A história militar como a história do brasil: identidade nacional e usos do passado em Gustavo Barroso

“Gustavo Barroso (1888-1959), intelectual cearense, é comumente lembrado como estudioso do patrimônio histórico – devido a sua atuação no Museu Histórico Nacional por aproximadamente trinta e cinco anos – e partícipe da Ação Integralista Brasileira – considerado o principal expoente do antissemitismo no Brasil.”

Assim começa o artigo de Erika Morais Cerqueira publicado na Revista Expedições: Teoria da História & Historiografia V. 5, N.1, Janeiro-Julho de 2014, sob o seguinte resumo:

 Este artigo analisa algumas das ideias do intelectual Gustavo Barroso referentes à historiografia e aos historiadores do Brasil. A fonte principal é o livro A História Militar do Brasil (1938), e a abordagem focaliza a tensão — presente em seus textos e em sua época — entre a busca da imparcialidade científica e as exigências de posicionamento intelectual em defesa da nação. O objetivo é compreender a questão proposta por Barroso acerca da formação do Brasil, considerando o vínculo entre história militar e usos do passado.

Leia o artigo na íntegra neste endereço.

Dia do Imigrante Italiano

logomarca da coluna Trem de História

Desta vez o Trem de História deixará os trilhos para lembrar o Dia Nacional do Imigrante Italiano, criado pela Lei Federal nº 11.687, de 02.05.2008 e comemorado no próximo dia 21 de fevereiro.

E o faz para prestar uma justa homenagem aos imigrantes italianos que se instalaram no município de Leopoldina a partir de 1880, aos que viveram na Colônia Agrícola da Constança e a todo oriundi que ajudou a transformar a economia da cidade, abalada pelo fim da escravidão e do ciclo do café.

Uma necessária interrupção da história que se conta para avivar um pouco mais a desses imigrantes. Dessa gente simples e constantemente esquecida pelos livros de história tradicional/oficial da cidade.

Alguns aqui chegaram depois de um breve tempo residindo em diferentes núcleos de colonização do país. Outros, em número bem maior, vindos diretamente de uma hospedaria, do Rio de Janeiro ou, de Juiz de Fora, onde foram contratados por fazendeiros daqui. Houve, ainda, aqueles que escolheram Leopoldina por alguma razão especial, como cartas de parentes ou amigos que já se encontravam no município. Todos, com vontade e disposição férrea de vencer. De realizar, com o suor do rosto, o sonho de adquirir liberdade trabalhando em terra própria. Porque para o italiano, ser dono da terra onde trabalhava era sinônimo de liberdade, de ser dono do próprio nariz. E para isto não poupava esforços. Ainda mais quando o possuir terra lhe possibilitava trazer para perto de si o parente ou agregado menos afortunado.

E é bom que se diga que o interesse inicial pela pesquisa sobre a imigração em Leopoldina, especialmente a italiana, não teve outro objetivo senão o de tirar o pó que recobre a história desta gente trabalhadora e importante para a cidade. Um interesse que surgiu com o estudo sobre as antigas famílias que viveram por aqui, quando se observou nos livros das paróquias, entre os anos de 1872 e 1930, uma frequência assídua de sobrenomes não portugueses entre os noivos, os pais e os padrinhos das crianças.

Nesta pesquisa e no texto que dela resultou – A Imigração em Leopoldina vista através dos Assentos Paroquiais de Matrimônio – constatou-se que 10% dos noivos do período de 1890 a 1930 eram imigrantes. E destes, 9% eram italianos e o 1% restante era formado por portugueses, espanhóis, sírios, açorianos, franceses, egípcios e nativos das Ilhas Canárias. Um contingente significativo, carente de um estudo melhor sobre suas vidas e importância para o município, estatisticamente com forte presença de descendentes daqueles imigrantes que, chegados no último quartel do século XIX, aqui se estabeleceram e muito contribuíram para o desenvolvimento econômico e social. Entretanto, não se tem notícia de qualquer movimento permanente no sentido de manter viva a memória destes conterrâneos por adoção.

