Dores do Monte Alegre

Leopoldina e Taruaçu

Criado em 1858 com o nome de Dores do Monte Alegre, o atual distrito de Taruaçu fazia parte do município de Leopoldina, conforme Lei nº 947 de 8 de junho de 1858. A Capela de Dores do Monte Alegre foi desmembrada do então distrito de Bom Jesus do Rio Pardo, atual município de Argirita. A imagem acima foi montada a partir de cartografia da Comissão Geográfica e Geológica de Minas Gerais, publicada em 1927, disponível no Arquivo Público Mineiro.

Lei Mineira nr. 947 de 8 de junho de 1858

Eleitores da Piedade em 1851

Entre junho de 1850 e fevereiro de 1851 foi feita uma convocação de eleitores de São João Nepomuceno, sede de um vasto território que incluía o então Distrito do Feijão Cru. Analisando os nomes dos eleitores convocados, observamos que o então Curato de Nossa Senhora da Piedade era o 4º quarteirão do Feijão Cru e contava, naquele momento, com os seguintes eleitores:

  • Antonio Nunes de Oliveira
  • Alvaro José Antonio
  • Antonio Pereira Duarte
  • Antonio Rodrigues de Oliveira
  • Antonio de Sá Rocha
  • Cláudio José de Miranda
  • Claudino Vieira da Silva
  • Domingos Henrique de São Nicácio
  • Domingos José de Miranda
  • Ezequiel Henriques Pereira Brandão
  • Eufrazio Ferreira de Melo
  • Fortunato Ferreira de Melo
  • Francisco Xavier de Souza
  • Francisco Luiz Pereira
  • Francisco da Silva Pereira
  • Francisco Gonçalves Ferreira
  • Francisco José de Miranda
  • Francisco Neres da Silva
  • Hipólito Pereira da Silva
  • José Ferreira de Melo
  • José Rodrigues de Miranda
  • José Rodrigues de Sá
  • João Patrício de Moura
  • José Soares
  • José Nunes de Moraes
  • João Pedro de Souza Filho
  • Joaquim Nunes de Moraes
  • Luiz Tavares de Oliveira
  • Luiz Pereira da Silva
  • Manoel Henrique Porto Maia
  • Manoel Bernardes da Silva
  • Manoel Nunes de Moraes
  • Manoel Jacinto de Oliveira
  • Manoel Pereira Valverde
  • Manoel Roiz do Nascimento
  • Nicolao Gomes de Oliveira
  • Silverio Luiz Pereira
  • Tristão Policarpo de Oliveira
  • Venceslau Gonçlves Campos
  • Vicente Alves Ferreira
  • Vital Antonio de Oliveira
  • Vital Antonio de Mendonça
  • Vital Inacio de Moraes
  • Vasco Ferreira de Melo
  • Zeferino Inacio de Souza

Disputas de limites entre Rio e Minas

Pelo Alvará de 9 de março de 1814, criando a Vila de Cantagalo, ficou estabelecido que as divisas entre Rio de Janeiro e Minas Gerais seriam marcadas pelo rio Paraíba do Sul.

Conta-nos Xavier da Veiga[i] que não havia disputa entre as províncias até que, em 1833, surgiu um questionamento sobre as divisas entre autoridades de Aldeia da Pedra e do distrito de Santa Rita do Meia Pataca (atual Cataguases). Em 1836 voltaram a ocorrer disputas, agora entre as câmaras de Campos dos Goytacazes e do Pomba. Três anos depois, os juizes de paz de Aldeia da Pedra e Feijão Cru (hoje Leopoldina) enfrentaram-se sobre o mesmo tema, passando o ano de 1839 a marcar o início de uma série de desordens que se estenderam até 1842.

A solução do problema veio através do Decreto Imperial nº 297 de 19 de maio de 1843, que estabelecia, em seu Artigo 1º:

os limites entre a Província do Rio de Janeiro e de Minas Gerais ficam provisoriamente fixados da maneira seguinte: começando pela foz do Riacho Prepetinga no Parahyba, subindo pelo dito Prepetinga acima até o ponto fronteiro à barra do ribeirão de Santo Antônio no Pomba, e dahi por uma linha recta à dita barra de Santo Antonio, correndo pelo ribeirão acima até a serra denominada Santo Antonio e dahi a um logar do rio Muriahé, chamado Poço Fundo, correndo pela serra do Gavião até a cachoeira dos Tombos do rio Carangola, e seguindo a serra do Carangola até encontrar a província do Espírito Santo.

