
Sob a invocação do Divino Espírito Santo, em meados dos anos 1800, foi construída a primeira capela de pau-a-pique e, certamente em torno dela, surgiu o arraial do Empoçado, hoje Cataguarino.

Sob a invocação do Divino Espírito Santo, em meados dos anos 1800, foi construída a primeira capela de pau-a-pique e, certamente em torno dela, surgiu o arraial do Empoçado, hoje Cataguarino.

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Comemoramos, neste ano de 2011, os 136 anos de criação do município de Cataguases, de acordo com a Lei Provincial n. 2.180, de 25 de novembro de 1875, tendo o mesmo sido oficialmente instalado em 07 de setembro de 1877.
A ocupação, pelo homem branco, do território que pertenceria ao futuro município, ocorreu no início anos 1800 com a concessão de sesmarias distribuídas pelo Governo Imperial. Neste período, as sesmarias mediam meia légua em quadra, área então equivalente a 1.068 hectares ou 225 alqueires mineiros. Os primeiros sesmeiros receberam suas terras situadas, sobretudo, às margens dos rios, ribeirões e córregos, assim como ao longo da estrada que ligava São João Batista do Presídio (hoje Visconde do Rio Branco) a Campos dos Goitacazes, no estado do Rio de Janeiro, concluída em 1812. Vinda do Passa Cinco, a estrada passava, num percurso atualizado, pela Rua Alferes Henrique de Azevedo, Praça Santa Rita, ruas Coronel Vieira e Professor Alcântara, seguindo sempre pela margem esquerda do rio Pomba. Cumprindo a política governamental de Civilização e Catequese dos Índios, foram criadas as 7 Divisões Militares, comandadas, a partir de 1826, por Guido Thomaz Marlière. Até então, Guido era o Diretor Geral dos Índios da Pomba, cargo assumido em 1813. Pertencente ao município de Mariana, a área do futuro arraial de Porto dos Diamantes fez parte das Freguesias do Mártir São Manoel da Pomba e Peixe dos Índios Croatos e Cropós (atual Rio Pomba, criada em 1765, e, posteriormente, da de São João Batista do Presídio, criada em 1810. A seguir, a evolução do primitivo aldeamento, o Curato, a Freguesia, a Paróquia – instâncias administrativas e eclesiásticas – até a criação do município, com alguns fatos históricos do período. 23.05.1817 – Concessão de uma sesmaria a João Antonio da Cruz, no ribeirão Passa Cinco, no sertão do Caminho que se abriu para os Campos. 17.12.1817 – Concessão de uma sesmaria a Lucindo Pereira Passos, nas cabeceiras do ribeirão Meia Pataca, na nova estrada para Campos dos Goitacazes. 07.04.1818 – Concessão de uma sesmaria a Manoel Barbosa Coura, no ribeirão Passa Cinco, na nova estrada para Campos dos Goitacazes. 01.07.1818 – Concessão de uma sesmaria a Joaquim de Freitas Ferreira, no ribeirão Passa Cinco, na nova estrada para Campos dos Goitacazes. 15.02.1819 – Concessão de uma sesmaria a Ana Teresa de Jesus, no lugar chamado Porto dos Diamantes. 20.09.1822 – Criação do Aldeamento de Meia Pataca pelo Diretor Geral dos Índios. 26.05.1828 – Doação do terreno para constituir o patrimônio da Capela de Santa Rita, ao Comandante Guido Thomaz Marlière, feita pelo Sargento de Ordenanças Henrique José de Azevedo, no Quartel General de Porto dos Diamantes. Assinam como testemunhas José Gomes de Barros, Joaquim de Souza Lima, Antonio Roiz. de Mello, Manoel Carlos de Almeida, José Antonio Roiz., Antonio Borges e Joaquim José da Silva. 15.07.1828 – Comunicação de Guido ao governo de Minas Gerais, informando a criação do novo arraial de Santa Rita do Porto dos Diamantes, com 38 fogos (casas), por onde atravessava a Estrada Nova ( estrada Presídio – Campos), filial da Freguesia de São João Batista do Presídio. 13.10.1831, Decreto sem número – Criação da Vila de São Manoel da Pomba, cujo território abrangia todo o curso do rio Pomba até sua foz, no rio Paraíba. 19.11.1831 – A primeira Lista de Habitantes foi encaminhada ao Governo pelo Juiz de Paz Henrique José de Azevedo. No território de Santa Rita de Meia Pataca havia 112 fogos (casas) e 753 habitantes. 