Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro

Na revista ArtCultura de jul.-dez. 2012, foi publicado um artigo da professora Lucia Maria Paschoal Guimarães sob o título O periódico de uma société savante: a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839-1889). Autora de Debaixo da imediata proteção imperial: Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1838-1889), cuja segunda edição saiu pela Editora Annablume em 2011, a professora Lúcia Guimarães é citada sempre que o assunto é a Revista do IHGB.

Apesar de bem estudada por especialistas, e de estar disponível pela internet, a publicação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ainda carece de uma boa indexação que facilite os pesquisadores iniciantes. Principalmente porque, conforme lembrou Lúcia Guimarães no artigo, Machado de Assis declarou, em 1864, que “(…) A coleção das revistas do Instituto é uma fonte preciosa para as letras e para a ciência, uma obra séria e útil”. Especialmente para quem se inicia em estudos sobre o Brasil Império, a afirmação do Bruxo do Cosme Velho continua válida.

Leia o artigo da professora na íntegra.

Resumo

A criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838, se inscreve ambiência cultural euro-americana das primeiras décadas do século XIX, no movimento das sociétés savants, corporações formadas por homens de notório saber e talento, que se reuniam para discutir aspectos da literatura, da história, das ciências e das artes. Seu periódico, publicado a partir de 1839, constitui a expressão de uma société savante, que desfrutava do patrocínio do imperador d. Pedro II. O artigo examina a publicação da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, no período compreendido entre 1839 e 1889, que corresponde ao mecenato de d. Pedro II. A organização do periódico retrata as práticas científicas e os padrões político-culturais de uma época, bem como as tensões que permearam o processo de disciplinarização do saber no século XIX.

Natureza e Território: O papel do mundo natural na formação e consolidação territorial do Brasil (1839 – 1845)

Artigo de Luis Fernando Tosta Barbato publicado na Revista de História da UEG

Resumo

“Nesse artigo, pretendemos analisar o papel da natureza brasileira na demarcação e na consolidação do território nacional do Brasil. Para isso, utilizamos os artigos contidos nas revistas do IHGB entre os anos de 1839 e 1845, nos quais podemos observar os temores e anseios de intelectuais envolvidos na árdua tarefa de criar símbolos para um jovem país em vias de fragmentação territorial, além de demarcar as fronteiras de um Brasil cercado de inimigos potenciais.”

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A população no passado colonial brasileiro

Com o subtítuto Mobilidade versus estabilidade, o artigo de Sérgio Odilon Nadalin “apresenta diretrizes teóricas da história da população da América lusa colonial tendo como eixo narrativo – sem resvalar numa história regional – os habitantes dos campos paranaenses, no quadro cronológico do século XVIII”.

Leia o texto na íntegra.

Regras de edição de documentos no Brasil dos Oitocentos

Com o subtítulo O trabalho de Francisco Adolfo Varnhagen como editor, este artigo de Jussara Rodrigues da Silva foi publicado na Revista de Teoria da História Ano 3, Número 7, jun/2012.

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo discutir a edição de documentos no Brasil no século XIX tomando como base de análise o trabalho de um dos principais historiadores do período: Francisco Adolfo de Varnhagen. A partir do estudo das edições críticas desse autor é possível conhecer um pouco o processo de edição documental nos oitocentos entrevendo não apenas as suas regras como também as mudanças operadas na erudição histórica no período. Assim, pretende-se percorrer o caminho traçado por Varnhagen na execução de seu trabalho como editor tentando estabelecer um sistema que definiria as regras de edição documental no Brasil oitocentista.

Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

Maria da Glória de Oliveira

RESUMO

O artigo analisa a escrita de biografias como tarefa integrante do projeto historiográfico do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ao longo do século XIX, com base nos discursos de Joaquim Manoel de Macedo e nos estudos biográficos de Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro. Para os sócios da agremiação, a biografia deveria cumprir os propósitos de fixação da memória dos brasileiros ilustres, compartilhando com a escrita histórica das ambições de verdade e imparcialidade na representação do passado. Por outro lado, a evocação reiterada de um “tribunal da posteridade”, em nome do qual se justificavam o trabalho de memória e a escrita biográfica, vinculava-se à experiência da história como foro de justiça e moralidade.


Varia Historia – Brasileiros ilustres no tribunal da posteridade: biografia, memória e experiência da história no Brasil oitocentista

O Escrupuloso Iluminador da História do Brasil

Artigo de Renilson Rosa Ribeiro publicado na Revista Patrimônio e Memória, da Unesp, volume 7, número 2, dezembro de 2011, tem como subtítulo: Os enredos cronológicos e temáticos da 1ª edição da Historia Geral do Brazil, de Francisco Adolfo Varnhagen (1854-1857)

Acreditamos que a melhor apresentação seja mesmo o Resumo apresentado pelo autor.

“Este ensaio desenvolve um estudo sobre a construção da ideia de Brasil Colônia fabricada no Brasil Imperial, a partir da análise da primeira edição da Historia geral do Brazil (1854/1857), do historiador e diplomata Francisco Adolfo de Varnhagen (1816-1878) – no contexto de sua atuação junto ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), durante processo de produção de uma memória nacional no Segundo Reinado. Neste sentido, procura-se identificar os enredos cronológicos e temáticos forjados por Varnhagen para sua história geral, e atrelá-los à lógica da cultura e da identidade essencializadas e fixas, que buscam delimitar a nação como uma entidade unívoca e hegemônica e, mais ainda, como uma necessidade para o futuro da humanidade. Entender os mecanismos como os germens e alicerces da nação foram buscados no passado colonial brasileiro constitui o norte da bússola de navegação pelas seções da Historia geral do Brazil. Tentar decifrar este discurso, da fabricação da nação como verdade, passa pela procura das relações de poder e saber que a instituiu por meio da escrita do visconde de Porto Seguro.”

Texto disponível neste endereço.

O templo das sagradas escrituras: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a escrita da história do Brasil (1889-1912)

Hugo Hruby

 

Resumo

A possibilidade de observar as ricas e contraditórias discussões sobre a institucionalização e disciplinarização dos estudos históricos é obscurecida quando partimos de um assentado caráter científico no século XIX. Nestes debates, fé, leis e razão buscavam subsidiar a História enquanto campo do conhecimento. O limiar da República, no Brasil, é um período profícuo para estes estudos pelo choque entre espaços de experiências e horizontes de expectativas de atores diversos, como a Igreja Católica, os governos republicanos, os burocratas monarquistas e os homens de letras. O objetivo deste artigo é o de analisar as propostas de escrita da História do Brasil dos sócios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), na cidade do Rio de Janeiro, diante da proclamação do novo regime político em 15 de novembro de 1889.

Palavras-chave:

O templo das sagradas escrituras: o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a escrita da história do Brasil (1889-1912) | Hruby | História da Historiografia