Divisas Rio-Minas

 

No alto, à esquerda, destacada em vermelho a linha divisória entre Rio e Minas segundo cartografia de 1856, e a localização de Leopoldina, antigo Feijão Cru.

Ocorre que, em de outubro de 1842, Honório Hermeto Carneiro Leão (depois Marquês do Paraná) como Presidente da Província do Rio de Janeiro havia lavrado uma Portaria alterando os limites estabelecidos em 1814. Esta atitude gerou inúmeros protestos, tanto de autoridades mineiras como fluminenses. Logo depois Carneiro Leão deixou a presidência e assumiu a pasta da Justiça. No cargo de Ministro do Império foi-lhe fácil obter a promulgação do Decreto Imperial nº 297 que abonava a Portaria que ele, Carneiro Leão, havia definido inadequadamente, já que como presidente de província não tinha poderes para alterar as divisas. Nem assim o agora Ministro conseguiu aplacar os ânimos.

Ainda em outubro de 1843 foi requerido o levantamento topográfico dos municípios do Presídio (Visconde do Rio Branco), Pomba e São João Nepomuceno. No decorrer do processo de revisão dos limites foram confirmadas as divisas estabelecidas pelo Decreto 297 que, desta forma, deixaram de ser provisórias. No que concerne a Leopoldina, então Curato de São Sebastião do Feijão Cru, seus limites com a província do Rio de Janeiro “tanto no civil como no eclesiástico” ficaram assim definidos: “começando da barra do rio Pomba no Parahyba, e por este acima até o riacho Perapetinga, abrangendo todas as suas vertentes”.

Entretanto, autoridades fluminenses questionaram o direito de Minas legislar sobre o Curato do Feijão Cru, por estar subordinado ao Bispado do Rio de Janeiro. Mas não encontraram respaldo no governo central e ficou definido que o limite entre Rio e Minas, naquela região, começaria na foz do Pirapetinga no rio Paraíba do Sul, subiria pelo Pirapetinga até encontrar o ponto fronteiro à barra do ribeirão Santo Antônio do Pomba, seguindo daí em diante o curso do Santo Antônio até o ponto do rio Muriaé chamado Poço Fundo, em seguida correndo pela serra do Gavião até a cachoeira dos Tombos, no rio Carangola, e seguindo a serra do Carangola até chegar na divisa com o Espírito Santo.

Portanto, não restaram dúvidas de que o Curato do Feijão Cru, elevado a Vila e Cidade da Leopoldina pouco tempo depois, pertencia à província de Minas Gerais. Diferentemente do que aconteceu em Patrocínio do Muriaé e localidades adjacentes, com os moradores recusando-se ao alistamento[ii] por acharem-se sujeitos ao Rio de Janeiro, em Leopoldina não houve nenhum problema desta natureza. Quando começaram as disputas entre fluminenses e mineiros em 1882, o território reclamado já estava desmembrado de Leopoldina há mais de uma década. Diga-se, a bem da verdade, que os litígios do final do século XIX atingiam região que só esteve subordinado a Leopoldina entre 1854 e 1871.

Entre 1843 e 1897 porém, o território do antigo Curato do Feijão Cru esteve subordinado civilmente a Minas Gerais e suas igrejas vinculadas ao Bispado do Rio de Janeiro. Pelo que se pode observar na documentação remanescente[iii], a mudança para o Bispado de Mariana ocorreu sem conflitos.