Foi, inclusive, neste sentido que há alguns anos foi encaminhada à Câmara Municipal de Leopoldina uma sugestão para nomear como “Caminho do Imigrante” parte do trajeto que eles faziam quando, de seus lotes na Colônia Agrícola da Constança, demandavam a cidade. Uma forma simples e barata de perpetuar a nossa gratidão a estes bravos. Mas nossos vereadores da época talvez não tenham entendido o significado da proposta. Da mesma forma, por ocasião das comemorações do Centenário da Colônia Agrícola da Constança e dos 130 anos de Imigração Italiana em Leopoldina, falou-se na inclusão do dia 21 de fevereiro como data comemorativa no calendário da cidade, mas ao que parece a ideia morreu recém-nascida.

Perderam-se, assim, duas oportunidades de homenagear este pessoal que, com muito trabalho e dedicação, conseguiu galgar os degraus mais elevados da escala social e colocar seus descendentes em posições de destaque como médicos, advogados, professores, empresários, comerciantes, etc.

Registre-se mais uma vez, para encerrar, que o Trem de História não é conduzido por historiadores, mas apenas por dois apaixonados por Leopoldina e sua história, dotados de ousadia para vez por outra escrever sobre estes “silêncios”, estes fatos que ficaram “abandonados” ou, esquecidos pelos historiadores.

Em verdade o assunto merece outros vagões. Mas o Trem de História precisa voltar aos trilhos e seguir a viagem sobre A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1979 e 1899 no próximo Jornal. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 16 de fevereiro de 2015

Cultura, culturas, manifestações culturais

No momento em que a administração municipal de Leopoldina movimenta-se para criar um Centro Cultural, conforme notícia veiculada no jornal Leopoldinense on line, parece oportuno refletir sobre o assunto à luz do artigo Cultura, história, cultura histórica, de Estêvão de Rezende Martins, publicado na Revista ArtCultura jul-dez 2012. Isto porque alguns interlocutores mencionaram  conceitos restritivos, enxergando a nova instituição como destinada tão somente à denominada cultura histórica.

Aproximemo-nos, então, de alguns postulados comentados por Martins. Segundo ele,

“o conceito de cultura firmou-se como o de uma forma de vida originária, evolutiva, em permanente aperfeiçoamento e superação, própria a qualquer nação, povo ou sociedade. Esse conceito ergológico, social e historicizado é o que se transmitiu, desde o século 18, até nossos dias.”

Citando Ernest Cassirer, Estêvão Martins lembra que a “autoria racional da cultura, que se transforma em uma lente refletora e reflexiva da natureza, emerge da experiência vivida direta do homem em seu mundo.”

Ou seja, a produção cultural é obra humana e resulta de sua vivência. Por outro lado, as práticas culturais nascidas em determinada sociedade são compartilhadas tão somente quando capazes de estimular o olhar do outro, a percepção do outro. As transformações destas práticas culturais são operadas de acordo com os grupos sociais nas quais se inserem e sofrem adaptações que dão origem a outras práticas, não se justificado o estabelecimento de uma escala de valores.

Não se pretende, aqui, uma visão completa do assunto. A escolha deste texto de Martins teve por objetivo fazer alguns destaques que possam suscitar uma discussão entre as pessoas que serão chamadas a atuar na instituição prestes a ser inaugurada. Sabe-se que as pequenas cidades nem sempre contam com os especialistas necessários ao exercício de cada função e que, por outro lado, o sistema regular de ensino nem sempre oferece oportunidade de uma formação multidisciplinar aos jovens. Muitos estudantes poderão ser chamados a exercer atividades cotidianas no Centro Cultural. É importante que compreendam seu significado.

Há algum tempo, quando surgiu a possibilidade do prédio do antigo fórum de Leopoldina ser transformado num equipamento de divulgação cultural, observamos que alguns interlocutores focaram diretamente a cultura histórica, talvez pelo fato do prédio ser um exemplo de patrimônio histórico da cidade. Por esta razão, destacamos mais um trecho do artigo escolhido. Ao se referir à cultura histórica, o autor se baseia em  Jörn Rüsen, para quem “a consciência histórica é a base de todo aprendizado histórico. O primeiro aprendizado histórico possível é, no âmbito da cultura histórica disponível, a transformação reflexiva da experiência em história”.

