Caminhos Coloniais e Estradas de Ferro em Minas Gerais

Comunicação de Helena Guimarães Campos no 3º Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo, sobre as aproximações existentes entre os caminhos coloniais e as ferrovias em Minas Gerais. Transcrição: Nilza Cantoni. Revisão: Joana Capella.

Retrodição (3) A crítica de Walter Benjamin a este vício historiográfico

Por José d’ Assunção Barros
“Benjamin considera, à partida, que há algo de sombriamente equivocado em considerarmos que vivemos o único presente possível – este presente que surge mecanicamente e linearmente de um passado, que por sua vez é ele mesmo o único passado possível, e sob um quadro fatalista no qual as três instâncias da temporalidade (o passado, o presente e o futuro) estariam enredadas por um progresso inevitável, naturalizado, no qual podemos sempre confiar cegamente, no sentido de que trará um mundo sempre melhor (na verdade não apenas um mundo melhor, mas de fato “o único mundo possível”).”

A produção dos vultos nacionais no Segundo Reinado

Artigo de Armelle Enders, com o título O Plutarco brasileiro: a produção dos vultos nacionais no Segundo Reinado, publicado na Revista de Estudos Históricos da Fundação Getúlio Vargas em 2000.Resumo

Os historiadores, ao mesmo tempo que escrevem a história do Brasil durante o reinado de dom Pedro II, destacam vultos cuja memória deve ser preservada e cultuada. O panteão nacional assim erigido está em conformidade com um regime no qual se confundem fidelidade monárquica e patriotismo. A pedagogia via exemplo destina-se às elites do Império. O culto cívico é reservado à figura do monarca e se estende parcimoniosamente a seus principais servidores.

Texto disponível aqui: Enders

A população no passado colonial brasileiro

Com o subtítuto Mobilidade versus estabilidade, o artigo de Sérgio Odilon Nadalin “apresenta diretrizes teóricas da história da população da América lusa colonial tendo como eixo narrativo – sem resvalar numa história regional – os habitantes dos campos paranaenses, no quadro cronológico do século XVIII”.

Leia o texto na íntegra.

Ricos e Pobres em Minas Gerais

Divirta-se Notícia – Livro desfaz mitos sobre política e economia de Minas nos séculos 18 e 19

RICOS E POBRES EM MINAS GERAIS
. De Carla Almeida
. Editora Argvmentvm Editora, 236 páginas

Muito Além do Espaço

Artigo de Sandra Jatahy Pesavento, publicado na revista Estudos Históricos da FGV, em 1995.
“a tarefa do historiador seria captar a pluralidade dos sentidos e resgatar a construção de significados que preside o que se chamaria da ‘representação do mundo’. Mais do que isto, tomamos por pressuposto que a história é, ela própria, representação de algo que teria ocorrido um dia.”

“buscamos com este trabalho resgatar a cidade através das representações, entendendo o fenômeno urbano como um acúmulo de bens culturais.”

“Resgatar representações coletivas antigas não é julgá-las com a aparelhagem mental do nosso século, mas sim tentar captar as sensibilidades passadas, cruzando aquelas representações entre si e com as práticas sociais correntes”.

 Leia a texto completo:
Pesavento

Ordenamento Urbano

Na pesquisa realizada para o livro Nossas Ruas Nossa Gente, publicado em 2004, José Luiz Machado Rodrigues e eu analisamos diversos documentos administrativos do século XIX que nos permitiram chegar a algumas conclusões. Entre elas, destacamos um trecho do título Plano Urbanístico, página 13 da obra citada.

Pelo que se observa nos livros de Atas da Câmara de Leopoldina, entre 1876 e 1881 existia uma espécie de lei de uso do solo da cidade (citada nos livros simplesmente como Posturas Municipais) que previa a concessão de terras a quem nelas quisesse edificar, sob certas condições. Assim, as terras da área urbana que pertenciam à municipalidade não eram vendidas.  O requerente pagava apenas o direito de uso então chamado de “commisso” e que corresponderia ao laudêmio ainda hoje cobrado em diversas cidades brasileiras.

A 17.04.1880, conforme livro 7 fls 35 verso, o vereador Chagas Lobato propõe que o Fiscal providencie para que se saiba quais os terrenos concedidos a particulares para edificação não receberam ainda nenhuma construção e que sejam todos intimados a cumprir o acordo de cessão no prazo de seis meses, findos os quais os terrenos poderão ser concedidos a outros que os requererem. A proposta foi aprovada e foi decidido que seria publicada por editais.

Entre outras, encontramos referências a tais concessões na rua do Buraco, rua do Rosário, Harmonia, Concórdia e num local que acreditamos ser as Taboquinhas. O que nos leva a concluir que em toda a cidade, ou melhor, na área pertencente à municipalidade, as primeiras construções urbanas foram feitas em terrenos cedidos, sem direito de posse. E, por semelhança com um processo corrido contra um beneficiado do Arraial do Rio Pardo (Argirita), supomos que o “alvará” fosse renovado a cada três anos.