Segundo certidão do Bispado de Mariana, extraída de registro do Cartório Eclesiástico de Mariana em 21 de janeiro de 1852, a dúvida a respeito dos limites entre os Bispados de Mariana e Rio de Janeiro teria origem na dificuldade de interpretar a Bula Condor Lucis Eterna, de 6 de dezembro de 1746, na qual o Papa Bento XIV criou o Bispado de Mariana, desmembrado do Bispado do Rio de Janeiro. O Cônego Luiz Antônio dos Santos foi encarregado de resolver a pendência em 1852, tendo confrontado os termos da citada Bula com o testemunho “dos homens mais antigos daqueles lugares”, como informa o registro do processo. Os limites foram assim definidos:

  • 1 – Desde a foz do Kagado até suas cabeceiras na serra de Domingos Ferreira, ficando a direita para o Bispado do Rio de Janeiro: Curato do Espírito Santo.

  • 2 – Por todo o espigão da dita serra até tocar no rio Pomba, perto do Meia Pataca, sendo do Bispado do Rio as Dores do Rabicho e todo o território cujas águas vertem para os rios Novo e Pomba.

  • 3 – Pelo rio Pomba abaixo até o espigão que divide as águas do rio Baraúna das águas do rio Capivara, sendo de Mariana o território cujas águas vertem para o Baraúna e do Rio de Janeiro o território cujas águas vertem para o Capivara.

  • 4 – Continuando pelo dito espigão até que as águas vertam para o rio São João e Capivara, e subindo até o espigão que divide as águas do Pomba das águas do Muriaé.

  • 5 – Subindo por este espigão para o Nascente até encontrar com a linha que divide as duas Províncias do Rio e Minas provisoriamente, e seguindo-a até o Poço Fundo do rio Muriaé.

  • 6 – Subindo do Poço Fundo ao território do Arraial dos Tombos, sendo de Mariana todas as famílias descendentes de Antônio Rodrigues dos Santos, fazendas de José de Lana, José Custódio e Lopes, e as mais que atualmente dão obediência a Mariana.

  • 7 – Dos Tombos subindo a serra, que divide as águas do Carangola das águas do rio Preto até a serra que fica à esquerda do rio Veado.

  • 8 – Da dita subindo a serra dos Pilões até a Província do Espírito Santo.

Desta forma, em 1855 pertenciam ao Bispado do Rio de Janeiro:

– Freguesia de Mar de Espanha com os curatos do Espírito Santo do Mar de Espanha (Guarará) e Santo Antônio do Aventureiro;

– Freguesia de São Sebastião da Leopoldina com os curatos de Madre de Deus do Angu (Angustura), Nossa Senhora da Piedade (Piacatuba), Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista, São José do Além Paraíba e Bom Jesus do Rio Pardo (Argirita).

Nos anos subseqüentes alguns curatos foram elevados a freguesias e outros foram criados. Na década de 1860 aparecem também, nos domínios do Bispado do Rio de Janeiro, o Curato Nossa Senhora das Dores do Monte Alegre que corresponde ao atual distrito de Taruaçu, município de São João Nepomuceno; Santo Antônio do Mar de Espanha (Chiador), e São Francisco de Assis da Capivara, correspondente ao atual município de Palma.

A transferência que faria coincidir a subordinação civil com a paroquial veio com o Decreto Pontifício de 16 de julho de 1897. Depreende-se da leitura de Raimundo Trindade[iv] que neste Decreto Pontifício a Igreja antecipou-se ao governo civil, resolvendo também a disputa pelo território de Miracema alguns meses antes do Acordo civil de 4 de setembro de 1897.

© cantoni 2005

Fontes:


[i] VEIGA, João Pedro Xavier da. Notícias Histórica da Questão de Limites entre os Estados de Minas Geraes e Rio de Janeiro. Revista do Arquivo Público Mineiro, Ouro Preto, v. 4, p.332-376, 1899.

[ii] Por alistamento entenda-se o procedimento de identificar os moradores com vistas ao lançamento de tributos, à qualificação eleitoral e convocações militares.

[iii] DOCUMENTOS Eclesiásticos sobre as divisas do Bispado de Mariana. Revista do ArquivoPúblico Mineiro, Ouro Preto, v. 11, p.433-446, 1906.

[iv] TRINDADE, Raimundo da. Archidiocese de Mariana: subsídios para a sua história. São Paulo: SPLCJ, 1928-29, 3 volumes

Autoridades de Dores do Monte Alegre, atual Taruaçu

Lista de autoridades de Dores do Monte Alegre, atual distrito de Taruaçu, município de São João Nepomuceno, empossadas pela Câmara Municipal de Leopoldina entre 1859 e 1865.

