Efemérides Leopoldinenses: Julho

O mês de julho na história antiga de Leopoldina.

1 de julho

1882


Olímpio Clementino de Paula Corrêa é professor de Português, Francês e Latim em Leopoldina.

2 de julho

1877

Inauguração da Estação de Leopoldina da Estrada de Ferro Leopoldina. [1]

Estação da Estrada de Ferro em Leopoldina.


4 de julho

1857

Laranjal

A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Laranjal, município de Leopoldina, fica elevada a Distrito de Paz. [2]


10 de julho

1876

Presidente da Província é autorizado pela Assembleia Legislativa a auxiliar na construção de uma estrada (caminho) que da estação de ferro de Providência se dirija à cidade de Leopoldina. [3]


14 de julho

1832

São José do Paraíba: trajetória administrativa.

1895

Lançamento do jornal O Mediador, tendo como redator Alberto Moretz-Sohn Monteiro de Barros e como gerente, Alexandre Chaves. O novo jornal foi saudado nas edições dos concorrentes A Voz de Thebas – edição de 14 julho e Gazeta de Leopoldina – edição de 18 de julho.


15 de julho

1872

Criação da Comarca de Leopoldina e seus primeiros juízes.

1896

Em 1895 estava em funcionamento uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina, nas proximidades da Estação de Vista Alegre da Estrada de Ferro Leopoldina. [4]


16 de julho

1897

Leopoldina deixa de pertencer à diocese do Rio de Janeiro e é transferida para Mariana. [5]


17 de julho

1883

Antonio Diogo Vieira, professor público de Leopoldina.


19 de julho

1872

O Curato de Conceição da Boa Vista, pertencente do município de Leopoldina, é elevado à categoria de Paróquia. [6]


Referências:

[1] VEIGA, José Pedro Xavier da, Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag. 639

[2] Lei Mineira nr 818, de 04 de julho de 1857

[3] Lei Mineira nr 2287, de 10 de julho de 1876

[4] Mensagem do Presidente da Província Crispim Jaques Bias Fortes, 15 de julho de 1896, pag. 31

[5] Ata de Instalação da nova Comarca Eclesiástica, no livro de batismos 1897-1898, páginas 49 verso e 50

[6] Lei Mineira nº 1902, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro

Efemérides Leopoldinenses: Dezembro

Alguns acontecimentos de meses de Dezembro em Leopoldina.

1 de dezembro

1873

  • Lei Mineira nº 2027 eleva o distrito de Nossa Senhora da Piedade (atual Piacatuba) à categoria de Paróquia.
  • Lei Mineira nº 2029 cria escola de instrução primária para o sexo masculino no distrito da Piedade
  • Lei Mineira nº2031 eleva à categoria de Paróquia o distrito então pertencente a Leopoldina com o nome de Espírito Santo do Empossado. Atualmente é o distrito de Cataguarino, município de Cataguases.

1889

Num marco de granito exposto na entrada principal da Casa de Caridade encontra-se a inscrição “SPB – 01.12.1889”. Trata-se de data da fundação da Sociedade Portuguesa de Beneficência, em Leopoldina, instituição da qual a Casa de Caridade Leopoldinense passou a ser sucessora, a partir de 25.03.1917, quando a S. P. B. foi liquidada. Veja.

1894

Funciona uma hospedaria de imigrantes, no sítio Jacareacanga.

Fonte: VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag 525


5 de dezembro

1882

Professor Olímpio Clementino de Paula Corrêa é designado para a 3ª cadeira de instrução primária de 2º grau na cidade de Leopoldina, como professor de Português, Francês e Geografia.

Fonte: Relatório de Antonio Gonçalves Chaves para a Assembleia Provincial de Minas em 2 de agosto de 1883, AD 46 e 47


7 de dezembro

1888

Autorizada a criação de uma Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina.

Autorização para criar Hospedaria de Imigrantes em Leopoldina.

Fonte: Relatório do 1º vice-presidência da Província, o Sr. Barão de Camargos, em 7 de dezembro de 1888.


10 de dezembro

1874

Inauguração da Estação de Providência da Estrada de Ferro Leopoldina

Fonte: VEIGA, José Pedro Xavier da. Efemérides Mineiras: 1664-1897. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 1998. 2 volumes, pag 1042

1882

Anunciada a próxima abertura das atividades de filial do Colégio Venerando.


11 de dezembro

1898

Circula a primeira edição do jornal O Arame, propriedade de Ovídio Rocha.


15 de dezembro

1843

É encaminhada ao Governo Provincial a segunda Lista Nominal dos Habitantes do Distrito de São Sebastião do Feijão Cru em 1843.


17 de dezembro

1882

Numa prática da época, o resultado dos exames do Colégio Nossa Senhora do Amparo e no Externato Santo Antônio foi publicado em jornal.


18 de dezembro

1880

Autoriza a professora de instrução primária do sexo feminino Joana Carolina Pinto Coelho, a afastar-se em licença de saúde.

Lei Mineira nº 2740, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.


19 de dezembro

1865

O distrito de Santo Antônio do Muriaé (atual Miraí) é transferido de Leopoldina para Muriaé.

Trecho da lei que transferiu Miraí de Leopoldina para Muriaé.


20 de dezembro

1882

Morre Joaquim Antônio Almeida Gama, proprietário da Fazenda Floresta.