Observamos também que parte dos terrenos da municipalidade eram oriundos de uma doação feita por João Gualberto Ferreira Brito, de sua propriedade na fazenda da Grama, a qual veio juntar-se às doações de seu pai, Joaquim Ferreira Brito.

Outra fonte de consulta foi a Divisão de Quarteirões definida pelo então Subdelegado de Polícia Francisco Fortes de Bustamante, publicada na Gazeta de Leste de 11 de outubro de 1890, página 3. Sem guardar relação com os quarteirões definidos na década de 1830, que serviram de balizamento para a contagem populacional realizada no então Curato do Feijão Cru, a decisão do agente da ordem em Leopoldina estabelecia que a área urbana seria dividida em nove quarteirões que correspondem, aproximadamente, ao mapa a seguir:

Em 1895, quando Lucas Augusto Monteiro de Barros era Agente Executivo Municipal, saiu a seguinte matéria no jornal O Leopoldinense:

O Morro dos Pirineus não passou a chamar-se Monte Lucanio como queria o articulista. O nome do administrador municipal foi perpetuado na rua que liga a Praça Professor Botelho Reis à Alameda Dom Delfim Ribeiro Guedes.

Geografia e História de Municípios Mineiros

Comunicação de Maria Lúcia Prado Costa no 3º Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo, sobre o Album Chorographico Municipal de Minas Gerais, publicado em 1927. Transcrição: Nilza Cantoni. Revisão: Joana Capella.

O Caminho Novo na antiga Queluz

Comunicação de Antônio Gilberto da Costa no 3º Encontro de Pesquisadores do Caminho Novo, sobre O Caminho Novo entre o Arraial dos Carijós e Conselheiro Lafaiete. Transcrição: Nilza Cantoni. Revisão: Joana Capella.

O primeiro Grupo Escolar de Leopoldina

Em 1906, com a reunião das “aulas públicas” em um grupo, surgiu o primeiro Grupo Escolar de Leopoldina. Funcionava em um casarão situado na esquina formada pela Rua Sete de Setembro e a parte alta da Rua Tiradentes na atual Praça Gama Cerqueira. Em 1914 o poeta Augusto dos Anjos foi nomeado seu diretor, transferindo residência para Leopoldina onde faleceu meses depois, em novembro de 1914. A escola tinha recebido o nome de Grupo Escolar Ribeiro Junqueira, instituição sobre a qual escreveu CAPRI, Roberto. Minas Gerais e seus Municípios. São Paulo: Pocai Weiss & Cia,, 1916 p. 237-262

"O Grupo Escolar “Ribeiro Junqueira”, funccionando em duas turmas e com 8 cadeiras. O turno da manhã é frequentado por meninos, e o da tarde por meninas. A matricula do corrente ano (1916) é de 482 alumnos, sendo 255 do sexo masculino e 225 do feminino, com a frequencia média annual é de 320 alumnos. É seu director o Prof. José Barroso Lintz. No Grupo existe uma Caixa Escolar, cujo presidente é o Dr. Custodio Junqueira, para o fornecimento de roupas e merendas aos alumnos pobres."

Grupo de Aulas Públicas reunidas em prédio na esquina da atual Praça Gama Cerqueira formada pelas ruas Sete de Setembro e Tiradentes parte alta. Imagem de 1916 do livro Minas Gerais e seus Municípios.

Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em foto da década de 1920. Acervo Espaço dos Anjos de Luiz Raphael.

Por volta de 1920 a família Ribeiro Junqueira vendeu um terreno para o poder público que contratou a Companhia Zona da Mata, de propriedade da família, para a construção de um prédio para o Grupo Escolar, na confluência entre as atuais ruas José Peres e Gabriel Andrade Junqueira.

Grupo Escolar Ribeiro Junqueira visto da Casa de Caridade. Acervo Foto Jarbas.

Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Acervo Espaço dos Anjos, de Luiz Raphael.

O prédio do Grupo Escolar em postal vendido em banca de jornal na década de 1960.

Em 1956, alunos do Ginásio Leopoldinense visitam a escola que então já era conhecida como Grupo Velho, em função da inauguração do Grupo Escolar Botelho Reis, então Grupo Novo, naquela década. Acervo de José do Carmo Rodrigues.

Alunos do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira em 1958 ou 59.

  

As últimas imagens acima são de 2004, de uma escola quase nonagenária. Para escrever esta postagem foram consultados os saudosos José do Carmo Rodrigues e Jairo Salgado Filho, além da imprensa periódica das duas primeiras décadas do século XX e um Livro Caixa da Prefeitura Municipal de Leopoldina.