Primeiro Batismo em Piacatuba

O mais antigo registro de batismo encontrado nos livros paroquiais de Leopoldina é da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade, no distrito de Piacatuba, dia 20 de abril de 1851.

O primeiro assento é de 20 de abril de 1851, batismo de Jacinta, filha de Pedro e Joaquina, escravos de Francisco José de Miranda.

Do mesmo dia é o segundo batismo, de Joaquim, filho de Valentim José da Silva e Mariana Tereza de Jesus

Posturas Municipais

Na visita que fiz a Leopoldina no final do mês de março, ouvi algumas pessoas reclamando de calçadas interrompidas por mercadorias expostas pelos comerciantes ou por veículos leves estacionados sobre as calçadas. É incrível como uma prática tão absurda permaneça em vigor na cidade há 113 anos! Sim, desde 1891 já se reclamava do mesmo problema. Vejam a nota abaixo.

Aviso do Fiscal de Posturas em 1891

Segundo Reinhart Koselleck no livro Futuro Passado, edição da Contraponto de 2006, o futuro não é simples reprodução do presente, mas o reflexo do desenvolvimento de projetos e tendências. Será que a sociedade leopoldinense e seus dirigentes ainda se encontram no estágio de sociedade tradicional, em que a mudança era mal vista e que caminhar em direção a formas mais complexas de socialização era um pesadelo? Nós estamos batalhando pela modernização da nossa sociedade?

Cada um de nós, que vive ou visita Leopoldina, tem a responsabilidade de contribuir para o aprimoramento das práticas sociais. Não basta reclamar dos administradores municipais. É fundamental nos educarmos e educar os mais jovens para que todos respeitemos as normas de conduta.

Teatro no Largo da Grama

Em 1882 Leopoldina recebia grupos de teatro que se apresentavam ao ar livre, à exemplo do espetáculo anunciado no recorte a seguir:

Teatro Largo da GramaNo anúncio informa-se que serão representadas algumas comédias, o que pode ser adaptado para a linguagem atual com o sentido de esquetes humorísticos.

104 anos de criação da Colônia Constança

No dia 12 de abril de 1910 era oficializada a criação da Colônia Agrícola da Constança, no município de Leopoldina.

Decreto de Criação da Colônia Agrícola da Constança

Colégio Fraebel

Conforme já mencionamos neste blog, o título de Atenas da Zona da Mata foi dado a Leopoldina pela expressiva quantidade de escolas e alunos existentes na cidade. Confirmando as palavras de Roberto Capri no livro Minas Gerais e seus Municípios [São Paulo: Pocai Weiss & Cia, 1916 p. 248], encontramos inúmeros anúncios de colégios em funcionamento na cidade desde meados do século XIX. Hoje acrescentamos mais um nome de instituição de ensino anunciada há 115 anos, como se vê abaixo.

Colégio Fraebel, Leopoldina, MGImportante recordar que a Rua Primeiro de Março compreendia as atuais ruas Gabriel Magalhães e Luca Augusto e que antes se chamou Rua Direita.

Ensino do Francês no século XIX

Um leitor deste blog pediu informações sobre o uso da língua francesa em Leopoldina no século XIX. Fornecemos o recorte abaixo, do jornal O Leopoldinense de 5 de maio de 1895, página 2. Ao agradecer ele informou ser a primeira vez que encontra uma demonstração tão clara como esta e que consideraria utilizar, a partir de agora, a imprensa periódica como fonte para seus trabalhos.

Será que esta fábula ainda é contada para as nossas crianças?

Uma fábula em Francês

Cuidados com a Infância

Duas notícias publicadas na mesma página do jornal O Leopoldinense, há 132 anos, indicam preocupação com o bem estar das crianças e cobrança de medidas das autoridades.

Notícias do jornal O Leopoldinense

Por um lado, Francisco de Paula Pereira Pinto e Joaquim de Azevedo doavam selos servidos para a campanha de proteção da infância, muito comum naqueles idos de 1882. Por outro, cobrava-se de um político uma solução para a falta de professores de instrução primária.