Albino Silvino de Lima e Melo 1º Juiz de Paz 23.02.1863
Antonio Bernardo de Carvalho 3º Juiz de Paz 07.01.1865
Felisberto Rodrigues Pereira Brandão 1º Juiz de Paz 07.01.1865
Joaquim Soares Ferreira 4º Juiz de Paz 21.02.1863
José Antonio Nunes de Moraes 4º Juiz de Paz 07.01.1865
José Furtado de Mendonça 1º Juiz de Paz 16.07.1860
José Joaquim Barbosa 4º Juiz de Paz 28.05.1862
José Vieira da Silva 1º Juiz de Paz 17.01.1859
2º Juiz de Paz 12.01.1865
Manoel Dornelas da Costa 1º Juiz de Paz 10.01.1859

Eleitores do Feijão Cru em 1851

Segundo a Lista Geral de Votantes, disponível no Arquivo Público Mineiro, códice PP 11 caixa 44 pacote 30, foram alistados 355 cidadãos no distrito do Feijão Cru.

NOME

IDADE

Alberto Rodrigues da Silva

40

Alvaro Casemiro da Fonseca

37

Alvaro de Souza Werneck

30

Alvaro José Antonio

30

Ambrosio José de Souza

38

Angelo Lopes da Silva

47

Antonio Alves

28

Antonio Alves dos Santos

38

Antonio Alvim de Souza

27

Antonio Augusto Monteiro de Barros

32

Antonio Bento Peixoto

35

Antonio Bernardes da Rocha

54

Antonio Bernardino Machado

30

Antonio Carlos da Silva Teles Faião

50

Antonio da Silva Dias

50

Antonio da Silva Monteiro

34

Antonio de Almeida Ramos

40

Antonio de Sá Rocha

40

Antonio de Souza Chagas

28

Antonio Dias da Silva

40

Antonio Dias Pereira

29

Antonio dos Reis

40

Antonio Felisberto

25

Antonio Ferreira Pinheiro

34

Antonio Francisco Neto

28

Antonio Garcia de Novaes

28

Antonio Gomes Moreira

44

Antonio Joaquim

40

Antonio Joaquim Cordeiro

29

Antonio José de Almeida e Gama

27

Antonio José de Menezes

32

Antonio José de Miranda

47

Antonio José de Souza

35

Antonio José Monteiro de Barros

49

Antonio Luiz da Silva

50

Antonio Luiz de Moraes

50

Antonio Martins dos Santos

50

Antonio Nicolao

38

Antonio Nunes de Oliveira

70

Antonio Pedro do Nascimento

50

Antonio Pereira Duarte

29

Antonio Pontes

40

Antonio Prudente de Almeida

52

Antonio Rabelo Ferreira

35

Antonio Rodrigues de Faria Filho

39

Antonio Rodrigues de Faria Senior

59

Antonio Rodrigues de Oliveira

42

Antonio Rodrigues Gomes

54

Antonio Rodrigues Montes

31

Antonio Severino Ferreira

58

Antonio Xavier Monteiro

27

Bento Rodrigues Gomes

60

Bernardino Rodrigues da Silva

30

Bernardo José da Fonseca

70

Bernardo José Gonçalves Montes

64

Bernardo Rodrigues Montes

27

Caetano José de Almeida Gama

33

Camilo José de Carvalho

34

Camilo José Gomes

40

Candido José de Carvalho

34

Candido Portes

29

Carlos José Luiz

36

Carlos Mendes do Vale

37

Casemiro de Souza Werneck

25

Cesário José dos Reis

31

Claudino Vieira da Silva

38

Cláudio José de Miranda

27

Custódio de Vargas Corrêa

26

Domiciano Ferreira Monteiro

26

Domiciano José de Souza

29

Domiciano José Ferreira

31

Domiciano Lemos da Silva

50

Domingos da Silva Gomes

28

Domingos Esteves de Moraes

34

Domingos Ferreira Brito

26

Domingos Ferreira Neto

30

Domingos Henrique de São Nicácio

26

Domingos José da Neiva

34

Domingos José de Miranda

34

Domingos Lauriano Dias

40

Domingos Lemos da Silva

39

Domingos Rodrigues Carneiro

50

Elias José da Fonseca

37

Emerenciano José de Almeida

56

Eufrazio Ferreira de Melo

30

