Família Cosini

No dia 30 de outubro de 1888, o vapor Washington atracou no Porto do Rio, trazendo imigrantes italianos que foram encaminhados para a Hospedaria Horta Barbosa, em Juiz de Fora. No registro daquela instituição, a família de número 34 era composta por Agostino Battista Cosini, sua esposa Amalia Luigia Gobbi e os filhos Maria Augusta, Carlo e Francesco. No dia 3 de novembro eles saíram da hospedaria com destino a São José do Paraíba. Alguns anos depois, parte da família vivia em Leopoldina, nas proximidades da Colônia Agrícola da Constança.

Como se pode observar, esta família provinha de lugar diferente de outros passageiros que foram para a região de Leopoldina. No caso, eram da Lombardia, mais especificamente de Acquanegra sul Chiese, em Mantova.

Colégio Fraebel

Conforme já mencionamos neste blog, o título de Atenas da Zona da Mata foi dado a Leopoldina pela expressiva quantidade de escolas e alunos existentes na cidade. Confirmando as palavras de Roberto Capri no livro Minas Gerais e seus Municípios [São Paulo: Pocai Weiss & Cia, 1916 p. 248], encontramos inúmeros anúncios de colégios em funcionamento na cidade desde meados do século XIX. Hoje acrescentamos mais um nome de instituição de ensino anunciada há 115 anos, como se vê abaixo.

Colégio Fraebel, Leopoldina, MGImportante recordar que a Rua Primeiro de Março compreendia as atuais ruas Gabriel Magalhães e Luca Augusto e que antes se chamou Rua Direita.

Intérprete do Hino da Itália

Na abertura do evento comemorativo dos 130 anos da Imigração Italiana em Leopoldina e do Centenário da Colônia Agrícola da Constança amanhã, sábado, 10 de abril de 2010, a descendente Rayana Talarico da Silva Lingordo interpretará o Hino da Itália.
Descendente dos Matola, Lingordo, Pacheco, Lammoglia, Morais e Cosini, a bela voz de Rayana ecoará pelo pátio da Capela convocando todos os descendentes a prestarem uma justa homenagem a seus antepassados.

Industrialização e Técnicas de Adubação

A industrialização do norte da Itália é mencionada de forma contrastante em algumas fontes. De um lado o processo é visto como ampliação do mercado de trabalho, absorvendo a mão de obra ociosa dos jovens provenientes das lides agrícolas. Por outro lado, é considerada como estímulo à emigração por retrair o mercado, já que a mecanização diminui a necessidade do emprego de muitos braços antes necessários em algumas tarefas.

Buscando publicações a respeito, encontramos referência a uma revista quinzenal publicada em Milão na última década do século XIX. Teria sido criada como órgão de informação no meio industrial, sob o título L’industriale. No único número que tivemos oportunidade de ver, há publicidade de máquinas e equipamentos aparentemente rudimentares, além de um comentário sobre uma nova técnica de aplicação de adubos. Seria interessante encontrar outras fontes a respeito, já que a adulteração de produtos agrícolas e adubos é citada, em Notizie intorno alle condizione della agricoltura, publicada em 1886, como uma das preocupações no Ministero di Agricoltura, Indústria e Commercio naquele momento.

O diretor da mencionada revista era Carlo Gobbi e este nome chamou a atenção. Isto porque em Leopoldina viveu Amalia Luigia Gobbi, nascida por volta de 1848 em Mantova. Era casada com Agostino Cosini com quem passou ao Brasil em 1888. Uma das filhas do casal – Maria Augusta, casou-se com José Matola de Miranda e foi mãe de Ranulfo Matola, personagem de destaque em Leopoldina, sendo homenageado em nome de rua no bairro São Luiz, nas proximidades da Colônia Agrícola da Constança. E Maria Augusta era cunhada de Carlo Cosini, que até 1942 vivia na Colônia Agrícola da Constança e é referido por alguns entrevistados como especialista na aplicação de adubos.