Para compreender melhor, é preciso ler na íntegra o artigo, disponível neste endereço.

Resumo

A partir da noção clássica de cultura, examina-se a substantivação e a historicidade da cultura. Recorrendo à contribuição de E. Cassirer e de J. Rüsen delimita-se o âmbito da relação entre história e cultura pela proposta de uma concepção de cultura histórica e de diversos tipos de consciência história do agente racional humano. Recorre-se à análise da corrente dos estudos culturais e da abordagem antropológica da cultura para estipular o sentido e o alcance próprios da cultura histórica. Palavras-chave: Cultura histórica; estudos culturais; antropologia cultural.

 

Atualidade de Sérgio Buarque de Holanda

Em outubro de 2014 foi postado, aqui neste blog, um link para uma das palestras do seminário com este título, realizado em 2011.

Rever aqueles vídeos fazia parte da releitura de Sérgio Buarque de Holanda iniciada no final de 2013. Além dos clássicos já conhecidos, foram lidos também o Vale do Paraíba: velhas fazendas e Capítulos de História do Império, ainda não conhecidos. E como uma coisa puxa outra, foram relidos também alguns volumes da História Geral da Civilização Brasileira porque o objetivo era relembrar a obra deste importante autor.

Completando o programa, mas sem considerá-lo ainda finalizado, aqui vai um convite para artigo de mesmo título, de Jurandir Malerba, publicado na Revista ArtCultura de 2012.

Escreveu o Professor Malerba,

“ainda nos anos 1980, pela época de minha graduação, partia de boa porção de meus professores uma espécie de interdição velada àquele historiador. […] Compensava-se a bibliografia com fartura de […] toda estirpe de nossos melhores – e piores – historiadores marxistas de diferentes épocas”

E prosseguiu declarando que a retomada de Sérgio Buarque de Holanda resultou na:

“[…] chegada, sempre tardia, de algumas perspectivas e alguns tópicos de pesquisa ao Brasil, de procedência indisfarçavelmente francesa (mas também inglesa) – como mentalidades, privacidade, quotidiano, a perspectiva dos “debaixo”, da história das pessoas comuns–, abriu campo para o resgate da obra de Sérgio, que, de resto, nunca fora totalmente ofuscada.”

Leia todo o artigo neste endereço.

Resumo:

Aula magna proferida na inauguração da Cátedra Sérgio Buarque de Holanda de Estudos Brasileiros, Lateinamerika Institut, Berlim, trata da presença de Sérgio Buarque de Holanda na historiografia brasileira, com ênfase na observação de seu estilo de escrita.

Nascimentos em fevereiro de 1915

Leopoldinenses nascidos há 100 anos

7 fev

  • Geraldo, filho de Antonio José Gonçalves e de Castorina Cristina Nobre
  • Maria, filha de Cornelio Lopes da Rocha e de Joana de Oliveira Ramos
  • Sebastião, filho de Antonio Americo Martins e de Maria Locci

10 fev

  • Francisco Pereira Machado, filho de Teofilo José Machado e de Maria Pereira de Oliveira

11 fev

  • Angelina, filha de Satyro José de Moraes e de Maria Luiza das Dores
  • Olivio, filho de Custódio Lacerda Filho e de Etelvina Rodrigues Ferreira
  • Mário Vargas Neto, filho de Guilherme de Vargas Neto e de Maria Constância da Conceição

13 fev

  • Sebastião, filho de Guilherme Pereira de filho Castro e de Maria de Vargas Ferreira Brito

14 fev

  • Elza, filha de Quariguasi Horacio Lopes de Melo e de Olga

17 fev

  • Maria Aparecida, filha de Braz Schettino de Souza e de Maria Ramos de Melo

18 fev

  • Alzira Lammoglia, filha de Francisco Alves Lammoglia e de Luiza Guersoni

19 fev

  • Sebastiana, filha de Messias Apolinário de Viveiros e de Felisbina Rosa

20 fev

  • João, filho de Julio Alves Martins e de Marfisa Rodrigues Machado

21 fev

  • Emerenciana, filho de Pedro Pacheco de filho Carvalho e de Manoela Rodrigues de Moraes