Ezaú Antonio Corrêa de Lacerda

40

Ezaú Ferreira Brito

32

Ezequiel Antonio de Almeida

37

Ezequiel Henriques Pereira Brandão

25

Faustino José

48

Feliciano Rodrigues Moreira

70

Felicissimo Vital de Moraes

60

Fidelis da Costa Coutinho

42

Fidelis Rodrigues Ferreira

29

Fidelis Vieira Cordeiro

34

Flavio Rodrigues da Silva

29

Fortunato Ferreira de Melo

28

Fortunato Lopes da Rocha

34

Francisco Antonio da Silva

50

Francisco Antonio da Silva

39

Francisco Antonio de Almeida

37

Francisco Antonio de Almeida Gama

60

Francisco Antonio Dias

40

Francisco Barbosa da Silva

70

Francisco da Costa Motta

40

Francisco da Silva Dias

34

Francisco da Silva Pereira

44

Francisco das Chagas Ferreira

32

Francisco de Sales Marques

29

Francisco de Vargas Corrêa

28

Francisco Dias da Rosa

34

Francisco Fernandes Pena

40

Francisco Ferreira

40

Francisco Ferreira Brito

25

Francisco Gomes da Silva Veado

29

Francisco Gonçalves Ferreira

34

Francisco Isidoro Ferreira

32

Francisco João Rodrigues

29

Francisco Joaquim de Almeida Gama

38

Francisco Joaquim dos Reis

35

Francisco José

31

Francisco José Caetano

31

Francisco José da Silva

34

Francisco José de Almeida Ramos

54

Francisco José de Faria Coutinho

35

Francisco José de Freitas Lima

48

Francisco José de Miranda

54

Francisco José dos Reis

27

Francisco Luiz Pereira

60

Francisco Manoel de Assis

29

Francisco Manoel de Souza

34

Francisco Martins de Andrade

40

Francisco Mendes do Vale

29

Francisco Muniz

25

Francisco Neres da Silva

60

Francisco Nunes de Moraes

30

Francisco Pereira Pontes

37

Francisco Procópio da Paixão

29

Francisco Rodrigues das Chagas

36

Francisco Rodrigues de Almeida

28

Francisco Xavier de Souza

26

Gelazio Bernardes da Rocha

30

Germano José

37

Gervasio José de Santana

29

Henrique Delfim Silva

28

Hermenegildo Rodrigues da Silva

38

Hipólito Pereira da Silva

38

Honorio Gonçalves Cortes

58

Inacio Barbosa de Souza

40

Inocêncio Gomes da Silva

50

Jacinto Manoel Monteiro

47

João Alves de Melo

27

João Antonio de Oliveira

68

João Antonio Ribeiro

44

João Batista de Almeida

39

João Batista Ribeiro

28

João da Costa Brito

50

João Damasceno Ferreira

40

João de Souza dos Santos

50

João Ferreira Neto

28

João Francisco de Almeida Gama

28

João Francisco de Azevedo

34

João Francisco de Oliveira

47

João Francisco de Oliveira

34

João Francisco Pereira

25

João Gomes de Oliveira

28

João Gomes dos Santos

31

João Gonçalves

54

João Gonçalves Neto

46

João Gualberto Ferreira

51

João Ides de Nazareth

54

João Inacio de Melo

28

João José Pereira de Andrade

49

João Mendes do Vale

26

João Mendes Ribeiro

30

João Patrício de Moura

34

João Paulo da Costa

60

João Paulo da Silva Coutinho

28

João Pedro de Souza Filho

30

João Pedro de Souza Senior

60

João Porceno Ferreira

25

João Processo Ferreira da Silva

25

João Ramos Martins

37

João Rodrigues Ferreira

31

João Roiz Ferreira Gomes

29

João Vidal Leite Ribeiro

26

Joaquim Albino

42

Joaquim Antonio da Rocha

42

Joaquim Antonio de Almeida

29

Joaquim Antonio de Almeida Gama

36

Joaquim Antonio de Gouvêa

26

Joaquim Antonio Machado

30