22 de dezembro

1863

O Arraial de Conceição do Paraíba, no município de Leopoldina, é elevando a Distrito. Atualmente é distrito do município de Pirapetinga.

Lei Mineira nº 1172, Coleção de Leis Mineiras do Arquivo Público Mineiro.

Lei 1172 de 22 de dezembro de 1863


23 de dezembro

1892

Surge a ideia de construir um fórum.

Não se sabe como o assunto progrediu. O que se apurou, através de notícia  do jornal Novo Movimento, de 9 de outubro de 1910, é que naqueles dias havia sido lançada a pedra fundamental para a construção dos prédios da Cadeia e do Fórum, na Praça Félix Martins. Já a edição da Gazeta de Leopoldina de 1 de janeiro de 1911 informa que estavam sendo feitas as fundações dos dois edifícios. A imagem abaixo, do acervo do Arquivo Público Mineiro, provavelmente é do ano de 1914 e seria este o ano de inauguração dos dois prédios.

Minas Geraes 23 de dezembro 1892 ed 239 pag 4

Prédios da Cadeia e Fórum de Leopoldina, cerca de 1914.


27 de dezembro

1898

Suspenso o funcionamento de escola em Campo Limpo.


31 de dezembro

1849

Curato do Feijão Cru pertence ao Bispado do Rio de Janeiro. No civil, pertence à província de Minas Gerais, ao Termo de São João Nepomuceno.

Curato do Feijão Cru pertence ao Bispado do Rio de Janeiro.

O Feijão Cru no Termo de São João Nepomuceno

A transferência para Mariana ocorreu em julho de 1897, conforme Ata de Instalação da nova Comarca Eclesiástica, no livro de batismos 1897-1898, páginas 49 verso e 50.

10 de outubro de 1851: novos distritos

Há 162 anos eram criados os distritos de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista e Nossa Senhora da Piedade, em território então pertencente ao Município de Mar de Espanha, conforme Lei Mineira nº 533.

Menos de três anos depois a Lei nº 666, de 27 de abril de 1854, emancipou Leopoldina incorporando-lhe os dois distritos.

Conceição da Boa Vista perdeu partes de seu território ao longo do tempo para a formação dos distritos de São Joaquim (Angaturama), Itapirussu, Pirapetinga, Santa Izabel (Abaíba), Providência e Recreio. Já no século XX, a Lei nº 148, de 17 de dezembro de 1938, emancipou Recreio e lhe incorporou Conceição da Boa Vista.

O distrito de Nossa Senhora da Piedade, atual Piacatuba, perdeu partes de seu território quando da emancipação de Cataguases mas permanece como distrito de Leopoldina.

Antinarelli e Franzone: esboço genealógico

Estudo de duas famílias italianas que viveram em Leopoldina.

ANTINARELLI

1. Egidio Cesare Antinarelli-1 was born on 16 jun 1863 in Italia. Teresa Costantini was born on 16 jul 1863 in Italia.

Egidio Cesare Antinarelli and Teresa Costantini married. They had the following children:

i. Loreta Antinarelli was born between 1885-1886 in Italia. She married Alcides José Ferreira on 18 ago 1905 in Providência, Leopoldina, MG.

ii. Giovanni Antinarelli was born about 1889 in Italia.

iii. Alfredo Antinarelli was born about 1893 in Italia. He married Carmen Franzone in 1914 in Providência, Leopoldina, MG.

iv. Palmira Antinarelli was born about 1896 in Providência, Leopoldina, MG. She married Manoel Moreira de Carvalho filho between 29 abr 1910-1914 in Providência, Leopoldina, MG.

v. Rosa Antinarelli was born after 1896 in Banco Verde, Palma, MG. She married Genaro Castillago on 29 jun 1908 in Providência, Leopoldina, MG.

vi. Balbina Antinarelli was born on 15 mai 1898 in Providência, Leopoldina, MG.

vii. Roque Antinarelli was born on 22 mai 1904 in Leopoldina, MG.

viii. Helena Antinarelli was born on 25 jun 1908 in Providência, Leopoldina, MG; São Martinho.

Segunda Geração

2. Alfredo Antinarelli-2 (Egidio Cesare-1) was born about 1893 in Italia.  Carmen Franzone daughter of Luigi Franzone and Emilia Filoti was born after 1895.

Alfredo Antinarelli and Carmen Franzone were married in 1914 in Providência, Leopoldina, MG. They had the following children:

i. Raimundo Antinarelli was born on 11 jun 1916 in Providência, Leopoldina, MG.

ii. Helena Antinarelli was born on 25 abr 1917 in Providência, Leopoldina, MG.

iii. José Antinarelli.

iv. João Antinarelli Sobrinho.

v. Antonio Antinarelli.

vi. Maria Antinarelli.

vii. Euclides Antinarelli.

viii. Aparecida Antinarelli.

ix. Geraldo Antinarelli.

x. Irani Antinarelli.

xi. Gloria Antinarelli.

Terceira Geração

3. João Antinarelli Sobrinho-3 (Alfredo-2, Egidio Cesare-1). He had the following children:

i. Alexandre Touzo Antinarelli.

FRANZONE

1. Giuseppe Franzone-1 was born in Italia.  He had the following children:

2. i. Luigi Franzone was born on 05 out 1864 in Candia, Torino, Piemonte, Italia.