21.01.1839 – A segunda Lista de Habitantes foi encaminhada ao Governo pelo Juiz de Paz Antonio Vicente da Silva Viana. Na área do distrito de Santa Rita do Meia Pataca havia 120 fogos (casas). 23.03.1839, Lei n.134 – Elevação da Freguesia de São João Batista do Presídio à categoria de Vila, à qual fica pertencendo Santa Rita de Meia Pataca. 07.04.1841, Lei 209 – Eleva a Paróquia o Curato de São Januário do Ubá, desmembrado da Paróquia do Presídio, compreendendo a Capela de Santa Rita do Meia Pataca. 10.10.1851, Lei n. 534 – Elevação do Curato de Santa Rita do Meia Pataca a Freguesia, compreendendo os curatos de São Francisco de Assis do Capivara e de N. Sra. da Conceição do Laranjal. A Lei n. 533, da mesma data, estabeleceu que sua área seria composta do território situado às margens do Chopotó até sua foz, no rio Pomba, e, por este abaixo, até o córrego São Joaquim, afluente do mesmo rio. 17.06.1853, Lei n. 654 – Elevação da Paróquia de São Januário de Ubá a Vila, suprimindo a Vila de Presídio. 27.04.1854, Lei n. 666 – Elevação da Freguesia de São Sebastião do Feijão Cru (atual Leopoldina) à categoria de Vila, sendo a ela incorporado o distrito de Santa Rita de Meia Pataca, desmembrado da Vila de Ubá. 25.04.1855 – Iniciado o Registro de Terras da Freguesia de Santa Rita de Meia Pataca, que no Livro 1 traz 197 registros. A menor propriedade tem 1 alqueire e a maior, 2.100 alqueires. 25.11.1875, Lei n. 2.180 – Criação o município de Cataguases, composto das freguesias de Meia Pataca, Laranjal e Empoçado (hoje Cataguarino), desmembradas do município de Leopoldina; da de Santo Antonio do Muriaé, desmembrada de Ubá; e da de Capivara, também desmembrada de Muriaé. Fica anexado à nova vila o território da margem esquerda do rio Novo e o da fazenda de Manoel Fortunato Ribeiro, desmembrado do curato da Piedade. Hoje o município de Cataguases é composto dos distritos da Sede (cidade), Cataguarino, Glória, Sereno, Vista Alegre e Aracati. As alterações no território, a criação, incorporação e emancipação de distritos dando origem a diversos municípios, e outros fatos históricos ocorridos a partir de 1875, merecem ser tratados oportunamente. Joana Capella Cataguases, 12 de novembro de 2011. ——————————- Texto elaborado a partir de pesquisas no Catálogo de Sesmarias, Coleção das Leis Mineiras, Registro de Terras de Meia Pataca e Correspondência de Guido Marlière, disponíveis no Arquivo Público Mineiro. Este texto foi publicado na edição de 25 de novembro de 2011 no jornal Cataguases, página 2. |
José Augusto Monteiro de Barros, 1º substitutoJosé Cesário Monteiro de Miranda Ribeiro, 3º substitutoJoão Gualberto Ferreira Brito, 4º substitutoFrancisco José de Freitas Lima, 5º substituto.
O próximo Juiz Municipal nomeado para Leopoldina foi João das Chagas de Faria Lobato, que ali residia em 1864, segundo o Almanaque Administrativo, Civil e Industrial da Província de Minas Gerais, fls 311.
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É possível encontrar, em muitas publicações, informações sobre esta pioneira da luta pelos direitos da mulher, incluindo o direito de voto.
De modo geral, informa-se que nasceu em Leopoldina no dia 30 de abril de 1880 e que o dia de seu aniversário passou a marcar o Dia Nacional da Mulher.
Qual não foi a surpresa quando procuramos o seu batismo em Leopoldina! Num mesmo livro encontramos os três assentamentos abaixo.

Termo número 321, página 35
Aos vinte e cinco dias do mês de Junho do Anno de mil oito centos e oitenta n’esta Freguezia de S. Sebastião da Cidade Leopoldina o Padre Luiz Lopes Teixeira baptisou solemnemente e poz os Santos Oleos a innocente Jeronima, filha legitima de Jose Jeronimo de Mesquita e D. Maria José de Siqueira Mesquita, nascida a trinta d’e Abril d’este Anno; foram Padrinhos o Exmo. Sr. Barão de Mesquita e D. Josefina Emilia Villasboas. O Vigr.º Jose Francisco dos Santos Durães.

