1 de matrimônios, 1860-1877, Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista, atualmente distrito do município de Recreio, MG

Constança Maria de Almeida: ascendentes e descendentes

Há alguns anos, com a colaboração de Ib Teixeira e sua esposa Vera, organizamos e publicamos a descendência de uma das filhas de Constança Maria de Almeida. Recentemente, ao realizarmos buscas em arquivos do Espírito Santo, veio o pedido de publicação da ascendência.

CONSTANÇA MARIA DE ALMEIDA, filha de Antonio Prudente de Almeida, nasceu por volta de 1841. Casou-se com JOSÉ DOMINGUES DE ANDRADE PINTO em Leopoldina, MG.

Constança e José Domingues foram pais de:

1 – MANOEL, nascido a 6 Junho 1870, Leopoldina, MG

2 – MARIA OLIMPIA, nascida no dia 23 Setembro de 1876 ou 1877, em Leopoldina, MG.

3 – HONÓRIO, nascido a 20 Fevereiro 1879, Leopoldina, MG.

A cópia do assento de batismo de Honório deixa dúvidas quanto à data de nascimento. Aparentemente seria 20 de novembro de 1879, mas há ressalva para 20 de fevereiro, data mais compatível com a do nascimento de seu irmão Oscar.

4-OSCAR DE ANDRADE, nascido a 28 Dezembro 1879, Leopoldina, MG e falecido na mesma cidade a 5 Julho 1884.

5 – INÁCIA, nascida a 11 Junho 1881, Leopoldina, MG e falecida na mesma cidade a 25 Agosto 1884.

6 – ANA, nascida a 12 Agosto 1883, Leopoldina, MG e falelcida na mesma cidade a 25 Agosto 1884.

MARIA OLIMPIA casou-se com  JOSÉ OLIMPIO DE ABREU FILHO, nascido em São José do Calçado, ES, filho de JOSÉ Olimpio de ABREU e RITA Maria de NAZARÉ.

Segundo o registro de óbito, Maria Olimpia faleceu na chácara do do Cel Joaquim Machado de Almeida, no dia 22 de setembro de 1940. Foi atendida pelo Dr. Antonio de Oliveira Guimarães. Foi sepultada em Mimoso do Sul, ES.

Maria Olimpia estava em visita aos parentes que não via há muitos anos. A chácara citada ficava na atual rua Joaquim Ferreira Brito, bairro Rosário, Leopoldina.

Filhos de Maria Olimpia e José Olimpio:

1 – ZOILA OLYMPIA DE ABREU, nascida a 10 Julho 1897, São Pedro do Itabapoana, ES.

2-CREUZA, nascida em São Pedro do Itabapoana, ES. Mãe de SEBASTIÃO, MARIA DA PENHA, GLÁUCIA, JERÔNIMO, LÉCIA, MARIA APARECIDA, INACIO, JARBAS e SÉRGIO

3 – Corina, também nascida em São Pedro do Itabapoana, ES.

4 – Marieta, nascida a 21 Dezembro 1901 em São Pedro do Itabapoana, ES e falecida no Rio de Janeiro a 17.09.1988

5 – MARIA DE LOURDES, nascida em São Pedro do Itabapoana, ES.      Mãe de TEREZINHA, LUIZ CARLOS, MARIA DA GLÓRIA, CUSTÓDIO, MARIA CREMILDA e MARIA HELENA.

6 – ZULEIKA OLIMPIA DE ABREU, nascida a 26 Julho 1907, Ponte do Itabapoana, ES.

7 – CONSTANÇA MARIA DE ABREU, nascida a 27 Maio 1909, Ponte do Itabapoana, ES.

8 – MARIA DA PENHA, nascida a 21 Dezembro 1911, Ponte do Itabapoana, ES.

9 – OLIMPIO, nascido a 15 Julho 1914, Ponte do Itabapoana, ES.

10-MARIA MADALENA, nascida a 11 Fevereiro 1916, Ponte do Itabapoana, ES.