Segunda Geração

2. Luigi Franzone-2 (Giuseppe-1) was born on 05 out 1864 in Candia, Torino, Piemonte, Italia. Emilia Filoti was born on 22 set 1869 in Candia, Torino, Piemonte, Italia. Luigi Franzone and Emilia Filoti had the following children:

i. Cecilia Franzone was born about 1887 in Candia, Torino, Piemonte, Italia.

ii. Fiorenzo Franzone was born about 1890 in Candia, Torino, Piemonte, Italia.

4. iii. Maria Franzone was born about 1894 in Candia, Torino, Piemonte, Italia. She married Antonio Carlos Bittencourt on 13 jul 1911 in Providência, Leopoldina, MG; São Martinho.

5. iv. Carmen Franzone was born after 1895. She married Alfredo Antinarelli in 1914 in Providência, Leopoldina, MG.

6. v. Hercilia Franzone was born on 20 jan 1901 in Abaíba, Leopoldina, MG. She married César Augusto Borella on 02 fev 1918 in Leopoldina, MG.

vi. José Franzone was born on 17 fev 1903 in Leopoldina, MG. He married Anatilde Spinola on 06 mai 1926 in Leopoldina, MG.

Terceira Geração

3. Maria Franzone-3 (Luigi-2, Giuseppe-1) was born about 1894 in Candia, Torino, Piemonte, Italia.  Antonio Carlos Bittencourt son of Deolindo Carlos Bittencourt and Regina Batista da Silva was born about 1889.  Antonio Carlos Bittencourt and Maria Franzone were married on 13 jul 1911 in Providência, Leopoldina, MG; São Martinho. They had the following children:

i. Deolindo was born on 09 set 1912 in Leopoldina, MG.

4. Carmen Franzone-3 (Luigi-2, Giuseppe-1) was born after 1895.  Alfredo Antinarelli son of Egidio Cesare Antinarelli and Teresa Costantini was born about 1893 in Italia.  Alfredo Antinarelli and Carmen Franzone were married in 1914 in Providência, Leopoldina, MG. They had the following children:

i. Raimundo Antinarelli was born on 11 jun 1916 in Providência, Leopoldina, MG.

ii. Helena Antinarelli was born on 25 abr 1917 in Providência, Leopoldina, MG.

iii. José Antinarelli.

iv. João Antinarelli Sobrinho.

v. Antonio Antinarelli.

vi. Maria Antinarelli.

vii. Euclides Antinarelli.

viii. Aparecida Antinarelli.

ix. Geraldo Antinarelli.

x. Irani Antinarelli.

xi. Gloria Antinarelli.

5. Hercilia Franzone-3 (Luigi-2, Giuseppe-1) was born on 20 jan 1901 in Abaíba, Leopoldina, MG.  César Augusto Borella son of Luciano Borella and Lucia Lorenzetto was born on 28 fev 1896 in Leopoldina, MG.  César Augusto Borella and Hercilia Franzone were married on 02 fev 1918 in Leopoldina, MG. They had the following children:

i. Luzia Borella was born on 13 dez 1918 in Leopoldina, MG.

ii. Umberto Borella was born on 21 mar 1936 in Manhuaçu, MG.

6. João Antinarelli Sobrinho-4 (Carmen-3, Luigi-2, Giuseppe-1).  João Antinarelli Sobrinho had the following children:

i. Alexandre Touzo Antinarelli.

Autoridades em Providência

Autoridades distritais do século XIX, conforme constante nos códices 32 e 146 do Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina.

PROVIDÊNCIA, atual distrito de mesmo nome, município de Leopoldina.
Afonso José de Carvalho

Assinatura de Afonso José de Carvalho

Escrivão de Paz 25.03.1891
Carlos Furquim Mendes 2º Juiz de Paz 23.01.1892
Galdino Manoel Monteiro de Castro 1º Juiz de Paz 06.09.1890
José Antonio Monteiro da Silva 3º Juiz de Paz 23.01.1892

Primeiros Moradores de Providência

Este estudo sobre os primeiros moradores do distrito de Providência foi inicialmente publicado com o título de Primeiros Moradores do Quarto Quarteirão do Feijão Cru, no site do Arquivo Histórico de Além Paraíba, na seção destinada ao Centro de Pesquisas Sertões do Leste – CEPESLE. Posteriormente obtivemos muitas outras informações que complementam e corrigem o apurado até aquele momento.

A historiografia local ainda não dedicou maior atenção ao início do povoamento de nossa região. Querem alguns que a data inicial seja a da concessão das sesmarias. Oras, é sabido que muitas vezes a Carta de Sesmaria era passada após a ocupação. Em outros casos o beneficiado com as terras nelas instalou prepostos e só veio a ocupá-las muitos anos depois. Sendo assim, ao lado do levantamento das Sesmarias concedidas, analisamos outros documentos que pudessem nos dar uma idéia de quais teriam sido as primeiras famílias a habitarem o local. Temos certeza de que nosso estudo não está completo. Provavelmente ainda encontraremos outros indícios que venham a modificar nossa atual posição.

No momento temos indicações de que as terras hoje ocupadas pelo distrito de Providência, bem como uma parte de Abaíba, durante muito tempo reunidas no chamado Quarto Quarteirão, receberam o habitante livre nos anos de 1820. No decorrer da década, ali se instalaram pelo menos três famílias que eram chefiadas por Bernardo José Gonçalves Montes. Joaquim Cezário de Almeida e Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda.