Termo número 1267, iniciado na página 132 e concluído na página 133
Aos vinte e cinco de Junho do anno de mil oito centos e cinco n’esta Freguezia de S. Sebastiao da Cidade Leopoldina o Padre Luiz Lopez Teixeira baptisou solemnemente e poz os Santos Oleos à innocente Jeronima nascida a trinta d’Abril do mesmo anno e filha legitima de Jose Jeronimo de Mesquita e D. Maria José de Siqueira Mesquita, foram Padrinhos o Exmo. Sr. Barão de Mesquita e D. Josephina Emilia Villas Boas. O Vigr.º Jose Franc.º dos Santos Durães.
Conforme se observa, os dois assentos acima trazem quase os mesmos dados. A exceção fica por conta do ano de batismo e nascimento, que no primeiro assento era 1880 e agora é 1885. Ressalte-se, porém, que a palavra “cinco” está envolvida por um pontilhado, parecendo demonstrar que o próprio copiador ficou em dúvida.
O fato de existirem duas transcrições é relativamente comum e se explica pelo hábito dos antigos padres anotarem os eventos em pedaços de papel e só mais tarde registrarem no livro próprio. Quando não eliminavam imediatamente o “rascunho”, ou seja, o papel onde inicialmente anotaram os dados, corriam o risco de se esquecerem e, posteriormente, ao encontrarem o rascunho faziam novo assento.
Considerando que os assentos anteriores e posteriores a este termo 1267 são de 1885, é possível que o padre Durães não tenha feito a transcrição de um papel ou rascunho, mas de um outro livro original onde a duplicidade já existisse.
E veio o terceiro lançamento

Termo número 1475, página 154
Aos vinte e seis dias do Mez de Abril do Anno de mil oito centos e oitenta e seis n’esta Cid.e digo Freguezia de S. Sebastião da Cidade Leopoldina, o Pe. Luiz Lopes Teixeira baptizou solemnemente e poz os Santos Oleos a innocente Jeronima nascida a trinta de Abril de oitenta e filha legitima de José Jeronimo de Mesquita e Dª Maria Jose de Siqueira Mesquita; foram Padrinhos seu avô paterno o Conde de Mesquita e sua avó materna Dª Josephina Emilia Villas Bôas. O Vigrº José Francisco dos Santos Durães
Além de mais algumas diferenças de ortografia, temos agora outra data de batismo: 26.04.1886. Provavelmente por um engano de transcrição, já que os termos anteriores e posteriores ao 1475 trazem a mesma data.
Observa-se ainda que, entre o primeiro e o terceiro assentamentos, o avô paterno tinha alcançado uma outra posição na nobiliarquia brasileira: de Barão foi a Conde.
Uma análise grafotécnica sugere que os dois primeiros assentos foram feitos pela mesma pessoa e o terceiro apresenta um tipo de cultura gráfica ligeiramente diferente. Para se considerar este livro como original, há que se verificar que entre o primeiro e o segundo registros quase não há diferença no desenho das letras, apesar do intervalo de cinco anos entre eles. Já o terceiro, se se tratasse de original, surpreenderia por apresentar visível evolução no desenho após decorrido apenas um ano.
A apresentação destes assentos de batismo teve por objetivo chamar a atenção dos interessados em documentos originais. Apesar de tidos como tal, nem sempre se deve considerar como fonte inquestionável uma informação, baseando-se tão somente na antiguidade ou aparência do suporte. É fundamental uma análise comparativa, tendo em mente que todo documento é produzido a partir de uma determinada visão de mundo. E refletir sobre a as palavras de Le Goff sobre a “intervenção do historiador que escolhe o documento, extraindo-o do conjunto dos dados do passado, preferindo-o a outros, atribuindo-lhe um valor de testemunho que, pelo menos, em parte, depende da sua própria posição na sociedade de sua época”.
Mas já que foi utilizada como exemplo uma ocorrência relativa a Jerônima de Mesquita, registre-se que suas biografias costumam informar que em 1914, morando na França, enviou folhetos sobre a luta das mulheres naquele país e que em 1919, já de volta ao país, fundou o Movimento Bandeirante do Brasil no dia 30 de maio daquele ano, posteriormente Federação das Bandeirantes do Brasil. Em 1947 fundou o Conselho Nacional da Mulher do Brasil, foi membro da Associação Damas da Cruz Verde e ajudou a fundar a Pró-Matre. Faleceu no Brasil em 1972.
É mais uma leopoldinense que fez história!