Estas notícias chamaram a atenção pelo fato de que, naquela época, a concepção de infância não era muito diferente do que ocorria no século XII, conforme defendeu Philippe Ariès em História Social da Infância e da Família (Rio de Janeiro: LCT, 1978). Para este autor, os problemas sociais que afetavam as crianças e adolescentes pobres da Idade Média permaneciam, de alguma forma, no século XIX.

O quê representa o dia 27 de abril de 1854 para Leopoldina?

Quando aceitei abrir o Ciclo de Palestras da ALLA eu não sabia que tema escolher. Resolvi conversar com algumas pessoas e descobri que é comum acreditarem que Leopoldina nasceu no dia 27 de abril de 1854. Como assim? Está lá, no caput da Lei nº 666: Lei elevando à categoria de Freguesia e de Vila o Distrito de São Sebastião do Feijão Cru com a denominação de Vila Leopoldina.

Pronto! Aí estava a questão: o quê representa o dia 27 de abril de 1854 na história de Leopoldina?

Voltando no tempo, temos que o marco de fundação de um povoado era representado pelo momento em que a Igreja atendia ao requerimento de um grupo de moradores que desejasse erigir uma Capela, facilitando o cumprimento de suas obrigações religiosas sem ter que se deslocar por distâncias muito grandes. Considerando que não foi encontrado o documento desta natureza sobre o Curato do Feijão Cru, foi necessário elaborar um documento de pesquisa para preencher as lacunas. Para tanto, realizei um percurso controlado sobre o acervo documental existente, tarefa que só foi possível a partir de um estudo prosopográfico, vale dizer, a escrita da história de uma localidade a partir de esboços biográficos de seus antigos moradores.

Deste estudo resultou a apresentação abaixo, na qual procuro demonstrar que até 2 de novembro de 1831 não havia sido criado o Curato do Feijão Cru que vai aparecer somente na Lei número 202, de 1 de abril de 1841, da primeira emancipação administrativa de São João Nepomuceno, revogada dez anos depois.

Contudo, em 1838 fora encaminhada ao governo provincial uma relação de moradores de São Sebastião do Feijão Cru, acompanhada de uma declaração do Juiz de Paz Manoel Ferreira Brito assinada em 30 de setembro de 1835. Portanto, podemos considerar o ano de 1835 como o de “nascimento” do Curato de São Sebastião do Feijão Cru.

A conclusão é de que em 1835 havia moradores no lugar denominado Feijão Cru, os quais ali já estavam em 1831, como demonstra o censo de São José do Paraíba. Sendo assim, no dia 27 de abril nós comemoramos a Emancipação Administrativa e a adoção do nome da segunda filha de D. Pedro II em 1854. Mas não podemos considerá-lo como data de nascimento.

A Igreja do Rosário em imagens externas

O entalhador, escultor e pintor português Ignacio de Castro Buena Flor, que viveu em Leopoldina a partir da década de 1870 e ali faleceu em 1920, deixou na cidade diversos exemplares de sua arte que, infelizmente, foram destruídos pelo descaso e a incúria dos dirigentes. Uma de suas obras, segundo Barroso Júnior, no livro Leopoldina e seus Primórdios, página 22, foi o Altar Mor da Igreja do Rosário, bem como os púlpitos e florões ornamentais do templo. O interior da Matriz estaria em construção no ano de 1882, conforme indica a doação de Tobias Lauriano Figueira de Mello abaixo anunciada.

Donativo para as obras da Igreja do Rosário, Leopoldina, MG

A Igreja do Rosário passou por diversas reformas, como pode ser observado nas fotografias abaixo. Não foram localizadas imagens antigas de seu interior.

Igreja do Rosário de Leopoldina, provavelmente na década de 1890

Igreja do Rosário no início do século XXIgreja do Rosário, Leopoldina, MGIgreja do Rosário, Leopoldina, MG

Distrito de Bom Jesus do Rio Pardo

Há 175 anos o Curato de Bom Jesus do Rio Pardo era elevado a Distrito de Paz pela Lei Mineira número 147 do dia 6 de abril de 1839. Neste documento observa-se que o território do novo distrito compreenderia a Aplicação das Dores que mais tarde foi elevada a distrito do município de Leopoldina com o nome de Taruaçu. Lembrando que entre 1854 e 1962 o Distrito de Rio Pardo, atual município de Argirita, pertenceu a Leopoldina.