Optamos por falar da proto história de Providência através das mais antigas famílias encontradas em seu território, indicando-as em ordem alfabética de sobrenome e separadas por períodos de efetiva moradia.

ALMEIDA RAMOS

O primeiro estudioso desta família, e também um dos maiores pesquisadores da história de Leopoldina, foi Mauro de Almeida Pereira. Em 1966 publicou o livro Os Almeidas, os Britos e os Netos em Leopoldina, obra de referência para quantos se interessam pelo levantamento dos povoadores da cidade, com versão digital disponível neste site. Como seguidores do Mauro Almeida, falecido a 21 de junho de 2001, apresentamos o desenvolvimento dos estudos por ele iniciados sobre o casal Manoel Antônio de Almeida e Rita Esméria de Jesus. Esclarecemos que o povoador Manoel Antônio de Almeida, citado como Comendador em diversas obras, era filho de Antônio de Almeida Ramos, donde provém o sobrenome composto.

Joaquim Cezário de Almeida  nasceu em 1804 em Santana do Garambéu, MG, filho de Inácio José do Bem e de Antônia Maria de Almeida, irmã de Manoel Antônio de Almeida acima citado. Acompanhou o tio na mudança para as terras do Feijão Cru, estabelecendo-se no território depois denominado Quarto Quarteirão. Estava recém casado com sua prima Luciana Esméria de Almeida, filha do mesmo Manoel Antônio de Almeida.

Joaquim Cezário formou a Fazenda do Tesouro, cuja localização merece comentários mais detalhados. Divisava por um lado com as terras de Bernardo José Gonçalves Montes e por outro com as de José Ferreira Brito e Francisco José de Freitas Lima, estes localizados entre Abaíba e Conceição da Boa Vista. Ao sul divisava com terras posteriormente ocupadas por Manoel José Monteiro de Castro e Antônio Augusto Monteiro de Barros Galvão de São Martinho.

Em 1851, ao ser criado o Curato de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista, Joaquim Cezário aparece como proprietário na divisa daquele distrito. O que nos levou a concluir que suas terras ficassem no território hoje pertencente a Abaíba. No entanto encontramos documentos da Câmara Municipal de Rio Pomba em que se faz referência ao Tesouro do Feijão Cru como tendo sido o nome de Leopoldina entre 1831 e 1834. Pela leitura de vários documentos, passamos a suspeitar que a Fazenda do Tesouro era mais próxima das nascentes do Feijão Cru pequeno, onde se estabeleceu Manoel Antônio de Almeida, tio e sogro de Joaquim Cezário. Nesta hipótese, Joaquim Cezário teria ocupado terras limítrofes à atual sede do distrito de Providência. O que seria confirmado através da análise de batismos e casamentos de seus descendentes.

Joaquim Cezário de Almeida faleceu a 18 Março 1855. Sua esposa Luciana Esméria permaneceu na Fazenda do Tesouro, onde faleceu a 1 Março 1864. Dos filhos do casal, encontramos vinculados a Providência ao final do século dezenove apenas o primeiro e a quarta filha.

– João Basílio de Almeida casou-se com Augusta Leopoldina Rezende Martins e faleceu a 15 Dezembro 1882 deixando viúva e 12 filhos na Fazenda Alto da Cachoeira. Sua descendência está descrita entre os Gonçalves Montes, já que sua esposa foi a nona filha de Bernardo José Gonçalves Montes. Nas Eleições realizadas em setembro de 1868, João Basílio foi um dos eleitores ausentes, provavelmente em solidariedade a tantos que discordaram do direcionamento que estava sendo dado ao município.

– Maria Cezária de Almeida casou-se com seu primo João Ferreira de Almeida, filho de João Rodrigues Ferreira Brito e Messias Esméria de Almeida, sendo neto materno de Manoel Antônio de Almeida e paterno de Bento Rodrigues Gomes. Ou seja, o casal descendia dos troncos povoadores de Leopoldina. A Fazenda de Maria Cezária e João ficava ao sul da estrada que ligava Abaíba a Leopoldina, na margem direita do Ribeirão São Lourenço, território que pertenceu ao distrito de Providência.

GONÇALVES MONTES

Bernardo José Gonçalves Montes nasceu em Prados, entre 1780 e 1788. Filho de José Gonçalves Montes, português, e de Rosa Felícia de Jesus, natural de Prados. Neto paterno de Maria Luisa do Monte e Pedro Gonçalves Poça, nascido a 20 de outubro de 1675. Por este era bisneto de Maria Dias e João Gonçalves da Poça, nascido a 29 de junho de 1657 na Freguesia da Alheira, Orago de Santa Marinha, Concelho de Barcelos, Braga, Portugal. A avó paterna, Maria Luisa do Monte, era filha de Estêvão Luis e Maria Domingues.