11-LAERCE, nascida a 3 Maio 1918, Ponte do Itabapoana, ES e falecida em Fevereiro 1987, Macaé, RJ.

12-JOSÉ DOMINGOS DE ABREU, nascido e falecido em Vitória, ES.

ZOILA OLYMPIA DE ABREU  teve os seguintes filhos:

1 – MARIA CÂNDIDA ABREU TEIXEIRA, nascida a 22 Fevereiro 1920, Vitória, ES.   Mãe de LUIZ CARLOS e VÂNIA.

2-ALTAIR ABREU TEIXEIRA, falecido em Mimoso do Sul, ES.

3 – LENA ABREU TEIXEIRA, nascida em Mimoso do Sul, ES. Mãe de ÁLVARO e ANDRÉ TEIXEIRA

4-NÁDIA ABREU TEIXEIRA, nascida a 20 Fevereiro 1929, Rio de Janeiro, RJ e falecida na mesma cidade a 10 Maio 2001.

5 – MÁRIO TEIXEIRA, nascido a 7 Setembro 1933, Rio de Janeiro, RJ e falecido a 1 Abril 1980. Pai de MARIA CÂNDIDA e MÁRIO SÉRGIO TEIXEIRA.

6 – IB TEIXEIRA, nosso colaborador junto com a esposa Vera. São pais de Maria.

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FONTES UTILIZADAS:

  1. Mapa da População do Feijão Cru, 1843.
  2. Primeira secretaria do Forum da Comarca de Leopoldina, Inventário do pai de Antonio Prudente de Almeida.
  3. Almanaque de Leopoldina, (1886).
  4. Livros de batismos de Leopoldina, números 1 e 3.
  5. Cemitério Público de Leopoldina, MG, (Livro 1880-1887).
  6. Cartório de Registro Civil de Leopoldina, MG, livros de Casamento e Óbitos.
  7. CANTONI, Nilza. Genealogia dos povoadores de Leopoldina. Ensaio.

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Descendentes de Gizelda e Mário Malaquias

Em atenção ao pedido de descendente, republicamos informações genealógicas do casal Mário Malaquias de Souza e Gizelda Dietz de Almeida.

Mário era filho de Joaquim Malaquias de Souza e Maria Sodré. sendo irmão de José, Maria Salomé, Elisa e Conceição. Casou-se com Gizelda no dia 27 de fevereiro de 1930 em Leopoldina.

Descendentes do casal Mário e Gizelda:

Gizelda Dietz de Almeida n. 10 Ago 1916, Leopoldina, MG, o. 27 Out 1986,
Leopoldina, MG
+Mário Malaquias de Souza n. 14 Maio 1908, Laranjal, MG, o. 1 Jan 1974,
Leopoldina, MG

|–Terezinha Rittz de Souza
| +Dahir da Silva
| |–Ricardo de Souza e Silva
| | +Maria Ângela Caldeira Brant
| | |–Renata Caldeira Brant de Souza e Silva
| | |–Gustavo Caldeira Brant de Souza e Silva
| |–Rogério de Souza e Silva

|–Maria Guilhermina de Souza n. 13 Maio 1933, Leopoldina, MG, o. 3 Dez 1965,
| Leopoldina, MG
| +José Lisboa Vargas n. 8 Jul 1920, Leopoldina, MG, o. 8 Jul 1993,
| Leopoldina, MG
| |–Míriam Vargas
| | +Thadeu Silva Furtado
| | |–Leandro Vargas Furtado
| | |–Nathalia Vargas Furtado
| |–Evandro Tadeu Souza Vargas
| +Luiza de Almeida Izabel
| |–Tomaz Almeida Vargas
| |–Lucas Almeida Vargas

|–Marta de Souza
| +Rosenvaldo Noronha Medeiros n. 20 Fev 1933, o. 8 Set 1977, Leopoldina, MG
| |–Jordane Souza Medeiros
| | +Jacyara Mendonça
| | |–Laura Mendonça Medeiros
| |–Tadeu de Souza Medeiros
| | +Ruth Gonçalves Costa
| | |–Gabriela Gonçalves Medeiros
| |–Danilo de Souza Medeiros