23 fev

  • Guaraciaba Geraldini Pimentel, filho de Enrico Giuseppe Geraldini e de Vitalina Pimentel

24 fev

  • Nilo, filho de Virgilio Garcia de Matos e de Virgilina Machado

27 fev

  • Custódio, filho de Antonio Rodrigues do Vale e de Constança Ernestina Teixeira Dutra

28 fev

  • Alcides, filho de Antonio Rodrigues Machado e de Esmeraldina Ignacia de Moraes

Há 141 anos…

Fernando Pinheiro de Souza Tavares foi nomeado Juiz Municipal e de Órfãos do Termo de Leopoldina.

Efemérides Leopoldinenses

Nascido por volta de 1843 em Valença, RJ, era filho de José Tavares Pinheiro e de Maria José de Souza Werneck, sendo neto materno de Ignacio de Souza Werneck e de Albina Joaquina de Lacerda, casal que formou a Fazenda Benevolência nas proximidades da estrada que na década de 1880 ligava Cataguases a Leopoldina.

Segundo anotação no livro de Atas da Câmara Municipal de Leopoldina, 1879-1880, fls 33, “o engenho da Fazenda Velha de D. Albina” estava localizado próximo do Ribeirão Feijão Cru, na estrada de Cataguases, onde estava sendo construída uma ponte. É possível que esta fazenda ficasse entre o trevo da estrada atual que dá acesso à estrada para Piacatuba e o ponto onde o rio Pardo deságua no rio Pomba.

É provável, também, que Ignacio de Souza Werneck tenha se instalado em terras adquiridas da família Ferrugento, que obteve sesmarias naquela região em fevereiro de 1813. Segundo Dona Albina declarou no Registro de Terras em 1856, seu marido comprara as terras de Caetana Maria Angélica em outubro de 1846.

Sedução e desafios da biografia na História

Artigo dos doutorandos Priscila Musquim Alcântara de Oliveira e Alexandre Luís de Oliveira publicado no primeiro número da nova revista científica Faces de Clio, da Universidade Federal de Juiz de Fora, traz uma abordagem interessante sobre o tema. Lembram que

“A opção por manter-se fiel a cronologia da vida do biografado na escrita de uma biografia histórica pode levar o pesquisador a uma concepção que trata o indivíduo como sendo dotado de uma personalidade coerente, responsável por ações pontuais e isentas de incertezas.”

Leiam a íntegra do trabalho neste endereço.

Resumo: Este trabalho se propõe a discutir alguns problemas que perpassam a escrita biográfica e a análise de trajetórias individuais no campo da história, buscando trazer à discussão o leque de alternativas metodológicas que são possíveis ao historiador ao investigar um problema a partir do estudo de uma vida, bem como os desafios a serem transpostos ao longo deste percurso.

17 – A Leopoldina

A Leopoldina é o nome do periódico de hoje no Trem de História. Um periódico de existência curta, mas que teve importância em razão dos seus sócios e redatores.

Sua primeira edição data de 16.02.1893, embora Xavier da Veiga, em Efemérides Mineiras, informe que este jornal teria sido lançado em 1892.

Dele, no Arquivo Público Mineiro não foram encontradas edições. Já no acervo da Biblioteca Nacional existem dois exemplares, sendo um deles o de número 1, onde se constata a data de lançamento.

Era propriedade de Galdino & Coura e seus redatores eram os sócios: Galdino Vieira de Freitas e Jorge Rodrigues Coura. Suas oficinas localizavam-se na Rua Cotegipe nº 13 e as edições eram lançadas nas quintas-feiras.

Diferentemente de outros jornais da época, este não trazia subtítulo e não indicava valor de número avulso. Só informava o preço da assinatura anual, do que se depreende ser o valor cobrado de moradores de Leopoldina. Não se sabe se havia assinantes de fora da cidade.