Por parte de mãe, Bernardo José era neto de Bernardo Rodrigues Dantas, nascido a 17 de agosto de 1694 em Santa Maria de Sá, Concelho Ponte de Lima, Viana do Castelo, Portugal e falecido em Prados a 1º de março de 1773. A ascendência de Bernardo Rodrigues Dantas é bem conhecida entre os estudiosos. Era filho de Pascoal Rodrigues, nascido a 17 de junho de 1678 e Paula Rodrigues, nascida a 7 de setembro de 1683. Pascoal era filho de João Fernandes e Esperança, ambos naturais do Concelho de Ponte de Lima. Paula era filha de Antônio Fernandes Souto e Maria Rodrigues, naturais do mesmo Concelho, e irmã de Ana Joana da Conceição, que em 1799 casou-se, em Santana do Garambéu, com José Francisco Machado.

A avó materna, Catarina de Assunção Xavier, é ainda mais conhecida. Nascida a 25 de dezembro de 1719 em São José del Rei, atual Tiradentes, casou-se a 9 de abril de 1736 no mesmo lugar e faleceu em Prados a 29 de dezembro de 1802. Era filha de Domingos Xavier Fernandes, nascido a 26 de agosto de 1683 no Famalicão, Braga, Portugal, por ele neta de Domingos Rodrigues e Catarina Fernandes. A mãe de Catarina, Maria de Oliveira Colaça, era filha de Antônio de Oliveira Setúbal e Isabel de Oliveira Colaça.

Por este casal, poderemos prosseguir até o século dezesseis, através de genealogias publicadas por diversos estudiosos, incluindo-se o renomado Silva Leme e nosso conterrâneo Pedro Wilson Carrano de Albuquerque. Observe-se que a avó materna de Bernardo José Gonçalves Montes era irmã de Antônia da Encarnação Xavier, mãe do Alferes José Joaquim da Silva Xavier.

Dos irmãos de Bernardo José, encontramos os nomes de Antônio Rodrigues Dantas, Maria Rosa Montes e Severino José Montes. Não pesquisamos a descendência desses irmãos. Mas, acreditamos que Severino possa ser ancestral de outros antigos moradores do Feijão Cru. Da mesma forma supomos que o tio paterno João Gonçalves Montes, casado com Paula Maria de Assunção, possa ser ancestral de leopoldinenses que aqui chegaram muito tempo depois do início do povoamento.

Dos tios pelo lado materno encontramos numerosas ligações familiares não só em Providência como em todo o município de Leopoldina. Tanto através de sobrinhos do Alferes Tiradentes, como também por filhos de Bernardo Rodrigues Dantas e Catarina de Assunção Xavier que podem ser, entre outros, ancestrais da família Vale tão numerosa em Leopoldina.

Casou-se Bernardo José com Maria Antonia de Jesus, também natural de Prados. O pai de Maria Antônia, Antônio Francisco Teixeira Coelho, recebeu uma sesmaria a 28 de março de 1818. Não sabemos se chegou a ocupá-la. O que sabemos é que a sesmaria foi o dote de casamento da filha, por volta de 1824. Analisando batismos e casamentos de filhos e netos de Bernardo José e Maria Antônia, concluímos que logo após o casamento eles vieram habitar as terras do Feijão Cru.

Entre 1824 e 1850, Bernardo José trocou parte de suas terras por outras e também comprou as terras de Feliciano Rodrigues Moreira, outro pioneiro do Quarto Quarteirão. O casal tronco dos Gonçalves Montes residiu na Fazenda do Sossego e seus filhos ocuparam outras propriedades da margem direita do Córrego de São Lourenço. Bernardo José Gonçalves Montes faleceu em 1861, deixando vasta descendência.

Abrimos um parenteses para mencionar um dos mais antigos moradores do Feijão Cru, cuja família não será aqui estudada por não ter estado localizada no território de Providência. Antônio Rodrigues Gomes (filho), batizado em Santa Rita de Ibitipoca-MG a 5 Junho 1786, transferiu-se para nossa região na mesma época em que Bernardo veio aqui residir. A 20 Abril 1829 comprou parte de uma sesmaria que tinha sido doada aos Lacerda. Ali formou a Fazenda do Córrego do Moinho.

Filhos do casal pioneiro, todos nascidos no Quarto Quarteirão do Feijão Cru:

i. Antonio Rodrigues Montes, casado com Maria Gabriela Moreira.

ii. Bernardo Rodrigues de Rezende Montes, casado com Ana Ignacia de Almeida, radicou-se em Chiador-MG.

iii. Maria Rodrigues Montes.

iv. Ana Antônia de Jesus, casada pela primeira vez com Domingos Marques de Oliveira e a segunda vez com José Antônio de Almeida Ramos.

v. Joaquina Cândida de Jesus, casada com Manoel José Pereira da Silva.

vi. João Rodrigues de Rezende Montes, casado com Deolinda Clara de Valadão.

vii. Manoel José de Rezende Montes, casado a primeira vez com Maria Antônia de Jesus e a segunda vez com Maria Rosa da Silveira.

viii. Claudina Celestina de Jesus, casada com João Francisco Pereira.

ix. Augusta Leopoldina Rezende Martins, casada a primeira vez com João Basílio de Almeida e a segunda vez com Bernardo Rodrigues Ferreira Gomes.

x. José de Resende Montes, casado com Tereza Joaquina de Jesus.

xi. Maria Umbelina da Anunciação, casada primeira vez com Francisco Rodrigues Gomes de Almeida e a segunda vez com José Marinho de Freitas.

xii. Inacia Presceliana de Rezende Montes, casada a primeira vez com Antônio Carlos de Oliveira e a segunda vez com José de Rezende Montes.

xiii. Zeferino José de Resende Montes, casado com Ignes Luiza da Silva.

xiv. Rita Firmina Montes.

xv. Querino de Resende Montes, casado a primeira vez com Julia Ferreira de Rezende e a segunda vez com Vitalina da Penha Cabral.