|–José Antonio Almeida de Souza n. 15 Mar 1939, Leopoldina, MG, o. 2014
| +Clélia Costa e Silva
| |–Luciene Silva Souza
| +João Carlos Batista da Rocha
| |–Erick Souza Rocha

|–Edwiges Maria de Souza
| +Paulo Fernandes de Almeida n. 9 Dez 1940, o. 23 Dez 1968
| +Hugo Martins
| |–Hugo Dietz Martins
| |–Douglas Dietz Martins
| | |–Mateus Alves Dietz Martins

|–Rosa Maria Dietz Almeida de Souza
| +Jessy Jaime Zampier Lacerda
| |–Fabrizzio Dietz Zampier
| |–Guilherme Dietz Zampier

|–Sérgio Rubens Tadeu de Souza
| +Maria de Lourdes Dias
| |–Vanessa Dias de Souza
| |–Mário Sérgio Dias de Souza

|–Magda Coeli Dietz
+Eduardo Célio Panza André
|–Maria Cristina Dietz André
|–Felipe Eduardo Dietz André

Maria José de Almeida Oliveira

A pedido de um visitante, republicamos antiga postagem sobre os descendentes de Maria José de Almeida Oliveira, composta com a colaboração de seu neto Fábio Vargas de Mendonça. Acrescentamos algumas gerações de ascendentes para localizá-la entre os povoadores de Leopoldina.

Descendentes de Maria José de Almeida Oliveira

Primeira geração

1. Maria José de Almeida Oliveira, filha de João Carlos Gualberto de Oliveira
e Rita Augusta de Almeida, nasceu a 2 Ago 1887 em Leopoldina, MG.(1)

Maria casou com João de Almeida Vargas.

Filhos deste casamento:

2 M i. Alcemar
3 M ii. Antonio
4 M iii. Delmar

Delmar casou com Gerce de Amor Souza.
5 F iv. Eulina

Eulina casou com José Fontes Coimbra.
6 M v. Itamar

Itamar casou com Terezinha Ferreira Castro.
+ 7 M vi. João de Almeida Vargas Júnior
8 M vii. José

José casou com Maria Bouds.
9 M viii. Manoel

Manoel casou com Virgínia Ferreira Castro.
10 ix. Maria

Maria casou com Carlindo Gonçalves Cardoso.
11 x. Mário

Mário casou com Elvira Capasse.
12 xi. Rita

Rita casou com José Ferrari.
13 xii. Ruth

Ruth casou com Walter.

Segunda geração (Filhos)

7. João de Almeida Vargas Júnior

João casou com Conceição Ferreira Castro.

Filhos deste casamento:

14 i. Fernando Castro Vargas
+ 15 ii. Regina Castro Vargas
16 iii. Amélia Castro Vargas
+ 17 iv. Laércio Vargas de Castro
18 v. Carlos Alberto Castro Vargas
19 vi. Elizabeth Castro Vargas
20 vii. João

Terceira geração (Netos)

15. Regina Castro Vargas

Regina casou com Nilson Furtado de Mendonça.

Filhos deste casamento:

21 i. Humberto Vargas de Mendonça
22 ii. Gustavo Vargas de Mendonça
23 iii. Fábio Vargas de Mendonça

17. Laércio Vargas de Castro

Laércio casou com Maurisa Gindre.

Filhos deste casamento:

24 i. Simone Gindre Vargas
25 ii. Rodrigo Gindre Vargas

124 – Acréscimos e Correções

O Trem de História tem informado que esta série de artigos é uma revisão dos estudos realizados sobre a imigração em Leopoldina e que foram publicados em 2010. O objetivo é trazer os acréscimos descobertos após o fim daquele projeto, bem como corrigir dados à vista de novas fontes encontradas.

Uma destas correções é a que trata da movimentação dos imigrantes.