Joaquim Cesario de Almeida

47

Joaquim da Costa Motta

39

Joaquim Dias Neto

28

Joaquim Dias Neto

31

Joaquim Ferreira de Lacerda

46

Joaquim Firmino de Almeida

34

Joaquim Garcia de Oliveira

34

Joaquim Gomes de Oliveira

54

Joaquim Inacio de Moraes

40

Joaquim José Chica

29

Joaquim José Cordeiro

37

Joaquim José Monteiro

29

Joaquim Lopes da Rocha

32

Joaquim Lourenço da Silva

37

Joaquim Machado Neto

50

Joaquim Marques da Costa

60

Joaquim Martins

31

Joaquim Martins de Andrade

38

Joaquim Mendes do Vale

40

Joaquim Nunes de Moraes

44

Joaquim Pereira de Souza Lima

25

Joaquim Pereira dos Santos

50

Joaquim Tomaz da Silva

54

Joaquim Xavier Soares

34

José Alexandre da Rosa

38

José Alves da Silva

31

José Antonio da Silva

36

José Antonio de Almeida

26

José Antonio de Oliveira

41

José Antonio Marrier

50

José Augusto Monteiro de Barros

26

José Bernardes da Rocha

30

José Bernardes de Andrade

37

José Bernardino Machado

42

José Cardoso

42

José Casemiro de Souza

40

José Cesario de Miranda Gouvêa

27

José Coutinho da Silva

28

José da Costa Brito

25

José Dias da Silva

44

José Dias Pereira

54

José do Egito de Souza

42

José Feliciano dos Reis

34

José Felicissimo de Moraes

26

José Ferreira Brito

50

José Ferreira de Macedo

42

José Ferreira de Melo

27

José Francisco Gonçalves Neto

30

José Francisco Neto

34

José Gomes dos Santos

57

José Gonçalves Barroso

39

José Gonçalves Neto

54

José Gonçalves Valim

32

José Gregorio de Souza

36

José Inacio de Bem

39

José Joaquim Cordeiro Júnior

35

José Joaquim Cordeiro Senior

80

José Joaquim Coutinho

31

José Joaquim dos Reis

27

José Joaquim Ferreira Monteiro

31

José Joaquim Pereira

35

José Joaquim Pereira Garcia

32

José Lopes da Rocha

37

José Lopes da Rocha Júnior

26

José Machado Manso da Costa

40

José Martins de Andrade

35

José Martins dos Santos

29

José Moreira de Assunção

34

José Nunes de Moraes

78

José Patrício

29

José Pedro Borges

48

José Pereira da Silva

27

José Ribeiro de Almeida

50

José Rodrigues de Miranda

25

José Rodrigues de Sá

24

José Roiz Carneiro

32

José Soares

30

José Tavares Pinheiro

35

José Teixeira Cardoso

30

José Tomaz de Aquino Cabral

54

José Zeferino de Almeida

47

Julião Luiz de Moraes

28

Justino de Azevedo Ramos

38

Justino José Corrêa

29

Justino José da Silveira

50

Ladislao Egidio Ferreira de Toledo

37

Lauriano José de Carvalho

39

Lazaro Antonio da Cruz

30

Lino José Corrêa da Silva

28

Lourenço José Leal

58

Lucindo Antunes Moreira

31

Luiz Antonio da Silva

29

Luiz Cordeiro

50

Luiz Inacio de Moraes

37

Luiz Pereira da Silva

41

Luiz Pinto de Carvalho

34

Luiz Tavares de Oliveira

60

Manoel Antonio da Silva

28

Manoel Antonio de Almeida

66

Manoel Antonio de Oliveira

27

Manoel Barbosa de Souza

70

Manoel Bernardes da Silva

29

Manoel da Silva Miranda

36

Manoel Felicissimo dos Reis

35

Manoel Ferreira Brito

58

Manoel Gabriel do Espírito Santo

29

Manoel Gonçalves Ribeiro

34

Manoel Henrique Porto Maia

27

Manoel Jacinto de Oliveira

39

Manoel Jacinto Nogueira

31

Manoel Joaquim da Silva

27

Manoel Joaquim Pereira

32

Manoel Joaquim Tiburcio

34

Manoel José