Consta que houve mais um filho: Francisco de Sales Montes casado com Ana Umbelina de Moraes. No entanto, analisando nascimentos e casamentos de descendentes de Francisco e Ana Umbelina, concluímos que as datas tornam incompatível a filiação.

Como dissemos anteriormente, ao formarem suas próprias famílias os filhos de Bernardo José e Maria Antônia ocuparam terras nas margens do Corrego São Lourenço. Ao final do século dezenove, por ocasião da criação dos distritos de Providência e Abaíba, encontramos referências a muitos descendentes deste pioneiro residindo naquela região.

PINHEIRO CORRÊA DE LACERDA

A Família Pinheiro Corrêa de Lacerda tem sido objeto de estudo de vários pesquisadores, já que as duas primeiras sesmarias a citarem o nome “Feijão Cru” foram concedidas a dois de seus membros: Fernando Afonso e Jerônimo Pinheiro Corrêa de Lacerda beneficiados com duas sesmarias em outubro de 1817. Por conta disso, muitos são os que acreditam terem sido eles os primeiros habitantes livres do território onde nasceu Leopoldina. Esta não é nossa opinião, formada a partir da análise dos mais antigos documentos que pudemos encontrar sobre a história de Leopoldina. E que se aproxima da opinião de antigos articulistas da história local, segundo os quais os Lacerda foram grandes desbravadores da zona da mata através de um método peculiar: obtinham as sesmarias e as vendiam no todo ou em parte aos habitantes da região de Santa Rita de Ibitipoca.

Irmão de Fernando Afonso e Jerônimo, Álvaro Pinheiro Corrêa de Lacerda foi batizado a 22 Julho 1755 em Bom Jardim. Casou-se na Matriz de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo (Barbacena), a 23 Fevereiro 1797 com Ângela Maria do Livramento, filha de Manoel Francisco Braga e Tereza Maria de Jesus. Ângela vivia em território do Feijão Cru em 1831, já viúva. Filhos do primeiro casamento de seu marido também já estavam por aqui: Ana de Souza, Francisco Pinheiro Corrêa de Lacerda, Lourenço José Leal e Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda.

Dos cinco filhos que pudemos localizar em Leopoldina, somente de um temos informações sobre ligação com o território de Providência: Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda. Lembrando que sua irmã Ana foi casada com Bernardo José da Fonseca, citado em diversos estudos da história de Leopoldina, Romão é o personagem que nos remete às terras localizadas no então chamado Pirapetinguinha, ou pequeno braço do Pirapetinga. Querem alguns que Romão tenha sido encarregado pelos Monteiro de Barros para a formação de fazendas naquela região. De fato pudemos comprovar que os Monteiro de Barros só vieram ocupar aquelas terras mais tarde. Mas, antes disso Romão já estava residindo em sua Fazenda da Memória, cujo nome permanece apenas na ponte existente na estrada de Providência para Leopoldina. A fazenda limitava-se com terras posteriormente ocupadas por José Augusto Monteiro de Barros e foi sucessivamente dividida e vendida. Dentre os compradores, localizamos Antônio Prudente de Almeida adquirente entre 1838 e 1841.

A Fazenda da Memória foi comprada por Romão a Manoel Gomes de Oliveira. Citado como Major Manoel Gomes, este primeiro proprietário teria sido um militar que atuou na investida contra o Descoberto do Macuco, no famoso episódio de caça ao Mão de Luva. Fato ocorrido entre 1784 e 1786. É corrente entre historiadores atuais que membros da diligência comandada por Pedro Afonso Galvão de São Martinho, após cumprida a missão para a qual foi destacada, demoraram-se pelos então chamados “Sertões do Leste”, requerendo e obtendo sesmarias onde se fixaram com suas famílias.

Um outro aspecto que ressalta dos documentos é a ocupação efetiva das sesmarias doadas aos Monteiro de Barros. Conforme diversos autores já levaram ao conhecimento público, a família Monteiro de Barros recebeu doação de 14 sesmarias dentro do território onde se formou Leopoldina. Estas doações ocorreram em março de 1818, seis meses após as doações aos Pinheiro Corrêa de Lacerda e no mesmo mês da doação ao sogro de Bernardo José Gonçalves Montes. Fizemos um levantamento das sesmarias concedidas no entorno do Feijão Cru e concluímos que os Pinheiro Corrêa de Lacerda não foram os primeiros beneficiários. Entre 1812 e 1813 foram doadas diversas sesmarias na margem direita do Rio Pomba, algumas delas localizadas em território dos atuais municípios de São João Nepomuceno, Argirita, Santo Antônio do Aventureiro e Além Paraíba. Parece-nos, pois, que a margem direita do Pirapentiguinha teria sido ocupada pelo homem livre a partir de 1812.

Talvez, e aqui vai uma das hipóteses que vimos avaliando, talvez os Pinheiro Corrêa de Lacerda tenham seguido o caminho que estava sendo ocupado pelos sesmeiros e aí descoberto a extensa faixa de terra ao sul do Rio Pomba que ainda não estava ocupada. Voltando ao centro da Província, requereram suas sesmarias, no que foram acompanhados pelos demais povoadores.