Entre 1994 e 2009, o acesso às fontes era mais restrito e muitas vezes foi necessário adotar técnica semelhante à dos “mapas conjecturais”, comum em estudos de cartografia histórica. O método consiste em fazer um estudo comparativo entre as fontes disponíveis e, onde houver lacunas, formular hipóteses baseadas nas conclusões possíveis.

A família Camerini foi um desses casos. Dadas as profundas alterações ortográficas nos registros disponíveis, somente com a colaboração de familiares foi possível estabelecer algumas hipóteses que permitiram localizar a entrada da família no Brasil e o casamento de Francesco Camerini com Assunta Antonelli, realizado em 1914 no distrito de Providência.

A colaboração dos leitores foi muito utilizada, não só com o fornecimento de documentos de datas posteriores ao período estudado, como também por relatos obtidos de seus pais e avós. Entretanto, em alguns casos aconteceram conclusões inadequadas.

Um dos pontos que precisam ser esclarecidos se refere à afirmação de colaboradores sobre o local de residência de noivos que se casaram na Paróquia de São Sebastião, mas que não moravam no município. Posteriormente foi verificado que as famílias realmente residiam em Leopoldina na época do casamento e se transferiram mais tarde para outras localidades.

Por outro lado, foram encontrados casamentos realizados em Piacatuba entre noivos que residiam em Itamarati de Minas, mas que antes foram moradores do município de Leopoldina.

Outro ponto surgiu de declarações sobre pessoas constantes nos registros de hospedaria como tendo sido contratados por fazendeiros do município de Leopoldina e que teriam ido para municípios vizinhos. Nesse caso, foram identificados assentos paroquiais de batismo envolvendo tais imigrantes, ficando demonstrado que realmente aqui residiram por algum tempo e depois migraram.

Na maioria desses casos, o problema decorreu do desconhecimento das famílias a respeito da trajetória de seus ancestrais e das profundas alterações na grafia de nomes e sobrenomes em assentos paroquiais, impedindo a imediata identificação.

Também é necessário esclarecer os procedimentos utilizados para identificação do local de nascimento dos imigrantes. Para os que chegaram a partir de meados da década de 1890, muitas vezes a lista de passageiros resolveu a questão por trazer o nome da localidade. Outra fonte foram os assentos paroquiais nos quais algumas vezes constou o local de origem dos noivos ou, dos pais da criança batizada. Quando a família preservou os documentos de seus antepassados, o local de nascimento foi descoberto pelo passaporte. E se o imigrante vivia no Brasil no início da década de 1940, foi chamado a registrar-se segundo normas legais de 1938 e no requerimento teve que declarar a naturalidade.

Observe-se, porém, que não havia um procedimento padronizado por parte dos encarregados dos diversos registros. Razão pela qual, no levantamento concluído em 2003 constavam a localidade de origem de apenas 27% dos imigrantes italianos encontrados e eles estavam distribuídos em 14 regiões da Itália. Das demais nacionalidades, não chegou a 10% o total de identificações de naturalidade.

Atualmente, após consulta a muitas fontes antes indisponíveis, sabe-se que os imigrantes italianos que viviam em Leopoldina procediam de 18 das 20 regiões administrativas em que a Itália está dividida. E o total de identificações chega, agora, a 43%, embora existam diversos casos em que só foi encontrada a província, sem o local exato de nascimento.

Ressalte-se que todos os números aqui apresentados são provisórios, já que a pesquisa não está encerrada e novas informações podem surgir a qualquer momento.

Reitera-se, portanto, o que foi declarado em 2010: se depois de todo este tempo de pesquisa ainda não se sabe tudo sobre todos os imigrantes que aqui viveram antes de 1930, abandonar o material já reunido seria desistir de comunicar aos moradores de Leopoldina o conhecimento adquirido até então.

E assim o Trem de História faz mais uma parada e informa que na próxima estação será embarcado o arquivo da Colônia Agrícola da Constança, instituição que acolheu muitos dos imigrantes que viveram em Leopoldina, cuja fundação ocorreu há 109 anos, no dia 12 de abril de 1910. Aguardem!

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA

Publicado na edição 377 no jornal Leopoldinense de 1 de abril de 2019