Sobre seus sócios e redatores, apurou-se que ocupavam cargo de Escrivão desde 1891 e os dois provinham de Rio Pomba-MG. Galdino Vieira de Freitas casou-se em Leopoldina, em 1886, com Elisa Delfim Gama, filha de Francisco Joaquim de Almeida Gama e Guilhermina Rosa Delfim. Viúvo, contraiu segundas núpcias aos 31 de março de 1894, com Luiza Fernandes que residia na casa onde o Imperador Pedro II almoçou quando esteve em Leopoldina em 1881. Era filha de Francisco de Paula P. Fernandes e Luiza Amélia Cerqueira. Luiza era irmã de Adelaide casada com Alberto Moretzshon Monteiro de Barros e de Maria Leonor casada com Paulino Delfim da Gama e Silva.

Importante lembrar que Alberto Moretzshon era advogado, cujos anúncios em jornal indicam como endereço a Rua Octavio Otoni mas provavelmente o endereço era rua Teófilo Otoni, atual Lucas Augusto. Este advogado foi redator e proprietário do jornal O Mediador e teria lançado o Correio de Leopoldina em 1895, segundo Luiz Eugênio Botelho em “Leopoldina de Outrora”, Entretanto, esta última informação não parece adequada porque o redator e proprietário do Correio de Leopoldina, lançado em 1894 e não 1895, foi Henrique Cancio.

O segundo redator de “A Leopoldina” era Jorge Rodrigues Coura, que foi editor e proprietário do jornal O Bocayú lançado em Rio Pomba no ano de 1882. Curiosamente, este jornal contava com um colaborador que escrevia para diversos jornais mineiros, entre eles o Liberal Mineiro, A Província de Minas e Correio de Leopoldina, chamado Jacobino Freire. Jacobino era poeta, jornalista e professor do Atheneu Leopoldinense. Um literato cuja trajetória confirma as palavras de Nélson Sodré a respeito da carreira jornalística de nomes da literatura nacional. Teria sido, também, um dos redatores de um jornal leopoldinense de nome A República, órgão do partido republicano, ao lado de Theophilo Domingos Alves Ribeiro, Américo Lobo Leite Pereira e Werneck de Lacerda.

No editorial da primeira edição de A Leopoldina, em 16 de fevereiro de 1893, está a informação de que “o marasmo que a epidemia produziu” teve como reação “as múltiplas iniciativas que por todos os lados despontam” e que entre estas iniciativas estava o desejo dos editores de lançar um jornal “moderno, variado, tanto quanto possível noticioso, estranho à politicagem, acima de grupos e de personalidades”.

Na verdade, quase o mesmo tom utilizado por Coura no lançamento do jornal de Rio Pomba, apenas com a referência à epidemia de febre amarela que causou muitas perdas humanas em Leopoldina no ano anterior, sendo determinante para a mudança temporária da administração municipal para Tebas.

A outra edição de A Leopoldina a que se teve acesso foi a de número 10, datada de 21 de abril do mesmo ano de 1893, toda ela em homenagem ao “mártir da Independência”, com textos de diversos autores, incluindo poema. Mas esta não teria sido a derradeira porque O Leopoldinense, edição 28 de 25.11.1894, página 2, publicou uma reclamação de Manoel Joaquim Taveira Júnior contra o jornal A Leopoldina que, na edição de 16 daquele mês, teria atribuído ao Pastor Becker intenções e atos indignos.

Conforme se verifica, a história de um periódico de Leopoldina sempre traz à tona outros órgãos da imprensa local, deixando claro que além das interligações havia um constante movimento em prol da disseminação das informações, fossem elas de qualquer corrente.

O Trem de História de hoje dedicou espaço a um jornal com nome da sede do município, Leopoldina. Como naquela época, provisoriamente, esta sede se transferiu para o distrito de Tebas, no próximo número se dará vez ao periódico chamado A Voz de Thebas. Até lá.