Para concluir, lembramos que em 1826 Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda ainda vivia em Valença. A primeira referência que dele encontramos em território de Leopoldina é no ano de 1831, morador recenseado no Quarto Quarteirão, solteiro, com 4 escravos.

De seu casamentos com Ana Severino encontramos o filho:

i. Américo Antônio de Castro Lacerda, nascido por volta de 1839, foi pai de Alberto Gama de Castro Lacerda (1867), Joaquim Gama de Castro Lacerda (1887) e Américo de Castro Lacerda (1871).

Do segundo casamento de Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, com Maria de Nazareth Pereira, localizamos os filhos: [Atualizado em julho de 2014]

ii. José Romão Corrêa de Lacerda casou-se com Luiza Augusta Tavares com quem teve os filhos Guiomar (1879), Adélia (1880), Olívia (1881), Amélia (1882), Maria José (1884), João (1886), Luiza (1887), Valdemar (1889), Sofia (1891), Osmar (1898) e Romão (1902), todos nascidos em Providência.

iii. Lucas Tavares de Lacerda nascido por volta de 1850, estudou no Caraça entre 1860 e 1862.

iv. Romão Augusto Corrêa de Lacerda, nascido por volta de 1853.

v. Heliodora, nascida a 7 Janeiro 1858, que se casou com Felix Martins Ferreira e de quem tratamos em outros estudos sobre a sede municipal.

vi. Sophia, nascida a 9 Maio 1860.

vii. Luiz Antônio Corrêa de Lacerda, nascido a 12 Abril 1863. Em 1877 estava matriculado no Colégio Caraça. Casou-se a 16 Fevereiro 1884 com Isabel Maria de Lacerda Werneck, filha de Luiz Peixoto de Lacerda Werneck e Isabel Augusta. Foram pais de Mario (1889), Maria Nazareth (1902) e Maria da Glória (1904). Luiz Antônio foi um dos fundadores do Centro Espírita Beneficiente em Leopoldina, no ano de 1904.


SEGUNDO MOMENTO: 1831 A 1838

Chegamos ao período em que a ocupação da margem direita do Rio Pomba tornou-se mais intensa, demonstrando a necessidade da criação de novos distritos na Freguesia de São Manoel do Pomba (Rio Pomba). Por falta de documentação, os historiadores registram apenas a criação de Nossa Senhora das Mercês do Cágado (Mar de Espanha) e São José do Além Paraíba (Além Paraíba) em julho de 1832. Mas, após leitura atenta do excelente livro de Sinval Santiago – Município de Rio Pomba Síntese Histórica, decidimos por uma releitura de documentos e normas da época, concluindo que o distrito do Tesouro do Feijão Cru pode ter sido criado na mesma data.

Sabemos que foi criado durante a vigência do Decreto Imperial de 11 setembro 1830, que delegava às Câmaras Municipais a criação de distritos em seu território. Este Decreto foi revogado pela Carta de Lei Provincial Mineira de 12 agosto 1834, voltando a prerrogativa para a alçada do Presidente da Província. O arquivo de Rio Pomba relativo à época foi destruído por um incêndio.

Sendo assim, resta-nos como primeiro documento o Mapa de Habitantes de 1838, no qual nos baseamos para identificar as famílias aqui residentes. Nesta segunda etapa da ocupação do território de Providência prosseguiremos considerando o Quarto Quarteirão como um todo, com a ressalva de que as divisões distritais do final do século dezenove modificaram sensivelmente a área abrangida sob tal denominação.

Encontramos mais 22 famílias, parte delas já completamente identificada. Iniciaremos pela citação das que não pudemos confrontar com outros registros, impedindo sua localização no espaço territorial.

O primeiro grupo é constituído pelas famílias de Forros que no conjunto dos moradores do Quarto Quarteirão representam 17,57% do total. Indicaremos a idade informada no Mapa, nome do cônjuge, número de filhos e de escravos. É possível que muitos tenham vivido fora dos limites do atual distrito de Providência. Foram eles:

– Alberto José, 30 anos, a esposa Joaquina, 3 filhos;

– Ana Maria, 20 anos, viúva com 3 filhos;

– Feliciano Roiz, 60 anos, a esposa Eva Pereira, 7 filhos e 1 escravo;

– Francisco Pereira, 40 anos, a esposa Maria Claudina, 3 filhos, 1 escravo.

– Manoel Gonçalves, 22 anos, a esposa Isabel Cândida, com 2 escravos;

– Maria Joana, 60 anos, viúva com 2 filhos;

O segundo grupo é formado por famílias que teriam vivido em Conceição da Boa Vista.

– Antônio Bernardes da Rocha, 41 anos, a esposa Maria Luiza, 9 filhos;

– Domiciano Lemos, 44 anos, a esposa Maria Inácia, 1 filha e 1 escravo;

– Francisco Antônio Dias, 24 anos, a esposa Ana Rosa, 1 filho, 1 escravo;

– João Antônio de Oliveira, 55 anos, a esposa Antonia, 3 filhos, 7 escravos;

– Joaquim Marques, 45 anos, a esposa Francisca Clara, 4 filhos, 2 agregadas;

– José Antônio, 20 anos, a esposa Maria;

– José Joaquim Siqueira, 40 anos, a esposa Francisca Maria, 1 filha;

– Manoel Francisco, 30 anos, a esposa Maria Rita, 4 escravos.