PRIMEIROS PROPRIETÁRIOS DOS LOTES DA COLÔNIA MAJOR VIEIRA
| LOTE | 1º PROPRIETÁRIO | VARIAÇÃO DO NOME | 2º PROPRIETÁRIO |
| 1 | Flausino Simões da Silva | Nicolas Caler Perez | |
| 2 | Nicolas Caler Perez | Nicolau Caleperes | Antenor Furtado Vieira |
| 3 | Ernesto Sanguin | Ernesto Sanguini | Antenor Furtado Vieira |
| 4 | Nicolas Caler Perez | Nicolau Caleperes | Antenor Furtado Vieira |
| 5 | Américo Alves de Azevedo | Antenor Furtado Vieira | |
| 6 | Joaquim Alves de Mesquita | Geminiano Felipe de Mendonça | |
| 7 | Santo Eugenio Piccolo | Eugenio Picoli | Pedro Comello |
| 8 | Giuseppe Zardi | José Jardi/Jardy | Olegário Rocha |
| 9 | Alberto Nicolau Wenzel | José de Mello Franco | |
| 10 | Bento Zeferino de Mello | José de Mello Franco | |
| 11 | Agenor Batista de Andrade | Bento Ferreira de Souza | |
| 12 | João José Amaro | Antenor Furtado Vieira | |
| 13 | Francesco Meschitta | Francisco Mesquita/Mosquita/Muschitta | Manoel dos Santos Loures |
| 14 | Adolfo Romagnoli | Adolfo Romanhol | Geminiano Felipe de Mendonça |
| 15 | Adolfo Romagnoli | Adolfo Romanhol | Geminiano Felipe de Mendonça |
| 16 | Agenor Batista de Andrade | Bento Ferreira de Souza | |
| 17 | Angelo Zulato | Angelo Zulati/ Juliate/Juliato | – |
| 18 | Alfredo Guazzi | Alfredo Guazi/ Guaize | José Francisco Nunes |
| 19 | José, Francisco, João e Maria Ravaglia | – | |
| 20 | Ricardo Zanella | Bento Zeferino de Mello | |
| 21 | Andrea Ravaglia | André Ravaglia/Ravalha/Ravale | – |
| 22 | Giuseppe Mendi | José Mendes | – |
| 23 | Gaetano Bedendo | Caetano Bedendo | Ernesto Sanguin |
| 24 | José Ferreira da Cunha | José Francisco Nunes | |
| 25 | Francisco Antonio de Oliveira Jacintho | Severino Nunes de Moraes | |
| 26 | Pasquale Possenti | Pasqual Pussenti/Pussente/Pucente | Ernesto Sanguin |
| 27 | Carlo Venturini | Carlos Victorini e Vitorino Carlos | Alexandre Possenti |
| 28 | Antonio Fiorio | Ernesto Sanguin | |
| 29 | Vitorino Paes de Mattos | – | |
| 30 | Celeste Donati e outros (herdeiros de Eugenio Bertulli) | – | |
| 31 | Eduardo Dutra de Moraes | Geminiano Felipe de Mendonça | |
| 32 | Giuseppe Venturelli | – | |
| 33 | Giacinto Carli | Jacinto Carli/ Carlos | – |
| 34 | Marco Leasi | Marco Leazi/ Lleaze/Lease/Aliazi | José Ignacio de Mello |
| 35 | Francisco Ignácio de Mello | – | |
| 36 | Vitorio Bianchi | – | |
| 37 | Ambrogio Meschitta | Ambrosio Mesquita/Mosquita/Muschitta | – |
| 38 | Adolfo Romagnoli | Adolfo Romanhol | Geminiano Felipe de Mendonça |
| 39 | Adolfo Romagnoli | Adolfo Romanhol | Geminiano Felipe de Mendonça |
| 40 | Alexandre Possenti | ||
| 41 | Pasquale Zanella | Ernesto Sanguin | |
| 42 | Apolônio Ribeiro dos Santos | ||
| 43 | Apolônio Ribeiro dos Santos | ||
| 44 | Giuseppe Venturelli | Oriel Fajardo Campos | |
| 45 | Alexandre Possenti | Alexandre Pussenti/Pussente/Pucente | |
| 46 | Giuseppe Venturelli | José Venturelli | Oriel Fajardo Campos |
| 47 | Pietro Causin | Pedro Causin | – |
| 48 | Pietro Causin | Pedro Causin | – |
| 49 | Administração – Sede da Fazenda Boa Vista | Oriel Fajardo Campos | |
| 50 | Joaquim Thomás dos Passos | Francisco Xavier Alves de Mattos |
Pesquisa de Joana Capella