Luja Machado e Nilza Cantoni – Membros da ALLA
Publicado no jornal Leopoldinense de 01 de fevereiro de 2015

Parte XIII de A Imprensa em Leopoldina (MG) entre 1879 e 1899

Instalação da Villa Leopoldina

Há 160 anos a então Vila Leopoldina foi solenemente instalada no dia 20 de janeiro de 1855, data religiosa que homenageia São Sebastião, padroeiro do município.

No primeiro Livro de Atas da Câmara Municipal temos o

~ Auto da installação da Villa Leopoldina ~

Aos vinte dias do mez de Janeiro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cincoenta e cinco, trigesimo quarto da Independencia e do Imperio, na sala destinada para as Sessões da Camara Municipal da Villa Leopoldina, creada pela Lei Provincial numero seiscentos e sessenta e seis, de vinte e sete de Abril do anno proximo passado, achando-se o Doutor Domiciano Matheus Monteiro de Castro, vereador, servindo de Presidente da Camara Municipal da Villa do Mar d’Hespanha, comigo Secretario da mesma Camara, e reunidos os vereadores eleitos, o Capitão Manoel José Monteiro de Castro, Doutor José Joaquim Ferreira Monteiro de Barros, Francisco José de Freitas Lima, Major João Vidal Leite Ribeiro, Capitão João Gualberto Ferreira Britto, e José Vieira de Resende e Silva, o mesmo Presidente, em cumprimento do Decreto de treze de Novembro de mil oitocentos e trinta e dous, e da Portaria do Excellentissimo Presidente da Provincia de vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e cincoenta e quatro, deferio-lhes juramento, e deo posse, não tendo comparecido o Vereador eleito Custodio Teixeira Leite, ficando assim installada a referida Villa Leopoldina. Para constar mandou o mesmo Presidente lavrar este Auto, em que se assigna com os mencionados Vereadores empossados. Eu José de Souza Lima, Secretario, o escrevi.

Italianos no noroeste fluminense

Indicação de Maria da Conceição Vargas, a tese de Rosane Aparecida Bartholazzi de Carvalho será de grande ajuda para os que estudam a imigração italiana.

Tese (Doutorado) – Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Departamento de História, 2009.

RESUMO

“A tese privilegia o estudo da imigração italiana no quadro da expansão cafeicultora, no noroeste fluminense, particularmente, no município de Itaperuna, onde inúmeras famílias italianas, originárias de diferentes regiões, fixaram-se como colonas em grandes propriedades rurais, sobretudo na fazenda Bela Vista, nos anos de 1897 e 1898. Através dos registros privados e cartorários, verificou-se que muitas destas famílias, eram oriundas da região do Lazio, Província de Roma, o que imprime ao presente trabalho expressiva particularidade no que diz respeito à origem dos imigrantes italianos que afluíram para a região sudeste do Brasil, no último quartel do século XIX. Neste sentido, optou-se por acompanhar a trajetória dos imigrantes, que deixaram aquela região da Itália, sobretudo os municípios de Proceno e Graffignano, buscando compreender, através da análise da documentação dos arquivos italianos, o contexto econômico, social e político vivido no país de origem e colocando em discussão a questão da miserabilidade do imigrante frente às remessas originadas dos municípios. Na região de acolhida, este estudo buscou analisar a mobilidade social dos imigrantes, que utilizaram diversas estratégias para conquistarem a posse da terra, transformando-se de colonos e parceiros em proprietários rurais e ou comerciantes. Para o estudo da inserção e ocupação do espaço pelas famílias imigradas, o universo de pesquisa ampliou-se. Além dos grupos oriundos do Lazio, foram incluídos, também, as famílias emigradas de outras partes da Itália, considerando que chegaram no mesmo período, trabalharam juntas na mesma fazenda e participaram da rede de solidariedade estabelecida entre eles para demarcarem seu espaço e ascenderem socialmente. Por último, estudou-se a herança da terra, bem como as formas adotadas na transmissão dos negócios, fundamentais para que a maior parte das propriedades continuasse, ainda hoje, nas mãos dos descendentes.”

Leia a íntegra neste endereço.