O terceiro grupo é constituído por 7 famílias cujos descendentes permaneciam vinculados a Providência no final do século dezenove. Foram chefes destas famílias, por ordem alfabética de sobrenome: Francisco José de Almeida Ramos, José Zeferiro de Almeida Ramos, Antônio José de Avelar Menezes, Querino Ribeiro de Avelar Menezes, José Joaquim Cordeiro, Anastácio Francisco de Oliveira, e Antônio José Monteiro de Barros.

Falar dos Almeida Ramos seria repetir em parte o que foi dito no início deste trabalho. Os Avelar Menezes misturam-se profundamente aos Monteiro de Barros, muito bem descritos na obra fundamental sobre esta família: Família Monteiro de Barros, de Frederico de Barros Brotero.

Resta-nos, pois, nos determos em algumas informações básicas sobre os dois patriarcas que nos parecem ainda pouco conhecidos: José Joaquim Cordeiro e Anastácio Francisco de Oliveira.

CORDEIRO

Joaquim José Cordeiro nasceu em 1808 ou 1809 e casou-se antes de 1838 com Ana Flausina. Antes do casamento, vivia em companhia dos pais, estabelecidos no Primeiro Quarteirão. Era o segundo filho de José Joaquim Cordeiro e Florinda de Jesus. Seus irmãos: José Joaquim, Antônio Joaquim, João, Gertrudes, Ana, Mariana, Manoel e Pedro.

O filho mais velho, homônimo do pai, nasceu por volta de 1805 e casou-se com Teresa Rosa de Jesus antes de 1842. O terceiro filho, Antônio Joaquim, nasceu em 1814 ou 1815 e casou-se com Maria Emerenciana, dez anos mais nova do que ele.

Esta é uma das famílias que precisa ser melhor estudada. Os mais remotos documentos encontrados informam que eram pretos forros e que o chefe da família era lavrador, alfabetizado. Nos documentos posteriores não nos foi possível identificá-los. Temos notícia apenas do terceiro filho, Antônio Joaquim Cordeiro, citado como ausente na Assembléia para Eleição de Juizes de Paz e Vereadores em setembro de 1872.

OLIVEIRA

Anastácio Francisco de Oliveira nasceu por volta de 1788. Casou-se com Maria Vidal de Souza e faleceu em Leopoldina antes de 1856. Em 1838 possuía 3 escravos. Em 1843 contava com um agregado nos trabalhos de sua propriedade. Estamos falando de Joaquim Lourenço que, casado com Rita Silvéria, fazia parte do grupo familiar de Anastácio Francisco de Oliveira.

No Registro de Terras de 1856 a viúva Maria Vidal aparece como proprietária de 850 alqueires de “planta de milho” no lugar chamado “Saudade”, em comum com seus filhos e genros. Vizinhos: Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda, Antonio P. Almeida, Antonio Carlos da Silva, Pedro T…, Manoel José Monteiro de Castro, Bernardo José Gonçalves Montes e José Zeferino de Almeida. A declaração foi assinada por seu filho Manoel, por ser analfabeta a mãe.

Filhos de Anastácio e Maria Vidal:

1 – Joaquina Umbelina

2 – Francisco Miguel

3 – Joaquim Francisco Vital, casado com Ana Joaquina, pais de Manoel (nascido 17.04.1880)

4 – Manoel Francisco de Gouvêa, casado com Ana Francisca de Sales, filha de Francisco de Sales Montes e Ana Umbelina de Moraes. Pais de Antonio, nascido 30.01.1856

5 – José Antonio

6 – João Eleotério de Gouvêa casado com Maria da Glória Ferreira. Pais de Mariana Flausina Ferreira que se casou com Manoel José de Oliveira a 07.05.1881 e de Maria Vidal Ferreira que se casou com José Amaro Neto na mesma data.

7 – Maria Anastácia

8 – Antonio Francisco

9 – Anastácio

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FONTES UTILIZADAS

Arquivo da Câmara Municipal de Leopoldina, MG – livros diversos, século XIX

Arquivo do Forum de Leopoldina, MG – processos de variada natureza, século XIX

Arquivo Paroquial: Igreja Madre de Deus do Angu, Angustura, Além Paraíba, MG – livros de batismos, casamentos e óbitos, século XIX

Arquivo Paroquial de Leopoldina, MG – livros de batismos e casamentos de 1851 a 1924.

Arquivo Paroquial de São João del Rei, MG – livros de batismos, casamentos e óbitos, séculos XVIII e XIX

Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte, MG - Mapas de Habitantes, Registros de Terras, Cartas de Sesmarias, séculos XVIII e XIX

Cartório de Notas de Angustura, MG – livros de compra e venda de bens de raiz, século XIX

Cartório de Notas, Leopoldina, MG – século XIX

Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais, Angustura, Além Paraíba, MG – nascimentos, casamentos e óbitos, 1888 a 1920

Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais, Leopoldina, MG – nascimentos, casamentos e óbitos, 1888 a 1920

Cemitério Nossa Senhora do Carmo, Leopoldina,, MG – livros de registro de sepultamentos, 1880 a 1920

Museu Regional de São João del Rei, inventários e testamentos dos séculos XVIII e XIX