39

Manoel José de Novaes

60

Manoel José Monteiro de Barros S.Martinho

32

Manoel José Monteiro da Silva

26

Manoel José Monteiro de Barros

65

Manoel José Monteiro de Castro

47

Manoel José Pereira da Silva

27

Manoel José Pereira da Silva

35

Manoel Lopes da Rocha

40

Manoel Nunes de Moraes

41

Manoel Pereira da Silva

49

Manoel Pereira Valverde

32

Manoel Rodrigues Coelho

47

Manoel Rodrigues da Silva

44

Manoel Rodrigues da Silva

40

Manoel Roiz do Nascimento

32

Manoel Teixeira Cardoso

60

Manoel Zeferino Cardoso

33

Marcelino José

28

Marcolino Dias Neto

26

Mateus Herculano Monteiro

47

Maximiano Francisco da Silveira

31

Miguel Moreira de Sampaio

50

Nicolao Gomes de Oliveira

32

Pedro Moreira de Souza

54

Ponciano Rodrigues de Araujo

39

Processo José Corrêa

39

Querino Ribeiro de Avelar Rezende

34

Romão Pinheiro Corrêa de Lacerda

30

Sabino Gomes da Silva

48

Salvador Dias

27

Severino José Machado

27

Severo Galdino da Fonseca

31

Silverio Luiz Pereira

59

Simplicio Antonio da Paixão

38

Teodoro Antonio de Souza

38

Tristão Policarpo de Oliveira

40

Vasco Ferreira de Melo

68

Venancio José de Almeida Costa

32

Venancio José de Oliveira

37

Venceslau Gonçalves Campos

29

Vicente Alves Ferreira

30

Vicente Antunes Ferreira

31

Vicente Dias da Rosa

37

Vicente Ferreira Monteiro

27

Vicente Gaspar Coutinho

59

Vicente Rodrigues Ferreira

30

Vital Antonio de Mendonça

40

Vital Antonio de Oliveira

74

Vital Inacio de Moraes

28

Zacarias Francisco dos Reis

31

Zeferino Inacio de Souza

34

História da Cruz Queimada

Cruz Queimada, Piacatuba, MG

Segundo Waldemar Fajardo,

“…os desbravadores, enfrentando animais ferozes e todas as dificuldades, rasgando florestas virgens, chegaram a este recanto de Minas. E com estes primeiros homens mais ou menos civilizados, também chegaram as primeiras lutas e guerrilhas pelas posses de terrenos ainda um tanto virgens. Entre duas famílias tiveram início as dúvidas que foram causadoras do terrível e horrendo sacrilégio que adiante iremos tentar descrever. A luta desenvolveu-se em torno da posse dos terrenos situados nas vertentes da bacia do Rio Pardo, calculada em 33 alqueires, e na qual se acha situada a localidade hoje denominada Piacatuba, antigamente Piedade de Leopoldina.”

As divergências não teriam ficado restritas aos que pretendiam a posse das terras, tendo se espalhado entre escravos e feitores dos confrontantes. Ainda assim, foi feita a doação do terreno onde deveria ser localizada uma povoação, cuja Padroeira seria Nossa Senhora da Piedade.

Monumento da Cruz Queimada, Piacatuba, Leopoldina, MGMas as lutas continuaram. Certa ocasião travou-se terrível batalha nas trevas e nas matas e não sabemos, e ninguém poderá calcular, se nessas lutas fôra sacrificada até, quem sabe? alguma vida humana.

Resolvida que foi a doação, como demarcação foi feita uma tosca cruz ali colocada como marco. O nome *Cruz Queimada* é um símbolo do poder divino, e raro é o habitante da Zona da Mata, em Minas, que não ouviu falar, com muito repeito, da *Santa Cruz Queimada* de Piacatuba de Leopoldina. De longe vêm pessoas aqui trazer as suas dádivas, em cumprimento de promessas atendidas.

