Cultura, culturas, manifestações culturais

No momento em que a administração municipal de Leopoldina movimenta-se para criar um Centro Cultural, conforme notícia veiculada no jornal Leopoldinense on line, parece oportuno refletir sobre o assunto à luz do artigo Cultura, história, cultura histórica, de Estêvão de Rezende Martins, publicado na Revista ArtCultura jul-dez 2012. Isto porque alguns interlocutores mencionaram  conceitos restritivos, enxergando a nova instituição como destinada tão somente à denominada cultura histórica.

Aproximemo-nos, então, de alguns postulados comentados por Martins. Segundo ele,

“o conceito de cultura firmou-se como o de uma forma de vida originária, evolutiva, em permanente aperfeiçoamento e superação, própria a qualquer nação, povo ou sociedade. Esse conceito ergológico, social e historicizado é o que se transmitiu, desde o século 18, até nossos dias.”

Citando Ernest Cassirer, Estêvão Martins lembra que a “autoria racional da cultura, que se transforma em uma lente refletora e reflexiva da natureza, emerge da experiência vivida direta do homem em seu mundo.”

Ou seja, a produção cultural é obra humana e resulta de sua vivência. Por outro lado, as práticas culturais nascidas em determinada sociedade são compartilhadas tão somente quando capazes de estimular o olhar do outro, a percepção do outro. As transformações destas práticas culturais são operadas de acordo com os grupos sociais nas quais se inserem e sofrem adaptações que dão origem a outras práticas, não se justificado o estabelecimento de uma escala de valores.

Não se pretende, aqui, uma visão completa do assunto. A escolha deste texto de Martins teve por objetivo fazer alguns destaques que possam suscitar uma discussão entre as pessoas que serão chamadas a atuar na instituição prestes a ser inaugurada. Sabe-se que as pequenas cidades nem sempre contam com os especialistas necessários ao exercício de cada função e que, por outro lado, o sistema regular de ensino nem sempre oferece oportunidade de uma formação multidisciplinar aos jovens. Muitos estudantes poderão ser chamados a exercer atividades cotidianas no Centro Cultural. É importante que compreendam seu significado.

Há algum tempo, quando surgiu a possibilidade do prédio do antigo fórum de Leopoldina ser transformado num equipamento de divulgação cultural, observamos que alguns interlocutores focaram diretamente a cultura histórica, talvez pelo fato do prédio ser um exemplo de patrimônio histórico da cidade. Por esta razão, destacamos mais um trecho do artigo escolhido. Ao se referir à cultura histórica, o autor se baseia em  Jörn Rüsen, para quem “a consciência histórica é a base de todo aprendizado histórico. O primeiro aprendizado histórico possível é, no âmbito da cultura histórica disponível, a transformação reflexiva da experiência em história”.

Para compreender melhor, é preciso ler na íntegra o artigo, disponível neste endereço.

Resumo

A partir da noção clássica de cultura, examina-se a substantivação e a historicidade da cultura. Recorrendo à contribuição de E. Cassirer e de J. Rüsen delimita-se o âmbito da relação entre história e cultura pela proposta de uma concepção de cultura histórica e de diversos tipos de consciência história do agente racional humano. Recorre-se à análise da corrente dos estudos culturais e da abordagem antropológica da cultura para estipular o sentido e o alcance próprios da cultura histórica. Palavras-chave: Cultura histórica; estudos culturais; antropologia cultural.

 

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