Mas, passemos a falar sobre a Cruz Queimada e seus milagres. Era uma manhã de sol brilhante, o feitor e outras pessoas levantaram de seus leitos improvisados em cabanas cobertas de folhas de sapé, e foram iniciar a sua tarefa, que era fincar o marco dos terrenos de Nossa Senhora da Piedade. Um velho escravo escolheu uma madeira de lei que se chamava “tapinoã” e em pouco tempo se ouvia o eco do machado que lavrava o pau para fazer um cruzeiro. O sol já descambava para o horizonte, quando o velho escravo, auxiliado por outros, juntou os dois pedaços de madeira mal lavrada e formou uma cruz. Outros escravos cavaram a terra e furaram dois metros mais ou menos em um alto arenoso, que fica nas proximidades do açude, para o lado da povoação atual. Todos se juntaram e levantaram o madeiro em cruz, regulando 5 a 6 metros de altura.

Era tarde e o trabalho estava terminado, e lá no altinho ficava a cruz de braços abertos, lembrando-nos a cruz em que morreu o Salvador da Humanidade, há quase 2.000 anos…

A noite cobriu com seu manto negro a solidão das matas, mas o homem construía em seu cérebro uma desforra e esta não tardou. Os homens não se conformavam de forma alguma em ficar sem aquelas terras que tanto ambicionavam, e que no seu modo de entender lhes pertenciam. Acompanhados de seus escravos e servidores, rumaram para o local em que foram informados se erguia uma cruz, marco da sesmaria doada a Nossa Senhora da Piedade.

Torre da Cruz Queimada, Piacatuba, Leopoldina, MG

O fazendeiro cheio de ódio e irritado, mandou que os seus escravos escavassem ao pé da cruz. Mas embora em terreno arenoso, depois de longo trabalho não conseguiram. Fizeram força e a cruz não se desprendia da terra, e mal conseguiram tombá-la. O homem encolerizou-se e mandou que a cortassem e fizessem em pedaços. Mas os machados, embora manejados pelas mãos fortes dos escravos, nada conseguiram. Ao tocar a madeira, não cortavam, simplesmente amassavam a madeira onde a lâmina afiada do machado tocava. O homem começou a desconfiar de que qualquer coisa de anormal estava acontecendo.

Mas não desanimou… e … espumando de raiva, mandou os escravos juntarem grande quantidade de lenha em uma pequena derrubada que fizeram para uma plantação de milho, e colocassem em redor da cruz até que ela desaparecesse. No meio da lenharia seca, colocou então algumas taquaras secas e lançou fogo àquela montanha de madeira. Satisfeito, regressou à sua fazenda. Durante toda a noite o fogo crepitou terrível e altas labaredas iluminavam sinistramente a floresta.

Até que a madrugada aparecesse novamente e um novo dia raiou. Com ele a faina diária na fazenda. Um dos escravos que tinha ajudado nos trabalhos da véspera para tentarem arrancar a cruz, deu por falta de sua foice e lembrou-se que a havia esquecido junto ao lugar em que fizeram a fogueira na véspera. Logo veio procurá-la e, ao se aproximar do local que fizeram a fogueira, lá estava um braseiro ardente, e a cruz imponente e majestosa continuava de pé sem que o fogo conseguisse destruí-la. Simplesmente chamuscada, tomou uma cor escura como se se vestisse de luto pela impiedade dos homens. E o símbolo da redenção triunfando das chamas ardentes, proporcionou aos nossos antepassados um grandioso milagre… E todos que fizeram parte deste sacrilégio foram castigados.

Piacatuba, Leopoldina, MG

O Padre Raymundo N. F. de Araújo foi o arquiteto do monumento da Torre da Cruz Queimada, cuja construção iniciou-se aos 18 de julho de 1924, concluindo-se os trabalhos aos 20 de abril de 1928. Joaquim Fajardo de Mello Campos, com sua esposa Guilhermina Balbina Henriques Soares Fajardo, foram os idealizadores e benfeitores da construção do monumento.